La Civiltà Cattolica: O modernismo crítico – 1908 (I)

 



                                                      La Civiltà Cattolica 
                                                            Roma 1908.
                                                  [Tradução: Gederson Falcometa]


A crítica está na boca de todos: é o mérito da idade moderna. E se fosse mérito sincero, haveria razão para aprecia-la: a crítica verdadeira é o exame glorioso da verdade, seja científica ou religiosa. Mas muitas vezes é mérito falso: e a crítica falsa, ou melhor, o vão nome de crítica, é então pálio de todos os erros, escudo e salvo-conduto de todas as insipiências das mentes transviadas.

Isto se verifica com a mais triste evidência no modernismo. Esse da crítica não só trama o orgulho, mas se arroga por pouco o seu monopólio; falsamente, como em todo o restante, como no vangloriar que se dá de filosófico, de teológico, de místico ou de apologético, segundo demonstramos nos precedentes artigos [1]. Para que da crítica em qualquer significado que se entenda, em qualquer parte do conhecível que se considere, o modernismo não tem outra coisa que ilusão e impostura.  E isto precisamente se quer aqui provar sucintamente, para dar, em poucos tratos ao menos, a síntese conjunta e a crítica do modernismo crítico.

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Novo curso (pago) de Carlos Nougué: «O melhor regime político segundo Santo Tomás (e o atual momento brasileiro)»

 

O Melhor Regime Político
segundo Santo Tomás
(e o atual momento brasileiro)

Curso on-line de 18 horas ministrado por
Carlos Nougué

[Comunicado 1]

ABERTURA DAS INSCRIÇÕES PARA O CURSO

1) A partir do dia 4 de julho próximo, estarão abertas as inscrições para o curso on-line O Melhor Regime Político segundo S. Tomás (e o atual momento brasileiro), de 12 horas, divididas em 12 aulas de cerca de uma hora e meia cada uma.
2) As inscrições far-se-ão em nosso site:
cursos.carlosnougue.com.br.

Para maiores informações visite:

Estudos tomistas

Nova edição do Sim Sim Não Não

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O marxismo de Gramsci e a religião

by Simsimnaonao on 05/06/2016 in Ano II – Nº01

 

Augusto del Noce 
Tradução: Gederson Falcometa
Centro Romano Incontri Sacerdotali,
documenti, Anno IV, n. 35,
Roma febbraio 1977

Gramsci: marxismo para o Ocidente

Qual lugar assegurar a Gramsci entre os teóricos ocidentais do comunismo? Um fato é incontestável: entre os teóricos ocidentais do comunismo, só Gramsci definiu uma linha política capaz de ter efeito nos países ocidentais. Uma vez que para o marxismo o filósofo, o historiador e o político são indistinguíveis, porque o critério de verdade é colocado para o marxismo na verificação histórica, parece legítimo concluir disto que se deve ver na posição gramsciana também o desenvolvimento mais rigoroso que o marxismo alcançou. Até agora, o marxismo não conseguiu vencer no Ocidente e com isso se universalizar. A possível vitória da ‘batalha do Ocidente’ torna o possível sinal da sua universalidade. Em todo o caso, é com o comunismo gramsciano que devemos fazer as contas.

Dito isto, devemos nos perguntar: existe para tal forma de marxismo uma possibilidade de conciliação, não só com o catolicismo, mas com qualquer posição de pensamento que admita uma realidade transcendente? Ou ao invés disso, o gramscismo contém a resposta decisiva, porém negativa, a qualquer possibilidade de diálogo?

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O latim, língua viva na Igreja

by Simsimnaonao on 05/06/2016 in Ano II – Nº01

Padre António Freire, S.J.

Ao cair da tarde de um dos dias primaveris do ano de 374, sobre a amurada de um dos navios ancorados no porto de Aquileia e prestes a levantar ferro, rumo a Dirráquio, um jovem de 27 anos aguardava, impaciente, o momento em que os escravos encarregados das mercadorias dos passageiros, corressem para as suas bagagens, que ele vigiava com olhar solícito e acrisolado carinho. A viagem ia ser longa e a sua equipagem, composta exclusivamente de preciosos pergaminhos latinos, reunidos em Roma «à custa de mil suores e fadigas», corria perigo.

