Archive | abril, 2016

A CONCEPÇÃO POLÍTICA DE DANTE ALIGHIERI E O “DE MONARCHIA

 
DON CURZIO NITOGLIA
 19  de agos­to de 2009
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]
Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente no
 
 
 
 
Dante, em De Monar­chia, é um um dos pre­cur­sores do Príncipe de Maquiáv­el. Esta frase pode sur­preen­der, mas, se se estu­dar bem o prob­le­ma, as coisas se fazem claras. Para Éti­enne Gilson, segun­do Dante “O imper­ador não deri­va o seu poder do Papa pelo fato que é dire­ta­mente sub­mis­so a Deus” [1]. Diante do ide­al cristão de uma Igre­ja uni­ver­sal, o Poeta quer erguer o ide­al humano gibeli­no ou cesarista de um império uni­ver­sal sobre a autori­dade de um só imper­ador, que dev­e­ria desen­volver o papel que o Papa desen­volve na Igre­ja. O flo­renti­no toma da Igre­ja o ide­al de uma cri­stan­dade uni­ver­sal e o lai­ciza. É o eter­no prob­le­ma, que retor­na con­tin­u­a­mente, em filosofia políti­ca, da relação entre o poder espir­i­tu­al e o poder tem­po­ral. O “gibeli­no fugi­ti­vo” jogou habil­mente citan­do sobre­tu­do Aristóte­les (mas é o aris­totelis­mo aver­roís­ta o que ensi­na o Poeta, como o expli­ca Gilson; além dis­so, Aristóte­les, não con­hecia o con­ceito de cri­ação, de criatu­ra-Cri­ador, de fim ulti­mo sobre­nat­ur­al, razão por que sua Políti­ca é pagã, e San­to Tomás, graças às luzes da Rev­e­lação, a com­ple­tou e em algu­mas partes a reti­fi­cou). Ora a sociedade tem neces­si­dade de uma autori­dade, e o próprio San­to Tomás havia dito que a mel­hor for­ma de gov­er­no é a de um só: a monar­quia. “S. Tomás, todavia, esta­va assim longe de pen­sar em uma monar­quia uni­ver­sal… e definia o rei como aque­le que gov­er­na o povo de uma cidade ou de uma provin­cia em vista do bem comum” [2]. Em De Monar­chia (liv. II), Alighieri afir­ma que o Império Romano, ain­da sub­sis­tente no medie­vo gibeli­no, é um poder legí­ti­mo queri­do por Deus para o bem comum. Ora, o Papa se colo­ca igual­mente como uma autori­dade de origem div­ina. Então se dá o dile­ma de como acor­dar o Papa e o Imper­ador. O prob­le­ma que se apre­sen­ta a Dante é saber se o poder vin­ha ao imper­ador ime­di­a­ta e dire­ta­mente de Deus, ou indi­re­ta­mente e através do Papa (lib. III, 1). Nós já vimos de pas­sagem como Dante resolve o prob­le­ma, mas ago­ra vamos vê-lo mel­hor. Con­tra o Papa, Dante invo­ca o rei Salomão, medi­ante cuja “san­ti­dade” (Salomão em ver­dade mor­reu em con­cu­bi­na­to e politeís­ta) se jul­gam os Papas e a cujo serviço é mobi­liza­do o cris­tian­is­mo (aqui nasceu a len­da do Dante esotéri­co, expos­ta por Guénon; sendo Salomão o con­stru­tor do primeiro Tem­p­lo de Jerusalém, ao qual se ref­er­em os ini­ci­a­dos e os maçons em ger­al, que têm como escopo a recon­strução do ter­ceiro Tem­p­lo, como… Sharon ou Netha­ni­ahu).  Além dis­so, os cristãos – segun­do Dante – devem ao Papa não tudo aqui­lo que se deve a Cristo, mas só aqui­lo que se deve a Pedro. “É hábil a fór­mu­la – comen­ta Gilson – usa­da pelo Poeta para lim­i­tar a exten­são da obe­diên­cia ao Papa: ‘tudo aqui­lo que se deve não a Cristo, mas a Pedro’. Pro­por esta cláusu­la como algo evi­dente sig­nifi­ca fechar a questão no princí­pio, porque equiv­ale a afir­mar que exis­tem priv­ilé­gios de Cristo que nem Pedro nem os seus suces­sores her­daram (…) equiv­a­le­ria a excluir os priv­ilé­gios de Cristo her­da­dos por Pedro e pelos seus suces­sores, e aque­le próprio pri­ma­do tem­po­ral que Dante se prepara para negar-lhes” [3]. Mas colo­que­mos em con­fron­to Dante e San­to Tomás:

LUZ DO APOCALIPSE

R. Th. Calmel O.P.

 

TEOLOGIA DA HISTÓRIA

 

CAPÍTULO SEGUNDO

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]  

