P. SISTO CARTECHINI: DA OPINIÃO AO DOGMAPREFÁCIO E QUADRO DE NOTAS TEOLÓGICAS


Teologia / terça-feira, março 15th, 2016
DA OPINIÃO AO DOGMA
PREFÁCIO

Padre Sis­to Carte­chi­ni, S.J.
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

Se em toda ciên­cia, mais que a quan­ti­dade e a qual­i­dade das noções esparsas, é útil bem con­hecer o grau de certeza dos seus pres­su­pos­tos e dos seus princí­pios, e a ordem das suas deduções, isto vale espe­cial­mente no cam­po da fé e na ciên­cia teológ­i­ca. Daqui a neces­si­dade do estu­do orde­na­do dos dados rev­e­la­dos, o qual, se em qual­quer medi­da é requeri­do a todos os crentes para ofer­e­cer a Deus um ato de cul­to racional (Rm 12, 1), e tam­bém aos crentes para se explicar aos não crentes a racional­i­dade do quan­to crEem, maior razão se adi­ciona a quan­tos bus­cam o pleno pos­ses­so dos dados rev­e­la­dos para se ren­der con­ta que a nos­sa fé exclui toda dúvi­da, e é lumi­nosa e cer­ta não menos que os axiomas e as cat­e­go­rias matemáti­cas.

O dúplice fim que me pre­fix­ei no pre­sente tra­bal­ho foi fornecer pre­cisa­mente aos estu­diosos da fé católi­ca os critérios necessários para dar um exa­to juí­zo sobre certeza da ver­dade rev­e­la­da, e expor jun­ta­mente os méto­dos de col­i­ga-los em um sis­tema cien­tí­fi­co. Então, em uma primeira parte me pro­pus deter­mi­nar o sig­nifi­ca­do pre­ciso das várias qual­i­fi­cações teológ­i­cas com as quais no ensi­na­men­to se cos­tu­ma exprim­ir o grau de certeza entorno a uma proposição que pertença a fé ou a teolo­gia; e isto fazen­do, enten­di colo­car uma mão ami­ga a quan­tos, espe­cial­mente os lei­gos pouco aden­tra­dos nas ciên­cias sacras, mas tam­bém a cléri­gos talvez des­ori­en­ta­dos por muitas flu­tu­antes e dis­cor­dantes definições de ter­mos e de con­ceitos, não vis­sem com clareza os con­tornos pre­cisos ao alcance das qual­i­fi­cações: dog­ma, fé defini­da, fé div­ina, fé div­ina e católi­ca, fé católi­ca, dout­ri­na católi­ca, cer­to em teolo­gia, sen­tença comum, sen­tença prováv­el…; e das cen­suras a essas con­tra­pos­tas: here­sia, erro, próx­i­mo ao erro, temerário… Depois na segun­da parte enten­di mostrar em quan­tos mod­os as várias proposições da fé e da teolo­gia podem entre elas se conec­tar e por quan­tas vias de uma ver­dade rev­e­la­da se lhe podem explic­i­tar pelas out­ras, novas somente quan­to a sua for­mu­lação mais pre­cisa.

Não pre­tendo já no meu modesto tra­bal­ho diz­er algu­ma coisa de novo ou mel­hor, além daqui­lo que dis­ser­am os grandes teól­o­gos anti­gos e mod­er­nos, sobre uma matéria tão com­plexa. Quan­to há nis­so existe de ver­dadeiro o extrai de óti­mos autores, muitos dos quais cita­dos na bib­li­ografia; aqui­lo que tem de novo é ape­nas a ordem, a sín­tese, a con­fir­mação dos doc­u­men­tos, a apli­cação com vários exem­p­los; para que os sac­er­dotes e quan­tos tam­bém do cul­to laica­to se inter­es­sam pelas ciên­cias sacras, pos­sam por si mes­mos faz­er um juí­zo exa­to sobre o grau de certeza entorno a uma proposição que ven­ha a eles pro­pos­ta, ou extrai-lo dos tex­tos de teolo­gia, ou ao menos ren­der-se con­ta das difi­cul­dades do prob­le­ma e jul­gar com uma cer­ta cog­nição de causa sobre um argu­men­to total­mente diver­so do fácil.

É meu dev­er de gratidão agrade­cer a todos que me aju­daram na obra, ou me enco­ra­jan­do a empreendê-la, ou dan­do me sug­estões para a exe­cução, ou reven­do e adap­tan­do o tex­to a leitores fora da esco­la. Que o Sen­hor lhes rec­om­pense.

  1. P. Sis­to Carte­chi­ni I.
Roma, 15 agos­to 1953.

 

 

E S Q U E M A  D A S  N O T A S  T E O L Ó G I C A S

 

(*) Uma nota supe­ri­or con­tém em si aque­la infe­ri­or e o seu val­or decresce descen­do a escala. É pos­sív­el a pas­sagem de uma nota infe­ri­or a uma supe­ri­or e todas tem relação com a primeira, o dog­ma.

(**) O dog­ma não pode descer a uma nota infe­ri­or. As notas do dog­ma, aque­las de fé div­ina, for­mam o cam­po da fé; do dog­ma até a nota teo­logi­ca­mente cer­ta temos o cam­po da infal­i­bil­i­dade (para alguns até a nota comum é cer­to); o cam­po da teolo­gia abraça todas as notas do dog­ma até ao prováv­el.

(***) As cen­suras das proposições opostas e con­trárias as últi­mas duas notas cos­tu­mam ser estas: cap­cioso, que soa mal, ofen­si­va aos ouvi­dos pios dos fiéis, escan­dalosa (D. 1541). Tais cen­suras se deduzem de out­ras fontes e recor­rem muitas vezes em teolo­gia moral, enquan­to as proposições qual­i­fi­cadas podem ser ocasião de escân­da­lo, soar mal, etc.

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