Archive | Escatologia

LUZ DO APOCALIPSE

R. Th. Calmel O.P.

 

TEOLOGIA DA HISTÓRIA

 

CAPÍTULO SEGUNDO

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]  

 

 

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Podem-se encon­trar estra­nhas, com­pli­cadas e as vezes até mes­mo descon­cer­tantes visões, sem­pre grandiosas, do Apoc­alipse de São João. Não se pode porém acusá-lo de fornecer uma idéia mile­nar­ista ou pro­gres­sista da história. Neste não se encon­tra uma só alusão, por quan­to sútil a supon­ha, a uma ascen­são do ser humano para uma super-humanidade, nem a uma trans­fig­u­ração da Igre­ja mil­i­tante em um Igre­ja onde não exis­tem mais pecadores ou que cessem de ser um alvo aos ataques das duas Bestas. Sob qual­quer for­ma que se apre­sente, o mito do pro­gres­so é total­mente estran­ho a rev­e­lação do vidente de Pat­mos; este mito, como ver­e­mos, é de fato destruí­do pelas suas rev­e­lações. A razão maior, na per­spec­ti­va do Após­to­lo João, inspi­ra­do pelo Sen­hor, é a impen­sáv­el here­sia ultra­mod­er­na segun­do a qual a con­strução da humanidade através da bus­ca, da ciên­cia e da orga­ni­za­ção ter­mi­nar­ia bem rápi­do por iden­ti­ficar-se com a Igre­ja de Deus.

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MUNDIALISMO, BENSON, ORWELL E O CARDEAL NEWMAN — 1a parte

 

(1a parte)

BENSON E “O SENHOR DO MUNDO

 

 

d. CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

27 de dezem­bro de 2010

http://www.doncurzionitoglia.com/mondialismo_benson.htm

 

 

Em muitos pon­tos, os hereges estão comi­go, em  out­ros pon­tos não; mas por causa destes poucos pon­tos nos quais se sep­a­ram de mim, a eles não serve de  nada  estar comi­go em todo o resto”

(S. Aug., In Psal. 54, n. 19; PL 36, 641).

 

Pról­o­go


clip_image001[6]No arti­go prece­dente tratei da Europa de Maas­tricht como ten­ta­ti­va de con­stru­ir o “mundi­al­is­mo”, a “glob­al­iza­ção” e de instau­rar a “Nova Ordem Mundi­al”, comen­tan­do o livro de Ida Magli, A ditadu­ra européia (Milão, Riz­zoli, 2010). Ago­ra vou resumir o que foi escrito por dois lit­er­atos ingle­ses em 1907 (Ben­son) e em 1948 (Orwell), e retomar um dis­cur­so pub­li­ca­do pelo L’Osservatore Romano em 14 de maio de 1879 sobre o lib­er­al­is­mo como prin­ci­pal inimi­go do catoli­cis­mo, que foi feito em 13 de maio do mes­mo ano pelo Card. John Hen­ry New­man. Sur­preen­dentes as suas intu­ições sobre aqui­lo que seria a sociedade lib­er­al e glob­al­iza­da, na qual tudo é líc­i­to, exce­to a ver­dade e o bem, na qual nos encon­tramos viven­do hoje, como demon­stra­do pelo livro de Ida Magli e pelos acon­tec­i­men­tos que se desen­volver­am sob os nos­sos olhos.

(1a parte)

*

BENSON E “O SENHOR DO MUNDO

 

 Robert Hugh Ben­son nasceu na Inglater­ra em 1871 e mor­reu em 1914. Era o quar­to fil­ho do Arce­bis­po angli­cano de Can­ter­bury e se con­verte ao Catoli­cis­mo em 1903 aos 32 anos; no ano suces­si­vo foi orde­na­do sac­er­dote. Escreveu numerosos livros sobre a vida dos san­tos em caráter históri­co-ascéti­co para enquadrar e resolver a dico­to­mia entre protes­tantismo, mes­mo o mais con­ser­vador como aque­le angli­cano, e o catoli­cis­mo romano. Os seus livros tem então, uma forte car­ga apologéti­ca e uma enér­gi­ca vis polem­i­ca (luta para esta­b­ele­cer a ver­dade e refu­tar o erro) evi­tan­do toda con­fusão irêni­ca (ces­sação de toda dis­pu­ta volta­da a bus­ca da ver­dade sob a acusação de paci­fis­mo). O livro do qual me ocupo no pre­sente arti­go (“O sen­hor do mun­do”) foi escrito em 1907, o ano da con­de­nação do mod­ernismo com a Pas­cen­di de São Pio X, e foi traduzi­do e pub­li­ca­do em ital­iano pela primeira vez em 1921 em Flo­rença. Em 1987 graças ao inter­esse do Card. Gia­co­mo Bif­fi foi reed­i­ta­do pela Jaca Book de Milão com três edições (1997 e 2008) e dezes­seis reim­pressões. Ben­son, com um esti­lo ver­dadeira­mente admiráv­el, retoma o tema desen­volvi­do por São Pio X na sua primeira encícli­ca E supre­mi apos­to­la­tus cathe­dra de 1904, na qual o Papa Sar­to obser­va­va que os males que cir­cun­dam o mun­do e a Igre­ja são de tal for­ma graves, que fazem pen­sar que o Anti­cristo este­ja já pre­sente nele.

