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P. MATTEO LIBERATORE, S.J: CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

 

A Igre­ja e o Esta­do (2ª ed.) Napoles 1872, cap. I, pag. 7–21.

Rev. Pe. Mat­teo Lib­er­a­tore S.J.

CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

CAPÍTULO I.

ARTIGO I.

Con­ceito lib­er­al

I

Trí­plice for­ma de tal con­ceito

A palavra de ordem, como se cos­tu­ma diz­er, do lib­er­al­is­mo hodier­no é a eman­ci­pação do Esta­do da Igre­ja. Isto se entende de duas maneiras: segun­do a que é pro­movi­da pelo lib­er­al­is­mo abso­lu­to ou pelo lib­er­al­is­mo mod­er­a­do; do qual se aprox­i­ma, de boa ou má fé, muitos, mes­mo entre aque­les que são católi­cos, se não de mente ao menos de coração, e assumem a denom­i­nação de católi­cos lib­erais. O primeiro dos dois lib­er­al­is­mos quer a suprac­i­ta­da eman­ci­pação pela via da suprema­cia do Esta­do; o segun­do pela via de ple­na inde­pendên­cia da Igre­ja; os católi­cos lib­erais sus­ten­tam a recíp­ro­ca sep­a­ração não como ver­dade espec­u­la­ti­va, mas como méto­do práti­co. Con­tin­uar lendo →

O MODERNISMO [1] A RESPEITO DA IGREJA

La Civiltà Cat­toli­ca ano XXXIV, serie XII, vol. IV, Flo­rença.

P. MATTEO LIBERATORE, S. J.

I.

Logo que a Igre­ja de Cristo apare­ceu no mun­do, o anti­go Pagan­is­mo a com­bate até o fim, bus­can­do sufo­ca-la no sangue. O novo Pagan­is­mo, que se chama Mod­ernismo, e mais comu­mente Lib­er­al­is­mo ou Rev­olução, tam­bém ele com­bate a Igre­ja; porque, como instru­men­to de Satanás, é infor­ma­do pelo mes­mo espíri­to, o ódio a Cristo, e é movi­do pelo mes­mo fim, aque­le de impedir nos povos o bene­fí­cio da redenção. Se não que a con­seguir este mes­mo fim, ele não pode usar os os mes­mos meios. A razão é, porque onde para o anti­go Pagan­is­mo trata­va-se de impedir que a nova Potên­cia se assen­ho­rasse do mun­do, para ele se tra­ta de espo­liar esta Potên­cia da sen­ho­ria já con­quis­ta­da. Então, esse é con­stri­to a seguir con­tra a Igre­ja, mais que a vio­lên­cia, a astú­cia, imi­tan­do o com­por­ta­men­to que Faraó pre­fixou con­tra o povo hebreu: For­tius nobis est. Ven­ite sapi­en­ter oppri­ma­mus eum [2]. [Ndt.: «Ele disse ao seu povo: Vede: os israeli­tas tornaram-se numerosos e fortes demais para nós.Vamos! É pre­ciso tomar pre­caução con­tra eles e impedir que se mul­ti­pliquem, para não acon­te­cer que, sobrevin­do uma guer­ra, se unam com os nos­sos inimi­gos e com­bat­am con­tra nós, e se retirem do país..» Cfr. Es. I, 9–10.] Con­tin­uar lendo →

DA LIBERDADE DE RELIGIÃO E DE CULTO — P. MATTEO LIBERATORE S.J.

La Civiltà Cat­toli­ca anno XXVIII,
serie X, vol. III (fasc. 653, 20 agos­to 1877),
Firen­ze 1877 pag. 527–538.

R.P. Mat­teo Lib­er­a­tore d.C.d.G.
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

I.

Um pequeno erro de prin­ci­pio se tor­na grave nas ilações. Parvus error in prin­cipi­is, fit max­imus in illa­tion­ibus.

Esta sen­tença de San­to Tomás se enquadra bem a Cas­sani, naqui­lo que diz respeito a liber­dade de religião e de cul­to, que ele propõe em sua obra [1]. O erro, no qual ele incorre, pro­cede de um pequeno erro (adver­tida­mente ou inad­ver­tida­mente, não impor­ta) no con­ceito que ele dá a liber­dade de pen­sa­men­to, de onde se ini­cia o seu trata­do. Ele diz que essa con­siste no dire­ito de empre­gar todos os meios para con­hecer a ver­dade, a qual bus­car é o sumo dev­er do homem. «Quan­do se afir­ma que o homem tem por primeiro e fun­da­men­tal dire­ito a liber­dade de pen­sa­men­to… se quer diz­er que o homem ten­do o sumo dev­er de bus­car a ver­dade, deve por con­se­quên­cia ser livre para usar todos os meios aptos a con­duzir a cog­nição da mes­ma [2] .» Como se vê, o prin­ci­pio, no qual ele se move, é sim: ser sumo dev­er do homem a bus­ca pela ver­dade. Con­tin­uar lendo →

CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

NOTA INTRODUTÓRIA

O pre­sente é um extra­to de um livro do Pe. Mat­teo Lib­er­a­tore, S. J. chama­do “A Igre­ja e o Esta­do” de 1872, onde, como o nome indi­ca, ele tra­ta das relações entre as duas sociedades. O padre cita­do, jun­to a Joseph Kleut­gen S.J., foi um dos mais impor­tantes autores do sécu­lo XIX.

