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P. Le Floch: O Cardeal Billot e o liberalismo

O Cardeal Billot sobre o liberalismo

 Padre Henri Le Floch

 

Resumo da doutrina do cardeal Billot sobre o erro do liberalismo e as suas diversas formas, segundo a exposição do tratado sobre a Igreja.

O liberalismo em matéria de fé e de religião é uma doutrina que pretende emancipar o homem, mais ou menos, de Deus, da sua lei, e da sua revelação, e de emancipar também a sociedade civil de qualquer dependência religiosa, da Igreja, tutora, intérprete e mestra da lei revelada por Deus.

A emancipação de Deus, fim ultimo do homem e da sociedade, é o quanto antes de tudo persegue. E, para alcançar-lhe, fixa como primeiro princípio a liberdade o bem fundamental do homem, bem sacro e intangível, que não é absolutamente permitido violar com qualquer tipo de coação; por isso, está liberdade sem limites deve ser a pedra imóvel sobre a qual se organizarão todos os elementos das relações entre os homens, a norma imutável segundo a qual serão julgadas todas as coisas do ponto de vista do direito; então, será equânime, justo e bom, o quanto em uma sociedade, tiver como base o princípio da liberdade individual inviolada; iníquo e perverso todo o restante. Este é o pensamento da revolução de 1789, revolução de que o mundo inteiro ainda colhe os frutos amargos. Este é o objeto completo da Declaração dos direitos do homem, da primeira à última linha. Este, para os ideólogos, o ponto de partida necessário para a reedificação completa da sociedade no campo político, no campo econômico, e sobretudo no campo moral e religioso.

O tratado crítica, antes de qualquer coisa, o princípio geral do liberalismo, considerado em si mesmo e nas suas múltiplas aplicações. Depois trata do liberalismo religioso e das suas diversas formas  (pp. 19-20).

Em um magnífico preâmbulo, em que se eleva a altura de Santo Agostinho no De Civitate Dei e de Bossuet no Discours sur l’Histoire universelle, e que se concentra na explicação e na aplicação da profecia de Daniel a Nabucodonosor, Padre Billot anúncia que seguirá, tratando do liberalismo, os poderosos espíritos do Século XIX que lutaram contra a perversidade dos princípios da Revolução, J. de Maistre, de Bonald, Ketteler, Veuillot, Le Play, o Cardeal Pie, Liberatore, etc. E lhe cita no curso da sua exposição. E com eles cita Charles Maurras, de quem apreciava a refutação do liberalismo em campo filosófico, político e econômico.

Os limites que estabelecemos nos permitem, nesta sede, apresentar apenas o esqueleto do racíocinio deste estudo, deixando a parte todo o esplendor do desenvolvimento, que poderia ser entrevisto apenas com uma tradução completa.

ARTIGO I
Enunciação e crítica do princípio fundamental do liberalismo (pg 21-43)

O princípio fundamental do liberalismo é a liberdade de toda e qualquer coação, não apenas daquela exercitada com a violência, e que diz respeito apenas aos atos externos, mas também da coação que provém do temor da lei e das penas, das dependências e das necessidades sociais, em uma palavra, dos ligames de qualquer gênero que impedem ao homem agir segundo a sua inclinação natural. Para os liberais, esta liberdade individual é o bem por excelência, o bem fundamental, inviolável, ao qual tudo deve ceder, a exceção, talvez, do quanto é requerido da ordem puramente material da cidade; a liberdade é o bem ao qual todo o resto é subordinado; é o fundamento necessário de toda construção social conforme a equidade e ao bem.

