P. CURZIO NITOGLIA: PERIGOS PARA A VIDA SACERDOTAL EM NOSSO TEMPO


Espiritualidade, Teologia / quarta-feira, março 9th, 2016

 

Padre Curzio Nitoglia
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 

● Em 1945 Padre REGINALDO GARRIGOU-LAGRANGE escreveu um livre­to, traduzi­do para o ital­iano em 1949, e inti­t­u­la­do San­tifi­cação sac­er­do­tal no nos­so tem­po (Tori­no, Mari­et­ti). Nesse o céle­bre teól­o­go afronta­va os erros neo­mod­ernistas, que já minavam a espir­i­tu­al­i­dade católi­ca e aler­ta­va sobre ess­es espe­cial­mente os jovens sac­er­dotes. Pas­saram-se mais de seten­ta anos e os peri­gos latentes se tornaram erros explíc­i­tos, que infe­liz­mente não são mais cen­sura­dos, mas até mes­mo pro­movi­do pelos Pas­tores que dev­e­ri­am con­dená-los. No pre­sente arti­go faço um resumo de tais erros, dos remé­dios pro­pos­tos pelo Padre domini­cano e acres­cen­to aqui­lo que de errô­neo matur­ou em cam­po teológi­co ascéti­co e mís­ti­co des­de 1949 para dar aos sac­er­dotes e analoga­mente aos cristãos os meios para se preser­varem dess­es.

● Um dos erros sobre a vida espir­i­tu­al que se tin­ha infil­tra­do no ambi­ente católi­co, graças a nou­velle théolo­gie foi o Sen­ti­men­tal­is­mo. Este erro esquece que a ver­dadeira Cari­dade sobre­nat­ur­al é efe­ti­va mais que afe­ti­va, além dis­so é um ato da von­tade e do int­elec­to movi­dos pela Graça atu­al. Ao invés dis­so, o Sen­ti­men­to reli­gioso colo­ca em primeiro lugar a sen­si­bil­i­dade e afe­tivi­dade que prevale­cem sobre a inteligên­cia e von­tade movi­das pela Graça. A espir­i­tu­al­i­dade se tor­na sen­ti­men­tal­is­mo e é sim­i­lar a um “fogo de pal­ha” ao qual suced­erá o relax­am­en­to, a ací­dia e o aban­dono de toda vida ascéti­ca ao sur­gir as primeiras difi­cul­dades e aridezes espir­i­tu­ais.

● Out­ro erro é o exces­so opos­to: o Ange­lis­mo; esse retém que a vida cristã inte­ri­or seja total­mente sub­lime a ser extra­ordinária, excep­cional, mirac­u­losa­mente reser­va­da só a poucos eleitos. Con­funde os fenô­menos extra­ordinários e con­tin­gentes da Mís­ti­ca com a natureza da ter­ceira via uni­ti­va a qual todos são chama­dos por Deus e que é o desen­volvi­men­to da Graça e das Vir­tudes medi­ante os Dons do Espíri­to San­to. A con­se­quên­cia é que se renún­cia a vida espir­i­tu­al porque é muito árd­ua a respeito da frag­ili­dade humana. Porém, o ver­dadeiro imped­i­men­to a san­tifi­cação, para a qual todos deve­mos ten­der, não é a lim­i­tação humana, própria tam­bém dos San­tos, mas o orgul­ho espir­i­tu­al de quem quer faz­er do homem um anjo e ter­mi­na por tor­na-lo uma besta.

