Índole pastoral do Vaticano II: uma avaliação.

Fratres in Unum

Apresentamos a tradução da preleção de Monsenhor Brunero Gherardini no Congresso sobre o Vaticano II realizado em Roma, em dezembro de 2010, pelos Franciscanos da Imaculada.

Por Monsenhor Brunero Gherardini

Fratres in Unum.com | Com a generosa contribuição de Gederson Falcometa – Era uma vez a ave Fênix. Todo mundo falava dela, mas nunca ninguém a havia visto. E hoje há uma versão sua aggiornata, da qual todos também falam e ninguém sabe dizer do que se trata: chama-se Pastoral.

1 – A Palavra – Sejamos bem claros: a palavra em si não é um problema, sendo evidente a sua derivação de pascere: verbo que vem do latim pabulum (pasto, alimento), da qual surge uma família não muito numerosa, mas bem identificável em seus componentes: pascere, precisamente, no sentido de conduzir à pastagem e dar de comer; pastum, do qual uma clara tradução é o italiano pasto [alimento, comida], mas que também pode se traduzir com cibo [pasto, comida] ; pastor, indicando que conduz ao pabulum, dá alimento e mantém rebanhos e manadas. Pastor se torna, por sua vez, o pai de pastoricia ars, em italiano pastorizia, ou a arte de quem cria animais; de pastura, com o significado de pasto aberto, e de pastu — ou pastoral, já presente no latim tardio para descrever o “vestuário, os alimentos, os costumes, a linguagem do pastor. Não descende, todavia, a pasteurização, ou procedimento de conservação de elementos líquidos, como o leite, porque a palavra vem do francês pastoriser, derivando por sua vez de L. Pasteur (1822-1895), seu inventor.

[…] [O termo] Pastoral entrou cedo no jargão eclesiástico, para qualificar três das cartas paulinas, ou a atividade dos evangelistas e de seu ensino, ou as insígnias episcopais, como o anel, o báculo, as cartas. Mais recente, mas não moderno, é o uso de pastoral em referência à teologia e com abordagem não-dogmática; originalmente, de fato, foi anti-dogmático. Aos que desconhecem o jargão eclesiástico, no entanto, um homem da média cultura muito facilmente associará pastoral à mocinha da poesia arcádica, à composição poética de origem provençal e de conteúdo amoroso, à écloga virgiliana, à tragédia “Aminta” de T. Tasso e à música de caráter simples e terno, com específica tipificação na “sexta” de Beethoven.

Continue Reading →

PIO XII E A EXCOMUNHÃO DO COMUNISMO

DON CURZIO NITOGLIA

6 de março de 2010
[Tradução: Gederson Falcometa]

http://www.doncurzionitoglia.com/PioXII_e_scomunica_comunismo.htm

Introdução: justiça e atualidade da condenação

Pio XII, através da Sagrada Congregação do Santo Oficío emanou três documentos sobre a natureza do comunismo e a sua incompatibilidade com o cristianismo.

1º)Um ‘Decreto geral” (1º de julho de 1949), que declara:

a) não ser jamais licíto inscrever-se nos partidos comunistas ou dar a eles apoio, porque o comunismo é materialista e anticristão;

b) que é vetado difundir livros ou jornais, os quais sustentem a doutrina e a prática do comunismo materialista e ateu;

c) que os fiéis, os quais realizam com plena consciência os atos proibidos, não podem receber os Sacramentos;

d) também que os batizados, os quais professam, defendem ou propagam conscientemente a doutrina ou a prática comunista, incorrem ipso facto em excomunhão reservada em modo especial a Santa Sé, enquanto apóstatas da Fé católica (a apostasia é uma passagem da religião cristã a outra totalmente diversa – no caso o materialismo ateu – e portanto mais grave que a heresia e cisma, o qual seria passar do catolicismo ao protestantismo ou “ortodoxismo”).

2º) Uma “Declaração sobre o matrimônio” (11 de agosto de 1949), a qual ensina que os escritos das seitas ateístas ou acatólicas, os quais são os comunistas militantes, incorrem no impedimento dirimente [1] de religião mista [2], enquanto ateus, devem subscrever as cauções que são requeridas aos acristãos (batismo, educação cristã dos filhos e remoção do perigo de perversão do conjugue não comunista).

3º)um ‘Monito sobre a educação da juventude’ (28 de julho de 1950), contra os genitores que consentem aos filhos de serem inscritos na sociedade jovem pervertidos (FCGI).

Continue Reading →

Creio na Igreja «Una» – Reflexões em mérito ao conceito de plena e não plena comunhão

Don Davide Pagliarani

[Tradução Gederson Falcometa]

 

 

 

É absolutamente insustentável o princípio de que a Unidade deve ser recomposta: é devido, ao invés, cumprir todos os esforços para recolher os “separados” na Unidade que a Igreja jamais perdeu e jamais perderá“.

É agora comum no vocabulário a expressão de “comunidade cristã” em “não plena comunhão” com a Igreja, e através deste conceito serem justificadas as inumeráveis iniciativas ecumênicas as quais assistimos. Mas examinando-a à luz da doutrina tradicional, descobrimos que isso é incompatível com a própria natureza da Igreja.

