Archive | Direito

ROMA PAGÃ E ROMA CRISTÃ

- SEGUNDO O CARDEAL ALFREDO OTTAVIANI-

 

DON CURZIO NITOGLIA

24 de setem­bro de 2012

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

clip_image001

Pról­o­go

O Cardeal ALFREDO OTTAVIANI († 1979) deu uma con­fer­ên­cia em Roma nos anos Trin­ta, através do Insti­tu­to de Estu­dos Romanos, que cer­ca de dez anos depois se expandiu chegan­do as pren­sas sob o títu­lo “Luz da Roma cristã no Dire­ito” (Cit­tà del Vat­i­cano, Tipografia Poliglota Vat­i­cana, 1943). Ago­ra faço uma breve sín­tese do livro e em breve pub­li­carei no meu site o tex­to inte­gral em for­ma­to PDF.

Con­tin­uar lendo →

A propósito da hermenêutica

Extraí­do do livro Get­se­mani

Cardeal Giuseppe Siri

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

O ver­bo do homem foi o resul­ta­do de uma ordem de supre­ma har­mô­nia. É este um imutáv­el e fun­da­men­tal con­hec­i­men­to.  O ver­bo do homem é resul­ta­do da ordem da Inteligên­cia eter­na do Cri­ador. Nen­hum recur­so a ima­gens do homem e da sociedade humana, no pas­sa­do mais remo­to, nen­hu­ma análise dos dados das lín­guas e das lin­gua­gens, nen­hu­ma espec­u­lação sobre dados da psi­colo­gia, dita exper­i­men­tal, nen­hu­ma pesquisa em qual­quer cam­po, podem alter­ar esta grande e pro­fun­da ver­dade, que é e deve ser sem­pre a base de toda med­i­tação e de toda espec­u­lação a propósi­to da ver­dade, de Deus, do homem e dos seus eter­nos des­ti­nos. O ver­bo do homem tem a sua origem no Ver­bo de Deus.

Con­tin­uar lendo →

A graça de estado

Unavox/Agosto 2012

A graça de esta­do

De Padre… um sac­er­dote da Frater­nidade

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

A maior parte daque­les que acred­i­tam ter, o dev­er de defend­er a políti­ca de Men­zin­gen, ulti­ma­mente tem uti­liza­do o argu­men­to da obe­diên­cia ao Supe­ri­or, em razão da sua graça de esta­do. De que se tra­ta? Quan­to vale ver­dadeira­mente este argu­men­to?

Se pode não amar a expressão «graça de esta­do», mas não se pode descon­sid­er­ar a ver­dade que essa exprime, porque é uma con­vicção cristã que tem sem­pre graças con­ce­di­das para o homem viv­er de for­ma sobre­nat­ur­al segun­do as neces­si­dades da sua função. Mas segun­do o dicionário Lit­tré, sobre o sig­nifi­ca­do de «graça de esta­do», a lin­guagem famil­iar conser­vou ape­nas aqui­lo de «ilusões asso­ci­adas a uma condição e que a tor­na suportáv­el»: Deus con­cede a sua aju­da para per­mi­tir ao homem arran­jar-se bem nas difi­cul­dades iner­entes a sua profis­são ou a sua mis­são.

O Dic­tio­n­naire de Spir­i­tu­al­ité, que ded­i­ca um arti­go inter­es­sante a este tema, obser­va a propósi­to: «se o sen­ti­do lhe vem car­i­cat­u­ra­do, a car­i­catu­ra não é fei­ta sem moti­vo».

Con­tin­uar lendo →

Obediência e fidelidade

 

 

De Padre Giuseppe Pace

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

Este arti­go foi escrito pelo já fale­ci­do Padre Giuseppe Pace em 1978, que depois foi pub­li­ca­do no vol­ume Zibal­done (de Frei Galdino da Pescareni­co, Edi­tiones Sanc­ti Michaelis, pg. 42–45).

Ape­sar de o arti­go ressen­tir de ele­men­tos lig­a­dos ao tem­po em que foi escrito, o tem­po das refor­mas “ad exper­i­men­tum”, por exem­p­lo, esse man­tém toda a sua atu­al­i­dade em repe­tir o ver­dadeiro sen­ti­do da obe­diên­cia inti­ma­mente lig­a­da a fidel­i­dade … a fidel­i­dade a Deus mais que aos home­ns.

