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Preguntas inconvenientes…censuradas por los Neo-Super-Ultra- Resistentes

Pablo Her­moso

Y nosotros que pen­sábamos que en su sapi­en­cia tenían respues­ta para todo. Pero no. La neo-super-ultra-resistente que aca­ba de for­marse en Brasil, de los nuevos cruza­dos con­tra los “após­tatas” y “here­jes” obis­pos Williamson, Fau­re y el próx­i­mo obis­po Dom Tomás de Aquino, más toda la tropa de “lib­erales” y “sofis­tas” que los siguen, la neo-sec­ta, dec­i­mos, que exige fir­mar un doc­u­men­to de adhe­sión al Catoli­cis­mo para hablar con su Jefe y ser parte de la mis­ma, pub­licó hace poco un ser­món “mag­ní­fi­co” (¡sic!) de su Líder Supre­mo, en su pági­na de Youtube.

La dulce y car­i­ta­ti­va seño­ra que allí pub­li­ca, colocó deba­jo un comen­tario de tri­buna fut­bolís­ti­ca como este, tal vez para reforzar el “expre­si­vo” e “incen­di­ario” ser­món:

Giu­lia Maria d’Amore-Nakahara (CATÓLICA)

Viva Cristo Rei! Graças a Deus temos um padre com sen­ti­do de Fé e de Igre­ja. Que não se vende por uma mitra. E que não está só. Esse ban­do de imbe­cis, cap­i­tanea­d­os por Dom Tomás, fica dizen­do por aí que isso é coisa de Pe. Car­do­zo, de Ipatin­ga, do Thi­a­go, da dona Giu­lia. BURROS! O mun­do todo está gri­tan­do con­tra as asneiras de Dom Williamson. Antes de sair dizen­do bobagens na Net (ain­da que anon­i­ma­mente), pesquisem. E vos­sa alma que está em jogo. Vcs não vão gan­har nen­hu­ma mitra, seus ton­tos!

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A árvore se conhece pelo seu fruto

Ged­er­son Fal­cometa

Diz o Evan­gel­ho de São Lucas, 6, 43–45:

Uma árvore boa não dá fru­tos maus, uma árvore má não dá bom fru­to. Porquan­to cada árvore se con­hece pelo seu fru­to. Não se col­hem figos dos espin­heiros, nem se apan­ham uvas dos abrol­hos. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daqui­lo de que o coração está cheio”.

Con­sideran­do que cada árvore se con­hece pelo seu fru­to, per­gun­ta­mos a nos­sos leitores:

Qual árvore pro­duz o fru­to abaixo?

fruto que não existe

Seria uma “macier­an­ja” ou uma “laran­cieira” ?

Não existe tal fru­to, logo, não existe a árvore. Sendo assim não é pos­sív­el jul­gar nem o fru­to, bom ou mau, e por con­se­quên­cia nem a árvore. Ago­ra vejam os nos­sos leitores a imagem abaixo:

Esse é o fru­to de uma macieira com sar­na.

Então, podemos con­hecer a árvore, uma macieira. Ago­ra res­ta saber se a árvore é boa ou má, jul­gan­do-lhe a par­tir de seu fru­to. Segun­do o que pode se ver pelo aspec­to e se ler no tex­to “Sar­na maca, nema­toide, e mosca bran­ca soja”, fonte da foto, o fru­to é mau, porque a maçã está doente, e por­tan­to, a macieira que a pro­duz é uma árvore má. Ago­ra vejam a imagem abaixo:

Temos a imagem de uma boa maçã, e através dis­so, só podemos con­cluir ser fru­to de uma boa macieira. Assim, pelo que acabamos de expor, fica claro que é pelos fru­tos que se con­hece a árvore, e pela qual­i­dade destes fru­tos, bons ou maus, se jul­ga se a árvore é boa ou se a árvore é má. Com essa postagem damos por encer­ra­da, a questão da inter­pre­tação da árvore e dos fru­tos.

 

A sapiente teóloga e sua série “metáforas”

A teólo­ga disse isto (em um tex­to que parece uma árvore de natal):

2. “…toda a árvore boa bons fru­tos, e toda a árvore má da maus fru­tos”.

Adap­tan­do para facil­i­tar a com­preen­são:
“…toda a árvore de maçãs maçãs, e toda a árvore de laran­jas dalaran­jas””.

E:

Não pode uma árvore boa dar maus fru­tos, nem uma árvore mádar bons fru­tos.”

