Archive | Teologia

O VENERÁVEL BARTOLOMEU HOLZHAUSER (1613–1658) OU A RESTAURAÇÃO DA REALEZA SOCIAL DE N.S. JESUS CRISTO

Bar­tolomeu Hol­szhauser (esquer­da), Johann Philipp von Schön­born (cen­tro) e Rei Charles II da Inglater­ra (dire­i­ta). Pin­tu­ra con­tem­porânea.


NICOLA DINO CAVADINI
Tradução: Gederson Falcometa

O Ven­eráv­el Bartholomäus Holzhauser nasce de família pobre em Long­nau, nas prox­im­i­dades de Augus­ta, na Baviera, em 24 de agos­to de 1613. Abraça a car­reira ecle­siás­ti­ca durante o trági­co perío­do da guer­ra dos Trin­ta anos (1618–1648) decide fun­dar, para socor­rer as gravís­si­mas condições espir­i­tu­ais do seu país, uma con­gre­gação de cléri­gos sec­u­lares for­man­do vida comum, con­heci­dos como Bar­tolomi­tas. Inocên­cio XI lhe aprovou a regra em 1680. O fun­dador morre em odor de san­ti­dade páro­co de Bin­gen, na dio­cese de Mongú­cia, em 20 de maio de 1658, onde repousa na Igre­ja da San­ta Cruz.

Hozhauser todavia é ain­da mais notáv­el por uma “obra pub­li­ca­da pela primeira vez em Bam­ber­ga em 1784: Inter­pre­ta­tio in Apoc­a­lypsin, por alguns con­sid­er­a­da o mel­hor pro­du­to daque­la cor­rente exegéti­ca que vê no Apoc­alipse de S. João a nar­ração sim­bóli­ca da história da Igre­ja”. Holzhauser, sin­gu­lar­mente dota­do do dom da pro­fe­cia, deu mão ao comen­tário depois de 1649 enquan­to se encon­tra­va no Tirol, “em con­tin­ua oração por dias inteiros, pri­va­do de comi­da e bebi­da” e “sep­a­ra­do de todo con­sór­cio humano”.

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CARIDADE E JUSTIÇA SOCIAL COMO FUNDAMENTO DA POLÍTICA

PADRE CURZIO NITOGLIA
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]
Papa Gregório VII

 

 Papa Gregório VII
“Do desprezo do bem comum ou social um pode ser induzido a todos os pecados”
(S. Tomás de Aquino, S. Th., II-II, q. 59, a. 1).

Para o ‘bom gov­er­no’, que é a ver­dadeira vir­tude de ‘prudên­cia social’ ou seja, a políti­ca no sen­ti­do clás­si­co do ter­mo, é pre­ciso sobre­tu­do duas vir­tudes além da prudên­cia: a justiça e o amor nat­ur­al e sobre­nat­ur­al, que são sub­stan­cial­mente diver­sas da egal­itè et fra­ter­nitè da mod­ernidade. Aqui lhe estu­dare­mos na óti­ca social e não estre­ita­mente indi­vid­ual, porque nos ocu­pamos da filosofia políti­ca ou social, que estu­da a vida em comum ou em sociedade dos indi­ví­du­os home­ns, os quais se unem antes em uma família e depois em mais famílias, as quais for­mam uma sociedade ou polis (=cidade) e mais cidades for­man­do enfim um Esta­do. No arti­go sobre “Dire­ito nat­ur­al” pub­li­ca­do neste mes­mo site, vimos como a lei, é eter­na ou div­ina, nat­ur­al e pos­i­ti­va e como estas leis regem a sociedade e sem essas se cai inevi­tavel­mente na “dis-sociedade” ou dis­so­ci­ação anárquica, que é o ‘pés­si­mo gov­er­no’1. No pre­sente arti­go nos ocu­pamos da justiça e da sua per­feição, que é a amizade ou amor (nat­ur­al ou sobre­nat­ur­al)2, para colo­car bem a fogo que sem essa não é pos­sív­el uma ver­dadeira vir­tude de prudên­cia social ou políti­ca, vale diz­er o ‘bom gov­er­no’3. No livro em dois vol­umes cita­dos em nota, se afronta o tema da políti­ca enten­di­da por Aristóte­les e San­to Tomás de Aquino como vir­tude social, as suas bases metafísi­cas, a natureza, causa efi­ciente e final da sociedade, a sociedade inter­na­cional, a origem do poder, da tira­nia e do tiran­icí­dio, as três for­mas de gov­er­no (monar­quia, aris­toc­ra­cia e polí­cia), a realeza social de Cristo, as relações entre Esta­do e Igre­ja, o maquiavelis­mo como iní­cio da “políti­ca” mod­er­na, con­ce­bi­da de maneira diame­tral­mente opos­ta à políti­ca aris­totéli­ca-tomista como sep­a­ra­da da vir­tude e da moral e por isso ‘mau gov­er­no’ (1º vol­ume). No 2º vol­ume se afronta a prob­lemáti­ca das relações entre a vir­tude políti­ca clás­si­ca e as desvi­ações “políti­cas” mod­er­nas: a guer­ra jus­ta, a pena de morte, a tor­tu­ra e a represália, a questão social e a sua ver­dadeira solução con­tra os dois erros – por exces­so e por defeito – do cole­tivis­mo social­ista e do indi­vid­u­al­is­mo lib­er­al, da ver­dadeira natureza do comu­nis­mo, mes­mo daque­le de “ros­to humano”, ou seja, “euro comu­nis­mo” e do “cato-comu­nis­mo”, do lib­er­al­is­mo clás­si­co, da democ­ra­cia cristã, qual mod­ernismo social ou lib­er­al­is­mo-católi­co, do fas­cis­mo e do nazis­mo, mes­mo se estes dois capí­tu­los são data­dos (remon­tam ao ano de 2002) e, pen­so, exces­si­va­mente severos na críti­ca. Con­clusão a) dire­ito nat­ur­al, divi­no e pos­i­ti­vo; b) cari­dade e justiça são os dois pilares que regem a estru­tu­ra da prudên­cia social ou políti­ca clás­si­ca. Con­tin­uar lendo →

