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AS TRÊS FORMAS DE GOVERNO E A TIRANIA

 PADRE CURZIO NITOGLIA
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

As três for­mas de gov­er­no e a tira­nia

San­to Tomás ensi­na que as pos­síveis for­mas de gov­er­no são três: monar­quia, aris­toc­ra­cia e politeía (hoje ‘democ­ra­cia’ clás­si­ca, essen­cial­mente difer­ente do ‘democ­ra­tismo’ mod­er­no de Rousseau). Ele con­sid­era a monar­quia como a primeira for­ma de gov­er­no (o gov­er­no de um só) que, porém, pode degener­ar em tira­nia. A segun­da for­ma de gov­er­no con­sid­er­a­da pelo Aquinate, é a aris­toc­ra­cia (gov­er­no dos mel­hores) que pode degener­ar em oli­gar­quia, ou seja, tira­nia dos poucos. A ter­ceira for­ma é a politeía (gov­er­no dos mag­istra­dos ou dos cidadãos/militares) ou tim­o­c­ra­cia (gov­er­no onde os car­gos são atribuí­dos ten­do por base a hon­ra e a força da san­ior pars pop­uli), a qual pode degener­ar em democ­ra­tismo ou democ­ra­cia mod­er­na (tira­nia do povo). Hoje, em lugar de politeía ou de tim­o­c­ra­cia, prevale­ceu o uso da palavra democ­ra­cia – que para os clás­si­cos e escolás­ti­cos havia já de per sè uma valên­cia neg­a­ti­va – a qual pode degener­ar em dem­a­gogia, como se diz comu­mente hoje.

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Introdução a verdadeira noção de Magistério

Intro­dução a

VERDADEIRA NOÇÃO DE MAGISTÉRIO

 

PADRE CURZIO NITOGLIA
30 de dezem­bro de 2011
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]
http://www.doncurzionitoglia.com/introduzione_magistero.htm

Ó Sen­hor, do qual os San­tos inocentes con­fes­saram o lou­vor, não falan­do, mas mor­ren­do, mor­ti­fi­ca em nós todos os males e vícios; afim de que a Fé em Ti, que é pro­fes­sa­da pela nos­sa lín­gua, seja colo­ca­da em práti­ca tam­bém pela nos­sa boa con­du­ta”

(Missal Romano, Cole­ta da Mis­sa dos San­tos Inocentes, 28 de dezem­bro).

Advertên­cia

Intro­dução para tornar acessív­el a todos quan­to verão escrito na Revista quinzenal “Sim Sim Não Não”, de 15 de janeiro de 2012, e pub­li­ca­do ante­ci­pada­mente, em 28 de dezem­bro de 2011, por gen­til con­cessão, em vários blogs sobre o tema da Tradição e do Mag­istério, o blog “Chiesa e post-con­cilio” tam­bém já o pub­li­cou, mas “não em seu for­ma­to final”. A questão é de máx­i­ma importân­cia, espe­cial­mente nestes dias em que, tam­bém em ambi­ente anti­mod­ernista, apare­ce­r­am pub­li­cações inex­atas (por exces­so ou por defeito) sobre estes dois temas. Espero que este breve resumo seja capaz de esclare­cer e ilu­mi­nar as almas.

