Archive | Psicologia

A casa edificada sobre a areia – Dom Antonio de Castro Mayer

A casa edificada sobre a areia – Dom Antonio de Castro Mayer

Fratres In Unum

Nos­sa apreen­são aumen­ta, ama­dos fil­hos, pelo fato de que a min­i­mal­iza­ção do papel da inteligên­cia, na con­ver­são do indi­ví­duo, vem acom­pan­ha­da de mui­ta ênfase ao fator emo­ti­vo. Dig­amos, des­de logo, que esta não foi a ped­a­gogia de Nos­so Sen­hor Jesus Cristo, como no-la trans­mi­tiu a Tradição da Igre­ja e con­s­ta do Mag­istério Ecle­siás­ti­co. Com efeito, a Igre­ja temeu sem­pre pelas con­ver­sões sem base sól­i­da em princí­pios firme­mentes aceitos pela inteligên­cia, que pudessem dar firmeza à von­tade no com­bate às paixões des­or­de­nadas e na seqüela do Divi­no Mestre.

Não quer isso diz­er que a Igre­ja se con­tentou ou se con­tenta com a mera aceitação int­elec­tu­al das ver­dades rev­e­ladas. Não. Ela quer a Fé, que opera pela cari­dade, como diz São Paulo (Gál., 5,6). Em out­ros ter­mos: Ela quer que o fiel viva de acor­do com a sua Fé, ten­ha, nesse sen­ti­do, uma Fé viva. O fun­da­men­to, porém, dessa Fé, na qual se fir­ma a adesão viva a Jesus Cristo, é a aceitação, pela inteligên­cia, da Rev­e­lação, e, em primeiro lugar, do fato de que Jesus Cristo é dev­eras o Fil­ho de Deus feito homem, cujos ensi­na­men­tos devem ser acata­dos, como condição pre­lim­i­nar para agradar a Deus e sal­var a alma, porquan­to sem esta Fé “é impos­sív­el agradar a Deus” (Heb., 11,6; Vat­i­cano I, s. 3, c. 3).

Tam­bém não quer diz­er que a Igre­ja despreze a parte sen­sív­el da natureza humana. Ela não despreza. Pelo con­trário, ama-a com o amor que Jesus Cristo a amou ao assumir nos­sa natureza. Quer, porém, que ela con­serve seu lugar na hier­ar­quia dos ele­men­tos que com­põem a natureza humana, isto é, a serviço das con­vicções fir­madas nas ver­dades rev­e­ladas. Poderá ela assim aux­il­iar o apos­to­la­do; do con­trário, toman­do a frente, suas con­truções com­param-se às casas edi­fi­cadas sobre a areia, das quais diz a Escrit­u­ra que não resistem aos ven­davais. Imag­inemos um fiel entu­si­as­ma­do com sua Graça, que de repente é sub­meti­do a uma pro­va de aridez espir­i­tu­al. Se toda a sua for­mação teve por base a ale­gria e o entu­si­as­mo, resi­s­tirá ele à pro­va?

Sobre Escandalizar-se

Cap. VIII das
Con­fer­ên­cias Espir­i­tu­ais

(Lon­dres, 1859)

Padre Fred­er­ick William FABER (1814–1863),
do Oratório

 

Causar escân­da­lo é fal­ta grave, mas rece­ber escân­da­lo é fal­ta mais grave ain­da. Impli­ca maior mal­dade em nós e faz maior dano aos out­ros.