Continue Reading →

Liberdade religiosa e tradição apostólica

Don Curzio Nitoglia

27 de maio de 2011
[Tradução Gederson Falcometa]

http://www.doncurzionitoglia.com/liberta_religiosa_e_tradizione.htm

 

 


O Decreto sobre a Liberdade Religiosa(Dignitatis humanae, 7 de dezembro de 1965) é uma contradição com a tradição apostólica e o magistério constante da Igreja resumido no Direito Público Eclesiástico.

.  Se veja S. Gregorio Nazianzeno (+ 390), Hom. XVII; S. Giovanni Crisostomo(+ 407),Hom. XV super IIam Cor.; S. Ambrogio (+ 397), Sermo conta Auxentium; S. Agostino (+ 430), De civitate Dei  (V, IX, t. XLI, col. 151 ss.); S. Gelasio I (+ 496), Epist. ad Imperat. Anastasium I; S. Leone Magno(+ 461), Epist. CLVI, 3; S. Gregorio Magno (+ 604),Regesta, n. 1819; S. Isidoro Da Siviglia (+ 636), Sent., III, 51; S. Nicola I, Epistul. Proposueramus quidam (865); S. Gregorio VII (+ 1085), Dictatus Papae(1075), I epistola a Ermanno Vescovo di Metz (25 agosto 1076), II epistola a Ermanno (15 marzo 1081); Urbano II (+ 1099), Epist. ad Alphonsum VI regem; S. Bernardo Di Chiaravalle (+ 1173),Epistola a papa Eugenio III sulle due spade; Innocenzo III (+ 1216), Sicut universitatis conditor (1198), Venerabilem fratrem (1202), Novit ille (1204);Innocenzo IV (+ 1254),Aeger cui levia (1245); S. Tommaso D’Aquino (+ 12074), In IVum Sent., dist. XXXVII, ad 4;Quaest. quodlib., XII, a. 19; S. Th., II-II, q. 40, a. 6, ad 3; Quodlib. XII, q. XII, a. 19, ad 2; Bonifacio VIII(+ 1303), Bolla Unam sanctam (1302); Cajetanus (+ 1534), De comparata auctoritate Papae et Concilii, tratt. II, pars II, cap. XIII; S. Roberto Bellarmino (+ 1621), De controversiis; F. Suarez (+ 1617), Defensio Fidei catholicae;.Gregorio XVI, Mirari vos(1832); Pio IX, Quanta cura eSyllabus (1864); Leone XIII, Immortale Dei (1885), Libertas(1888); S. Pio X, Vehementer (1906); Pio XI, Ubi arcano (1921), Quas primas (1925),Pio XII, Discurso aos juristas Católicos Italianos, 6 dicembre 1953.

  Continue Reading →

Exercício de exegese da Tradição: De João Paulo II a Mons. Bernard Fellay

Giovanni Servodio

[Tradução Gederson Falcometa]

Passaram-se quase 24 anos daquele fatídico 1988, quando João Paulo II no Motu Proprio Ecclesia Dei Adaflicta, escrevia: «A raiz deste ato cismático [a consagração dos 4 Bispos da FSSPX] é detectável em uma incompleta e contraditória noção de Tradição. Incompleta, porque não tem suficientemente conta do caráter vivo da Tradição (…)contraditória uma noção de Tradição que se opõe ao Magistério universal da Igreja, do qual é detentor o Bispo de Roma e o Corpo dos Bispos».

Sem esta incompleta e contraditória noção de Tradição, entendia João Paulo II, Mons. Lefebvre não teria “rompido o vínculo eclesial” com o Papa.

 

Neste período de tempo sempre cresceu mais a atenção por está problemática, com considerações que, porém continuaram a confirmar as duas diversas posições, aquela do Vaticano e aquela da Fraternidade São Pio X.

Continue Reading →

Fusão das fontes da Revelação com o absorvimento da Tradição pelas Sagradas Escrituras

Maria Guarini
[Tradução: Gederson Falcometa]

A Igreja é a guardiã do depósito sagrado da verdade revelada, em ordem aos quais são usados dois termos chave: Salvaguarda e Transmissão.  O primeiro indica o dever e a função da Igreja de guardar as verdades reveladas assim como as recebeu, sem mudança, acréscimo ou amputação; o segundo indica que a Igreja tem o dever e a função de transmitir a todas gerações tudo aquilo que recebeu e somente isto.

A Constituição dogmática sobre a Divina Revelação, a Dei Verbum, no III. Cap. Parágrafo 7-10 tem por objeto A transmissão da Revelação. O parágrafo 9 sanciona a relação entre Escritura e Tradição, o 10 aquele entre Tradição-Escritura e Igreja-Magistério. Exatamente aqui ocorre a confusão com a expressão “coalescunt un unum”, referida aos três conceitos: Escritura, Tradição e Magistério. E então Escritura, Tradição e Magistério tornam-se todos um, assim “não podem existir independentemente”.

Continue Reading →

Powered by WordPress. Designed by WooThemes

Seguir

Obtenha todo novo post entregue na caixa de entrada do seu email.

Junte-se a outros seguidores