Adap­tan­do para facil­i­tar a com­preen­são:

Não pode uma árvore de maçãs dar laran­jas, nem uma árvore de laran­jas dar maças.”

http://farfalline.blogspot.com.br/2016/04/metaforas-I.html

Começo dizen­do aos nos­sos leitores que, o dicionário não é um lugar teológi­co. Nele não se encon­tra inter­pre­tações e expli­cações dos Padres da Igre­ja, ele como vul­gar­mente se diz, é o pai dos bur­ros (e se sobre bur­ros e mulas, recomen­do a leitu­ra: “Todo “pen­so” é tor­to. Con­sid­er­ações sobre a mula sem cabeça”). Curiosa­mente, tem que se ter uma dose cav­alar de bur­rice se se pen­sa encon­trar respostas nele para questões teológ­i­cas. Geral­mente quan­do temos uma questão teológ­i­ca, bus­camos na Cate­na Aurea, nos Padres da Igre­ja, em San­to Tomás, no Mag­istério, etc nun­ca no dicionário. Dito isto, passe­mos a comen­tar a árvore de natal da teólo­ga do Pale Ideas.

Na primeira citação, ela colo­ca a árvore boa que pro­duz bons fru­tos, como a macieira que pro­duz maçãs e a árvore má que pro­duz maus fru­tos, como a laran­jeira que pro­duz laran­jas. Será que não gos­ta de laran­jas? Con­tin­ua na segun­da citação, apli­can­do a sua fal­sa inter­pre­tação. Ao que dize­mos: de fato, uma macieira não pro­duz laran­jeiras, nem uma laran­jeira pro­duz maçãs, porque real­mente não exis­tem árvores de uma espé­cie que pro­duzem fru­tos de out­ra, logo, não podemos jul­gar uma coisa que não existe boa ou má. Assim,  essa inter­pre­tação é noto­ri­a­mente fal­sa, porque uma árvore é jul­ga­da boa ou má pelos fru­tos da espé­cie que pro­duz. De for­ma que, uma macieira só pode pro­duzir boas ou más maçãs, como a laran­jeira só pode pro­duzir boas ou más laran­jas, e serem con­sid­er­adas boas ou más a par­tir da qual­i­dade do fru­to que pro­duzirem. Por essa razão tam­bém diz Nos­so Sen­hor:

 Ou dizeis que a árvore é boa e seu fru­to bom, ou dizeis que é má e seu fru­to, mau; porque é pelo fru­to que se con­hece a árvore. Mt 12, 33

Esse ver­sícu­lo con­fir­ma o que temos dito, porque se é pelo fru­to que con­hece­mos a árvore, então, o que podemos con­hecer de uma maçã e de uma laran­ja, é que uma é fru­to da macieira e a out­ra da laran­jeira. Se o fru­to for bom, poder­e­mos con­cluir que a árvore é boa, se for mau, que a árvore é má. Uma macieira e seus fru­tos não podem ser con­sid­er­adas boas ape­nas por pro­duzir maçãs, e não há nen­hu­ma razão para se con­sid­er­ar uma laran­jeira má ape­nas por se pro­duzir laran­jas. Não tem sen­ti­do, até porque a árvore má, e os fru­tos maus, não exi­s­tiri­am de ver­dade, toda árvore exis­tente seria boa pelo sim­ples fato de exi­s­tir. Isso que dá em se arvo­rar em intér­prete das escrit­uras e ler a bíblia como os protes­tantes. Em todos ess­es meses de polêmi­ca, o que temos vis­to são ape­nas inter­pre­tações pes­soais do Padre e dos fiéis. Se não tivésse­mos usa­do os Padres da Igre­ja, o Mag­istério, San­to Tomás e os bons teól­o­gos católi­cos, teríamos con­heci­do mais o livre exame que fiz­er­am, e menos a tradição da Igre­ja.

