Archive | História

CARDEAL GIUSEPPE SIRI: A ALTERAÇÃO DA HISTÓRIA


Cardeal Giuseppe Siri
Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

A cul­tura uni­ver­sal do nos­so tem­po, em todas as suas man­i­fes­tações,  reper­cussões int­elec­tu­ais e práti­cas, é dom­i­na­da em pro­fun­di­dade e na super­fí­cie por uma ori­en­tação do pen­sa­men­to e da sen­si­bil­i­dade que se esforça para se exprim­ir com a palavra “história” e seus deriva­dos. Aqui­lo que cada vez se entende com a palavra “história” é uma noção ou uma real­i­dade ou ain­da uma qual­i­dade vari­abílis­si­ma que per­mite ori­en­tar o pen­sa­men­to e o dis­cur­so, sobre a base deste mes­mo mutáv­el vocábu­lo, em difer­entes direções, em modo que as coisas e os vocab­ulários não pos­sam mais ter, nem no ínti­mo do homem, nem no dis­cur­so, um sig­nifi­ca­do uni­ver­salmente com­preen­di­do e admi­ti­do. Con­tin­uar lendo →

ROMA PAGÃ E ROMA CRISTÃ

- SEGUNDO O CARDEAL ALFREDO OTTAVIANI-

 

DON CURZIO NITOGLIA

24 de setem­bro de 2012

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

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Pról­o­go

O Cardeal ALFREDO OTTAVIANI († 1979) deu uma con­fer­ên­cia em Roma nos anos Trin­ta, através do Insti­tu­to de Estu­dos Romanos, que cer­ca de dez anos depois se expandiu chegan­do as pren­sas sob o títu­lo “Luz da Roma cristã no Dire­ito” (Cit­tà del Vat­i­cano, Tipografia Poliglota Vat­i­cana, 1943). Ago­ra faço uma breve sín­tese do livro e em breve pub­li­carei no meu site o tex­to inte­gral em for­ma­to PDF.

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O MODERNISMO REFORMISTA

La Civiltà Cat­toli­ca, anno 59°, vol. 4 (fasc. 1401, 29 out­ubro de 1908), Roma 1908, pag. 288–301.

O MODERNISMO REFORMISTA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

O heréti­co – que é anárquico na ordem reli­giosa e moral – insurge vol­un­tari­a­mente, como anárquico politi­co e social, em nome de qual­quer ideia, ou mel­hor, de qual­quer palavra sub­lime, par­tic­u­lar­mente ao som grandioso de ren­o­vação, de pro­gres­so e de refor­ma. Somente, quan­do da altura da espec­u­lação desce para a enormi­dade da apli­cação, a práti­ca, ele se desco­bre como é de fato: sob o man­to do refor­mador auda­cioso um abje­to e orgul­hoso per­verte­dor.  Toda a história dos sécu­los cristãos é ple­na deste fato: e o fato, de resto, tem a sua raiz no instin­to, já fre­quente­mente denun­ci­a­do, do erro e do vicio, que é de trans­fig­u­rar-se no sem­blante de ver­dade e de vir­tude. É então suma­mente ben­eméri­to quem lhe arrebatan­do a más­cara a tem­po, colo­ca-lhe o nu da feia figu­ra, antes que a sim­u­lação adquira crédi­to e potên­cia em dano da religião e da moral, da Igre­ja e da sociedade. Ora, isto ocor­reu ao mod­ernismo, graças, sobre­tu­do a vig­orosa encícli­ca Pas­cen­di: isto aparece na sua ver­gonhosa nudez, não sábio refor­mador, qual osten­ta, mas destru­idor insip­i­ente e per­verte­dor. E tal deve­mos tam­bém mostra-lo ago­ra breve­mente, sobre os traços da encícli­ca, para con­cluir, com esta ráp­i­da olha­da, o nos­so já muito lon­go trata­men­to do mod­ernismo.

