O ESTRUTURALISMO FRANCÊS E A SUBVERSÃO DO INDIVIDUO ATRAVÉS DA OBSESSÃO MUSICAL, PSICOLÓGICA E TOXICOLÓGICA


Filosofia / segunda-feira, outubro 29th, 2012

d. CURZIO NITOGLIA

8 de jun­ho de 2011

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

http://www.doncurzionitoglia.com/strutturalismo_francese.htm

 

O estru­tu­ral­is­mo é “o cer­ti­fi­ca­do de morte da alma”(Michel Focault).

Existe mui­ta lóg­i­ca nes­ta lou­cu­ra” (Ham­let, W.Shakespeare).

 

Proêmio

  • O marx­is­mo em crise depois da falên­cia da rev­olução stal­in­ista, que não con­seguiu expor­tar o comu­nis­mo para o mun­do inteiro, bus­cou (dos anos Trin­ta ao Sessen­ta e oito) uma out­ra via, para levar a rev­olução na parte do mun­do, ain­da não marx­iza­da  e con­seguiu. Esta nova via con­siste em sub­sti­tuir o pro­le­tari­a­do e a luta de class­es com a cor­rupção int­elec­tu­al e éti­ca do indi­vid­uo, e mes­mo com a destru­ição da real­i­dade lev­a­da adi­ante pela classe estu­dan­til, embria­ga­da de doutri­nas irra­cionais, ilóg­i­cas e niilis­tas, as quais con­duzem ao suicí­dio do indi­vid­uo, a des­ti­tu­ição da moral nat­ur­al e a ten­ta­ti­va de “matar” o próprio Ser sub­sis­tente através do enti-cídio ou a destru­ição do ser par­tic­i­pa­do, fini­to e criat­ur­al.
  • Já falam­os difusa­mente da Esco­la de Frank­furt e ape­nas en pas­sant do Estru­tu­ral­is­mo francês. Ago­ra nos propo­mos a tratar mais detal­hada­mente des­ta segun­da esco­la de pen­sa­men­to, estu­dan­do a vida e as obras dos seus maiores rep­re­sen­tantes e a dout­ri­na que nasceu de suas mente doentes para con­ta­giar a juven­tude estu­dan­til, arru­inar o indi­vid­uo, a família e sub­vert­er a Sociedade e a Igre­ja com a táti­ca da mão esten­di­da ou do diál­o­go entre o comu­nis­mo de face humana e o cris­tian­is­mo (Garaudy, Bloch e Rodano).

Músi­ca e rev­olução

  • O estru­tu­ral­is­mo (J. Lacan), como na Esco­la de Frank­furt (T. W. Adorno), estu­dou tam­bém a músi­ca como ele­men­to destru­ti­vo e dis­sol­vente da har­mô­nia e do equi­líbrio humano (sen­si­bil­i­dade sub­meti­da ao int­elec­to e a von­tade). Aristóte­les escreve que “mentes per­ver­sas lev­am a esti­los musi­cais retor­ci­dos” (Políti­ca, VI). O estru­tu­ral­is­mo e espe­cial­mente Adorno o enten­der­am muito bem e revog­a­ram a ver­dade aris­totéli­ca: “a músi­ca retor­ci­da per­verte a mente e a alma do homem”. Por isso se tem tra­bal­ha­do para destru­ir e sub­vert­er a Sociedade Civ­il, a família e o indi­vid­uo des­de a pro­fun­di­dade da sua alma através de uma músi­ca sel­vagem. Infe­liz­mente com a “Refor­ma litúr­gi­ca” de Paulo VI em 1970 esta dis­sonân­cia musi­cal (e não ape­nas ela) entrou tam­bém nas igre­jas e per­ver­teu a mente e a Fé dos cristãos. Os estru­tu­ral­is­tas e Adorno partem de Richard Wag­n­er e Schön­berg, com o qual ini­cial o pre­domínio das vari­ações, dis­sonân­cias, sobreposição dos temas, para chegar a músi­ca leve ou pop mod­er­na, que é a rad­i­cal­iza­ção da desar­mo­nia  para dese­qui­li­brar e dese­d­u­car através da audição a mente das novas jovens ger­ações [1]. Os autores estu­da­dos são Richard Wag­n­er (+1883), Arnol Schön­berg (+1951) e Elvis Pres­ley (+1977), do qual nasceu a rev­olução musi­cal que nos anos Sessen­ta arru­inou mil­hões de jovens, jun­to a dro­ga e ao álcool.

 

