Tag Archives | Concílio Vaticano II

Se é licito ir a Missa dos sacerdotes sedevacantistas

d. CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Depois do arti­go sobre o “Neo-Donatismo”, alguns leitores me colo­caram a questão, se é lic­i­to ir a Mis­sa cel­e­bra­da pelos sac­er­dotes sede­va­can­tis­tas.

Parece-me (não me reputo infalív­el e não ten­ho nen­hu­ma juris­dição para obri­gar quem quer que seja, exp­ri­mo ape­nas uma opinião pes­soal) que, em cer­tas condições, seja lic­i­to.

De fato, os Padres sede­va­can­tis­tas cel­e­bram a Mis­sa tradi­cionalsão sac­er­dotes val­i­da­mente orde­na­dos e, e se ensi­nam os princí­pios da Dout­ri­na Católi­ca comu­mente pro­fes­sa­da pela Igre­ja e com­pen­di­a­da no Cate­cis­mo do Con­cílio de Tren­to e de São Pio X (sem entrar, com exces­si­va insistên­cia, nos detal­h­es especí­fi­cos da tese teológ­i­ca dis­puta­da sobre a sé vacante e obri­gar a assen­tir a essa), não vejo razão sufi­ciente para impedir os fiéis de assi­s­tirem a Mis­sa deles.

reg­u­lar­i­dade canôni­ca e a plen­i­tude da pureza doutri­nal (tam­bém a respeito da tese teológ­i­ca sobre a maneira de afrontar e resolver o erro neo­mod­ernista que pen­etrou na Igre­ja), no atu­al esta­do de crise do ambi­ente católi­co, são difi­cil­mente obtiveis e con­cil­iáveis, como busquei explicar no arti­go sobre o Donatismo.

Cer­ta­mente, se forem con­stata­dos evi­dentes e públi­cos erros con­tra a Fé católi­ca, aDout­ri­na teo­logi­ca­mente cer­ta ou a Dout­ri­na comu­mente ensi­na­da(por exem­p­lo, a eleição de um “papa” e a cri­ação de uma hier­ar­quia por parte dos fiéis, a negação de um dog­ma ou de uma dout­ri­na moral cer­ta e con­stan­te­mente ensi­na­da), então se deve abster de fre­quen­tar aque­les que lhe pro­fes­sam, sede­va­can­tis­tas ou menos [1]. Diver­so é o caso de uma tese teológ­i­ca debati­da sobre a qual a Igre­ja hierárquica não se pro­nun­ciou ain­da explici­ta­mente, dog­mati­ca­mente e de for­ma obri­gatória. De fato, não ape­nas os sede­va­can­tis­tas podem errar e nem por isso são o Mal e o Erro abso­lu­to: “todo altar por­ta a sua cruz”, diz o provér­bio.

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Liberalismo e modernismo

PADRE CURZIO NITOGLIA

28 de maio de 2011
[Tradução Ged­er­son Fal­cometa]

http://www.doncurzionitoglia.com/liberalismo_e_modernismo.htm

Nada além do homem, nada para fora do homem, nada sem o homem. Este é o clí­max do lib­er­al­is­mo que se chama mod­ernismo”. (Luis Bil­lot)

I) O lib­er­al­is­mo

O Cardeal Luis Bil­lot refutou de for­ma con­cisa e agudís­si­ma tan­to o lib­er­al­is­mo (De Eccle­sia Christi. Tomo II, De abi­tu­dine Eccle­si­ae ad civilem Soci­etatem, III ed., Roma, Gre­go­ri­ana, 1929, Quaes­tione VIII, De errore lib­er­al­is­mi et vari­is ejus formis, pp. 21–63) como seu fil­ho o mod­ernismo ( De vir­tutibus infu­sis, Roma, Gre­go­ri­ana, 1928, De objec­to Fidei, pg. 264–272).

O princí­pio lib­er­al

No que diz respeito ao lib­er­al­is­mo Bil­lot expli­ca que essa é a dout­ri­na que quer eman­ci­par ou “lib­er­tar” o homem de Deus, da sua Lei, da sua rev­e­lação e da sua Igre­ja, tan­to indi­vid­ual como social­mente. Para obter isso, colo­ca a liber­dade como um fim e bem supre­mo, o que sub­sti­tui Deus, com a “liber­dade “.

