MATRIMÔNIO, AMOR E CARIDADE: CONSELHOS AOS NAMORADOS

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Padre Curzio Nitoglia
Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

·         Depois de ter vis­to o que é a ver­dadeira Cari­dade sobre­nat­ur­al e tê-la dis­tin­ta antes de tudo do amor nat­ur­al (que é bom mas imper­feito) e sobre­tu­do do ero­tismo freudi­ano, que hoje inva­diu todas as coisas, que é puro egoís­mo, amor próprio, e é a morte do ver­dadeiro amor nat­ur­al e sobre­nat­ur­al, bus­care­mos ago­ra aplicar as noções de ver­dadeiro amor nat­ur­al, que deve ser aper­feiçoa­do por aque­le sobre­nat­ur­al, ao Matrimônio e de dar con­sel­hos aos jovens namora­dos, afim de que pos­sam se preparar con­ve­nien­te­mente e vivê-lo estavel­mente.

 

·         O Matrimônio é uma união estáv­el, que dura por toda a vida, entre um homem e uma mul­her, em vista de for­mar uma família, de ter e de dar fil­hos sobre­tu­do a Deus no Paraí­so e de aju­darem-se rec­i­p­ro­ca­mente, no cor­po e no espíri­to. Afim de que o mari­do seja fiel a mul­her e vice-ver­sa, “na boa e na má sorte”, todos os dias “até que a morte lhes sep­a­re”, é necessária uma boa preparação para o Matrimônio. Por exem­p­lo, como para se tornar sac­er­dote se entra no Sem­i­nário, se cumprem os estu­dos e se respei­ta a dis­ci­plina durante pelo menos 5 anos, para ver se é real­mente chama­do a vida sac­er­do­tal, ou para ser mil­i­tar se entra na Acad­e­mia do exérci­to, assim deve ser tam­bém o namoro em vista do Matrimônio. Se de fato, não se vive bem o namoro, muito provavel­mente se viverá mal o Matrimônio. Como quan­do se faz mal o Sem­i­nário ou a Acad­e­mia, e não nos reti­ramos antes, se terá quase segu­ra­mente uma vida sac­er­do­tal ou mil­i­tar em risco.

·         Um dos erros que se comete mais fre­quente­mente no namoro, sobre­tu­do no tem­po atu­al, é de vê-lo ape­nas e exclu­si­va­mente ou mes­mo prin­ci­pal­mente, como atração físi­ca, sem dis­cernir se existe comunhão de idéias e de sen­ti­men­tos. Este é o erro ini­cial. As coisas pio­ram quan­do no ato práti­co não se respei­ta o cor­po (que é “Tem­p­lo do Espíri­to San­to”) e aque­le da out­ra metade. A união sex­u­al é orde­na­da a pro­cri­ação, que é lici­ta ape­nas no Matrimônio. Fal­tan­do, ao lon­go do cur­so do namoro, o respeito por si e pelo out­ro e vice-ver­sa, durante o Matrimônio as fal­tas de respeito recípro­co serão sem­pre maiores tor­nan­do o supor­ta­men­to mútuo e o viv­er jun­tos uma tor­tu­ra. Eis a importân­cia ini­cial de escol­her o próprio namora­do ou a própria namora­da em vista não ape­nas de qual­i­dades exter­nas, mas tam­bém – e sobre­tu­do – daque­las inte­ri­ores, que unem os espíri­tos, que são mais estáveis e duradouros do que a dos cor­pos, e então, de viv­er prati­ca­mente bem o namoro segun­do a lei nat­ur­al e rev­e­la­da. De out­ro modo, se fun­da o Matrimônio sem Deus, sem amor recípro­co de benevolên­cia, mas ape­nas ego­is­ti­ca­mente, ven­do no out­ro um obje­to de uso e con­sumo e não um sujeito inteligente e livre para con­hecer e amar, respeitar para ser recon­heci­do, re-ama­do e respeita­do. Matrimônio sig­nifi­ca con­vivên­cia, amor recípro­co e altruís­ta. Então, se esse é fun­da­do sobre o egoís­mo ou con­cu­pis­cên­cia, não pode durar1.

