Campanha para construção da Capela Nossa Senhora da Esperança – Ipatinga-MG

Nossa Senhora da Esperança, padroeira de Ipatinga

Visite a página da campanha no endereço:

“Amigos da União Sacerdotal Marcel Lefebvre” de Ipatinga e região

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O Napoleão de Noting Hill: Entra um Lunático

Chesterton

Livro II

Entra um Lunático

O Rei das Fadas, que foi, presumidamente, o padrinho do rei Auberon, deve ter favorecido muito o seu fantástico afilhado neste dia em particular, pois com a entrada da guarda do superintendente de Notting Hill havia uma certa adição mais ou menos inexplicável para o seu deleite. Os trabalhadores braçais miseráveis e homens-sanduíche que levavam as cores de Bayswater ou South Kensington, contratados apenas para o dia para satisfazer o passatempo real, ficavam na sala com um ar comparativamente compungido, e uma grande parte do prazer intelectual do rei consistia no contraste entre a arrogância de suas espadas e penas e a mansa miséria de seus rostos. Mas esses alabardeiros de Notting Hill, em suas túnicas vermelhas com cinto de ouro, tinham o ar de uma gravidade absurda. Eles pareciam, por assim dizer, tomar parte da brincadeira. Eles marcharam e desfilavam em suas posições com uma quase surpreendente dignidade e disciplina.

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O modernismo [1] a respeito da Igreja

La Civiltà Cattolica ano XXXIV, serie XII, vol. IV, Florença.

P. MATTEO LIBERATORE, S. J.

I.

Logo que a Igreja de Cristo apareceu no mundo, o antigo Paganismo a combate até o fim, buscando sufoca-la no sangue. O novo Paganismo, que se chama Modernismo, e mais comumente Liberalismo ou Revolução, também ele combate a Igreja; porque, como instrumento de Satanás, é informado pelo mesmo espírito, o ódio a Cristo, e é movido pelo mesmo fim, aquele de impedir nos povos o benefício da redenção. Se não que a conseguir este mesmo fim, ele não pode usar os os mesmos meios. A razão é, porque onde para o antigo Paganismo tratava-se de impedir que a nova Potência se assenhorasse do mundo, para ele se trata de espoliar esta Potência da senhoria já conquistada. Então, esse é constrito a seguir contra a Igreja, mais que a violência, a astúcia, imitando o comportamento que Faraó prefixou contra o povo hebreu: Fortius nobis est. Venite sapienter opprimamus eum [2]. [Ndt.: «Ele disse ao seu povo: Vede: os israelitas tornaram-se numerosos e fortes demais para nós.Vamos! É preciso tomar precaução contra eles e impedir que se multipliquem, para não acontecer que, sobrevindo uma guerra, se unam com os nossos inimigos e combatam contra nós, e se retirem do país..» Cfr. Es. I, 9-10.] Continue Reading →

Se é licito ir a Missa dos sacerdotes sedevacantistas

d. CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Gederson Falcometa]

Depois do artigo sobre o “Neo-Donatismo”, alguns leitores me colocaram a questão, se é licito ir a Missa celebrada pelos sacerdotes sedevacantistas.

Parece-me (não me reputo infalível e não tenho nenhuma jurisdição para obrigar quem quer que seja, exprimo apenas uma opinião pessoal) que, em certas condições, seja licito.

De fato, os Padres sedevacantistas celebram a Missa tradicionalsão sacerdotes validamente ordenados e, e se ensinam os princípios da Doutrina Católica comumente professada pela Igreja e compendiada no Catecismo do Concílio de Trento e de São Pio X (sem entrar, com excessiva insistência, nos detalhes específicos da tese teológica disputada sobre a sé vacante e obrigar a assentir a essa), não vejo razão suficiente para impedir os fiéis de assistirem a Missa deles.

regularidade canônica e a plenitude da pureza doutrinal (também a respeito da tese teológica sobre a maneira de afrontar e resolver o erro neomodernista que penetrou na Igreja), no atual estado de crise do ambiente católico, são dificilmente obtiveis e conciliáveis, como busquei explicar no artigo sobre o Donatismo.