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Tradição/Magistério

  • Recen­te­mente apare­ce­r­am arti­gos e livros, que, para defend­er a Tradição e a Igre­ja, ou exager­aram o alcance do Mag­istério, fazen­do dele um “Abso­lu­to” ou o min­i­mizaram e quase o aniquila­ram, negan­do lhe a função de “inter­pre­tar a Tradição e a S. Escrit­u­ra”. Onde para evi­tar o erro por exces­so (que abso­l­u­ti­za o Mag­istério) e por defeito (que min­i­miza a sua real­i­dade) sobre este argu­men­to, resumo aqui­lo que escreveu no pas­sa­do [1] e recen­te­mente mons. Brunero Gher­ar­di­ni (cfr. Dis­pu­ta­tiones The­o­log­i­cae) e aqui­lo que se encon­tra nos mel­hores man­u­ais de ecle­si­olo­gia, que serão cita­dos nas notas.
  • Deve­mos evi­tar a pre­mis­sa errônea que faz do Mag­istério um “Abso­lu­to” e não um “ente cri­a­do”, um “Fim” e não um “meio”, um “Sujeito inde­pen­dente” (abso­lu­tus = livre) de tudo e de todos. Nada neste mun­do tem a qual­i­dade de Abso­lu­to. A Igre­ja não é exceção, nem a sua Tradição, nem o seu Mag­istério e nem sequer a Hier­ar­quia, incluin­do o Papa. Só Deus é a úni­ca real­i­dade últi­ma ou abso­lu­ta, infini­ta e incri­a­da.
  • Sobre a Tradição a Igre­ja exerci­ta um ‘dis­cern­i­men­to’ que dis­tingue o autên­ti­co do não autên­ti­co. O faz medi­ante um instru­men­to que é o Mag­istério. O Mag­istério é um ‘serviço’, mas é tam­bém uma ‘tare­fa’, um “múnus”, pre­cisa­mente o “múnus docen­di”, que não pode nem deve sobre­por-se a Igre­ja da qual e pela qual ele nasce e obra. Do pon­to de vista sub­je­ti­vo, o Mag­istério coin­cide com a Igre­ja docente (Papa e Bis­pos em união com o Papa). Do pon­to de vista oper­a­ti­vo, o Mag­istério é o instru­men­to medi­ante o qual é desen­volvi­da a função de pro­por aos home­ns a div­ina Rev­e­lação com autori­dade.
  • Muitas vezes, porém, se faz deste instru­men­to um val­or em Si[2] (abso­lu­tus) e se faz ape­lo a esse para trun­car o nasci­men­to de todas as dis­cussões, como se o Mag­istério estivesse aci­ma da Igre­ja e como se diante dele não exis­tisse o taman­ho enorme da Tradição a acol­her, inter­pre­tar e retrans­mi­tir na sua inte­gri­dade e fidel­i­dade, que é como Deus a trans­mi­tiu.
  • O pro­ced­i­men­to impro­visa­do hoje e firme­mente esta­b­ele­ci­do é mais ou menos o seguinte: Cristo prom­ete os Após­to­los e então aos seus suces­sores, vale diz­er a Igre­ja docente, o envio do Espíri­to San­to e a sua assistên­cia para um exer­cí­cio de ver­dade do “múnus docen­di” e, por­tan­to, o erro é evi­ta­do des­de o começo, sem condições, as quais ao invés, são necessárias e definidas pelo Con­cílio Vat­i­cano I, como se verá abaixo. Out­ro pro­ced­i­men­to mais que impro­visa­do con­siste no negar ao Mag­istério todo “múnus docen­di et inter­pre­tan­di” das duas fontes da Rev­e­lação (Tradição e S. Escrit­u­ra).

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PERIGOS PARA A VIDA SACERDOTAL EM NOSSO TEMPO, POR P. CURZIO NITOGLIA

 

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Vida Sac­er­do­tal

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Padre Regi­nal­do Gar­rigou-Lagrange

PADRE CURZIO NITOGLIA
22 de abril de 2012
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

http://www.doncurzionitoglia.com/pericoli_vita_sacerdotale.htm

 

● Em 1945 Padre REGINALDO GARRIGOU-LAGRANGE escreveu um livre­to, traduzi­do para o ital­iano em 1949, e inti­t­u­la­do San­tifi­cação sac­er­do­tal no nos­so tem­po (Tori­no, Mari­et­ti). Nesse o céle­bre teól­o­go afronta­va os erros neo­mod­ernistas, que já minavam a espir­i­tu­al­i­dade católi­ca e aler­ta­va sobre ess­es espe­cial­mente os jovens sac­er­dotes. Pas­saram-se mais de seten­ta anos e os peri­gos latentes se tornaram erros explíc­i­tos, que infe­liz­mente não são mais cen­sura­dos, mas até mes­mo pro­movi­do pelos Pas­tores que dev­e­ri­am con­den­dená-los. No pre­sente arti­go faço um resumo de tais erros, dos remé­dios pro­pos­tos pelo Padre domini­cano e acres­cen­to aqui­lo que de errô­neo matur­ou em cam­po teológi­co ascéti­co e mís­ti­co des­de 1949 para dar aos sac­er­dotes e analoga­mente aos cristãos os meios para se preser­varem dess­es.