● A sã espir­i­tu­al­i­dade, ensi­na que, a vida cristão é vida de união com Deus, pre­sente na alma do jus­to, con­heci­do e ama­do sobre­nat­u­ral­mente através da Fé e da Cari­dade, e de con­vivên­cia com Ele através da med­i­tação. Se a união e o colóquio com Deus são o fim ao qual ten­der e à acres­cen­tar lenta­mente a cada dia, é pre­ciso con­seguir os meios para alcança-la. Ver­dadeira­mente “quem quer o fim con­segue os meios”. Infe­liz­mente o amor próprio colo­ca um grande obstácu­lo a vida de união com Deus. De fato, vive­mos mais por nós mes­mos que para Deus. Jun­to ao amor próprio encon­tramos muitas vezes na nos­sa alma a vaidade, a super­fi­cial­i­dade, a exte­ri­or­i­dade. Assim não vive­mos inte­ri­or­mente unidos a Deus e em colóquio com Ele, mas exte­ri­or­mente sobre a insta­bil­i­dade da fan­ta­sia e do sen­ti­men­tal­is­mo ou cur­va­dos ego­is­ti­ca­mente e nar­ci­sis­ti­ca­mente sobre nós quase em ado­ração de nós mes­mos e não de Deus. Ao nos­so “Deus” fal­ta o “D” ini­cial e o “S” final, a nos­sa reli­giosi­dade se trans­for­ma em “filosofia” ide­al­ista que tem por obje­to o Eu abso­lu­to.

● Os meios fun­da­men­tais para chegar a este Fim últi­mo, que é Deus, são sub­stan­cial­mente dois:

1º) a abne­gação ou o rene­gar a própria von­tade quan­do não está em con­formi­dade com a div­ina. É pre­ciso tirar de nós a des­or­dem, as paixões desreg­u­ladas e adquirir a paz da alma. Todavia as paixões, mes­mo se mor­ti­fi­cadas, per­manecem sem­pre em nós até a nos­sa morte. Então, a luta con­tra elas durará toda a nos­sa vida. Deve­mos dar a morte ao espíri­to do mun­do que alber­ga em nós (as três Con­cu­pis­cên­cias), sobre­tu­do ao próprio juí­zo ou capri­cho impul­si­vo, que nos leva ao com­praz­i­men­to das nos­sas qual­i­dades, como se fos­se nos­sas e não dom de Deus: “Que coisa ten­des que não ten­ha rece­bido de Deus? E se lhe ten­des rece­bido, porque te glo­ri­fi­cas como se fos­se tua?” (São Paulo). Se con­seguimos nos espo­liar deste orgul­ho escon­di­do através da ver­dadeira devoção a Virgem Maria segun­do o espíri­to de São Luís Grignon de Mont­fort, então damos lugar ao Espíri­to San­to que vem abun­dan­te­mente em nós a atu­ar os seus sete Dons, que de velas amainadas se tor­nam velas esten­di­das ao ven­to da Graça, a qual nos faz cor­rer em direção a meta.

2º) O recol­hi­men­to habit­u­al que nos leva a viv­er com Deus pre­sente em nós medi­ante a Graça san­tif­i­cante e a falar com Ele na med­i­tação. São Ben­to na gru­ta de Sub­ía­co “secum vive­bat”: vivia com Deus pre­sente em si (São Gregório Mag­no)

● Sobre­tu­do o sac­er­dote deve pos­suir estas qual­i­dades que o lev­am a união e con­vivên­cia com Deus para poder dá-lo as almas. “Nemo dat quod non habet”. O papel do sac­er­dote é o de dar Deus aos home­ns através da Pre­gação, dos Sacra­men­tos e da edu­cação aos Man­da­men­tos e depois ele­var os home­ns até Deus, de maneira fini­ta mas real, fazen­do-lhes viv­er habit­ual­mente na Graça san­tif­i­cante. “Con­tem­plare et con­tem­pla­ta ali­is tradere” (San­to Tomás de Aquino). Para o sac­er­dote esta chama­da a união com Deus é uma obri­gação, não um con­sel­ho, para poder dar aos out­ros Jesus: na sua Dout­ri­na (Ensi­na­men­to), na sua Vida inti­ma (Graça, oração e Sacra­men­tos) e na Moral (prat­i­ca dos Man­da­men­tos) ele deve tê-lo em si super­abun­dan­te­mente e canalizar o exce­dente nas almas. “Esto con­ca et non canal” (São Bernar­do de Clar­aval). O reser­vatório não se seca, ao invés, o canal sim. O peri­go para o sac­er­dote é aque­le de exau­rir os seus recur­sos espir­i­tu­ais para lhes dar aos fiéis. É a famosa “here­sia da ação” de que fala­va Dom Chau­tard no seu famosís­si­mo livro “A alma de todo apos­to­la­do”.

