P. CURZIO NITOGLIA: A “TESE DE CASSICIACUM” É AINDA ABSOLUTAMENTE CERTA?


Apologética, Atualidades, Teologia / quarta-feira, março 2nd, 2016

Padre Curzio Nitoglia
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Advertên­cia

Ten­do aban­don­a­do – pub­li­ca­mente – as con­clusões jurídi­cas da “Tese de Cas­si­ci­acum” (7–8 de dezem­bro de 2006) para chegar ao “Sim Sim Não Não” em Veletri (7 de janeiro de 2007), me sen­ti, des­de então, no dev­er de explicar as razões da min­ha mudança. Tra­bal­hei este pequeno escrito há muito tem­po e  colo­co aqui o “resumo” como “uma hipótese de Veletri” [1]. Eu refleti – infor­mal­mente já a par­tir de do fim de 2003, (e des­de o final de 1990, as con­se­quên­cias práti­cas e jurídi­cas que alguns “guer­ar­dianos” tiravam da “Tesi de Cas­si­ci­acum” me pre­ocu­pavam e me deix­avam com dúvi­das). Só em agos­to de 2007 (depois de lon­ga – talvez demasi­a­da lon­ga – pon­der­ação) deix­ei, tam­bém for­mal­mente a “Tesi de Cas­si­ci­acum”, a qual aderi por muitos anos. Eu não que­ria pub­licar está pági­na, para não per­tur­bar ain­da mais os fiéis, falan­do de questões “tremen­das” (com­paráv­el ao dog­ma da “Pre­des­ti­nação”) e que super­am a capaci­dade dos não “espe­cial­is­tas” em teolo­gia, (tais argu­men­tos podem ser abor­da­dos “na esco­la” e não pred­i­ca­do aos sim­ples fiéis)[2], mas mais fiéis me tem acon­sel­ha­do a tornar públi­ca as razões da min­ha decisão, sendo eu um sac­er­dote e então uma pes­soa “públi­ca”, para evi­tar todo equívo­co. Somente com este inten­to vou divul­gar este escrito, sem nen­hu­ma pre­ten­são, nem ameaça de apos­ta­sia, para quem não está de acor­do, lem­bre (sobre­tu­do para mim e para os out­ros) as palavras de Dante:

«Or tu chi sei, che vuoi sedere a scran­no,

per giu­dicar da lun­gi mille miglia

con la vedu­ta cor­ta d’una span­na?»

(Par­adiso, XIX, 79–81).

Intro­dução: Três citações do Padre Guérard

1) “O alcance obje­ti­vo da per­gun­ta: “O ocu­pante da Sé Apos­tóli­ca é, sim ou não, Papa mate­rial­mente?”, é de tal for­ma fora do nos­so alcance que conc­re­ta­mente e real­mente, a respos­ta a está per­gun­ta não tem quase impacto sobre o com­por­ta­men­to efe­ti­va­mente pos­sív­el dos fiéis lig­a­dos a Tradição” (Guérard des Lau­ri­ers, Sodal­i­tium, nº 13, em, “O prob­le­ma da autori­dade”, Ver­rua Savóia, CLS, 2005, pg 37).

  • Se é “fora do nos­so alcance”, (espe­cial­mente aque­la de P. Guérard des Lau­ri­er) não é evi­dente. Se “não há impacto sobre a vida dos fiéis”, não se pode tirar nen­hu­ma con­clusão práti­ca ou jurídi­ca. Coisa que os “guer­ar­dianos”, ao invés fazem “na práti­ca”, reputando‑a evi­dente “em teo­ria” e assim ultra­pas­sam e con­tradizem o próprio P. Guérard.

2) “Uma tal per­pet­u­ação [da hier­ar­quia pura­mente mate­r­i­al] não é, ex se, impos­sív­el. Essa requer todavia con­sagrações epis­co­pais vál­i­das. E porque o novo rito é dúbio, os ocu­pantes (da Sé Apos­tóli­ca) bem rápi­do não serão mais que “APARÊNCIA” (O prob­le­ma da autori­dade e do epis­co­pa­do na Igre­ja, Ver­rua Savóia, CLS, 2005, pg.37)

  • Se Ben­to XVI é uma “pura aparên­cia” não é nem “papa mate­rial­mente ou em potên­cia”, onde a “Tese de Cas­si­ci­acum” desmorona a favor da “sé total­mente vacante”. Na ver­dade hoje (2008) com Ben­to XVI, o qual não seria val­i­da­mente bis­po, porque foi con­sagra­do com o “sacra­men­tário da Igre­ja con­cil­iar”, nos encon­tramos diante do “nada” ou pri­vação total do Papa­do.

3) “Quem declara atual­mente: ”Mons. Wojty­la não é por nada Papa [nem tam­bém mate­rial­mente]”, deve: ou con­vo­car o con­clave [!], ou mostrar as cre­den­ci­ais que o con­stituem dire­ta­mente e ime­di­ata­mente Lig­a­do a Nos­so Sen­hor Jesus Cristo[!]” (O prob­le­ma da Autori­dade…, Ver­rua Savóia, CLS, 2005, pg 37).

  • Ora, para Padre Guérard Ben­to XVI não seria papa nem sequer, mate­rial­mente, não sendo nem Bis­po, então os “tesis­tas”, para serem coer­entes com a “Tese”, dev­e­ri­am ou eleger um out­ro Papa, ou demon­strar serem os Vigários ou “lig­a­dos dire­ta­mente” a Cristo. Segun­do eles ter­tium non datur.…

 

Dis­cern­i­men­to e bom sen­so

San­to Iná­cio nos “Exer­cí­cios Espir­i­tu­ais” (nº 318) ([3]) escreve que em tem­po de des­o­lação não se deve mudar o propósi­to de agir, mas per­manecer para­do e faz­er como antes sem pre­tender de ver claro, porque “no tur­vo pesca o demônio”. Então no caso de obscuri­dade, aridez, des­o­lação, “noite dos sen­ti­dos e do espíri­to”, se deve con­tin­uar como antes, mes­mo sem ver, na ver­dade deve­mos nos con­tentar por não ter­mos luzes, porque Deus per­mite tal obscuri­dade para purificar as almas dos seus fiéis, exor­tan­do-os a con­fi­ar mais Nele do que em si mes­mos é a “esper­ança con­tra toda esper­ança” sem ver na inev­idên­cia (quod repug­nat). Tam­bém San­ta Tere­sa D’ávila e São João da Cruz ensi­nam a mes­ma dout­ri­na, que é comum em teolo­gia ascéti­ca e mís­ti­ca.

Todo exces­so é um defeito

Aque­les que pre­ten­dem saber tudo de tudo e ter a certeza de como estão real­mente as coisas, erra: espe­cial­mente em uma situ­ação de obscuri­dade e de incerteza como a atu­al, que não tem igual em toda a história da Igre­ja. Toda respos­ta (tam­bém e espe­cial­mente a min­ha) e “solução” ou “ten­ta­ti­va” é par­cial e tem suas som­bras claras e obscuras. Somente a Igre­ja hierárquica poderá diz­er a palavra defin­i­ti­va. Então “si non vis errare, noli velle scrutare” (San­to Agostin­ho). A crise con­cil­iar e pós-con­cil­iar é um “mis­tério tremen­do”, ora o mis­tério esta além da razão humana, a ultra­pas­sa mas não a con­trária. Por­tan­to, “pro­cure­mos tornar cer­ta a nos­sa eleição, medi­ante as nos­sas boas obras” (São Pedro). Isto é, faz­er aqui­lo que a Igre­ja sem­pre fez (São Vicente de Lérins, “Com­mon­i­to­ri­um”, cap.III), rejeitar as novi­dades que levaram a tal esta­do de con­fusão dog­máti­ca, moral e litúr­gi­ca.

