Archive | setembro, 2013

O disse o Papa? Não: Putin

clip_image001Repas­so sem comen­tários, extratos de um dis­cur­so [1] bem mais artic­u­la­do e sig­ni­fica­ti­vo tido por Vladimir Putin no Val­dai Inter­na­tion­al Dis­cus­sion Club: um fórum de pen­sa­men­to aber­to a vários hós­pedes do exte­ri­or. Fun­da­do pela RIIA Novosti e pelo think tank gov­er­na­ti­vo rus­so Coun­cil on For­eign and Defense Pol­i­cy, que bus­ca sus­ci­tar e enrique­cer com debates e con­tribuições de alto nív­el ao pen­sa­men­to estratégi­co. Um pouco como o atlantista Grupo Bilder­berg, il Val­dai deve o seu nome a local­i­dade onde ocor­reu a primeira reunião e 2004, o hotel Val­dai sobre o lago Val­daiskoye, na zona de Nov­gorod, rica de monastérios e memórias históri­c­as da orto­dox­ia.

O encon­tro em que Putin falou acon­te­ceu em 19 de setem­bro. Fala da Rús­sia, mas o dis­cur­so vale para o Oci­dente, para aqui­lo que res­ta da sua civ­i­liza­ção e para o mun­do inteiro. [2] Dis­cur­so de um chefe de Esta­do, como não se faz mais, nem mes­mo do sólio petri­no. 


«Hoje pre­cisamos de novas estraté­gias para preser­var a nos­sa iden­ti­dade em um mun­do que muda rap­i­da­mente, um mun­do que se tornou mais aber­to, trans­par­ente e inter­de­pen­dente. Este fato desafia prati­ca­mente a todos os povos e país­es de um modo ou de out­ro, rus­sos, europeus, chi­ne­ses e amer­i­canos – de fato, as sociedades de todos os país­es.

(…) Para nós (falo dos rus­sos e da Rús­sia) as per­gun­tas sobre quem somos e o que quer­e­mos ser estão cada vez mais em primeiro plano. Deix­am­os para trás a ide­olo­gia soviéti­ca, ela não tem retorno. Quem propõe um con­ser­vadoris­mo fun­da­men­tal, e ide­al­iza a Rús­sia pré-1917, parece igual­mente dis­tante do real­is­mo, assim como são os sus­ten­ta­dores de um lib­er­al­is­mo extremo, no Oci­dente.

É evi­den­te­mente impos­sív­el ir adi­ante sem autode­ter­mi­nação espir­i­tu­al, cul­tur­al e nacional. Sem isto, não ser­e­mos capazes de resi­s­tir aos desafios inter­nos e exter­nos, nem chegare­mos na com­petição glob­al. Hoje vemos uma nova roda­da des­ta com­petição, cen­tra­da sobre os planos econômi­co-tec­nológi­co e ide­ológi­co-infor­ma­cional. Os prob­le­mas mil­itares e as condições gerais estão pio­ran­do. O mun­do se tor­na mais rígi­do, e muitas vezes igno­ra não só o dire­ito inter­na­cional, mas tam­bém a mais ele­men­tar decên­cia». […]

«Out­ro grave desafio a iden­ti­dade da Rús­sia é lig­a­da a even­tos que tem lugar no mun­do. São aspec­tos con­jun­tos de políti­ca exter­na, e morais. Podemos ver como os País­es euro-atlân­ti­cos estão repu­dian­do as suas raízes, mes­mo as raízes cristãs que con­stituem a base da civ­i­liza­ção oci­den­tal. Ess­es renegam os princí­pios morais e todas as iden­ti­dades tradi­cionais: nacionais, cul­tur­ais, reli­giosas e finan­co sex­u­ais. Estão apli­can­do dire­ti­vas que igualam as famílias com a con­vivên­cia de par­ceiros do mes­mo sexo, a fé em Deus com a crença em Satanás.

O “politi­ca­mente cor­re­to” chegou a tais exces­sos, que há pes­soas que dis­cutem seri­amente o reg­istro de par­tidos políti­cos que pro­movem a ped­ofil­ia. Em muitos País­es europeus a gente que retém ou tem medo de man­i­fes­tar a sua religião. As fes­tivi­dades são abol­i­das ou chamadas com out­ros nomes; a sua essên­cia (reli­giosa) vem escon­di­da, assim como o seu fun­da­men­to moral. Estou con­vic­to que isto abre uma estra­da dire­ta para a degradação e o regres­so, que desem­bo­cará em uma pro­fundís­si­ma crise demográ­fi­ca e moral.

