P. CURZIO NITOGLIA: A MENTIRA DO JUDEU-CRISTIANISMO


Apologética, Teologia / sábado, setembro 28th, 2013

A “REGRESSÃOJUDAIZANTE DO VATICANO II:

A “MENTIRADO JUDEU-CRISTIANISMO

 

Padre Curzio Nitoglia

Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente no SPES

http://www.doncurzionitoglia.com/menzogna_del_giudeocristianesimo.htm

 

                                                        

   Pról­o­go

 

Saiu recen­te­mente em ital­iano um inter­es­sante livro do rabi­no Jacob Neusner [1], que vol­ta a 1991 (Jews and Cris­tians. The Myth of a Com­mun Tra­di­tion) com respeito à relação entre judaís­mo e cris­tian­is­mo. É deci­di­da­mente um livro con­tra a cor­rente, porque sus­ten­ta e – estou cer­to – pro­va que “entre hebraís­mo e cris­tian­is­mo […] não existe e nun­ca jamais exis­tiu um diál­o­go. O con­ceito de uma tradição hebraico-cristã […] é somente um mito, no pior sen­ti­do: uma men­ti­ra” [2].

 

Segun­do o Autor, as duas religiões “não com­par­til­ham temas comuns” e, “se a Escrit­u­ra pode fornecer uma base comum, con­duz­iu ape­nas à divisão, porque o Anti­go Tes­ta­men­to serve ao cris­tian­is­mo somente enquan­to pre­fig­u­ração do Novo, e a Torá escri­ta para o hebraís­mo pode e deve ser lida somente na ópti­ca de cumpri­men­to e com­ple­ta­men­to total da Torá oral [Cabala e Tal­mud colo­ca­dos só em um segun­do tem­po por escrito, ndr]” [3]. Na ver­dade, “os cristãos comu­mente supõem que o hebraís­mo seja a religião do Anti­go Tes­ta­men­to, mas isto é ver­dadeiro só em parte, e por­tan­to com­ple­ta­mente fal­so. […] O cris­tian­is­mo faz ape­lo ao Anti­go Tes­ta­men­to, em dialéti­ca com o Novo, como parte da Bíblia; o hebraís­mo lem­bra a Torá escri­ta em dialéti­ca com aque­la oral [Cabala e Tal­mud]” [4].

Ele define a relação entre as duas religiões como de “gentes diver­sas [rabi­nos e bis­pos] que dizem coisas diver­sas [Israel e Cristo] para gentes diver­sas [hebreus e cristãos]”[5]. E con­clui: ”Ora, não existe, nem jamais exis­tiu, uma tradição hebraico-cristã” [6]. Na ver­dade, o cris­tian­is­mo se ocu­pa da sal­vação, que diz respeito à humanidade inteira, enquan­to o judaís­mo se ocu­pa da san­tifi­cação da nação de Israel [7]. Neusner, com mui­ta hon­esti­dade int­elec­tu­al e clareza, fala de “autono­mia do cris­tian­is­mo e da sua uni­ci­dade abso­lu­ta” [8]. Des­fei­ta a teo­ria segun­do a qual o cris­tian­is­mo seria um judaís­mo refor­ma­do, decorre analoga­mente a relação entre protes­tantismo e catoli­cis­mo: ”O nos­so sécu­lo foi teste­munha de um erro teológi­co fun­da­men­tal […]. Falan­do aber­ta­mente, tra­ta-se, ade­mais, de um erro protes­tante. O erro teológi­co foi o de apre­sen­tar o cris­tian­is­mo como uma refor­ma históri­ca, uma con­tin­u­ação do hebraís­mo” [9]. Tal erro é imputáv­el não só ao protes­tantismo, mas tam­bém à exegese mod­ern­izante e mod­ernista do sécu­lo XX, e a sua con­se­quên­cia foi deletéria para a dout­ri­na católi­ca. Na ver­dade, estando assim as coisas, “os cristãos […] se encon­tram em uma posição sub­or­di­na­da […], tor­nan­do-se não o ver­dadeiro Israel […], mas sim­ples­mente um Israel por defeito, isto é, por defeito do vel­ho Israel” [10]. Em suma, uma espé­cie de irmãos menores e defi­cientes. A teolo­gia cristã judaizante, de origem luter­ana, apre­sen­ta­va o novo protes­tantismo como um vel­ho catoli­cis­mo refor­ma­do, e o ver­dadeiro cris­tian­is­mo de origem como um vel­ho judaís­mo refor­ma­do. Por isso, a nova teolo­gia mod­ernista e neo­mod­ernista, can­on­iza­da por Nos­tra Aetate, recu­peran­do o erro exegético–teológico luter­a­no, apre­sen­ta “a vida de Jesus em lin­ha com o hebraís­mo do seu tem­po, e a sal­vação de Cristo como um even­to inter­no ao hebraís­mo do sécu­lo I” [11]. Daí, para com­preen­der o Evan­gel­ho, tem-se afir­ma­do, ser necessário inter­rog­ar o Tal­mud e os rabi­nos [12]; enquan­to a dout­ri­na tradi­cional dos Padres e do Mag­istério con­stante da Igre­ja ensi­na­va que “no” Anti­go Tes­ta­men­to está escon­di­do o Novo e no Novo Tes­ta­men­to aparece claro e sig­nifi­ca­do o Anti­go (S. Agostin­ho, Quaest., in Hept., II, 73).  

