P. CURZIO NITOGLIA: DAS INJUSTIÇAS QUE SE CUMPREM COM AS PALAVRAS


Teologia / quarta-feira, março 9th, 2016

 

A calúnia é uma brisa sutil, mas ribomba como tiro de canhão

PADRE CURZIO NITOGLIA
Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente
em
Estu­dos Tomis­tas

[Nota prévia. Como se verá, per­miti­mo-nos faz­er uma nota de esclarec­i­men­to ao arti­go do Padre Nitoglia.]

O homem faz o mal total­mente, per­feita­mente
e feliz­mente ape­nas quan­do o faz por motivos
‘mís­ti­co-reli­giosos’ ou mes­siâni­cos.”
Blaise Pas­cal

A dout­ri­na tomista

San­to Tomás de Aquino tra­ta na Suma Teológ­i­ca (II-II, q. 72–75) as injustiças que se cumprem com palavras, depois de ter exam­i­na­do as que se cumprem com ações (q. 64). Aque­las são as injúrias ver­bais, a detração, a mur­mu­ração e a der­risão. Infe­liz­mente estes vícios são muito difu­sos, pouco lev­a­dos a sério e quase nun­ca com­bat­i­dos mes­mo em ambi­entes católi­cos lig­a­dos à Tradição, enquan­to con­stituem em si peca­do mor­tal. Busque­mos ver sua natureza, sua gravi­dade, e quais são os remé­dios para der­rotá-los.

As injúrias ver­bais

Na questão 72 o Aquinate tra­ta da “con­tumélia”, ou seja, a injúria ver­bal não fei­ta pelas costas ou “traiçoeira­mente”, mas aber­ta­mente. “Con­tumélia” deri­va do ver­bo lati­no con­tem­mere, isto é, desprezar ou insul­tar clam­orosa­mente e em face. É dis­tin­ta da injúria, que é uma ação que afe­ta o dire­ito dos out­ros (in-jus) com ações: espan­ca­men­to, etc. Ora, o Angéli­co nota que, emb­o­ra as palavra não façam fisi­ca­mente mal (a. 1, ad 1), enquan­to todavia as palavras sig­nifi­cam coisas, podem causar muitos danos. A con­tumélia ou injúria ver­bal afe­ta a hon­ra; a difamação ou detração afe­ta a boa fama; e a der­risão ou escárnio suprime o respeito.

A con­tumélia, que cen­sura os defeitos diante de muitas pes­soas, é mais grave que o insul­to feito a sós, que fal­ta com o respeito ape­nas a quem escu­ta ou é injuri­a­do. O fim da con­tumélia con­siste no muti­lar a hon­or­a­bil­i­dade moral do próx­i­mo (ad 3) reprovan­do-lhe os defeitos morais. A con­tumélia é algo mais grave que o sim­ples “insul­to”, medi­ante o qual se escarnece um defeito físi­co do próx­i­mo (por exem­p­lo, zom­bar da cegueira ou da cor­cun­da de alguém), enquan­to a con­tumélia se dirige a um defeito moral ou espir­i­tu­al (por exem­p­lo, inquinar de louco, de ladrão ou de bêba­do a alguém). No arti­go 2, San­to Tomás expli­ca que a con­tumélia é peca­do mor­tal. Na ver­dade (in cor­pore arti­c­uli), por si mes­ma a con­tumélia impli­ca uma muti­lação da hon­ra do próx­i­mo. Então, este é um peca­do mor­tal não menor que o roubo, que sub­trai riqueza mate­r­i­al, enquan­to a con­tumélia des­on­ra a alma do próx­i­mo em sua moral­i­dade.

O Padre Tit­to Cen­ti comen­ta: “Daqui deri­va a gravi­dade da con­tumélia, que é fei­ta para destru­ir a hon­or­a­bil­i­dade moral, e com­por­ta a obri­gação de reparação”: ou resti­tu­ição da fama (para a con­tumélia) e resti­tu­ição de bens mate­ri­ais (para o fur­to), ou danação.

