Archive | Literatura

[TOLKENIANA] ÉOWYN: UMA MULHER COMO DEUS ORDENA

ISACCO TACCONI
Radio Spa­da
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Devo con­fes­sar a min­ha obje­ti­va difi­cul­dade em escr­ev­er sobre a mul­her em ger­al e, no pre­sente caso, das fig­uras fem­i­ni­nas tolkieni­anas por uma dupla razão: 1) a criatu­ra «mul­her» é a meu ver um ver­dadeiro e próprio mis­tério ain­da não ple­na­mente com­preen­di­do, o qual papel teológi­co na história do mun­do e da Igre­ja é tão com­plexo quan­to cru­cial; 2) Os per­son­agens tolkieni­anos acres­cen­tam a essa com­plex­i­dade que definirei «ginecológ­i­ca», dos extratos e das nuanças numerosas ao menos quan­to refi­nadas. Por isso «o dev­er do necessário se tor­na árduo quase ao helêni­co tropo, e para não lançar fora as sementes con­ser­van­do sãos espíri­to e mente, vou bus­can­do luzes e graças Daque­le que ape­nas a recebe e dá em cópia a raça humana».Não por aca­so os poet­as de todos os tem­pos requer­eram o socor­ro de uma «Musa» (a par­tir da qual a «músi­ca»), espe­cial­mente para can­tar as vir­tudes e as graças de uma criatu­ra como a mul­her que, se inten­ta e se recol­he na piedade e a cari­dade, pode tornar sinal predile­to de coisas celestes.

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O NAPOLEÃO DE NOTING HILL: ENTRA UM LUNÁTICO

Chesterton

Livro II

Entra um Lunático

O Rei das Fadas, que foi, pre­sum­i­da­mente, o padrin­ho do rei Auberon, deve ter favore­ci­do muito o seu fan­tás­ti­co afil­ha­do neste dia em par­tic­u­lar, pois com a entra­da da guar­da do super­in­ten­dente de Not­ting Hill havia uma cer­ta adição mais ou menos inex­plicáv­el para o seu deleite. Os tra­bal­hadores braçais mis­eráveis e home­ns-san­duíche que lev­avam as cores de Bayswa­ter ou South Kens­ing­ton, con­trata­dos ape­nas para o dia para sat­is­faz­er o pas­satem­po real, ficavam na sala com um ar com­par­a­ti­va­mente com­pungi­do, e uma grande parte do praz­er int­elec­tu­al do rei con­sis­tia no con­traste entre a arrogân­cia de suas espadas e penas e a mansa mis­éria de seus ros­tos. Mas ess­es alabardeiros de Not­ting Hill, em suas túni­cas ver­mel­has com cin­to de ouro, tin­ham o ar de uma gravi­dade absur­da. Eles pare­ci­am, por assim diz­er, tomar parte da brin­cadeira. Eles mar­charam e des­filavam em suas posições com uma quase sur­preen­dente dig­nidade e dis­ci­plina.

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Quando o homem X encontra a mulher Y eis que se esposam»: o amor em Giovannino Guareschi

Guareschi

Radio Spa­da
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

«Se uma mul­her te ama, tu falas e ao invés can­tas.
As palavras são a músi­ca do coração»
(Obser­vações de um alguém, “La bohème)

Tem­pos feios para o amor, muitas vezes reduzi­do a bor­bo­le­tas que voam no estô­ma­go (a psi­colo­gia mod­er­na sug­ere que exis­tam colô­nias de largatas prontas a abrirem-se em nos­so estô­ma­go não, logo que nos apaixon­ar­mos) ou a bru­tal posse do out­ro. Se se quer com­preen­der que coisa seja real­mente o amor é bom ter em mãos um dos tan­tos “con­tos de vida famil­iar” de Gio­van­ni­no Guareschi.
O ele­men­to fun­da­men­tal no namoro é – como escreve Guareschi – o des­ti­no: «quem tem a parte mais impor­tante é o des­ti­no: Deus lhe faz e depois lhe acom­pan­ha. Um homem X nasceu para esposar uma mul­her Y. E vice-ver­sa. Quan­do o homem X encon­tra a mul­her Y eles se esposam», ou: «toda mul­her esposa o seu mari­do e todo homem esposa a sua mul­her». Expli­ca­do assim, o namoro parece uma espé­cie de equação e, em parte, o é. Um homem é cri­a­do para enam­orar-se de uma só mul­her, que dev­erá amar com todas as suas forças todos os dias da sua vida e pela qual dev­erá estar dis­pos­to a sac­ri­ficar tam­bém a própria vida. O amor de dois namora­dos é esculpi­do na eternidade do céu, como escreve – com maior del­i­cadeza – T.S. Eliot: «te amei des­de o começo do mun­do, porque antes que eu e ti nascêsse­mos, o amor que nos uniu já exis­tia».