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PAULO VI, JOÃO PAULO II E A HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE

d. CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]
9 fevereiro de 2011

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PAULO VI
PAULO VI denun­ciou “uma fal­sa e abu­si­va inter­pre­tação do Con­cílio, que seria uma rup­tura com a Tradiçãotam­bém doutri­nal, chegan­do ao repú­dio da Igre­ja pré-con­cil­iar, e a licença de con­ce­ber uma “nova” Igre­ja, quase re-inven­ta­da do seu inte­ri­or, na con­sti­tu­ição, no dog­ma, no cos­tume e no dire­ito (Declar­ação con­cil­iar de “6 de março de 1964”, repeti­da em “16 de novem­bro de 1964). Sem­pre PAULO VI, em setem­bro-out­ubro de 1964, durante o perío­do “obscuro” – como o chamavam os ino­vadores – no qual a ofen­si­va do Coe­tus Inter­na­tion­alis Patrum e dos cardeais mais anti-mod­ernistas da Cúria Romana se fez sen­tir mais forte­mente, disse que a Cole­gial­i­dade dev­e­ria ser lida “em conexão com o Con­cílio Vat­i­cano I” (o qual ao invés, é a apo­teose do Pri­ma­do monárquico do Papa e por­tan­to exata­mente opos­to da cole­gial­i­dade epis­co­pal), do qual o Vat­i­cano II é “a con­tin­u­ação lóg­i­ca”(1). Tam­bém ain­da PAULO VI nes­ta óti­ca da con­tinuidade em “18 de novem­bro de 1965” infor­mou o Con­cílio que “seria intro­duzi­da a causa de beat­i­fi­cação de Pio XII e João XXIII”(2). Jan Grooaters expli­ca que “uma das maiores pre­ocu­pações” de PAULO VIfoi a preparação dos fiéis, mas sobre­tu­do dos sac­er­dotes, para a recepção do Con­cílio: mais que os out­ros, ele tin­ha com­preen­di­do que o des­ti­no do Vat­i­cano II seria deci­di­do no desen­volvi­men­to pós-con­cil­iar. […] Pela neces­si­dade de refor­mar a Cúria Romana, de con­vertê-la de qual­quer modo ao Con­cílio, mas ao mes­mo tem­po de reasse­gu­rar…[…]. Foi toca­do a desem­pen­har uma tare­fa de sen­tinela, ten­do, em algu­mas cir­cun­stân­cias relações muito estre­itas com a opinião públi­ca da Igre­ja que com o Con­cílio e a Cúria […] para asse­gu­rar o máx­i­mo pos­sív­el o con­tín­uo pedi­do do pós-con­cílio. […]. Pre­ven­do no futuro causas de ten­são, PAULO VI que­ria dar a atu­ação do ren­o­va­men­to um rit­mo o quan­to pos­sív­el Uni­forme, exor­tan­do os retar­datários a apres­sar o pas­so e moderan­do a impaciên­cia de quem que­ria estar muito a frente de seu tem­po. […]. O Papa pare­cia pre­ocu­pa­do em faz­er qual­quer con­ceção a cor­rente minoritária [anti-mod­ernista], para obter na votação final um resul­ta­do o mais pos­sív­el viz­in­ho a unân­im­i­dade moral […] No começo do quar­to e últi­mo perío­do do Con­cílio (“setem­bro de 1965”), sen­tiu-se que a ação do Papa tin­ha assum­i­do um carác­ter mais dire­ti­vo, para­le­la­mente a enfraque­cer como lead­er­ship da cor­rente majoritária. Se disse então que “os heróis estavam cansa­dos” e que os Bis­pos dese­javam voltar para casa. […]. Se deve a PAULO VI o méri­to de ter agi­do em sen­ti­do “mais pro­gres­sista” do que a maio­r­ia dos Bis­pos con­cil­iares. Deve­mos recon­hecer que um dos prin­ci­pais méri­tos de Paulo VI na imple­men­tação do Vat­i­cano II con­sis­tiu em preparar as condições para que sua atu­ação se pro­lon­gasse no tem­po e que fos­se então con­cil­iáv­el com o con­tex­to e os cos­tumes de toda a Igre­ja. Em con­clusão, PAULO VI parece que havia sobre­tu­do tra­bal­ha­do para traduzir o even­to con­cil­iar em insti­tu­ição”(3). PAULO VI no dis­cur­so ao Sacro Colé­gio dos Cardeais em “23 de jun­ho de 1972” denún­ciou ““uma fal­sa e abu­si­va inter­pre­tação do Con­cílio, que seria uma rup­tura com a Tradição, tam­bém doutri­nal, chegan­do ao repú­dio da Igre­ja pré-con­cil­iar, e a licença de con­ce­ber uma “nova” Igre­ja, quase re-inven­ta­da do seu inte­ri­or, na con­sti­tu­ição, no dog­ma, no cos­tume e no dire­ito”.