  • Richard Wag­n­er [2] ini­cia o roman­tismo musi­cal, “sem som­bra de resí­du­os clás­si­cos” [3]. Ele se dis­tan­cia sem­pre mais delib­er­ada­mente do gênero tradi­cional da ópera históri­ca para chegar a uma fase autoral da história a “qual cor­re­sponde a inde­ter­mi­nação da sua músi­ca” [4]. A real­i­dade da músi­ca que era assim clara em Mozart, Bach e Beethoven, é sac­ri­fi­ca­da defin­i­ti­va­mente por Wag­n­er pelo ide­al da músi­ca como lin­guagem sono­ra. Ele “des­os­sa a músi­ca clás­si­ca da har­mô­nia e da arquite­tu­ra, […] não existe nun­ca som puro tudo é amal­ga­ma­do […] em uma mis­tu­ra de sons” [5]. Além dis­so a sua ulti­ma ópera o Par­si­fal (1882) “resume os tons do mist­i­cis­mo sex­u­al wag­ne­r­i­ano” [6]. Sobre a lin­ha do cro­ma­tismo wag­ne­r­i­ano de Tristão, “que já com­pro­me­tia as relações fun­da­men­tais da har­mô­nia clás­si­ca, prosseguiram alguns com­pos­i­tores da Áus­tria e da Europa cen­tral, para a atonal­i­dade […] sem mais hier­ar­quia tôni­ca” [7]. Luisa Cervel­li, docente de história da músi­ca  em La Sapien­za, escreve: «No Par­si­fal […] mais que o herói cristão, bril­ha o espíri­to pagão-ger­mâni­co que […] parece quase rep­re­sen­tar o tri­un­fo do mito pagão ger­mâni­co sobre a tradição lati­na e sobre o espíri­to católi­co do cris­tian­is­mo» (voce Wag­n­er Richard, in “Enci­clo­pe­dia Cat­toli­ca”, Cit­tà del Vat­i­cano, 1954, vol. XII, col. 1643). Wag­n­er foi um ino­vador na músi­ca clás­si­ca e abriu as por­tas a músi­ca mod­er­na e desar­môni­ca; de fato ele “con­de­na toda músi­ca excluí­da a nona de Beethoven» [8].

Wag­n­er entende rev­olu­cionar e mudar o mun­do e o homem através da “músi­ca nova”, que é o poe­ma sin­fôni­co e o dra­ma musi­cal, con­tra­pos­tos a músi­ca clás­si­ca do pas­sa­do ou “músi­ca pura” (a sin­fo­nia e o con­cer­to). O dra­ma musi­cal de Wag­n­er se rev­el­ou como o gênero mais ino­v­a­ti­vo e rev­olu­cionário do Sécu­lo XIX alemão [9]. Das obras musi­cais estre­ita­mente instru­men­tais (sin­fo­nias, con­cer­tos) se pas­sa com Wag­n­er as obras musi­cais nas quais um sis­tema literário, filosó­fi­co e históri­co-politi­co influem sobre a músi­ca instru­men­tal (dra­ma musi­cal), assim que a músi­ca tira sua origem de uma fonte extra-musi­cal: um poe­ma ou nar­ra­ti­va históri­ca [10]. Tam­bém a própria músi­ca com Wag­n­er (+1883) começa a sofr­er um muta­men­to sub­stan­cial, que encon­trará o cumpri­men­to com Schön­berg (+1951): “não mais melo­dia reg­u­lar e simétri­ca, mas ao invés temas que se con­trapõem, se trans­for­mam, se divi­dem, se sobrepõem. […]. É sub­ver­ti­da a relação tradi­cional hierárquica entre melo­dia e har­mô­nia” [11].

  • Depois de Wag­n­er o estru­tu­ral­is­mo estu­dou Arnold Schön­berg (Vien­na 1874-Los Ange­les 1951) [12], no qual “encon­tra a sua expressão mais com­ple­ta a esco­la atôni­ca, o cro­ma­tismo tris­ta­ni­ano, car­rega­do de mór­bi­da emo­tivi­dade” [13]. O Autor “vol­ta as costas a har­mô­nia tradi­cional, imple­men­tan­do o comu­nis­mo ou a abso­lu­ta pari­dade entre os doze sons. […]. A lib­er­al­iza­ção total da dis­sonân­cia não dá lugar ain­da a out­ros princí­pios com­pos­tos que sub­stituem aque­les, ago­ra destruí­dos, da har­mô­nia tradi­cional. É o momen­to da abso­lu­ta liber­dade e da sub­ver­são total” [14]. A sua músi­ca é com­pos­ta sub­stan­cial­mente de dois ele­men­tos prin­ci­pais: “dis­sonân­cia e sex­u­al­i­dade, feiu­ra sono­ra e fre­n­e­si dion­isía­co” [15]. Ele destrói a músi­ca clás­si­ca e dá iní­cio a dis­sonân­cia afro-amer­i­cana.

Em 1948 Theodor Wieseg­rund Adorno escreve a obra inti­t­u­la­da Filosofia da nova músi­ca, na qual com­para um ensaio sobre Schön­berg e o pro­gres­so. Adorno apon­tou em Schön­berg o mod­e­lo insu­peráv­el da mod­ernidade, o assas­si­no da tradição [16]. A esco­la neo-alemã de Schön­berg se ref­ere a Wag­n­er e se con­trapõe a músi­ca clás­si­ca vienense até Brahms. A nova esco­la é fun­da­da “sobre o urro, sobre gesto vio­len­to, sobre defor­mações da real­i­dade, sobre rep­re­sen­tações da angús­tia e do delírio. […] Essa é a epi­fa­nia do neg­a­ti­vo e, sobre­tu­do a repul­sa de toda rec­on­cil­i­ação entre o homem e o mun­do. […] é na expres­sivi­dade ace­sa, dis­tor­ci­da, vio­len­ta dos seus primeiros dra­mas teatrais, […] a total eman­ci­pação da dis­sonân­cia […] e a neces­si­dade de exprim­ir com meios musi­cais de todo novos e inau­di­tos a ten­são utópi­ca,rev­olu­cionária do nascente expres­sion­is­mo teatral” [17]. Schön­berg se serve da dode­ca­fo­nia, segun­do a qual os doze sons da escala cromáti­ca são todos per­feita­menteequiv­a­lentes onde é aboli­do o fun­da­men­tal princí­pio hierárquico sobre o qual se baseia o sis­tema tôni­co, assim ele con­segue rep­re­sen­tar “a angús­tia, a alu­ci­nação e o son­ho a olhos aber­tos” [18].

