Archive | julho, 2012

CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

NOTA INTRODUTÓRIA

O pre­sente é um extra­to de um livro do Pe. Mat­teo Lib­er­a­tore, S. J. chama­do “A Igre­ja e o Esta­do” de 1872, onde, como o nome indi­ca, ele tra­ta das relações entre as duas sociedades. O padre cita­do, jun­to a Joseph Kleut­gen S.J., foi um dos mais impor­tantes autores do sécu­lo XIX.

O tre­cho traduzi­do evo­ca um dos grandes prob­le­mas que vive­mos hoje: a inde­pendên­cia entre aque­las duas sociedades. Nele, o cita­do padre refu­ta as duas prin­ci­pais posições: o lib­er­al­is­mo abso­lu­to e o lib­er­al­is­mo mod­er­a­do, mostran­do que nen­hum católi­co pode defend­er qual­quer uma delas.

Ten­do em mente que boa parte da crise atu­al que asso­la a Igre­ja foi trazi­da  pela declar­ação da Liber­dade Reli­giosa pelo doc­u­men­toDig­ni­tatis Humanae do Con­cílio Vat­i­cano II, tal tre­cho se tor­na de extrema importân­cia para os católi­cos para que estes não caiam na armadil­ha do lib­er­al­is­mo mod­er­a­do. Lem­bre­mos ain­da que infe­liz­mente tan­to João Paulo II quan­to Ben­to XVI defend­er­am e con­tin­u­am defend­en­do insis­ten­te­mente tal per­ver­si­dade de ideias, não é se calan­do sobre a neces­si­dade de um Esta­do ofi­cial­mente  católi­co e sobre o dog­ma do Reina­do Social de Nos­so Sen­hor como, ain­da mais, exigin­do que mes­mo um Esta­do Católi­co deixe de sê-lo, como podemos con­statar das seguintes palavras de João paulo II:

A liber­dade reli­giosa, por vezes ain­da lim­i­ta­da e cercea­da, é a pre­mis­sa e a garan­tia de todas as liber­dades que asse­gu­ram o bem comum das pes­soas e dos povos. É de se aus­pi­ciar que a autên­ti­ca liber­dade reli­giosa seja con­ce­di­da a todos, em qual­quer lugar, e para isso a Igre­ja se empen­ha a fim de que tal acon­teça nos vários País­es, espe­cial­mente nos de maio­r­ia católi­ca, onde ela alcançou uma maior influên­cia. Não se tra­ta porém, de um prob­le­ma de maio­r­ia ou de mino­ria, mas de um dire­ito inalienáv­el de toda a pes­soa humana.” (João Paulo IIRedemp­toris mis­sio,  § 39,http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_07121990_redemptoris-missio_po.html)

Ou ain­da Ben­to XVI em sem sua men­sagem para o 44º Dia Mundi­al da Paz, que tin­ha como tema “Liber­dade reli­giosa, cam­in­ho para a paz”:

Neste sen­ti­do, a liber­dade reli­giosa é tam­bém uma aquisição de civ­i­liza­ção políti­ca e jurídi­ca. Tra­ta-se de um bem essen­cial: toda a pes­soa deve poder exercer livre­mente o dire­ito de pro­fes­sar e man­i­fes­tar, indi­vid­ual ou comu­ni­tari­a­mente, a própria religião ou a própria fé, tan­to em públi­co como pri­vada­mente, no ensi­no, nos cos­tumes, nas pub­li­cações, no cul­to e na observân­cia dos ritos.” (Ben­to XVI, MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 44° DIA MUNDIAL DA PAZ “Liber­dade reli­giosa, cam­in­ho para a paz”, 1 de janeiro de 2011,  § 5, http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/internacional/5471-mensagem-do-papa-bento-xvi-para-o-44o-dia-mundial-da-paz)

Esper­e­mos que com a leitu­ra de tão pre­cioso tex­to, o orde­na­men­to queri­do por Deus entre a Igre­ja e o Esta­do pos­sa ser nova­mente defen­di­do em todos os ambi­entes católi­cos. Que Cristo Rei, pos­sa real­mente reinar não só nos corações e nas mentes, mas tam­bém na própria sociedade civi.

Viva Cristo Rei!

Rena­to Sales

Rev. Pe. Mat­teo Lib­er­a­tore S.J.

A Igre­ja e o Esta­do (2ª ed.) Napoles 1872, cap. I, pag. 7–21.

CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

CAPÍTULO I.

ARTIGO I.