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“São Déscartes” Padroeiro das feministas e não somente delas

by Simsimnaonao on 05/06/2016 in Ano II – Nº01

Sim Sim Não Não
[Tradução: Gederson Falcometa]

Do «homo faber» ao «homo fabricatus» e perenemente «fabricandus»

É a partir de Descartes que a inteligência atua a sua primeira e verdadeira prostituição a vontade de potência e se volve para o titanismo delirante de querer erigir a mente humana, não só a medida neoprotagorista de “todas as coisas”, mas a razão mesma do seu ser, do seu ser pelo seu decreto, a sua fábrica, a sua invenção. Se os antecedentes de um tal delírio estão já presentes no Humanismo com a bruniana mens insita omnibus ou com a verdadeira “indignidade” narcisista do mirandoliano “De hominibus dignitate”, para nos limitarmos a dar algum exemplo, é porém, sobretudo do cogito cartesiano que tem início a atividade dinamitada da inteligência humana nos confrontos daquele “secante obstáculo” que é a muda e nua objetividade das coisas. Do cogito em diante o domínio da mente se faz sempre mais totalitário e despótico, de maneira a ativar em seu interior uma espécie de inflexibilidade mecânica perceptiva que depois, por consubstancial dinamismo alucinatório, tem sempre mais a se especificar não só como recusa de qualquer evidência objetiva, mas sobretudo como ataque ab-rogativo nos confrontos da especificidade da pessoa e da sua dignidade e identidade real.

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CARIDADE E JUSTIÇA SOCIAL COMO FUNDAMENTO DA POLÍTICA

PADRE CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Gederson Falcometa]

20 de dezembro de 2010

http://www.doncurzionitoglia.com/caritas_giustizia_politica.htm

 

 

 Papa Gregorio VII

“Do desprezo do bem comum ou social um pode ser induzido a todos os pecados”

(S. Tommaso d’Aquino, S. Th., II-II, q. 59, a. 1).

 

Para o ‘bom governo’, que é a verdadeira virtude de ‘prudência social’ ou seja, a política no sentido clássico do termo, é preciso sobretudo duas virtudes além da prudência: a justiça e o amor natural e sobrenatural, que são substancialmente diversas da egalitè et fraternitè da modernidade. Aqui lhe estudaremos na ótica social e não estreitamente individual, porque nos ocupamos da filosofia política ou social, que estuda a vida em comum ou em sociedade dos indivíduos homens, os quais se unem antes em uma família e depois em mais famílias, as quais formam uma sociedade ou polis (=cidade) e mais cidades formando enfim um Estado. No artigo sobre “Direito natural” publicado neste mesmo site, vimos como a lei, é eterna ou divina, natural e positiva e como estas leis regem a sociedade e sem essas se cai inevitavelmente na “dis-sociedade” ou dissociação anárquica, que é o ‘péssimo governo’1. No presente artigo nos ocupamos da justiça e da sua perfeição, que é a amizade ou amor (natural ou sobrenatural)2, para colocar bem a fogo que sem essa não é possível uma verdadeira virtude de prudência social ou política, vale dizer o ‘bom governo’3. No livro em dois volumes citados em nota, se afronta o tema da política entendida por Aristóteles e Santo Tomás de Aquino como virtude social, as suas bases metafísicas, a natureza, causa eficiente e final da sociedade, a sociedade internacional, a origem do poder, da tirania e do tiranicídio, as três formas de governo (monarquia, aristocracia e polícia), a realeza social de Cristo, as relações entre Estado e Igreja, o maquiavelismo como início da “política” moderna, concebida de maneira diametralmente oposta à política aristotélica-tomista como separada da virtude e da moral e por isso ‘mau governo’ (1º volume). No 2º volume se afronta a problemática das relações entre a virtude política clássica e as desviações “políticas” modernas: a guerra justa, a pena de morte, a tortura e a represália, a questão social e a sua verdadeira solução contra os dois erros – por excesso e por defeito – do coletivismo socialista e do individualismo liberal, da verdadeira natureza do comunismo, mesmo daquele de “rosto humano”, ou seja, “euro comunismo” e do “cato-comunismo”, do liberalismo clássico, da democracia cristã, qual modernismo social ou liberalismo-católico, do fascismo e do nazismo, mesmo se estes dois capítulos são datados (remontam ao ano de 2002) e, penso, excessivamente severos na crítica. Conclusão a) direito natural, divino e positivo; b) caridade e justiça são os dois pilares que regem a estrutura da prudência social ou política clássica. Continue Reading →