 

 

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Podem-se encon­trar estra­nhas, com­pli­cadas e as vezes até mes­mo descon­cer­tantes visões, sem­pre grandiosas, do Apoc­alipse de São João. Não se pode porém acusá-lo de fornecer uma idéia mile­nar­ista ou pro­gres­sista da história. Neste não se encon­tra uma só alusão, por quan­to sútil a supon­ha, a uma ascen­são do ser humano para uma super-humanidade, nem a uma trans­fig­u­ração da Igre­ja mil­i­tante em um Igre­ja onde não exis­tem mais pecadores ou que cessem de ser um alvo aos ataques das duas Bestas. Sob qual­quer for­ma que se apre­sente, o mito do pro­gres­so é total­mente estran­ho a rev­e­lação do vidente de Pat­mos; este mito, como ver­e­mos, é de fato destruí­do pelas suas rev­e­lações. A razão maior, na per­spec­ti­va do Após­to­lo João, inspi­ra­do pelo Sen­hor, é a impen­sáv­el here­sia ultra­mod­er­na segun­do a qual a con­strução da humanidade através da bus­ca, da ciên­cia e da orga­ni­za­ção ter­mi­nar­ia bem rápi­do por iden­ti­ficar-se com a Igre­ja de Deus.

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SANTO TOMÁS DE AQUINO: O MAL

Quaes­tiones dis­pu­tatae De Malo San­to Tomás de Aquino [Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

QUESTÃO I O MAL

Art. 1. O mal não é algu­ma coisa. Primeiro: porque todo agente age em vista de um fim e de um bem, como existe uma ordem nos agentes, existe tam­bém uma ordem nos fins e nos bens. E como exis­tem agentes supe­ri­ores e infe­ri­ores, exis­tem tam­bém fins e bens supe­ri­ores e infe­ri­ores. Não poden­do ir ao infini­to, como existe um primeiro agente, que é Deus, existe tam­bém um fim e um bem, que é tam­bém Deus. Então, todas as coisas, derivan­do da primeira causa, são seres par­tic­u­lares; e porque a primeira causa é tam­bém o primeiro bem, todas as coisas derivantes da primeira causa, são tam­bém bens par­tic­u­lares. Segun­do: aqui­lo que é, tende para algu­ma coisa a si con­ve­niente; ora, o mal não tem con­veniên­cia com nen­hu­ma coisa, por ninguém dese­ja­do e, se exis­tisse, não dese­jaria nen­hu­ma coisa. Ter­ceiro: cada coisa dese­ja exi­s­tir e evi­tar aqui­lo que ameaça o seu exi­s­tir; lhe segue que o ser é um bem e o mal, que se opõe ao bem, se opõe tam­bém ao ser. Con­tin­uar lendo →

P. ROGER T. CALMEL: RECEITA PARA TEMPOS DE CRISE

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Padre Roger Thomas Calmel

Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

Mais atu­al do que nun­ca é este tex­to do Padre Roger Thomas Calmel, um dos primeiros sac­er­dotes a ter pressen­ti­do e resis­ti­do a crise na Igre­ja que se difun­dia já rap­i­da­mente nos anos 60. Neste ele mostra as grandes lin­has do com­por­ta­men­to do católi­co que deve bus­car força na vida inte­ri­or para não deixar-se trans­portar para a cor­rente dos erros e con­tribuir com a restau­ração da Igre­ja, restau­ração que deve começar na nos­sa alma.

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P. MATTEO LIBERATORE, S.J: CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

 

A Igre­ja e o Esta­do (2ª ed.) Napoles 1872, cap. I, pag. 7–21.

Rev. Pe. Mat­teo Lib­er­a­tore S.J.

CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

CAPÍTULO I.

ARTIGO I.

Con­ceito lib­er­al

I

Trí­plice for­ma de tal con­ceito

A palavra de ordem, como se cos­tu­ma diz­er, do lib­er­al­is­mo hodier­no é a eman­ci­pação do Esta­do da Igre­ja. Isto se entende de duas maneiras: segun­do a que é pro­movi­da pelo lib­er­al­is­mo abso­lu­to ou pelo lib­er­al­is­mo mod­er­a­do; do qual se aprox­i­ma, de boa ou má fé, muitos, mes­mo entre aque­les que são católi­cos, se não de mente ao menos de coração, e assumem a denom­i­nação de católi­cos lib­erais. O primeiro dos dois lib­er­al­is­mos quer a suprac­i­ta­da eman­ci­pação pela via da suprema­cia do Esta­do; o segun­do pela via de ple­na inde­pendên­cia da Igre­ja; os católi­cos lib­erais sus­ten­tam a recíp­ro­ca sep­a­ração não como ver­dade espec­u­la­ti­va, mas como méto­do práti­co. Con­tin­uar lendo →

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