A PAZ DA ALMA (4ª PARTE: A VIDA DO HOMEM É UMA BATALHA)

 PADRE CURZIO NITOGLIA
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]
24 de maio de 2012
http://www.doncurzionitoglia.com/pace_anima4.htm 

  •     “A vida do homem é uma batal­ha” dizia Jó. Nós mes­mos con­stata­mos que nes­ta vida temos ale­grias, mas tam­bém muitos sofri­men­tos para enfrentar. Todavia, existe um remé­dio para trans­por facil­mente toda difi­cul­dade: deve­mos atrav­es­sar a via deste mun­do ten­do a mão de Deus, ou seja, vivem na graça de Deus e pen­san­do con­tin­u­a­mente que Ele inabi­ta na nos­sa alma e cui­da de nós.

  • Se não nos deix­am­os vencer pelas pre­ocu­pações deste mun­do, mas as enfrenta­mos con­scientes de ser toma­dos pela mão de Deus, que pas­so por pas­so con­duz até aos lim­i­ares da eternidade, então, tudo se sim­pli­fi­ca e se obtém a paz da alma e a con­fi­ança na div­ina Providên­cia. Isto nos aju­da a supor­tar a monot­o­nia da vida quo­tid­i­ana com ale­gria e amor aman­do a Von­tade de Deus, que per­mite a obscuri­dade do espíri­to, as tribu­lações físi­cas, as perseguições e os aban­donos que fazem parte da vida humana. Se a vida não fos­se um pouco monó­tona, nos pren­deríamos muito a ela e eis porque Deus per­mite que a monot­o­nia de tan­to em tan­to se veja na nos­sa existên­cia. Aque­les que se lançam na ação (mes­mo apos­tóli­ca) exces­si­va (here­sia da ação) amam mais a própria von­tade e o seu modo de agir que a Von­tade div­ina e a sua Providên­cia.
  • A saúde, o suces­so, as riquezas e os praz­eres não são os “ami­gos” que Jesus escol­her para Si mes­mo e então nem sequer para nós. Ele amou a pobreza, o sofri­men­to e as perseguições e nós tam­bém, com a aju­da da Sua graça, deve­mos amar-lhes. O obstácu­lo maior para a paz da alma é o colo­car a nos­sa von­tade em oposição a Sua. A san­ti­dade con­siste no faz­er a Von­tade de Deus, não a nos­sa.
  • O prob­le­ma é que nós acred­i­ta­mos em teo­ria na Providên­cia div­ina, mas na práti­ca duvi­damos que Deus cui­da de nós em cada uma de nos­sas ações e então prova­mos a inqui­etude ou perdemos a paz da alma. Por isso deve­mos aceitar todas cir­cun­stân­cias exter­nas a nós com ple­na con­fi­ança em Deus e ocu­par nos ape­nas daqui­lo advém na nos­sa alma e espe­cial­mente na von­tade, a qual somente pode tornar nos bons ou maus aos olhos de Deus. Aqui­lo que dizem, fazem, pen­sam os out­ros de nós, em torno a nós, não deve min­i­ma­mente nos pre­ocu­par: o nos­so úni­co Juiz é ape­nas Deus.
  • São Pedro cam­in­hou ser­e­na­mente sobre as águas em direção a Jesus, até quan­do man­teve o olhar fixo Nele, mas no instante em que deixa de olhar Jesus para olhar a si mes­mo afun­dou no mar. Tam­bém nós deve­mos olhar para Jesus e não nós mes­mo ou os peri­gos entre os quais cam­in­hamos; então, chegare­mos felizes, rap­i­da­mente ao por­to.
