POR QUE SE CANONIZAR UM PAPA DO QUAL SE CONTRADIZ O MAGISTÉRIO?


Atualidades / quarta-feira, outubro 2nd, 2013

Fonte: Fides et For­ma

Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

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Car­ta Encícli­ca

VERITATIS SPLENDOR

do Sumo Pon­tí­fice
João Pao­lo II

 

Capit­u­lo 32.

32. Em algu­mas cor­rentes do pen­sa­men­to mod­er­no, chegou-se a exal­tar a liber­dade até ao pon­to de se tornar um abso­lu­to, que seria a fonte dos val­ores. Nes­ta direção, movem-se as doutri­nas que perder­am o sen­ti­do da tran­scendên­cia ou as que são explici­ta­mente ateias. Atribuíram-se à con­sciên­cia indi­vid­ual as pre­rrog­a­ti­vas de instân­cia supre­ma do juí­zo moral, que decide categóri­ca e infalivel­mente o bem e o mal. À afir­mação do dev­er de seguir a própria con­sciên­cia foi inde­v­i­da­mente acres­cen­ta­da aque­loutra de que o juí­zo moral é ver­dadeiro pelo próprio fac­to de provir da con­sciên­cia. Deste modo, porém, a impre­scindív­el exigên­cia de ver­dade desa­pare­ceu em prol de um critério de sin­ceri­dade, de aut­en­ti­ci­dade, de «acor­do con­si­go próprio», a pon­to de se ter chega­do a uma con­cepção rad­i­cal­mente sub­je­tivista do juí­zo moral. Como facil­mente se com­preende, não é alheia a esta evolução, a crise em torno da ver­dade. Per­di­da a ideia de uma ver­dade uni­ver­sal sobre o bem, cognoscív­el pela razão humana, mudou tam­bém inevi­tavel­mente a con­cepção da con­sciên­cia: esta deixa de ser con­sid­er­a­da na sua real­i­dade orig­i­nal, ou seja, como um ato da inteligên­cia da pes­soa, a quem cabe aplicar o con­hec­i­men­to uni­ver­sal do bem numa deter­mi­na­da situ­ação e exprim­ir assim um juí­zo sobre a con­du­ta jus­ta a eleger, aqui e ago­ra; tende-se a con­ced­er à con­sciên­cia do indi­ví­duo o priv­ilé­gio de esta­b­ele­cer autono­ma­mente os critérios do bem e do mal e agir em con­se­quên­cia. Esta visão iden­ti­fi­ca-se com uma éti­ca indi­vid­u­al­ista, na qual cada um se vê con­fronta­do com a sua ver­dade, difer­ente da ver­dade dos out­ros. Lev­a­do às últi­mas con­se­quên­cias, o indi­vid­u­al­is­mo desem­bo­ca na negação da ideia mes­ma de natureza humana.

Estas diver­sas con­cepções estão na origem das ori­en­tações de pen­sa­men­to que sus­ten­tam a antin­o­mia entre lei moral e con­sciên­cia, entre natureza e liber­dade.

Entre­vista a Euge­nio Scal­fari

de Papa Francesco

D. San­ti­dade, existe uma visão úni­ca do Bem? E quem define isso?

R. «Qual­quer um de nós tem uma visão do Bem e tam­bém do Mal. Nós deve­mos incitá-lo a pro­ced­er em direção àqui­lo que ele pen­sa ser o Bem».

D. Sua San­ti­dade, já havia escrito na car­ta que me endereçou. A con­sciên­cia é autôno­ma, havia dito, e qual­quer um deve obe­de­cer a própria con­sciên­cia. Pen­so que aque­la seja uma das pas­sagens mais cora­josas ditas por um Papa.

R. «E aqui o repi­to. Qual­quer um tem uma idéia de Bem e do Mal e deve escol­her seguir o Bem e com­bat­er o Mal como ele lhe con­cebe. Bas­taria isto para mel­ho­rar o mun­do».