Afir­mar que uma macieira dá bons fru­tos pelo sim­ples fato de pro­duzir maçãs é o que fazem os protes­tantes com a dout­ri­na da Sola Fides. Essa dout­ri­na faz o homem pen­sar que pelo sim­ples fato de ter fé em Jesus Cristo, ele sem­pre vai pro­duzir bons fru­tos. Por essa razão mes­mo, Lutero ensi­na­va aos seus: “Peca forte­mente e crê mais firme­mente e serás sal­vo”. Evi­den­te­mente a inter­pre­tação da teólo­ga do Pale Ideas e a de Lutero, con­tradizem a inter­pre­tação dos Padres da Igre­ja e de San­to Tomás, que são unân­imes em con­sid­er­ar a árvore a von­tade humana, que pode ser boa ou má, sendo boa os fru­tos serão bons e sendo má os fru­tos serão maus. Por essa razão ques­tio­nou São Jerôn­i­mo, doutor da Igre­ja:

 ““Per­gun­ta­mos aos hereges que admitem em si mes­mos duas naturezas con­trárias: se, segun­do seu modo de pen­sar, uma árvore boa não pode pro­duzir maus fru­tos, como então Moisés, árvore boa, pecou jun­to às águas da con­tradição (Nm 26,72), São Pedro negou ao Sen­hor na paixão dizen­do: ‘Não con­heço esse homem’, e o sogro de Moisés, árvore má que não cria no Deus de Israel, lhe deu um bom con­sel­ho?” [extraí­do da Cate­na aurea de San­to Tomás de Aquino]”. Diz São Jerôn­i­mo ao comen­tar Mateus VII, 15–20

 Lúcifer, quan­do pro­duz­iu um mau fru­to, foi expul­so do céu e nun­ca mais pode pro­duzir um bom fru­to. São Miguel, o príncipe do exérci­to celes­tial, só pode pro­duzir bons fru­tos. São Pedro, Moisés e seu sogro, foram home­ns, não eram árvore e nem anjos. Por essa razão ques­tiona São Jerôn­i­mo, na mes­ma lin­ha do que afir­mou D. Tomás, sem con­tradiz­er Nos­so Sen­hor. O peca­do não é e nun­ca foi um bom fru­to. Assim, de nos­sa parte afir­mamos que a bon­dade ou a mal­dade do homem depen­dem de sua von­tade, que pode ser boa ou má (como vimos no exem­p­lo do ques­tion­a­men­to de São Jerôn­i­mo). A von­tade do homem não é como a árvore que é um veg­e­tal, e nem como a dos anjos, que são puros espíri­tos. Como disse o Padre Trin­ca­do, Nos­so Sen­hor não disse ver­dades sobre botâni­ca, e muito menos apli­cou essas ver­dades botâni­cas sobre o homem, para trans­for­ma-lo em uma árvore. Mas se con­sid­er­amos, com eles, que, uma macieira é boa pelo sim­ples fato de pro­duzir maçãs, como os luter­a­nos, então, não há como não con­sid­er­ar os peca­dos de Moisés e São Pedro fru­tos bons, e o con­sel­ho do sogro de Moisés, mau, pelo sim­ples fato dele não ter fé no Deus de Israel. De qual­quer for­ma, São Jerôn­i­mo todos os Padres da Igre­ja, San­to Tomás e o nos­so Bis­po terem se tor­na­do deuses, é ape­nas um nome dado a uma real­i­dade que não existe. Quero diz­er que, é puro nom­i­nal­is­mo, bem como diz Padre Curzio Nitoglia, como pode se ler:

 “…para Ock­ham a razão não pode con­hecer a essên­cia das coisas e nem mes­mo o Tran­scen­dente, a lóg­i­ca não é um con­hec­i­men­to obje­ti­vo e real do mun­do extra­men­tal (In Ium Sent., dist. 3, q. 8). O homem pos­suí ape­nas um con­hec­i­men­to sen­sív­el do sin­gu­lar, do fênom­e­no que cai sob os sen­ti­dos, daqui­lo que é exper­i­men­táv­el (Quodl., I, q. 13; In IIIum Sent., dist. 9, q. uni­ca). Nis­to ele é um pre­cur­sor do sen­sis­mo empirista do ilu­min­is­mo inglês do sécu­lo XVII enquan­to o próprio Ock­ham “reduz a real­i­dade a só àqui­lo que é empiri­ca­mente ver­i­ficáv­el”. Então “da posição Ock­hamista ao sub­je­tivis­mo mod­er­no não existe senão um pas­so bre­vis­si­mo”. Do nom­i­nal­is­mo ao mod­ernismo pas­san­do pelo empiris­mo

 É esse nom­i­nal­is­mo Ock­hamista, esse sub­je­tivis­mo que temos vis­to de nos­sos adver­sários ness­es meses de polêmi­ca. Mal mal citaram autores da tradição católi­ca, quan­do citam, os citam mal (e prat­i­can­do livre exame se dizem os autên­ti­cos defen­sores da tradição católi­ca). Ora, é regra de fé católi­ca que, não se pode inter­pre­tar as Escrit­uras fora do sen­ti­do dado pelos Padres da Igre­ja. No que diz respeito a isso, a questão da árvore e dos fru­tos, pode se con­sid­er­ar encer­ra­da pelo sen­ti­do que dão os Padres da Igre­ja na Cáte­na Aurea.