 

Os negri­tos são da Unavox

 

______________________________________________________

 

 

Muitos ingle­ses obe­de­ce­r­am aos seus bis­pos, e tornaram-se Angli­canos, primeiro cis­máti­cos e então, heréti­cos. Do mes­mo modo no tem­po de Ário, muitos fiéis, obe­de­ce­r­am aos seus bis­pos e se tornaram Ari­anos.

Eis porque não é pos­sív­el med­i­tar sobre a obe­diên­cia sem ter tam­bém pre­sente a fidel­i­dade.

Os Após­to­los se recusaram obe­de­cer ao Siné­drio, emb­o­ra sendo o Siné­drio a supre­ma autori­dade de todos os Judeus, e então tam­bém dos Após­to­los: ”É pre­ciso obe­de­cer antes a Deus que aos home­ns” (Atos V, 29).

Quan­do São Paulo, não ape­nas não se con­for­mou a con­du­ta de São Pedro, ape­sar da mes­ma estar se tor­nan­do nor­ma de con­du­ta uni­ver­sal, acol­hi­da por per­son­agens de pri­maria importân­cia como São Barn­abé: mas pre­cisa­mente porque esta­va para se tornar nor­ma de con­du­ta uni­ver­sal, com inelutáveis con­se­quên­cias doutri­nais, São Paulo resis­tiu em face a São Pedro “In faciem ei resti­ti, quia rep­re­hen­si­bilis erat” (Gal. II, 12).

É este o primeiro caso de um bis­po, e qual bis­po!, que se opõe aber­ta­mente ao seu Papa, e qual Papa!

Se São Paulo, pro Bono pacis, não hou­vesse se insurgi­do cora­josa­mente con­tra São Pedro, uma Igre­ja católi­ca não desvin­cu­la­da do Judaís­mo teria mor­ri­do ao nascer, nós hoje, se ain­da cristãos, estaríamos sob o jul­go da lei judaica, que Jesus em vão teria ten­ta­do sub­sti­tuir com a sua nova lei.

Con­tin­uar lendo →

O esquema preparatório sobre a liberdade religiosa

Liber­dade reli­giosa: doc­u­men­tos para um “sta­tus quaes­tio­n­is”

Dis­pu­ta­tiones The­o­log­i­cae

Um obstácu­lo teológi­co

 

A ulti­ma exposição com­ple­ta da dout­ri­na tradi­cional da “tol­erân­cia” antes da votação sobre a “liber­dade reli­giosa”

 

O tex­to que segue, extraí­do das Doc­u­men­ta Con­cílio Oec­u­meni­co Vat­i­cano II ampara­n­do a Con­sti­tu­tio De Eccle­sia, c. 9, faz parte dos arquiv­os públi­cos do Vat­i­cano II e da sua preparação que, até ago­ra tem per­maneci­do prati­ca­mente igno­ra­da. Talvez a maneira muitas vezes ide­ológ­i­ca com a qual se tra­ta a história con­cil­iar con­tribuiu para o seu “sepul­ta­men­to”.

Entre o anún­cio do Con­cílio, em 15 de janeiro de 1959 e a sua aber­tu­ra em 11 de out­ubro de 1962, uma inten­sa ativi­dade teve lugar no seio de doze comis­sões e três sec­re­tarias encar­regadas de preparar os tex­tos que seri­am dis­cu­ti­dos pelos bis­pos.

A elab­o­ração dos doc­u­men­tos dog­máti­cos sobre a Igre­ja, o depósi­to da fé, as fontes de rev­e­lação, a moral social e indi­vid­ual, foi con­fi­a­da a Comis­são teológ­i­ca pre­si­di­da pelo Cardeal Alfre­do Otta­viani, que na época diri­gia o San­to Ofí­cio. Trata­va-se das con­sti­tu­ições des­ti­nadas a for­mar a espin­ha dor­sal da assem­bleia em preparação.

À medi­da que os tra­bal­hos avançavam, fortís­si­mas ten­sões se man­i­fes­tavam entre a Comis­são Teológ­i­ca e o Sec­re­tari­a­do pela unidade dos cristãos, pre­si­di­da pelo Cardeal Agosti­no Bea, este tin­ha acres­cen­ta­do ao pro­je­to sobre o ecu­menis­mo, do qual era encar­rega­do, alguns desen­volvi­men­tos sobre a liber­dade reli­giosa. A questão teóri­ca cen­tral debati­da era a questão da relação entre a Igre­ja e o Esta­do: essa foi trata­da tan­to pelo esque­ma sobre a Igre­ja, no capí­tu­lo 9, como por aque­le sobre a liber­dade reli­giosa, orig­i­nar­i­a­mente sob um títu­lo prati­ca­mente idên­ti­co nos dois tex­tos, mas segun­do inspi­rações diame­tral­mente opostas.

