SIM SIM NÃO NÃO: “SÃO DÉSCARTESPADROEIRO DAS FEMINISTAS E NÃO SOMENTE DELAS

O pen­sador orig­i­nal, na Por­ta do Infer­no.

Sim Sim Não Não
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Do «homo faber» ao «homo fab­ri­ca­tus» e peren­e­mente «fab­ri­can­dus»

É a par­tir de Descartes que a inteligên­cia atua a sua primeira e ver­dadeira pros­ti­tu­ição a von­tade de potên­cia e se volve para o titanis­mo deli­rante de quer­er eri­gir a mente humana, não só a medi­da neo­pro­tagorista de “todas as coisas”, mas a razão mes­ma do seu ser, do seu ser pelo seu decre­to, a sua fábri­ca, a sua invenção. Se os antecedentes de um tal delírio estão já pre­sentes no Human­is­mo com a bru­ni­ana mens insi­ta omnibus ou com a ver­dadeira “indig­nidade” nar­ci­sista do miran­do­liano “De hominibus dig­ni­tate”, para nos lim­i­tar­mos a dar algum exem­p­lo, é porém, sobre­tu­do do cog­i­to carte­siano que tem iní­cio a ativi­dade dina­mi­ta­da da inteligên­cia humana nos con­fron­tos daque­le “secante obstácu­lo” que é a muda e nua obje­tivi­dade das coisas. Do cog­i­to em diante o domínio da mente se faz sem­pre mais total­itário e despóti­co, de maneira a ati­var em seu inte­ri­or uma espé­cie de inflex­i­bil­i­dade mecâni­ca per­cep­ti­va que depois, por con­sub­stan­cial dinamis­mo alu­ci­natório, tem sem­pre mais a se especi­ficar não só como recusa de qual­quer evidên­cia obje­ti­va, mas sobre­tu­do como ataque ab-rog­a­ti­vo nos con­fron­tos da especi­fi­ci­dade da pes­soa e da sua dig­nidade e iden­ti­dade real.

Não se está na pre­sença, como gostaria de crer, de uma sorte de deslum­bre dev­i­do a uma invol­un­tária irrupção de estu­pid­ez den­tro do recin­to da inteligên­cia, mas se está na pre­sença de uma bem pre­cisa escol­ha voli­ti­va. Tan­to é ver­dadeiro que o autên­ti­co “cani­bal­is­mo” que ela atua nos con­fron­tos da iden­ti­dade obje­ti­va das coisas e do próprio homem não con­hece, depois de Dés­cartes, pon­tos de imped­i­men­to ou momen­tos de resip­is­cên­cia ou de inver­são. Ao con­trário, isso se tor­na sem­pre mais voraz na medi­da que se pro­lon­ga nas ester­il­i­dades abstra­ti­vas do Ich denke kan­tiano, da Tathand­lug fichtiana, da Idee hegeliana, da Prax­is marx­ista, do Ego epifenômi­co freudi­ano, até a infer­nal agi­tação do rel­a­tivis­mo niilista em todas as suas for­mas pos­síveis.

Não há quem não veja do quan­to ace­na­do – se conser­vou bem o uso da visão espir­i­tu­al, claro – o quan­to se este­ja dis­tante da sub­stan­cial “inocên­cia” de uma estu­pid­ez invol­un­tária, e quan­to ao invés este­jam sim próx­i­mos da má fé de uma estu­pid­ez glo­ri­fi­ca­da, crim­i­nosa e pros­elitária. Mes­mo se Dés­cartes tivesse con­ce­bido o seu “cog­i­to” na plen­i­tude da ado­lescên­cia, não nos ouviri­am diz­er que “inocen­te­mente o fez na idade nova”, porque tudo se poderá diz­er dele menos que fos­se estúpi­do e “inocente”. É para excluir, de fato, que não estivesse bem adver­tido sobre as impli­cações da sua filosofia [1].

Nota agu­da­mente Giober­ti: “Dés­cartes ao encon­tro colo­ca a raiz do ver­dadeiro em si mes­mo, e deduz o ser do próprio pen­sa­men­to, como se dissesse: eu sou o ver­dadeiro abso­lu­to. E já que ele exprime o princí­pio de todo o saber, per­son­ifi­ca­do em si mes­mo e falan­do em primeira pes­soa, ele se iguala ao Deus de Moisés, que pro­nun­ciou: Eu sou aque­le que sou. O caráter próprio do Carte­sian­is­mo, que quer extrair o intelegív­el do sen­sív­el e faz­er do próprio Deus uma criatu­ra do espíri­to humano, senão do espíri­to de Dés­cartes, não pode­ria desco­brir-se menos dis­sim­u­lada­mente. Do cri­ar men­tal­mente Deus ao ser Deus não corre uma grande difer­ença” [2].

Per­feito. E é por isso evi­dente que, está sendo a vis ocul­ta do cog­i­to e tam­bém daque­les autên­ti­cos “rios infer­nais” do pen­sa­men­to que desse são resul­ta­do, lhe vem fatal­mente que o homem, para ser  “Deus” de si mes­mo, não tem que decair – cer­to, não humilde­mente! – a dimen­são do próprio cog­i­tar, com isto isen­tan­do-se de ser aque­le que ele sabe per­feita­mente ser, para faz­er cor­po com o con­ceito que decid­iu edi­ficar sobre si mes­mo. E lhe vem da mes­ma for­ma que o con­se­quente res­gate daqui­lo que Fichte despre­zou qual­i­f­i­can­do como “dog­ma­tismo do real” dev­erá nec­es­sari­a­mente pos­tu­lar que o cen­tro da própria real­i­dade seja deslo­ca­do da sua ime­di­a­ta e incon­testáv­el evidên­cia obje­ti­va para a sua “fábri­ca” sub­je­ti­va; e isto segun­do as lin­has de uma autên­ti­ca rev­olução per­ma­nente, que não out­ra coisa solici­ta, por assim diz­er, que con­duzir “a fan­ta­sia ao poder”. Sobre todos os planos. A par­tir daque­le deci­si­vo das próprias moti­vações pes­soais.

