GUARESCHI E A REPÚBLICA: REFLEXÕES SOBRE O 2 DE JUNHO


Política / segunda-feira, março 14th, 2016

 

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Radio Spa­da
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

 “Por que sou monar­quista? Por razões históri­c­as, por razões sen­ti­men­tais, por razões práti­cas. Para mim, um pres­i­dente da Repúbli­ca é sem­pre uma pes­soa expres­sa por um par­tido e não poderei jamais con­sid­era-lo aci­ma das partes. Não poderei jamais escu­tar a sua voz como a da Pátria” (Gio­van­ni­no Guareschi).

Tin­ha con­segui­do super­ar sem danos o dia 25 de abril, uma fes­ta que a cada ano me recor­da que «para um ital­iano com­bat­er con­tra adver­sário políti­cos ital­ianos é sem­pre uma coisa mais sim­páti­ca”, mas eis que, tam­bém este ano – pon­tu­al como a influên­cia no inver­no – despon­ta o 2 de jun­ho, fes­ta da Repúbli­ca.

A lóg­i­ca destas duas fes­tas laicas é sem­pre a mes­ma: dividir o povo ital­iano. E deix­ai-me diz­er: quem pen­sou fes­te­jar estas recor­rên­cias dev­e­ria ser um bobo. O povo de uma nação, se quer com­bi­nar algu­ma coisa, deve se unir para mirar algum obje­ti­vo comum. Com­par­til­ha­do por todos.

É o 2 de jun­ho e, como todo ano, não fes­te­jarei, porque a min­ha ban­deira é out­ra. É aque­la de Gio­van­ni­no Guareschi e de mes­tra Cristi­na: aque­la verde, bran­ca e ver­mel­ha, mas com os qua­tro quadrad­in­hos ver­mel­hos no meio, que for­mam uma cruz.

A repúbli­ca é uma ilusão. Não é ver­dadeiro que a Repúbli­ca é coisa de todos. Repúbli­ca, hoje, é coisa para poucos [Ndt.: É coisa para “par­tidos”]. Pode valer para os par­la­mentares, nutri­dos e engor­da­dos por ela. Pode valer para o inquili­no do Quiri­nal, que nos últi­mos anos se com­por­tou como monar­ca abso­lu­to, mas que não tem nem mes­mo tido a coerên­cia de definir-se tal. Mas não pode valer para mim. E para tan­tos – vel­hos e jovens – que a pen­sam como eu.

Tin­ha razão os bigodes de Guareschi quan­do comen­taram a “vitória” repub­li­cana: «um brasão de armas caiu: espaço disponív­el. O bran­co da nova ban­deira ital­iana per­maneceu imac­u­la­do e cada um bus­cará impor a sua mar­ca naque­la can­dura. No fim con­cor­darão em bor­dar um R e um I que poderão sig­nificar sim­ples­mente Repúbli­ca Ital­iana, ou Repúbli­ca Ilusória, ou Recon­strução Itáli­ca ou Ren­o­vação Inte­gral porque o futuro está nas mãos de Deus».

Vive­mos a Repúbli­ca Ilusória: aque­la que vive de Dis­posições tran­si­ti­vas que não pas­sam mais. Aque­la que – difer­ente da Monárquia – quer coman­dar o seu cor­po e, sobre­tu­do, a sua mente. Aque­la que te expli­ca como deve pen­sar mas, sobre­tu­do, como não deve pen­sar.

Deus – que, como escreveu Guareschi, não tem neces­si­dade da maio­r­ia para con­tin­uar a gov­ernar o mun­do – nos doou uma bela raja­da de ven­to. E é belo pen­sar que este ven­to quente que me envolve, leve con­si­go o espíri­to de Gio­van­ni­no, da mes­tra Cristi­na e dos sol­da­dos ital­ianos mor­tos gri­tan­do “Savóia!”. É o 2 de jun­ho, fes­ta da Repúbli­ca. Viva o Rei!

Tex­to de anôn­i­mo, recol­hi­do aos cuida­dos da redação de Rádio Spa­da.