 

O Autor expli­ca que o ambi­ente católi­co foi con­t­a­m­i­na­do por tal tendên­cia depois da tragé­dia da Segun­da Guer­ra Mundi­al em razão de cer­ta avali­ação fei­ta pelo nacional-social­is­mo “sobre a her­ança hebraica da Igre­ja e do cris­tian­is­mo […], levan­do em con­ta a tragé­dia do cris­tian­is­mo na civ­i­liza­ção da Europa cristã, per­ver­ti­da pelo nazis­mo. […] Todos estavam ani­ma­dos de boas intenções […]. Mas o resul­ta­do é uma leitu­ra não cristã do Novo Tes­ta­men­to” [13]. Donde, em out­ro lugar, apro­fun­dar o prob­le­ma do condi­ciona­men­to psi­cológi­co súbito do ambi­ente católi­co depois da segun­da grande guer­ra e espe­cial­mente depois da shoah, que lev­ou a uma leitu­ra do Novo Tes­ta­men­to de for­ma não cristã, mas judaizante [14]. Na ver­dade, se se abstraem estas pre­mis­sas históri­co-teológ­i­cas, não se pode com­preen­der aqui­lo que ocor­reu no Vat­i­cano II e no pós-con­cílio. O fato, et con­tra fac­tum non valet argu­men­tum, é que a leitu­ra ou her­menêu­ti­ca mod­ern­izante, como a luter­ana, do Novo Tes­ta­men­to “não é cristã”. Enquan­to “apela às fontes hebraicas, […] tal her­menêu­ti­ca deri­va da teolo­gia de um cris­tian­is­mo como con­tin­u­ação e puro mel­ho­ra­men­to do hebraís­mo” [15]. Em vez dis­so, o cris­tian­is­mo é algo úni­co, abso­lu­to, autônomo, e de modo algum uma refor­ma do hebraís­mo.

 

O Autor rejei­ta total­mente a dout­ri­na segun­do a qual “Jesus era hebreu e, por­tan­to, para com­preen­der o cris­tian­is­mo, os cristãos dev­e­ri­am chegar a um acor­do com o cris­tian­is­mo” [16]. O ver­dadeiro cris­tian­is­mo é aque­le que “pode tomar a si mes­mo como o tomavam os Padres da Igre­ja, como novo e não con­tin­gente, […] não como sub­or­di­na­do ao hebraís­mo. Hebraís­mo e cris­tian­is­mo são religiões em tudo difer­entes e com pouco em comum” [17]. Para o cris­tian­is­mo Deus é uno na sua natureza, mas tri­no nas Pes­soas, e Jesus é Deus encar­na­do no seio da SS Virgem Maria; enquan­to o judaís­mo não aceitou tal Evan­gel­ho ou Boa Nova trazi­da por Cristo e seus Após­to­los e con­tin­ua a negar a SS. Trindade e a divin­dade de Cristo, fun­dan­do-se sobre a san­ti­dade de Israel como família car­nal descen­dente geneti­ca­mente de Abraão. Neusner diz que, se o cris­tian­is­mo é úni­co, tam­bém o hebraís­mo se acred­i­ta tal, donde con­cluir pela inutil­i­dade do diál­o­go entre as duas religiões, diame­tral­mente opostas, ain­da que fun­dadas – em parte – sobre uma base semi-comum: o Anti­go Tes­ta­men­to, que, porém, é lido pelo judaís­mo à luz do Tal­mud, con­sid­er­a­do mais impor­tante que a Torá [18], enquan­to pelo cris­tian­is­mo é estu­da­do à luz do Novo Tes­ta­men­to. Em razão dis­so, “não podemos referir a Bíblia quan­do falam­os de hebraís­mo” [19]. O rabi­no amer­i­cano não esconde que “o cris­tian­is­mo não é tal porque mel­horou o hebraís­mo […]. Mas porque con­sti­tui um sis­tema reli­gioso, autônomo, abso­lu­to e úni­co. […], hebraís­mo e cris­tian­is­mo são duas religiões em tudo diver­sas” [20]. Viva a face da sin­ceri­dade e abaixo a men­ti­ra do ecu­menis­mo judaico-cristão, que é a “quad­ratu­ra do cír­cu­lo” ou a “coin­ci­den­tia oppos­i­to­rum” fei­ta “Con­gre­gação Per­ma­nente”.