Certamente, se forem constatados evidentes e públicos erros contra a Fé católica, aDoutrina teologicamente certa ou a Doutrina comumente ensinada(por exemplo, a eleição de um “papa” e a criação de uma hierarquia por parte dos fiéis, a negação de um dogma ou de uma doutrina moral certa e constantemente ensinada), então se deve abster de frequentar aqueles que lhe professam, sedevacantistas ou menos [1]. Diverso é o caso de uma tese teológica debatida sobre a qual a Igreja hierárquica não se pronunciou ainda explicitamente, dogmaticamente e de forma obrigatória. De fato, não apenas os sedevacantistas podem errar e nem por isso são o Mal e o Erro absoluto: “todo altar porta a sua cruz”, diz o provérbio.

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Preguntas inconvenientes…censuradas por los Neo-Super-Ultra- Resistentes

Pablo Hermoso

Y nosotros que pensábamos que en su sapiencia tenían respuesta para todo. Pero no. La neo-super-ultra-resistente que acaba de formarse en Brasil, de los nuevos cruzados contra los “apóstatas” y “herejes” obispos Williamson, Faure y el próximo obispo Dom Tomás de Aquino, más toda la tropa de “liberales” y “sofistas” que los siguen, la neo-secta, decimos, que exige firmar un documento de adhesión al Catolicismo para hablar con su Jefe y ser parte de la misma, publicó hace poco un sermón “magnífico” (¡sic!) de su Líder Supremo, en su página de Youtube.

La dulce y caritativa señora que allí publica, colocó debajo un comentario de tribuna futbolística como este, tal vez para reforzar el “expresivo” e “incendiario” sermón:

Giulia Maria d’Amore-Nakahara (CATÓLICA)

Viva Cristo Rei! Graças a Deus temos um padre com sentido de Fé e de Igreja. Que não se vende por uma mitra. E que não está só. Esse bando de imbecis, capitaneados por Dom Tomás, fica dizendo por aí que isso é coisa de Pe. Cardozo, de Ipatinga, do Thiago, da dona Giulia. BURROS! O mundo todo está gritando contra as asneiras de Dom Williamson. Antes de sair dizendo bobagens na Net (ainda que anonimamente), pesquisem. E vossa alma que está em jogo. Vcs não vão ganhar nenhuma mitra, seus tontos!

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A árvore se conhece pelo seu fruto

Gederson Falcometa

Diz o Evangelho de São Lucas, 6, 43-45:

“Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto. Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio”.

Considerando que cada árvore se conhece pelo seu fruto, perguntamos a nossos leitores:

Qual árvore produz o fruto abaixo?

fruto que não existe

Seria uma “macieranja” ou uma “larancieira” ?

Não existe tal fruto, logo, não existe a árvore. Sendo assim não é possível julgar nem o fruto, bom ou mau, e por consequência nem a árvore. Agora vejam os nossos leitores a imagem abaixo:

Esse é o fruto de uma macieira com sarna.

Então, podemos conhecer a árvore, uma macieira. Agora resta saber se a árvore é boa ou má, julgando-lhe a partir de seu fruto. Segundo o que pode se ver pelo aspecto e se ler no texto “Sarna maca, nematoide, e mosca branca soja“, fonte da foto, o fruto é mau, porque a maçã está doente, e portanto, a macieira que a produz é uma árvore má. Agora vejam a imagem abaixo:

Temos a imagem de uma boa maçã, e através disso, só podemos concluir ser fruto de uma boa macieira. Assim, pelo que acabamos de expor, fica claro que é pelos frutos que se conhece a árvore, e pela qualidade destes frutos, bons ou maus, se julga se a árvore é boa ou se a árvore é má. Com essa postagem damos por encerrada, a questão da interpretação da árvore e dos frutos.

 

A sapiente teóloga e sua série “metáforas”

A teóloga disse isto (em um texto que parece uma árvore de natal):

2. “…toda a árvore boa bons frutos, e toda a árvore má da maus frutos”.

Adaptando para facilitar a compreensão:
“…toda a árvore de maçãs maçãs, e toda a árvore de laranjas dalaranjas””.

E:

“Não pode uma árvore boa dar maus frutos, nem uma árvore mádar bons frutos.”

Adaptando para facilitar a compreensão:

Não pode uma árvore de maçãs dar laranjas, nem uma árvore de laranjas dar maças.”