Con­ceito lib­er­al

I

Trip­lice for­ma de tal con­ceito

A palavra de ordem, como se cos­tu­ma diz­er, do lib­er­al­is­mo hodier­no é a eman­ci­pação do Esta­do da Igre­ja. Isto se entende de duas maneiras: segun­do a que é pro­movi­da pelo lib­er­al­is­mo abso­lu­to ou pelo lib­er­al­is­mo mod­er­a­do; do qual se aprox­i­ma, de boa ou má fé, muitos, mes­mo entre aque­les que são católi­cos, se não de mente ao menos de coração, e assumem a denom­i­nação de católi­cos lib­erais. O primeiro dos dois lib­er­al­is­mos quer a suprac­i­ta­da eman­ci­pação pela via da suprema­cia do Esta­do; o segun­do pela via de ple­na inde­pendên­cia da Igre­ja; os católi­cos lib­erais sus­ten­tam a recíp­ro­ca sep­a­ração não como ver­dade espec­u­la­ti­va, mas como méto­do práti­co.

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Índole pastoral do Vaticano II: uma avaliação.

Fratres in Unum

Apre­sen­ta­mos a tradução da preleção de Mon­sen­hor Brunero Gher­ar­di­ni no Con­gres­so sobre o Vat­i­cano II real­iza­do em Roma, em dezem­bro de 2010, pelos Fran­cis­canos da Imac­u­la­da.

Por Mon­sen­hor Brunero Gher­ar­di­ni

Fratres in Unum.com | Com a gen­erosa con­tribuição de Ged­er­son Fal­cometa - Era uma vez a ave Fênix. Todo mun­do fala­va dela, mas nun­ca ninguém a havia vis­to. E hoje há uma ver­são sua aggior­na­ta, da qual todos tam­bém falam e ninguém sabe diz­er do que se tra­ta: chama-se Pas­toral.

1 – A Palavra – Sejamos bem claros: a palavra em si não é um prob­le­ma, sendo evi­dente a sua derivação de pascere: ver­bo que vem do latim pab­u­lum (pas­to, ali­men­to), da qual surge uma família não muito numerosa, mas bem iden­ti­ficáv­el em seus com­po­nentes: pascere, pre­cisa­mente, no sen­ti­do de con­duzir à pastagem e dar de com­er; pas­tum, do qual uma clara tradução é o ital­iano pas­to [ali­men­to, comi­da], mas que tam­bém pode se traduzir com cibo [pas­to, comi­da] ; pas­tor, indi­can­do que con­duz ao pab­u­lum, dá ali­men­to e man­tém reban­hos e man­adas. Pas­tor se tor­na, por sua vez, o pai de pas­tori­cia ars, em ital­iano pas­tor­izia, ou a arte de quem cria ani­mais; de pas­tu­ra, com o sig­nifi­ca­do de pas­to aber­to, e de pas­tu — ou pas­toral, já pre­sente no latim tar­dio para descr­ev­er o “ves­tuário, os ali­men­tos, os cos­tumes, a lin­guagem do pas­tor. Não descende, todavia, a pas­teur­iza­ção, ou pro­ced­i­men­to de con­ser­vação de ele­men­tos líqui­dos, como o leite, porque a palavra vem do francês pas­toris­er, derivan­do por sua vez de L. Pas­teur (1822–1895), seu inven­tor.

[…] [O ter­mo] Pas­toral entrou cedo no jargão ecle­siás­ti­co, para qual­i­ficar três das car­tas pauli­nas, ou a ativi­dade dos evan­ge­lis­tas e de seu ensi­no, ou as insíg­nias epis­co­pais, como o anel, o bácu­lo, as car­tas. Mais recente, mas não mod­er­no, é o uso de pas­toral em refer­ên­cia à teolo­gia e com abor­dagem não-dog­máti­ca; orig­i­nal­mente, de fato, foi anti-dog­máti­co. Aos que descon­hecem o jargão ecle­siás­ti­co, no entan­to, um homem da média cul­tura muito facil­mente asso­cia­rá pas­toral à mocin­ha da poe­sia arcádi­ca, à com­posição poéti­ca de origem provençal e de con­teú­do amoroso, à éclo­ga vir­giliana, à tragé­dia “Aminta” de T. Tas­so e à músi­ca de caráter sim­ples e ter­no, com especí­fi­ca tip­i­fi­cação na “sex­ta” de Beethoven.

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A república que honra a Santa coroa

Hún­gria – Nova Con­sti­tu­ição de 1º de Janeiro de 2012

                                 [Tradução Ged­er­son Fal­cometa]

Em 1º de janeiro de 2012 entrou em vig­or a nova Con­sti­tu­ição da Hún­gria aprova­da pelo par­la­men­to hún­garo em 25 de abril do ano pas­sa­do. É uma lufa­da de ar fres­co na atmos­fera enve­ne­na­da da Europa de Brux­e­las. Abaixo pub­li­camos as notas mais belas:

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