 

O prob­le­ma cen­tral, segun­do Neusner, não é o das “raízes comuns”, de que falare­mos a respeito, mas o da divin­dade de Jesus Cristo. Na ver­dade, per­gun­ta-se hon­es­ta­mente o rabi­no, “Jesus é o Cristo? Se é assim, então o hebraís­mo cai. Se não é assim, então o cris­tian­is­mo erra” [21]. Ele cita Eusébio de Cesareia (tr. it. História Ecle­siás­ti­ca, Milão, Rus­coni, 1979) e São João Crisós­to­mo (tr. it. Homil­ia con­tra os judeus, Ver­rua Savóia, CLS, 1997), o qual fala­va de “regressão cristã ao judaís­mo” acer­ca daque­les  cristãos que fre­quen­tavam ain­da a sin­a­goga e os cul­tos hebreus em Antio­quia em 386–387, um “retorno à infi­del­i­dade judaico-talmúdi­ca”. A mes­ma acusação fei­ta no sécu­lo IV por Crisós­to­mo aos judaizantes de Antio­quia se pode faz­er hoje aos judaizantes do Vat­i­cano II (Nos­tra Aetate, 1965) e do pós-con­cílio (Oração da sex­ta-feira San­ta, do Novus Ordo Mis­sae de Paulo VI, 1970; A anti­ga aliança jamais revo­ga­da de João Paulo II em Mainz em 1981; os Hebreus nos­sos irmãos maiores e predile­tos na fé de Abraão, João Paulo II em 1986; e até ao Dis­cur­so à sin­a­goga de Roma, de Ben­to XVI, 17 de janeiro de 2010). Ter­tium non datur: se Cristo é Deus, o hebraís­mo cai; se não é Deus, erramos nós cristãos por dois mil anos, deve­mos recon­hecê-lo pub­li­ca­mente, pedir perdão a Deus e aos home­ns e enfim for­mar “prosél­i­tos da por­ta” ou “noaquidas” (v. Elia Ben­amozegh e Aimé Pal­lière). O diál­o­go judaico-cristão é inútil, dan­in­ho, inju­rioso, fal­so e men­tiroso. O mes­mo diz ain­da o rabi­no Jacob Neusner. Ele con­cor­da com Crisós­to­mo só quan­to ao fato de que o judeu-cris­tian­is­mo ou o judaizar-se, para os cristãos, é um “ato de apos­ta­sia, incredul­i­dade e recusa de Deus [Cristo]” [22]. Crisós­to­mo temia, jus­ta­mente, que os cristãos de Antio­quia se mostrassem “ren­di­dos de respeito ao hebraís­mo” [23]. A mes­ma apreen­são, et mul­to magis, a demon­stra Neusner em relação ao diál­o­go judaico-cristão, no qual a religião cristã já não se con­sid­era aqui­lo que é, mas uma pseudor­refor­ma pro­to-luter­ana do judaís­mo. À dout­ri­na cristã tradi­cional segun­do a qual Cristo é Deus e pre­viu em 33 a destru­ição de Jerusalém e de seu Tem­p­lo, o que sucedeu em 70, o hebraís­mo respon­dia no sécu­lo IV, pela boca de seus sábios ou rabi­nos, que Roma tor­na­da cristã no sécu­lo IV é o penúl­ti­mo Império depois da Babilô­nia, da Medo-Pér­sia, da Gré­cia e será segui­do do de Israel, o últi­mo e defin­i­ti­vo, como família genéti­ca de Abraão, que dará morte à Roma primeiro pagã e depois cristã, sendo “o caráter de Roma prin­ci­pal­mente cristão” [24]:  “Os sábios [ou rabi­nos] afir­mam que Israel segun­do a carne […] per­manece em esta­do incondi­ciona­do e perene. Não deixa nun­ca de ser fil­ho [fisi­co], e fil­ho dos próprios gen­i­tores. Assim, Israel segun­do a carne con­sti­tui a família, na sua for­ma mais físi­ca, de Abraão, Isaac e Jacó […]; a total e com­ple­ta “genealo­giza­ção” de Israel” [25], como se vê, é uma questão genéti­ca ou de estirpe, que fala de “raça”, estirpe, sangue e somente do judaís­mo rabíni­co, e não – como seri­am os “anti­s­semi­tas” – o cris­tian­is­mo. Por­tan­to, mostra-se quão tola é a acusação de anti­s­semitismo fei­ta à Igre­ja por eméri­tos trom­bones, impel­i­da por algu­mas estúp­i­das e soi-dis­ant raposas.