Não pre­cisamos quer­er exager­ar (sub­sti­tuin­do a hier­ar­quia), pen­san­do “ver claro a meia-noite”. A hipótese ou a per­gun­ta espec­u­la­ti­va sobre a Autori­dade é líci­ta [os doc­u­men­tos do Con­cílio Vat­i­cano II, o ensi­na­men­to “pan­cristão” de João Paulo II, o NOM, põem sérias e reais inter­ro­gações, não se pode fin­gir que nada acon­te­ceu e acusar o sede­va­can­tismo de ser o “mal abso­lu­to”, uma espé­cie de “shoa católi­ca”, enquan­to os respon­sáveis por tal “catástrofe” reli­giosa foram João XXIII, Paulo VI e João Paulo II] , mas esta hipótese teóri­ca, não deve se tornar uma certeza práti­ca, fal­tan­do-lhe (hoje) a evidên­cia, como se mostra nas três citações do P. Guérard descritas (sobre­tu­do quan­to ao exer­cí­cio práti­co dessa ou a con­clusão jurídi­co-canôni­ca que delas se tiram) e espe­cial­mente não deve ser pre­ga­da aos fiéis com imprudên­cia,  super­fi­cial­i­dade e arrogân­cia (4), caso con­trário corre se o risco de cair no deses­pero ou na pre­sunção (San­to Iná­cio de Loy­ola, Exer­cí­cios Espir­i­tu­ais, “Regra para sen­tir com a Igre­ja”, n°362/365/366/367/368/369).

Ao invés, seria opor­tuno que o fronte católi­co anti-mod­ernista fos­se sub­stan­cial­mente unido (na recusa da novi­dade) e aci­den­tal­mente (quan­to ao modo de agir) sep­a­ra­do ou dis­tin­to mas não inimi­go. Aqui­lo que deixa per­plexo é o exces­so de polêmi­ca (no qual mer­gul­ham, espe­cial­mente via “inter­net”, pes­soas ain­da em jejum de noções basi­lares do cate­cis­mo), incluin­do os ”sede­va­can­tis­tas totais”.  

4) Por exem­p­lo, quan­to ao dog­ma da Pre­des­ti­nação, a Igre­ja dá ple­na liber­dade de ensi­nar e de seguir a tese tomista ou a molin­ista, emb­o­ra sejam rad­i­cal­mente difer­entes e con­tra­ditórias e por­tan­to obje­ti­va­mente só uma é ver­dadeira, porque em um mis­tério tão difí­cil e “tremen­do” não tem a pre­ten­são de ter a certeza abso­lu­ta e obri­gar os fiéis a seguirem uma tese teológ­i­ca que pode ser muito dura para as suas forças. Ao con­trário alguns sac­er­dotes “tesis­tas”, na crise mis­te­riosa e tremen­da que atrav­es­sa a Igre­ja des­de 1958 (na ver­dade des­de 1955), não hesi­tam em reivin­dicar saber tudo e de obri­gar aos pobres fiéis a seguirem em tudo e por tudo as suas “certezas” abso­lu­tas, que não admite per­gun­tas, dúvi­das e prob­le­mas de con­sciên­cia. Quan­do alguém se atreve a faz­er uma per­gun­ta, nor­mal­mente, exce­to raras exceções, se sente ameaça­do pelo peca­do mor­tal de cis­ma, de de danação, de ter muda­do irre­ver­sivel­mente de cam­po etc… Enquan­to a crise que investiu o ambi­ente católi­ca a meio sécu­lo, pode faz­er perder a tes­ta e a fé se si pen­sa muito, sem ade­qua­da preparação teológ­i­ca e uma inten­sa vida espir­i­tu­al, cuida­do de asse­gu­ra a eleição através das boas obras, sem as quais a fé é mor­ta. Por­tan­to, não é bom falar aos sim­ples fiéis nos mín­i­mos detal­h­es, até as últi­mas con­clusões, como se fos­sem certezas infalíveis de fé e de cos­tumes. Se o se faz, ou se é irre­spon­sáv­el, ou manip­u­lador das con­sciên­cias, para poder dis­por em seu próprio uso e van­tagem (não mate­rial­mente força­da). Ten­ho con­heci­do fiéis (e tam­bém sac­er­dotes, para não falar de alguns Bis­pos Thuc) que tem debati­do, tam­bém por escrito na “inter­net”, em “mate­ri­aliter” (com acen­to no segun­do i) e em “for­maliter” (idem ut supra), sem con­hecer o “abc” da dout­ri­na católi­ca. 

Analoga­mente, para faz­er três exem­p­los:

