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A CIÊNCIA POLÍTICA TOMISTA

  PADRE CURZIO NITOGLIA
19 de dezem­bro de 2009
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]
Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente no
A prudên­cia em relação ao bem comum se chama políti­ca
(S. Th., II-II, q. 47, a. 10, in cor­pore)
 
Políti­ca como “prudên­cia social”
A políti­ca ou moral social é a ciên­cia daqui­lo que o homem, como ani­mal social, deve ser e faz­er (“agere sequitur esse”), ori­en­tan­do-se a deter­mi­na­do fim (“omne agens agit propter finem”). San­to Tomás a define assim: “o sujeito na filosofia moral é a oper­ação humana orde­na­da a um fim, ou o homem enquan­to age vol­un­tari­a­mente por um fim”. ([1]) Para o Aquinate a filosofia políti­ca é uma ciên­cia práti­ca, que dá os princí­pios (“scire per causas”) para agir, não ao indi­ví­duo soz­in­ho, como a éti­ca ger­al, mas ao cidadão que vive em uma sociedade e que deve fun­cionar como homem social e não como indi­ví­duo pri­va­do, como seria ao con­trário para a esco­la lib­er­al e lib­ertista.

A questão do liberalismo diz respeito aos mais graves interesses e aos mais fundamentais dogmas do cristianismo.

R. P. Hen­ri Ramière d.C.d.G. (1821–1884)

Da: Les doc­trines romaines sur le libéral­isme envis­agées dans leur rap­ports avec le dogme chré­tien et avec les besoins des soci­etes mod­ernes, Paris 1870 pag. 1–19. Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

 

Antes de tudo é impor­tante esclare­cer para van­tagem daque­les católi­cos que não enten­dem a lig­ação entre a questão do lib­er­al­is­mo e do dog­ma católi­co e que acred­i­tam defend­er seri­amente os inter­ess­es da Igre­ja acon­sel­han­do-lhes a sep­a­rarem-se, sobre este pon­to, de sua própria tradição.

I – Origem do lib­er­al­is­mo

Para faz­er-lhes com­preen­der que se enganam, bas­ta recor­dar a sua história recente; digam-nos eles como a dout­ri­na que gostari­am que fos­se acei­ta pela Igre­ja se intro­duz­iu no mun­do. O sabem bem como nós; até o sécu­lo pas­sa­do essa não tin­ha encon­tra­do um só defen­sor, nem no inte­ri­or do cris­tian­is­mo nem no seio do pagan­is­mo. No mun­do bár­baro como naque­le civ­i­liza­do foi sem­pre acor­da­do fun­dar a garan­tia das insti­tu­ições soci­ais nas crenças reli­giosas; e Rousseau, quan­do afir­ma que nen­hum Esta­do foi jamais fun­da­do sem que a religião lhe servisse de base, não fazia que con­statar o teste­munho certís­si­mo da história e resumir os ensi­na­men­tos dos filó­so­fos pagãos, como tam­bém dos doutores cristãos.

Quan­do então se pen­sou repu­di­ar esta con­stante e uni­ver­sal per­suasão do gênero humano? Quem são aque­les novos sábios que inven­taram uma teo­ria igno­ra­da ou rejeita­da pelos mestres da anti­ga sapiên­cia?

Sabe­mos bem quem são estes sábios; são aque­les que, no sécu­lo pas­sa­do, declararam a Jesus Cristo e a sua Igre­ja uma guer­ra mor­tal e que, para tri­un­far nes­ta guer­ra, empreen­di­da segun­do eles para o tri­un­fo da ver­dade e da justiça, fiz­er­am uso das mais mal­vadas calú­nias e das mais audazes men­ti­ras.

Já esta origem é assaz sus­pei­ta, e os católi­cos que hoje se fazem pro­mo­tores de uma dout­ri­na inven­ta­da pelos inimi­gos mais mor­tais do catoli­cis­mo tem ver­dadeira­mente neces­si­dade de toda a gen­erosi­dade de seus corações para não tornarem-se cientes do grave risco que cor­rem ao serem chama­rizes de uma mist­i­fi­cação infer­nal. Con­tin­uar lendo →

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