 

“Israel provo­cará a que­da de Roma [ex-pagã e depois, com Con­stan­ti­no, cristã, 313]” [26]. Por­tan­to, para os rabi­nos, Israel não está ter­mi­na­do, mas suplan­tará Roma e o cris­tian­is­mo. Segun­do o Autor, a que­da de Jerusalém foi cau­sa­da pela arrogân­cia dos judeus zelotes do sécu­lo I, os quais, espe­cial­mente com Bar Kobá, se recusaram a entre­gar-se à providên­cia div­ina e quis­er­am edi­ficar um Reino de Israel com suas forças nat­u­rais e políti­co-mil­itares. Tal arrogân­cia provo­cou da parte div­ina o aban­dono de Israel nas mãos de Roma, que de pagã se tornou depois cristã, e no sécu­lo IV pare­ceu que o cris­tian­is­mo romano hou­vesse tri­un­fa­do sobre o judaís­mo [27]. Mas a apoc­alíp­ti­ca hebraica [28], voltan­do ao fim dos últi­mos tem­pos, cobrou a restau­ração do reino de Israel e ten­tou der­rubar tal “teolo­gia da história” cristã. Ora, a mes­ma situ­ação foi cri­a­da com o nasci­men­to do Esta­do de Israel, que é obra da políti­ca e das armas e não do Mes­sias hebraico, e por isso tam­bém para os rabi­nos orto­dox­os hodier­nos o sion­is­mo rep­re­sen­ta uma ameaça a Israel, como acon­te­ceu em 70. Pois bem, este tema merece ser apro­fun­da­do em um próx­i­mo arti­go.

 

Tam­bém a con­sid­er­ação que Neusner faz sobre o islamis­mo, em um tem­po de arabefo­bia e das raízes européias judaico-cristãs e anti-islâmi­cas, são inter­es­santes, pro­fun­das e cora­josas. Na ver­dade, ele escreve: “Como sabe­mos [ape­sar do aparente tri­un­fo do cris­tian­is­mo, com os imper­adores romano-cristãos, a par­tir de Con­stan­ti­no e Teodó­sio] que venceu o hebraís­mo dos sábios [ou rabini­co-talmúdi­co]? Porque quan­do, à sua vol­ta, vence o islã [VII-VIII sécu­lo] o cris­tian­is­mo se reti­ra do Ori­ente Médio e do Norte da África. Sem dúvi­da o cris­tian­is­mo resis­tiu, mas não como a religião majoritária do Ori­ente-Médio romano e do Norte da África […]. Mas o caráter islâmi­co do viz­in­ho do Ori­ente-Médio e do Norte da África  nos con­ta a história do que acon­te­ceu real­mente: uma der­ro­ta para o cris­tian­is­mo […]. A cruz reinou ape­nas nos lugares aonde não foi o Islã e o seu pode­rio mil­i­tar” [29]. Por­tan­to, o atu­al “con­fli­to de civ­i­liza­ção”, queri­do pelos EUA e por Israel, é um choque com o “mun­do árabe”, enquan­to ain­da não está lib­er­to e ilu­mi­na­do pela mod­ernidade oci­den­tal, e de modo algum um dis­tan­ciar-se do islamis­mo, que em si é vis­to com sim­pa­tia, enquan­to sepul­ta­men­to do cris­tian­is­mo tradi­cional e não judaizante.

 

Con­clusão

 

Tal leitu­ra deve dar-nos de vol­ta, em um tem­po para nós tão triste, o orgul­ho de ser­mos total­mente e inte­gral­mente cristãos ou católi­cos romanos. As raízes judaico-cristã/ro­manas são uma men­ti­ra. Pode-se, ao con­trário, falar de raízes comuns judaico-calvin­istas ou EUA/israelenses. O judaís­mo é com­ple­ta­do pelo Tal­mud, enquan­to o cris­tian­is­mo romano o é pelo Novo Tes­ta­men­to, tal como com­preen­der­am os Padres da Igre­ja e o sis­tem­ati­zou a Escolás­ti­ca. O hebraís­mo não é a Bíblia, mas o tal­mud­is­mo rabíni­co. Atual­mente, com o Vat­i­cano II assis­ti­mos a uma ten­ta­ti­va de protes­tanti­za­ção da Igre­ja, que com a “cole­gial­i­dade” real­i­zou o próprio ódio luter­a­no ao pri­ma­do do Papa; com a “liber­dade reli­giosa” o ódio à úni­ca ver­dadeira religião, fun­da­da por Deus Fil­ho; com o “ecu­menis­mo” o ódio por intol­erân­cia doutri­nal à Igre­ja Romana; e enfim com a pseudo-“reforma litúr­gi­ca”, fei­ta jun­to com os calvin­istas, se pro­duz­iu um rito obje­ti­va­mente [30] hib­ri­do ou uma inter­seção bas­tar­da (o Novus Ordo Mis­sae de Paulo VI) entre dois ritos essen­cial­mente diver­sos, o protes­tante e o católi­co. Tal protes­tanti­za­ção é o fim próx­i­mo; o remo­to é a judaiza­ção. Na ver­dade, a her­menêu­ti­ca luter­ana leva a uma leitu­ra acristã e filo-judaizante da Torá. Por­tan­to, longe de ced­er ao diál­o­go, em posição de infe­ri­or­i­dade ou de “mino­ria defi­ciente” com relação aos “irmãos mais vel­hos”, deve­mos reivin­dicar o val­or abso­lu­to, úni­co e autônomo do cris­tian­is­mo petri­no ou romano. Uma vez que Cristo é Deus e o provou com a sua Ressur­reição, o diál­o­go inter-reli­gioso judaico-cristão é uma “regressão ao tal­mud­is­mo”, “uma apos­ta­sia ou incredul­i­dade”, enquan­to recusa implíci­ta a Deus Fil­ho e pois a Deus Pai e Espíri­to San­to.