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O MESSIANISMO TERRENO

 

Da Apoc­alíp­ti­ca ao Mundi­al­is­mo hebraíco/sionista

Don Curzio Nitoglia

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

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«Quem quer faz­er Teolo­gia não pode igno­rar o prob­le­ma hebraico e quem faz políti­ca non pode não recor­rer a Teolo­gia».

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Lit­er­atu­ra apoc­alíp­ti­ca

·         A Apoc­alíp­ti­ca não é para ser con­fun­di­da com o Apoc­alipse de São João, que «no sécu­lo XVIII foi um dos maiores alvos da críti­ca anti-reli­giosa do ilu­min­is­mo int­elec­tu­al­ista». A Lit­er­atu­ra Apoc­alíp­ti­ca é o «com­plexo de escritos pseudôn­i­mos judaicos  surgi­dos entre o séc. II a. C. e o séc. II d. C. ». A Apoc­alíp­ti­ca nasce no tem­po em que o Helenis­mo pagão tri­un­fa em Israel, que é oprim­i­do e o Tem­p­lo é pro­fana­do (168–164 a. C.). Então, depois do suces­so de Antío­co Epí­fanes (+ 164 a. C.), a con­quista da Judeia por parte de Roma com Pom­peu (63 a.c.) e a destru­ição do Tem­p­lo com Tito (70 d.C) e da Judeia com Adri­ano (135 d.C.) se acende sem­pre mais a esper­ança do res­gate nacional judaico  sob a guia dos “fal­sos pro­fe­tas” pred­i­tos por Jesus. A Apoc­alíp­ti­ca apócri­fa, para reforçar este revan­chis­mo nacional­ista, se serve dos Pro­fe­tas canôni­cos do Anti­go Tes­ta­men­to e lhes enrique­cem de predições imag­i­na­ti­vas que descrevem o tri­un­fo de Israel sobre Pagãos ou não hebreus (goyjim): «Israel será lib­er­ta­do e vin­ga­do, e, guia­do por Jah­weh e pelo seu Mes­sias, se sacia­rá na paz e na abundân­cia; as 12 Tri­bos voltaram para imper­ar sobre os Gen­tios doma­dos e pisa­dos». A Apoc­alíp­ti­ca apócri­fa judaica tem um caráter emi­nen­te­mente “esotéri­co” e é atribuí­da comu­mente aos Essênios. Mon­sen­hor Antoni­no Romeo escreve que a matéria da Apoc­alíp­ti­ca é ide­ológ­i­ca, políti­ca e escat­ológ­i­ca, essa tra­ta « da vin­gança final div­ina sobre as forças do mal tri­un­fantes atual­mente; da vin­gança sobre os Gen­tios e da restau­ração glo­riosa de Israel. […]. O Reino de Deus reveste geral­mente o aspec­to nacional­ista-ter­reno: esma­gante vin­gança de Israel, cumu­la­do para sem­pre de pros­peri­dade e de domínio». O reino de Israel ou do Mes­sias, que coin­cide com a Nação judaica, “será deste mun­do, […], e trará de vol­ta o Éden aqui embaixo. Em tal con­cessão judaica, a pes­soa humana con­ta bem pouco: Israel se tor­na real­i­dade abso­lu­ta e tran­scen­dente, a redenção é cole­ti­va em vez de indi­vid­ual, antes cós­mi­ca mais que antropológ­i­ca. […]. O Mes­sias é rep­re­sen­ta­do como um rei e um herói mil­i­tante. […]. Jamais o Mes­sias é vis­lum­bra­do como reden­tor espir­i­tu­al, expi­ador dos peca­dos do mun­do”. Em breve «o tema supre­mo apare­cerá em função exclu­si­va da glo­ri­fi­cação de Israel, a ‘fé’ é a impa­ciente espera pela ansi­a­da vin­gança sobre os Gen­tios. A aspi­ração a união com Deus, o amor de Deus e do próx­i­mo estão com­ple­ta­mente fora destes escritos Apoc­alíp­ti­cos, que fomen­tam a paixão da vin­gança e do domínio mundi­al […]. Para os Gen­tios os Apoc­alíp­ti­cos são implacáveis: toda com­paixão por eles pas­saria por debil­i­dade na fé. […]. Os ‘videntes’ da Apoc­alíp­ti­ca enraive­cem, com volup­tu­osi­dade fer­oz e ódio insaciáv­el  Os “apoc­alipses” assumem um lugar deci­si­vo na odiosa pro­pa­gan­da con­tra os Gen­tios; são armas de guer­ra […]; ao con­trário do Evan­gel­ho (Mt. VI, 34), a religião Apoc­alíp­ti­ca tem uma só pre­ocu­pação e ânsia: o Futuro […] os Impérios dos Gen­tios se aniquilarão um após o out­ro até que o domínio uni­ver­sal não passe a Israel». Daí resul­ta «o par­tic­u­lar­is­mo judaico  con­de­na­do pelo Evan­gel­ho. O mais ambi­cioso nacional­is­mo encar­ece as suas pre­ten­sões. Os Gen­tios são mais desprezadas e odi­a­dos do que nun­ca: o fos­so entre Israel e ess­es se trans­for­ma em um abis­mo». Segun­do alguns exege­tas (J. Klaus­ner) a Apoc­alíp­ti­ca “atua como um elo de lig­ação entre o Vel­ho Tes­ta­men­to e o Tal­mude” e o “seu eso­ter­is­mo se aprox­i­ma da Cabala (Romeo/Spadafora, cit.). Todavia, especi­fi­ca Mon­sen­hor Romeo, «a Apoc­alíp­ti­ca fal­si­fi­cou o Vel­ho Tes­ta­men­to e, abaixan­do o ide­al mes­siâni­co dos Pro­fe­tas, obstru­iu as vias do Evan­gel­ho e preparou os Judeus para rejeitar Jesus. Apre­sen­tan­do um Mes­sias que restau­ra em Israel a inde­pendên­cia políti­ca e lhe procu­ra o domínio uni­ver­sal, a Apoc­alíp­ti­ca acen­tu­ou o par­tic­u­lar­is­mo nacional­ista e impul­siona Israel a rebe­lião con­tra Cristo e con­tra Roma, e então ao desas­tre».