● Um dos erros sobre a vida espir­i­tu­al que se tin­ha infil­tra­do no ambi­ente católi­co, graças a nou­velle théolo­gie foi o Sen­ti­men­tal­is­mo. Este erro esquece que a ver­dadeira Cari­dade sobre­nat­ur­al é efe­ti­va mais que afe­ti­va, além dis­so é um ato da von­tade e do int­elec­to movi­dos pela Graça atu­al. Ao invés dis­so, o Sen­ti­men­to reli­gioso colo­ca em primeiro lugar a sen­si­bil­i­dade e afe­tivi­dade que prevale­cem sobre a inteligên­cia e von­tade movi­das pela Graça. A espir­i­tu­al­i­dade se tor­na sen­ti­men­tal­is­mo e é sim­i­lar a um “fogo de pal­ha” ao qual suced­erá o relax­am­en­to, a ací­dia e o aban­dono de toda vida ascéti­ca ao sur­gir as primeiras difi­cul­dades e aridezes espir­i­tu­ais. Con­tin­uar lendo →

Das injustiças que se cumprem com as palavras, por Padre Curzio Nitoglia

 A calúnia é uma brisa sutil, mas ribomba como tiro de canhãohttps://i2.wp.com/doncurzionitoglia.net/wordpress/wp-content/uploads/2014/10/la-calunnia-venticello-est-620.jpg?resize=469%2C369

PADRE CURZIO NITOGLIA
18 de out­ubro de 2014
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente
em
Estu­dos Tomis­tas

[Nota prévia. Como se verá, per­miti­mo-nos faz­er uma nota de esclarec­i­men­to ao arti­go do Padre Nitoglia.]

O homem faz o mal total­mente, per­feita­mente
e feliz­mente ape­nas quan­do o faz por motivos
‘mís­ti­co-reli­giosos’ ou mes­siâni­cos.”
Blaise Pas­cal

A dout­ri­na tomista

San­to Tomás de Aquino tra­ta na Suma Teológ­i­ca (II-II, q. 72–75) as injustiças que se cumprem com palavras, depois de ter exam­i­na­do as que se cumprem com ações (q. 64). Aque­las são as injúrias ver­bais, a detração, a mur­mu­ração e a der­risão. Infe­liz­mente estes vícios são muito difu­sos, pouco lev­a­dos a sério e quase nun­ca com­bat­i­dos mes­mo em ambi­entes católi­cos lig­a­dos à Tradição, enquan­to con­stituem em si peca­do mor­tal. Busque­mos ver sua natureza, sua gravi­dade, e quais são os remé­dios para der­rotá-los.

As injúrias ver­bais

Na questão 72 o Aquinate tra­ta da “con­tumélia”, ou seja, a injúria ver­bal não fei­ta pelas costas ou “traiçoeira­mente”, mas aber­ta­mente. “Con­tumélia” deri­va do ver­bo lati­no con­tem­mere, isto é, desprezar ou insul­tar clam­orosa­mente e em face. É dis­tin­ta da injúria, que é uma ação que afe­ta o dire­ito dos out­ros (in-jus) com ações: espan­ca­men­to, etc. Ora, o Angéli­co nota que, emb­o­ra as palavra não façam fisi­ca­mente mal (a. 1, ad 1), enquan­to todavia as palavras sig­nifi­cam coisas, podem causar muitos danos. A con­tumélia ou injúria ver­bal afe­ta a hon­ra; a difamação ou detração afe­ta a boa fama; e a der­risão ou escárnio suprime o respeito.

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Verdadeira e falsa prudência — Resposta a Domenico Savino

 

Quem não está dis­pos­to a arriscar-se por suas ideias, ou não vale nada ou não apli­ca nada de suas ideias”  (Ezra Pound)

Don Curzio Nitoglia

[Tradução: Ged­er­son Fal­co­men­ta]

 Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente no

O caro ami­go Dr. Domeni­co Savi­no, em 8 de abril de 2009, escreveu um inter­es­sante arti­go em seu site “Effedi­effe” inti­t­u­la­do “Frater­nidade São Pio X: temores e esper­anças”, onde “repro­va cer­ta fal­ta de prudên­cia” a Mons. Richard Williamson. Mas que coisa é exata­mente a prudên­cia e a imprudên­cia? Per­gun­te­mos a San­to Tomás de Aquino, “o mais sábio dos san­tos, o mais san­to dos sábios” (Pio XII).

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