Archive | junho, 2015

Dúvida e certeza — Cardeal John Henry Newmann

Gramáti­ca do assen­ti­men­to
Jonh Hen­ry New­mann
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Quem a bus­ca ain­da não a encon­trou: ain­da está pre­so a dúvi­da, dese­ja encon­trar, con­fir­mar ou des­men­tir a sua profis­são atu­al. Seria absur­do que um de nós se definisse ao mes­mo tem­po crente e bus­cador. Daqui deri­va o falar de alguns de uma dura situ­ação em que se encon­tra o católi­co, ao qual não é líc­i­to bus­car a ver­dade do seu cre­do. Cer­to não o pode, ou não é mais um crente. Não pode estar ao mes­mo tem­po den­tro e fora do cor­po da Igre­ja. Avis­ar que se está bus­can­do é sinal que não encon­trou, é falar no plano do mais bási­co sen­so comum. Pos­to que bus­car quer diz­er duvi­dar e duvi­dar não se con­cil­ia com o crer, o católi­co que se prepara para uma bus­ca sobre a sua fé declara implici­ta­mente de não lhe pos­suir. Já lhe perdeu. Aqui, de fato reside a sua mais clara jus­ti­fi­cação: ele não é mais católi­co, mas aspi­ra a tor­na-lo. Quem lhe quisesse vetar a bus­ca lhe fecharia a por­ta do estábu­lo depois que os bois fugi­ram. Se ele está em dúvi­da, que coisa pode faz­er mel­hor do que bus­car? De qual out­ro modo pode se tornar nova­mente católi­co? No seu caso, a renún­cia a inves­ti­gação seria sinal que ele se con­tenta com a sua incredul­i­dade. Mas assim falan­do eu tra­to o argu­men­to em abstra­to, sem ter em con­ta as con­tradições a qual são sujeitos os home­ns. Os home­ns muitas vezes se esforçam em ter unidos em si ele­men­tos incom­patíveis. Não duvi­dam, mas se com­por­tam pro­pri­a­mente como se duvi­dassem. Creem, mas a sua fé é fra­ca, e pre­stando ouvi­do sem neces­si­dade a out­ras objeções se expõem a perde-la. E há espíri­tos para os quais racionar sobre uma ver­dade é insep­a­ráv­el de con­testá-la; inda­gar quer diz­er pôr sob proces­so. De out­ra parte exis­tem crenças assim pre­ciosas que, se a metá­fo­ra me é líci­ta, não podem ser lavadas sem restringirem-se e sem que per­cam cor. De tudo isto ten­ho em con­ta; mas aqui estou racioci­nan­do sobre princí­pios gerais e não sobre casos indi­vid­u­ais. Os princí­pios são estes: a bus­ca impli­ca a dúvi­da enquan­to a inda­gação não a impli­ca; quem assente a uma dout­ri­na ou a um fato lhe pode inda­gar a cred­i­bil­i­dade sem con­tradiz­er-se, mas a rig­or não pode colo­car em dúvi­da a ver­dade (Gram­mat­i­ca dell’Assenso, 116).

O “Neo-Donatismo” um perigo sempre atual

Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

O Donatismo clás­si­co

O “DONATISMO CLÁSSICO” [1] é uma Here­sia (segui­da de um Cis­ma) nasci­da de DONATO O GRANDE (cer­ca de +330) do qual infe­liz­mente perder­am-se os escritos, mas dos quais nos falam S. JERÔNIMO (De viribus illus­tris, 93) e SANTO AGOSTINHO (De haer, 69; Epist.,185De cor­rept. Donatist., I, 1). Segun­do os dois Doutores da Igre­ja, Dona­to teria escrito um livro ari­an­izante inti­t­u­la­do “De Spir­i­tu Sanc­to”, em que sus­ten­ta­va que o Espíri­to San­to é infe­ri­or ao Fil­ho e Este ao Pai.

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Ausculta filii praecepta magistri

 

Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

São Ben­to de Núr­sia (480–597) refu­gian­do-se na gru­ta de Subi­a­co, depois de ter fugi­do do ambi­ente uni­ver­sitário de Roma em 497 cor­rup­to int­elec­tual­mente e moral­mente, escreve uma Regra que ter­mi­nou em Cassi­no (529) depois de ter pas­sa­do trin­ta anos em Subi­a­co, dos quais três na gru­ta ou sacro espel­ho. A Regra dev­e­ria resul­tar útil a todos os cristãos para a edu­cação ao espíri­to de Cristo e necessária aos futur­os mon­ges Benediti­nos.