PARÁGRAFO I.
Crítica deste princípio em si mesmo

Este princípio fundamental do liberalismo é absurdo, contra a natureza e quimérico (pg 22-30).
1. Absurdo (Incipit ab absurdo), enquanto pretende que o bem principal do homem esteja na ausência de qualquer ligame capaz de entravar ou limitar a sua liberdade. O bem do homem, de fato, deve ser considerado ou como um fim ou como um meio para alcançar este fim. Ora, a liberdade não pode ser um fim em si e o sumo fim, porque não é outro que um poder ou potência operativa, porque todo poder ou potência é em vista da operação, e porque toda operação, nesta vida, consiste completamente na persecução de um bem real ou aparente. Então, a liberdade não pode ser para o homem o seu bem considerado como um fim. De outra parte, essa não é nem sequer um bem considerado como um meio para alcançar a um bom fim, se não com a condição de ser contida por certos freios, e esta é a ruína pura e simples do princípio do liberalismo… ao menos em admitir ou que a liberdade, na vida presente, é infalível, ou que precisa sempre deixa-la fazer, qualquer que sejam os seus defeitos. 
2. Contra a natureza (in ea progreditur quae evidentiori naturae intentioni contraria sunt), enquanto pretende que tudo deva ceder o passo ao bem da liberdade individual, que as necessidades sociais multiplicaram os obstáculos a esta liberdade, e que o regime ideal para o homem é aquele em que reine a lei do absoluto e perfeito individualismo; porque este individualismo é absolutamente contrário a natureza humana. De fato, se existe uma coisa evidente e manifesta, é que a condição social é a lei da vida humana, como o provam a necessidade da sua própria existência corporal. «Aos outros animais, a natureza preparou alimento, vestimento de pêlo, meios de defesa, como os dentes, os chifres, as unhas, ou ao menos a rapidez na fuga.  O homem, invés disso, se encontrou criado sem que da natureza lhe tenha sido fornecido nada de similar; mas, em troca, foi provido de razão que o coloca em condição de preparar todas estas coisas com as suas mãos; e já que um homem sozinho não é capaz de preparar tudo, e se fosse sozinho não saberia assegurar nem sequer a si mesmo os bens que lhe permitem manter-se em vida, lhe segue que, por natureza, o homem deve viver em sociedade. Além disso, em todos os outros animais é imita uma natural capacidade em discernir quanto é a eles útil ou nocivo. Assim, o cordeiro sente instintivamente no lobo um inimigo. Por uma capacidade análoga certos animais sabem distinguir naturalmente as plantas curativas e também o quanto é necessário a les para viver.
«O homem, invez disso, conhece aquilo de que precisa para viver, mas apenas em geral. Assim, com a sua razão pode alcançar, através dos princípios universais, o conhecimento das coisas particulares necessárias a sua vida. Mas não é possível a um homem, sozinho, atingir com a sua própria razão todas as coisas desta ordem. E então, necessário que os homems vivam juntos, para ajudarem uns aos outros, para dedicarem-se a pesquisas diversas em relação com a diversidade dos seus talentos: um, por exemplo, a medicina, um outro a isto e um outro aquilo.  S . Tommaso, De regimine principum, libro I, cap. I).
    O insensati sophistae, escreve Padre Billot, uis vos ita dementavit, ut ad naturam continuo appellantes, contra naturam talia et tam enormia peccetis?», «Ó sofistas insanos, quem vos fez sair da razão, que, embora chamando-lhes continuamente a natureza, pecais tanto e assim grandemente contra a natureza?».
3. Quimérico
1º Porque não combina em nenhum modo com a realidade:
Supõe, na origem da sociedade um pacto social. Onde o viu?
Supõe o livre ingresso de qualquer um na sociedade. E ainda mais rigoroso.
Supõe que todos os homens são feitos exatamente sobre o mesmo modelo – absolutamente iguais -, o homem abstrato reproduzido milhões de vezes sem notas individuantes. Onde está? «Aplicais o contrato social, se  vos parece bom, mas aplicai-lo somente aos homens para os quais ele foi fabricado. São homens abstratos que não pertencem a nenhum tempo e a nenhum país, embora entidades florescidas da batuta metafísica» (Taine, La Révolution, tomo I, libro II, cap. II).
2º porque tende a destruir diretamente aquilo que quer proteger: a liberdade individual. 
Se a coisa é evidente no caso das minorias, tiranizadas pelo número, não é menos certa para a maioria, que se deixam conduzir, não pelo «juízo autônomo de qualquer um dos seus membros, mas pelos agitadores, pelos violentos, das oligarquias nascidas do individualismo, que  as subjugam e que se lhe servem como de um instrumento de domínio com o fim de seus interesses privados e da sua ambição» (pg. 29-30).
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Liberalismo e modernismo

PADRE CURZIO NITOGLIA

28 de maio de 2011
[Tradução Gederson Falcometa]

http://www.doncurzionitoglia.com/liberalismo_e_modernismo.htm

“Nada além do homem, nada para fora do homem, nada sem o homem. Este é o clímax do liberalismo que se chama modernismo”. (Luis Billot)

I) O liberalismo

O Cardeal Luis Billot refutou de forma concisa e agudíssima tanto o liberalismo (De Ecclesia Christi. Tomo II, De abitudine Ecclesiae ad civilem Societatem, III ed., Roma, Gregoriana, 1929, Quaestione VIII, De errore liberalismi et variis ejus formis, pp. 21-63) como seu filho o modernismo ( De virtutibus infusis, Roma, Gregoriana, 1928, De objecto Fidei, pg. 264-272).