A con­se­quên­cia de uma tal inver­são de polar­i­dade é, sobre o plano exis­ten­cial, a sem­pre menos perce­bi­da abdi­cação que o indi­ví­duo vem conc­re­ta­mente con­suman­do nos con­fron­tos da sua mes­ma sobera­nia espir­i­tu­al. Opon­do-se, de fato, ao dev­er nor­mal de trans­for­mar a si mes­mo para afir­mar aque­le qual­quer um que decid­iu se tornar, ele ter­mi­na com não se tornar con­sciente de “sofr­er” no próprio momen­to em que é ple­na­mente con­vic­to de se “realizar”. E, daqui em diante uma tal defecção resul­tará legit­i­ma­da e nobil­i­ta­da pelo mais vas­to cenário de uma idên­ti­ca defecção cole­ti­va, a cumpli­ci­dade forneci­da a esta últi­ma ter­mi­nará com cor­rob­o­rar, no indi­vid­uo, a per­suasão de estar na mais abso­lu­ta “nor­mal­i­dade”. Nem pode­ria acon­te­cer de out­ro modo. O desvin­cu­la­men­to, de fato, de todo real­is­mo metafísi­co e a con­se­quente ver­tigem do “pen­sar” e de se tornar a real­iza­ção da própria decisão do pen­sa­men­to, opos­ta a seca peremp­to­riedade do próprio “dev­er ser”, não podem ter out­ra saí­da que na inten­cional fal­si­fi­cação da própria noção de nor­mal­i­dade, a qual perderá, assim, toda cono­tação de caráter ontológi­co para assumir sem­pre mais aque­la de uma inad­ver­ti­da coação imi­ta­ti­va de caráter pura­mente “estáti­co” e condi­cio­nante. O condi­ciona­men­to, todavia, como nota agu­da­mente Baroni [3], “desli­ga a com­bat­ivi­dade”, e isto a debili­ta e por fim can­cela todo resí­duo vig­oroso espir­i­tu­al, impedin­do quase total­mente qual­quer pos­si­bil­i­dade de voltar para a ver­dadeira nor­mal­i­dade. O condi­ciona­men­to rep­re­sen­ta, de fato, o pon­to de que­da além do qual o indi­ví­duo que se entre­gou a ver­dadeira e própria alu­ci­nação que tem de si mes­mo, não con­hece out­ra via que a raivosa negação de toda nor­mal­i­dade autên­ti­ca e a mobi­liza­ção de racional­izadas men­ti­ras e de áli­bis que pos­sam valer para desa­cred­i­ta-la.

Aque­la «inteligên­cia oper­aria», em que De Corte indi­vid­u­ou a morte próx­i­ma da própria inteligên­cia [4], vem não só a ofus­car de todo a visão espir­i­tu­al, mas a faz­er do condi­ciona­men­to o lento plano incli­na­do que out­ros condi­ciona­men­tos – rece­bidos como “pro­gres­so” sobre o plano cole­ti­vo e como “cresci­men­to” sobre o plano indi­vid­ual – não faram que prop­i­ciar o próprio adven­to do inau­di­to.

Para­doxal­mente, des­ta maneira, o orgul­hoso “homo faber” ter­mi­na com pre­cip­i­tar em uma “real­i­dade” pura­mente postiça e de todo orde­na­da a faz­er dele um insignif­i­cante e homolo­ga­do “homo fab­ri­ca­tus”. A cir­cun­stân­cia, depois, que ele troque o ver­dadeiro e próprio “cárcere sem muro”, em que se encer­ra, pelo tram­polim de impul­so de todos os seus “cresci­men­tos” soci­ais ulte­ri­ores, não pode senão degra­da-lo aos níveis ain­da piores de um perene “homo fab­ri­can­dus”.

A mis­eráv­el “hon­ra” do escra­vo de si: a rebe­lião

O aspec­to menos com­preen­di­do da tão glo­ri­fi­ca­da “cul­tura” con­tem­porânea – par­to dire­to do cog­i­to carte­siano – é a sua ínti­ma vocação condi­cio­nante. O condi­ciona­men­to para fab­ricar ou, como hoje se cos­tu­ma diz­er, para “rein­ven­tar” si mes­mo, para “rein­ven­tar” a vida, mes­mo a moral e até mes­mo os papéis e os mes­mos sex­os não pode não andar em igual pas­so com o livre mer­ca­do da men­ti­ra e com a sól­i­da fal­si­fi­cação das palavras. Assim, as próprias noções de eman­ci­pação e de liber­dade, hoje tan­to em voga, pri­vadas como são dos seus sig­nifi­ca­dos legí­ti­mos – respec­ti­va­mente de desvin­cu­la­men­to da sujeição ao próprio eu e da sobera­nia sobre o próprio eu – ter­mi­nam por serem dis­tor­ci­das no seu con­trário e por afir­mar-se com as próprias moral­i­dades da mis­eráv­el “hon­ra” prospec­ta­da do deprava­do, mas tam­bém lúci­do, Niet­zsche: “Auflehnung — das ist die Vornehmtheit am Sklaven” — “Rebe­lião – tal é a nobreza do escra­vo” [5]. Entre o “pen­so, então sou” e o “eu sou ape­nas a min­ha rebe­lião”, de resto, não sub­siste uma gradação tem­po­ral. Sub­siste ape­nas uma equiv­alên­cia.