Se não existe a intenção de des­on­rar a pes­soa insul­ta­da, mas o insul­to é de tal for­ma grave que com­pro­m­ete a hon­ra moral de quem é insul­ta­do, ain­da que lev­e­mente e sem malí­cia, ain­da assim pode ser peca­do mor­tal. Assim como não está isen­to de cul­pa quem invol­un­tari­a­mente, por jogo [ou brin­cadeira], fere a out­ro grave­mente. Por isso tam­bém a sim­ples repreen­são deve ser fei­ta (ad 2) não com intenção de impor-se e de humil­har o out­ro, mas para sua cor­reção. A con­tumélia é peca­do venial ape­nas se é insul­to leve, que não des­onre grave­mente o próx­i­mo (ad 3), ou seja, se é pro­feri­do lev­e­mente, sem o propósi­to de des­on­rar moral­mente a uma pes­soa.

No arti­go 3 o Doutor Comum expli­ca que em cer­tos casos é necessário repelir as con­tumélias, espe­cial­mente por dois motivos. Primeiro: para o bem de quem insul­ta, para reprim­ir sua audá­cia, a fim de que não cresça em pre­potên­cia e em pre­sunção e não repi­ta tais atos. “Responde ao estul­to segun­do sua estultí­cia, a fim que não se creia sábio” (Prov., XXVI, 5). Segun­do: para o bem das out­ras pes­soas, se quem é ofen­di­do ocu­pa um car­go públi­co, razão por que a ofen­sa recairia sobre ele e sobre a sociedade e os des­on­raria (por exem­p­lo, um mag­istra­do, um prela­do, um gov­er­nante…). Com efeito, aque­le que é con­sti­tuí­do em dig­nidade ou autori­dade públi­ca é quem deve defend­er as pes­soas.

A detração

A detração (q. 73, a. 1) é uma maledicên­cia ou um dene­grir a fama dos out­ros feito às ocul­tas. Con­siste em “morder escon­di­do a fama (ou a “esti­ma públi­ca ou noto­riedade”, N. Zin­garel­li) de uma pes­soa” (sed con­tra), como se lê no Ecle­siás­ti­co (X,11): “Se a ser­pente morde em silên­cio, não faz menos que isso quem calu­nia em seg­re­do”. Depois o Angéli­co expli­ca (in cor­pore arti­c­uli) que, assim como há dois mod­os de dan­i­ficar o próx­i­mo por ações: aber­ta­mente (por exem­p­lo, a rap­inagem ou o golpe na face) ou ocul­ta­mente (por exem­p­lo, o fur­to ou uma pan­ca­da “traiçoeira”, ou seja, pelas costas), assim tam­bém há dois mod­os de prej­u­dicar com palavras, aber­ta­mente (a con­tumélia face a face, q. 72) ou ocul­ta­mente (a maledicên­cia ou detração, q. 73).

Vimos na questão prece­dente que na con­tumélia um fala mal de out­ro aber­ta­mente, o despreza e o des­on­ra moral­mente; o obje­to da con­tumélia é a lesão da hon­or­a­bil­i­dade moral do próx­i­mo. Por seu lado, a detração ou difamação, em que se fala mal do próx­i­mo às ocul­tas, não o despreza aber­ta­mente, senão que o teme. Por isso não o des­on­ra dire­ta­mente, senão que lhe tira a boa fama ou o bom nome, que é a esti­ma públi­ca. De fato, ao pro­ferir ocul­ta­mente más palavras con­tra o próx­i­mo, o dene­gri­dor quer levar aque­le que o escu­ta a for­mar uma má opinião do out­ro, e assim lhe tira a esti­ma públi­ca ou boa fama, com o fim de faz­er que se creia no que diz. No arti­go 2 (in cor­pore) o Aquinate expli­ca que tam­bém a detração é peca­do mor­tal. De fato, os peca­dos da lín­gua devem ser jul­ga­dos segun­do a intenção.