“http://farfalline.blogspot.com.br/2016/04/metaforas-I.html

Começo dizendo aos nossos leitores que, o dicionário não é um lugar teológico. Nele não se encontra interpretações e explicações dos Padres da Igreja, ele como vulgarmente se diz, é o pai dos burros (e se sobre burros e mulas, recomendo a leitura: “Todo “penso” é torto. Considerações sobre a mula sem cabeça“). Curiosamente, tem que se ter uma dose cavalar de burrice se se pensa encontrar respostas nele para questões teológicas. Geralmente quando temos uma questão teológica, buscamos na Catena Aurea, nos Padres da Igreja, em Santo Tomás, no Magistério, etc nunca no dicionário. Dito isto, passemos a comentar a árvore de natal da teóloga do Pale Ideas.

Na primeira citação, ela coloca a árvore boa que produz bons frutos, como a macieira que produz maçãs e a árvore má que produz maus frutos, como a laranjeira que produz laranjas. Será que não gosta de laranjas? Continua na segunda citação, aplicando a sua falsa interpretação. Ao que dizemos: de fato, uma macieira não produz laranjeiras, nem uma laranjeira produz maçãs, porque realmente não existem árvores de uma espécie que produzem frutos de outra, logo, não podemos julgar uma coisa que não existe boa ou má. Assim,  essa interpretação é notoriamente falsa, porque uma árvore é julgada boa ou má pelos frutos da espécie que produz. De forma que, uma macieira só pode produzir boas ou más maçãs, como a laranjeira só pode produzir boas ou más laranjas, e serem consideradas boas ou más a partir da qualidade do fruto que produzirem. Por essa razão também diz Nosso Senhor:

 Ou dizeis que a árvore é boa e seu fruto bom, ou dizeis que é má e seu fruto, mau; porque é pelo fruto que se conhece a árvore. Mt 12, 33

Esse versículo confirma o que temos dito, porque se é pelo fruto que conhecemos a árvore, então, o que podemos conhecer de uma maçã e de uma laranja, é que uma é fruto da macieira e a outra da laranjeira. Se o fruto for bom, poderemos concluir que a árvore é boa, se for mau, que a árvore é má. Uma macieira e seus frutos não podem ser consideradas boas apenas por produzir maçãs, e não há nenhuma razão para se considerar uma laranjeira má apenas por se produzir laranjas. Não tem sentido, até porque a árvore má, e os frutos maus, não existiriam de verdade, toda árvore existente seria boa pelo simples fato de existir. Isso que dá em se arvorar em intérprete das escrituras e ler a bíblia como os protestantes. Em todos esses meses de polêmica, o que temos visto são apenas interpretações pessoais do Padre e dos fiéis. Se não tivéssemos usado os Padres da Igreja, o Magistério, Santo Tomás e os bons teólogos católicos, teríamos conhecido mais o livre exame que fizeram, e menos a tradição da Igreja.

Afirmar que uma macieira dá bons frutos pelo simples fato de produzir maçãs é o que fazem os protestantes com a doutrina da Sola Fides. Essa doutrina faz o homem pensar que pelo simples fato de ter fé em Jesus Cristo, ele sempre vai produzir bons frutos. Por essa razão mesmo, Lutero ensinava aos seus: “Peca fortemente e crê mais firmemente e serás salvo”. Evidentemente a interpretação da teóloga do Pale Ideas e a de Lutero, contradizem a interpretação dos Padres da Igreja e de Santo Tomás, que são unânimes em considerar a árvore a vontade humana, que pode ser boa ou má, sendo boa os frutos serão bons e sendo má os frutos serão maus. Por essa razão questionou São Jerônimo, doutor da Igreja:

 ““Perguntamos aos hereges que admitem em si mesmos duas naturezas contrárias: se, segundo seu modo de pensar, uma árvore boa não pode produzir maus frutos, como então Moisés, árvore boa, pecou junto às águas da contradição (Nm 26,72), São Pedro negou ao Senhor na paixão dizendo: ‘Não conheço esse homem’, e o sogro de Moisés, árvore má que não cria no Deus de Israel, lhe deu um bom conselho?” [extraído da Catena aurea de Santo Tomás de Aquino]”. Diz São Jerônimo ao comentar Mateus VII, 15-20