Esta lon­ga pre­mis­sa, da qual pro­lix­i­dade nos des­cul­pamos, era necessária para enquadrar nos jus­tos refer­i­men­tos aque­le fenô­meno pouco com­preen­di­do na sua espan­tosa medi­da dev­as­tante – sobre todos os planos – que toma o nome de fem­i­nis­mo.

A este respeito, vale ime­di­ata­mente diz­er que cer­ta­mente não neg­amos como a mais genuí­na humanidade fem­i­ni­na ten­ha sido muitas vezes sac­ri­fi­ca­da pela crua cel­er­a­da “libido dom­i­nan­di” de uma humanidade mas­culi­na que entrou sem­pre mais em con­fli­to com o próprio ”devo” em bene­fí­cio do próprio ”quero”; nem ser­e­mos nós a negar como a «eman­ci­pação» do homem de Deus e do próprio “dev­er ser” ten­ha acaba­do com prop­i­ciar uma análo­ga “eman­ci­pação” da mul­her do homem. Porque, se é ver­dadeiro aqui­lo que ensi­na o Após­to­lo Paulo, e isto é que “o homem foi cri­a­do para a glória de Deus e a mul­her para a glória do homem”, ver­dadeiro é tam­bém a con­se­quente sub­or­di­nação da mul­her encon­trar a sua glória ape­nas e uni­ca­mente na colab­o­ra­ti­va obe­diên­cia nos con­fron­tos de um com­pan­heiro que fale, aja e ordene não segun­do a própria inspi­ração, mas segun­do Deus. Quem primeira­mente não fornece o exem­p­lo de saber “baixar a cabeça” e de “não quer­er sair do difun­di­do” não tem nen­hum dire­ito a obe­diên­cia da parte de quem ao invés ten­ha con­ser­va­do uma tal capaci­dade e retidão.

Isto ante­ci­pa­do, seria de tudo fora do cam­in­ho onde se quisesse recon­hecer no fem­i­nis­mo o pro­lon­gar-se de uma tal retidão e a con­se­quente reafir­mação de um princí­pio vio­la­do. É exata­mente o con­trário. Já o assim­i­lar-se das mul­heres afe­tadas por uma sim­i­lar idi­o­tia aos aspec­tos mais estim­u­la­dos e mais cel­er­a­dos de grande parte da humanidade mas­culi­na con­tem­porânea está indi­can­do três coisas:

  • O recon­hec­i­men­to de uma efe­ti­va suprema­cia mas­culi­na, mes­mo nos seus aspec­tos desvi­a­dos;
  • Um ódio inat­ur­al e uma inve­ja ati­va para com o out­ro sexo, por moti­vo de sta­tus con­sid­er­a­do usurpador priv­i­le­gia­do e por base não nat­ur­al, mas exclu­si­va­mente soci­ológ­i­ca;
  • Uma von­tade cor­ro­si­va e agres­si­va de gen­er­al­iza­ção racista como típi­cos do out­ro sexo os seus aspec­tos mais indig­nos, com a úni­ca final­i­dade de mas­carar o ver­dadeiro obje­ti­vo do próprio ataque: o homem ain­da são e cen­tra­do.

Con­sid­er­ar a von­tade vinga­ti­va e usurpado­ra do fem­i­nis­mo como uma espé­cie de remé­dio con­tra a cres­cente vio­lên­cia mas­culi­na – e não ao invés como o seu próprio ele­men­to des­en­cadeador e jus­ti­fica­ti­vo – equiv­a­le­ria a sus­ten­tar que para desin­toxi­car-se de uma bebe­deira de vin­ho se lhe deva tomar uma out­ra de whisky.

O reivin­di­ca­cionis­mo fem­i­nista que tem em vista ape­nas como cober­tu­ra a denún­cia de inegáveis e per­du­rantes opressões sofridas pelas mul­heres, é na ver­dade o des­en­cadea­men­to de um autên­ti­co ódio metafísi­co con­tra toda prov­i­dente e tute­lar hier­ar­quia nat­ur­al e con­tra toda nor­mal­i­dade real da vida. A choramin­gante, obses­si­va e ente­di­ante atenção desse ao assim chama­do “prob­le­ma da mul­her” pode encon­trar brecha ape­nas naque­les que – mul­heres ou home­ns que sejam –  este­jam já sug­a­dos pelos rede­moin­hos de uma crono­la­tria que inten­cional­mente expele do seu seio tam­bém a memória das medi­das avalia­ti­vas perenes e isto, em exclu­si­vo bene­fí­cio da “fábri­ca” – jamais em “bil­hete­ria econômi­ca” – dos assim chama­dos “val­ores novos”. Só quem já abo­can­hou a isca de uma visão pura­mente das coisas, e se lhe deixou pas­si­va­mente envolver, pode fin­gir não perce­ber o caráter exclu­si­va­mente pre­tex­tu­oso do fem­i­nis­mo e só os cegos e os estúpi­dos vol­un­tários podem não ser min­i­ma­mente toca­dos pela idéia que entrou o cárcere alu­ci­natório do descon­sagra­do mun­do mod­er­no “não se move uma fol­ha que a loja não queira”. Mas tan­to é: a primeira e deci­si­va vitória da agressão maçôni­ca con­siste no não ser adver­ti­da como agressão e de mobi­lizar pelo con­trário ao seu serviço o con­cur­so apaixon­a­do das próprias víti­mas des­ig­nadas.

