O valor demonstrativo dos milagres, por Padre Giuseppe Casali


Teologia / segunda-feira, fevereiro 1st, 2016

 

 

Suma
de
teolo­gia dog­máti­ca

Padre Giuseppe Casali
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Nihil obstat
Luca, 2 de fevereiro de 1956
Can. P. Laz­zari­ni Cen. Ecci.
IMPRIMATUR: Lucae, 11 feb­ru­ari 1956
Can. V. Del Car­lo V. G.
 

 

Tese – Os mila­gres são sinais certís­si­mos da rev­e­lação div­ina e aque­la dout­ri­na em favor da qual veem oper­a­dos deve se reter com certeza como rev­e­la­da por Deus.

 

É cer­to filosofi­ca­mente
Teo­logi­ca­mente de fé

 

As cir­cun­stân­cias que acom­pan­ham um mila­gre nos per­mitem com facil­i­dade recon­hecer se foi cumpri­do para a con­fir­mação de uma dada dout­ri­na.

Alguns mila­gres se apre­sen­tam expres­sa­mente con­tendo oper­ações em con­fir­mação da dout­ri­na. Em São Mateus (9,6) a cura do par­alíti­co é clara­mente afir­ma­da como pro­va do poder de per­doar peca­dos. Na cura do cego de nascença Jesus pre­disse que este mila­gre se cumprirá “a fim de que se man­i­fes­tassem as obras de Deus” (Jo 9,3). Na ressur­reição de Lázaro, Jesus, ora ao Seu Divi­no Pai para ouvi-lo “a fim de que creiam que Tu me envi­aste” (Jo 11, 42).

Out­ros mila­gres são pro­va da dout­ri­na implici­ta­mente. De fato, se alguém recebe um mila­gre pela oração, é claro que Deus apro­va a fé doutri­nal que está na base des­ta oração.

S. Tomás, a provar a nos­sa tese, traz este argu­men­to: ”Qual­quer mila­gre se cumpre ape­nas por vir­tude div­ina e Deus não é jamais teste­munha do fal­so. Por isso digo que toda vez que um mila­gre advém em teste­munho de uma dout­ri­na pre­ga­da é necessário que aque­la dout­ri­na seja ver­dadeira”. (In Joann. 9, 3.8).

Em caso con­trário Deus se tornar­ia respon­sáv­el por um erro de que o homem não pode­ria ren­der con­ta e isto repugna a sua sapiên­cia e bon­dade.

Por isso o mila­gre é con­sid­er­a­do por toda a tradição católi­ca, resum­i­da na frase do Con­cílio Vat­i­cano, já cita­do: “sinal certís­si­mo da rev­e­lação” a qual é col­i­ga­da.

Nas fal­sas religiões, como dis­se­mos, não se dão ver­dadeiros mila­gres, porque:

a)Ou são his­tori­ca­mente incer­tos, como alguns pre­ten­sos mila­gres da antigu­idade pagã, isto é, por exem­p­lo aque­le de Esculá­pio, Apo­lo, Iside;
b)Ou são obra dia­bóli­cas que darão os segui­men­tos na imoral­i­dade e nos maus efeitos que pro­duzem e por isso não se podem atribuir a Deus;

c)Ou não são a con­fir­mação de toda a dout­ri­na, mas só de algu­ma ver­dade.

S. Agostin­ho con­ta a história de uma vestal que com um vaso fura­do tirou água do Tibre e a lev­ou sem perder lhe uma gota em pro­va de sua vir­gin­dade. S. Tomás (De Poten­tia 6. a 5) disse que não é impos­sív­el que o ver­dadeiro Deus, para aprovar a vir­tude da casti­dade, ten­ha feito por meio dos seus Anjos, este mila­gre, porque tam­bém as coisas que foram boas em meio aos pagãos, vier­am de Deus.

Deus então pode oper­ar o mila­gre para aprovar uma sin­gu­lar ver­dade, seja de ordem nat­ur­al, como de ordem sobre­nat­ur­al. Assim, se con­ta sobre os ver­dadeiros mila­gres feitos pelo mis­sionário cis­máti­co, cer­to Padre João de Cron­stad, para con­fir­mar a ver­dade da pre­sença de Jesus na SS.ma Eucarís­tia.

Suma de Teolo­gia Dog­máti­ca, Giuseppe Casali, 1956
Disponív­el para down­load (em ital­iano) no site de D. Curzio Nitoglia:
http://www.doncurzionitoglia.com/libri_scaricabili_gratis.htm