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Martin, o “resignation protocol” e o NWO

 

Fides et for­ma — Francesco Colafem­i­na

 

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

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Um secretário de Esta­do que inci­ta repeti­da­mente o Papa a assi­nar um “pro­to­co­lo de renún­cia ao Papa­do”. Uma Igre­ja destruí­da pelos inimi­gos no seu inte­ri­or. O escân­da­lo da ped­ofil­ia, com um dos seus cen­tros na dio­cese de Cen­tu­ry City (Los Ange­les). Forças inter­na­cionais inter­es­sadas em mudar o mag­istério da Igre­ja e a enfraque­cer o Papa­do. Um Papa que deve demi­tir-se sob as pressões dos instau­radores da Nova Ordem Mundi­al.

Não, não é a real­i­dade destes dias, mas a ter­rív­el história do con­tro­ver­tido jesuí­ta Malachi Mar­tin desa­pare­ci­do em 1999 e con­ti­do no seu romance de que já falei no pas­sa­do: Windswept House.

Tradu­zo algu­mas ilu­mi­nantes pas­sagens deste extra­ordinário romance. Enquan­to isso, reze­mos pelo Papa.

***

Ao Papa (o Papa Esla­vo o define Mar­tin, pen­san­do obvi­a­mente em João Paulo II) é entregue um dos­siê reser­va­do que colo­ca a luz as dis­torções e os ver­dadeiros e próprios crimes cometi­dos por tan­tos cléri­gos no mun­do. Isto acon­tece, enquan­to a pressão mundi­al­ista para que a Igre­ja, através de um pro­nun­ci­a­men­to mag­is­te­r­i­al do Papa, proclame algu­mas recon­sid­er­ações da éti­ca católi­ca. Ao mes­mo tem­po, o Papa já ancião e doente, vem inci­ta­do por um pequeno cír­cu­lo de Cardeais a renun­ciar afim de lhes con­fi­ar a tare­fa de nomear um Papa mais “com­patív­el” com as exigên­cias do “mun­do”.