● Na vida sac­er­do­tal, como em toda vida, devem coex­i­s­tir a força con­ser­vado­ra da existên­cia e a força assim­i­lado­ra do novo ali­men­to, o ser e o movi­men­to. Sem a ali­men­tação se perece e sem o ser não se pode agir e não se pode con­ser­var o novo ali­men­to. Assim, um automóv­el tem neces­si­dade de motor, acel­er­ador e freio. A Igre­ja e o Sac­erdó­cio devem ter bem equi­li­bradas estas duas forças. Sem força do pro­gres­so (que não é pro­gres­sis­mo, mas cresci­men­to e desen­volvi­men­to no mes­mo gênero) se tem a imo­bil­i­dade do coma e da morte (como nas igre­jas cis­máti­cas orto­doxas, que pararam no XI sécu­lo), mas sem tradição con­ser­vado­ra se tem a insta­bil­i­dade do moto per­pé­tuo e do fre­n­e­si (como no protes­tantismo ou no mod­ernismo, onde tudo muda inces­san­te­mente). Ora, para con­ser­var este equi­líbrio na vida cristã (indi­vid­ual e social) não bas­ta um cer­to dinamis­mo nat­ur­al, é pre­ciso a Graça div­ina e a aju­da super­abun­dante do Espíri­to San­to, que orga­ni­za e conec­ta todas as Vir­tudes ao mes­mo Fim que é Deus. Toda a vida cristã sobre­nat­ur­al é então con­forme­mente lig­a­da e as vir­tudes crescem jun­tas “como os cin­co dedos da mão” (S. Th., I‑II, q. 66, a. 2). Só o Espíri­to San­to chega a faz­er coex­i­s­tir per­feita­mente coor­de­nadas o puro amor da Ver­dade com a Mis­er­icór­dia em direção aos errantes, a humil­dade com a dig­nidade, a força com a man­sid­ão.

● Naqui­lo que diz respeito ao sac­er­dote no tem­po pre­sente ele tem neces­si­dade espe­cial­mente de duas qual­i­dades: 1º) esta­bil­i­dade de dout­ri­na, a fim de que o seu int­elec­to pos­sa per­manecer firme na Fé em tan­ta con­fusão dog­máti­ca, moral e litúr­gi­ca; 2º) viva a Cari­dade sobre­nat­ur­al, a fim de que o seu amor seja não ape­nas afe­ti­vo mas efe­ti­vo e prin­ci­pal­mente dire­to a Deus. Amor da Ver­dade e do Bem, ódio ao Erro e ao Mal. Só assim, hoje, o sac­er­dote con­seguirá man­ter unidas a con­ser­vação da Ver­dade e o pro­gres­so da Cari­dade em direção a Deus e ao próx­i­mo. Mas sem o estu­do da sã filosofia e teolo­gia e sem a vida de oração (“doc­tus cum pietate et pius cum doc­t­ri­na”) ele não con­seguirá man­ter este equi­líbrio e poderá escor­re­gar em direção ao rel­a­tivis­mo doutri­nal e o sen­ti­men­tal­is­mo espir­i­tu­al. Na práti­ca é pre­ciso recor­rer a obe­diên­cia a Tradição para man­ter a unidade doutri­nal (“quod sem­per, ubique et ab omnibus cred­i­tum est”, S. Vin­cen­zo da Leri­no) e a prat­i­ca da Cari­dade fra­ter­na a qual é sinal que se ama real­mente a Deus (“se não ama o teu próx­i­mo que vês, como poderás amar Deus que não se vê?” São João).