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Pérolas agostinianas

Padre Curzio Nitoglia

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Cas­ti­gat riden­do mores

San­to Agostin­ho no seu Comen­tário a primeira Epís­to­la de São João (mes­mo enquan­to pre­ga­va aos seus fiéis de Hipona na sem­ana San­ta de 413), com o seu espíri­to firme­mente irôni­co (“cas­ti­gat riden­do mores”/brincando e rindo diz a ver­dade), faz algu­mas com­para­ções que não podem nos deixar indifer­entes por que:

  • 1º) se de uma parte somos brin­cal­hões, diver­tidos e agradáveis,
  • 2º) da out­ra somos tam­bém sérios, pro­fun­dos e severos.

De fato, a justiça e a mis­er­icór­dia, a ale­gria e a sev­eri­dade não se excluem, mas se com­ple­tam e se har­mo­nizam como diz a S. Escrit­u­ra: “Justi­tia et Pax oscu­latae sunt”. Con­tin­uar lendo →

Sim Sim Não Não — Edição On-line n.º2

Tex­tos da segun­da edição:

 

O ver­dadeiro fun­da­men­to

São Fran­cis­co de Sales

A posição supre­ma que teve São Pedro na Igre­ja mil­i­tante, em razão da qual é chama­do fun­da­men­to da Igre­ja, como chefe e gov­er­nador, não vai além da autori­dade do seu Mestre, antes, lhe é ape­nas uma par­tic­i­pação; de modo que São Pedro não é fun­da­men­to da hier­ar­quia fora de Nos­so Sen­hor, mas em Nos­so Sen­hor, tan­to que nós o chamamos San­to Padre em Nos­so Sen­hor, fora do qual não seria nada.

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A estran­ha teolo­gia de Ratzinger

SIM SIM NÃO NÃO

A espec­u­lação teológ­i­ca de Ratzinger (como doutor pri­va­do) é muito ampla e mul­ti­forme. Vai des­de o pri­ma­do da con­sciên­cia a Patrís­ti­ca, espe­cial­mente Agostin­ho-Boaven­tu­ra, em função anti-escolás­ti­ca, a cole­gial­i­dade em função anti­monárquica no gov­er­no da Igre­ja ao con­ceito kan­tiano de liber­dade enten­di­da; do diál­o­go inter-reli­gioso a escat­olo­gia. Mas os dois pilares em que se fun­dam pare­cem ser a con­sid­er­ação da relação judaico-cristã e da teolo­gia da história em São Boaven­tu­ra, lida com forte ênfase Joaquimi­ta (De Joaquim de Fiore).

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A teolo­gia da “morte de Satanás”. 

SIM SIM NÃO NÃO

O satanis­mo em sen­ti­do genéri­co e especi­fi­co

O “mundo”[1] inteiro, não enquan­to criatu­ra físi­ca de Deus, mas no sen­ti­do moral e pejo­ra­ti­vo daque­les que vivem segun­do o espíri­to mun­dano ou car­nal opos­to ao angéli­co e divi­no, é sub­meti­do ao dia­bo pelo dile­ma “ou Deus ou Eu”, “ou a ver­dade ou a men­ti­ra”. O demônio é por isso chama­do tam­bém de “o príncipe deste mun­do” (Jo XII, 31; XIV, 30), “o deus deste mun­do” (2 Cor., IV, 4).

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O Cardeal Bil­lot sobre o lib­er­al­is­mo

    Padre Hen­ri Le Floch

Resumo da dout­ri­na do cardeal Bil­lot sobre o erro do lib­er­al­is­mo e as suas diver­sas for­mas, segun­do a exposição do trata­do sobre a Igre­ja.

O lib­er­al­is­mo em matéria de fé e de religião é uma dout­ri­na que pre­tende eman­ci­par o homem, mais ou menos, de Deus, da sua lei, e da sua rev­e­lação, e de eman­ci­par tam­bém a sociedade civ­il de qual­quer dependên­cia reli­giosa, da Igre­ja, tuto­ra, intér­prete e mes­tra da lei rev­e­la­da por Deus.

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