 Lúcifer, quando produziu um mau fruto, foi expulso do céu e nunca mais pode produzir um bom fruto. São Miguel, o príncipe do exército celestial, só pode produzir bons frutos. São Pedro, Moisés e seu sogro, foram homens, não eram árvore e nem anjos. Por essa razão questiona São Jerônimo, na mesma linha do que afirmou D. Tomás, sem contradizer Nosso Senhor. O pecado não é e nunca foi um bom fruto. Assim, de nossa parte afirmamos que a bondade ou a maldade do homem dependem de sua vontade, que pode ser boa ou má (como vimos no exemplo do questionamento de São Jerônimo). A vontade do homem não é como a árvore que é um vegetal, e nem como a dos anjos, que são puros espíritos. Como disse o Padre Trincado, Nosso Senhor não disse verdades sobre botânica, e muito menos aplicou essas verdades botânicas sobre o homem, para transforma-lo em uma árvore. Mas se consideramos, com eles, que, uma macieira é boa pelo simples fato de produzir maçãs, como os luteranos, então, não há como não considerar os pecados de Moisés e São Pedro frutos bons, e o conselho do sogro de Moisés, mau, pelo simples fato dele não ter fé no Deus de Israel. De qualquer forma, São Jerônimo todos os Padres da Igreja, Santo Tomás e o nosso Bispo terem se tornado deuses, é apenas um nome dado a uma realidade que não existe. Quero dizer que, é puro nominalismo, bem como diz Padre Curzio Nitoglia, como pode se ler:

 “…para Ockham a razão não pode conhecer a essência das coisas e nem mesmo o Transcendente, a lógica não é um conhecimento objetivo e real do mundo extramental (In Ium Sent., dist. 3, q. 8). O homem possuí apenas um conhecimento sensível do singular, do fênomeno que cai sob os sentidos, daquilo que é experimentável (Quodl., I, q. 13; In IIIum Sent., dist. 9, q. unica). Nisto ele é um precursor do sensismo empirista do iluminismo inglês do século XVII enquanto o próprio Ockham “reduz a realidade a só àquilo que é empiricamente verificável”. Então “da posição Ockhamista ao subjetivismo moderno não existe senão um passo brevissimo”. Do nominalismo ao modernismo passando pelo empirismo

 É esse nominalismo Ockhamista, esse subjetivismo que temos visto de nossos adversários nesses meses de polêmica. Mal mal citaram autores da tradição católica, quando citam, os citam mal (e praticando livre exame se dizem os autênticos defensores da tradição católica). Ora, é regra de fé católica que, não se pode interpretar as Escrituras fora do sentido dado pelos Padres da Igreja. No que diz respeito a isso, a questão da árvore e dos frutos, pode se considerar encerrada pelo sentido que dão os Padres da Igreja na Cátena Aurea.

 Por fim, a questão: é o pecado um bom fruto? Parece ter sido respondida com um sim pela teóloga do Pale Ideas, porque a partir de sua interpretação luterana, o pecado pode sim ser um fruto bom. Certamente São Pedro e Moisés, foram macieiras, então, só poderiam produzir maçãs, não poderiam produzir laranjas. Então, pela linha da sapiente teóloga da série “metáforas”, eles como árvores boas, que produzem apenas maçãs, só podem produzir bons frutos, mesmo pecando. É uma interpretação de fazer inveja a Lutero, por alguém que se arvora a pertencer a “verdadeira tradição da Igreja”.

“Uma contra- metáfora à metáfora: Todo o sistema discursivo do Pale Ideias se resume a essa imagem.”

 

correr atras do rabo

Tudo o que você precisa saber para combater os argumentos circulares do Pale Ideias:

  • Perseguir o rabo está mais relacionado a cães mais velhos e normalmente tem a ver com algum problema psicológico, como demência ou senilidade. Nos filhotes, entretanto, significa apenas uma forma de brincadeira.

  • Os cães que não brincam muito e que não interagem muito com seus donos acabam achando formas de chamar atenção. Se você notar que seu cão faz isso pra chamar sua atenção, experimente ignorar quando ele estiver correndo atrás do rabo. Simplesmente ignore, sem olhar, falar ou tocar o cão. Repreender ou brigar também é uma forma de atenção.

