P. CURZIO NITOGLIA: O MILENARISMO JOAQUIMITA FONTE REMOTA DO JUDEU-AMERICANISMO


Atualidades / quarta-feira, janeiro 30th, 2019
O mile­nar­is­mo joaquimi­ta
Fonte remo­ta do judeu-amer­i­can­is­mo
Padre Curzio Nitoglia
Tradução: Ged­er­son Fal­cometa
Revisão: Ana Glau­cia Jesus

Intro­dução

Já vimos:

1) A difer­ença entre árabefo­bia e anti-islamis­mo teológi­co;

2) A natureza da cul­tura européia, que é essen­cial­mente dis­tin­ta da “oci­den­tal” (ou pre­dom­i­nan­te­mente anglo-amer­i­can­ista);

3) Ago­ra busque­mos faz­er luz sobre as ori­gens dis­tantes do Puri­tanis­mo amer­i­can­ista, ten­den­cial­mente anti-trinitário e essen­cial­mente vet­erotes­ta­men­tário (O Evan­gel­ho e Jesus, são algu­ma coisa de aci­den­tal e postiço, enquan­to a ver­dadeira natureza ou sub­stân­cia do Puri­tanis­mo é o Vel­ho Tes­ta­men­to; então esse tende a diminuir, se não negar, a San­tís­si­ma Trindade e a Divin­dade de Cristo).

Então, o Puri­tanis­mo é fil­ho do mile­nar­is­mo “Joaquimi­ta” e é pai do sion­is­mo. E, para enten­der a ver­dadeira natureza do sion­is­mo se faz necessário voltar ao Puri­tanis­mo amer­i­can­ista, ao mile­nar­is­mo “joaquimi­ta” e em últi­ma análise ao judaís­mo talmúdi­co-rabíni­co.

Expli­cação

Os estu­diosos são unân­imes em con­statar que Joaquim propôs uma ecle­si­olo­gia da Novís­si­ma Aliança, a qual teria sub­sti­tuí­do a Nova como esta últi­ma tin­ha suplan­ta­do a Vel­ha. San­to Tomás de Aquino refutou tal erro admi­rav­el­mente na Suma Teológ­i­ca. Além dis­so, é aceito que os primeiros dis­cípu­los do Abade de Fiore fos­sem judaizantes. Enquan­to, é ain­da dis­puta­do, se tam­bém o próprio Joaquim fos­se incli­na­do a judaizar ou não. Bus­carei apre­sen­tar sucin­ta­mente o panora­ma de tal prob­le­ma, vis­to à luz do influxo que exerci­tou sobre o antitrini­tar­i­an­is­mo dos hereges ital­ianos do sécu­lo XV, refu­gia­dos na Polô­nia e emi­gra­dos (sécu­lo XVII) para Holan­da, Inglater­ra e EUA. Pode-se diz­er que a origem próx­i­ma do amer­i­can­is­mo é o puri­tanis­mo anglo-holandês, mas a fonte remo­ta sem som­bra de dúvi­das é o mile­nar­is­mo dos joaquim­i­tas e talvez do próprio Joaquim.

a) Joaquim de Fiore

Robert Moore afir­mou que entorno do sécu­lo XII a Europa oci­den­tal é trans­for­ma­da em uma “sociedade per­se­cutória”.

Se por uma parte a Europa dos sécu­los cen­trais do Medie­vo foi uma sociedade con­fes­sion­al e então dis­crim­i­natória no que diz respeito aos não católi­cos, a alter­na­ti­va a Cri­stan­dade foi rep­re­sen­ta­da pelo pen­sa­men­to mile­nar­ista de Joaquim de Fiore, segun­do o qual os hebreus e os cristãos se reuniri­am em uma só sociedade, na ter­ceira era do Espíri­to, na qual teri­am uma com­preen­são “espir­i­tu­al” da Bíblia, enquan­to na Anti­ga e Nova Aliança os hebreus e os cristãos tin­ham tido ape­nas uma com­preen­são lit­er­al da Escrit­u­ra.

Se — em tal época (sécu­lo XII) — São Bernar­do de Clar­aval (repetindo a tradição patrís­ti­ca) afir­ma­va que Israel, depois do deicí­dio, era a “figueira seca e estéril” maldita por Jesus e con­de­na­da a ser queima­da, porquê pri­va­da de boas obras, enquan­to se sal­vari­am ape­nas aque­les que seguin­do Cristo tivessem prat­i­ca­do a Lei do Evan­gel­ho, de qual­quer povo que fos­sem (hebreus ou gen­tios), “Joaquim, ao invés, acred­i­ta­va que o povo de Israel tin­ha sido fecun­do (…), a estirpe de Sem tin­ha se fun­di­do com a de Jafet para for­mar um úni­co povo em grau de pro­duzir em super­abundân­cia fru­tos espir­i­tu­ais” [1]. O próprio Robert E. Lern­er (nasci­do em New York em 1940, pro­fes­sor de história medieval na uni­ver­si­dade North­west­ern, um dos maiores con­hece­dores do pen­sa­men­to heréti­co e mile­nar­ista do medie­vo) admite que a visão da teolo­gia da história sobre a relação judaís­mo-cris­tian­is­mo de Joaquim de Fiore era “irêni­ca’ e que con­tradizia a tese de Nor­man Cohn segun­do a qual todo mile­nar­is­mo medieval foi anti-judaí­co. De fato, segun­do o Abade de Fiore, hebreus e gen­tios, se reuniri­am na ter­ceira idade espir­i­tu­al (que duraria mil anos) e cel­e­brari­am jun­tos as fes­tas de São Abraão e São Davi. A palavra de Deus retornar­ia ao povo ao qual foi con­fi­a­da primeira­mente. Porque graças à inspi­ração final do Espíri­to San­to, os hebreus have­ri­am adquiri­do a ver­dadeira “inteligên­cia espir­i­tu­al”.