SANTO TOMÁS DE AQUINO: O MAL

Quaes­tiones dis­pu­tatae De Malo San­to Tomás de Aquino [Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

QUESTÃO I O MAL

Art. 1. O mal não é algu­ma coisa. Primeiro: porque todo agente age em vista de um fim e de um bem, como existe uma ordem nos agentes, existe tam­bém uma ordem nos fins e nos bens. E como exis­tem agentes supe­ri­ores e infe­ri­ores, exis­tem tam­bém fins e bens supe­ri­ores e infe­ri­ores. Não poden­do ir ao infini­to, como existe um primeiro agente, que é Deus, existe tam­bém um fim e um bem, que é tam­bém Deus. Então, todas as coisas, derivan­do da primeira causa, são seres par­tic­u­lares; e porque a primeira causa é tam­bém o primeiro bem, todas as coisas derivantes da primeira causa, são tam­bém bens par­tic­u­lares. Segun­do: aqui­lo que é, tende para algu­ma coisa a si con­ve­niente; ora, o mal não tem con­veniên­cia com nen­hu­ma coisa, por ninguém dese­ja­do e, se exis­tisse, não dese­jaria nen­hu­ma coisa. Ter­ceiro: cada coisa dese­ja exi­s­tir e evi­tar aqui­lo que ameaça o seu exi­s­tir; lhe segue que o ser é um bem e o mal, que se opõe ao bem, se opõe tam­bém ao ser. Con­tin­uar lendo →

P. MATTEO LIBERATORE, S.J: CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

 

A Igre­ja e o Esta­do (2ª ed.) Napoles 1872, cap. I, pag. 7–21.

Rev. Pe. Mat­teo Lib­er­a­tore S.J.

CONDIÇÃO DA IGREJA OPOSTA AO ESTADO

CAPÍTULO I.

ARTIGO I.

Con­ceito lib­er­al

I

Trí­plice for­ma de tal con­ceito

A palavra de ordem, como se cos­tu­ma diz­er, do lib­er­al­is­mo hodier­no é a eman­ci­pação do Esta­do da Igre­ja. Isto se entende de duas maneiras: segun­do a que é pro­movi­da pelo lib­er­al­is­mo abso­lu­to ou pelo lib­er­al­is­mo mod­er­a­do; do qual se aprox­i­ma, de boa ou má fé, muitos, mes­mo entre aque­les que são católi­cos, se não de mente ao menos de coração, e assumem a denom­i­nação de católi­cos lib­erais. O primeiro dos dois lib­er­al­is­mos quer a suprac­i­ta­da eman­ci­pação pela via da suprema­cia do Esta­do; o segun­do pela via de ple­na inde­pendên­cia da Igre­ja; os católi­cos lib­erais sus­ten­tam a recíp­ro­ca sep­a­ração não como ver­dade espec­u­la­ti­va, mas como méto­do práti­co. Con­tin­uar lendo →

O MODERNISMO [1] A RESPEITO DA IGREJA

La Civiltà Cat­toli­ca ano XXXIV, serie XII, vol. IV, Flo­rença.

P. MATTEO LIBERATORE, S. J.

I.

Logo que a Igre­ja de Cristo apare­ceu no mun­do, o anti­go Pagan­is­mo a com­bate até o fim, bus­can­do sufo­ca-la no sangue. O novo Pagan­is­mo, que se chama Mod­ernismo, e mais comu­mente Lib­er­al­is­mo ou Rev­olução, tam­bém ele com­bate a Igre­ja; porque, como instru­men­to de Satanás, é infor­ma­do pelo mes­mo espíri­to, o ódio a Cristo, e é movi­do pelo mes­mo fim, aque­le de impedir nos povos o bene­fí­cio da redenção. Se não que a con­seguir este mes­mo fim, ele não pode usar os os mes­mos meios. A razão é, porque onde para o anti­go Pagan­is­mo trata­va-se de impedir que a nova Potên­cia se assen­ho­rasse do mun­do, para ele se tra­ta de espo­liar esta Potên­cia da sen­ho­ria já con­quis­ta­da. Então, esse é con­stri­to a seguir con­tra a Igre­ja, mais que a vio­lên­cia, a astú­cia, imi­tan­do o com­por­ta­men­to que Faraó pre­fixou con­tra o povo hebreu: For­tius nobis est. Ven­ite sapi­en­ter oppri­ma­mus eum [2]. [Ndt.: «Ele disse ao seu povo: Vede: os israeli­tas tornaram-se numerosos e fortes demais para nós.Vamos! É pre­ciso tomar pre­caução con­tra eles e impedir que se mul­ti­pliquem, para não acon­te­cer que, sobrevin­do uma guer­ra, se unam com os nos­sos inimi­gos e com­bat­am con­tra nós, e se retirem do país..» Cfr. Es. I, 9–10.] Con­tin­uar lendo →

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