Infe­liz­mente, tal diál­o­go é con­duzi­do, depois de João Paulo II, tam­bém por Ben­to XVI, que no seu livro Muitas religiões e uma úni­ca Aliança: a relação hebraico-cristã. O diál­o­go das religiões (Cinisel­lo Bal­samo, San Pao­lo, [1998], tr. it., 2007) escreve que: “Depois de Auschwitz, a tare­fa de rec­on­cil­i­ação e de acol­hi­men­to se rep­re­sen­tou diante de nós em toda a sua impre­scindív­el neces­si­dade” [31]. Depois – citan­do Jo. IV, 22, “a sal­vação vem dos judeus”, pro­nun­ci­a­da por Jesus antes da sua Morte na cruz –, afir­ma, a respeito da Anti­ga Aliança, que “tal origem man­tém vivo o seu val­or no pre­sente [depois da morte de Cristo, na Nova e Eter­na Aliança]” [32]. Todavia, “não se pode ter aces­so a Jesus […] sem a aceitação do Novo Tes­ta­men­to” [33]. Donde para os hebreus a sal­vação vir de Israel e do Tal­mud, enquan­to para os gen­tios con­ver­tidos ao cris­tian­is­mo vem de Cristo e do Novo Tes­ta­men­to. A Anti­ga Aliança, tam­bém segun­do Ben­to XVI, jamais ces­sou (cf. João Paulo II, A Anti­ga Aliança jamais revo­ga­da, Mainz, 1981), na medi­da em que “‘Aliança’ sig­nifi­ca ape­nas von­tade div­ina e não um con­tra­to bipar­tido” [34]. Donde, tam­bém se Israel foi infiel a Deus, Deus não poder dividir a Aliança, porque não é “um acor­do recípro­co” [35], para o qual Deus non deser­it eti­am si prius deser­atur. É triste, mas para con­hecer a dout­ri­na católi­ca sobre a relação entre cris­tian­is­mo e hebraís­mo é pre­ciso ir ao “cate­cis­mo” do rabi­no Jacob Neusner; enquan­to para judaizar bas­ta escu­tar as “midrash” de Ben­to XVI. Que estran­ha época esta: o hebreu ensi­na o cate­cis­mo, ape­sar de não crer nele, enquan­to o padre católi­co diz as “midrash”, e talvez até creia, ou pelo menos fin­ja crer.

• Enfim, o ódio comum a Roma que car­ac­ter­i­za o hebraís­mo e o luteranis­mo é indica­ti­vo. A alter­na­ti­va, por­tan­to, é ou Roma ou a morte! Se cai (por absur­do) Roma, tri­un­fam Tel Aviv e Nova York. O esta­do atu­al de embrutec­i­men­to da humanidade é fru­to do domínio judaico-amer­i­can­ista do mun­do. A sal­vação e a restau­ração do homem, da família e da sociedade será fru­to mila­groso do tri­un­fo da Roma “imor­tal dos Már­tires e dos San­tos”! Nos­sa Sen­ho­ra em Fáti­ma prom­e­teu: ”Por fim o Meu Coração Imac­u­la­do tri­un­fará”. Cor Jesu adve­ni­at reg­num tuum, adve­ni­at per Mari­am.

 

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NOTAS

 

[1] Nasceu nos EUA em 1932. Pro­fes­sor de história e teolo­gia do hebraís­mo no Bard Col­lege de Nova Iorque, e orde­na­do rabi­no no Jew­ish The­o­log­i­cal Sem­i­nary”, é con­sid­er­a­do o maior espe­cial­ista vivo da leitu­ra rabíni­ca anti­ga. Muito inter­es­sante sua Dis­pu­ta imag­inária entre um rabi­no e Jesus. Que mestre seguir? [1993], tr. it. Casale Mon­fer­ra­to, Piemme, 1996; 2a. ed. Um rabi­no fala com Jesus, Cinisel­lo Bal­samo, San Pao­lo, 2007.

[2] J. Neusner, Hebreus e cristãos. O mito de uma tradição comum, [1991], tr. it. Cinisel­lo Bal­samo, San Pao­lo, 2009, pg 7

[3] Ibi­dem, pp. 7–8. No que diz respeito ao Tal­mud, cf. Jacob Neusner, O Tal­mud. Que coisa é, que coisa diz [2006], tr. it. Cinisel­lo Bal­samo, San Pao­lo, 2009 

 

[4] Ibi­dem, pp. 159–160.

[5] Ibi­dem, p. 9.

[6] Idem.