Homos­sex­u­al­is­mo e satanis­mo estavam entre os vírus mais anti­gos insin­u­a­dos no cor­po políti­co da Igre­ja. A difer­ença era que ago­ra dado de fato que a ativi­dade homos­sex­u­al e satâni­ca tin­ha obti­do um novo sta­tus no inte­ri­or daque­le cor­po políti­co. Em alguns setores da Igre­ja os seus mem­bros eram vin­dos das per­ife­rias e recla­mavam ser rep­re­sen­ta­dos na praça públi­ca da vida da Igre­ja. A sua aparente aceitabil­i­dade entre seus cole­gas e asso­ci­a­dos era um sinal que todos os impli­ca­dos neste proces­so tin­ham ces­sa­do de crer nos ensi­na­men­tos da Igre­ja. Alguns eram tidos tão alheios ao catoli­cis­mo, que não pode­ri­am mais ser incluí­dos entre os Católi­cos. E ain­da nen­hum deles que­ria sair da Igre­ja, como tin­ha feito Mar­t­in­ho Lutero. E nen­hum deles que­ria nem mes­mo viv­er de algum modo na Igre­ja de acor­do com as suas regras e a sua dout­ri­na, como tin­ha feito Eras­mo.

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MUNDIALISMO, BENSON, ORWELL E O CARDEAL NEWMAN – 2a parte

Orwell 1984 — New­man e lib­er­al­is­mo

d. CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

28 dicem­bre 2010

http://www.doncurzionitoglia.com/mondialismo_orwell_e_newman.htm

 

 

a) GEORGE ORWELL “1984”

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Pro­l­o­go

Em 1903 Eric Arthur Blair, ver­dadeiro nome de George Orwell, nasce em Ben­gala, onde o pai é fun­cionário estatal do Reino Unido. Em 1904 retor­na a Inglater­ra com a mãe. Em 1922 se alista na Polí­cia impe­r­i­al indi­ana em Bir­mâ­nia. Em 1936 se inscreve no Par­tido social­ista inglês e parte vol­un­tário para aju­dar os “ver­mel­hos” na guer­ra civ­il espan­ho­la. Porém, ali é persegui­do pelos comu­nistas stal­in­istas, porque ele é trotzk­ista; em 1939 é expul­so da Espan­ha como anárquico pelos “ver­mel­hos” (e não por Fran­co). Em 1946 ini­cia a elab­o­ração do seu ulti­mo romance “1984” que dese­jou inti­t­u­lar “O ulti­mo homem da Europa” [1]; o ter­mi­na pouco antes de mor­rer em Lon­dres em 21 de janeiro de 1950. A sua for­mação social­ista ide­al­ista e utopista o acom­pan­hou por toda a vida. O próprio esti­lo do romance  lhe ressente: não é muito bril­hante, antes é com­paráv­el a per­ife­ria das grandes metrópoles hodier­nas, fal­ta esper­ança, é som­brio e angus­tiante. Todavia ele intu­iu que a sociedade esta­va se encam­in­han­do para uma homolo­gação e homo­geneiza­ção mundi­al­ista e glob­al­izante, para ele cumpri­da, porém, pelo comu­nis­mo real soviéti­co ou estal­in­ista e não pelo lib­er­al­is­mo maçôni­co, como para Ben­son e New­man. O romance é inter­es­sante, mas fal­ta a visão teológ­i­ca da história; cap­ta ape­nas a dimen­são socioe­conômi­ca e o lado desumano e total­itário do comu­nis­mo abso­lutista soviéti­co. Os traços que para Orwell car­ac­ter­i­zam a sociedade mundi­al­ista do futuro “1984” (para Ben­son foi o “1989”) são o total­i­taris­mo, a per­da da memória históri­ca, a fal­si­fi­cação de todo traço históri­co, a per­da do con­ta­to com o real, a cor­rupção da lin­guagem através do bar­baris­mo e neol­o­gis­mos de pés­si­mo gos­to, a anu­lação da iden­ti­dade do indi­vid­uo, que se perde na sociedade uni­ver­sal. Todavia per­manece um ulti­mo homem livre, que, porém, será aniquila­do sem algu­ma esper­ança (da qual como social­ista o Autor esta­va total­mente pri­va­do) do poder anôn­i­mo da “nova ordem mundi­al” e da mas­si­fi­cação total­i­tarista.

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