  • De tan­ta dis­sonân­cia, pas­so ao rock de Elvis Pres­ley (+ 1977) car­ac­ter­i­za­do pela “exal­tação do sexo, […] pelo rock, pela dro­ga e pelo rock satâni­co, até ao rock da vio­lên­cia e do crime” [19] foi breve. De 1956 a 1960, Elvis “delib­er­ada­mente provo­cou a revol­ta mas­si­va de mil­hões de jovens no mun­do inteiro con­tra toda for­ma de sujeição e de autori­dade. […]” [20]. A sua ulti­ma exibição acon­tece em 16 de jun­ho de 1977 e em 16 de agos­to de 1977 é encon­tra­do mor­to por over dose [21]. Como se vê, a rev­olução foi fei­ta tam­bém e talvez, sobre­tu­do medi­ante a músi­ca. De fato, como uma mar­cha mil­i­tar acende a iras­ci­bil­i­dade e a reforça, como a músi­ca clás­si­ca, polifôni­ca e gre­go­ri­ana relax­am, acal­mam e unem a Deus as almas dos ouvintes, assim a músi­ca desar­môni­ca e obses­si­va-com­pul­si­va des­en­cadeia os piores instin­tos ani­male­scos no homem e o leva ao delírio, a dro­ga, a degen­er­ação moral e mes­mo ao suicí­dio ou ao satanis­mo (v. Pres­ley).

A dout­ri­na estru­tu­ral­ista como lev­ante do marx­is­mo em chave niilista, psi­coanalíti­ca e sel­vagem

  • estru­tu­ral­is­mo francês é a dout­ri­na anti-filosó­fi­ca, segun­do a qual, se deve (não ape­nas se pode, mas é abso­lu­ta­mente necessário) estu­dar as relações (ou “estru­turas” que é a relação de uma coisa com a out­ra) entre os vários ter­mos, sem con­hecer os próprios ter­mos.

O fun­dan­dor do estru­tu­ral­is­mo Claude Lévy-Strauss escreve: «o estru­tu­ral­is­mo leva os fatos soci­ais da exper­iên­cia e o trans­porta para o lab­o­ratório.  Neste lugar lhe rep­re­sen­ta sob for­ma de mod­e­los, toman­do em con­sid­er­ação não os ter­mos, mas as relações entre os ter­mos»[22]. Como se pode  falar da relação de uma coisa com a out­ra sem con­hecer as coisas que estão em relação recíp­ro­ca? É como quer­er falar da relação de pater­nidade ou fil­i­ação, que inter­corre entre pai e fil­ho e vicev­er­sa, sem con­hecer e tomar em con­sid­er­ação o pai e o fil­ho.  S. Tom­ma­so D’Aquino (S. Th., I, q. 13, a. 7) expli­ca que os ter­mos da relação ou “relação de uma coisa com out­ra” são qua­tro: 1º)sujeito, que é o ente ao qual a relação se ref­ere (por ex. pater­nidade-pai); 2º) o ter­mocom o qual o sujeito é colo­ca­do em relação (fil­ho); 3º) o fun­da­men­to da relação entre sujeito e ter­mo (ger­ação ati­va); 4º) a relação ou vín­cu­lo  que liga o sujeito ao ter­mo (par­entela ou pater­nidade). A relação (pater­nidade) tem um ser aci­den­tal próprio que é o iner­ir ou “esse in” a sub­stân­cia (pai). Ora o aci­dente não é o ente, mas é do ente; o seu ser é de iner­ir sobre uma sub­stân­cia, isso é precário e insub­sis­tente em si, que é inca­paz de exi­s­tir em si e por si e então deve sobre­vir ou aced­er (acced­it, de accidere) a uma sub­stân­cia, a qual existe em si e por si e atua no sujeito (sub­stat) como aci­dente. Se fal­ta o sub­stra­to, fal­ta o aci­dente. Por exem­p­lo, ser médi­co aces­sa e aper­feiçoa a sub­stân­cia do homem. Se não existe o homem, não exi­s­tirá nem mes­mo o médi­co, o musicista… (S. Th., II-II, q. 23, a. 3). Então, se não existe um pai, não existe um fil­ho e não sub­siste a relação de pater­nidade; se não existe um fil­ho, não existe um pai e não sub­siste a relação ou “estru­tu­ra” de fil­i­ação. Assim, é impos­sív­el estu­dar a pater­nidade se não existe o pai. O estru­tu­ral­is­mo, por­tan­to, é uma relação que não tem fun­da­men­to na real­i­dade: a par­tir da exper­iên­cia chega a elab­o­rações de lab­o­ratório, que sep­a­ra a relação dos ter­mos rel­a­tivos, que é o aci­dente da sub­stân­cia. Ora a definição de aci­dente é “aqui­lo que é iner­ente a uma sub­stân­cia. Deste modo, o aci­dente sem a sub­stân­cia é um puro ente lógi­co ou de razão sem fun­da­men­to na real­i­dade. Onde a primeira car­ac­terís­ti­ca do estru­tu­ral­is­mo é uma metodolo­gia niilista que estu­da “estru­turas” fun­dadas sobre o nada. Isso bus­ca con­stru­ir  ou mel­hor “cri­ar ex nihi­lo” – como faz a mente do louco alu­ci­na­do – esque­mas de relações, sobre­tu­do em cam­po antropológi­co e soci­ológi­co com Lévy-Strauss, (que relança o marx­is­mo clás­si­co segun­do o qual a economoa é a estru­tu­ra sobre a qual se baseiam as super­estru­turas) e no cam­po psi­cológi­co com Jacques Lacan (elab­o­ran­do esque­mas de relações obscuras do inco­sciente, ao lado do freud­is­mo e ultrapassando‑o no elo­gio da mul­ti­dão).