[7] Ibi­dem, p. 17.

[8] Ibi­dem, p. 31.

[9] Ibi­dem, p. 32.

[10] Ibi­dem, p. 33.

[11] Ibi­dem, p. 34.

[12] Idem.

[13] Idem.

[14] Os fatos de Auschwitz tornaram crôni­co um prob­le­ma grave e impeli­ram a uma ação semel­hante ao martírio, da parte dos int­elec­tu­ais reli­giosos hebreus e cristãos, para enfrentar aque­le desafio […]: “dar um sen­ti­do ao out­ro” (J. Neusner, cit., p. 158). Vale diz­er que, ape­sar da difer­ença total entre hebraís­mo e cris­tian­is­mo, você vai com­preen­der “total­mente o out­ro a par­tir de si” (o cristão/o hebreu e vice-ver­sa) só a par­tir de Auschwitz ou da teolo­gia da “shoah”. Donde, tam­bém da parte cristã, não se poder pre­scindir de enfrentar o fato, tor­na­do hoje meta-históri­co, da perseguição que sofr­eram muitos hebreus na Europa entre 1942 e 1945. Tal estu­do é con­duzi­do seja his­tori­ca­mente (fonte históri­ca, doc­u­men­tos, fatos aclara­dos e teste­munhos dos livros de história da Europa entre 1940 e 1945); seja cien­tifi­ca­mente (meios de pesquisa e exper­i­men­tos quími­cos-físi­cos e engen­haria sobre as armas de crime: as câmeras de gás e os fornos cre­matórios e o cor­po de deli­to: o que resul­ta real­mente e obje­ti­va­mente no lugar da perseguição); seja filosofi­ca­mente (mal absoluto/relativo); seja enfim teo­logi­ca­mente (“holo­caus­to” de uma parte do hebraís­mo europeu ou o Holo­caus­to reden­tor de Jesus Cristo). Não se pode voltar atrás, sob pena de ser chan­tagea­do e pos­to em situ­ação de acusação com respeito a um fato que não se vai estu­dar para ver qual é a sua real enti­dade. Si non vis errare, debis velle scrutare.

[15] Ibi­dem, p. 35.

[16] Ibi­dem, p. 160.

[17] Ibi­dem, pp. 162–163.

[18] Ibi­dem, p. 176.

[19] Ibi­dem, p. 197.

[20] Ibi­dem, pp. 43–44.

[21] Ibi­dem, p. 72.

[22] Ibi­dem, p. 74.

[23] Idem.

[24] J. Neusner, op. cit., p. 110.

[25] J. Neusner, op. cit., p. 102.

[26] J. Neusner, op. cit., p. 81. Sobre a relação Roma, cris­tian­is­mo e judaís­mo, v. M. Good­man, Roma e Jerusalém. O encon­tro das civ­i­liza­ções anti­gas [2007], tr. Ii. Roma-Bari, Lat­erza, 2009. O Autor sus­ten­ta que Roma e Israel teri­am podi­do coex­i­s­tir sem prob­le­ma. Todavia, em 66 d.C., sob Nero, os habi­tantes de Jerusalém havi­am se recu­sa­do a ir em pro­cis­são para cumpri­men­tar duas cortes do imper­ador, e foi assim que o procu­rador romano Gés­sio Foro man­dou as suas tropas con­tra a mul­ti­dão reuni­da no mer­ca­do supe­ri­or da Cidade San­ta e provo­cou a morte de 3.600 pes­soas. A reação hebraica foi fortís­si­ma e lev­ou à con­sti­tu­ição de um Esta­do hebraico inde­pen­dente de Roma, que já em 37 a.C. havia ocu­pa­do a Judeia. Quan­do Nero morre em 68, um gen­er­al de nome Tito Flávio, fil­ho do Imper­ador Ves­pasiano, que era naque­le tem­po o coman­dante na frente da Judeia, usou de mão de fer­ro para reprim­ir a revol­ta hebraica e, depois de um ano de luta, em 70, destru­iu Jerusalém e o Tem­p­lo. Reprim­iu tam­bém as três insur­reições na Cire­naica, no Egi­to (72), e a de Mas­sa­da (73). Aqui se ini­cia a parte mais inter­es­sante do livro (pp. 451–583), ape­sar de não livre de erros e uni­lat­er­al­i­dade, sobre­tu­do no que diz respeito à origem da dis­pu­ta entre o cris­tian­is­mo e o judaís­mo (pp. 584–666).  Uma vez antes, o Tem­p­lo de Salomão havia sido destruí­do, em 586 a.C., por Nabu­codonosor da Babilô­nia, mas em 539 Ciro da Pér­sia venceu os babilônios e lib­er­tou os hebreus, que estavam exi­la­dos na Babilô­nia, e con­cedeu a eles a reen­tra­da em Jerusalém e a recon­strução do Tem­p­lo; por­tan­to, em 70 os judeus pen­savam que acon­te­ceria algo anál­o­go: um Mes­sias tri­un­fante ou “Novo Ciro”, que  expul­saria os romanos e faria recon­stru­ir Jerusalém e o Tem­p­lo. Muitos piedosos e zelosos ou zelotes israe­lens­es, influ­en­ci­a­dos pela lit­er­atu­ra apoc­alíp­ti­ca hebraica, imag­i­navam e pro­fe­ti­zavam que o “Novo Ciro” pudesse ser “Nero redi­vi­vo” (cf. Giu­liano Fir­po, A revol­ta judaica, Roma-Bari, Lat­erza, 1999). Naque­le tem­po se for­mou uma rad­i­cal hos­til­i­dade e um fer­oz ódio antir­ro­mano na Judeia e em Jerusalém, mas Roma não con­cedeu aos judeus aqui­lo que usual­mente con­ce­dia a todos os ven­ci­dos de religiões diver­sas: con­stru­ir ou recon­stru­ir seus tem­p­los. Foi assim que o Tem­p­lo de Jerusalém não foi mais recon­struí­do, ape­sar da triplíce ten­ta­ti­va, que fal­hou todas as três vezes, do imper­ador Juliano, o Após­ta­ta. Entre 115 e 116 ocor­reu uma quar­ta insur­reição judaica con­tra Roma, e enfim em 132–135, com o pseudomes­sias Bar Kobá, a quin­ta e últi­ma, porque Adri­ano em 135 arra­sou o que resta­va de Jerusalém e da Judeia, mudan­do o nome des­ta últi­ma para Síria-Palesti­na e o de Jerusalém para Aelia Capi­toli­na. Nem os alemães, nem os britâni­cos, nem os panônios deixaram de ter uma pátria e uma cap­i­tal para faz­er suas rebe­liões; só os judeus perder­am uma e out­ra. Um jor­nal­ista do Sun­day Times(Tom Hol­land) escreveu que “o sécu­lo XXI foi for­ja­do da que­da, há quase dois mil anos, de Jerusalém” e – acres­cen­tou – da ten­ta­ti­va de restau­ração de um Esta­do hebreu em 1948, o qual inda não é a pos­suí­do pací­fi­ca­mente, mais anun­cia uma nova tragé­dia ter­rív­el, que se aden­sa sobre nos­sas cabeças, em for­ma de guer­ra nuclear […].