 

·         O ver­dadeiro amor é altruís­ta (de bono alieno), não é de con­cu­pis­cên­cia (de bono pro­prio), que em ulti­ma análise é só egoís­mo (‘ego’= eu: amo ape­nas e sobre­tu­do a mim e não a out­ra pes­soa, a qual vem des­fru­ta­da por mim e para mim) e é todo o con­trário do amor, o qual con­siste na benevolên­cia, ou seja, no quer­er bem ao out­ro e o bem do out­ro e encon­trar tam­bém a nos­sa feli­ci­dade no out­ro con­heci­do e ama­do. Então, o amor ou benevolên­cia com­por­ta rec­i­pro­ci­dade entre o sujeito amante e a pes­soa ama­da e enfim a comunhão de vida não ape­nas físi­ca, mas sobre­tu­do espir­i­tu­al, isto é, de pen­sa­men­tos e de afe­tos racionais e sobre­nat­u­rais.

  

·         O ver­dadeiro amor, por­tan­to, deve ten­der a tornar a pes­soa ama­da livre, forte e não exces­si­va­mente depen­dente da pes­soa amante (isto vale para marido/mulher, pais/filhos, sacerdotes/fiéis, mestres/alunos e vice-ver­sa, religioso/Deus…). Se quer­e­mos bem a qual­quer um e o bem de qual­quer um, deve­mos nos esforçar para val­oriza-lo e não para esmagá-lo, manip­ulá-lo ou torná-lo escra­vo e súcubo. O amor nos tor­na unidos, mas não depen­dentes. A união reforça, a dependên­cia enfraque­ce. No namoro, que é a preparação do Matrimônio, é pre­ciso aju­dar-se rec­i­p­ro­ca­mente nas coisas não ape­nas tem­po­rais e mate­ri­ais, mas sobre­tu­do racionais e espir­i­tu­ais. De fato, o homem não é só matéria, nem mes­mo é um puro espíri­to, mas um com­pos­to (assaz com­pli­ca­do) de cor­po e alma, pelo que é pre­ciso ter sem­pre pre­sentes estes dois com­po­nentes humanos, mas na sua ordem e sub­or­di­nação: o cor­po é sub­mis­so a alma e a alma deve diri­gir o cor­po. Mes­mo se depois do peca­do orig­i­nal perdemos o pleno sen­ho­rio sobre o cor­po, ain­da man­te­mos um cer­to poder (diplomáti­co, não despóti­co) sobre nos­sas paixões, instin­tos e impul­sos. O homem, por­tan­to, é ain­da livre e respon­sáv­el pelos próprios atos: a sua von­tade, que foi feri­da pelo peca­do de Adão, per­manece ínte­gra, não foi destruí­da, como ao invés ensi­nam Lutero e Freud. O Matrimônio, se é vivi­do só em vista do cor­po vai a falên­cia, não pode durar até a morte: a beleza físi­ca mur­cha, o praz­er com pas­sar dos anos desa­parece, as doenças, as difi­cul­dades tem­po­rais avançam e não vale a pena man­ter em pé algu­ma coisa que é basea­do ape­nas sobre aqui­lo que por definição se cor­rompe. Se, o  Casa­men­to fos­se vivi­do ape­nas segun­do o espíri­to, fal­taria real­is­mo, igno­ran­do a real natureza humana com­pos­ta sub­or­di­nada­mente de matéria e alma, e frus­taria o seu fim primário que é a pro-cri­ação (que é quase uma “cri­ação”2 de uma “cria­tur­in­ha” vivente). Jamais deve­mos nos esque­cer que não somos nem puros anjos, nem puras bestas, mas um mis­to, mis­te­rioso, de “anjo” (ani­mal espir­i­tu­al) “encar­na­do em um cor­po ani­mal”. Pelo que o ver­dadeiro amor nat­ur­al sig­nifi­ca dese­jar que o out­ro seja bom, feliz e que chegue ao seu Fim ulti­mo, o qual é Deus, e isso não se deve fir­mar ape­nas no aspec­to mate­r­i­al e físi­co, que tam­bém deve ser pre­sente, mas deve ser sub­or­di­na­do ao aspec­to racional e espir­i­tu­al, dada a natureza do homem, “ani­mal racional” e não “puro ani­mal”. Além dis­so, o amor nat­ur­al deve ser aper­feiçoa­do pela Cari­dade sobre­nat­ur­al, porque Deus nos elevou a ordem sobre­nat­ur­al e não podemos per­manecer naque­la sim­ples­mente na nat­ur­al, que, se é boa, é ain­da imper­fei­ta, escas­sa e defi­ciente de Graça sobre­nat­ur­al e san­tif­i­cante, iní­cio da vida eter­na, a qual somos orde­na­dos3. O out­ro – por isso – não deve ser ama­do como Fim, não deve ser idol­a­tra­do, nem muito menos despreza­do, feri­do, pos­suí­do, manip­u­la­do, mas ben­quis­to como “meio”, no bom sen­ti­do do ter­mo (is qui est ad finem): aqui­lo que tende ao Fim e nos aju­da val­i­da­mente a col­her o Fim, e, não no sen­ti­do pejo­ra­ti­vo do ter­mo, como “puro obje­to de capri­cho”, de como­di­dade e des­fru­ta­men­to de que nos servi­mos e em segui­da o jog­amos fora quan­do não nos serve mais.