● Em tal guisa o sac­er­dote, tam­bém hoje em meios as mil difi­cul­dades que envolvem o ambi­ente ecle­sial, poderá con­ser­var a Con­fi­ança (mais que o sim­ples otimis­mo nat­ur­al) na Providên­cia, a ver­dadeira Fé e a per­fei­ta Cari­dade. Ver­dadeira­mente só o otimis­mo nat­ur­al diante ao desas­tre dos nos­sos tem­pos seria dom­i­na­do pelo pes­simis­mo e ten­der ao des­en­co­ra­ja­men­to. Mas se o otimis­mo (vitória do bem sobre o mal, que é ape­nas pri­vação do bem e não pode prevale­cer) é cor­rob­o­ra­do pelas Vir­tudes teolo­gais da Esper­ança então tudo se aplaina.

● É pre­ciso ter mui­ta atenção para que os neo-sac­er­dotes deixan­do o Sem­i­nário ten­ham con­ta­to com o mun­do real (hoje não ape­nas descris­tian­iza­do, mas anti­cristão e anti­cristi­co) sem perder, em parte ou total­mente, a sua vida inte­ri­or, a pureza doutri­nal e a Cari­dade sobre­nat­ur­al. Cer­to, existe um abis­mo entre a vida recol­hi­da no Sem­i­nário e a vida caóti­ca no min­istério públi­co. É pre­ciso faz­er de modo que a ingenuidade ou ima­turi­dade dos neo-sac­er­dotes não lhes lev­em a faz­er pas­sos fal­sos no mun­do. A juven­tude, o zelo intem­pes­ti­vo pode levar a imprudên­cia (“sejais pru­dentes como ser­pentes e sim­ples como as pom­bas”). O jovem sac­er­dote, muitas vezes, tem uma exces­si­va con­fi­ança em si mes­mo que não ple­na­mente con­sciente o pode­ria levar a erros práti­cos de apos­to­la­do. «Às vezes o jovem sac­er­dote pen­sa ser expert na vida espir­i­tu­al e por uma sec­re­ta e imper­cep­tív­el sober­ba espir­i­tu­al se crê capaz de con­duzir as almas a alta per­feição. O peri­go então, é grave, porque ele cospe jul­ga­men­tos com grande segu­rança e facil­i­dade, con­fia exces­si­va­mente nas suas capaci­dades pes­soais. Se con­sci­en­ti­zará dos seus erros, quan­to talvez seja muito tarde. Quais as con­se­quên­cias? O zelo indis­cre­to e as sat­is­fações, que quase nun­ca fal­tam nos primeiros pas­sos, lev­am o jovem a lançar-se inteira­mente na ativi­dade: e pouco a pouco ele crê per­di­do o tem­po ded­i­ca­do a oração, ao estu­do, ao recol­hi­men­to e é fácil pre­v­er onde ter­mi­nará» [1]…

● De braços dados com o Amer­i­can­is­mo ou Mod­ernismo ascéti­co, que, con­sciente da men­tal­i­dade, da índole do homem mod­er­no ávi­do de abso­lu­ta liber­dade indi­vid­ual, insen­sív­el a espec­u­lação filosó­fi­ca e amante ao invés do Prag­ma­tismo, lev­a­do a um sen­ti­do hedo­nista da vida, bus­ca adap­tar, sem muitas pre­ocu­pações dog­máti­cas, a religião católi­ca ao espíri­to da mod­ernidade (Mod­ernismo dog­máti­co). Esse prop­ugna a neces­si­dade de uma adap­tação da Igre­ja as exigên­cias da civ­i­liza­ção mod­er­na, sac­ri­f­i­can­do qual­quer vel­ho cânon, mit­i­gan­do a anti­ga sev­eri­dade, ori­en­tan­do-se em direção a um méto­do mais democráti­co. O Amer­i­can­is­mo espir­i­tu­al se fun­da sobre a filosofia mod­er­na e espe­cial­mente