E que out­ra coisa, senão a per­da da capaci­dade de se auto repro­duzir teste­munha mais dra­mati­ca­mente a crise moral de uma sociedade humana? Hoje a maior parte de nações desen­volvi­das não são mais capazes de per­pet­u­arem-se, nem mes­mo com a aju­da da imi­gração. Sem os val­ores incor­po­ra­dos no Cris­tian­is­mo e nas out­ras religiões históri­c­as, sem os estandartes de moral­i­dade que tomaram for­ma em milênios, as pes­soas perder­am inevi­tavel­mente a sua dig­nidade humana. Bem: nós rete­mos que é nat­ur­al e jus­to defend­er estes val­ores. Se devem respeitar o dire­ito de toda mino­ria de ser difer­ente, mas os dire­itos da maio­r­ia não devem ser colo­ca­dos em questão (Ndt.: Leia-se o tex­to “O bem do todo é maior que o bem da parte”).

Simul­tane­a­mente, vemos esforços de faz­er reviv­er em qual­quer modo um mod­e­lo padroniza­do de mun­do unipo­lar e o ofus­car das insti­tu­ições de dire­ito inter­na­cional e da sobera­nia nacional. Este mun­do unipo­lar e padroniza­do não requer Esta­dos sober­a­nos: requer vas­sa­los. Isto equiv­ale sobre o plano históri­co a rene­gação da própria iden­ti­dade e da diver­si­dade do mun­do queri­do por Deus»…

 

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1.   Tre­cho de Effedi­effe, do ulti­mo arti­go de Mau­r­izio Blondet. Me lim­i­to a dar a refer­ên­cia da fonte, saben­do que do link é visu­al­izáv­el ape­nas o títu­lo e o incip­it, enquan­to o tex­to inte­gral é acessív­el ape­nas aos assi­nantes.

2.   Um comen­ta­dor fez notar que Putin con­cedeu de novo ao Patri­ar­ca Kir­ill II a residên­cia ofi­cial no inte­ri­or dos muros do Krem­lin entre as suas três Basíli­cas (Anun­ci­ação, Dormição e Arcan­jo Miguel). Kir­il II fun­ciona como apoiador da políti­ca exter­na do gov­er­no além de guia espir­i­tu­al para Putin e para a Rús­sia. Parece que Putin nos dias pas­sa­dos se casou de for­ma bas­tante reser­va­da com Nizni Nov­gorod, e pela primeira vez, com cer­imô­nia reli­giosa.

Fonte: Chiesa e post-Con­cilio

Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

BELEZA E SERIEDADE DO MATRIMÔNIO

 

 

PADRE CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

27 de jun­ho de 2011

http://www.doncurzionitoglia.com/matrimonio_bellezza_e_serieta.htm

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clip_image002No sen­ti­men­tal­is­mo se bus­ca a “con­so­lação sen­sív­el”, ou seja, o “praz­er” e se pode cair fácil­mente na des­or­dem ascéti­ca (apari­cionis­mo) e moral. Esta é a con­se­quên­cia práti­ca do erro ascéti­co do Amer­i­can­is­mo ou teóri­co do sen­ti­men­tal­is­mo (ou exper­iên­cia reli­giosa) do Mod­ernismo.

·         Já vimos que o Homem é com­pos­to de alma e cor­po e que as suas fac­ul­dades supe­ri­ores (int­elec­to e von­tade) devem pro­ced­er jun­tas para alcançar o seu Fim ulti­mo, edu­can­do, ele­van­do (pars con­stru­ens) e não ape­nas mor­ti­f­i­can­do (pars destru­ens) a sua sen­si­bil­i­dade (paixões e instin­tos). Ape­nas a repreen­são ou “mor­ti­fi­cação” neg­a­ti­va dos instin­tos, sem um escopo pos­i­ti­vo, ter­mi­nar­ia em obses­sion­ar e ator­men­tar a fan­ta­sia humana e para rea­cen­der e reforçar as paixões des­or­de­nadas. Então, é necessário além da mor­ti­fi­cação dos sen­ti­dos, tam­bém a sua sub­li­mação ou ver­dadeira ele­vação a um Fim supe­ri­or nat­ur­al e sobre­nat­ur­al. Os autores da ascéti­ca e mís­ti­ca1 ensi­nam que na “guer­ra dos sen­ti­dos vencem os poltrões” (Dom Bosco), ou seja, não é pre­ciso lutar face a face con­tra as ten­tações sen­suais, mas desviar a fan­ta­sia, a imag­i­nação e o pen­sa­men­to dess­es para trans­for­má-la pos­i­ti­va­mente sobre um out­ro obje­to, preferiv­el­mente sobre­nat­ur­al (“ato anagógi­co” ”, São João da Cruz). Assim, tam­bém quan­do “o sangue sobe ao cére­bro” pela cólera, é mel­hor calar e reen­viar toda ten­ta­ti­va de expli­cação quan­do a cal­ma voltar, de out­ro modo, a ira se infla­ma sem­pre mais e toma a direção sobre a razão. Por­tan­to, A Mor­ti­fi­cação Ou “Repreen­são” Con­sti­tui A Fase Ini­cial E Neg­a­ti­va Da Edu­cação Humana, como o ‘temor servil’ de Deus é iní­cio da Sabedo­ria, que é o ‘temor fil­ial’ e amoroso. Como o temor servil não é mal em si, mas é imper­feito, assim a mor­ti­fi­cação ou “repreen­são” não é má, mas deve ser com­ple­ta­da e aper­feiçoa­da pela sub­li­mação do instin­to. Não faz­er o mal é con­di­tio sine qua non para faz­er o bem, mas não é ain­da agir pos­i­ti­va­mente bem em ato. “Evi­ta o mal e faz o bem. Isto é todo o homem”, diz a S. Escrit­u­ra. Essa não se detém a pars destru­ens, mas nos con­vi­da tam­bém àquela con­stru­ens.