O méto­do do estru­tu­ral­is­mo se fun­da sobre a teo­ria do con­hec­i­men­to segun­do o qual, a razão humana pode con­hecer ape­nas as relações (ou “estru­turas”) e não as sub­stân­cias ou essên­cias das coisas, que, se exis­tem, são incon­hecíveis. Nada de novo! É ape­nas a exten­são do sub­je­tivis­mo mod­er­no, espe­cial­mente kan­tiano, segun­do o qual, não con­heço a coisa em si (noumeno), mas como me parece (fenô­meno), no cam­po da soci­olo­gia mate­ri­al­ista (Marx) e da psi­canálise do sub­con­sciente ou do incon­sciente (Freud). O estru­tu­ral­is­mo ultra­pas­sa, todavia, a mod­ernidade kan­tini­ana-hegeliana e se colo­ca em ple­na pós-mod­ernidade niilista enquan­to nega não ape­nas a pos­si­bil­i­dade de con­hecer a real­i­dade obje­ti­va (Kant) ou a sua existên­cia (Hegel), os fenô­menos (sen­sis­mo ou empiris­mo inglês), os fatos ou exper­iên­cias indi­vid­u­ais (pos­i­tivis­mo), mas tam­bém o con­hec­i­men­to e a existên­cia de um Sujeito, um Eu ou Espíri­to abso­lu­to, porque não con­hece­mos ter­mos ou sujeitos, mas ape­nas as suas relações, o que é absur­do porque sem sujeito ou ter­mo não existe a relação. Por­tan­to o estru­tu­ral­is­mo como méto­do e como gnose­olo­gia é essen­cial­mente niilista e pós-mod­er­no. A “con­tra-filosofia” estru­tu­ral­ista foi bem defini­da por seu fun­dador Claude Lévy-Strauss comoPen­sa­men­to sel­vagem [23]. Na ver­dade – segun­do ele – a lóg­i­ca, a própria razão do homem, é uma mist­i­fi­cação, uma invenção fun­da­da sobre a filosofia real­ista e a metafisi­ca do ser, segun­do as quais existe uma real­i­dade obje­ti­va, um sujeito con­hece­dor e os ter­mos, enquan­to para o estru­tu­ral­im­so existe ape­nas as estru­turas ou relações, que se man­i­fes­tam psi­cana­liti­ca­mente (Freud) na sub­con­sciên­cia humana ou soci­o­logi­ca­mente (marx) nas relações dos povos sel­vagens, que não foram desvi­a­dos pelo pen­sa­men­to lógi­co e pela metafisi­ca clás­si­ca (o marx­is­mo da luta de class­es do pro­le­tari­a­do é trans­pos­to ao irra­cional e ao delírio, que destroem mel­hor a cul­tura européia do que havia feito a luta e o ódio de classe). A tare­fa do estru­tu­ral­is­mo é aque­la de can­ce­lar tam­bém na Europa, a lem­brança da lóg­i­ca e da metafísi­ca, para tornar o “vel­ho-Con­ti­nente” semel­hante aos sel­vagens aborí­genes das tri­bos prim­i­ti­vas. Então, Lévy-Strauss propõe uma con­tra-evan­ge­liza­ção, que tor­na sel­vagem tam­bém a Europa, a qual antes evan­ge­liza­va e civ­i­liza­va os sel­vagens, enquan­to ago­ra esta por ser trib­al­iza­da e embar­bariza­da pela invasão de mas­sa dos novos sel­vagens, que veem de além Oceano para assel­va­jar a vel­ha Europa. A músi­ca que hoje se tornou rumor é uma apli­cação do estru­tu­ral­is­mo no cam­po da melo­dia e da har­mô­nia, as quais foram vol­un­tari­a­mente can­ce­ladas para ced­er o lugar a dis­sonân­cia e ao ruí­do frenéti­co.

  • A con­clusão teóri­ca que chega o estru­tu­ral­is­mo é o niil­is­mo metafísi­co, a qual con­se­quên­cia práti­ca é o niil­is­mo moral. Na ver­dade, se para a filosofia mod­er­na mais estim­u­la­da, a saber o hegelian­is­mo, existe um Espíri­to ou o abso­lu­to, o estru­tu­ral­is­mo dec­re­ta a morte de toda real­i­dade não ape­nas obje­ti­va, mas tam­bém do sujeito ou abso­lu­to. Não existe obje­to, nem sujeito, matéria ou espíri­to, exis­tem ape­nas estru­turas ou relações basea­da sobre o nada. Ora, ex nihi­lo nihil fit. Assim, a própria estru­tu­ra é impos­sív­el. Se o estru­tu­ral­is­mo dec­re­ta teóri­ca­mente a morte do real obje­ti­vo e sub­je­ti­vo, do homem, do con­hec­i­men­to, prati­ca­mente lhe segue a morte ou o tomba­men­to da moral   sub­sti­tuí­das pela psi­canálise do incon­sciente, que tor­na lic­i­to todas as ações mais imorais e per­ver­sas, enquan­to estru­turas ou relações do sub­côn­scio mais obscuro, ao qual deve ser deix­a­da toda liber­dade [24].