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PAULO VI, JOÃO PAULO II E A HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE

d. CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]
9 fevereiro de 2011

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PAULO VI
PAULO VI denun­ciou “uma fal­sa e abu­si­va inter­pre­tação do Con­cílio, que seria uma rup­tura com a Tradiçãotam­bém doutri­nal, chegan­do ao repú­dio da Igre­ja pré-con­cil­iar, e a licença de con­ce­ber uma “nova” Igre­ja, quase re-inven­ta­da do seu inte­ri­or, na con­sti­tu­ição, no dog­ma, no cos­tume e no dire­ito (Declar­ação con­cil­iar de “6 de março de 1964”, repeti­da em “16 de novem­bro de 1964). Sem­pre PAULO VI, em setem­bro-out­ubro de 1964, durante o perío­do “obscuro” – como o chamavam os ino­vadores – no qual a ofen­si­va do Coe­tus Inter­na­tion­alis Patrum e dos cardeais mais anti-mod­ernistas da Cúria Romana se fez sen­tir mais forte­mente, disse que a Cole­gial­i­dade dev­e­ria ser lida “em conexão com o Con­cílio Vat­i­cano I” (o qual ao invés, é a apo­teose do Pri­ma­do monárquico do Papa e por­tan­to exata­mente opos­to da cole­gial­i­dade epis­co­pal), do qual o Vat­i­cano II é “a con­tin­u­ação lóg­i­ca”(1). Tam­bém ain­da PAULO VI nes­ta óti­ca da con­tinuidade em “18 de novem­bro de 1965” infor­mou o Con­cílio que “seria intro­duzi­da a causa de beat­i­fi­cação de Pio XII e João XXIII”(2). Jan Grooaters expli­ca que “uma das maiores pre­ocu­pações” de PAULO VIfoi a preparação dos fiéis, mas sobre­tu­do dos sac­er­dotes, para a recepção do Con­cílio: mais que os out­ros, ele tin­ha com­preen­di­do que o des­ti­no do Vat­i­cano II seria deci­di­do no desen­volvi­men­to pós-con­cil­iar. […] Pela neces­si­dade de refor­mar a Cúria Romana, de con­vertê-la de qual­quer modo ao Con­cílio, mas ao mes­mo tem­po de reasse­gu­rar…[…]. Foi toca­do a desem­pen­har uma tare­fa de sen­tinela, ten­do, em algu­mas cir­cun­stân­cias relações muito estre­itas com a opinião públi­ca da Igre­ja que com o Con­cílio e a Cúria […] para asse­gu­rar o máx­i­mo pos­sív­el o con­tín­uo pedi­do do pós-con­cílio. […]. Pre­ven­do no futuro causas de ten­são, PAULO VI que­ria dar a atu­ação do ren­o­va­men­to um rit­mo o quan­to pos­sív­el Uni­forme, exor­tan­do os retar­datários a apres­sar o pas­so e moderan­do a impaciên­cia de quem que­ria estar muito a frente de seu tem­po. […]. O Papa pare­cia pre­ocu­pa­do em faz­er qual­quer con­ceção a cor­rente minoritária [anti-mod­ernista], para obter na votação final um resul­ta­do o mais pos­sív­el viz­in­ho a unân­im­i­dade moral […] No começo do quar­to e últi­mo perío­do do Con­cílio (“setem­bro de 1965”), sen­tiu-se que a ação do Papa tin­ha assum­i­do um carác­ter mais dire­ti­vo, para­le­la­mente a enfraque­cer como lead­er­ship da cor­rente majoritária. Se disse então que “os heróis estavam cansa­dos” e que os Bis­pos dese­javam voltar para casa. […]. Se deve a PAULO VI o méri­to de ter agi­do em sen­ti­do “mais pro­gres­sista” do que a maio­r­ia dos Bis­pos con­cil­iares. Deve­mos recon­hecer que um dos prin­ci­pais méri­tos de Paulo VI na imple­men­tação do Vat­i­cano II con­sis­tiu em preparar as condições para que sua atu­ação se pro­lon­gasse no tem­po e que fos­se então con­cil­iáv­el com o con­tex­to e os cos­tumes de toda a Igre­ja. Em con­clusão, PAULO VI parece que havia sobre­tu­do tra­bal­ha­do para traduzir o even­to con­cil­iar em insti­tu­ição”(3). PAULO VI no dis­cur­so ao Sacro Colé­gio dos Cardeais em “23 de jun­ho de 1972” denún­ciou ““uma fal­sa e abu­si­va inter­pre­tação do Con­cílio, que seria uma rup­tura com a Tradição, tam­bém doutri­nal, chegan­do ao repú­dio da Igre­ja pré-con­cil­iar, e a licença de con­ce­ber uma “nova” Igre­ja, quase re-inven­ta­da do seu inte­ri­or, na con­sti­tu­ição, no dog­ma, no cos­tume e no dire­ito”.