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MATRIMÔNIO, AMOR E CARIDADE: CONSELHOS AOS NAMORADOS

 

PADRE CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

2 de abril de 2011

http://www.doncurzionitoglia.com/matrimonio_amore_caritas.htm

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·         Depois de ter vis­to o que é a ver­dadeira Cari­dade sobre­nat­ur­al e tê-la dis­tin­ta antes de tudo do amor nat­ur­al (que é bom mas imper­feito) e sobre­tu­do do ero­tismo freudi­ano, que hoje inva­diu todas as coisas, que é puro egoís­mo, amor próprio, e é a morte do ver­dadeiro amor nat­ur­al e sobre­nat­ur­al, bus­care­mos ago­ra aplicar as noções de ver­dadeiro amor nat­ur­al, que deve ser aper­feiçoa­do por aque­le sobre­nat­ur­al, ao Matrimônio e de dar con­sel­hos aos jovens namora­dos, afim de que pos­sam se preparar con­ve­nien­te­mente e vivê-lo estavel­mente.

 

·         O Matrimônio é uma união estáv­el, que dura por toda a vida, entre um homem e uma mul­her, em vista de for­mar uma família, de ter e de dar fil­hos sobre­tu­do a Deus no Paraí­so e de aju­darem-se rec­i­p­ro­ca­mente, no cor­po e no espíri­to. Afim de que o mari­do seja fiel a mul­her e vice-ver­sa, “na boa e na má sorte”, todos os dias “até que a morte lhes sep­a­re”, é necessária uma boa preparação para o Matrimônio. Por exem­p­lo, como para se tornar sac­er­dote se entra no Sem­i­nário, se cumprem os estu­dos e se respei­ta a dis­ci­plina durante pelo menos 5 anos, para ver se é real­mente chama­do a vida sac­er­do­tal, ou para ser mil­i­tar se entra na Acad­e­mia do exérci­to, assim deve ser tam­bém o namoro em vista do Matrimônio. Se de fato, não se vive bem o namoro, muito provavel­mente se viverá mal o Matrimônio. Como quan­do se faz mal o Sem­i­nário ou a Acad­e­mia, e não nos reti­ramos antes, se terá quase segu­ra­mente uma vida sac­er­do­tal ou mil­i­tar em risco.

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PREGUIÇA E ABATIMENTO: OS DEFETOS DO HOMEM E DO RELIGIOSO CONTEMPORÂNEO

PADRE CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

2 de jul­ho de 2012

http://www.doncurzionitoglia.com/pigrizia_e_abbattimento_difetti.htm

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São viv­i­fi­ca­dos pelo Espíri­to aque­les que não atribuem ao próprio eu toda ciên­cia que sabem e dese­jam saber, mas a ref­er­em, com a palavra e o exem­p­lo, ao Altís­si­mo Deus, ao qual per­tence todo bem” (S. Fran­cis­co de Assis).

·         A fonte da preguiça e da ací­dia, que é a preguiça espir­i­tu­al, são o orgul­ho, o amor próprio, a vida tran­quila, a avareza e o apego exces­si­vo aos bens des­ta ter­ra, o não quer­er ter inimi­gos e então chegar a com­pro­mis­sos ou ao menos a pactos com os inimi­gos de Deus. O aba­ti­men­to, ao invés, nasce da pre­sunção exces­si­va de si mes­mo ou de uma pusi­la­n­im­i­dade e timidez que é fal­sa humil­dade, e que às vezes pode ser mais perigosa que o próprio orgul­ho.

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A “MENTIRADO JUDEU-CRISTIANISMO

A “REGRESSÃOJUDAIZANTE DO VATICANO II:

A “MENTIRADO JUDEU-CRISTIANISMO

 

DON CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

6 de fevereiro de 2010

Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente no SPES

http://www.doncurzionitoglia.com/menzogna_del_giudeocristianesimo.htm

 

                                                        

   Pról­o­go

 

Saiu recen­te­mente em ital­iano um inter­es­sante livro do rabi­no Jacob Neusner [1], que vol­ta a 1991 (Jews and Cris­tians. The Myth of a Com­mun Tra­di­tion) com respeito à relação entre judaís­mo e cris­tian­is­mo. É deci­di­da­mente um livro con­tra a cor­rente, porque sus­ten­ta e – estou cer­to – pro­va que “entre hebraís­mo e cris­tian­is­mo […] não existe e nun­ca jamais exis­tiu um diál­o­go. O con­ceito de uma tradição hebraico-cristã […] é somente um mito, no pior sen­ti­do: uma men­ti­ra” [2].

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