Os propósi­tos da maçonar­ia de quer­er antes de tudo ani­malizar a mul­her com o fim de mel­hor cor­romper a Igre­ja e a sociedade são de resto nota­dos por muitos e muitos decênios [6], e vale aqui faz­er lhe aceno para capac­i­tar-se de como o fem­i­nis­mo – ao lado do próprio comu­nis­mo e de qual­quer out­ra esbór­nia rev­olu­cionária – out­ro não seja que o instru­men­to vici­a­do pro­visório, mes­mo se cer­ta­mente por ora o mais con­spícuo, de uma mais vas­ta e artic­u­la­da con­ju­ração, enten­di­da a entre­gar o domínio da con­sciên­cia nas esper­tas mãos dos tec­nocratas da alu­ci­nação e dos vam­piros de qual­quer resí­duo de real­i­dade e de sanidade moral. Acer­ca dos quais ser­e­mos total­mente fora do cam­in­ho, se lhes acred­itásse­mos “envolvi­dos”, não menos que suas víti­mas, nas esbór­nias e nas evasões sui­ci­das que vão exci­tan­do. Ain­da que há tem­po eri­gi­ram a “morte a razão!” a “pro­fe­cia” de uma humanidade “ren­o­va­da”, eles se olham bem em deixar mor­rer a própria e tem luci­da­mente pre­sentes duas coisas: que não podem exci­tar quimeras sem a pre­ven­ti­va cor­rosão e demolição de qual­quer real­is­mo metafísi­co e que só esta­b­ele­cen­do o pri­ma­do das alu­ci­nações é depois pos­sív­el eri­gir a úni­co refer­i­men­to uma bru­ta mecâni­ca homolo­gante, den­tro da qual, “skin­ner­i­ana­mente”, será sufi­ciente para ati­var deter­mi­na­dos “estí­mu­los” a fim de que os indi­ví­du­os deem, de vez em quan­do, as “respostas” dese­jadas [7].

Que o inteiro orbe este­ja sem­pre mais se tor­nan­do um imen­so “país dos entreten­i­men­tos” podem não vê-lo ape­nas aque­les que se afun­dam sat­is­feitos na inces­sante orgia das evasões, sem min­i­ma­mente sus­peitar de dev­er-lhe sair no fim, como dóceis e estúpi­dos asnos de cir­co. É impos­sív­el ver­dadeira­mente que quem, exci­ta­do pela própria intol­er­ante vaidade e pela própria bra­ma ani­mal, se seja deix­a­do delib­er­ada­mente “com­er” o cére­bro pos­sa ape­nas duvi­dar ser, não um indi­vid­uo “real­iza­do”, mas um obtu­so quadrú­pede vel­ha­ca­mente con­duzi­do pela cor­da.

E não out­ra que uma obtusa e suscetív­el “dig­nidade ani­malesca” é aque­la con­quis­ta­da pre­cisa­mente pelas mul­heres que se deixaram encan­tar pela sirene fem­i­nista. Mas tal é ago­ra o nív­el do seu vício que tem por “nor­mal” uma tal “dig­nidade” que não se con­sci­en­ti­za do engano em que caiu. Tan­to a não ver nem mes­mo a total degradação a que lhe con­duz­iu a sua assim chama­da “eman­ci­pação”. Tan­to de não se perce­ber – envaide­ci­dos ago­ra como são da própria vol­un­tária estu­pid­ez – da fraude que está na base da sua con­quis­ta­da “cul­tura” e do fato que esta foi em larga medi­da con­fec­ciona­da por home­ns cor­rup­tos, que porém, no inte­ri­or do cúm­plice encan­ta­men­to de uma sim­i­lar “cul­tura”, podem tam­bém pas­sar por “grandes int­elec­tu­ais” e por “veneran­dos filó­so­fos”.

A ver­dadeira mis­oginia tem o que faz­er exclu­si­va­mente com eles, e nada abso­lu­ta­mente, ao invés, com o assim chama­do “machista”. A bem con­struí­da man­cha deste últi­mo, de fato, vale ape­nas como “para-raios” para desviar a atenção de quem ver­dadeira­mente é ani­ma­do pelo propósi­to de sub­ju­gar mul­heres e jovens medi­ante a sua cor­rupção. É sin­tomáti­co, por out­ro lado que os jovens sejam declar­a­dos “maduros” cedo demais quan­do antes estão “estra­ga­dos”, e que os chama­dos “prob­le­mas dos jovens e das mul­heres” são ape­nas aque­les – andan­do a agi­tar – de inven­tar as mel­hores téc­ni­cas de sub­ju­gar lhes uns e os out­ros medi­ante adu­lação e envolvi­men­to pro­tagonís­ti­co.

3 – Teil­hard De Chardin, pés­si­mo jesuí­ta e fal­so cien­tista.

O adven­to da “Matrix aeter­na”

Uma obscu­ra sol­i­dariedade aco­mu­na o carte­siano “volo dubitare de omnibus” a vul­gar “von­tade de duvi­dar” da própria noção de peca­do que fer­men­ta nos delírios declar­ada­mente fem­i­nistas de Teil­hard de Chardin [8].