Fonte: http://tudosobrecachorros.com.br/2015/03/correr-atras-do-rabo.html

Todo “penso” é torto. Considerações sobre a Mula Sem Cabeça

 

               Uma das primeiras lições que aprendi ao estudar a Filosofia é que há distinção entre: “Doxa” (do grego, opinião) e “Episteme” (do grego, verdade). De forma que todas as nossas opiniões devem ter por finalidade a verdade. Mas o nosso tempo é marcado pelos “doutores” da opinião. Não é estranho vermos, em qualquer meio de comunicação, pessoas discorrerem energicamente durante dois quartos de hora sobre o que não estudaram por pelo menos cinco minutos.  E o uso dessa loquacidade opinativa ganhou proporções inimagináveis com a internet.

               Nestas últimas semanas tenho dado boas risadas com uma senhora que personifica de maneira muito caricatural da  La donna è mobile de G. Verdi. Escreveu ela:

“E as mentiras que esses macaquinhos amestrados espalham não saem dos olhos, mas de corações cheios de fel. A boca fala do que o coração está cheio.”

http://farfalline.blogspot.com.br/search?updated-max=2016-04-01T02:10:00-04:00&max-results=5

Uma de suas discussões é sobre a impossibilidade de milagres fora da Igreja e, de maneira “infalível”, a condenação de toda a Igreja pós conciliar(CVII) ao paganismo.  E por mais de uma vez lhe foi mostrada a jumenta de Balão que, de maneira milagrosa, após apanhar bastante, fala. Pobre jumenta…

É um evento interessante, pois o orgulho, a cobiça e a hostilidade de Balaam é impedida através da humilde figura de uma jumenta. Que, contrariando sua natureza, fala e questiona.  O que alegoricamente vemos até hoje de maneira inversa.

A figura do burro (ou asno) é uma constante na história do cristianismo, que, se outrora utilizado como símbolo pagão, aparecerá no mistério da encarnação próximo a Nosso Senhor Jesus Cristo.  Santo Agostinho, ao comentar o capítulo 49:11 do Gênese, diz o seguinte:  “ assim como o Samaritano impôs sobre o jumento o pobre homem, assim o Filho do Homem foi feito semelhante ao jumento para que carregasse nossos pecados e, ao tomar nosso corpo, abolisse a enfermidade de nossa carne.” São Francisco o chama de “ Fratello asino.”

No Domingo de Ramos vemos Nosso Senhor triunfante sobre o lombo de um jumento.   Na concepção pagã o jumento esteve relacionado às festas de Saturno, Dionísio e Pã. Era o desregramento de nossos baixos instintos em evidência, divinizados.  Nosso Senhor ao reinarem nossas almas inverte a situação e põem nossos instintos em seu devido lugar, mostrando que Ele é o guia. 

No folclore brasileiro vemos a figura da Mula Sem Cabeça, que seria uma maldição dada à mulher que se tornasse amante de um padre.  Nosso grande folclorista, Luiz da Câmara Cascudo, assim descreve a mula: “lança chispas de fogo pelas narinas e pela boca. Suas patas são calçadas de ferro. A violência do seu galope e a estridência do relincho são ouvidas longamente. Às vezes soluça como uma criança”.

O que a realidade nos mostra? Podemos ver não só a loucura da mulher pecadora transformada em um mostro, mas também, por outro lado, a falha de um padre que, fazendo as vezes de alter Christus, perde a razão, deixando-se levar por suas baixas paixões. A mula que deveria ter como guia Nosso Senhor Jesus Cristo, como senhor e rei, perde sua cabeça por uma única mulher.

Outra observação que salta aos olhos é a cor do jumento. Ele não é preto, nem branco: é cinza; com uma bela cruz em tonalidade escura sobre a cernelha.  A oscilação pendular apaixonada dos extremos não o atinge, e, tal qual devemos ser, sua cor representa o equilíbrio tipicamente católico.  Ou ainda a exata personificação do católico que é atento aos aspectos contraditório da realidade. Não seria sua cruz a nossa confirmação neste combate?  

Muito do que se discute provém da absoluta confusão que se faz entre hermenêutica e exegese. Acredito que boa parte dos rapazolas partícipes da tradição desconheçam esses termos, à exceção do primeiro que, católico por excelência, ganhou mau odor devido à aplicabilidade dada por Bento XVI.  A exegese é muito utilizada pelo protestantismo, como única forma interpretativa, uma vez que busca tão somente a literalidade do texto, sem aportes com o Magistério e Tradição. 