  • A divergên­cia de “nuances teológ­i­cas” entre S. Thi­a­go Bis­po de Jerusalém e S. Paulo Após­to­lo dos Gen­tios, em 58 d.c., (At., XXI, 15) aparece clara quan­do S. Paulo foi para Jerusalém e S. Thi­a­go lhe mostra suas reser­vas, na ver­dade enquan­to o primeiro colo­ca­va o acen­to majori­tari­a­mente sobre a fé em Cristo (viv­i­fi­ca­da pela cari­dade) para a sal­vação eter­na, o segun­do salien­ta­va mais a importân­cia da Lei mosaica para os cristãos prove­nientes do judaís­mo, ape­sar de não con­sid­erá-la essen­cial para a sal­vação, mas todavia essa per­manên­cia, para ele, um ele­men­to impor­tante de lig­ação a história e a religão de seus pais. Já no Con­cílio de Jerusalém (49 d.c.) a questão foi debati­da, porém “As ten­sões na Igre­ja prim­i­ti­va per­manece­r­am graves tam­bém depois do Con­cílio de Jerusalém” (D. Bar­sot­ti, Med­i­tação sobre os Atos dos Após­to­los, Cinisel­lo Bal­samo, São paulo, rist. 2008, pg 379). O Abade Giuseppe Ric­ciot­ti (Paulo Após­to­lo, Roma, Colet­ti, V ed., 1946) expli­ca: “A recepção que Paulo encon­trou na comu­nidade de Jerusalém foi uma recepção diplomáti­ca (…) em Jerusalém vivi­am lado a lado helenistas, cristãos e judeus-cristãos, com as suas respec­ti­vas propen­sões” (pg. 459). Ago­ra, o Con­cílio de Jerusalém tin­ha fal­a­do claro, mas “se em teo­ria era clarís­si­mo, na práti­ca o peso da humanidade não per­mi­tia a este grupo ou aque­le de ele­var-se até aque­le sub­lime cume. E então os pro-emi­nentes após­to­los prop­un­ham com­pro­mis­sos, para faz­er encon­trar os dois gru­pos” (ibid.). Thi­a­go criti­cará em São Paulo a exces­si­va liber­dade do mosaís­mo, mes­mo o aban­dono. Paulo ensi­na­va, con­forme o Con­cílio jerosolim­i­tano “os pagãos que se tornaram cristãos não devi­am pre­ocu­par-se das observân­cias judaicas, mas com os judeus que se tornaram cristãos eles (…) era mais sub­mis­so, deixan­do a con­sciên­cia deles, o con­tin­uar ou não as práti­cas da Lei, porém afir­man­do que essa não era adver­sa a sal­vação” (pg 461).   Don Divo Bar­sot­ti, (emb­o­ra não com­par­til­han­do em todas as suas obras, mas muito pro­fun­da e orto­doxa nas suas Med­i­tações sobre os Atos dos Após­to­los, ao con­trário da tão apre­goa­da Cristi­na Cam­po, Coomaraswamy Jr. e com­pan­hia “sede-va-can­tante”…) comen­ta: “Sobre o plano da teolo­gia e da práti­ca per­manecem pos­síveis inter­pre­tações diver­sas da fé e da von­tade de Deus; ninguém pode pre­tender exau­rir toda riqueza da Igre­ja, nem mes­mo Paulo. Ele deve viv­er em comunhão com Thi­a­go, e Thi­a­go deve viv­er em comunhão com Paulo (…). O que cer­ta­mente  nos une é a fé úni­ca e comum, mas como facil­mente tam­bém na fé somos lev­a­dos a enfa­ti­zar o nos­so pon­to de vista, que por mais que seja legí­ti­mo, é sem­pre par­cial” (Med­i­tação sobre os Atos dos Após­to­los, pg 380). Paulo fará o voto de nazirea­do, seguin­do o con­sel­ho de Thi­a­go, para não escan­dalizar – com seu com­por­ta­men­to práti­co – os sim­ples que do judaís­mo se con­ver­ti­am a Cristo, mas não pode fal­tar a ver­dade: Para ele a Lei foi super­a­da pela fé em Cristo infor­ma­da pela graça san­tif­i­cante.  
  • Em segun­do lugar, é um fato históri­co div­ina­mente rev­e­la­do que São Paulo resis­tiu face a face São Pedro (Gal. II, 11–21). Ago­ra “não há argu­men­to con­tra o fato que pre­ciso”. Na real­i­dade mes­mo sobre o peca­do de São Pedro se tem uma séria dis­pu­ta e divergên­cia aci­den­tal de opiniões entre os Padres e Doutores, ape­sar de uma unidade sub­stan­cial. De fato, São Jerôn­i­mo sus­ten­ta que Pedro e Paulo fin­gi­ram, um evi­tan­do os pagãos “para não escan­dalizar os judeus” e out­ro “repreen­den­do” Pedro. San­to Agostin­ho é abso­lu­ta­mente con­trário a tal opinião, para ele Pedro “era real­mente repreen­sív­el, pecou real­mente por exces­si­vo cuida­do de não escan­dalizar os judeus”. Para San­to Agostin­ho o peca­do de Pedro foi venial de frag­ili­dade ou semi-delib­er­a­do, não de malí­cia ou de propósi­to delib­er­a­do. San­to Tomás de Aquino (S.T., I‑II, q. 103, a. 4, ad 2um) retoma a tese de San­to Agostin­ho. Então é cer­to que Pedro não pecou mor­tal­mente, mas só venial­mente e por frag­ili­dade,  como tam­bém é um fato indis­cutív­el que São Paulo o havia repreen­di­do pub­li­ca­mente (Gal. II, 11–21) porque o seu exces­si­vo cuida­do em não ferir os judeus, mor­ti­fi­ca­va os pagãos con­ver­tidos ao cris­tian­is­mo. Todavia o ato de Pedro, emb­o­ra em si mes­mo, práti­co, teria com­por­ta­do (se não tivesse sido cor­rigi­do) a “con­clusão teóri­ca” da here­sia judaizante, ou seja, a neces­si­dade de respeitar as regras cer­i­mo­ni­ais do mosais­mo para sal­var-se, mes­mo depois de Cristo. Então Paulo tin­ha que cor­ri­gir Pedro em públi­co, Pedro aceitou injunção de Paulo: o primeiro não declar­ou a “sé vacante”, o segun­do não exco­mungou quem lhe resis­tia face a face e pub­li­ca­mente. Por isso é div­ina­mente rev­e­la­do que se pode repren­der excep­cional­mente e pub­li­ca­mente a Autori­dade do Papa.
  • Enfim, naqui­lo que diz respeito ao dev­er de obe­de­cer, sem­pre e em todo caso a Autori­dade ecle­siás­ti­ca, se pode respon­der que: Padre Gui­do Ver­nani de Rim­i­ni o.p., (De potes­tate Sum­mi Pon­tif­i­cis) afir­ma que Cristo quis sofr­er livre­mente a morte, pena impos­ta por Pilatos, por insti­gação do Siné­drio, sem aprovar como jus­ta a sen­tença iníqua (“aque­le que me entre­gou a ti, tem maior peca­do”. Pilatos e ain­da mais Caifás são cul­pa­dos, mas são e con­tin­u­am “Pre­tor” e “Sumo Pon­tí­fice”), mas ao mes­mo tem­po recon­hece a autori­dade legí­ti­ma daque­le que o con­denaram (responde a Caifás, chama­do pelo Evan­gel­ho de João XI, 49 “Sumo Sacerdote”que assim enquan­to Sumo Sac­er­dote e não por si mes­mo como um sim­ples homem, pro­fe­ti­zou a morte de Cristo [Jo XI, 52] para todo o povo; e ao procu­rador Pilatos: “não have­ria nen­hum poder se não lhe fos­se sido dado do alto” Jo XIX, 11. Então Pilatos tem e exerce o poder, mes­mo se o exerce mal, assim o Siné­drio e o Sumo Pon­tí­fice Sac­er­dote que enquan­to tal “pro­fe­ti­zou” a morte de Jesus para a sal­vação de muitos). Jesus não invo­cou a fal­ta de exer­cí­cio de gov­er­no ou de autori­dade em Pilatos e no Siné­drio, que tam­bém não agiam – obje­ti­va­mente, por atos que tin­ham lugares – pelo bem comum. Ele respon­deu as suas per­gun­tas, recon­heceu o esta­do de fato: gov­er­navam real­mente, então exerci­tavam a autori­dade, mes­mo que dela se servis­sem ini­qua e cul­posa­mente, não aprovaram como boa a sen­tença má, mas nem sequer argu­men­tou que, haven­do a intenção obje­ti­va de não faz­er o bem comum, mais de matar o Ver­bo Encar­na­do mes­mo, não exerci­tavam de fato o poder; não, ess­es prati­ca­mente gov­er­navam e como tais eram con­sid­er­a­dos tam­bém por ele: gov­er­nantes de fato e de dire­ito. Os Atos dos Após­to­los (VII, 52) são claros sobre este pon­to e San­to Tomás expli­ca que “como uma pes­soa queri­da que morre, é tida em casa por algum tem­po antes de ser sepul­ta­da defin­i­ti­va­mente, assim os Após­to­los man­tiver­am um cer­to legame com a Sin­a­goga antes de aban­doná-la for­mal­mente” (S.T., 1a-2ae, q.103, a.4). Ape­nas com a morte de São Thi­a­go Após­to­lo e bis­po de Jerusalém (62 d.c.) e a destru­ição do Tem­p­lo (70 d.c.), os Após­to­los e espe­cial­mente São Paulo, for­mal­mente se des­pe­dem da Sin­a­goga e não recon­hecem aos Sac­er­dotes algum poder. Antes de tal even­to, tam­bém depois da morte de Cristo (por cer­ca de trin­ta-quarenta anos) os Após­to­los con­tin­uaram a fre­quen­tar as Sin­a­gogas, para pre­gar o Evan­gel­ho e respeitaram a Autori­dade do Sumo Sac­er­dote, tam­bém man­cha­do de deicí­dio, mas respon­den­do a sua injunção de não pre­gar Jesus cru­ci­fi­ca­do e ressus­ci­ta­do: “É mel­hor obe­de­cer a Deus do que aos home­ns”. Onde a obe­diên­cia não deve ser apre­sen­ta­da de for­ma total­mente abso­lu­ta, mas mati­za­da e com as exceções que con­fir­mam a regra. São Paulo mes­mo, div­ina­mente inspi­ra­do, rev­el­ou: “Ain­da que eu ou um anjo, rev­e­lasse um out­ro Evan­gel­ho, seja anátema”. Não disse para obe­de­cer abso­lu­ta­mente mas nem sequer con­sid­er­ar a “sede (pauli­na ou angéli­ca) vacante”. Ter­tium datur.

