Archive | dezembro, 2013

François-Athanase de Charette de La Contrie

Cristi­na Sic­car­di

Tradução Ged­er­son Fal­cometa

 

Mar­tire

Couf­fé, França, 21 de abril de 1763 – Nantes, França, 29 de março de 1796

Le Roi de la Vendée

 

François-Athanase de Charette de la Con­trie (sim­ples­mente François de Charette), nasceu de família nobre a Couf­fé (viz­in­ha a Ance­nis) em 21 de abril de 1763, foi um dos mais impor­tantes chefes mil­itares do movi­men­to de inssur­reição que com­bat­eu na guer­ra da Vendéia e ele foi chama­do “o rei da Vendéia”, ou “Le Roi de la Vendée”.

No ano de 1779 entrou na esco­la da Mar­in­ha france­sa, depois serviu mil­i­tar­mente o Conde Pic­quet de la Motte e o almi­rante de Guichen; em 1787 obtem o grau de tenente de navio, par­tic­i­pan­do em onze cam­pan­has béli­cas, algu­mas ocor­ri­das na Améri­ca.

Em 25 de maio de 1790 casou-se com Marie-Angéli­ca Jos­net, esta­b­ele­cen­do-se no solar de Fonte­clause. Depois de um perío­do transcor­ri­do em Coblenza, na Ale­man­ha, não demor­ou a retornar a França para defend­er a família real nas Tui­leries em 10 de agos­to de 1792. Con­seguiu escapar do mas­sacre.

Na região de Machecoul, em 27 de março de 1793, acei­ta colo­car-se como cabeça dos cidadãos vendeianos que o procu­raram em seu caste­lo. No começo os seus seguidores eram arma­dos ape­nas com for­ca­dos e fuzis de caça, mas depois os católi­cos vendeianos se orga­ni­zaram mel­hor e em 30 de abril de 1793 François de Charette con­segue impedir os repub­li­canos de tomar Legé. Depois da toma­da de Saumur, em jun­ho de 1793, o chefe vendeiano Les­cure pede que par­ticipem da toma­da de Nantes; na real­i­dade ele se encon­trou só diante da cidade e as per­das foram grandes.

François de Charette a respeito dos out­ros chefes vendeianos oper­ou iso­lada­mente. Em 1794 se apoder­ou do cam­po repub­li­cano de Saint-Christophe, próx­i­mo a Chal­lans, mas menos de um mês mais tarde o gen­er­al Nico­las Haxo, com seis mil home­ns, con­stringe Charette a fugir. Todavia em 20 de março se encon­trou nova­mente com Haxo em Les Clouzeaux e a batal­ha con­stringiu os repub­li­canos a fuga. Haxo, foi feri­do durante o com­bate, foi aban­don­a­do pelos seus 3000 home­ns. O exérci­to repub­li­cano não foi em sua aju­da, para eximir-se de qual­quer respon­s­abil­i­dade, declararam que o gen­er­al repub­li­cano se sui­ci­dou para não cair nas mãos inimi­gas.

Em 17 de janeiro de 1795 Charette assi­nou com os rep­re­sen­tantes repub­li­canos, no caste­lo de La Jau­naye, próx­i­mo a Ver­tou, um trata­do que esta­b­ele­cia a liber­dade reli­giosa e isen­ta­va os insur­gentes do serviço arma­do, mas o armistí­cio durou ape­nas cin­co meses.

Em jun­ho de 1795 retoma as armas, receben­do pólvo­ra para dis­paro, armas e fun­dos dos ingle­ses em Saint-Jean-de-Monts em 10,11 e 12 de agos­to, con­tu­do foi der­ro­ta­do. Em Jul­ho o futuro rei Luís XVIII lhe escreve para con­ferir-lhe o grau de Gen­er­al do exérci­to católi­co e real. Deixa como her­ança palavras de grande pro­fun­di­dade de pen­sa­men­to e de coração; são palavras de um homem fiel a Deus e a sua ter­ra, que não se cur­vou ao demônio e as suas ten­tações;

«A nos­sa Pátria são os nos­sos vilare­jos, os nos­sos altares, as nos­sas tum­bas, tudo aqui­lo que os nos­sos pais ama­ram antes de nós.

A nos­sa Pátria é a nos­sa fé, a nos­sa ter­ra e o nos­so rei.

Mas a pátria deles, que coisa é? Vós o enten­deis?

Querem destru­ir os cos­tumes, a ordem e a Tradição.

Então, que coisa é esta pátria que desafia o pas­sa­do, sem fidel­i­dade e sem amor?

Esta pátria de des­or­dem e irre­ligião?

Para eles parece que a pátria não seja out­ra coisa que uma idéia; para nós é uma ter­ra.

Eles há tem no cére­bro; nós a sen­ti­mos sob os nos­sos pés, é mais sól­i­da.

É vel­ho como o dia­bo o mun­do que eles dizem novo e que querem fun­dar sobre a ausên­cia de Deus…

Diz-se que somos os fau­tores das vel­has super­stições… Fazem rir!

