Archive | abril, 2016

CARIDADE E JUSTIÇA SOCIAL COMO FUNDAMENTO DA POLÍTICA

PADRE CURZIO NITOGLIA
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]
Papa Gregório VII

 

 Papa Gregório VII
“Do desprezo do bem comum ou social um pode ser induzido a todos os pecados”
(S. Tomás de Aquino, S. Th., II-II, q. 59, a. 1).

Para o ‘bom gov­er­no’, que é a ver­dadeira vir­tude de ‘prudên­cia social’ ou seja, a políti­ca no sen­ti­do clás­si­co do ter­mo, é pre­ciso sobre­tu­do duas vir­tudes além da prudên­cia: a justiça e o amor nat­ur­al e sobre­nat­ur­al, que são sub­stan­cial­mente diver­sas da egal­itè et fra­ter­nitè da mod­ernidade. Aqui lhe estu­dare­mos na óti­ca social e não estre­ita­mente indi­vid­ual, porque nos ocu­pamos da filosofia políti­ca ou social, que estu­da a vida em comum ou em sociedade dos indi­ví­du­os home­ns, os quais se unem antes em uma família e depois em mais famílias, as quais for­mam uma sociedade ou polis (=cidade) e mais cidades for­man­do enfim um Esta­do. No arti­go sobre “Dire­ito nat­ur­al” pub­li­ca­do neste mes­mo site, vimos como a lei, é eter­na ou div­ina, nat­ur­al e pos­i­ti­va e como estas leis regem a sociedade e sem essas se cai inevi­tavel­mente na “dis-sociedade” ou dis­so­ci­ação anárquica, que é o ‘pés­si­mo gov­er­no’1. No pre­sente arti­go nos ocu­pamos da justiça e da sua per­feição, que é a amizade ou amor (nat­ur­al ou sobre­nat­ur­al)2, para colo­car bem a fogo que sem essa não é pos­sív­el uma ver­dadeira vir­tude de prudên­cia social ou políti­ca, vale diz­er o ‘bom gov­er­no’3. No livro em dois vol­umes cita­dos em nota, se afronta o tema da políti­ca enten­di­da por Aristóte­les e San­to Tomás de Aquino como vir­tude social, as suas bases metafísi­cas, a natureza, causa efi­ciente e final da sociedade, a sociedade inter­na­cional, a origem do poder, da tira­nia e do tiran­icí­dio, as três for­mas de gov­er­no (monar­quia, aris­toc­ra­cia e polí­cia), a realeza social de Cristo, as relações entre Esta­do e Igre­ja, o maquiavelis­mo como iní­cio da “políti­ca” mod­er­na, con­ce­bi­da de maneira diame­tral­mente opos­ta à políti­ca aris­totéli­ca-tomista como sep­a­ra­da da vir­tude e da moral e por isso ‘mau gov­er­no’ (1º vol­ume). No 2º vol­ume se afronta a prob­lemáti­ca das relações entre a vir­tude políti­ca clás­si­ca e as desvi­ações “políti­cas” mod­er­nas: a guer­ra jus­ta, a pena de morte, a tor­tu­ra e a represália, a questão social e a sua ver­dadeira solução con­tra os dois erros – por exces­so e por defeito – do cole­tivis­mo social­ista e do indi­vid­u­al­is­mo lib­er­al, da ver­dadeira natureza do comu­nis­mo, mes­mo daque­le de “ros­to humano”, ou seja, “euro comu­nis­mo” e do “cato-comu­nis­mo”, do lib­er­al­is­mo clás­si­co, da democ­ra­cia cristã, qual mod­ernismo social ou lib­er­al­is­mo-católi­co, do fas­cis­mo e do nazis­mo, mes­mo se estes dois capí­tu­los são data­dos (remon­tam ao ano de 2002) e, pen­so, exces­si­va­mente severos na críti­ca. Con­clusão a) dire­ito nat­ur­al, divi­no e pos­i­ti­vo; b) cari­dade e justiça são os dois pilares que regem a estru­tu­ra da prudên­cia social ou políti­ca clás­si­ca. Con­tin­uar lendo →