Segun­do Lacan e Focault não é cor­re­to diz­er “Eu pen­so”, mas é necessário diz­er “se pen­sa” para colo­car em rele­vo a estru­tu­ra ou a relação sem sujeito ou ter­mos, que pen­sa (vázio). Na ver­dade, Lévy-Strauss ain­da diz que “o homem não tem nen­hum sen­ti­do” [25]. Então, prati­ca­mente ou “eti­ca­mente”, con­vém se deixar ir para o incôn­scio, o incon­sciente, a lou­cu­ra, a dro­ga e a alu­ci­nação. A matéria de Marx, o Eu de Hegel são sub­stí­tu­i­dos pelo nada do estru­tu­ral­is­mo, que teve um grande papel na Rev­olução estu­dan­til de 1968, jun­to a esco­la de Frank­furt. Emb­o­ra ten­ham dado o golpe de mis­er­icór­dia nos ulti­mos vestí­gios da civ­i­liza­ção gre­co-romana e cristã. Estas doutri­nas deli­rantes, sel­vagens, irra­cionais e ilóg­i­cas tem lev­a­do a refor­mas médi­co-psiquiátri­c­as segun­do as quais os loucos, sendo sel­vagens ilógi­cos e não cor­rompi­dos pela metafísi­ca clás­si­ca, devi­am ser con­sid­er­a­dos nor­mais (Lacan, Basaglia [26] e Fou­cault [27]). Lacan teori­zou, Basaglia colo­cou em práti­ca a dout­ri­na segun­do a qual o incôn­scio prevalece sobre o côn­scio (neo-psi­canálise freudi­ana-estru­tu­ral­ista) e então, teceu o elo­gio da lou­cu­ra. Este é o êxi­to do pen­sa­men­to filosó­fi­co mod­er­no e pós-mod­er­no: o nada, a lou­cu­ra, a dro­ga, o trib­al­is­mo cav­er­noso. Além da mod­ernidade, há o niil­is­mo e o pre­cip­i­tar no abis­mo do nada onde tudo afun­da.

Este modo de devan­ear “venceu” a batal­ha pre­sente. O mun­do, a esco­la, a família, até mes­mo os home­ns da Igre­ja (com o Con­cílio Vat­i­cano II) res­pi­raram a plenos pul­mões esta nuvem tóx­i­ca chama­da mod­ernidade, pós-mod­ernidade e estru­tu­ral­is­mo. Humana­mente falan­do a luta é ímpar. Na ver­dade, o indi­vid­uo foi cor­rompi­do des­de a pro­fun­di­dade da alma, pas­san­do através dos sen­ti­dos (músi­ca, dro­ga e apa­tia). Então, ape­nas Deus poderá nos tirar fora do poço do abis­mo no qual fomos pre­cip­i­ta­dos.

Os maiores rep­re­sen­tantes do Estru­tu­ral­is­mo

CLAUDE LÉVY-STRAUSS

Ele nasceu em Brux­e­las em 1908 de prog­en­i­tores france­ses, pas­sou a infân­cia e a juven­tude em Paris. For­mou-se em filosofia na Sor­bone. Em 1935 ensi­nou soci­olo­gia na Uni­ver­si­dade de São Paulo Brasil. Des­de aque­le momen­to, se entre­gou a antropolo­gia. Em 1941 se trans­feriu para Nova Iorque; depois em 1947 voltou a França, a Paris onde ini­ciou a sua pro­dução “cien­tí­fi­ca” estru­tu­ral­ista. O seu pen­sa­men­to estru­tu­ral­ista antropológi­co é car­ac­ter­i­za­do por “uma ver­dadeira e própria opção anti-filosófica”[28]. Levy-Strauss se dis­tan­cia rad­i­cal­mente do ide­al­is­mo e se trans­fere para “uma etnolo­gia em sin­to­nia com marx­is­mo e psi­canálise. […] Freud lhe rev­ela como próprio os com­por­ta­men­tos em aparên­cia mais afe­tivos, as man­i­fes­tações pré-lóg­i­cas, são exata­mente as mais sig­nif­i­cantes [29]”. Marx ao invés o con­vi­da a con­stru­ir uma antropolo­gia social e anti-filosóf­ca onde pre­dom­i­na o ele­men­to de mudança econômi­ca, que unido ao incôn­scio freudi­ano pro­duz o estru­tu­ral­is­mo francês. No seu livro livro Les struc­tures élé­main­taires de la par­en­té (Pari­gi, PUF, 1949; tr. it., Milano, Fel­trinel­li, 1969) Lévy-Strauss fala pos­i­ti­va­mente do inces­to e colo­ca em dúvi­da as con­sid­er­ações feitas sobre esse pela prece­dente inves­ti­gação cien­tifi­ca-filosó­fi­ca. Um out­ro ele­men­to da sua dout­ri­na estru­tu­ral­ista é o “esvazi­a­men­to rad­i­cal do próprio sujeito humano, em nome das estru­turas ou relações que a qual­i­fi­cam, pela qual, quan­do se fala do homem, se fala de for­ma ou estru­turas e não de sub­stân­cia” [30]. Segun­do ele Michel Focault tem razão quan­do escreve que “o homem é uma invenção” (Les mots et les choses, Pari­gi, Gal­li­mard, 1966, tr. it., Milano, Riz­zoli, 1967, p. 414). Em 1962 com a sua “obra-pri­ma” La pen­sée sauvage (Pari­gi, Plon) ele “con­trapõe a men­tal­i­dade prim­i­ti­va e sel­vagem àquela “civ­i­liza­da” a par­tir da ideia da supe­ri­or­i­dade afe­ti­va, de estam­pa emo­ti­va e irra­cional” [31]. O seu influxo si nota ain­da hoje espe­cial­mente sobre os fil­hos do Sessen­ta e oito nos quais o ele­men­to racional e vol­un­tário-livre cedeu o lugar a emo­tivi­dade sen­ti­men­tal­ista e irra­cional.