A apri­orís­ti­ca desval­oriza­ção do ser por ele oper­a­da em bene­fí­cio de uma obscu­ra e inex­tin­guív­el ten­são vital­ista iner­ente na matéria e proce­dente em esta­dos evo­lu­tivos mar­ca­dos por uma sem­pre mais lib­er­a­da “auto­con­sciên­cia” não faz que repe­tir em out­ro modo a já ace­na­da pre­ten­são carte­siana de quer­er “extrair o inteligív­el do sen­sív­el”, e em boa sub­stân­cia de faz­er do ele­men­to espir­i­tu­al uma mera super­estru­tu­ra do ele­men­to mate­r­i­al.

Se, todavia, o ace­na­do élan vital de bergso­ni­ana memória, que faz da “matéria matrix” uma espé­cie de simultânea “vagi­na mun­di” e “vagi­na spir­i­tus”, pega os movi­men­tos do seio des­ta últi­ma como bios­fera para evolver para a noos­fera de uma ani­mal­i­dade tor­na­da humanidade con­sciente e sem­pre mais em grau de diri­gir o seu próprio proces­so evo­lu­ti­vo, o pon­to ômega de um tal proces­so, e isto é a «inflexív­el» res­olução do humano no divi­no, pres­supõe o caráter fetal deste últi­mo. Pres­supõe, em suma, a pre­em­inên­cia pro­cria­ti­va do ele­men­to “mater” sobre o ele­men­to “pater” e a depre­ci­ação automáti­ca da pater­nidade a começar pela div­ina.

Onde se expli­cam as ímpias fal­si­fi­cações de Deus dese­ja­da por não poucos “teo­logue­ses” nos ter­mos de um “ Deus – mãe”, de um “Deus andrógeno” e de uma “Mãe eter­na”, ou os ver­dadeiros e próprios cul­tos de Gea que fer­men­tam na blas­fêmia mil­i­tante da “New Age” e que lev­am as hon­ras das mais estrepi­tosas ven­das nas livrarias os mente­cap­tos fal­sários de Nos­so Sen­hor, em nome de um “Graal” de con­fecção maçôni­ca e explici­ta­mente ginecocráti­co. E todavia, colo­car a “mul­her” como pólo atra­ti­vo de todas as reser­vas pas­sion­ais e cri­adas pelo homem – mais nas for­mas de uma car­nal­i­dade que excluí toda final­i­dade pro­cria­ti­va – não pode não descen­der a degradação do amor a obtusa fruição ani­mal e da própria mul­her a mero “ani­mal fruív­el”.

O alieno panora­ma que lhe con­segue não é ape­nas aque­le de uma liq­ue­fação de iden­ti­dade nati­va, da for­ma, por assim diz­er, na orgia do indis­tin­to cole­ti­vo e de uma promís­cua e agre­gante mate­ri­al­i­dade, mas é sobre­tu­do aque­le de colo­car o sen­ti­do da própria humanidade na ati­va coop­er­ação de um tal proces­so dis­so­lu­to. Lhe bas­ta. Do momen­to que na direção inflexív­el de um tal proces­so indefinida­mente “par­turi­ente” o homem é inscrito como sim­ples e pro­visório momen­to evo­lu­ti­vo, Teil­hard de Chardin não hesi­ta em patroci­nar o emprego de téc­ni­cas genéti­cas aptas a acel­er­ar a “cere­bral­iza­ção cole­ti­va”, e isto é o salto do humano indi­vid­ual no alieno diviniza­do de uma espé­cie de mon­stru­osa e indis­tin­ta “mate­ri­al­i­dade pen­sante”; e pen­sante e agente em modo gel­i­da­mente unitário, sobre o mod­e­lo das abel­has e das formi­gas. Deve ser com­preen­di­do que em tal proces­so per­manecem excluí­dos aque­les que são chama­dos a acel­era-lo “cirur­gi­ca­mente”, vale diz­er aque­les “cien­tis­tas” (leia-se tam­bém aque­les “altos ini­ci­a­dos”) que o de Chardin não hesi­ta em colo­car nos vér­tices do gov­er­no plan­etário. Com­preende então o sinal do estu­dioso helvéti­co Titus Bur­ck­hardt quan­do revisa em um tal infame desen­ho o antefa­to instru­men­tal, ou para mel­hor diz­er a necessária caixa de ressonân­cia para o adven­to do Anti­cristo [9].

Não é só o “sono da razão” a ger­ar mon­stros, mas o é tam­bém a vigília febril de uma razão ofus­ca­da por si mes­ma. Em um caso como no out­ro não está tan­to em causa a razão, quan­to a qual­i­dade do quer­er [10]. E é quan­do a razão se ador­men­ta ou se ati­va ape­nas para faz­er-se ser­va de um quer­er deprava­do que essa ter­mi­na por faz­er-se tam­bém a escória rev­e­lado­ra.