Acordo “Discreto, mas não secreto”

 

Dois níveis de encon­tro:

O diál­o­go “diplomáti­co” e aque­le “doutri­nal”

 

Don Curzio Nitoglia

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Con­vite à leitu­ra

 

Em dezem­bro de 2011 foi pub­li­ca­do um livro muito inter­es­sante, escrito pelo Rev­eren­do Padre Michel Lelong (licen­ci­a­do em lín­gua e lit­er­atu­ra árabe, lau­rea­do em letras, pro­fes­sor eméri­to no Insti­tu­to das Ciên­cias da Teolo­gia das Religiões em Paris) da “Sociedade dos Padres Bran­cos”. O livro é inti­t­u­la­do Pour la néces­saire réc­on­cil­i­a­tion. Le Groupe de Réflex­ion Entre Catholiques (GREC), Nou­velles Edi­tions Latines, Paris [1].

Uma leitu­ra estim­u­lante, que acon­sel­ho a todos.

 

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Encon­tros pri­va­dos e dis­cre­tos

O “Padre Bran­co”, orde­na­do sac­er­dote em 1948, nar­ra a história dos diál­o­gos do “Groupe de Réflex­ion Entre Catholiques; Grupo de Reflexões Entre Católi­cos” (‘GREC’); diál­o­gos que define “dis­cre­tos, mas não secre­tos” (pg 29) com alguns mem­bros da dirigên­cia da FSSPX em vista de um acor­do pleno entre a mes­ma Frater­nidade Sac­er­do­tal São Pio X e o Vat­i­cano, depois de ter aceita­do a inter­pre­tação do Con­cílio Vat­i­cano II a luz da Tradição ou a “her­menêu­ti­ca da con­tinuidade” e ter rece­bido a lib­er­ação da Mis­sa tradi­cional, a remis­são da exco­munhão e a ple­na sis­tem­ati­za­ção canôni­ca.  

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Índole pastoral do Vaticano II: uma avaliação.

Fratres in Unum

Apre­sen­ta­mos a tradução da preleção de Mon­sen­hor Brunero Gher­ar­di­ni no Con­gres­so sobre o Vat­i­cano II real­iza­do em Roma, em dezem­bro de 2010, pelos Fran­cis­canos da Imac­u­la­da.

Por Mon­sen­hor Brunero Gher­ar­di­ni

Fratres in Unum.com | Com a gen­erosa con­tribuição de Ged­er­son Fal­cometa - Era uma vez a ave Fênix. Todo mun­do fala­va dela, mas nun­ca ninguém a havia vis­to. E hoje há uma ver­são sua aggior­na­ta, da qual todos tam­bém falam e ninguém sabe diz­er do que se tra­ta: chama-se Pas­toral.

1 – A Palavra – Sejamos bem claros: a palavra em si não é um prob­le­ma, sendo evi­dente a sua derivação de pascere: ver­bo que vem do latim pab­u­lum (pas­to, ali­men­to), da qual surge uma família não muito numerosa, mas bem iden­ti­ficáv­el em seus com­po­nentes: pascere, pre­cisa­mente, no sen­ti­do de con­duzir à pastagem e dar de com­er; pas­tum, do qual uma clara tradução é o ital­iano pas­to [ali­men­to, comi­da], mas que tam­bém pode se traduzir com cibo [pas­to, comi­da] ; pas­tor, indi­can­do que con­duz ao pab­u­lum, dá ali­men­to e man­tém reban­hos e man­adas. Pas­tor se tor­na, por sua vez, o pai de pas­tori­cia ars, em ital­iano pas­tor­izia, ou a arte de quem cria ani­mais; de pas­tu­ra, com o sig­nifi­ca­do de pas­to aber­to, e de pas­tu — ou pas­toral, já pre­sente no latim tar­dio para descr­ev­er o “ves­tuário, os ali­men­tos, os cos­tumes, a lin­guagem do pas­tor. Não descende, todavia, a pas­teur­iza­ção, ou pro­ced­i­men­to de con­ser­vação de ele­men­tos líqui­dos, como o leite, porque a palavra vem do francês pas­toris­er, derivan­do por sua vez de L. Pas­teur (1822–1895), seu inven­tor.

[…] [O ter­mo] Pas­toral entrou cedo no jargão ecle­siás­ti­co, para qual­i­ficar três das car­tas pauli­nas, ou a ativi­dade dos evan­ge­lis­tas e de seu ensi­no, ou as insíg­nias epis­co­pais, como o anel, o bácu­lo, as car­tas. Mais recente, mas não mod­er­no, é o uso de pas­toral em refer­ên­cia à teolo­gia e com abor­dagem não-dog­máti­ca; orig­i­nal­mente, de fato, foi anti-dog­máti­co. Aos que descon­hecem o jargão ecle­siás­ti­co, no entan­to, um homem da média cul­tura muito facil­mente asso­cia­rá pas­toral à mocin­ha da poe­sia arcádi­ca, à com­posição poéti­ca de origem provençal e de con­teú­do amoroso, à éclo­ga vir­giliana, à tragé­dia “Aminta” de T. Tas­so e à músi­ca de caráter sim­ples e ter­no, com especí­fi­ca tip­i­fi­cação na “sex­ta” de Beethoven.

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