MICHEL FOCAULT

Nasceu em Poitiers em 1926. Des­de os anos Cinquen­ta se impôs como ensaista rad­i­cal­mente criti­co da filosofia clás­si­ca. No Sessen­ta e oito se tornou um dos “gurus” do movi­men­to estu­dan­til. Nos anos sessen­ta o seu pen­sa­men­to influ­en­ciou a cul­tura amer­i­cana. Desen­volveu uma análise estru­tu­ral­ista sobre a lou­cu­ra, a psiquia­tria e seus temas soci­ais, unin­do Freud e Marx. A sua “obra-pri­ma” é uma antolo­gia dos seus diver­sos ensaios traduzi­dos e pub­li­ca­dos em ital­iano: Microfisi­ca del potere, Tori­no, Ein­au­di, 1977. Mor­reu em 1984.  Ele reto­mou os temas antropológi­cos estu­da­dos por Lévy-Strauss e aque­les psi­canalíti­cos estu­da­dos por Lacan. Desen­volveu in savoir, Paris, Gal­li­mard, 1976, tr. it., Milão, Fel­trinel­li, 1978; L’usage du plaisir,Pari­gi, Gal­li­mard, 1984, tr. it., Milão Fel­trinel­li, 1984; Le souci de soi, Pari­gi, Gal­li­mard, 1984, tr. it., Milão, Fel­trinel­li, 1985). A sua teo­ria é a destru­ição ou ausên­cia total até do sujeito humano: “não existe sequer um homem para sal­var, já que ele não tem sobre seus lábios nem mes­mo uma palavra a pro­nun­ciar [32].  Nada daqui­lo que fez a cul­tura européia tem dire­ito a impressão. […] Aqui­lo que vive no espíri­to de Focault é o cer­ti­fi­ca­do da morte da alma” [33].

JACQUES LACAN

Nasceu em Paris em 1901. Espe­cial­i­zou-se em psiquia­tria em 1932. Em 1966 recol­heu o “mel­hor” dos 30 anos da sua inves­ti­gação psiquiátri­co-estru­tu­ral­ista em um livro inti­t­u­la­do Ecrits(Pari­gi, Ed., du Seuil). Mor­reu em 1981 [34]. Entre os seus estu­dos são sig­ni­fica­tivos aque­les sobre La sig­ni­fi­ca­tion du fal­lus (1958), o que evidên­cia como o órgão com o qual racioci­nam os estru­tu­ral­is­tas, não é o cére­bro, mas um out­ro muito menos nobre e “infe­ri­or”. Um out­ro livro seu inter­es­sante é Kant avec Sade (1963). Ele foi influ­en­ci­a­do pelo neo-marx­is­mo de Louis Althuss­er, seu ami­go paciente, que depois de ter estran­gu­la­do a mul­her sui­ci­dou-se em 1990. O coração do seu pen­sa­men­to é o uso da psi­canálise em função anti-filosó­fi­ca, que adver­sa seja Sócrates, Platão e Aristóte­les seja Hegel, porque nega, seja o obje­to real da filosofia gre­ga, seja o sujeito abso­lu­to da filosofia mod­er­na ide­al­ista, para sal­var ape­nas as relações ou “estru­turas” sem os rel­a­tivos ter­mos. Ele, com a cor­rente estru­tu­ral­ista france­sa, é criti­co até mes­mo para a Esco­la de Frank­furt e espe­cial­mente para Mar­cuse, “que tam­bém elaborou uma con­tribuição sub­stan­cial naqui­lo que con­cerne a relação entre Eros e civ­i­lizão indus­tri­al, mas não con­seguiu – segun­do Lacan – dar uma cor­re­ta teo­ria psi­cani­lit­i­ca” [35]. Segun­do Lacan o ver­dadeiro retorno a Freud sig­nifi­ca retornar a Descartes e um dis­tan­ciar-se de Berg­son [36]. Todavia o retorno a Descartes é lim­i­ta­do a sua dúvi­da metódi­ca e ao pri­ma­do do Cog­i­to sobre o ser, enquan­to todo o resto do seu sis­tema filosó­fi­co é rejeita­do. Freud retirou toda certeza que Descartes havia deix­a­do ao homem mod­er­no, porque, se para Descartes onde  pen­so naque­le lugar me encon­tro, para Freud “eu sou onde não pen­so” (L’instance de la let­tre dans l’inconscient ou la rai­son depuis Freud, 1957, p. 517), então o “não-pen­sa­men­to” é o cen­tro da psi­canálise estru­tu­ral­ista laca­ni­ana, enquan­to o incôn­scio esta lá onde fal­ta o pen­sa­men­to. Ele insiste muito sobre a relação posit­i­cave­mente nar­ci­sista entre sujeito-obje­to que é super­a­do (o “moi” ou “eu” con o “e” minuscú­lo) pela relação sujeito e sujeito (o “Je” ou “Eu” com o “E” maiuscú­lo). Lacan insiste muito sobre o fato de que foi Freud  a ter vis­to na lin­guagem a estru­tu­ra por excelên­cia.

