Ausculta filii praecepta magistri


Educação / segunda-feira, junho 22nd, 2015

 

Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

São Ben­to de Núr­sia (480–597) refu­gian­do-se na gru­ta de Subi­a­co, depois de ter fugi­do do ambi­ente uni­ver­sitário de Roma em 497 cor­rup­to int­elec­tual­mente e moral­mente, escreve uma Regra que ter­mi­nou em Cassi­no (529) depois de ter pas­sa­do trin­ta anos em Subi­a­co, dos quais três na gru­ta ou sacro espel­ho. A Regra dev­e­ria resul­tar útil a todos os cristãos para a edu­cação ao espíri­to de Cristo e necessária aos futur­os mon­ges Benediti­nos.

O San­to de Nur­sia ini­cia a sua Regra com um con­sel­ho: “Escu­ta ó fil­hos os ensi­na­men­tos do Mestre”. Ele se apre­sen­ta como Mestre, mas não é sac­er­dote, ain­da não tin­ha algum manda­to canôni­co, rece­beu sim­ples­mente o hábito monás­ti­co do mon­ge Romano em Subi­a­co; somente, graças a sua vida de união com Deus por três anos – em ple­na solidão, oração, tra­bal­ho e silên­cio – na gru­ta de Subi­a­co, sente o dev­er de trans­mi­tir aos out­ros: “Trans­mi­ti aqui­lo que rece­bi” (1 Cor., XV, 3) aqui­lo que Deus havia dado e ensi­na­do a ele: “Con­tem­plar e trans­mi­tir aos out­ros os fru­tos da própria con­tem­plação” (S. Tomás de Aquino).

Hoje depois de 50 anos de crise neo-mod­ernista, que inva­diu o ambi­ente ecle­sial, os fiéis perder­am, e como lhes cul­par, a con­fi­ança no clero. Todavia, não é pre­ciso exager­ar e cair na anar­quia espir­i­tu­al ain­da mais deletéria que a políti­ca.

Os fiéis são ten­ta­dos a darem a si mes­mos as soluções ao grave prob­le­ma que o ambi­ente católi­co esta afrontan­do.

Alguns pen­sam ter o dev­er de obe­de­cer tam­bém as ordens con­trárias ao ensi­na­men­to católi­co, a moral nat­ur­al, a litur­gia Tradi­cional apos­tóli­ca, emb­o­ra sendo regra juridica­mente diante dos home­ns, mas não diante de Deus. De fato, não se pode obe­de­cer as ordens ilíc­i­tas, não se podem seguir doutri­nas errôneas, não se pode cel­e­brar uma litur­gia semi-protes­tanti­za­da sem des­gostar obje­ti­va­mente ao Sen­hor, sub­je­ti­va­mente só Ele o sabe.

Out­ros escol­hem a via do faça você mes­mo. É com­preen­sív­el, mas é muito perigosa, pode levar a anar­quia luter­ana ou ao “caris­ma­tismo”. É pre­ciso mui­ta prudên­cia. Nor­mal­mente “quem se dirige por si mes­mo, é dirigi­do por um asno” (São Bernar­do de Clar­aval). Todavia em casos excep­cionais, quan­do não exis­tem guias con­fiáveis se colo­ca nas mãos de Deus, mas com humil­dade e rezan­do para faz­er ces­sar o mais rápi­do pos­sív­el tal esta­do anor­mal, sem seguir nen­hu­ma “estra­da nova”, aten­do-se àqui­lo que sem­pre foi feito em tem­pos nor­mais (v. Vita di S. Gio­van­na da Chan­tal).

O poder não vem jamais de baixo, sobre­tu­do na Sociedade na Sociedade espir­i­tu­al que é a Igre­ja (e tam­bém na Sociedade tem­po­ral que é o Esta­do). “Não existe nen­hum poder que não ven­ha de Deus” (Rom., XIII, 1).

O sede­va­can­tismo pode pare­cer uma solução. Mas teo­logi­ca­mente colo­ca um remen­do (dec­re­ta o fim da Igre­ja hierárquica) em um bura­co (crise mod­ernista), que é pior que o próprio bura­co. De fato, a Igre­ja durará até o fim do mun­do e super­ará todas as crises: “As por­tas do infer­no não prevale­ce­r­am con­tra ela” (Mt., XVI, 18). “Eu estarei com vós todos os dias até o fim do mun­do” (Mt., XXVIII, 20).