  • Esforce­mo nos, por­tan­to, em entrar em con­ta­to com Deus, em con­hecê-lo, amá-lo e falar com ele na med­i­tação, porque Ele primeira­mente nos con­hece, nos ama e nos fala. Se não “sen­ti­mos” a sua voz é ape­nas porque esta­mos absorvi­dos pelos rumores e pelas pre­ocu­pações do mun­do e do nos­so amor próprio. Se con­seguirmos faz­er silên­cio em torno de nós e entrar em con­ta­to com Deus, então, infor­mare­mos o impul­so espon­tâ­neo de ten­der a nos­sa mão em direção a Ele, a fim de que nos guie nas obscuri­dades e nos peri­gos des­ta vida. A S. Escrit­u­ra mais vezes nos exor­ta a “lançar em Deus todas as nos­sas pre­ocu­pações, para que ele tome cuida­do de nós”. Aqui­lo que nos fal­ta é a con­vicção firme e práti­ca de que esta aju­da é con­stante, mes­mo se invisív­el, de Deus por nós.
  • Se a escol­ha das cir­cun­stân­cias da vida e das criat­uras que estão ao nos­so redor depen­desse de nós, escol­heríamos aqui­lo que nos agra­da e não aqui­lo que é bom para a nos­sa alma. A vida cristã é uma cam­in­ha­da con­tin­ua con­tra a cor­rente: se pen­samos nas ondas (o mun­do, a carne e o demônio) que nos cir­cun­dam esta­mos per­di­dos, deve­mos ter con­fi­ança no socor­ro do braço de Deus e remon­tar a cor­rente adver­sa, como fazem os salmões.
  • Se nos per­gun­ta­mos porque esta­mos no mun­do, sobre­tu­do quan­do as difi­cul­dades se fazem sen­tir maior­mente, não podemos se não respon­der que: «esta­mos aqui uni­ca­mente porque Deus nos amou, nos criou e dese­ja ser rea­ma­do por nós». Então, nada deve nos pre­ocu­par: Deus nos segu­ra pela mão e se for necessário ele nos toma em seus braços. Infe­liz­mente Deus bus­ca, em todo momen­to, atrair nos maior­mente para Ele mas nós somos atraí­dos para trás.  Se esta­mos descon­tentes, sig­nifi­ca que ao menos na práti­ca, se não na teo­ria, nos revolta­mos con­tra a Von­tade de Deus. Se esta­mos muito ansiosos para pro­gredir e pecamos por per­fec­cionis­mo ou ange­lis­mo, sig­nifi­ca que bus­camos mais a nos­sa von­tade que a de Deus. “O muito alei­ja” e “todo exces­so é um defeito”. Se Deus não dese­ja um pro­gres­so muito rápi­do para nós, tam­bém nós não deve­mos dese­já-lo.
  • Deus criou o nos­so âni­mo para amar e para que nós O reamem­os. A vida espir­i­tu­al con­siste no gov­ernar ou diri­gir as nos­sas von­tades para o seu ver­dadeiro Fim ulti­mo, que é Deus ama­do, con­heci­do e servi­do. Deve­mos ter atenção ao moti­vo que inspi­ra as nos­sas ações, se é ape­nas o amor de Deus ou o amor próprio. Todavia, este nos­so exame de con­sciên­cia não deve ser inqui­eto, agi­ta­do, dese­joso de ter tudo e subita­mente. Um dos fru­tos do Espíri­to San­to é a Paz, a qual nos aju­da a rezar e agir com cal­ma e facil­i­dade, mas sobre­tu­do a supor­tar as adver­si­dades sem a inqui­etude, que é a ruí­na da vida espir­i­tu­al. Então, deve­mos bus­car na vida espir­i­tu­al a qui­etude que é a uni­formi­dade ao divi­no Quer­er. Se a nos­sa alma é sub­mis­sa a Deus o nos­so cor­po a alma, então estare­mos na ver­dadeira paz.