Mas diante destes demônios que renascem de sécu­lo em sécu­lo, nós somos a juven­tude, sen­hores!

Somos a juven­tude de Deus.

A juven­tude da fidel­i­dade».

Em out­ubro de 1785 ten­tou orga­ni­zar a chega­da à Vendéia do Conde de Artois, segun­do irmão de Luís XVI, apor­tan­do sobre a cos­ta litorânea com 15.000 home­ns para pren­der o príncipe que se encon­tra­va na ilha de Yeu; mas o futuro Car­los X não alcança o con­ti­nente e Charette é pouco a pouco aban­don­a­do pelas suas tropas. Charette pen­sou então em unir-se com as tropas do chefe vendeiano Stof­flet que ain­da com­ba­t­ia no Anjou. Mas as col­u­nas infer­nais repub­li­canas ocu­param a região e Charette, segui­do ape­nas pelos últi­mos 32 fidelís­si­mos, é cap­tura­do pelo gen­er­al Travot em 23 de março de 1796, nos bosques da Char­bot­terie (comu­nidade de Saint-Sulpice-le-Ver­don). Foi con­de­na­do a morte e fuzi­la­do em 29 de março de 1796 na praça Viarmes em Nantes. Recu­sou ser ven­da­do e deu ele mes­mo aos seus algo­zes a ordem de fogo. O seu lema foi: «Com­bati muitas vezes, algu­mas delas der­ro­ta­do, mas nun­ca abati­do».

Intolerância doutrinal. Sermão do Cardeal Pie (Primeira parte).


Card. Louis-Édouard Pie

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Ser­mão pre­ga­do na Cat­e­dral de Chartres 1841 e 1847

  

Unus Domi­nus, una fides, unum bap­tisma. 

Existe um só Sen­hor, uma só fé e um só batismo.

(São Paulo aos Efé­sios, c . IV, v . 5.)

Um sábio disse que as ações do homem são fil­has do seu pen­sa­men­to, e nós mes­mos esta­b­ele­ce­mos que todos os bens, como tam­bém todos os males de uma sociedade, são fru­tos das máx­i­mas boas ou más que essa pro­fes­sa. A ver­dade no espíri­to e a vir­tude no coração são quase insep­a­ráveis e em estre­i­ta relação: quan­do o espíri­to é pre­sa do demônio da men­ti­ra, o coração, se tam­bém deu iní­cio a obsessão, é assaz próx­i­mo a deixar-se levar em baila pelo vicio. A inteligên­cia e a von­tade, de fato, são duas irmãs para as quais a sedução é con­ta­giosa; se se vê que a primeira se aban­dona ao erro, se esten­da um piedoso véu sobre a hon­ra da segun­da.

E é por isso, meus Irmãos, e é porque não existe algum ataque, algu­ma lesão na ordem int­elec­tu­al que não ten­ha funes­tas con­se­quên­cias na ordem mate­r­i­al, que nós nos empen­hamos, seja em com­bat­er o mal ata­can­do-o nos seus princí­pios, seja a secar sua fonte, isto é, as idéias. Entre nós são cred­i­ta­dos mil pre­juí­zos: o sofis­ma, estúpi­do de ser ata­ca­do, invo­ca a pre­scrição; o para­doxo se van­glo­ria de haver obti­do o dire­ito de cidada­nia. Os próprios cristãos, que vivem bem no meio des­ta atmos­fera impu­ra, não lhe evi­tam todo o con­tá­gio, mas aceitam muitos erros muito facil­mente; muitas vezes cansa­dos de resi­s­tir em pon­tos essen­ci­ais, para dis­farçar, cedem em out­ros pon­tos que pare­cem a eles menos impor­tantes, não perceben­do, e muitas vezes não queren­do perce­ber, aonde eles poderão ser con­duzi­dos pela sua impru­dente frag­ili­dade.

Nes­ta con­fusão de idéias e de fal­sas opiniões cabe a nós, sac­er­dotes de incor­rup­tív­el ver­dade, de nos lançar­mos no com­bate prote­s­tando com a ação e com a palavra: bom para nós se a rígi­da inflex­i­bil­i­dade do nos­so ensi­na­men­to pud­er impedir o trans­bor­dar da men­ti­ra, desle­git­i­mar os princí­pios errô­neos que reinam com sober­ba sobre as inteligên­cias, cor­ri­gir os axiomas funestos já afir­ma­dos no tem­po, e enfim ilu­mi­nar e purificar a sociedade que ameaça de pre­cip­i­tar, envel­he­cen­do, em um caos de trevas e de des­or­dens em que não lhe será mais pos­sív­el dis­tin­guir a natureza dos seus males e muito menos remediá-los.