O tre­cho traduzi­do evo­ca um dos grandes prob­le­mas que vive­mos hoje: a inde­pendên­cia entre aque­las duas sociedades. Nele, o cita­do padre refu­ta as duas prin­ci­pais posições: o lib­er­al­is­mo abso­lu­to e o lib­er­al­is­mo mod­er­a­do, mostran­do que nen­hum católi­co pode defend­er qual­quer uma delas.

Ten­do em mente que boa parte da crise atu­al que asso­la a Igre­ja foi trazi­da  pela declar­ação da Liber­dade Reli­giosa pelo doc­u­men­toDig­ni­tatis Humanae do Con­cílio Vat­i­cano II, tal tre­cho se tor­na de extrema importân­cia para os católi­cos para que estes não caiam na armadil­ha do lib­er­al­is­mo mod­er­a­do. Lem­bre­mos ain­da que infe­liz­mente tan­to João Paulo II quan­to Ben­to XVI defend­er­am e con­tin­u­am defend­en­do insis­ten­te­mente tal per­ver­si­dade de ideias, não é se calan­do sobre a neces­si­dade de um Esta­do ofi­cial­mente  católi­co e sobre o dog­ma do Reina­do Social de Nos­so Sen­hor como, ain­da mais, exigin­do que mes­mo um Esta­do Católi­co deixe de sê-lo, como podemos con­statar das seguintes palavras de João paulo II:

A liber­dade reli­giosa, por vezes ain­da lim­i­ta­da e cercea­da, é a pre­mis­sa e a garan­tia de todas as liber­dades que asse­gu­ram o bem comum das pes­soas e dos povos. É de se aus­pi­ciar que a autên­ti­ca liber­dade reli­giosa seja con­ce­di­da a todos, em qual­quer lugar, e para isso a Igre­ja se empen­ha a fim de que tal acon­teça nos vários País­es, espe­cial­mente nos de maio­r­ia católi­ca, onde ela alcançou uma maior influên­cia. Não se tra­ta porém, de um prob­le­ma de maio­r­ia ou de mino­ria, mas de um dire­ito inalienáv­el de toda a pes­soa humana.” (João Paulo IIRedemp­toris mis­sio,  § 39,http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_07121990_redemptoris-missio_po.html)

Ou ain­da Ben­to XVI em sem sua men­sagem para o 44º Dia Mundi­al da Paz, que tin­ha como tema “Liber­dade reli­giosa, cam­in­ho para a paz”:

Neste sen­ti­do, a liber­dade reli­giosa é tam­bém uma aquisição de civ­i­liza­ção políti­ca e jurídi­ca. Tra­ta-se de um bem essen­cial: toda a pes­soa deve poder exercer livre­mente o dire­ito de pro­fes­sar e man­i­fes­tar, indi­vid­ual ou comu­ni­tari­a­mente, a própria religião ou a própria fé, tan­to em públi­co como pri­vada­mente, no ensi­no, nos cos­tumes, nas pub­li­cações, no cul­to e na observân­cia dos ritos.” (Ben­to XVI, MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 44° DIA MUNDIAL DA PAZ “Liber­dade reli­giosa, cam­in­ho para a paz”, 1 de janeiro de 2011,  § 5, http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/internacional/5471-mensagem-do-papa-bento-xvi-para-o-44o-dia-mundial-da-paz)

Esper­e­mos que com a leitu­ra de tão pre­cioso tex­to, o orde­na­men­to queri­do por Deus entre a Igre­ja e o Esta­do pos­sa ser nova­mente defen­di­do em todos os ambi­entes católi­cos. Que Cristo Rei, pos­sa real­mente reinar não só nos corações e nas mentes, mas tam­bém na própria sociedade civi.

Viva Cristo Rei!

Rena­to Sales

Rev. Pe. Mat­teo Lib­er­a­tore S.J.

A Igre­ja e o Esta­do (2ª ed.) Napoles 1872, cap. I, pag. 7–21.

CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

CAPÍTULO I.

ARTIGO I.

Con­ceito lib­er­al

I

Trip­lice for­ma de tal con­ceito

A palavra de ordem, como se cos­tu­ma diz­er, do lib­er­al­is­mo hodier­no é a eman­ci­pação do Esta­do da Igre­ja. Isto se entende de duas maneiras: segun­do a que é pro­movi­da pelo lib­er­al­is­mo abso­lu­to ou pelo lib­er­al­is­mo mod­er­a­do; do qual se aprox­i­ma, de boa ou má fé, muitos, mes­mo entre aque­les que são católi­cos, se não de mente ao menos de coração, e assumem a denom­i­nação de católi­cos lib­erais. O primeiro dos dois lib­er­al­is­mos quer a suprac­i­ta­da eman­ci­pação pela via da suprema­cia do Esta­do; o segun­do pela via de ple­na inde­pendên­cia da Igre­ja; os católi­cos lib­erais sus­ten­tam a recíp­ro­ca sep­a­ração não como ver­dade espec­u­la­ti­va, mas como méto­do práti­co.

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