·       sobre o Sen­sis­mo, que reduz toda real­i­dade ao fenô­meno sen­sív­el e exper­i­men­tal, obje­to ape­nas dos sen­ti­dos, pelo qual o int­elec­to é rebaix­a­do ao nív­el da sen­sação e então ‘só o sen­sív­el é con­hecív­el’, o que leva ao Sen­ti­men­tal­is­mo;

·       sobre o sub­je­tivis­mo, que é a tendên­cia a poten­ciar o sujeito con­hece­dor absorven­do nesse a real­i­dade obje­ti­va, e que leva ao Rel­a­tivis­mo dog­máti­co;

·       sobre o Ilu­min­is­mo, que recol­he o espíri­to do Human­is­mo e da Refor­ma luter­ana e afir­ma a autono­mia da razão, aber­ta­mente rebelde a qual­quer Rev­e­lação e Tradição, o que leva ao Racional­is­mo ou ao Fideís­mo. Se chega assim ao Indifer­en­tismo reli­gioso pos­i­ti­vo, segun­do o qual todas as religiões tem o mes­mo val­or; isso é ímpio e absur­do, porque, dan­do o mes­mo val­or a for­mas reli­giosas em con­traste, colo­ca Deus, que as teria rev­e­la­do, em con­tradição Con­si­go mes­mo, e isto leva ao Ecu­menis­mo. Desse segue o Indifer­en­tismo social-políti­co próprio do Lib­er­al­is­mo, que é ilógi­co e injus­to, porque sem exam­i­nar o val­or das várias for­mas reli­giosas, lhes aco­mu­na todas na mes­ma sorte e ofende a con­sciên­cia dos cidadãos desin­ter­es­san­do-os do fator reli­gioso. Con­ceito fun­da­men­tal do Lib­er­al­is­mo é a liber­dade con­ce­bi­da como eman­ci­pação e inde­pendên­cia do homem e do Esta­do em relação a Deus e de sua Igre­ja. Na esfera social-políti­ca se man­i­fes­ta como Democ­ra­cia até o fim (povo sober­a­no), como Sep­a­ratismo nas relações entre Esta­do e Igre­ja, como Indifer­en­tismo em matéria de religião e de cul­to e como Abs­ten­cionis­mo do Esta­do em matéria econômi­ca (‘lais­sez-faire’ a ini­cia­ti­va pri­va­da).

● Como se evidên­cia, estes sis­temas são essen­cial­mente anti-metafísi­cos e mate­ri­al­is­tas, isto é o exa­to opos­to da insta­bil­i­dade doutri­nal: negan­do a imor­tal­i­dade da alma (que não é espir­i­tu­al) e sus­ten­tan­do o nom­i­nal­is­mo lógi­co (segun­do o qual as idéias não rep­re­sen­tam a essên­cia das coisas, mas são ape­nas uma coleção de ima­gens sen­síveis), ess­es reduzem a filosofia a sen­sação ou até mes­mo a exper­i­men­tação, que é o macaque­a­men­to da Cari­dade sobre­nat­ur­al, pro­pri­a­mente como “o dia­bo é o maca­co de Deus” (Ter­tu­liano).

● O espíri­to do catoli­cis­mo-romano, ao con­trário, ao qual o sac­er­dote – sobre­tu­do hoje – deve total obe­diên­cia, se fun­da sobre o con­ceito de homem, como ente com­pos­to de cor­po e alma espir­i­tu­al e imor­tal (orde­na­do a con­hecer a ver­dade e a amar o bem), que deve tomar cuida­do da alma imor­tal e resolver o prob­le­ma da sua origem e fim, ou seja, Deus. Onde a base espir­i­tu­al católi­ca é o cuida­do da alma, os ver­dadeiros bens e as ver­dadeiras riquezas são aque­las espir­i­tu­ais que nobili­tam a alma; difer­ente­mente do sen­sis­mo filosó­fi­co, do empiris­mo prag­máti­co e da religião puri­tana, que é uma tendên­cia rig­orista do Protes­tantismo, sim­i­lar a jansenista. O Puri­tanis­mo é rad­i­ca­do espe­cial­mente no Calvin­is­mo, que recor­da o sis­tema fari­saico. Estas for­mas de pen­sa­men­to filosó­fi­co-reli­gioso repõem a feli­ci­dade nos bens sen­síveis e mate­ri­ais, porque não existe nada além da ‘físi­ca’ ou matéria sen­sív­el e exper­i­men­táv­el. A Igre­ja, ao invés dis­so, nasce e se fun­da sobre con­ceitos de imor­tal­i­dade da alma, da meta-físi­ca e da demon­stra­bil­i­dade racional da existên­cia de Deus.