A CONCEPÇÃO POLÍTICA DE DANTE ALIGHIERI E O “DE MONARCHIA

 
DON CURZIO NITOGLIA
 19  de agos­to de 2009
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]
Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente no
 
 
 
 
Dante, em De Monar­chia, é um um dos pre­cur­sores do Príncipe de Maquiáv­el. Esta frase pode sur­preen­der, mas, se se estu­dar bem o prob­le­ma, as coisas se fazem claras. Para Éti­enne Gilson, segun­do Dante “O imper­ador não deri­va o seu poder do Papa pelo fato que é dire­ta­mente sub­mis­so a Deus” [1]. Diante do ide­al cristão de uma Igre­ja uni­ver­sal, o Poeta quer erguer o ide­al humano gibeli­no ou cesarista de um império uni­ver­sal sobre a autori­dade de um só imper­ador, que dev­e­ria desen­volver o papel que o Papa desen­volve na Igre­ja. O flo­renti­no toma da Igre­ja o ide­al de uma cri­stan­dade uni­ver­sal e o lai­ciza. É o eter­no prob­le­ma, que retor­na con­tin­u­a­mente, em filosofia políti­ca, da relação entre o poder espir­i­tu­al e o poder tem­po­ral. O “gibeli­no fugi­ti­vo” jogou habil­mente citan­do sobre­tu­do Aristóte­les (mas é o aris­totelis­mo aver­roís­ta o que ensi­na o Poeta, como o expli­ca Gilson; além dis­so, Aristóte­les, não con­hecia o con­ceito de cri­ação, de criatu­ra-Cri­ador, de fim ulti­mo sobre­nat­ur­al, razão por que sua Políti­ca é pagã, e San­to Tomás, graças às luzes da Rev­e­lação, a com­ple­tou e em algu­mas partes a reti­fi­cou). Ora a sociedade tem neces­si­dade de uma autori­dade, e o próprio San­to Tomás havia dito que a mel­hor for­ma de gov­er­no é a de um só: a monar­quia. “S. Tomás, todavia, esta­va assim longe de pen­sar em uma monar­quia uni­ver­sal… e definia o rei como aque­le que gov­er­na o povo de uma cidade ou de uma provin­cia em vista do bem comum” [2]. Em De Monar­chia (liv. II), Alighieri afir­ma que o Império Romano, ain­da sub­sis­tente no medie­vo gibeli­no, é um poder legí­ti­mo queri­do por Deus para o bem comum. Ora, o Papa se colo­ca igual­mente como uma autori­dade de origem div­ina. Então se dá o dile­ma de como acor­dar o Papa e o Imper­ador. O prob­le­ma que se apre­sen­ta a Dante é saber se o poder vin­ha ao imper­ador ime­di­a­ta e dire­ta­mente de Deus, ou indi­re­ta­mente e através do Papa (lib. III, 1). Nós já vimos de pas­sagem como Dante resolve o prob­le­ma, mas ago­ra vamos vê-lo mel­hor. Con­tra o Papa, Dante invo­ca o rei Salomão, medi­ante cuja “san­ti­dade” (Salomão em ver­dade mor­reu em con­cu­bi­na­to e politeís­ta) se jul­gam os Papas e a cujo serviço é mobi­liza­do o cris­tian­is­mo (aqui nasceu a len­da do Dante esotéri­co, expos­ta por Guénon; sendo Salomão o con­stru­tor do primeiro Tem­p­lo de Jerusalém, ao qual se ref­er­em os ini­ci­a­dos e os maçons em ger­al, que têm como escopo a recon­strução do ter­ceiro Tem­p­lo, como… Sharon ou Netha­ni­ahu).  Além dis­so, os cristãos – segun­do Dante – devem ao Papa não tudo aqui­lo que se deve a Cristo, mas só aqui­lo que se deve a Pedro. “É hábil a fór­mu­la – comen­ta Gilson – usa­da pelo Poeta para lim­i­tar a exten­são da obe­diên­cia ao Papa: ‘tudo aqui­lo que se deve não a Cristo, mas a Pedro’. Pro­por esta cláusu­la como algo evi­dente sig­nifi­ca fechar a questão no princí­pio, porque equiv­ale a afir­mar que exis­tem priv­ilé­gios de Cristo que nem Pedro nem os seus suces­sores her­daram (…) equiv­a­le­ria a excluir os priv­ilé­gios de Cristo her­da­dos por Pedro e pelos seus suces­sores, e aque­le próprio pri­ma­do tem­po­ral que Dante se prepara para negar-lhes” [3]. Mas colo­que­mos em con­fron­to Dante e San­to Tomás:

LUZ DO APOCALIPSE

R. Th. Calmel O.P.

 

TEOLOGIA DA HISTÓRIA

 

CAPÍTULO SEGUNDO

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]  

 

 

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Podem-se encon­trar estra­nhas, com­pli­cadas e as vezes até mes­mo descon­cer­tantes visões, sem­pre grandiosas, do Apoc­alipse de São João. Não se pode porém acusá-lo de fornecer uma idéia mile­nar­ista ou pro­gres­sista da história. Neste não se encon­tra uma só alusão, por quan­to sútil a supon­ha, a uma ascen­são do ser humano para uma super-humanidade, nem a uma trans­fig­u­ração da Igre­ja mil­i­tante em um Igre­ja onde não exis­tem mais pecadores ou que cessem de ser um alvo aos ataques das duas Bestas. Sob qual­quer for­ma que se apre­sente, o mito do pro­gres­so é total­mente estran­ho a rev­e­lação do vidente de Pat­mos; este mito, como ver­e­mos, é de fato destruí­do pelas suas rev­e­lações. A razão maior, na per­spec­ti­va do Após­to­lo João, inspi­ra­do pelo Sen­hor, é a impen­sáv­el here­sia ultra­mod­er­na segun­do a qual a con­strução da humanidade através da bus­ca, da ciên­cia e da orga­ni­za­ção ter­mi­nar­ia bem rápi­do por iden­ti­ficar-se com a Igre­ja de Deus.

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SANTO TOMÁS DE AQUINO: O MAL

Quaes­tiones dis­pu­tatae De Malo San­to Tomás de Aquino [Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

QUESTÃO I O MAL

Art. 1. O mal não é algu­ma coisa. Primeiro: porque todo agente age em vista de um fim e de um bem, como existe uma ordem nos agentes, existe tam­bém uma ordem nos fins e nos bens. E como exis­tem agentes supe­ri­ores e infe­ri­ores, exis­tem tam­bém fins e bens supe­ri­ores e infe­ri­ores. Não poden­do ir ao infini­to, como existe um primeiro agente, que é Deus, existe tam­bém um fim e um bem, que é tam­bém Deus. Então, todas as coisas, derivan­do da primeira causa, são seres par­tic­u­lares; e porque a primeira causa é tam­bém o primeiro bem, todas as coisas derivantes da primeira causa, são tam­bém bens par­tic­u­lares. Segun­do: aqui­lo que é, tende para algu­ma coisa a si con­ve­niente; ora, o mal não tem con­veniên­cia com nen­hu­ma coisa, por ninguém dese­ja­do e, se exis­tisse, não dese­jaria nen­hu­ma coisa. Ter­ceiro: cada coisa dese­ja exi­s­tir e evi­tar aqui­lo que ameaça o seu exi­s­tir; lhe segue que o ser é um bem e o mal, que se opõe ao bem, se opõe tam­bém ao ser. Con­tin­uar lendo →

P. ROGER T. CALMEL: RECEITA PARA TEMPOS DE CRISE

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Padre Roger Thomas Calmel

Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

Mais atu­al do que nun­ca é este tex­to do Padre Roger Thomas Calmel, um dos primeiros sac­er­dotes a ter pressen­ti­do e resis­ti­do a crise na Igre­ja que se difun­dia já rap­i­da­mente nos anos 60. Neste ele mostra as grandes lin­has do com­por­ta­men­to do católi­co que deve bus­car força na vida inte­ri­or para não deixar-se trans­portar para a cor­rente dos erros e con­tribuir com a restau­ração da Igre­ja, restau­ração que deve começar na nos­sa alma.

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