Con­clusão

  • Em cer­to sen­ti­do, o escopo sub­ver­si­vo e dis­so­lu­to do estru­tu­ral­is­mo francês supera até mes­mo aque­le da esco­la de Frank­furt. Na ver­dade, se eles tem em comum o conúbio entre psi­canálise e marx­is­mo, o estru­tu­ral­is­mo chega ao parox­is­mo do “não-pen­sa­men­to” ou do incôn­scio supe­ri­or a con­sciên­cia, ao elo­gio do ilógi­co e até mes­mo da lou­cu­ra em sen­ti­do estre­ito do ter­mo e então dec­re­ta a “morte do homem e da alma”. O homem, de fato é uma invenção, não é uma sub­stân­cia, mas uma relação e “não tem nen­hum sen­ti­do”. Partin­do-se do princí­pio estru­tu­ral­ista de que não exis­tem ter­mos ou sujeitos, mas ape­nas relações arcadas no ar, estas con­clusões aber­rantes são em tudo con­se­quentes e coer­entes. “Existe mui­ta lóg­i­ca nes­ta lou­cu­ra” diria Ham­let de Shake­speare, e ex con­trario “existe mui­ta lóg­i­ca nes­ta ilogi­ci­dade” podemos diz­er nós. O nar­ci­sis­mo do Eu que se espel­ha no Eu expli­ca a ilogi­ci­dade, a lou­cu­ra e as tor­pezas práti­cas teorizadas e admi­ti­das pelo estru­tu­ral­is­mo. É um mun­do induzi­do cien­tifi­ca­mente ao enlouquec­i­men­to.
  • O remé­dio depois do diag­nós­ti­co é o retorno ao real, a lóg­i­ca, a metafísi­ca do ser, a espir­i­tu­al­i­dade cristã, que nos ensi­na a ser­mos donos dos nos­sos instin­tos e a encam­in­har-lhes a Deus (sub­li­mação), depois de tê-los sub­meti­do (mor­ti­fi­cação) ao int­elec­to e a von­tade. Não pre­cisa neg­li­gen­ciar a músi­ca, que tan­to papel teve no dis­solvi­men­to do homem con­tem­porâ­neo e pós-mod­er­no. De fato, é difí­cil levar o homem dire­ta­mente a dro­ga se antes não se destrói a sua capaci­dade racional e a sua livre von­tade, medi­ante teo­rias abstrusas e vazias (relações sem sujeitos). Mas, antes ain­da de per­vert­er o int­elec­to humano, é pre­ciso per­vert­er a sua sen­si­bil­i­dade (“nihil in intel­lec­tu quod prius non fuer­it in sen­su”). Ora, um dos sen­ti­dos mais desen­volvi­dos é o ouvi­do, que pode ser edu­ca­do ou dese­d­u­ca­do  pela músi­ca har­môni­ca ou desar­môni­ca. Através da desar­mo­nia o estru­tu­ral­is­mo lev­ou a des­or­dem, ao fre­n­e­si e a lou­cu­ra no int­elec­to humano. Já Dante  tin­ha dito: “Não fos­tes feitos para viv­er como bru­tos, mas para seguir a vir­tude e o con­hec­i­men­to” (Infer­no, XXVII, 119); “Sejam home­ns e não ovel­has lou­cas, de modo que o judeu de vós entre vós não zombe” (Paraiso, V, 80). Se pen­sar­mos que a maior parte dos filó­sos de Frank­furt e do estru­tu­ral­is­mo francês são israe­lens­es e que fiz­er­am o homem con­tem­porâ­neo sim­i­lar ao bru­to, sem vir­tude nem racíocinio,  se entende até mes­mo porque “o judeu de nós entre nós zom­ba”. Mas ri mel­hor quem por ulti­mo. Busque­mos nos tornar aqui­lo que somos: home­ns cri­a­dos a imagem (int­elec­to e von­tade) e semel­hança (graça san­tif­i­cante) de Deus e não aqui­lo que o inimi­go do gênero humano quer que sejamos: “ovel­has lou­cas”. Cer­ta­mente não é o estru­tu­ral­is­mo, ném a mod­ernidade que nos aju­dam a alcançar o nos­so fim, mas – na ordem nat­ur­al – a metafísi­ca do ser e – na ordem sobre­nat­ur­al – a espir­i­tu­al­i­dade católi­ca.

d. CURZIO NITOGLIA

8 de jun­ho de 2011

http://www.doncurzionitoglia.com/strutturalismo_francese.htm

 

Notas

[1]Cfr. U. Eco, La strut­tura assente, Milano, Bom­piani, 1968; J. M. Auzias, tr. it., La chi­ave del­lo strut­tural­is­mo, Milano, Mur­sia, 1969; J. Piaget, tr. it., Lo strut­tural­is­mo, Milano, Il Sag­gia­tore, 1968; S. Moravia, Lo strut­tural­is­mo francese, Firen­ze, San­soni, 1975.