Assim, a crise que a Igre­ja enfrenta des­de 1958 (ou 1955) até hoje, deve ser de um sen­ti­do das nuances e dis­tinções que fre­qüen­te­mente fal­tam total­mente, cada um pre­tenden­do haver total­mente e abso­lu­ta­mente razão.

Ed un Mar­cèl diven­ta

ogne vil­làn che parteggian­do viene”.

(Pur­ga­to­rio, VI, 125).

A frase que San­to Iná­cio de Loy­ola colo­ca no iní­cio dos Exer­cí­cios Espir­i­tu­ais “Todo bom cristão deve ser mais pron­to a sal­var a proposição do próx­i­mo que a con­denar” (nº22), aju­daria, se obser­va­da, não poucos a man­terem-se no jus­to meio (de altura e não de medioc­ridade), que dis­tingue para unir para poder alcançar uma posição o máx­i­mo pos­sív­el próx­i­ma da real­i­dade, emb­o­ra admitin­do a pos­si­bil­i­dade de fac­etas e acen­tu­ações diver­sas, quan­to ao modo de inter­pre­tar a crise atu­al.

 

O mis­tério da “Paixão da Igre­ja”

 

Me parece que a situ­ação hodier­na seja análo­ga a Paixão de Cristo, na qual “A divin­dade se esconde e deixa sofr­er a san­tís­si­ma humanidade de Jesus” (San­to Iná­cio de Loy­ola Exer­cí­cios Espir­i­tu­ais, nº 196). Já San­to Tomás de Aquino (Adoro Te devote) havia escrito “In cruce late­bat (…) deitas”, sobre a Cruz a divin­dade de Cristo esta­va escon­di­da, eclip­sa­da, não se via. Mas Ele deix­a­va sofr­er cru­elis­si­ma­mente a  sua humanidade, tan­to a ser “mais semel­hante a um verme que a um homem” (Isaías).

Padre Luis de la Pal­ma, escreve:”Supera toda a nos­sa com­preen­são o fato que o Fil­ho ten­ha sido aban­don­a­do” (A paixão do Sen­hor, Milão, Ares, 1996, pg 292).

Na Suma Teológ­i­ca o Aquinate expli­ca que “a Divin­dade mila­grosa­mente per­mite a humanidade de Cristo provar a angús­toa pelo aban­dono (aparente) da parte de Deus, mais sendo essa uni­da hipo­sta­ti­ca­mente a Pes­soa div­ina do Ver­bo e gozan­do da visão beat­í­fi­ca. Isto foi per­mi­ti­do porque é através das muitas tribuações que nos é per­mi­ti­do entrar no Reino dos Céus” (III, q.45, . 2, in cor­pore). Sem­pre na Suma lemos “Foi por mila­gre que a divin­dade não redun­da­va sobre a humanidade de Cristo” (III, q 14, a. 1 ad 2 um), “afim que pudesse cumprir o mis­tério da nos­sa redenção sofren­do” (III, q.54, a.2, ad 3 um). Jesus Cristo mes­mo reclam­ou a nos­sa atenção sobre tal mis­tério quan­do gri­tou sobre a cruz: “Deus meu porque me aban­do­nou?”. A respos­ta ao “porque” não foi ime­di­a­ta,  que teve que resolver, durante a Paixão, o “fato”.

Assim hoje na Paixão da Igre­ja se esconde o seu ele­men­to divi­no e aparece somente o humano da for­ma mais bru­ta ou “ver­mi­forme”. Este é um mis­tério que deri­va daque­le da União Hipostáti­ca e do dup­lo ele­men­to (divi­no e humano) da Igre­ja (que é Cristo con­tin­u­a­do na história). Jesus havia pred­i­to aos Após­to­los o seu (e deles) eclipse: “ Vós todos vos escan­dalizareis por min­ha causa está noite. Porque está escrito: Ferirei o Pas­tor e o reban­ho se dis­per­sará” (Sába­do San­to). Ao invés Nos­so Sen­hor nos exor­ta jun­to aos Após­to­los: “ Eu lhes disse estás coisas para que vocês não  se escan­dal­izem (…). Quan­do vier a hora deles recor­dem-se daqui­lo que eu disse”. A hora da “Sin­a­goga de satanás” (Apoc., II, 9) e do poder infer­nal é algo de preter­nat­ur­al, que quase se toca com a mão hoje, como durante a Paixão de Jesus. “Virá a hora, mas é já vin­da, na qual vos dis­per­sareis cada um por si e me deixarão soz­in­ho”. No Sába­do San­to só Maria San­tís­si­ma havia con­ser­va­do ple­na­mente a fé na divin­dade e ressur­reição de Cristo.

Soz­in­ha, Nos­sa Sen­ho­ra esta­va a espera (…). Soz­in­ha na sua fé (…) acred­i­ta­va sem a mín­i­ma dúvi­da que Jesus  ressus­ci­taria (…). Tan­to os Após­to­los como os dis­cípu­los não acred­i­tavam [ple­na­mente, pre­cisam os teól­o­gos, nda] na Ressur­reição (…). Maria recor­dou que, no dia seguinte ele Ressus­ci­taria (…). Mas eles não podi­am acred­i­tar [per­feita­mente] (…). Maria era a úni­ca luz ace­sa sobre a ter­ra (…). O refú­gio dos pecadores que não podi­am acred­i­tar [per­feita­mente]” (L. De La Pal­ma, A Paixão…, pg 243–246). 

Gabriele Ros­chi­ni (Vida de Maria, Roma, Fides, 1959) escreve que a Madale­na “vac­ila­va” e que as aparições feitas aos out­ros eram orde­nadas a “con­fir­mar-lhes na fé” (pg. 276 e 282) porque “a fraque­za da fé deles con­sti­tuía a força de seu teste­munho” (pg. 283) e P. C. Lan­duc­ci (Maria San­tís­si­ma no Evan­gel­ho, Roma, Pauli­nas, 1945), fala de “fé fra­ca e vac­ilante” dos Após­to­los, aos quais Jesus apare­cia para “reforçar-lhes a fé” (pg. 436–437). Onde não se pode afir­mar que os Após­to­los tin­ham per­di­do total­mente a fé.

Quan­do Cristo aparece aos Doze depois da sua ressur­reição não lhes con­de­nou mas disse a eles “não ten­hais medo, sou eu, a paz este­ja con­vosco”. Assim hoje não deve­mos pre­sumir de ver mais claro que os Após­to­los, tam­bém hoje, como então, os católi­cos fiéis estão dis­per­sos cada um por si mes­mo. A Imac­u­la­da Con­ceição é uma só. Quan­do Pedro cor­tou a orel­ha de um dos sol­da­dos que pren­di­am Jesus, Ele o repreen­deu dizen­do: “Pen­sas que eu não pos­so pedir ao meu Pai que me daria súbito mais de doze legiões de anjos. Mas ago­ra como se cumpriri­am as Escrit­uras, segun­do as quais assim deve acon­te­cer?. Aqui o mis­tério que ultra­pas­sa a razão humana, sem ser con­tra ela: o “como”, o “porque”. Durante a Paixão de Cristo e da Igre­ja tem qual­quer coisa de sobre-humano e mis­te­rioso que nos ultra­pas­sa. Tam­bém hoje Cristo pode­ria man­dar doze legiões de anjos, mas é assim deve acon­te­cer. O porque nos escapa, o podemos entr­ev­er no claro-obscuro da fé, mas não plus ultra. 