Os sede­va­can­tis­tas totais pre­ten­dem eleger seu próprio Papa e muitos antipa­pas (giram pelo mun­do para a perdição das almas”). O Sede­va­can­tismo mit­i­ga­do e mais equi­li­bra­do da Tese teológ­i­ca de Cas­si­ci­acum do Padre domini­cano Michel-Louis Guérard des Lau­ri­ers (que ini­cial­mente era assaz agu­da e podia pare­cer uma solução vál­i­da) chegou a uma estra­da sem saí­da: Paulo VI mor­reu, não se tornou jamais Papa for­mal ou em ato e não pode se tor­na-lo mais: um cadáver não é um Papa em potên­cia ou mate­rial­mente. Ben­to XVI não teria sido nem sequer Bis­po (segun­do a súb­di­ta Tese teológ­i­ca) e Papa Fran­cis­co I não seria nem mes­mo Sac­er­dote (sem­pre segun­do a Tese de Cas­si­ci­acum). Então, a Igre­ja hierárquica como Cristo a quis e fun­dou sobre Pedro e os Após­to­los (Papas e Bis­pos) não sub­si­s­tiria mais. Mas isto é con­tra a Fé: “Creio na Igre­ja, una, san­ta, católi­ca e apos­tóli­ca” (Sím­bo­lo Niceno/Constantinopolitano).

Pelo que res­ta a via que nos foi ensi­na­da por um out­ro grande mon­ge, S. Vicente de Lérins do sécu­lo V: “se um dia o erro chegasse a invadir tam­bém a Igre­ja inteira, seria necessário faz­er e acred­i­tar naqui­lo que a Igre­ja sem­pre man­dou e ensi­nou. Quod sem­per, quod ubique quod ab omnibus” (Com­mon­i­to­ri­um, III, 15).

Prati­ca­mente é pre­ciso:

1º) estu­dar a natureza da Igre­ja a luz dos man­u­ais de Teolo­gia dog­máti­ca, para não cair em erros ecle­si­ológi­cos. De fato, “um erro não se cor­rige com um out­ro erro”;

2º) agir em con­formi­dade com a Teolo­gia católi­ca sobre a Igre­ja e não com as nos­sas idéias sobre Essa para per­manecer inte­gral­mente católi­cos nestes tem­pos apoc­alíp­ti­cos e anti­cristãos;

3º) praticar a oração e a pen­itên­cia, como nos recomen­dou Nos­sa Sen­ho­ra a par­tir de Lour­des (1858) até Fáti­ma (1917–2010).

Para faz­er isso é pre­ciso um mín­i­mo de boa von­tade, de esforço e de con­stân­cia no apren­der as noções basi­lares sobre a Igre­ja de Cristo como Deus a quis, como um dis­cípu­lo que escu­ta o seu mestre, e não como o quer­e­mos nós. Só depois se poderá afrontar o prob­le­ma de como poder rea­gir a crise que ator­men­ta os home­ns da Igre­ja e não a Igre­ja, que é o “Cor­po Mís­ti­co de Cristo” (Pio XII, Enci­cli­ca Mys­ti­ci Cor­poris Christi, 1943).

Eu (como Sac­er­dote que estu­dou Teolo­gia) estou disponív­el para explicar aos fiéis lei­gos o Trata­do sobre a Igre­ja, como se encon­tra nos man­u­ais de Teolo­gia dog­máti­ca e só depois os fiéis que seguirem as lições de ecle­si­olo­gia poderão faz­er per­gun­tas sobre a crise na Igre­ja, que virá afronta­da em um segun­do tem­po.

De fato, não se pode pre­sumir de reparar um dano se não se con­hece a natureza da coisa dan­i­fi­ca­da e sem ter as noções basi­lares de “engen­haria”. Em breve “não é pre­ciso colo­car o car­ro diante dos bois”. “Aus­cul­ta fil­ii prae­cep­ta mag­istri”…

Sobre­tu­do não pre­cisa jamais esque­cer que “este gênero de demônios [erros mod­ernistas, nda] se afu­gen­tam com a oração e com o jejum” (Mt., XVII, 21) e não com as fofo­cas, os mex­eri­cos e as estéreis polêmi­cas. Se não se tem a von­tade de escu­tar com paciên­cia e apren­der com o estu­do e o esforço, não se per­da tem­po. Infe­liz­mente o homem de hoje sub­verte o lema de S. Ben­to: “Escu­ta ó mestre os ensi­na­men­tos do dis­cípu­lo…”. Mas isto é lou­cu­ra anar­cóide.

A primeira lição ini­cia­rá domin­go 21 de jul­ho com as condições súb­di­tas, de out­ro modo é mel­hor não perder tem­po, nem fazê-lo perder aos out­ros.

Paz e Bem a todos!

Padre Curzio Nitoglia

9 de jul­ho de 2013

http://doncurzionitoglia.net/2013/07/09/520/