A hermenêutica como ferramenta interpretativa é seguida de um método.

  • Interpretação literal, ou gramatical; (se houver problemas)
  • Interpretação analógica;
  • Teleológica;
  • Extensiva;

Todas essas formas em relação às Sagradas Escrituras, Magistério e Tradição. Ao sair desse caminho traçado pela Igreja por mais de dois mil anos, incorremos no tortuoso caminho do devaneio. Qual o motivo de tantas igrejas protestantes? A oscilação pendular de uma estrita interpretação da Sagrada Escritura ou a livre interpretação não margeada pelo Magistério e Tradição.

O Cântico dos Cânticos bem demonstra como deve ser a interpretação das Sagradas Escrituras. “Sou negra, como as tendas de Cedar, filhas de Jerusalém, mas sou bela,  como os pavilhões de Salomão” (C. dos Cânticos 1:4).

Apesar de toda a literalidade, este livro jamais deve ser interpretado como a conjunção canal dos nubentes, representando, antes, todo pudor, modéstia, castidade virginal que invoca a Santíssima Mãe de Deus, a Igreja e toda alma que aspira às núpcias espirituais com Nosso Senhor.  E a Sagrada Escritura não evidencia isso, tendo em vista que seu leitor não  será uma “mula sem cabeça.”

Tal versículo pode ser interpretado de várias formas, entre elas:

  • “Sou negra, mas sou bela” – mesmo a alma marcada pelo pecado original, por seus maus instintos e movimentos da natureza, poderá dizer: Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte? (Rom 7:21-24)
  • “como as tendas de Cedar” – “Cedar” é o segundo filho de Ismael, descendente de Abraão por Agar, a escrava. Para os hebreus, esse povo que descende de Agar, os árabes, é de grosseiros, vulgares…
  • “mas sou bela, como os pavilhões de Salomão.” – ou seja, mesmo com suas fraquezas e imperfeiçoes exteriores seu interior permanece calmo e passivo. Como as magnificas tendas de Salomão que rivalizavam com as de Dario.

Por fim, podemos lembrar a Santíssima Virgem que estava “negra”, com aparência exterior de uma mulher adúltera, em visita a sua prima Santa Izabel. Mas estava ela toda pura, “bela” com o seu brilho virginal imaculado. Ela pareceu ser “negra” ao ter a aparência de uma mulher grávida, que portasse um filho do pecado original, mas ela estava “bela” como as tendas de Salomão, rei pacífico por excelência.

Podemos dizer ainda que Nossa Senhora estava “negra” por seus opróbrios, dores e sofrimentos na crucificação do seu Filho bem amado, mas ela é “bela”, pois no céu está associada a glória do Salvador.

Muito mais poderia ser dito, mas estes que vomitam seus despautérios são uma sociedade de malícia mútua, exatamente como existiu entre Herodes e Pilatos.           

Em alguns daqueles que oferecem o Santo Sacrifício, vemos a nítida atitude de Caim, que oferece sacrifício a Deus alimentando em seu coração a inveja contra seu irmão.

Como preceitua o manual de patifaria de B. Gracián, “Quando nos falam com malicia. Com alguns tudo há de ser às avessas; o sim é não e não é sim. Falam mal do que estimam, pois o que se quer para si se desacredita para os outros”.

Jumentas e macacos podem falar desde que falem a verdade. O contrário é opinião.  Penso, logo me engano.

 

Noel Neder                                               

 

 

 

São Jerônimo in Galat.,I, 1. II; M.L. XXVI, c.386

“Marcion e Basilides e outros heréticos…não possuem o Evangelho de Deus, já que eles não têm o Espírito Santo, sem o Qual o Evangelho pregado se torna humano. Nos não pensamos que o Evangelho consiste nas palavras das Escrituras mas sim em seu significado; não na superfície mas no seu cerne, não nas folhas de sermões mas na raiz do entendimento. Nesse caso as Escrituras são realmente úteis para os ouvintes quando elas não são faladas sem Cristo, nem são apresentadas sem os Padres, e aqueles que estão pregando não as introduzem sem o Espírito…É um grande perigo falar na Igreja, porque por uma perversa interpretação do Evangelho de Cristo, torna-se um evangelho do homem (in Galat.,I, 1. II; M.L. XXVI, c.386)

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