Padre Regi­nal­do Gar­rigou-Lagrange expli­ca que os Após­to­los “naque­le momen­to no qual seu Mestre esta­va cumprindo a redenção, não viram além do lado humano das coisas” (Jesus que me red­ime, Roma, Cit­tà Nuo­va, 1963, pg 337) e se escan­dalizaram, como pred­i­to. O grande teól­o­go domini­cano con­tin­ua: “Este mis­tério da [paixão e] ressur­reição con­tin­ua, em um cer­to sen­ti­do, na Igre­ja. Jesus a faz a sua imagem e per­mite para ela ter­ríveis provas, e lhe con­cede ressus­ci­tar, em cer­to modo, mais glo­riosa, depois os golpes mor­tais que os seus adver­sários lhe infligem” (Ibi­dem, pg. 353). É notáv­el, os golpes que recebe a Igre­ja em todos os sécu­los, são mor­tais, essa parece mor­rer, mas ressurge toda vez mais bela “sem ruga e nem man­cha”, bas­ta esper­ar e não sub­sti­tuí-la com um “manequim” thucista que é um “remen­do pior que o bura­co”. Nen­hum nega a existên­cia do “bura­co”, mas se vê de den­tro do “remen­do” se entende que é mais sem fun­da­men­to que “bura­co”, uma espé­cie de “boi que diz cor­nudo como o bur­ro”.

Romano Amério, entre­vis­ta­do pelo “Sim Sim Não Não” em 1987 a per­gun­ta sobre como se pode sair da crise (das vari­ações sub­stan­cias na Igre­ja com o Con­cílio Vat­i­cano II), responde que ele podia entr­ev­er só o princí­pio remo­to da solução: a Div­ina Providên­cia, aque­le próx­i­mo de ter ple­na­mente razão (tene­brae fac­tae sunt), mas não pos­so per­mi­tir que out­ros queiram impor (espe­cial­mente aos fiéis ingen­u­os que são manip­u­la­dos, ater­ror­iza­dos e man­da­dos para a briga, com con­se­quên­cias práti­cas fre­qüen­te­mente desas­trosas, que con­statei durante vinte anos) “luzes” ou soluções incer­tas e con­clusões morais e canôni­cas, como o úni­co remé­dio a tan­to desas­tre.

Con­clusão: Com qual “autori­dade”?

Se define, de for­ma abso­lu­ta­mente cer­ta, que não há mais “Gov­er­no” em ato e de fato na Igre­ja a quarenta anos e se tiram todas as con­clusões práti­cas e canôni­cas como ten­do “autori­dade”? Com qual “autori­dade” se define com certeza, para faz­er um exem­p­lo, que as sen­tenças da Sagra­da Rota são nulas a quarenta anos (obri­g­an­do per se a quem rece­beu a sen­tença da rota de nul­i­dade de matrimônio, a viv­er como São José e Nos­sa Sen­ho­ra, expon­do-os a peri­gos próx­i­mos de peca­do mor­tal e habit­u­al) e que as con­fis­sões e matrimônios dos páro­cos são inváli­dos (sendo dev­i­do em matéria sacra­men­tar-lá o tucionis­mo ou rig­oris­mo, segun­do qual “a dúvi­da é nula”) a quarenta anos? Que o sac­ri­fí­cio da Mis­sa é inváli­do e ces­sa­do, assim o sac­erdó­cio, o epis­co­pa­do, onde mais a extrema unção e a crisma, (restaria só o batismo e alguns coer­en­tís­si­mos “sede­va­can­tis­tas” que recebem e admin­is­tram só o batismo, tudo feito sendo vici­a­do, tam­bém os sacra­men­tos dos out­ros “sede­va­can­tis­tas” não coer­en­tís­si­mos). Com qual “autori­dade” se apre­sen­tam como “envi­a­dos” (mis­si) a “aniquilar e anu­lar” todos os atos (tam­bém jurídi­cos) da Igre­ja ofi­cial? A proibir até mes­mo a assistên­cia a Mis­sa de São Pio V, se cel­e­bra­da “una cum”, sob pena de sac­rilé­gio, peca­do mor­tal e cis­ma cap­i­tal e ater­ror­izan­do os fiéis, os sem­i­nar­is­tas e os sac­er­dotes “fra­cos de espíri­to”? Talvez com o “livre exame” da “sola Tra­di­tio”? Ou talvez se acred­item (de fato e tam­bém se não de dire­ito) “Lig­a­dos dire­ta­mente a Cristo”? Porque na práti­ca se age assim, tam­bém se não se for­mu­la em teo­ria. As advertên­cias som­brias de apos­ta­sia irre­ver­sív­el e de danação da parte da “Sodal­i­tium” – pela graça de Deus – não me tocam, mas con­heço muitos fiéis e sem­i­nar­is­tas ou até mes­mo sac­er­dotes que se deix­am intim­i­dae pela ameaça de “fratu­ra”, fat­wa ou herèm, lança pelos “Sumos Sac­er­dotes” (ao menos de fato) da obla­tio mun­da.

  As palavras de San­to Tomás segun­do as quais, “geral­mente, a revol­ta con­tra a públi­ca “má-autori­dade” ou tira­nia, se expõem mais os maus que os bons, na ver­dade aos maus pesa tan­to o gov­er­no do rei como aque­le do tira­no” (In V Politi­co­rum Aris­totelis, lib. V, 1, 1301a). Enquan­to “os home­ns vir­tu­osos”, os quais devem jul­gar a opor­tu­nidade e a licei­dade da resistên­cia e revol­ta, difi­cil­mente recon­hecem ter todas as razões para se rebe­larem lici­ta­mente, ao invés “os maus” são mais propen­sos a tomar todas as razões e a revoltarem-se, sem pen­sar nas con­se­quên­cias de seus atos (In V Politi­co­rum, lect. I, n° 714), são mais  apro­pri­a­dos e atu­ais que nun­ca, em efeito muitos criti­cam não só a nou­velle théolo­gie, mas tam­bém Pio XII. Ele seria o Papa (manobra­do por Bugni­ni, coma mar­i­onete nas mãos de um titereiros) que real­i­zou uma pro­fun­da revisão dos ritos da Sem­ana San­ta, quan­do pela primeira vez  um rito católi­co (ante­ri­or a refor­ma do Papa Pacel­li de 1955) foram sub­meti­dos a alter­ações sug­eri­das pelo judaís­mo, que abriria a por­ta a qual­quer mudança na litur­gia. Onde todo o proces­so se des­fez (= Con­cílio Vat­i­cano II e NOM) iria começar pre­cisa­mente com a refor­ma litúr­gi­ca (ecumêni­ca) da Sem­ana San­ta de Pio XII. A litur­gia católi­ca seria colo­ca­da a dis­posição (da parte de Pio XII) do ecu­menis­mo, e eles seri­am cul­pa­dos de terem feito (entrar e) coman­dar o judaís­mo no san­tuário católi­co. Pio XII havia cumpri­do uma gen­u­flexão sim­bóli­ca diante do judaís­mo (Cfr, “Sodal­i­tium, nº 62, pg 58–65). Ora, tudo isto me deixa per­plexo, até mes­mo ater­ror­iza­do de tan­to “cow-boy-smo teológi­co”. De fato, o fim da Igre­ja é a sal­vação das almas. Ora se a Autori­dade não real­iza o bem das almas, segun­do a “Tese”, ces­sa de ser autori­dade. Então Pio XII, que abriu ao judaís­mo (e o fez entrar no san­tuário), ao ecu­menis­mo, a mutação per­pé­tua da litur­gia; não que­ria obje­ti­va­mente, a par­tir do ato que tem lugar em 1955, o bem das almas. Assim Pacel­li, (segun­do os “tesis­tas” “ter­tium non datur”), não seria for­mal­mente Papa. É lic­i­to con­cluir-lo (cfr. “Sodal­i­tium”, nº 62, pg. 29–30). Na ver­dade p. Guérard escrevia “Se tem autori­dade, tem o dev­er de obe­de­cer” (Cahi­er de Cas­si­acum, Niz­za, 1979, vol. 1, cap. 4, pg 91). Ora a maior parte dos “tesis­tas” recusa como de dire­ito a refor­ma de 1955, fei­ta mate­rial­mente pelo mes­mo Mons. Ani­bal Bugni­ni que fez em 1969 o NOM, mas pro­mul­ga­da for­mal­mente pelo Papa Pacel­li (cfr. “Sodal­i­tium”, n° 62, p. 63). Então para eles – prati­ca­mente – Pio XII não é Autori­dade.