Nada escan­dal­iza mais rápi­do do que a rapi­dez em se escan­dalizar. Vale a pena con­sid­er­ar­mos isso. Pois encon­tro numerosís­si­mas pes­soas mod­er­ada­mente boas que pen­sam que não tem prob­le­ma escan­dalizar-se. Con­sid­er­am isso uma espé­cie de pro­va de sua própria bon­dade e de del­i­cadeza de con­sciên­cia, quan­do na real­i­dade é somente pro­va de sua pre­sunção des­or­de­na­da ou então de estu­pid­ez extrema. É um infortúnio para elas quan­do é este últi­mo o seu caso, pois então ninguém tem cul­pa além da natureza inculpáv­el. Se, como dis­ser­am alguns, o homem estúpi­do não pode ser San­to, ao menos sua estu­pid­ez nun­ca poderá faz­er dele um pecador. Ade­mais, as pes­soas em questão pare­cem muitas vezes sen­tir e agir como se a sua profis­são de piedade envolvesse algu­ma espé­cie de des­ig­nação ofi­cial para escan­dalizar-se. É o negó­cio delas rece­ber escân­da­lo. É seu modo de teste­munhar a Deus. Demon­straria culpáv­el inér­cia na vida espir­i­tu­al se não se escan­dal­izassem. Pen­sam que sofrem muitís­si­mo enquan­to estão se escan­dal­izan­do, ao pas­so que, na ver­dade, gostam dis­so impres­sio­n­an­te­mente. É uma agi­tação praze­rosa, que diver­si­fi­ca deli­ciosa­mente a monot­o­nia da devoção. Elas, na real­i­dade, não caem por causa do peca­do de seu próx­i­mo, nem o peca­do dele por si só as detém no cam­in­ho da san­ti­dade, nem tam­pouco amam menos a Deus por causa daque­le peca­do: todas coisas que dev­e­ri­am estar impli­cadas no rece­ber escân­da­lo. Mas elas tropeçam de propósi­to e cuidam que seja diante de algu­ma fal­ta de seu próx­i­mo, para que pos­sam chamar a atenção para a difer­ença entre ele e elas próprias.

Há cer­ta­mente muitas causas legí­ti­mas para escan­dalizar-se, mas nen­hu­ma mais legí­ti­ma do que a facil­i­dade quase jac­tan­ciosa de se escan­dalizar que car­ac­ter­i­za tan­tas pes­soas suposta­mente reli­giosas. O fato é que pro­porção imen­sa de nós é fariseu. Para cada homem piedoso que tor­na a piedade atraente, há nove que a tor­nam repug­nante. Ou, noutras palavras, somente uma em cada dez pes­soas rep­utadas espir­i­tu­ais é real­mente espir­i­tu­al. Aque­le que, durante vida lon­ga, mais se escan­dal­i­zou, fez mais injúria à glória de Deus e foi, ele próprio, pedra de tropeço real e sub­stan­cial no cam­in­ho de muitos. Foi ele fonte ines­gotáv­el de odiosa desed­i­fi­cação para os pequenos de Cristo. Se um dess­es tais ler isto, escan­dalizar-se-á de mim. Tudo aqui­lo de que ele não gos­ta, tudo aqui­lo que o desvia de sua maneira estre­i­ta de ver as coisas, é para ele um escân­da­lo. É o modo fari­saico de expres­sar difer­ença de opinião.

Os home­ns gostam mar­avil­hosa­mente de ser papas, e o mais enfadon­ho dos home­ns, se ao menos tiv­er, como cos­tu­ma ter, obsti­nação pro­por­ciona­da à sua enfadon­hice, pode na maio­r­ia das viz­in­hanças esculpir para si um pequeno papa­do; e se à sua enfadon­hice ele con­seguir acres­cen­tar pom­posi­dade, poderá reinar glo­riosa­mente, pequeno con­cílio ecumêni­co local em sessão inter­mi­tente durante todas as qua­tro estações do ano. Quem tem tem­po sufi­ciente, ou âni­mo sufi­ciente, ou esper­ança sufi­ciente, para ten­tar per­suadir a ess­es home­ns? Eles não nos são sufi­cien­te­mente inter­es­santes para serem dig­nos de os per­suadirmos. Deix­e­mo-los a sós com a sua glória e a sua feli­ci­dade. Ten­te­mos per­suadir a nós mes­mos. Nós mes­mos não nos escan­dal­izamos com demasi­a­da fre­quên­cia? Exam­inemos a questão e vejamos.