O princípio liberal

No que diz respeito ao liberalismo Billot explica que essa é a doutrina que quer emancipar ou “libertar” o homem de Deus, da sua Lei, da sua revelação e da sua Igreja, tanto individual como socialmente. Para obter isso, coloca a liberdade como um fim e bem supremo, o que substitui Deus, com a “liberdade “.

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A questão do liberalismo diz respeito aos mais graves interesses e aos mais fundamentais dogmas do cristianismo.

R. P. Henri Ramière d.C.d.G. (1821-1884)

Da: Les doctrines romaines sur le libéralisme envisagées dans leur rapports avec le dogme chrétien et avec les besoins des societes modernes, Paris 1870 pag. 1-19. Tradução: Gederson Falcometa

 

Antes de tudo é importante esclarecer para vantagem daqueles católicos que não entendem a ligação entre a questão do liberalismo e do dogma católico e que acreditam defender seriamente os interesses da Igreja aconselhando-lhes a separarem-se, sobre este ponto, de sua própria tradição.

I – Origem do liberalismo

Para fazer-lhes compreender que se enganam, basta recordar a sua história recente; digam-nos eles como a doutrina que gostariam que fosse aceita pela Igreja se introduziu no mundo. O sabem bem como nós; até o século passado essa não tinha encontrado um só defensor, nem no interior do cristianismo nem no seio do paganismo. No mundo bárbaro como naquele civilizado foi sempre acordado fundar a garantia das instituições sociais nas crenças religiosas; e Rousseau, quando afirma que nenhum Estado foi jamais fundado sem que a religião lhe servisse de base, não fazia que constatar o testemunho certíssimo da história e resumir os ensinamentos dos filósofos pagãos, como também dos doutores cristãos.

Quando então se pensou repudiar esta constante e universal persuasão do gênero humano? Quem são aqueles novos sábios que inventaram uma teoria ignorada ou rejeitada pelos mestres da antiga sapiência?

Sabemos bem quem são estes sábios; são aqueles que, no século passado, declararam a Jesus Cristo e a sua Igreja uma guerra mortal e que, para triunfar nesta guerra, empreendida segundo eles para o triunfo da verdade e da justiça, fizeram uso das mais malvadas calúnias e das mais audazes mentiras.

Já esta origem é assaz suspeita, e os católicos que hoje se fazem promotores de uma doutrina inventada pelos inimigos mais mortais do catolicismo tem verdadeiramente necessidade de toda a generosidade de seus corações para não tornarem-se cientes do grave risco que correm ao serem chamarizes de uma mistificação infernal. Continue Reading →

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O BEM DO TODO É MAIOR QUE O BEM DA PARTE

 

d. CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Gederson Falcometa]

8 de agosto de 2011

http://www.doncurzionitoglia.com/bene_del_tutto_e_della_parte.htm

“Civitas propter cives, non cives propter civitatem”

·Contra o comunitarismo (“o bem de todos”) a sã filosofia ensina que a Sociedade não é o Fim absoluto, o bem ao qual os cidadãos são ordenados, mas a Sociedade é ordenada ao bem comum dos cidadãos (“civitas propter cives, et non cives propter civitatem”). Por isso é preciso entender bem o significado do axioma “o bem do todo é superior ao bem da parte”, para não cair no absolutismo comunitarista, ou seja, no “culto da Comunidade” ou do seu “Chefe absoluto”, que destrói os indivíduos.

 ·A comunidade (ou o “bem do todo”) não deve absorver, mas deve proteger os direitos do indivíduo e da família (“o bem da parte”). Essa intervém apenas onde a família e o setor privado não conseguem sozinhos (v. o princípio de subsidiariedade) [1].

 ·O Cardeal Alfredo Ottaviani ensina: “individuus non est pro Statu, sed Status pro individuo”, o Estado (ou “bem do todo”) é para os cidadãos, não vice-versa, ou seja, a pessoa não é uma engrenagem da Sociedade como uma engrenagem de relógio. É preciso que o Estado (“o todo”) respeite a pessoa (“a parte”) provida de uma natureza racional, criada a imagem e semelhança de Deus, dotada de uma alma espiritual e de intelecto e vontade, e então, livre para fazer o bem e aberta para conhecer o verdadeiro que a conduzirá a vida sobrenatural. O Estado (ou “o bem do todo”), portanto, não deve jamais obstaculizar ou inculcar o conhecimento da verdade e a prática do bem da pessoa (“o bem da parte”), antes a deve favorecer. Quando se iniciaram as escavações sob o altar da Basílica de São Pedro, para ver se realmente ali estava o corpo do Apóstolo, a quem faziam notar a Pio XII o risco daquela operação, o Papa respondia: “A Igreja não deve ter medo da verdade!”.