 Por fim, a questão: é o peca­do um bom fru­to? Parece ter sido respon­di­da com um sim pela teólo­ga do Pale Ideas, porque a par­tir de sua inter­pre­tação luter­ana, o peca­do pode sim ser um fru­to bom. Cer­ta­mente São Pedro e Moisés, foram macieiras, então, só pode­ri­am pro­duzir maçãs, não pode­ri­am pro­duzir laran­jas. Então, pela lin­ha da sapi­ente teólo­ga da série “metá­foras”, eles como árvores boas, que pro­duzem ape­nas maçãs, só podem pro­duzir bons fru­tos, mes­mo pecan­do. É uma inter­pre­tação de faz­er inve­ja a Lutero, por alguém que se arvo­ra a per­tencer a “ver­dadeira tradição da Igre­ja”.

Uma contra- metáfora à metáfora: Todo o sistema discursivo do Pale Ideias se resume a essa imagem.”

 

correr atras do rabo

Tudo o que você pre­cisa saber para com­bat­er os argu­men­tos cir­cu­lares do Pale Ideias:

  • Perseguir o rabo está mais rela­ciona­do a cães mais vel­hos e nor­mal­mente tem a ver com algum prob­le­ma psi­cológi­co, como demên­cia ou senil­i­dade. Nos fil­hotes, entre­tan­to, sig­nifi­ca ape­nas uma for­ma de brin­cadeira.

  • Os cães que não brin­cam muito e que não inter­agem muito com seus donos acabam achan­do for­mas de chamar atenção. Se você notar que seu cão faz isso pra chamar sua atenção, exper­i­mente igno­rar quan­do ele estiv­er cor­ren­do atrás do rabo. Sim­ples­mente ignore, sem olhar, falar ou tocar o cão. Repreen­der ou brigar tam­bém é uma for­ma de atenção.

Fonte: http://tudosobrecachorros.com.br/2015/03/correr-atras-do-rabo.html

Todo “penso” é torto. Considerações sobre a Mula Sem Cabeça

 

               Uma das primeiras lições que apren­di ao estu­dar a Filosofia é que há dis­tinção entre: “Doxa” (do grego, opinião) e “Epis­teme” (do grego, ver­dade). De for­ma que todas as nos­sas opiniões devem ter por final­i­dade a ver­dade. Mas o nos­so tem­po é mar­ca­do pelos “doutores” da opinião. Não é estran­ho ver­mos, em qual­quer meio de comu­ni­cação, pes­soas dis­cor­rerem ener­gi­ca­mente durante dois quar­tos de hora sobre o que não estu­daram por pelo menos cin­co min­u­tos.  E o uso dessa loquaci­dade opina­ti­va gan­hou pro­porções inimag­ináveis com a inter­net.

               Nes­tas últi­mas sem­anas ten­ho dado boas risadas com uma sen­ho­ra que per­son­ifi­ca de maneira muito car­i­cat­ur­al da  La don­na è mobile de G. Ver­di. Escreveu ela:

E as men­ti­ras que ess­es macaquin­hos amestra­dos espal­ham não saem dos olhos, mas de corações cheios de fel. A boca fala do que o coração está cheio.”

http://farfalline.blogspot.com.br/search?updated-max=2016–04-01T02:10:00–04:00&max-results=5

Uma de suas dis­cussões é sobre a impos­si­bil­i­dade de mila­gres fora da Igre­ja e, de maneira “infalív­el”, a con­de­nação de toda a Igre­ja pós conciliar(CVII) ao pagan­is­mo.  E por mais de uma vez lhe foi mostra­da a jumen­ta de Balão que, de maneira mila­grosa, após apan­har bas­tante, fala. Pobre jumen­ta…

É um even­to inter­es­sante, pois o orgul­ho, a cobiça e a hos­til­i­dade de Bal­aam é impe­di­da através da humilde figu­ra de uma jumen­ta. Que, con­trar­ian­do sua natureza, fala e ques­tiona.  O que ale­gori­ca­mente vemos até hoje de maneira inver­sa.