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O Napoleão de Noting Hill: o jogo “engane o profeta”

O Napoleão de Noting Hill

Chesterton

Livro I

Capítulo I

Observações introdutórias sobre a Arte da Profecia

A raça humana, a que muitos de meus leitores per­tencem, diverte-se com jogos infan­tis des­de o iní­cio dos tem­pos, e provavel­mente vai fazê-lo até o fim, o que é um incô­mo­do para as pou­cas pes­soas cresci­das. E um dos jogos predile­tos é chama­do deMan­ten­ha o aman­hã mis­te­rioso, e que tam­bém é chama­do (pelos cam­pone­ses em Shrop­shire, não ten­ho dúvi­da) Engane o Pro­fe­ta. Os jogadores ouvem com mui­ta atenção e respeito a tudo o que os home­ns inteligentes têm a diz­er sobre o que deve acon­te­cer na próx­i­ma ger­ação. Os jogadores então esper­am até que todos os home­ns inteligentes este­jam mor­tos, e os enter­ram com respeito. Então, fazem algu­ma out­ra coisa. Isto é tudo. Para uma raça de gos­tos sim­ples, no entan­to, é muito diver­tido.

A humanidade, como uma cri­ança, é teimosa e ado­ra seg­red­in­hos. E des­de o iní­cio do mun­do nun­ca fez o que os sábios dizem ser inevitáv­el. Eles ape­dre­jaram os fal­sos pro­fe­tas, diz-se, mas eles pode­ri­am ter ape­dre­ja­do os ver­dadeiros pro­fe­tas com um praz­er maior e mais jus­to. Indi­vid­ual­mente, os home­ns podem apre­sen­tar uma aparên­cia mais ou menos racional, com­er, dormir, ou plane­jar algo. Mas a humanidade como um todo é mutáv­el, mís­ti­ca, incon­stante, deli­ciosa. Os home­ns são home­ns, mas o Homem é uma mul­her.

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O retorno de Dom Quixote

O retorno de Dom Quixote:
uma aven­tu­ra picaresca
em bus­ca da
humanidade per­di­da.

Listener

Radio Spa­da
Luca Fuma­gal­li
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

A vida é a mais extra­ordinária das aven­turas,
mas só a desco­bre o aven­tureiro”
G. K. Chester­ton

Na ver­dade poucos escritores como Chester­ton tem a capaci­dade de emo­cionar. Cada livro, de fato, é uma espé­cie de doce son­ho, berço e afa­go para o leitor, para depois fazê-lo acor­dar impro­visada­mente. Não se entende nat­u­ral­mente o mero sen­ti­men­tal­is­mo, mas aque­la capaci­dade extra­ordinária, tão típi­ca do escritor inglês, de mover cada menor fibra da alma em direção da Ver­dade, daque­le Cristo mor­to para red­imir a mal­dade do homem, aque­le Deus encar­na­do a quem o próprio Chester­ton se ren­deu durante a sua vida.

Eis então que cada pági­na rever­bera aque­la certeza de que a Igre­ja Católi­ca trans­mite de ger­ação em ger­ação.  Cada palavra é uma fes­ta da sim­pli­ci­dade e da comoção, de tudo aqui­lo que tor­na o homem dig­no, daque­le ali­men­to de sen­so que vem muito antes dos dire­itos humanos, porque essên­cia dos dire­itos do Cri­ador. Desar­ma­do, o leitor se encon­tra diante de uma prosa provo­catória e “sur­re­al­ista” que desmon­ta cada certeza, mas que resti­tui aque­la ale­gria de viv­er sob o estandarte de Cristo, ao ensi­na­men­to da devoção e da san­ti­dade.

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