É notáv­el que se tra­ta de uma lei uni­ver­sal que o Papa impõem a Igre­ja, não de um ato seu pri­va­do. Essa pode­ria ser no máx­i­mo a “não mais opor­tu­na”, mas nun­ca má. Ora, como se faz para con­cil­iar a gen­u­flexão ao judaís­mo etc…, com a não nocivi­dade da refor­ma pacel­liana e então o per­manecer da Autori­dade em Pacel­li? Se fos­se assim tam­bém o NOM e o Con­cílio Vat­i­cano II, pode­ria ser não noci­vo; ou se assim é, como escreve “Sodal­i­tium”, Pio XII não é for­mal­mente Papa. Não sei que coisa diz­er, silen­cio mar­avil­ha­do e agradeço, uma segun­da vez, Deus, por ter muda­do de lado. De fato ago­ra não se invo­ca mais (como até qual­quer ano faz) a eip­iekéia para não cel­e­brar segun­do as rúbri­c­as de 1955, mas se a recusa de fato e de dire­ito, como cati­va em si. Porém se si con­tin­ua assim onde se vai parar? Cada um tor­na-se o “Papa” de si mes­mo. Então na práti­ca, tam­bém sem dev­er con­vo­car um con­clave jus­ti­fi­ca­do em teo­ria, se com­por­ta como os “Lega­dos (ou vigários) dire­tos de Cristo, “Pacel­li erra”, Kyrie, eléi­son! “Sodal­i­tium” não”, Christe eléi­son! Está é ao menos “con­clav­ista” práti­ca e vivi­da, que pode ser tam­bém teoriza­da, espero não irre­ver­sivel­mente.

Pelo qual, onde está a Igre­ja real e não aque­la “vir­tu­al”, se todos os atos de Roma são nulos, se as orde­nações sac­er­do­tais e as con­sagrações epis­co­pais são invál­i­das, se os sacra­men­tos, com­prim­i­da a eucaris­tia e o Sac­ri­fí­cio da Mis­sa, são ces­sa­dos? A crise aniquilou total­mente seja o poder da ordem, de juris­dição e o mag­istério. O “Fim-Bom” da Igre­ja não existe mais a cinqüen­ta-quarenta anos, então tam­bém a Igre­ja? Na ver­dade uma religião que não tem mais sac­erdó­cio, nem sac­ri­fí­cio não é mais nem  mate­rial­mente ou em potên­cia, mas é total­mente mor­ta, (como aque­la da Anti­ga Aliança depois de 70, a qual era rel­a­ti­va ao Novo Tes­ta­men­to. Porém a Nova Aliança é Eter­na. Então não pode ces­sar total­mente). Essa não seria mais em Roma, mas onde se encon­tra os bis­pos e os sac­er­dotes da lin­ha Thuc? A Igre­ja não seria mais romana e pet­ri­na (o mate­ri­aliter depois de quarenta anos ten­do se tor­na­do nada, farsa e aparên­cia), mas thucista (ubi Thuc ini Eccle­sia); ten­do se tor­na­da Roma (ao menos des­de 2004, com a eleição de Ben­to XVI) não mais uma Religião, mas uma cena teatral de pas­tores-atores mudos, pare­ce­ria ser na ter­ceira era de Joaquim de Fiore, mas essa foi con­de­na­da pela fé católi­ca. Tam­bém o “thu­cis­mo”, para aque­les que como eu, que o viu de per­to, não é um moti­vo de cred­i­bil­i­dade (para diz­er o mín­i­mo). Como pre­ten­dem ser os por­ta­dores da úni­ca ver­dade sobre o mis­tério da crise que pen­etrou a Igre­ja de Cristo, quan­do há tan­tas obscuri­dades, mis­térios, questões debati­das e indefinidas? O fato ou o “quia” (crise) é cer­to, mas o como e o porque ou o “propter quid” per­manecem um mis­tério. 

State con­tente umane gen­ti al quìa,

ché se potu­to aveste ved­er tut­to,

non era mesti­er par­turìr Marìa”.

(Pur­ga­to­rio, III, 37–39).

O mis­tério da iniq­uidade, o mis­tério do coração humano, “Pravum est cor homin­is et imper­scrutabile, quis cognoscet eum?” (Jere­mias). Só Deus que son­da o coração e os rins. Então, “pro­cure tornar cer­ta a vos­sa eleição, medi­ante as vos­sas boas obras” (S. Pedro), não se pode pen­e­trar um mis­tério, seria como “quer­er meter toda água do oceano em um copo” (San­to Agostin­ho). Se pode procu­rar de estu­dar-lo, de aprox­imá-lo no claro-obscuro da fé, com mui­ta humil­dade e trep­i­dação, sem pre­tender de tê-lo com­preen­di­do e rev­e­la­do, na ado­ração dis­to que ultra­pas­sa a capaci­dade humana mais sem ser con­tra a razão, mas ape­nas para além dela. Não é nor­mal pro­por como abso­lu­ta­mente cer­to aqui­lo que é muito escuro, dis­puta­do e mis­te­rioso e impor-lo moral­mente e juridica­mente sobre pena de peca­do. Como para a Pre­des­ti­nação, deve­mos admi­tir o fato mis­te­rioso (Deus onipo­tente e homem livre/crise ecle­siás­ti­ca: infal­i­bil­i­dade e erros) e deixar a liber­dade de inter­pretá-lo como se rep­u­ta mais con­forme a real­i­dade e a Rev­e­lação, até a decisão da Igre­ja hierárquica, sem lançar anátemas con­tra aque­les que não seguem exata­mente o nos­so modo de cam­in­har.

