O VALOR DO SYLLABUS E ALGUNS CATÓLICOS — P. CARLO RINALDO S.J.


Teologia / sexta-feira, dezembro 19th, 2014

Extraí­do do tex­to IlVal­ore del Sil­l­abo, 3º Il Val­ore del Sil­l­abo e alcu­ni cat­toli­ci, revista La Civiltà Cat­toli­ca, Serie XIII, vol. III, fasc. 869, 26 agos­to 1886.

R.P. Car­lo Rinal­di d.C.d.G.

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

Muito mais fácil é entrar em dis­cussão com aque­les, os quais emb­o­ra negan­do o val­or dog­máti­co do doc­u­men­to pon­tif­í­cio, se pro­fes­sam devo­tos fil­hos da Igre­ja, obse­quiosos e dóceis ovel­has para o Pas­tor supre­mo do reban­ho de Jesus Cristo. Ess­es estão conosco na mes­ma fé e cari­dade; e se neste pon­to se difer­em, não é porque negam dev­er sujeição de mente e de coração ao ensi­na­men­to do Vigário de Jesus Cristo, quan­do Ele fala como tal, e essa seria questão de princí­pio; mas ape­nas porque nega con­ter no Syl­labus um ensi­na­men­to ver­dadeira­mente dog­máti­co: pron­tos (e como não?) a rendição total onde isto seja a eles demon­stra­do. A questão então, como cada um vê, é de fato. É jus­to, antes de sujeitar-se a uma obri­gação, pedir-lhe as provas; como tam­bém é ver­dadeiro que uma obri­gação recon­heci­da na questão de princí­pio, não é ape­nas por isto recon­heci­da se não condi­cionada­mente ao fato; con­se­quente­mente isto é ao ver­i­fi­carem-se aque­las condições que são requeri­das, para que um fato par­tic­u­lar caia sob o já admi­ti­do princí­pio. É claro então, que uma e out­ra parte dos con­tendentes deve con­vir em esta­b­ele­cer quais e quan­tas são essas condições; que se aci­ma dis­so hou­vesse uma dis­pari­dade de sen­tir, então, a dis­cussão cairia sobre out­ras questões, as quais, como pon­to do qual todo o resto da dis­pu­ta depende e que em primeiro lugar dev­e­ria se resolver. Que se deva obe­de­cer, a títu­lo de exem­p­lo, a autori­dade legit­i­ma­mente con­sti­tuí­da, quan­do esta coman­da, não existe dúvi­da de sorte algu­ma. Mas que tal ou tal out­ra coisa ven­ha de fato orde­na­da, pode-se muito bem ser con­tes­ta­do, a dar-lhe uma pro­va se con­cor­da a recor­rer aque­las ver­dades de que o fato depende, e a luz do qual este é demon­stra­do. É pro­pri­a­mente o nos­so caso.

Os opos­i­tores se recusam a recon­hecer e admi­tir o Syl­labus como ensi­na­men­to dog­máti­co, porque de fato, dizem, esse não apre­sen­ta aque­les req­ui­si­tos que o ren­dam tal. E aqui prosseguem indi­can­do um a um defeitos que dizem respeito, quer a for­ma, quer a pro­mul­gação, quer a matéria ou quer a intenção. Todas as out­ras difi­cul­dades se reduzem e apoiam sobre um dos qua­tro pon­tos men­ciona­dos. Por­tan­to, este é o cam­po sobre o qual as duas sen­tenças con­trárias se afrontam, e dão pro­va das suas força.

Dup­lo é o modo, com que a sen­tença afir­mante do val­or dog­máti­co do Syl­labus pode e dela pro­cede ao reen­con­tro da out­ra. O primeiro com negar que tais req­ui­si­tos sejam necessários e o segun­do com sus­ten­tar que ess­es estão real­mente no doc­u­men­to. Estes dois mod­os, quem bem racioci­na, não são se não aparente­mente diver­sos, e recon­duzem-se em um e mes­mo sen­ti­do de oposição, ou pelos opos­i­tores; se afir­ma acon­te­cer aque­la for­ma, pro­mul­gação, etc… necessária e sufi­ciente para que um doc­u­men­to ten­ha val­or dog­máti­co. E com isto se pas­sa, como qual­quer um vê, a faz­er ao invés questão de princí­pio, isto é, a ver o que os Teól­o­gos, segun­do os Con­cílios e os SS. Padres, con­sid­er­am como necessário e sufi­ciente, para que um doc­u­men­to pon­tif­í­cio ten­ha val­or dog­máti­co.

Além do que o argu­men­to, que pode e só chega a esta­b­ele­cer a sen­tença afir­ma­ti­va, é de duas espé­cies: intrínseco, e extrínseco. Em torno o que con­vém obser­var: Primeira­mente, que se um e out­ro argu­men­to vale ver­dadeira­mente para provar, pouco impor­ta que a tese ven­ha demon­stra­da com o primeiro mais que com o segun­do; espe­cial­mente quan­do um e out­ro argu­men­to próprio da Ciên­cia no cam­po em que se esta dis­cutin­do, e per­t­inên­cia da qual é a con­clusão o escopo e ter­mo do dis­putar. — Secun­dari­a­mente, que o argu­men­to extrínseco val­i­da­mente feito pode servir como apoio para sus­ten­tar e cor­rob­o­rar o argu­men­to intrínseco, onde este não apre­sen­tasse aque­la evidên­cia, que soz­in­ha pode­ria bas­tar para dar-lhe clara e lam­pante con­clusão. Tomem­os, como exem­p­lo, um tex­to das S. Escrit­uras: o sen­ti­do nesse con­ti­do pode se demon­stra­do pelas palavras, pela sua tecedu­ra e pelo próprio con­tex­to ou pela inter­pre­tação dos SS. Padres. E um e out­ro argu­men­to, ain­da que intrínseco o primeiro, extrínseco o segun­do, é todo próprio da ciên­cia teológ­i­ca; porque estes da S. Escrit­u­ra e da inter­pre­tação dos SS. Padres, como fonte própria, atinge. Se por meio des­ta os teól­o­gos provam o sen­ti­do do tex­to, isso deve diz­er-se ver­dadeira­mente demon­stra­do, ain­da que per­maneça no tex­to, em si mes­mo sep­a­rada­mente con­sid­er­a­do, algu­ma obscuri­dade e incerteza.