A PAZ DA ALMA (terceira parte: a aceitação do sofrimento)


Espiritualidade / domingo, setembro 15th, 2013

 

PADRE CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

12 de abril de 2012

http://www.doncurzionitoglia.com/pace_anima3.htm

 

clip_image001TERCEIRA PARTE

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A aceitação do sof­fri­men­to

 

·         O princí­pio fun­da­men­tal é o mes­mo: deve­mos aceitar os acon­tec­i­men­tos insat­is­fatórios como os lados desagradáveis e os defeitos da nos­sa pes­soa. Se nos revolta­mos ou faze­mos fin­ta de não ver o mal que está diante de nós, perdemos a paz. Se ao invés o aceita­mos e o sub­li­mamos com a Fé e a Cari­dade sobre­nat­ur­al, ele se tor­na um óti­mo meio de res­gate e redenção, unido ao Sac­ri­fí­cio de Cristo. A real­i­dade deve ser acei­ta inte­gral­mente, seja agradáv­el ou desagradáv­el. Isto não sig­nifi­ca pas­sivi­dade diante da adver­si­dade, mas a sua aceitação ple­na e pos­i­ti­va, por amor a Deus. Para chegar a isto é necessária uma grande Fé na Providên­cia div­ina que de todo o mal é capaz de tirar um bem maior.

·         O que tor­na o mal pior não é tan­to o sofri­men­to em si (que já é pesa­do), mas a sua negação obsti­na­da. Na real­i­dade acres­cen­ta­mos a dor pre­sente uma out­ra: a nos­sa rebe­lião impo­tente, o ressen­ti­men­to, a impaciên­cia, que nos tiram a paz da alma, enquan­to a dor nos havia toca­do ape­nas no cor­po. Ao invés dis­so, um sofri­men­to ama­do não é mais um sim­ples e puro sofri­men­to, mas um sac­ri­fí­cio de amor feito a Deus, que nos purifi­ca espir­i­tual­mente. A negação sis­temáti­ca de todo sofri­men­to é irre­al­ista e sig­nifi­ca recusar a viv­er, porque a vida é fei­ta de ale­grias e dores. Não é saudáv­el son­har ou imag­i­nar uma vida fei­ta ape­nas de ale­grias e praz­eres, é pre­ciso ser real­ista e aceitar a luta e a dor como parte inte­grante (não exclu­si­va) da vida. Deve­mos car­regar cora­josa­mente a nos­sa cruz sobre as nos­sas costas, fazen­do nos aju­dar pela Onipotên­cia mis­eri­cor­diosa e aux­il­i­ado­ra de Deus; ape­nas então a amar­gu­ra da cruz se trans­for­mara em doçu­ra, o tor­men­to em paz. Jesus nos deu o exem­p­lo: “Deus meu por que me aban­donaste?”; “Recli­nan­do a cabeça entre­gou o seu espíri­to”. “Per crucem ad lucem”. 

 

·         A ver­dadeira vida é assim como ela é, não assim como a son­ho. A prisão que nos tor­na a pro­va insu­portáv­el é a nos­sa má von­tade que não quer uni­formizar-se a real­i­dade e a Von­tade div­ina. Infe­liz­mente o egoís­mo, o amor próprio, o orgul­ho são uma her­ança do peca­do orig­i­nal que nós todos pos­suí­mos. Ess­es nos tor­na difí­cil a saí­da para fora de nós mes­mos, não per­manecer pri­sioneiros dos nos­sos lim­ites men­tais, mas ele­var nos até a Deus fazen­do a sua Von­tade.

 

·         Um out­ro prob­le­ma é o não enten­der o porque do sofri­men­to; tudo não está ao nos­so alcance. Se temos a Fé nós con­fi­amos na Providên­cia mes­mo quan­do cal­ca a sua mão sobre nós. Por exem­p­lo, quan­do vou ao den­tista e ele abre o meu dente com a bro­ca, me faz mal, mas con­fio nele porque sei que ele esta fazen­do isto para a cura do meu dente.  Bem, o mes­mo, e com maior razão, vale para Deus. Mas nós não con­fi­amos, prati­ca­mente e implici­ta­mente Nele e temos medo dos golpes do for­mão com os quais suaviza a pedra bru­ta que somos, para faz­er de nós uma pedra pre­ciosa do Reino dos Céus. Ape­nas quem aban­dona as segu­ranças ou “asse­gu­rações” deste mun­do, poderá apoiar-se com per­fei­ta tran­quil­i­dade na Providên­cia de Deus, que não se abala nun­ca. Diante da dor é inútil bus­car enten­der o porque nos mín­i­mos detal­h­es; nos bas­ta saber que Deus se serve dis­so para o nos­so afi­na­men­to espir­i­tu­al e que “é bom para o homem aten­der em silên­cio a sal­vação do Sen­hor” (Jere­mias, III, 26).