● O espíri­to do catoli­cis­mo-romano, ao con­trário, ao qual o sac­er­dote – sobre­tu­do hoje – deve total obe­diên­cia, se fun­da sobre o con­ceito de homem, como ente com­pos­to de cor­po e alma espir­i­tu­al e imor­tal (orde­na­do a con­hecer a ver­dade e a amar o bem), que deve tomar cuida­do da alma imor­tal e resolver o prob­le­ma da sua origem e fim, ou seja, Deus. Onde a base espir­i­tu­al católi­ca é o cuida­do da alma, os ver­dadeiros bens e as ver­dadeiras riquezas são aque­las espir­i­tu­ais que nobili­tam a alma; difer­ente­mente do sen­sis­mo filosó­fi­co, do empiris­mo prag­máti­co e da religião puri­tana, que é uma tendên­cia rig­orista do Protes­tantismo, sim­i­lar a jansenista. O Puri­tanis­mo é rad­i­ca­do espe­cial­mente no Calvin­is­mo, que recor­da o sis­tema fari­saico. Estas for­mas de pen­sa­men­to filosó­fi­co-reli­gioso repõem a feli­ci­dade nos bens sen­síveis e mate­ri­ais, porque não existe nada além da ‘físi­ca’ ou matéria sen­sív­el e exper­i­men­táv­el. A Igre­ja, ao invés dis­so, nasce e se fun­da sobre con­ceitos de imor­tal­i­dade da alma, da meta-físi­ca e da demon­stra­bil­i­dade racional da existên­cia de Deus.

● Eis os peri­gos que o jovem sac­er­dote (e os cristãos em ger­al) devem evi­tar. De fato, do Sen­ti­men­tal­is­mo nascem a super­fi­cial­i­dade do Sen­sis­mo e a vaidade do Sub­je­tivis­mo, que matam a abne­gação do eu cor­rup­to do peca­do orig­i­nal e o recol­hi­men­to inter­no com Deus. Daqui começa o fim da esta­bil­i­dade doutrinária e o movi­men­to de ver­dadeiro Amor de Cari­dade sobre­nat­ur­al em direção a Deus e a ruí­na da vida sac­er­do­tal.

● O opús­cu­lo do Padre Gar­rigou-Lagrange é mais atu­al do que nun­ca. Está disponív­el para faz­er­mos tesouro dele, para não ser­mos sug­a­dos pelo Mod­ernismo dog­máti­co e ascéti­co, que con­duz a perdição. O remé­dio práti­co a tan­tos males (vaidade, exte­ri­or­i­dade, super­fi­cial­i­dade, fogo de pal­ha) é a abne­gação unidade a con­tem­plação para poder con­ser­var a existên­cia da nos­sa vida espir­i­tu­al (medi­ante a esta­bil­i­dade dog­máti­ca fun­da­da sobre a Tradição) e o aumen­to ou cresci­men­to dela (medi­ante a Cari­dade).

PADRE CURZIO NITOGLIA

22 de abril de 2012

http://www.doncurzionitoglia.com/pericoli_vita_sacerdotale.htm

[1] R. GARRIGOU-LAGRANGE, San­tifi­cazione sac­er­do­tale, cit., p. 149.