[2] Cfr. “Enci­clo­pe­dia del­la musi­ca”, Milano, Garzan­ti, III ed., 2010, pp. 965–999.

[3] M. Mila, Breve sto­ria del­la musi­ca, Tori­no, Ein­au­di, 1963, p. 243.

[4] M. Mila, cit., p. 244.

[5] M. Mila, cit., p. 245.

[6] M. Mila, cit., p. 250.

[7] M. Mila, cit., p. 365.

[8] S. Bet­ti­ni, “Enci­clo­pe­dia Filosofi­ca”, Gal­larate, 1982, vol. VIII, p. 831.

[9] G. Bar­bi­eri, La grande sto­ria del­la musi­ca clas­si­ca, vol. XIRichard Wag­n­er, Roma, Grup­po Edi­to­ri­ale L’Espresso, 2005, pp. 6–7.

[10] G. Bar­bi­eri, cit., p. 8.

[11] G. Bar­bi­eri, cit, pp. 10–11.

[12] Cfr. “Enci­clo­pe­dia del­la musi­ca”, Milano, Garzan­ti, III ed., 2010, pp. 797–799; cfr. “Enci­clo­pe­dia del­la musi­ca”, Milano, Garzan­ti, III ed., 2010, pp. 797–799.

[13] M. Mila, cit., p. 390.

[14] M. Mila, cit., ivi.

[15] E. M. Jones, Il ritorno di Dion­iso. Musi­ca e riv­o­luzione cul­tur­ale, Viter­bo, Effedi­effe, 2009, p. 92.

[16] G. Bar­bi­eri, La grande sto­ria del­la musi­ca clas­si­ca, vol. XVIIArnold Schön­berg,Roma, Edi­to­ri­ale dell’Espresso, 2006, p. 5.

[17] G. Bar­bi­eri, La grande sto­ria del­la musi­ca clas­si­ca, vol. XVIIArnold Schön­berg, cit., pp. 8–9.

[18] G. Bar­bi­eri, cit., pp. 10–11.

[19] C. Bal­duc­ci, Ado­ra­tori del diavo­lo e rock satan­i­co, Casale Mon­fer­ra­to, Piemme, 1991, p. 151.

[20] C. Bal­duc­ci, cit., p. 154.

[21] Cfr. Th. W. Adorno, tr. it., Intro­duzione alla soci­olo­gia del­la musi­ca, Tori­no, Ein­au­di, 1971. Come si vede, anche la Scuo­la di Fran­co­forte ha stu­di­a­to e favorito la riv­o­luzione musi­cale sino a quel­la satanis­ti­ca. Lo strut­tural­is­mo francese non è sta­to da meno con Jacques Lacan.

[22] C. Lévvy-Strauss, Nou­v­el Obser­va­teur, 25 gen­naio 1967.

[23] Cfr. C. Lévy-Strauss, La pen­sée sauvage, Pari­gi, Plon, 1962; tr. it., Il pen­siero sel­vag­gio,Milano, Il Sag­gia­tore, 1964.

[24] Cfr. Michel Focault, Les mot set les choses, Pari­gi, Gal­li­mard, 1965.

[25] Cfr. La France Catholique, 16 otto­bre 1964.

[26] Cfr. F. Basaglia, La mag­gio­ran­za deviante, Tori­no, Ein­au­di, 1970.

[27] Cfr. M. Focault, Sorveg­liare e punire, tr. it., Tori­no, Ein­au­di, 1976.

[28] Cfr. Ita­lo Boni (a cura di), Claude Lévy-Strauss, in “Nove­cen­to filosofi­co e sci­en­tifi­co,diret­to da Anti­mo Negri, Milano, Mar­zo­rati, 1991, III vol., p. 178.

[29] Ibi­dem, p. 180.

[30] Ib., p. 183.

[31] Ib., p. 184.

[32] Não se entende, então, porque ele a pronún­cia: por coerên­cia dev­e­ria calar como todo out­ro homem.

[33] Cfr. I. Bertoni, (a cura di) Michel Focault, op. cit., pp. 207–208.

[34] Cfr. P. Caru­so (a cura di), Con­ver­sazioni con Lévy-Strauss, Focault e Lacan, Milano, Mur­sia, 1969; G. Con­tri, Nozioni fon­da­men­tali nel­la teo­ria del­la strut­tura in Lacan,Tori­no, Bor­inghieri, 1972; M. Fran­cioni, Psi­canal­isi lin­guis­ti­ca ed epis­te­molo­gia in Jacques Lacan,Tori­no, Bor­inghieri, 1978; C. Clé­ment, tr. it., Vita e leggen­da di Jacques Lacan, Bari, Lat­erza, 1982.

[35] Cfr. Gio­van­ni Invit­to, Jacques Lacan, in “Nove­cen­to filosofi­co e sci­en­tifi­co”, cit., p. 220.

[36] Ivi.