Resu­min­do e tiran­do as somas

Se pode afir­mar tran­quil­a­mente que hoje (2004–2008) a Tesi de Cas­si­acum como a con­ce­beu p. Guérard des Lau­ri­ers não é mais abso­lu­ta­mente cer­ta, porque fun­dan­do-se sobre a dis­tinção real entre matéria e for­ma no Papa, e por admis­são do próprio p. Guérard, depois de João Paulo II, uma vez que não há (quase) mais bis­pos con­sagra­dos segun­do o vel­ho Pon­tif­i­cal Romano, o futuro “Papa mate­r­i­al” (no caso hodier­no Ben­to XVI) seria só uma pura “aparên­cia” (Il prob­le­ma dell’Autorità e dell’episcopato nel­la Chiesa, Ver­rua Savoia, CLS, 2005, pg. 33–35 e 37) que não fala tan­to, mas recita o muta­men­to da parte do Papa, como faria um ator ou manequim em uma rep­re­sen­tação sem diál­o­go. Isto equiv­ale a diz­er que Ben­to XVI, ten­do sido con­sagra­do com o novo Pon­tif­i­cal e não sendo nem sequer val­i­da­mente Bis­po (segun­do p. Guérard), não pode ser o Bis­po de Roma (ou seja, o Papa) nem sequer em potên­cia ou “mate­ri­aliter”, seria só o manequim da vit­rine Gam­marel­li na espera da eleição de um ver­dadeiro papa. Não se encon­tra, por­tan­to, diante do sede­va­can­tismo total, (ao “con­clav­is­mo” ou ao “delírio de onipotên­cia” = “pen­sar estar Lig­a­do dire­to e ime­di­ata­mente a Cristo”, uma espé­cie de “sín­drome napoleôni­ca-mes­siâni­ca”) con­sid­er­a­do não aceitáv­el pelo P. Guérard. Então, como bom real­ista ele teria revis­to e aggior­na­to as suas posições ini­ci­ais, ten­do chega­do a uma con­clusão (segun­do ele mes­mo) errônea. Mas não assim, até ago­ra, o “tesis­tas”. Por­tan­to peço a eles uma respos­ta a este respeito: Ben­to XVI é “Papa” mate­ri­aliter ou não? Ter­tium non datur. Pio XII era Papa for­mal­mente ou só mate­rial­mente? Espero só que a respos­ta não dure tan­to quan­to os tem­pos bíbli­cos ou “apoc­alíp­ti­cos”, tam­bém porque alguns “tesis­tas” o “Apoc­alipse segun­do Corsi­ni” já veio, então para que eu pudesse diz­er que já me foi dada a respos­ta e eu não perce­bi…, tam­bém porque – pobre de mim – con­heço o “Apoc­alipse segun­do João” e inter­pre­ta­do pelos Pais da Igre­ja. Tam­bém esta teo­ria “ori­genista-corsini­ana”, impos­ta como a úni­ca ver­dadeira leitu­ra do Apoc­alipse, con­tribuiu a faz­er me abrir os olhos e a mudar de lado, Deo gratis, em com­pan­hia de todos os Padres, Doutores e exege­tas aprova­dos pela Igre­ja, exce­to Orí­genes, Rénan, Loisy e Corsi­ni… que não são autores aprova­dos. “Diga me com quem tu andas que te direi quem és”. Mes­mo sobre este pon­to, eu esper­a­va uma respos­ta, sem quer­er dar nomes, para “não matar um homem mor­to” e per­mi­tir de se cor­ri­gir, sem perder a face. Mas a respos­ta não vem, “Thu­ca locu­ta est, causa fini­ta est”.

Estás são – em suma — as razões que me levaram (Deo gra­tias, mais uma vez) a deixar for­mal­mente a “Tese de Cas­si­acum” man­ten­do uma grande esti­ma pelo P. Guérard des Lau­ri­er, mas não pela maior parte de seus estu­dantes. Não quero dis­cu­tir com ninguém (exce­to em legí­ti­ma defe­sa que me há obri­ga­do), não quero sobre­tu­do per­tur­bar os fiéis, espero ape­nas que estás pági­nas lhe aju­dem, como me aju­dar no cur­so destes anos de elab­o­ração e reflexão, a deixar uma estra­da que em teo­ria pare­cia boa, mas que na práti­ca se rev­el­ou fal­sa, uma vez que em con­tradição com o pen­sa­men­to de seu próprio autor. A gaule­sa “Tese de Cas­si­acum” que tornou-se a sub-gaule­sa “Antitese de Ver­rua Savoia” (=”Tese” em evolução), pre­firo a não estran­ha “Hipótese de Veletri”, sem nen­hu­ma pre­ten­são e sem ameaça de exco­munhão, peca­do, danação irre­ver­sív­el para quem não lhe agra­da. “Se estou no erro, que Deus, dele me livre; se estou na ver­dade que Deus nela me man­ten­ha”.

Paz e bem a todos!

Padre Curzio Nitoglia
Veletri, 6 de jul­ho de 2008
Notas:

[1] Pos­suí­mos uma “segun­da edição” em uma for­ma mais mais exten­sa que não que­ria tornar, públi­ca, exce­to se não fos­se obri­ga­do por uma polêmi­ca incor­re­ta. Ora, devo con­statar, que emb­o­ra sem nomear nen­hum (cfr. “Sodal­i­tium”, nº 62, “Uma objeção a Tese de Cas­si­acum”, pg. 29–31), gostaríamos de pas­sar a ver­dadeira objeção (que lev­an­tei deixan­do o Insti­tu­to Mater Bon­ni Con­sili) para aqui­lo que ela não é.

Suma­mente escre­vo ago­ra (para não con­fundir as idéias dos leitores), que naqui­lo que diz respeito a analo­gia entre Esta­do e Igre­ja (relação de semel­hança rel­a­ti­va [ambos são sociedades per­feitas] e dissemel­hança essen­cial [uma é nat­ur­al e a out­ra sobre­nat­ur­al]), reser­vo-me para pub­licar no futuro, de for­ma mais pro­fun­da, um arti­go a parte.

Faço notar que emb­o­ra ten­do aban­don­a­do a “Tese” nun­ca con­fun­di ou con­fun­di (uni­vo­ca­mente = relação de abso­lu­ta e sub­stan­cial semel­hança) Esta­do e Igre­ja, já que teria que diz­er ao obje­tante “x” (ou a mim, pouco impor­ta). Então é incor­re­to e fora do tema respon­der a objeção (que eu lev­an­tei em públi­co em 08 de dezem­bro de 2006) dizen­do (ao obje­tor “x” ou a mim, pouco impor­ta) aqui­lo que eu nun­ca disse. (Eu ten­ho a gravação da con­fer­ên­cia – 14 de janeiro de 2007 – de respos­ta a min­ha objeção, na qual o rela­tor quer ir “equiv­o­cada­mente” fora do tema fazen­do a mim sus­ten­ta a uni­vo­ci­dade entre Esta­do e Igre­ja. Eu lhe escrevi, em pri­va­do, pedin­do expli­cações, não obtive respos­ta e ago­ra se retor­na ao mes­mo “equívo­co” por escrito e pub­li­ca­mente, ao qual devo respon­der, por escrito e pub­li­ca­mente). “Sodal­i­tium”, nº 62, pg. 25–31, não responde a (min­ha) objeção, mas àquela que incor­re­ta­mente se colo­ca na boca (a qual­quer “Mis­ter x” ou a mim, pouco impor­ta). Vamos falar sobre no futuro, depois que me respon­der sobre os três pon­tos sub­scritos, se – ou seja – Ben­to XVI é ain­da “Papa mate­ri­aliter” ou não.