A questão do liberalismo diz respeito aos mais graves interesses e aos mais fundamentais dogmas do cristianismo.

R. P. Hen­ri Ramière d.C.d.G. (1821–1884)

Da: Les doc­trines romaines sur le libéral­isme envis­agées dans leur rap­ports avec le dogme chré­tien et avec les besoins des soci­etes mod­ernes, Paris 1870 pag. 1–19. Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

 

Antes de tudo é impor­tante esclare­cer para van­tagem daque­les católi­cos que não enten­dem a lig­ação entre a questão do lib­er­al­is­mo e do dog­ma católi­co e que acred­i­tam defend­er seri­amente os inter­ess­es da Igre­ja acon­sel­han­do-lhes a sep­a­rarem-se, sobre este pon­to, de sua própria tradição.

I – Origem do lib­er­al­is­mo

Para faz­er-lhes com­preen­der que se enganam, bas­ta recor­dar a sua história recente; digam-nos eles como a dout­ri­na que gostari­am que fos­se acei­ta pela Igre­ja se intro­duz­iu no mun­do. O sabem bem como nós; até o sécu­lo pas­sa­do essa não tin­ha encon­tra­do um só defen­sor, nem no inte­ri­or do cris­tian­is­mo nem no seio do pagan­is­mo. No mun­do bár­baro como naque­le civ­i­liza­do foi sem­pre acor­da­do fun­dar a garan­tia das insti­tu­ições soci­ais nas crenças reli­giosas; e Rousseau, quan­do afir­ma que nen­hum Esta­do foi jamais fun­da­do sem que a religião lhe servisse de base, não fazia que con­statar o teste­munho certís­si­mo da história e resumir os ensi­na­men­tos dos filó­so­fos pagãos, como tam­bém dos doutores cristãos.

Quan­do então se pen­sou repu­di­ar esta con­stante e uni­ver­sal per­suasão do gênero humano? Quem são aque­les novos sábios que inven­taram uma teo­ria igno­ra­da ou rejeita­da pelos mestres da anti­ga sapiên­cia?

Sabe­mos bem quem são estes sábios; são aque­les que, no sécu­lo pas­sa­do, declararam a Jesus Cristo e a sua Igre­ja uma guer­ra mor­tal e que, para tri­un­far nes­ta guer­ra, empreen­di­da segun­do eles para o tri­un­fo da ver­dade e da justiça, fiz­er­am uso das mais mal­vadas calú­nias e das mais audazes men­ti­ras.

Já esta origem é assaz sus­pei­ta, e os católi­cos que hoje se fazem pro­mo­tores de uma dout­ri­na inven­ta­da pelos inimi­gos mais mor­tais do catoli­cis­mo tem ver­dadeira­mente neces­si­dade de toda a gen­erosi­dade de seus corações para não tornarem-se cientes do grave risco que cor­rem ao serem chama­rizes de uma mist­i­fi­cação infer­nal. Con­tin­uar lendo →

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