 ·Além disso, a Comunidade ou Sociedade deve procurar também e secundariamente o bem estar comum temporal do homem, defendendo os seus direitos e a sua dignidade: a vida, a integridade física, as comodidades temporais, a educação intelectual, moral e espiritual [2].

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CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

NOTA INTRODUTÓRIA

O presente é um extrato de um livro do Pe. Matteo Liberatore, S. J. chamado “A Igreja e o Estado” de 1872, onde, como o nome indica, ele trata das relações entre as duas sociedades. O padre citado, junto a Joseph Kleutgen S.J., foi um dos mais importantes autores do século XIX.

O trecho traduzido evoca um dos grandes problemas que vivemos hoje: a independência entre aquelas duas sociedades. Nele, o citado padre refuta as duas principais posições: o liberalismo absoluto e o liberalismo moderado, mostrando que nenhum católico pode defender qualquer uma delas.

Tendo em mente que boa parte da crise atual que assola a Igreja foi trazida  pela declaração da Liberdade Religiosa pelo documentoDignitatis Humanae do Concílio Vaticano II, tal trecho se torna de extrema importância para os católicos para que estes não caiam na armadilha do liberalismo moderado. Lembremos ainda que infelizmente tanto João Paulo II quanto Bento XVI defenderam e continuam defendendo insistentemente tal perversidade de ideias, não é se calando sobre a necessidade de um Estado oficialmente  católico e sobre o dogma do Reinado Social de Nosso Senhor como, ainda mais, exigindo que mesmo um Estado Católico deixe de sê-lo, como podemos constatar das seguintes palavras de João paulo II:

“A liberdade religiosa, por vezes ainda limitada e cerceada, é a premissa e a garantia de todas as liberdades que asseguram o bem comum das pessoas e dos povos. É de se auspiciar que a autêntica liberdade religiosa seja concedida a todos, em qualquer lugar, e para isso a Igreja se empenha a fim de que tal aconteça nos vários Países, especialmente nos de maioria católica, onde ela alcançou uma maior influência. Não se trata porém, de um problema de maioria ou de minoria, mas de um direito inalienável de toda a pessoa humana.” (João Paulo II, Redemptoris missio,  § 39,http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_07121990_redemptoris-missio_po.html)

Ou ainda Bento XVI em sem sua mensagem para o 44º Dia Mundial da Paz, que tinha como tema “Liberdade religiosa, caminho para a paz”:

“Neste sentido, a liberdade religiosa é também uma aquisição de civilização política e jurídica. Trata-se de um bem essencial: toda a pessoa deve poder exercer livremente o direito de professar e manifestar, individual ou comunitariamente, a própria religião ou a própria fé, tanto em público como privadamente, no ensino, nos costumes, nas publicações, no culto e na observância dos ritos.” (Bento XVI, MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 44° DIA MUNDIAL DA PAZ “Liberdade religiosa, caminho para a paz”, 1 de janeiro de 2011,  § 5, http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/internacional/5471-mensagem-do-papa-bento-xvi-para-o-44o-dia-mundial-da-paz)

Esperemos que com a leitura de tão precioso texto, o ordenamento querido por Deus entre a Igreja e o Estado possa ser novamente defendido em todos os ambientes católicos. Que Cristo Rei, possa realmente reinar não só nos corações e nas mentes, mas também na própria sociedade civi.

Viva Cristo Rei!

Renato Sales

Rev. Pe. Matteo Liberatore S.J.

A Igreja e o Estado (2ª ed.) Napoles 1872, cap. I, pag. 7-21.

CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

CAPÍTULO I.

ARTIGO I.

Conceito liberal

I

Triplice forma de tal conceito

A palavra de ordem, como se costuma dizer, do liberalismo hodierno é a emancipação do Estado da Igreja. Isto se entende de duas maneiras: segundo a que é promovida pelo liberalismo absoluto ou pelo liberalismo moderado; do qual se aproxima, de boa ou má fé, muitos, mesmo entre aqueles que são católicos, se não de mente ao menos de coração, e assumem a denominação de católicos liberais. O primeiro dos dois liberalismos quer a supracitada emancipação pela via da supremacia do Estado; o segundo pela via de plena independência da Igreja; os católicos liberais sustentam a recíproca separação não como verdade especulativa, mas como método prático.

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