[27] “Bar Kobá trata­va o céu com arrogân­cia, pedi­do a Deus que não se intrometa […]. Bar Kobá destru­iu a úni­ca pro­teção de Israel. O resul­ta­do era inevitáv­el” (J. Neusner, op. cit., p. 86). Entre­tan­to, deve diz­er-se que o atu­al Esta­do de Israel foi con­struí­do (mas não ter­mi­na­do) pelas mãos do homem e não pela inter­venção do Mes­sias.

[28] A leitu­ra apoc­alíp­ti­ca hebraica com­preende os apócri­fos proféti­cos do Vel­ho Tes­ta­men­to (II séc. a.C.–II séc d.C.) e con­siste em uma “ficção literária, de soi-dis­ant pre­visões pos­te­ri­ores aos even­tos, que não mere­cem maior crédi­to que os orácu­los sibili­nos” (Francesco Spadafo­ra, Dizionario bib­li­co, Roma, Studi­um, 3° ed., 1963, p. 41). Ela surge quan­do Israel atrav­es­sa seu perío­do mais tem­pes­tu­oso, des­de a fúria de Alexan­dre Mag­no con­tra o Yah­wis­mo até a destru­ição de Jerusalém por Tito (70) e Adri­ano (135). Alguns zelosos Yah­wis­tas sen­ti­ram então neces­si­dade de reen­co­ra­jar os israe­lens­es com duas futuras promes­sas para Israel, procu­ran­do man­ter viva sua esper­ança ape­sar do mis­eráv­el esta­do pre­sente. O apoc­alíp­ti­co “é pro­je­ta­do para ali­men­tar o orgul­ho judaico, abal­a­do pelas evidên­cias, ori­en­tan­do para a auro­ra futu­ra. […] Israel será lib­er­ta­do e  vin­ga­do […] imper­ará sobre os gen­tios dom­i­na­dos e pisa­dos” (Antoni­no Romeo, entra­da “Apoc­alit­ti­ca let­ter­atu­ra”, em “Enci­clopé­dia Católi­ca”, vol. I, col. 1616). No futuro, depois da que­da do penúl­ti­mo Império, que seria Roma, “Israel será lib­er­to e vin­ga­do”. […]. O inter­esse nacional é esten­di­do à con­clusão alme­ja­da: Deus de repente entra na luta final entre os gen­tios e Israel” (A. Romeo, idem, col. 1617); “tudo é restri­to ao cam­po do nacional­is­mo e do tem­po­ral” (Francesco Spadafo­ra, idem). O apoc­alipse judaico é uma espé­cie de rev­e­lação apre­sen­ta­da como anti­ga, ocul­ta e esotéri­ca (Francesco Spadafo­ra, p. 42) e, segun­do Mons. Antoni­no Romeo, “resul­tará em uma espé­cie de espec­u­lação cabalís­ti­ca […] e de sin­cretismo gnós­ti­co” (idem, col. 1625). “É reple­ta de ódio, fre­quente­mente fer­oz, con­tra os gen­tios e de ardente sim­pa­tia por Israel”, escreve Marie Joseph Lagrange, (Le judaisme avant Jesus-Christ, 2a. ed., Paris, 1931, pp. 70–90). O apoc­alipse na som­bra da mór­bi­da expec­ta­ti­va da rev­olução futu­ra, que lib­er­ará Israel da Roma pagã-cristã. Ele se deve à for­mação do mais ace­so nacional­is­mo hebraico (Francesco Spadafo­ra), e deste derivará cer­to gnos­ti­cis­mo e o mile­nar­is­mo (A. Romeo, idem, col. 1618) com a teo­ria da mit­i­gaçao das penas e dos danos (cf. a aposcatá­tase de Orí­genes, repeti­da entre 1940 e 1951 por Hans Urs von Balthasar + 1984 e Jean Daniélou + 1973), cf. B. Allo, Apoc­a­lypse, 3a. ed., Paris, 1933, pp. XXVI- XXXIV. Mons. Romeo con­clui: “O Reino de Deus se reveste de um caráter nacional­ista-ter­reno. […] O reino será deste mun­do. […] mas o Mes­sias é vis­to como um reden­tor espir­i­tu­al, expi­ador dos peca­dos do mun­do” (idem, col. 1618), e enfim: “Para os gen­tios o apol­i­capse é cru­el e implacáv­el, e toda a com­paixão seria sub­sti­tuí­da pela fraque­za” (idem, col. 1969).