 

·         O ver­dadeiro amor de benevolên­cia, rec­i­pro­ci­dade e comunhão deve infundir ao out­ro con­fi­ança, tran­quil­i­dade, segu­rança, força, ver­dade, cor­agem, em suma, aqui­lo que é o bem para o out­ro e do out­ro. Jamais ferir, humil­har, des­en­co­ra­jar, tornar escra­vo, depen­dente, manip­u­la­do, inse­guro4. Ape­nas Satanás (o “grande Satanás”, ou seja, o dia­bo) e o “pequeno satanás” (o homem que serve de supos­to do dia­bo) des­en­co­ra­jam, tiram a paz, tor­nam escravos e depen­dentes medi­ante o erro, a men­ti­ra e o mal moral. Jesus que sig­nifi­ca ‘Sal­vador’, não é aque­le que perde ou o “Danador” que destrói o out­ro. Pará­cli­to sig­nifi­ca ‘Advo­ga­do defen­sor’, não é o Acu­sador, que ao invés é o dia­bo ou demônio, o qual se diverte, com sar­cas­mo e iro­nia (as famosas “set­inhas”, que fer­em mais que as can­honadas) a manip­u­lar a alma e o pen­sa­men­to do homem para tor­na-lo seu adep­to e escra­vo.

 

·         Um risco a evi­tar é aque­le de quer­er ser aceita­do a todo cus­to pelas criat­uras e de não des­gostar a elas, mes­mo a condição de ser deter­mi­na­dos pelo out­ro, renun­cian­do e per­den­do assim a nos­sa ver­dadeira liber­dade (“faz­er o bem e fugir do mal”) e autên­ti­ca per­son­al­i­dade (“criatu­ra irrepetív­el fei­ta a imagem e semel­hança de Deus pes­soal e tran­scen­dente”), que pode con­hecer real­mente e obje­ti­va­mente, e amar livre­mente e mer­i­tosa­mente Deus, depois de ter sido con­heci­da, ama­da e cri­a­da por Ele. Não é pre­ciso jamais colo­car o out­ro (qual­quer um que esse seja, mes­mo “o pai e a mãe”, namorado(a) ou esposo(a)) no lugar de Deus, de modo que pelo amor do out­ro se esqueça Deus e a sua Lei (se faz o mal e se evi­ta o bem, o con­trário da sindérese), e, para com­praz­er o out­ro, se renún­cia a con­hecer e amar deus (que é a essên­cia da pes­soa humana, a qual é um sujeito inteligente e livre, feito para con­hecer o Ver­dadeiro e amar o Bem) arru­inan­do assim a nós mes­mos, o próx­i­mo e per­den­do a amizade com Deus, Sum­mum Verum et Bon­um. A Imi­tação de Cristo nos adverte: “a maior parte das nos­sas pre­ocu­pações depende do fato que dese­jamos agradar aos out­ros e temem­os desagradar a eles”.