  • O domínio do nos­so tem­pera­men­to (Ndt.: Ver no blog: O mel­ho­ra­men­to do caráter e do tem­pera­men­to) é a chave do suces­so para chegar a san­ti­dade: supor­tar o aba­ti­men­to, a fal­ta de grande con­fi­ança, o des­en­co­ra­ja­men­to, os nos­sos defeitos, ter paciên­cia com nós mes­mos quan­do exper­i­men­ta­mos o nos­so nada, a nos­sa fraque­za, os nos­sos lim­ites e defi­ciên­cias e con­tin­uar a agir por amor de Deus ape­sar da pequenez do nos­so ser e das nos­sas ações, isto é o coração da vida vir­tu­osa. O mes­mo vale para supor­tar os out­ros. Deve­mos ter atenção em não bus­car exces­si­va­mente a com­preen­são dos out­ros. Quan­to mais con­so­lação recebe­mos das criat­uras tan­to menos a rece­ber­e­mos de Deus, que ama o coração solitário, vazio de todo out­ro amor, ou seja, que ama Deus aci­ma de tudo. Sobre­tu­do Deus quer a nos­sa von­tade mais que a nos­sa inteligên­cia, espe­cial­mente na oração. É ver­dadeiro “nada é queri­do se primeira­mente não é con­heci­do”, mas é entre­tan­to ver­dadeiro que, se não quero con­hecer, não chego a con­hecer.
  • Para con­cluir, a razão prin­ci­pal que nos impede de nos torn­ar­mos san­tos são os obstácu­lo que inter­po­mos a div­ina Von­tade que dese­ja a nos­sa san­tifi­cação. Se a nos­sa alma ou mel­hor as suas fac­ul­dades são fra­cas e doentes, peçamos a Deus a cura e cer­ta­mente Ele nos curará. Mas requer de nós mui­ta Fé e uma grande Esper­ança. Não existe o “caso deses­per­a­do” para a div­ina Onipotên­cia, não existe nen­hum defeito espir­i­tu­al sem remé­dio. Aque­les físi­cos Deus lhes per­mite para o bem da alma. Deus quer a nos­sa von­tade, a nos­sa paz inte­ri­or; a sua ação sobre nós pro­duz o bem e a feli­ci­dade de âni­mo, aban­donar-se a pre­sença de Deus no nos­so espíri­to é a coisa benef­i­cente para a nos­sa existên­cia.
  • A paz inte­ri­or é adquiri­da com a cal­ma e a tran­quil­i­dade, sem fixar­mos um tem­po exa­to entre o qual adquiri-la e sem nos apres­sar­mos para con­segui-la. Deve­mos esper­ar tran­quil­a­mente a graça do Espíri­to San­to e coop­er­ar com ela sem deixar nos tomar por esforços febris que antepõem a ação humana a graça div­ina. O seg­re­do de uma boa vida espir­i­tu­al é não ter con­fi­ança prin­ci­pal­mente sobre nós mes­mos, sobre aqui­lo que sabe­mos e faze­mos, mas no ape­nas ficar na pre­sença de Deus, que habi­ta na alma dos jus­tos, para con­hecê-Lo e Amá-Lo sem­pre mais e falar com Ele famil­iar­mente, durante a med­i­tação, como um ami­go fala com o ami­go despi­do de toda exces­si­va solic­i­tude.
  • Jamais se pode amar a Deus muito. Ao invés, se pode amar muito o próx­i­mo. Se o nos­so amor pelo próx­i­mo não é reg­u­la­do e orde­na­do ao amor de Deus pode con­duzir nos a perdição, expon­do nos a mil peri­gos mes­mo quan­do pen­samos edi­ficar os out­ros. Por­tan­to, amem­os o próx­i­mo por amor a Deus, mas sem dan­i­ficar a nos­sa alma: não podemos nos faz­er zeladores das almas até perder a nos­sa própria.
  • Ofer­eçamos a Deus o nos­so espíri­to sem pre­sumir de nós mes­mos e per­maneçamos na Sua pre­sença como pobres mendi­gos que nada tem, mas tudo pedem a Ele para poder seguir no com­pri­men­to da Sua Von­tade. Ten­hamos sem­pre bem em mente que o essen­cial da vida espir­i­tu­al con­siste no depen­der em tudo de Deus sem pre­ocu­pações humanas.

PADRE CURZIO NITOGLIA

24 de maio de 2012

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