O apaixon­a­do e quase manía­co dis­pên­dio da “inteligên­cia” per­manece ao serviço de uma autên­ti­ca apo­teose do fem­i­nis­mo da parte de Teil­hard de Chardin não chega a mas­carar uma sub­ter­rânea moti­vação de caráter deci­di­da­mente tur­vo e manip­u­la­ti­vo. Um sub­ter­râ­neo rudi­men­to mis­ógi­no – nos ter­mos de uma intol­erân­cia pela ver­dadeira sanidade fem­i­ni­na e pelos obstácu­los que essa opõe, em via nor­mal, a toda sorte de escrav­iza­ção lib­erti­na – parece ver­dadeira­mente encon­trar indi­re­ta con­fir­mação no sub­stan­cial pan-sex­u­al­is­mo erigi­do por este pés­si­mo jesuí­ta e fal­so cien­tista a pré-orde­na­do eno­brec­i­men­to de qual­quer pos­sív­el licença.

Por­tan­to, não é abu­si­vo deduzir que, se este é o mecan­is­mo psi­cológi­co que tem ani­ma­do as visões e as pro­postas daque­les que são, talvez, um dos mais con­spícu­os apol­o­gis­tas do fem­i­nis­mo, a agres­si­va cor­ro­sivi­dade deste últi­mo não seja tan­to por vez con­tra a bem dis­tribuí­da man­cha machista, ou em socor­ro das “mul­heres oprim­i­das”, quan­to ao invés con­tra toda resid­ual sanidade dos home­ns e das mul­heres indifer­ente­mente. E, sem­pre indifer­ente­mente, tudo isto não pode que ser queri­do por home­ns e por mul­heres lit­eral­mente obceca­dos pelo demônio do poder. Por home­ns e por mul­heres, os quais, na sua infame lucidez, sabem per­feita­mente que uma das mais astu­tas téc­ni­cas de escrav­iza­ção con­siste pro­pri­a­mente em ali­men­tar tal mito.

4 – Impotên­cia e poder

A lumi­nosa sabedo­ria de sem­pre tem assim adver­tido: ”Quem quer um poder, já por isso não o merece”, ten­do bem pre­sente que o ordenar-se ao ser é já potên­cia por si mes­mo. Ordi­nar­i­a­mente, todavia, os seres humanos se divi­dem naque­les que, por assim diz­er, prati­cam a “con­ju­gação exis­ten­cial” do ver­bo ser e naque­les que, ao invés, prati­cam a “con­ju­gação exis­ten­cial” do ver­bo poder. Nos primeiros a humilde e pronta fidel­i­dade ao próprio lugar e lim­ite fornece sufi­ciente ener­gia espir­i­tu­al para não sair fora da moral e do bom sen­so. Nos segun­dos, ao con­trário, a lívi­da impotên­cia que vem eles ao ambi­cionar aqui­lo que sabem per­feita­mente de não encon­trar saí­da na pre­sunção de que bas­ta ape­nas apos­sar-se de qual­quer poder para ditar como legí­ti­ma qual­quer usurpação sua.

Em palavras mais breves, são aque­les que se fiz­er­am cul­pavel­mente impo­tentes recla­man­do um poder.

 E nada além dis­to, pre­cisa­mente, é a induzi­da condição psi­cológ­i­ca que tor­na tão agres­si­vas as fem­i­nistas. Não por aca­so uma das suas perenes fix­ações é aque­la de quer­er con­tar sem­pre mais; e isto não por méri­tos par­tic­u­lares (sal­vo que imag­inária), mas para a “rein­venção” oper­a­da sobre si mes­mas. Daqui, por­tan­to, a insíp­i­da pia­da da “mul­her nar­ra­da pela mul­her” ou a idi­o­tia – muito carte­siana, para diz­er a ver­dade – iner­ente naque­le famoso “eu sou min­ha” que faz pen­sar tan­to em uma sorte de “orgul­ho da inve­ja”. Daqui, tam­bém a arrogân­cia de uma  sub dolosa vio­lên­cia sex­u­al per­ma­nente, atu­a­da medi­ante ves­tuários e ati­tudes delib­er­ada­mente provo­catórios, e todavia ansian­do pelo seu “respeito” em nome de um “poder de liber­dade” que se quer “afadigosa­mente con­quis­ta­do” e que ao con­trário é só dese­jo, cíni­co e hipócri­ta des­cuida­do dos efeitos, não cer­ta­mente “suaves” e “respeitosos”, que, por pul­são nat­ur­al, vão exci­tar no out­ro sexo. Já no começo dos anos Oiten­ta, Sér­gio Goz­zoli [11], na sua qual­i­dade de médi­co, denun­ci­a­va, em um admiráv­el arti­go, todo o descon­cer­to, e em muitos casos a ver­dadeira e própria deses­per­ação, dos home­ns jovens que a ele recor­ri­am para rece­ber con­sel­ho e aju­da, con­stri­tos como eram a sufo­car a própria iden­ti­dade vir­il e não con­sid­er­ar as provo­cações sex­u­ais de que já então eram sujeitos, para imo­lar esto­ica­mente a uma e as out­ras sobre o altar de todas as mais “sacrossan­tas”, intocáveis e licen­ciosas “liber­dades” fem­i­ni­nas. Mas de tais prob­le­mas ninguém jamais teve a impop­u­lar cor­agem de falar, até que depois os home­ns acabaram por embrute­cerem-se ulte­ri­or­mente por sua vez, chegan­do a níveis de fero­ci­dade e de tor­peza tais a tornar credív­el a incum­bên­cia de uma autên­ti­ca extinção da “raça mas­culi­na”.