 

·         Para chegar a aju­dar o próx­i­mo no seu aper­feiçoa­men­to ou bem racional, afe­ti­vo e espir­i­tu­al, é pre­ciso primeiro ter tra­bal­ha­do sobre si mes­mo (nemo dat quod non habet) e ter olha­do em face e em pro­fun­di­dade os nos­sos lados pos­i­tivos e neg­a­tivos, que ape­nas com a Graça de Deus podemos mel­ho­rar, mas que podemos curar com­ple­ta­mente ape­nas no Paraí­so (com a ‘Visão beat­i­fi­ca’). Só a espir­i­tu­al­i­dade, ou seja, a ver­dadeira Cari­dade sobre­nat­ur­al, que se fun­da sobre o amor nat­ur­al de benevolên­cia (gra­tia sup­ponit nat­u­ram, non tol­lit sed per­ficit eam), pode sanar – sufi­cien­te­mente bem sobre esta ter­ra (gra­tia sanans) e com­ple­ta­mente no Paraí­so (Lumen glo­ri­ae) – o homem com­pos­to de cor­po, alma e espíri­to. Hoje se quer curar ape­nas com remé­dios e psi­colo­gia, como se o homem fos­se só matéria e raciocínio e não tivesse sido ele­va­do a ordem sobre­nat­ur­al. Então, não deve­mos jamais nos sen­tir total­mente e abso­lu­ta­mente indig­nos e mal­va­dos diante de Deus, de nós mes­mos e do próx­i­mo (por ex. Caim e Judas), como nem mes­mo total­mente e abso­lu­ta­mente per­feitos e san­tos (por ex. o Fariseu que sai a pre­gar no Tem­p­lo). Em caso con­trário destruí­mos a nós mes­mo (por deses­per­ação ou pre­sunção) e trans­miti­mos aos out­ros estes sen­ti­men­tos neg­a­tivos (por defeito, descon­fi­ança – ou – por exces­so, mega­lo­ma­nia) que insis­ti­mos em car­regar den­tro de nós e que nos levaria a “amar lhes” em “fusão abso­lu­ta”, quase como um apêndice nos­so, ou – nar­ci­sis­ti­ca­mente — em uma dependên­cia total a nós. Atenção, tam­bém ao exces­si­vo destaque, a frieza, a dureza de coração, o dis­tan­ci­a­men­to de pen­sa­men­to e de sen­tir. Ao invés dis­so, respeito, desen­volvi­men­to, cresci­men­to nos­so no out­ro, per­manecen­do si mes­mo (indi­vidu­um est indi­vi­sum in se et divi­sum a quoli­bet alio) e aju­dan­do nos rec­i­p­ro­ca­mente na vida, que é res sev­era (como diziam os anti­gos Romanos) e no sen­ti­do mais alto do ter­mo, uma via­jem para Deus. Ver­dadeiro amor é aju­dar-se e realizar-se ou colo­car em ato aqui­lo que se é em potên­cia, in Domi­no.