A figu­ra do bur­ro (ou asno) é uma con­stante na história do cris­tian­is­mo, que, se out­ro­ra uti­liza­do como sím­bo­lo pagão, apare­cerá no mis­tério da encar­nação próx­i­mo a Nos­so Sen­hor Jesus Cristo.  San­to Agostin­ho, ao comen­tar o capí­tu­lo 49:11 do Gênese, diz o seguinte:  “ assim como o Samar­i­tano impôs sobre o jumen­to o pobre homem, assim o Fil­ho do Homem foi feito semel­hante ao jumen­to para que car­regasse nos­sos peca­dos e, ao tomar nos­so cor­po, abolisse a enfer­mi­dade de nos­sa carne.” São Fran­cis­co o chama de “ Fratel­lo asi­no.”

No Domin­go de Ramos vemos Nos­so Sen­hor tri­un­fante sobre o lom­bo de um jumen­to.   Na con­cepção pagã o jumen­to esteve rela­ciona­do às fes­tas de Sat­urno, Dioní­sio e Pã. Era o desre­gra­men­to de nos­sos baixos instin­tos em evidên­cia, diviniza­dos.  Nos­so Sen­hor ao reinarem nos­sas almas inverte a situ­ação e põem nos­sos instin­tos em seu dev­i­do lugar, mostran­do que Ele é o guia. 

No fol­clore brasileiro vemos a figu­ra da Mula Sem Cabeça, que seria uma maldição dada à mul­her que se tor­nasse amante de um padre.  Nos­so grande fol­clorista, Luiz da Câmara Cas­cu­do, assim descreve a mula: “lança chis­pas de fogo pelas nar­i­nas e pela boca. Suas patas são calçadas de fer­ro. A vio­lên­cia do seu galope e a estridên­cia do relin­cho são ouvi­das longa­mente. Às vezes soluça como uma cri­ança”.

O que a real­i­dade nos mostra? Podemos ver não só a lou­cu­ra da mul­her pecado­ra trans­for­ma­da em um mostro, mas tam­bém, por out­ro lado, a fal­ha de um padre que, fazen­do as vezes de alter Chris­tus, perde a razão, deixan­do-se levar por suas baixas paixões. A mula que dev­e­ria ter como guia Nos­so Sen­hor Jesus Cristo, como sen­hor e rei, perde sua cabeça por uma úni­ca mul­her.

Out­ra obser­vação que salta aos olhos é a cor do jumen­to. Ele não é pre­to, nem bran­co: é cin­za; com uma bela cruz em tonal­i­dade escu­ra sobre a cer­nel­ha.  A oscilação pen­du­lar apaixon­a­da dos extremos não o atinge, e, tal qual deve­mos ser, sua cor rep­re­sen­ta o equi­líbrio tipi­ca­mente católi­co.  Ou ain­da a exa­ta per­son­ifi­cação do católi­co que é aten­to aos aspec­tos con­tra­ditório da real­i­dade. Não seria sua cruz a nos­sa con­fir­mação neste com­bate?  

Muito do que se dis­cute provém da abso­lu­ta con­fusão que se faz entre her­menêu­ti­ca e exegese. Acred­i­to que boa parte dos rapa­zo­las partícipes da tradição descon­heçam ess­es ter­mos, à exceção do primeiro que, católi­co por excelên­cia, gan­hou mau odor dev­i­do à aplic­a­bil­i­dade dada por Ben­to XVI.  A exegese é muito uti­liza­da pelo protes­tantismo, como úni­ca for­ma inter­pre­ta­ti­va, uma vez que bus­ca tão somente a lit­er­al­i­dade do tex­to, sem aportes com o Mag­istério e Tradição. 

A her­menêu­ti­ca como fer­ra­men­ta inter­pre­ta­ti­va é segui­da de um méto­do.

  • Inter­pre­tação lit­er­al, ou gra­mat­i­cal; (se hou­ver prob­le­mas)
  • Inter­pre­tação analóg­i­ca;
  • Tele­ológ­i­ca;
  • Exten­si­va;

Todas essas for­mas em relação às Sagradas Escrit­uras, Mag­istério e Tradição. Ao sair desse cam­in­ho traça­do pela Igre­ja por mais de dois mil anos, incor­re­mos no tor­tu­oso cam­in­ho do devaneio. Qual o moti­vo de tan­tas igre­jas protes­tantes? A oscilação pen­du­lar de uma estri­ta inter­pre­tação da Sagra­da Escrit­u­ra ou a livre inter­pre­tação não margea­da pelo Mag­istério e Tradição.