Ora, o dene­grir se orde­na a diminuir a boa fama do próx­i­mo. Mas tirar a boa fama de um homem é algo assaz grave (“auferre alicui famam valde grave est”), porque entre todos os bens tem­po­rais a boa fama é o mais pre­cioso. Na ver­dade, com sua per­da o homem é pri­va­do de poder cumprir muitas coisas boas (por exem­p­lo, perde o tra­bal­ho, não encon­tra esposa, não é admi­ti­do no sem­i­nário ou no con­ven­to, ou o afas­tam ou não pode desen­volver seu apos­to­la­do). Então, por si ou obje­ti­va­mente a maledicên­cia é peca­do mor­tal. Se se fala mal do próx­i­mo lev­e­mente e não com a intenção delib­er­a­da de tol­her-lhe a fama, o peca­do é venial, des­de que o ato de dene­grir não seja de tal for­ma grave que mutile grave­mente a fama de uma pes­soa. Se as palavras pro­nun­ci­adas dizem respeito à hon­esti­dade moral da vida do próx­i­mo (por exem­p­lo, impru­dente, ide­al­ista, kan­tiano, irre­spon­sáv­el, perigoso social­mente), são peca­do mor­tal, o que exige reparação, sob pena de que Deus não per­doe ao detra­tor e este não pos­sa ser absolvi­do em con­fis­são, assim como se deve resti­tuir uma coisa rouba­da.*

No arti­go 4 San­to Tomás afir­ma que quem escu­ta a detração e a tol­era sem rea­gir (defend­en­do a pes­soa dene­gri­da) peca grave­mente. In cor­pore arti­c­uli, após citar a São Paulo: “é dig­no de morte [espir­i­tu­al ou da alma] não ape­nas quem comete o peca­do [mor­tal], mas tam­bém quem apro­va aque­les que o come­tem” (Rm 1, 32), o Angéli­co expli­ca que a aprovação pode dar-se de vários mod­os. Primeiro, dire­ta­mente, quan­do um induz o out­ro ao peca­do ou o out­ro se com­praz com o peca­do cometi­do pelo primeiro. Segun­do, indi­re­ta­mente, isto é, quan­do o out­ro não reage, haven­do emb­o­ra pos­si­bil­i­dade para isso, não porque lhe dê praz­er o peca­do, mas por “tim­or mun­danus” (respeito humano) ou por neg­ligên­cia; então peca, mas de modo menos grave que quem fala pelas costas; pode tratar-se então de peca­do venial.

O Padre Tit­to Cen­ti comen­ta que “algu­mas vezes, para evi­tar um mal maior, é mel­hor pro­te­lar a defe­sa do dene­gri­do. Todavia, tam­bém nestes casos é obri­gatória a ati­tude de desaprovação pas­si­va e táci­ta, se se quer per­manecer imune de qual­quer cul­pa ain­da que venial”. Mas – con­tin­ua o Aquinate –, em cer­tos casos, a omis­são da defe­sa do dene­gri­do pode tam­bém ser peca­do mor­tal, ou porque quem cala tem o dev­er ofi­cial de cor­ri­gir os cul­pa­dos, ou pelas des­or­dens que derivam de tal dene­grir. No ad 1m San­to Tomás especi­fi­ca que, se podemos ter paciên­cia no tol­er­ar o dene­grir volta­do con­tra nós mes­mos, não é tol­eráv­el, ao con­trário, supor­tar que den­i­gram a boa fama dos out­ros. Desse modo, quem escu­ta a uma pes­soa dene­grir a out­ra e não reage, ten­do a pos­si­bil­i­dade de fazê-lo, peca – pelo mes­mo moti­vo por que se deve aju­dar a quem caiu sob um grave peso a se repor (cf. Deut 22).