 

·         Como se vê as relações (namoro, matrimônio, direção espir­i­tu­al, dis­cente, docente, vida con­sagra­da) podem per­manecer con­stantes e duradouras se veem ori­en­tadas prin­ci­pal­mente sobre Deus e em segui­da se são fun­dadas sobre o bem do out­ro e para o out­ro (e não exclu­si­va­mente sobre nós mes­mos), que deve­mos amar como a nós mes­mos para aju­dar nos rec­i­p­ro­ca­mente a chegar ao nos­so Fim, que é o Sen­hor. De fato, as neces­si­dades da alma humana, que é espir­i­tu­al, são aber­tos obje­ti­va­mente ao infini­to (ani­ma est quo­dammo­do, seu obiec­tive, omnia) e ape­nas Deus, que é infini­to, lhe pode sat­is­faz­er. Não con­seguiri­amos nun­ca soz­in­hos e nem mes­mo aju­da­dos por uma out­ra criatu­ra fini­ta e lim­i­ta­da como nós, mas, ape­nas aman­do a nós e o próx­i­mo para o bem do out­ro, e não por egoís­mo, rec­i­p­ro­ca­mente e em comunhão de idéias e de sen­ti­men­tos propter Deum, poder­e­mos encon­trar a paz da alma e a feli­ci­dade rel­a­ti­va sobre esta ter­ra, que será com­ple­ta ape­nas na out­ra vida, aque­la ver­dadeira, ou seja, aque­la eter­na.

 

·         Então, é pre­ciso evi­tar o exces­so de amor ou amor assas­si­no, que con­siste no quer­er de tal for­ma o bem do out­ro, que se pas­sa a quer­er con­tro­la-lo em tudo, pen­san­do fazê-lo para o seu bem, enquan­to, na real­i­dade, isso o tor­na fra­co, depen­den­te­mente e se impede o seu cresci­men­to. Isto pode acon­te­cer entre gen­i­tor e fil­ho, mari­do e mul­her, sac­er­dote e fiel, mestre e alunos. Uma degen­er­ação deste exces­so é o espíri­to de sei­ta, em que um líder ou “san­tão” con­tro­la e manip­u­la psi­co­logi­ca­mente e men­tal­mente o seu grupo, até tor­na-lo seu escra­vo tam­bém inte­ri­or­mente. Ao invés, o ver­dadeiro amor é de benevolên­cia ou de bono alieno e é feito de afe­to, con­fi­ança e con­for­to dado ao out­ro, que o tor­na mais forte, seguro e tran­qui­lo. É pre­ciso enco­ra­jar, val­orizar o out­ro e, se cor­ri­gir quan­do for necessário, deve ser feito para o seu bem e  se deve fazê-lo bem, ou seja, fazen­do-lhe enten­der que não apre­cia cas­tigá-lo, que não o faz por cru­el­dade, sadis­mo, antipa­tia ou aces­so de ira, mas para que mel­hore, não repi­ta os seus erros e saia do mal. É satanás que quer con­tro­lar cada coisa, espi­ar, pos­suir, esma­gar, avil­tar, acusar, repreen­der e chan­tagear. Ele não cor­rige, mas acusa para faz­er o out­ro per­manecer no mal, é o manip­u­lador por excelên­cia, que colo­ca dúvi­das no out­ro para tor­na-lo seu escra­vo para sem­pre. Busque­mos de não agir como ele (agere sequitur esse): seria muito perigoso sobre­tu­do para nós.

 

·         Parece me que pos­so con­cluir com a recor­dação de Aldo Fab­rizi5. Que os namora­dos o tomem como exem­p­lo e o seu matrimônio será preenchi­do de boas recor­dações e pri­va­do de desagradáveis sur­pre­sas, das quais pagam as despe­sas, sobre­tu­do os fil­hos de gen­i­tores “mal-casa­dos”.