 

·         Um pon­to par­tic­u­lar­mente difí­cil é aceitar os sofri­men­tos que nos vem dos out­ros. Na real­i­dade se cheg­amos a enten­der que os acon­tec­i­men­tos nat­u­rais são per­mi­ti­dos por Deus, tor­na-se mais difí­cil enten­der e aceitar que as ações incor­re­tas do próx­i­mo são per­mi­ti­das por Deus para o nos­so bem. Deus não quer a incor­reção do próx­i­mo, mas a per­mite nos nos­sos con­fron­tos afim de que nós a aceit­e­mos e lha ofer­eçamos com amor. Cer­ta­mente é líc­i­to (e mes­mo um dev­er), bus­car faz­er refle­tir quem se com­por­ta incor­re­ta­mente afim de que se cor­ri­ja. Em casos de extrema neces­si­dade é um dev­er defend­er-se e defend­er o mais fra­co do injus­to agres­sor: ser pací­fi­co sig­nifi­ca estar em paz ou em ordem com Deus e con­si­go mes­mo, não sig­nifi­ca paci­fis­mo, indolên­cia e covar­dia.

 

·         Todavia entre nós home­ns exis­tem difer­enças de caráter, de men­tal­i­dade, de edu­cação e de cul­tura. Algu­mas vezes os atri­tos que ocor­rem entre nós e aque­les que nos são próx­i­mos não depen­dem de uma má von­tade de prej­u­dicar, mas de defeitos de edu­cação e de com­por­ta­men­to em gênero. Diante da diver­si­dade de caráter, deve­mos supor­tar quem lhe tem um diver­so do nos­so, como por nos­sa vez quer­e­mos ser supor­ta­dos pelos out­ros. Não deve­mos emi­tir juí­zos morais. Por exem­p­lo, se nós somos orde­na­dos e um nos­so cole­ga é des­or­de­na­do pelo caráter, não deve­mos ver neste defeito seu uma má von­tade.

 

·         Ao invés dis­so, se alguém quer nos faz­er mal, sub­stan­cial­mente não nos pri­va de nada espir­i­tual­mente, poderá ferir a nos­sa sen­si­bil­i­dade, mas com a aju­da da Fé podemos supor­tar e super­ar tal pro­va. O amor de Deus per­manece na nos­sa alma, e isto é o essen­cial. Ape­nas o nos­so peca­do e a nos­sa má von­tade nos pri­vam da pre­sença de Deus. O resto é secundário. Deve­mos per­manecer unidos a Deus, viv­er jun­to a Ele e esque­cer as injustiças rece­bidas, reme­tendo tudo ao Seu Juí­zo.

 

·         Aqui­lo que acon­tece ao nos­so redor não nos tira a graça de Deus e não deve tur­bar a nos­sa paz. Pode­ria desmoronar o mun­do, mas ape­nas a min­ha má von­tade pode pri­var-me da pre­sença de Deus se aderi ao mal moral. Então, o remé­dio a toda trav­es­sia exte­ri­or é con­tin­uar a crer em Deus, esper­ar no seu socor­ro e amar a sua Von­tade mes­mo quan­do é cru­ci­f­i­cante. Se pelo con­trário nos pre­ocu­pamos com tudo aqui­lo que não fun­ciona ao nos­so redor como nós quer­e­mos, então começamos a ficar inqui­etos, tristes, des­en­co­ra­ja­dos, sem paz e tudo isto influi neg­a­ti­va­mente sobre a nos­sa vida espir­i­tu­al.

 

·         O mal ver­dadeiro não está fora, mas den­tro de nós. Ape­nas o nos­so peca­do nos prej­u­di­ca. Aqui­lo que fazem os out­ros pode nos desagradar, nos causar dor, mas não nos pri­va de Deus até quan­do isto não pen­e­tra em nos­sa von­tade. Deve­mos primeiro nos ocu­par­mos da nos­sa con­ver­são e san­tifi­cação, em segui­da poder­e­mos pen­sar na dos out­ros, mas sem inqui­etude, acidez e aspereza. Jesus foi persegui­do, se defend­eu, sofreu, mas não se deixou tur­bar pela malí­cia dos out­ros, con­tin­u­ou a amar porque a sua alma era ple­na­mente  uni­formiza­da a Von­tade do Pai, do Fil­ho e do Espíri­to San­to. Jesus não se deteve sobre defeitos e as malí­cias do próx­i­mo, cer­ta­mente lhes con­de­nou quan­do era inter­ro­ga­do, mas em segui­da lhes super­ou com o amor de Deus.

 

PADRE CURZIO NITOGLIA

 

12 de abril de 2012

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