A der­risão

Na questão 75 o Doutor Ofi­cial da Igre­ja Católi­ca afir­ma que a der­risão tem por fim sus­ci­tar ver­gonha em quem é alvo do escárnio (in cor­pore arti­c­uli). No ad 1 o Angéli­co dis­tingue a der­risão, que é fei­ta com a boca, a má lín­gua e os risos, do “sor­riso mali­cioso” (“sub­san­na­tio”), que se faz com afe­tação do ros­to, torcendo o nar­iz. O efeito queri­do pela der­risão é a con­fusão e a ver­gonha (ad 2), que con­sis­tem no “medo da des­on­ra” ou “tim­or dehono­ra­tio­nis”. Por isso, a der­risão tem em comum com os peca­dos trata­dos aci­ma a matéria; mas o fim é diver­so. Uma vez que “um âni­mo tran­qui­lo é como um ban­quete per­pé­tuo” (Prov 15, 15), quem tur­ba a paz inte­ri­or do próx­i­mo (ad 3) cobrindo‑o de ver­gonha e con­fusão, medi­ante brin­cadeiras ou olhares altivos e afe­ta­dos, causa um dano espe­cial e grave, e então a der­risão é peca­do espe­cial e grave. O Padre Tito Cen­ti comen­ta: “O fim da der­risão é o tur­ba­men­to da alma do próx­i­mo, que, ao con­trário, tem dire­ito à tran­quil­i­dade de con­sciên­cia. O tur­ba­men­to é lig­a­do ao respeito que uma pes­soa hon­es­ta tem o dire­ito de esper­ar; e ao qual, ao con­trário, é con­strangi­da a renun­ciar por quem a ridic­u­lar­iza ou a esno­ba”. No arti­go 2 San­to Tomás afir­ma que a der­risão é peca­do mor­tal, e no cor­po do arti­go expli­ca que, se se ri sem mal­dade, mas para brin­car, do mal ou de defeitos leves do próx­i­mo, o peca­do é venial. Ao con­trário, se a der­risão é fei­ta de um doente ou de um defi­ciente grave, então se zom­ba com despre­zo e não por brin­cadeira. Neste caso é peca­do mor­tal, e é mais [grave] que o insul­to ou con­tumélia face a face, porque na der­risão não se con­sid­era seri­amente as mis­érias dos out­ros, difer­ente­mente do [que se dá no] insul­to. Neste caso [insista-se], a der­risão é peca­do mor­tal, tan­to mais grave quan­to maior é o respeito dev­i­do à pes­soa escarneci­da. Por isso é peca­do gravís­si­mo escarnecer de Deus e das coisas ou pes­soas de Deus ou con­sti­tuí­das em autori­dade.

Con­clusão

Do ensi­na­men­to de San­to Tomás se evi­den­cia:

1) o dev­er moral de não insul­tar, dene­grir, calu­niar ou mur­mu­rar e escarnecer o próx­i­mo, sobre­tu­do se con­sti­tuí­do em autori­dade;

2) de reparar o dano feito à sua rep­utação;

3) de defend­er quem é dene­gri­do, sem faz­er de con­ta que não vê. Cer­ta­mente diante aos home­ns é mais cômo­do “fin­gir que tudo está bem”, mas diante de Deus [quem age assim] não se encon­tra em ordem, senão que está em peca­do grave, quod est inco­ha­tio damna­tio­n­is.

Para ter­mi­nar, gostaria de citar uma ane­do­ta do com­pos­i­tor Partenopeu Scar­pet­ta. “Um pobre mendi­go, todo esfar­ra­pa­do e imun­do, pas­sou diante de uma bar­bearia de um bar­beiro muito reli­gioso. O bar­beiro chamou‑o e, quase repreendendo‑o, disse-lhe: ‘Hoje é domin­go, não te enver­gonhas de apre­sen­tar-te em públi­co neste esta­do e ain­da mais no dia do Sen­hor?’ O mendi­go não soube que coisa respon­der. Então, o bra­vo e zeloso bar­beiro convidou‑o a que se deix­as­se bar­bear por ele gra­tuita­mente e por amor de Deus. Quan­do o mendi­go tomou lugar na cadeira dos clientes, o bar­beiro encheu-lhe o ros­to de água quase fer­ven­do e de sabão abun­dante. Depois começou a faz­er a bar­ba do pobre homem de for­ma muito deci­di­da. O mendi­go começou a gri­tar de dor. Um guar­da que pas­sa­va por ali, ao ouvir os gri­tos, entrou na bar­bearia e per­gun­tou: ‘O que está acon­te­cen­do?’ Então, o mendi­go respon­deu: ‘Estão fazen­do min­ha bar­ba por amor de Deus’.”