Padre Curzio Nitoglia

2 de abril de 2011

http://www.doncurzionitoglia.com/matrimonio_amore_caritas.htm

 

1 Lendo a vida de Aldo Fab­rizi, me tocou a respos­ta que deu a per­gun­ta rit­u­al:

Qual a coisa você recor­da mais da sua mul­her?”. O reg­ista-ator disse sem hes­i­tar: “que o primeiro bei­jo que nos demos foi na primeira noite de matrimônio”. Eis a importân­cia de respeitar a pes­soa ama­da e de faz­er-se respeitar como pes­soa e não de tratar e deixar-se tratar como obje­to de con­sumo. A crise dos matrimônios é dev­i­da em grande parte a esta fal­ta de com­preen­são do ver­dadeiro amor de benevolên­cia, que respei­ta e quer a hon­or­a­bil­i­dade e a hon­esti­dade da out­ra parte e não a vio­la e nem a suja. Cer­ta­mente uma namora­da assim será recor­da­da por toda a vida mat­ri­mo­ni­al e tam­bém durante na viu­vez, como acon­te­ceu a Aldo Fab­rizi. Mas se essa não se faz respeitar, se o namora­do não a respei­ta, qual recor­dação ou boa opinião poderá ter-lhe durante o resto do namoro e no matrimônio? Pud­er­am con­fi­ar um no out­ro, quan­to a fidel­i­dade con­ju­gal? Se não se man­tiver­am ínte­gros durante o namoro, a fal­ta de con­fi­ança lhes ron­dará durante o Matrimônio.

2A qual, estre­ita­mente falan­do, per­tence só a Deus, que cria ex nihi­lo.

3 A vida espir­i­tu­al ou sobre­nat­ur­al nos leva, se vivi­da bem, ao “Namoro e Matrimônio Espir­i­tu­al” (v. São João da Cruz e San­ta Tere­sa d’Avila). Então, aqui­lo que se diz para os namora­dos e os casa­dos, vale – analoga­mente e em grau emi­nente – para os reli­giosos e os con­sagra­dos. Ess­es devem viv­er com Deus uma relação de Amor sobre­nat­ur­al ou de Cari­dade infusa, qual seja: 1º — benev­o­lente ou altruís­ti­co (amar a Deus mais que a nós mes­mos); 2º — recípro­co (Deus nos con­hece e nos ama, mas quer ser con­heci­do e ama­do por nós, através da Fé, da Esper­ança e da Cari­dade); 3º — em comunhão ou con­vivên­cia (viv­er jun­to a Deus, pre­sente real­mente e fisi­ca­mente na alma do jus­to pela Graça San­tif­i­cante). Se o reli­gioso não preenche de Deus a sua vida, espe­cial­mente com a oração men­tal, essa será um fra­cas­so: bem rápi­do serão as criat­uras a tomar o lugar de Deus, e isto com­por­ta o “divór­cio” entre Deus e o reli­gioso ou o con­sagra­do, que na sua profis­são ou orde­nação con­traiu um ver­dadeiro e próprio Matrimônio mís­ti­co e espir­i­tu­al com Deus.

4 Isto vale tam­bém e espe­cial­mente para a vida cristã ou espir­i­tu­al. Deus nos ama e quer a nos­sa feli­ci­dade eter­na, mas nós podemos estra­ga-la com uma fal­sa idéia da vida espir­i­tu­al e da relação com Deus, temi­do mais que ama­do, vis­to como um Patrão e não como um Ami­go. Ao invés, Jesus nos rev­el­ou “vos chamareis ami­gos e não ser­vos”. Depende de nós viv­er a Religião e a relação com Deus de for­ma ver­dadeira, con­fi­ante, ser­e­na e não triste, ater­ror­iza­da e choramin­gante. Espe­cial­mente o sac­er­dote e a guia espir­i­tu­al devem faz­er mui­ta atenção, em for­mar as almas, a não plag­iá-las tor­nan­do as depen­dentes deles mes­mos, mas reforçar lhes e val­orizar lhes em Deus.

5 Ver nota 1.

 

 

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