A casa edificada sobre a areia – Dom Antonio de Castro Mayer


Psicologia, Teologia / terça-feira, março 1st, 2016

A casa edificada sobre a areia – Dom Antonio de Castro Mayer

Fratres In Unum

Nos­sa apreen­são aumen­ta, ama­dos fil­hos, pelo fato de que a min­i­mal­iza­ção do papel da inteligên­cia, na con­ver­são do indi­ví­duo, vem acom­pan­ha­da de mui­ta ênfase ao fator emo­ti­vo. Dig­amos, des­de logo, que esta não foi a ped­a­gogia de Nos­so Sen­hor Jesus Cristo, como no-la trans­mi­tiu a Tradição da Igre­ja e con­s­ta do Mag­istério Ecle­siás­ti­co. Com efeito, a Igre­ja temeu sem­pre pelas con­ver­sões sem base sól­i­da em princí­pios firme­mentes aceitos pela inteligên­cia, que pudessem dar firmeza à von­tade no com­bate às paixões des­or­de­nadas e na seqüela do Divi­no Mestre.

Não quer isso diz­er que a Igre­ja se con­tentou ou se con­tenta com a mera aceitação int­elec­tu­al das ver­dades rev­e­ladas. Não. Ela quer a Fé, que opera pela cari­dade, como diz São Paulo (Gál., 5,6). Em out­ros ter­mos: Ela quer que o fiel viva de acor­do com a sua Fé, ten­ha, nesse sen­ti­do, uma Fé viva. O fun­da­men­to, porém, dessa Fé, na qual se fir­ma a adesão viva a Jesus Cristo, é a aceitação, pela inteligên­cia, da Rev­e­lação, e, em primeiro lugar, do fato de que Jesus Cristo é dev­eras o Fil­ho de Deus feito homem, cujos ensi­na­men­tos devem ser acata­dos, como condição pre­lim­i­nar para agradar a Deus e sal­var a alma, porquan­to sem esta Fé “é impos­sív­el agradar a Deus” (Heb., 11,6; Vat­i­cano I, s. 3, c. 3).

Tam­bém não quer diz­er que a Igre­ja despreze a parte sen­sív­el da natureza humana. Ela não despreza. Pelo con­trário, ama‑a com o amor que Jesus Cristo a amou ao assumir nos­sa natureza. Quer, porém, que ela con­serve seu lugar na hier­ar­quia dos ele­men­tos que com­põem a natureza humana, isto é, a serviço das con­vicções fir­madas nas ver­dades rev­e­ladas. Poderá ela assim aux­il­iar o apos­to­la­do; do con­trário, toman­do a frente, suas con­truções com­param-se às casas edi­fi­cadas sobre a areia, das quais diz a Escrit­u­ra que não resistem aos ven­davais. Imag­inemos um fiel entu­si­as­ma­do com sua Graça, que de repente é sub­meti­do a uma pro­va de aridez espir­i­tu­al. Se toda a sua for­mação teve por base a ale­gria e o entu­si­as­mo, resi­s­tirá ele à pro­va?