[29] J. Neusner, op. cit., pp. 118–119. Quan­to às relações entre judais­mo talmúdi­co, islã e cris­tian­is­mo, cf. Hana Zakarias, Vrai Mohammed et faux Coran, Paris, NEL, 1960; Id., De Moisés à Mohammed, Paris, 1955; J. Bertuel, L’islam: ses véri­ta­bles orig­ines, Paris, NEL, 1983–84, 3 vols.; B. Lewis, O renasci­men­to islâmi­co, Bolon­ha, O Moin­ho, 1991; S. D. Goitein, Hebreus e Arábes na história, Roma, Jou­vance, 1980; J. Bouman, O Corão e os judeus, Bres­cia, Querini­ana, 1992; R. Barkai, Chré­tiens, musul­mans et juifs dans l’Espagne médié­vale, Paris, Cerf, 1994; M. Bren­ner, Breve história dos hebreus, Roma, Donzel­li, 2009.

[30] Quan­do se fala do Vat­i­cano II como ina­ceitáv­el e rejeitáv­el, não se pre­tende englo­bar em tal con­statação de het­ero­dox­ia obje­ti­va a cul­pa e a punição sub­je­ti­va de quem o acol­he de boa-fé, pen­san­do estar obe­de­cen­do. Assim como quan­do se con­sta­ta a nocivi­dade obje­ti­va do Novus Ordo Mis­sae e a sua ab-rogal­i­dade não se quer nem min­i­ma­mente ofend­er a quem o cel­e­bra em boa-fé, de for­ma rev­er­ente e com espíri­to de obe­diên­cia, por ignorân­cia inocente de sua carên­cia doutri­nal. “Não haja divisão entre nós” (anti­mod­ernistas), mas reestudemos com atenção o “Breve exame críti­co do NOM” com a “Car­ta de apre­sen­tação” dos Cardeais Anto­nio Bac­ci e Alfre­do Otta­viani,  onde se podem ler sev­eras con­sid­er­ações sobre sua não orto­dox­ia obje­ti­va e onde se pede que seja ab-roga­do por noci­vo. Não nos deix­e­mos dis­trair pela polêmi­ca que surgiu quan­do se con­sider­ou ab-roga­do o Vetus Ordo, por um abu­so de poder […]. Então (1976) foram ditas palavras fortes, mas pro­nun­ci­adas no cur­so de homil­ias, sem pos­si­bil­i­dade de se faz­erem todas as dev­i­das dis­tinções. Não me parece cor­re­to cul­par a Mons. Mar­cel Lefeb­vre por algu­ma frase extrap­o­la­da em seus ser­mões, e ver na Frater­nidade São Pio X o “mal abso­lu­to”, assim como me parece pueril a pre­ten­são de alguns, por sorte poucos, “tradi­cional­is­tas” de trans­for­mar a Frater­nidade na Igre­ja de Cristo. Tam­bém neste caso a sã lóg­i­ca con­de­na o sofis­ma ex uno disce mul­tis.

[31] Op. cit., p. 9.

[32] Idem.

[33] Idem.

[34] Ibi­dem, p. 32.

[35] Idem.