São Fran­cis­co de Sales ensi­na: “A estra­da que con­duz ao infer­no é pavi­men­ta­da de boas intenções”…

* Nat­u­ral­mente, não con­sti­tui peca­do algum chamar a um lib­er­al, lib­er­al, a um mod­ernista, mod­ernista, a um kan­tiano, kan­tiano, se, é claro, o epíte­to cor­re­spon­der à ver­dade, e se o fim com que tal se faz é a preser­vação ou defe­sa da religião, da ver­dadeira dout­ri­na filosó­fi­ca ou teológ­i­ca, etc. Lem­bre­mos que San­to Tomás, que no iní­cio de sua car­reira chama­va a Aver­róis o Comen­ta­dor (da obra de Aristóte­les), ter­mi­nou por chamá-lo o Cor­rup­tor (da mes­ma obra), quan­do se viu obri­ga­do a defend­er a fé da influên­cia nefas­ta da tese aver­roís­ta con­trária à unidade do int­elec­to humano. É ver­dade que Aver­róis já esta­va mor­to. Mas o Cardeal Pie de Poitiers, o Papa São Pio X, Dom Lefeb­vre e tan­tos out­ros não deixaram de aplicar os dev­i­dos adje­tivos a defen­sores de here­sias vivos, alguns dos quais da mais alta hier­ar­quia. Do mes­mo modo, não pecaria aque­le que, não ten­do out­ro meio de faz­er chegar a Pio XI sua pre­ocu­pação com o des­ti­no dos Cris­teros, se visse obri­ga­do a diz­er em algum meio de difusão católi­co, com todo o dev­i­do respeito e toda a dev­i­da vênia, que um acor­do do papa com a maçonar­ia seria impru­dente e provavel­mente provo­caria o esmaga­men­to do exérci­to cristão. – Mas pode haver peca­do (venial ou mor­tal) na apli­cação de tais epíte­tos. Antes de tudo, se aque­le a quem se apli­cam não cor­re­sponde aos epíte­tos, e quem os apli­ca o faz com o fim de detratar ou difamar. Ain­da porém que o fim não seja a detração, há peca­do quan­do se apli­cam epíte­tos injus­tos a alguém, quer por iras­ci­bil­i­dade, quer por despro­porção entre o que alguém efe­ti­va­mente faz e o que aque­le que lhe apli­ca um epíte­to diz que ele faz; e isto últi­mo pode dar-se de diver­sos mod­os. Por exem­p­lo, se alguém acusa a out­ro de herege dizen­do ser here­sia o que não o é, espe­cial­mente se peca pela sober­ba de crer-se ou diz­er-se dono de uma ciên­cia que não tem. Infe­liz­mente, a mes­ma Inter­net que per­mite haja, por exem­p­lo, um “Cor­pus Thomisticum” tam­bém estim­u­la esse vício, que con­tribui muito, ade­mais, para o descomed­i­men­to, para a tru­culên­cia e para a grosse­ria ver­bais que gras­sam em redes soci­ais, em pági­nas web, etc. – Assi­nale-se, por fim, o sanís­si­mo cos­tume da escolás­ti­ca medieval de criticar a tese que se jul­gasse fos­se crit­icáv­el sem, todavia, citar o nome de seu autor se este ain­da estivesse vivo (isto, é claro, no âmbito das dis­putas cien­tí­fi­cas, ou seja, filosó­fi­cas e teológ­i­cas). Com efeito, ao criti­car­mos uma tese de alguém vivo, deve­mos ter tam­bém o fim de con­vencê-lo, o que sem­pre se tor­na mais difí­cil se o cita­mos. Muitas vezes, hoje em dia é impos­sív­el tal cuida­do. Mas deve­mos persegui-lo com per­sistên­cia e de modo metic­u­loso. [N. de C. N.]