A CONCEPÇÃO POLÍTICA DE DANTE ALIGHIERI E O “DE MONARCHIA”

 
DON CURZIO NITOGLIA
 19  de agosto de 2009
[Tradução: Gederson Falcometa]
 
 
 
 
Dante, em De Monarchia, é um um dos precursores do Príncipe de Maquiável. Esta frase pode surpreender, mas, se se estudar bem o problema, as coisas se fazem claras. Para Étienne Gilson, segundo Dante “O imperador não deriva o seu poder do Papa pelo fato que é diretamente submisso a Deus” [1]. Diante do ideal cristão de uma Igreja universal, o Poeta quer erguer o ideal humano gibelino ou cesarista de um império universal sobre a autoridade de um só imperador, que deveria desenvolver o papel que o Papa desenvolve na Igreja. O florentino toma da Igreja o ideal de uma cristandade universal e o laiciza. É o eterno problema, que retorna continuamente, em filosofia política, da relação entre o poder espiritual e o poder temporal. O “gibelino fugitivo” jogou habilmente citando sobretudo Aristóteles (mas é o aristotelismo averroísta o que ensina o Poeta, como o explica Gilson; além disso, Aristóteles, não conhecia o conceito de criação, de criatura-Criador, de fim ultimo sobrenatural, razão por que sua Política é pagã, e Santo Tomás, graças às luzes da Revelação, a completou e em algumas partes a retificou). Ora a sociedade tem necessidade de uma autoridade, e o próprio Santo Tomás havia dito que a melhor forma de governo é a de um só: a monarquia. “S. Tomás, todavia, estava assim longe de pensar em uma monarquia universal… e definia o rei como aquele que governa o povo de uma cidade ou de uma provincia em vista do bem comum” [2]. Em De Monarchia (liv. II), Alighieri afirma que o Império Romano, ainda subsistente no medievo gibelino, é um poder legítimo querido por Deus para o bem comum. Ora, o Papa se coloca igualmente como uma autoridade de origem divina. Então se dá o dilema de como acordar o Papa e o Imperador. O problema que se apresenta a Dante é saber se o poder vinha ao imperador imediata e diretamente de Deus, ou indiretamente e através do Papa (lib. III, 1). Nós já vimos de passagem como Dante resolve o problema, mas agora vamos vê-lo melhor. Contra o Papa, Dante invoca o rei Salomão, mediante cuja “santidade” (Salomão em verdade morreu em concubinato e politeísta) se julgam os Papas e a cujo serviço é mobilizado o cristianismo (aqui nasceu a lenda do Dante esotérico, exposta por Guénon; sendo Salomão o construtor do primeiro Templo de Jerusalém, ao qual se referem os iniciados e os maçons em geral, que têm como escopo a reconstrução do terceiro Templo, como… Sharon ou Nethaniahu).  Além disso, os cristãos – segundo Dante – devem ao Papa não tudo aquilo que se deve a Cristo, mas só aquilo que se deve a Pedro. “É hábil a fórmula – comenta Gilson – usada pelo Poeta para limitar a extensão da obediência ao Papa: ‘tudo aquilo que se deve não a Cristo, mas a Pedro’. Propor esta cláusula como algo evidente significa fechar a questão no princípio, porque equivale a afirmar que existem privilégios de Cristo que nem Pedro nem os seus sucessores herdaram (…) equivaleria a excluir os privilégios de Cristo herdados por Pedro e pelos seus sucessores, e aquele próprio primado temporal que Dante se prepara para negar-lhes” [3]. Mas coloquemos em confronto Dante e Santo Tomás:

Luz do Apocalipse

R. Th. Calmel O.P.

 

TEOLOGIA DA HISTÓRIA

 

CAPÍTULO SEGUNDO

[Tradução: Gederson Falcometa]  

 

 

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Podem-se encontrar estranhas, complicadas e as vezes até mesmo desconcertantes visões, sempre grandiosas, do Apocalipse de São João. Não se pode porém acusá-lo de fornecer uma idéia milenarista ou progressista da história. Neste não se encontra uma só alusão, por quanto sútil a suponha, a uma ascensão do ser humano para uma super-humanidade, nem a uma transfiguração da Igreja militante em um Igreja onde não existem mais pecadores ou que cessem de ser um alvo aos ataques das duas Bestas. Sob qualquer forma que se apresente, o mito do progresso é totalmente estranho a revelação do vidente de Patmos; este mito, como veremos, é de fato destruído pelas suas revelações. A razão maior, na perspectiva do Apóstolo João, inspirado pelo Senhor, é a impensável heresia ultramoderna segundo a qual a construção da humanidade através da busca, da ciência e da organização terminaria bem rápido por identificar-se com a Igreja de Deus.

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S. Tomás de Aquino: O mal

Quaestiones disputatae De Malo Santo Tomás de Aquino [Tradução: Gederson Falcometa]

QUESTÃO I O MAL

Art. 1. O mal não é alguma coisa. Primeiro: porque todo agente age em vista de um fim e de um bem, como existe uma ordem nos agentes, existe também uma ordem nos fins e nos bens. E como existem agentes superiores e inferiores, existem também fins e bens superiores e inferiores. Não podendo ir ao infinito, como existe um primeiro agente, que é Deus, existe também um fim e um bem, que é também Deus. Então, todas as coisas, derivando da primeira causa, são seres particulares; e porque a primeira causa é também o primeiro bem, todas as coisas derivantes da primeira causa, são também bens particulares. Segundo: aquilo que é, tende para alguma coisa a si conveniente; ora, o mal não tem conveniência com nenhuma coisa, por ninguém desejado e, se existisse, não desejaria nenhuma coisa. Terceiro: cada coisa deseja existir e evitar aquilo que ameaça o seu existir; lhe segue que o ser é um bem e o mal, que se opõe ao bem, se opõe também ao ser. Continue Reading →

P. Roger Thomas Calmel: Receita para tempos de Crise

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Padre Roger Thomas Calmel

Tradução: Gederson Falcometa

Mais atual do que nunca é este texto do Padre Roger Thomas Calmel, um dos primeiros sacerdotes a ter pressentido e resistido a crise na Igreja que se difundia já rapidamente nos anos 60. Neste ele mostra as grandes linhas do comportamento do católico que deve buscar força na vida interior para não deixar-se transportar para a corrente dos erros e contribuir com a restauração da Igreja, restauração que deve começar na nossa alma.

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P. MATTEO LIBERATORE, S.J: CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

 

A Igreja e o Estado (2ª ed.) Napoles 1872, cap. I, pag. 7-21.

Rev. Pe. Matteo Liberatore S.J.

CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

CAPÍTULO I.

ARTIGO I.

Conceito liberal

I

Tríplice forma de tal conceito

A palavra de ordem, como se costuma dizer, do liberalismo hodierno é a emancipação do Estado da Igreja. Isto se entende de duas maneiras: segundo a que é promovida pelo liberalismo absoluto ou pelo liberalismo moderado; do qual se aproxima, de boa ou má fé, muitos, mesmo entre aqueles que são católicos, se não de mente ao menos de coração, e assumem a denominação de católicos liberais. O primeiro dos dois liberalismos quer a supracitada emancipação pela via da supremacia do Estado; o segundo pela via de plena independência da Igreja; os católicos liberais sustentam a recíproca separação não como verdade especulativa, mas como método prático. Continue Reading →

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