O tex­to do Sec­re­tari­a­do para a unidade, derivante daque­le que foi chama­do o Doc­u­men­to de Fribur­go sub­sti­tuía a dout­ri­na tradi­cional da tol­erân­cia pos­sív­el no tra­to com o erro por aque­la do dire­ito a liber­dade. Quan­do foi apre­sen­ta­do diante da Comis­são preparatória cen­tral, em jun­ho de 1962, um cer­to número de mem­bros a declararam ina­ceitáv­el pela dout­ri­na católi­ca, basea­da nos pro­nun­ci­a­men­tos do mag­istério a par­tir do fim do sécu­lo XVIII. A Comis­são teológ­i­ca havia da sua parte pre­cisa­do o con­teú­do do capí­tu­lo 9 do De Eccle­sia para reg­u­lar o prob­le­ma da liber­dade reli­giosa, partin­do dos princí­pios. Segun­do uma séria hipótese este tex­to não seria out­ro que a recu­per­ação por parte do Padre Gag­ne­bet, encar­rega­do da redação, de um doc­u­men­to que havia já prepara­do para o San­to Ofí­cio em 1958. Este escrito devia con­denar as idéias de Jacques Mar­i­tain e de Jon Court­ney Mur­ray. Ape­nas a morte de Pio XII lhe havia impe­di­do a pub­li­cação [1]. Seria esta a últi­ma con­de­nação da liber­dade reli­giosa antes do Vat­i­cano II.

Decide-se reunir, nos três meses que restavam antes da aber­tu­ra do Vat­i­cano II, uma comis­são mista (mem­bros da Comis­são teológ­i­ca e mem­bros do Sec­re­tari­a­do pela unidade) que, de fato, não se reuniu nun­ca. Por out­ro lado, qual com­pro­mis­so pode­ria ter elab­o­ra­do?

Então, tudo teria se desen­volvi­do duran­to o Con­cílio: o capí­tu­lo 9 do De Ecce­sia teria sido aprova­do e então teria inval­i­da­do o tex­to sobre a liber­dade reli­giosa, ou este ulti­mo teria sido vota­do e a dout­ri­na do capí­tu­lo 9 teria pere­ci­do.

Se pode tran­quil­a­mente afir­mar que qual­quer um dess­es rep­re­sen­ta­va respec­ti­va­mente a pon­ta afi­a­da de dois pro­je­tos opos­tos con­cer­nentes ao Con­cílio que esta­va para abrir-se. Como é notáv­el, durante a primeira sessão, no out­ono de 1962, “a esco­la teológ­i­ca romana”, segun­do expressão em voga na época, foi ime­di­ata­mente colo­ca­da em mino­ria e con­se­quente­mente, o con­jun­to dos esque­mas prepara­dos pela Comis­são teológ­i­ca, foi var­ri­do sem serem exam­i­na­dos. O tex­to sobre a liber­dade reli­giosa do Sec­re­tari­a­do para unidade per­mane­cia então, sem um con­cor­rente. Esse foi ado­ta­do em 7 de dezem­bro de 1965.

Propo­mos aqui a tradução do Capí­tu­lo 9 do De Eccle­sia na sua ulti­ma redação, isto é, tal como foi colo­ca­do nas mãos dos Padres con­cil­iares, antes da aber­tu­ra da assem­bleia, e que con­sti­tuí de tal modo uma espé­cie de lim­ite: com todo o seu apara­to de refer­ên­cia, que esti­mo útil repro­duzir lhe inte­gral­mente, essa é a ulti­ma e cer­ta­mente a mel­hor sín­tese daqui­lo que foi a dout­ri­na da Igre­ja sobre a questão até ao Con­cílio.

Abbé Claude Barthe

Con­tin­uar lendo →

Powered by WordPress. Designed by WooThemes

Seguir

Obtenha todo novo post entregue na caixa de entrada do seu email.

Junte-se a outros seguidores