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Verdadeira e falsa prudência — Resposta a Domenico Savino

 

Quem não está dis­pos­to a arriscar-se por suas ideias, ou não vale nada ou não apli­ca nada de suas ideias”  (Ezra Pound)

Don Curzio Nitoglia

[Tradução: Ged­er­son Fal­co­men­ta]

 Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente no

O caro ami­go Dr. Domeni­co Savi­no, em 8 de abril de 2009, escreveu um inter­es­sante arti­go em seu site “Effedi­effe” inti­t­u­la­do “Frater­nidade São Pio X: temores e esper­anças”, onde “repro­va cer­ta fal­ta de prudên­cia” a Mons. Richard Williamson. Mas que coisa é exata­mente a prudên­cia e a imprudên­cia? Per­gun­te­mos a San­to Tomás de Aquino, “o mais sábio dos san­tos, o mais san­to dos sábios” (Pio XII).

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Do Amor

CAPÍTULO SÉTIMO
DO AMOR
EXTRAÍDO DO LIVRO:
A MEDICINA DAS PAIXÕES
JEAN BAPTISTE DESCURET
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

O amor é uma paixão só:
des­ta ela reúne todas as out­ras.
A sen­ho­ra de Suza.

 

Definições e sinôn­i­mos

 

O amor, no seu mais exten­so con­ceito, é aque­le irre­sistív­el encan­to que atraí todos os seres, é aque­la afinidade sec­re­ta que lhes une, é a celeste cen­tel­ha que lhe per­pet­ua: neste sen­ti­do tudo é amor na cri­ação¹.

Con­sid­er­a­do sob o aspec­to moral, o amor é uma tendên­cia da alma para o ver­dadeiro, o belo e o bom.

Na relação reli­giosa, Deus é amor, e amor é toda a sua lei. No amor de Deus então, sumo bem e cri­ador de todas as coisas: no amor dos home­ns, a mais nobre entre as suas cri­ações, é resum­i­da na teo­ria cristã do amor.

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Definição das paixões

CAPÍTULO PRIMEIRO

DEFINIÇÃO DAS PAIXÕES

EXTRAÍDO DO LIVRO:

A MEDICINA DAS PAIXÕES

DE

JEAN BAPTISTE DESCURET

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

 

Dis­tinção entre comoções, sen­ti­men­tos, afe­tos, vir­tudes, vício e paixões

A con­fusão das coisas nasce daque­la das palavras.

O vocábu­lo paixão, ade­qua­do a sua gre­ga eti­molo­gia (πάθος), soa pena ou ao menos dis­posição a rece­ber comoções mais ou menos vivas, e a lhes cor­re­spon­der. Duas espé­cies de causa podem pro­duzir estas comoções, as causas exter­nas e as inter­nas. As primeiras agem sobre a per­ife­ria do cor­po, as secun­das ao con­trário tem o cen­tro do organ­is­mo por pon­to de par­ti­da da sua ação. Em ambos os casos, estas comoções mod­i­fi­cam mais ou menos o cére­bro, o qual ime­di­ata­mente comu­ni­ca a sua mod­i­fi­cação a qual­quer pon­to da nos­sa máquina por meio de numerosos con­du­tores chama­dos ner­vos.

Todos os afe­tos vivos, todas as paixões tem o triste priv­ilé­gio de adoe­cer o cor­po e o espíri­to, usan­do-se esta frase para notar o desen­volvi­men­to pro­duzi­do tan­to no físi­co quan­do na moral da paixão. Em tal modo se diz ser muitas vezes as afecções orgâni­cas do coração o resul­ta­do de afeições morais: e em anti­go se dava o nome de paixão hipocon­dría­ca ou histéri­ca a doenças res­i­dentes nos hipocôn­drios ou no útero.

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