Bene­dic­tus Umber

 

Notas:

 [1] Mere­cem ser assi­nal­a­dos, a este respeito, algu­mas inter­es­santes con­sid­er­ações e assi­nalações de Julius Evola, noto­ri­a­mente “expert irmão” sobre muitas “coisas sec­re­tas” e bem “ini­ci­a­do” em seu ocul­to sig­nifi­ca­do. Ele admite como mais que legí­ti­ma a hipótese de pen­sadores como Dés­cartes “não serem pri­va­dos de relações com ambi­entes secre­tos for­man­do, por assim diz­er, do ful­cro a ação históri­ca de forças obscuras”. Depois de ter sub­lin­hado como “os ele­men­tos mais impor­tantes da ide­olo­gia maçôni­co-rev­olu­cionária do sécu­lo XVIII seri­am difi­cil­mente con­ce­bidos sem o carte­sian­is­mo”, ele faz notar como caráter aparente­mente “católi­co” da sua filosofia, não seja out­ro que uma hábil cober­tu­ra, a bene­fí­cio dos “pro­fanos”, inten­ciona­da a ocul­tar as “sementes”, por assim diz­er, de todas as plan­tas venenosas que do seu “cog­i­to” seri­am depois desen­volvi­das no tem­po. Não se pode diz­er, por­tan­to, que o filó­so­fo francês não se tivesse con­sciên­cia do caráter divi­sor – ain­da que a “explosão muito retar­da­da” – das suas teses.  

No mes­mo escrito, o E. rela­ta tam­bém uma exau­rente doc­u­men­tação rel­a­ti­va a pos­sív­el mil­itân­cia rosa-cru­ciana de Dés­cartes em qual­quer caso aos seus mais que intuí­dos con­tatos com ambi­entes menos pen­etráveis pela maçonar­ia.

Enquan­to o lema a ele caro – “bene vix­it qui bene latu­it” – se referiria sutil­mente a um propósi­to de ocul­ta­men­to do caráter pura­mente esotéri­co do “cog­i­to”, a sigla com que ama­va abre­viar o próprio nome e sobrenome latiniza­dos – R.C.- não pode não levar a nota sigla, R+C, dos Rosa Cruz.

Ver J. Evola, Scrit­ti sul­la mas­sone­r­ia, Set­ti­mo Sig­illo, Roma, 1984, p. 103 — 110, 11 filoso­fo mascher­a­to.

[2] V. Giober­ti, Intro­duzione allo stu­dio del­la filosofia, Boc­ca Ed., Milano, 1941, XX, vol. II, p.86, sgg. Sull’insostenibilità del cog­i­to vedi anche C. Car­dona, René Descartes: dis­cor­so sul meto­do, L’Aquila, 1975, partc., pp.23,24.

[3] P. Baroni, La guer­ra psi­co­log­i­ca, Cia­r­rapi­co Ed., Roma, 1986, p.77.

 [4] M. De Corte,  A inteligên­cia em peri­go de morte, tit. orig. L’intelligence en péril de mort, tr. O. Nemi, Volpe Ed. Roma, 1973, p. 7. Entre muitas out­ras, merece ser aqui men­ciona­da esta lucidís­si­ma afir­mação: “[…] Bas­ta que a inteligên­cia desvie o olhar dos seres e das coisas que o con­ceito sig­nifi­ca, para fixa-lo exclu­si­va­mente sobre o con­ceito mes­mo, sobre o fru­to das suas vísceras, vale diz­er sobre si mes­ma e sobre a própria sub­je­tivi­dade cri­ado­ra. A cor­rente de ali­men­tação que vai da real­i­dade con­ce­bi­da ao con­ceito vem então que­bra­da, e, no mes­mo tepo, tam­bém aque­la que tor­na da expressão a real­i­dade expres­sa. A exper­iên­cia vital do real não nutre mais o con­ceito. O con­hec­i­men­to degen­era em con­strução de andaime, em arquite­tu­ra de fór­mu­las. Esque­mas abstratos sub­stituem a ener­gia e o vig­or da con­ju­gação orgâni­ca da inteligên­cia com a real­i­dade. Ao con­trário de sur­gir da exper­iên­cia dos seres e das coisas e de se refornecer con­tin­u­a­mente, em uma espé­cie de cir­cuito vital, o con­ceito se tor­na uma for­ma fab­ri­ca­da de pro­ced­i­men­tos mecâni­cos no lab­o­ratório do cére­bro. Ao invés de esposar pela transparên­cia a real­i­dade, isso a encap­su­la atrás de suas opacas pare­des”. Ivi, p.24

[5] F. Niet­zsche, Also sprach Zarathus­tra, Gesam­melte Werke 7, Ungekürzte Aus­gabe, Gold­manns Gelbe Taschen­büch­er, München, 1952, Vom Krieg und Kriegesvolke, p. 38.

[6] H. Delas­sus, Il prob­le­ma dell’ora pre­sente: antag­o­nis­mo fra due civiltà, Roma, 1907, p. 254: “Dice­va Vin­dice: Cor­rompiamo la don­na. Cor­rompiamo­la insieme alla Chiesa; cor­rup­tio opti­mi pex­i­ma“. Cit. in A.Z., L’occhio sopra la piramide, Ed. Spir­i­to e Ver­ità, p. 28.

Para uma com­ple­ta doc­u­men­tação sobre este aspec­to par­tic­u­lar, e para uma mais aten­ta recog­nição sobre real­i­dades maçôni­cas atu­ais do fenô­meno fem­i­nista ver o óti­mo e muito exau­ri­ente La don­na alla luce del­la teolo­gia cat­toli­ca, Atti del 2° Con­veg­no Nazionale di stu­dio del movi­men­to Chiesa Viva, Firen­ze, 16 — 17 — 18 set­tem­bre 1975.