O Cân­ti­co dos Cân­ti­cos bem demon­stra como deve ser a inter­pre­tação das Sagradas Escrit­uras. “Sou negra, como as ten­das de Cedar, fil­has de Jerusalém, mas sou bela,  como os pavil­hões de Salomão” (C. dos Cân­ti­cos 1:4).

Ape­sar de toda a lit­er­al­i­dade, este livro jamais deve ser inter­pre­ta­do como a con­junção canal dos nubentes, rep­re­sen­tan­do, antes, todo pudor, mod­és­tia, casti­dade vir­ginal que invo­ca a San­tís­si­ma Mãe de Deus, a Igre­ja e toda alma que aspi­ra às núp­cias espir­i­tu­ais com Nos­so Sen­hor.  E a Sagra­da Escrit­u­ra não evi­den­cia isso, ten­do em vista que seu leitor não  será uma “mula sem cabeça.”

Tal ver­sícu­lo pode ser inter­pre­ta­do de várias for­mas, entre elas:

  • Sou negra, mas sou bela” – mes­mo a alma mar­ca­da pelo peca­do orig­i­nal, por seus maus instin­tos e movi­men­tos da natureza, poderá diz­er: Encon­tro, pois, em mim esta lei: quan­do quero faz­er o bem, o que se me depara é o mal. Deleito-me na lei de Deus, no ínti­mo do meu ser. Sin­to, porém, nos meus mem­bros out­ra lei, que luta con­tra a lei do meu espíri­to e me prende à lei do peca­do, que está nos meus mem­bros. Homem infe­liz que sou! Quem me livrará deste cor­po que me acar­reta a morte? (Rom 7:21–24)
  • como as ten­das de Cedar” — “Cedar” é o segun­do fil­ho de Ismael, descen­dente de Abraão por Agar, a escra­va. Para os hebreus, esse povo que descende de Agar, os árabes, é de gros­seiros, vul­gares…
  • mas sou bela, como os pavil­hões de Salomão.” – ou seja, mes­mo com suas fraque­zas e imper­feiçoes exte­ri­ores seu inte­ri­or per­manece cal­mo e pas­si­vo. Como as mag­nifi­cas ten­das de Salomão que rival­izavam com as de Dario.

Por fim, podemos lem­brar a San­tís­si­ma Virgem que esta­va “negra”, com aparên­cia exte­ri­or de uma mul­her adúl­tera, em visi­ta a sua pri­ma San­ta Izabel. Mas esta­va ela toda pura, “bela” com o seu bril­ho vir­ginal imac­u­la­do. Ela pare­ceu ser “negra” ao ter a aparên­cia de uma mul­her grávi­da, que por­tasse um fil­ho do peca­do orig­i­nal, mas ela esta­va “bela” como as ten­das de Salomão, rei pací­fi­co por excelên­cia.

Podemos diz­er ain­da que Nos­sa Sen­ho­ra esta­va “negra” por seus opróbrios, dores e sofri­men­tos na cru­ci­fi­cação do seu Fil­ho bem ama­do, mas ela é “bela”, pois no céu está asso­ci­a­da a glória do Sal­vador.

Muito mais pode­ria ser dito, mas estes que vom­i­tam seus despautérios são uma sociedade de malí­cia mútua, exata­mente como exis­tiu entre Herodes e Pilatos.           

Em alguns daque­les que ofer­e­cem o San­to Sac­ri­fí­cio, vemos a níti­da ati­tude de Caim, que ofer­ece sac­ri­fí­cio a Deus ali­men­tan­do em seu coração a inve­ja con­tra seu irmão.

Como pre­ceitua o man­u­al de pat­i­faria de B. Gracián, “Quan­do nos falam com mali­cia. Com alguns tudo há de ser às aves­sas; o sim é não e não é sim. Falam mal do que esti­mam, pois o que se quer para si se desa­cred­i­ta para os out­ros”.

Jumen­tas e maca­cos podem falar des­de que falem a ver­dade. O con­trário é opinião.  Pen­so, logo me engano.

 

Noel Ned­er                                               

 

 

 

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