A propósi­to de “equívo­cos”, o edi­to­ri­al­ista de “Sodal­i­tium, (nº 62, pg. 2–4) é muito inqui­eto pela sorte daque­les que, difer­entes dele, (úni­co “cav­aleiro sem man­cha?”), mudaram de cam­po irre­ver­sivel­mente “espe­cial­mente na Itália”. Ago­ra, a parte o fato que de irre­ver­sív­el é só o esta­do de danação eter­na, o qual – por for­tu­na de todos aque­les que não pen­sam exata­mente como ele – não está no poder do edi­to­ri­al­ista; me per­mi­to lem­brá-lo que – na Itália – o fun­dador do Insti­tu­to e da revista a qual hoje ele é supe­ri­or e dire­tor, aban­do­nou – infe­liz­mente e não só por cul­pa sua – “cam­po”, e tam­bém o sac­erdó­cio e o epis­co­pa­do, logo ele que era (ou pen­sa­va ser, jun­to a mim, o edi­to­ri­al­ista e um out­ro sac­er­dote) um dos pouquís­si­mos Padres (qua­tro em toda Itália) a “ofer­e­cer a obla­tio mun­da) (pobres de nós). Todavia ele me dá pena, pois é um perde­dor e rezo por ele, mas o edi­to­ri­al­ista me pre­ocu­pa (não irre­ver­sivel­mente, “enquan­to a vida, há esper­ança”), pois de fato se com­por­ta­do como “Lig­a­do dire­to a Cristo” e con­tin­ua a faz­er danos (pen­san­do de ser um dos dez-cinqüen­ta Padres em todo o mun­do, cin­co ou seis em toda Itália, que cel­e­bram a obla­tio mun­da), espero não irre­ver­sivel­mente. Seria, por­tan­to, mel­hor pen­sar sobre seu negó­cio ou na sua casa, em vez de con­denar de for­ma irre­ver­sív­el aque­les que não são como ele. “Qui rep­u­tat se stare, timeat ne cadat”: Quan­to a mim graças a Deus por ter muda­do (espero, Deo adi­u­vante, irre­ver­sivel­mente) de lado, que como a árvore se jul­ga pelos fru­tos.

A triste real­i­dade, ao invés me parece ser está:”Deus encer­rou todos na infi­del­i­dade para usar de mis­er­icór­dia, afim que nen­hum se glo­ri­fique a si mes­mo” (São Paulo). Na ver­dade estando “feri­do o Pas­tor” (é um fato, con­tra os quais nada valem todas as argu­men­tações), “o reban­ho” (bis­pos, sac­er­dotes e fiéis) “se dis­per­sam cada um por sua con­ta”. Diante de um ter­re­mo­to ter­rív­el, como foi a “crise con­cil­iar”, quem pode pre­tender afir­mar ser a “ovel­ha bran­ca”, total­mente imune a todo defeito, espec­u­la­ti­vo e práti­co? Quem pode diz­er ter enten­di­do tudo, ter resolvi­do tudo, o porque de todas as coisas? Eu não! Só um men­tiroso ou um mega­lo­ma­ni­a­co pode respon­der sim. O primeiro bem seria que se cor­ri­ja sobre­nat­u­ral­mente (“per­se­ver­are dia­bolicum”), na ver­dade para obter a mis­er­icór­dia é pre­ciso recon­hecer ser “mis­eráv­el” e esforçar-se em se mis­eri­cor­dioso com os out­ros; o segun­do que se cure nat­u­ral­mente (porque é social­mente e pas­toral­mente perigoso).

[2] Nec­es­sari­a­mente para abor­dar este prob­le­ma (da “sé for­mal­mente vacante” a par­tir de 1965, des­de 1955, até 2008) existe a neces­si­dade de tratar de questões difí­ceis de filosofia e teolo­gia. Ora “a apos­toli­ci­dade e a vis­i­bil­i­dade da Igre­ja, foram dadas por Cristo a sua Esposa, afim de que os fiéis pos­sam facil­mente seguir o seu ensi­na­men­to, recon­hecer-lá e dis­tin­gui-lá sem difi­cul­dade das seitas” (cfr. “D. Th. C”, col. 2143). Então pre­tender que os fiéis con­heçam bem a filosofia e a teolo­gia para enten­der a “Tese” que deve esclarecê-los sobre o esta­do atu­al da ver­dadeira Igre­ja e dis­cernir o ver­dadeiro do fal­so, coisa con­tra a facil­i­dade de recon­hecer a úni­ca e ver­dadeira Igre­ja de Cristo. O difí­cil não pode ser fácil, pelo princí­pio per sé nota­do de iden­ti­dade e con­tradição.

Para enten­der a “Tese” (apre­sen­ta­da pelos “tesis­tas” como a evi­dente especi­fi­cação de um ato de fé)  deve pos­suir a ciên­cia árd­ua da filosofia e da teolo­gia, enquan­to para con­statar a evidên­cia não é pre­ciso for­mação. O impos­sív­el é evi­den­te­mente fal­so. Ora não é assim evi­den­te­mente fal­so afir­mar que Paulo VI (mas já Pio XII, para os “tesis­tas”) e suces­sores não são for­mal­mente Papas, mas só mate­rial­mente. Na ver­dade para demon­strar-la deve-se pub­licar uma “Tese” de licen­ciatu­ra em filosofia e teolo­gia, (dita de “Cas­si­ci­acum”) muito dis­puta­da tam­bém entre os “sede­va­can­tis­tas” mes­mos. Ao invés a evidên­cia se “mostra” e não se “demon­stra” e impóe a todos (I+I=II).

[3] “em tem­po de des­o­lação não se deve nun­ca faz­er algu­ma mudança, mas per­manecer firmes e con­stantes nos propósi­tos e na deter­mi­nação na qual se esta­va no tem­po prece­dente a des­o­lação […]. Porque, como na con­salação ordi­nar­i­a­mente se guia e se acon­sel­ha mais o espíri­to bom, assim na des­o­lação é o espíri­to mal”. Cfr. Tam­bém “Es. Spir.”, nº 320,321 e 322.

Analoga­mente, na crise atu­al, se deve con­tin­uar a faz­er aqui­lo que a Igre­ja sem­pre fez sem aven­tu­rar-se (pub­li­ca­mente e pre­tenden­do a certeza abso­lu­ta) em “novi­dade” arrisca­da que pode­ria ser perigosa, como se não se fos­se cair em trevas.

A hipótese espec­u­la­ti­va e “escolás­ti­ca” (que não deve ser pre­ga­da aos sim­ples, com imprudên­cia, super­fi­cial­i­dade e arrogân­cia, como sucedeu no sécu­lo XVII quan­to ao dog­ma da Pre­des­ti­nação, mas deve ser real­iza­da ape­nas entre os teól­o­gos), da “sé for­mal­mente vacante” podia, ini­cial­mente, ter “uma lin­ha de princí­pio” um fun­da­men­to na real­i­dade, infe­liz­mente o modo de agir da maior parte dos “sede­va­can­tis­tas” (que são os prin­ci­pais adver­sários da “Sé vacante, fazen­do uma con­clusão dog­mati­ca­mente cer­ta e vin­cu­lante e então uma obri­gação canôni­ca para todos), tor­na prob­lemáti­co, des­de que pre­ten­dem ter a certeza abso­lu­ta a evidên­cia e certeza, o que lhes leva a “desprezar todos, exce­to a si mes­mos” e “impor aos fiéis pesos insu­portáveis”.

Na real­i­dade eles tam­bém são víti­mas (se de boa fé, só Deus o sabe) da crise que abalou o ambi­ente católi­co nos anos Sessen­ta, não são os respon­sáveis por ela e então não devem ser devem ser com­bat­i­dos como se fos­sem os “inimi­gos número um”, a condição que respeit­em os out­ros e não se trans­forme em “execu­tores”, caso con­trário não pode pre­tende ser repeita­do por sua vez. Quem insul­ta e calú­nia deve saber que pode ser refu­ta­do de for­ma enér­gi­ca e – se necessário – denun­ci­a­do.

Link pági­na em ital­iano : http://www.doncurzionitoglia.com/TesIncerta.htm