O nos­so sécu­lo excla­ma: Tol­erân­cia! Tol­erân­cia! Pen­sa-se que um sac­er­dote deve ser tol­er­ante, que a religião deve ser tol­er­ante. Meus Irmãos, em cada coisa nada se iguala a fran­queza, e eu vos digo sem ter­giver­sar que existe no mun­do uma só sociedade que pos­suí a ver­dade, e que esta sociedade deve ser nec­es­sari­a­mente intol­er­ante. Mas, antes de entrar no argu­men­to, para nos enten­der­mos bem, difer­en­ciemos as coisas colo­que­mo-las de acor­do sobre o sen­ti­do das palavras para não faz­er con­fusão.

A tol­erân­cia pode ser civ­il ou teológ­i­ca, e a primeira não nos diz respeito, me per­mi­tirei ape­nas uma palavras sobre essa; se a lei afir­ma per­mi­tir todas as religiões porque diante dessa são todas igual­mente boas ou real­mente porque o poder públi­co é incom­pe­tente para tomar uma posição sobre este tema, esta lei é ímpia e atéia, porque pro­fes­sa não já a tol­erân­cia civ­il como a definire­mos, mas a tol­erân­cia dog­máti­ca e, com uma neu­tral­i­dade crim­i­nal, jus­ti­fi­ca nos indi­ví­du­os a indifer­ença reli­giosa mais abso­lu­ta. Se ao con­trário a lei, recon­hecen­do que uma só religião é boa, sus­ten­ta e per­mite somente o tran­qui­lo exer­cí­cio das out­ras religiões, essa nis­to, como já se obser­vou antes de mim, pode ser sábia e necessária segun­do as cir­cun­stân­cias. Se exis­tem momen­tos em que é pre­ciso diz­er com o famoso con­destáv­el [*]:Une foi, une loi; Uma só fé, uma só lei, exis­tem out­ros em que é pre­ciso diz­er como Fenélon ao fil­ho de Thi­a­go II: «Con­cedeis a todos a tol­erân­cia civ­il, não aprovan­do tudo de for­ma indifer­ente, mas supor­tan­do com paciên­cia aqui­lo que Deus supor­ta».

Então, deixan­do a parte este argu­men­to reple­to de difi­cul­dade, e ded­i­can­do me a questão pro­pri­a­mente reli­giosa e teológ­i­ca, irei expor os dois princí­pios seguintes:

1º A religião que provém do céu é ver­dade e é intol­er­ante para com as doutri­nas.

2º A religião que vem do céu é cari­dade, e é ple­na de tol­erân­cia para com as pes­soas.

Reze­mos a Maria para que nos ven­ha em socor­ro e invoque para nós o Espíri­to de ver­dade e de cari­dade: Spir­i­tum ver­i­tatis et pacis. Ave Maria.

[*] Se tra­ta verossim­il­mente de Anne de Mont­moren­cy (1493–1567), con­nétable de França, a tin­ha por lema: une foi, une loi, un roi. [N.d.T.I.]

Sermão de natal de Santo Antônio de Pádua

TEMAS DO SERMÃO
Evan­gel­ho do primeiro domin­go após o Natal do Sen­hor: “José e Maria…”, que é divi­di­do em três partes.
No primeiro tema do ser­mão, sobre a graça e a glória de Jesus Cristo, como está escrito: “Aprende onde está a sabedo­ria”. O primeiro tema, sobre a pobreza, como está escrito: “Deus fez-me crescer”. Ain­da, sobre a mis­éria dos ricos, como está escrito: “Deus te gol­peará com pobreza”. Sobre a humil­dade, con­de­nação dos sober­bos e exal­tação dos humildes, como está escrito: “Olhan­do o Sen­hor pela col­u­na de nuvem”. Sobre a útil tris­teza dos pen­i­tentes, como está escrito: “O espíri­to triste”. Sobre a obe­diên­cia, como está escrito: “Fala, Sen­hor”. E, por fim, para os pen­i­tentes e reli­giosos, como está escrito: “Issacar é um asno forte”.
No segun­do tema, sobre a sober­ba e a humil­dade do coração, como está escrito “Depôs os poderosos”. Sobre a util­i­dade da ruí­na para os pecadores con­ver­tidos, como está escrito: “Haverá ruí­na para o cav­a­lo”. Sobre a ressur­reição da alma dos peca­dos, como está escrito: “A mão do Sen­hor pôs-se sobre mim”; e sobre a pro­priedade das prisões. Ain­da, con­tra os amantes das coisas tem­po­rais, como está escrito: “Esten­di as min­has mãos”. Sobre o dup­lo par­to de San­ta Maria, como está escrito: “Antes de dar à luz”; e a Paixão do seu Fil­ho, como está escrito: “Lem­bra-te da pobreza”. Por fim, sobre as qua­tro estações do ano e o seu sig­nifi­ca­do, como está escrito: “Quan­do chegará a plen­i­tude dos tem­pos”.
No ter­ceiro tema, sobre a Anun­ci­ação ou o Natal do Sen­hor, como está escrito: “Quan­do tudo esta­va envolvi­do num grande silên­cio”. E um ser­mão moral sobre a pen­itên­cia, como está escrito: “Quan­do tudo esta­va envolvi­do num grande silên­cio”.

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