 [7] Sobre as modal­i­dades as quais a organi­ci­dade da real­i­dade social pode ser cor­romp­i­da em ver­dadeiro e próprio “mecan­is­mo”, com car­ac­teres de pre­v­idi­bil­i­dade fun­cional a manip­u­lação ocul­ta e sobre aspec­tos sem­pre mais ter­ri­f­i­cantes de um tal mecan­is­mo ver o insub­sti­tuív­el A. Cochin, Mec­ca­ni­ca del­la riv­o­luzione, tit. orig. La Révo­lu­tion et la libre—pensée, Rus­coni ed., Pri­ma edi­zione, Milano, 1971. Sul­lo stes­so tema e del­lo stes­so A., vedi anche Lo spir­i­to del Gia­cobin­is­mo, una inter­pre­tazione soci­o­log­i­ca del­la Riv­o­luzione Francese, tit. orig. L’Esprit du Jacobin­ism, Tas­ca­bili Bom­piani, Milano, 1989.

 [8] Sobre a figu­ra e a obra de um tão descon­cer­tante per­son­agem, ver partc. . A. Drexler e L. Vil­la,Anal­isi di un’ideologia (Pierre Teil­hard de Chardin), tit. orig.. Teil­hard de Chardin Analyse ein­er Ide­olo­gie, Ed. Civiltà, Bres­cia, 1970; Sac. L. Vil­la, Il gesui­ta mas­sone ed ereti­co Teil­hard de Chardin, Ed. Civiltà, Bres­cia, 2006. Sobre as aber­rantes impli­cações da gnose teil­hardiana, ver o lou­váv­el ensaio de tais impli­cações P. Pri­ni, Ploti­no e la gen­e­si dell’umanesimo inte­ri­ore, Abete, Roma, pp.15,16,19,20. Sul­la totale incon­sis­ten­za sci­en­tifi­ca dell’ evoluzion­is­mo, vedi p.e., G. Ser­mon­ti R. Fon­di, Dopo Dar­win — Crit­i­ca all’evoluzionismo, Rus­coni Lib­ri, s.p.a., Milano, 1988. Sulle incred­i­bili “pat­ac­che” rifi­late­ci dagli evoluzion­isti si rin­via a R. Ser­mon­ti, Rap­por­to sull’evoluzionismo, Ed. Il Cinabro, Cata­nia, 1985.

[9] T. Bur­ck­hardt, Scien­za mod­er­na e saggez­za tradizionale, sag­gio, Die Herkun­ft der Arten (L’origine del­la specie), Doc­u­men­ti di cul­tura mod­er­na, col­lana diret­ta da A. Del Noce ed E. Zol­la, Bor­la Ed. Tori­no, 1968, nt. p.82.

[10] Sobre o pri­ma­do axi­ológi­co da von­tade livre, ver em par­tic. A. Dalle­donne, Il ris­chio del­la lib­ertà: S. Tom­ma­so — Spin­oza, Mar­zo­rati Ed., Set­ti­mo Milanese,1990 e Valen­ze eti­co — spec­u­la­tive del real­is­mo metafisi­co, Mar­zo­rati, Set­ti­mo Milanese, 1993. Del­lo stes­so A. vedi anche L’esercizio del Cris­tianes­i­mo nel Diario di Soeren Kierkegaard, in Ren­o­va­tio, luglio — set­tem­bre 1985, anno XX, n.3, pp. 407,428. De excep­cional relevân­cia são as demon­strações ado­tadas por Dalle­donne a sus­ten­to do quan­to afir­ma­do sobre este aspec­to deci­si­vo da Dout­ri­na de sem­pre. Em todos os seus numerosos e notáveis escritos o A. faz notar como o pri­ma­do cor­rente­mente acor­da­do a pura fac­ul­dade racional do homem não faz que sub­vert­er as suas próprias hier­ar­quias inte­ri­ores, em cima das quais não pode não exi­s­tir que um ati­vo tran­scendi­men­to do próprio “pen­sar”, em bene­fí­cio próprio não igno­ra­do “dev­er ser” e da direção supra – racional. Tudo isto que sai fora de uma tal ten­são voli­ti­va ou que a deixe sub­me­ter-se a uma estre­i­ta “racional­i­dade” sem out­ra direção que para si mes­ma, não é que gros­seira­mente o mas­cara­men­to do “cog­i­to”, e isto é “cul­tura” no sen­ti­do descon­sagra­do cor­rente. Tan­to é ver­dadeiro que a “cul­tura” e a “ide­olo­gia” vêm sem­pre mais reduzir-se a um “catoli­cis­mo” que se deixou cap­turar por uma tal ordem de refer­i­men­tos. Quase que o homem, para mere­cer-se o Paraí­so, não deva faz­er mais con­ta sobre a própria “bona vol­un­tas”, mas sobre suas capaci­dades de pen­sa­men­to, e talvez sobre sua “grad­u­ação”. E é claro como, a um olho aten­to, próprio em uma tal ati­tude pos­sa rev­e­lar-se o sin­toma de um inte­ri­or tan­to mais triste quan­to maior seja a sua exte­ri­or man­i­fes­tação de obséquio para a chama­da “cul­tura”. 

[11] S. Goz­zoli, Il nodo del cos­tume ses­suale, in L’uomo libero, Riv­ista trimes­trale, Anno III N° 10, Milano, 1982, pp.41, 58.

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