O pro­fes­sor Lern­er con­clui: “Seguia-se que no futuro have­ria um novo povo eleito, próprio como os cristão tin­ham assum­i­do aos hebreus. Tal povo seria for­ma­do por ‘novos home­ns espir­i­tu­ais’, con­tem­pla­tivos que tin­ham chega­do ao ‘ter­ceiro céu’. Segun­do Joaquim o ‘primeiro céu’ era o Anti­go Tes­ta­men­to fun­da­do sobre os Patri­ar­cas. O ‘segun­do céu’ o Novo Tes­ta­men­to fun­da­do sobre os Após­to­los (…) era de se esper­ar que Joaquim esta­b­ele­cesse que a pro­gressão teria con­duzi­do os eleitos o mais dis­tante pos­sív­el dos hebreus, mas sur­preen­den­te­mente não foi assim (…) essa pre­via uma reaprox­i­mação com os hebreus” [2].

Segun­do Joaquim o clero católi­co do Novo Tes­ta­men­to, teria persegui­do (por ciúme do seu espíri­to proféti­co) os mon­ges espir­i­tu­ais da ter­ceira era do Espíri­to ou “Novís­si­mo Tes­ta­men­to” e então lhes teri­am con­stri­to a retornar a Sião, como se retor­nassem aos seus padres.

Neste pon­to Joaquim lev­an­ta uma questão cru­cial: porque seria mais con­ve­niente para os con­tem­pla­tivos coabitar com os hebreus ago­ra, mais que no pas­sa­do? (…) o retorno dos per­feitos (semi­tas) à ter­ra da qual prov­in­ham teria trans­for­ma­do esta própria ter­ra, e oper­a­do em favor de uma sal­vação mutu­a­mente bené­fi­ca. (…) Sur­preen­dente neste caso não tan­to a idéia da con­ver­são final dos hebreus… O aspec­to ino­vador… vai bus­ca­do na afir­mação segun­do qual, no fim dos tem­pos, o mun­do assi­s­tiria a união entre gen­tios e hebreus, união da qual ambos os povos tirari­am recípro­co bene­fí­cio” [3]

Robert Lern­er admite que a razão de “tal con­cepção irêni­ca sem prece­dentes” deve ser bus­ca­da na origem hebraica de Joaquim; em efeito em 1948 foi recu­per­a­do teste­munho do secretário de São Bernar­do de Clar­aval, o qual em 1195 ata­ca­va Joaquim e o acusa­va de ‘judaizar’ [4], asse­ria que o joaquimis­mo era dout­ri­na “judaís­ca” e a imputa­va “as supostas ori­gens hebraicas de Joaquim: este nasceu hebreu e tin­ha sido ‘cri­a­do por muitos anos segun­do a dout­ri­na judaí­ca’, um veneno que evi­den­te­mente ‘não tin­ha ain­da vom­i­ta­do de todo’. Joaquim e os seus sequazes tin­ham  uti­liza­do-se de todos os meios para con­seguir man­ter sec­re­tas tais ori­gens”  [5].  

Todavia Robert Lern­er não rep­u­ta probante tal acusação que resul­taria ser iso­la­da. No entan­to, deve admi­tir que ele “atinge muito provavel­mente a exegese rabíni­ca” [6]. É necessário pre­cis­ar que Joaquim exager­a­va na inter­pre­tação do Apoc­alipse, bus­can­do todos os detal­h­es (com­preen­di­das as datas) da história humana até o fim do mun­do; todavia nem tudo aqui­lo que escrevia era ilusório. Um cer­to fun­da­men­to na real­i­dade se encon­tra na obra do abade fiorense, mas lev­a­do a con­se­quên­cias que são incom­patíveis com a dout­ri­na católi­ca e a inter­pre­tação da Escrit­u­ra dada unanime­mente pelos Padres ecle­siás­ti­cos. Para evi­tar o exces­so joaquimi­ta, não é pre­ciso cair no defeito ori­genista e de out­ros que, tratan­do o prob­le­ma do Apoc­alipse da escat­olo­gia e da figu­ra do Anti­cristo, vêem ape­nas uma rev­e­lação daqui­lo se sucedeu, des­de a Incar­nação e morte de Jesus (que colo­caria, de for­ma abso­lu­ta­mente defin­i­ti­va, o fim da econo­mia da sal­vação) [7]; enten­do que o exces­so (a teste­munha de Jeová) seja repul­si­vo, mas um erro não se cor­rige com out­ro erro, todo defeito é um exces­so. Tais questões não devem ser exas­per­adas, nem devem ser zom­badas, é pre­ciso estudá-las pacata­mente e obje­ti­va­mente segun­do a inter­pre­tação comum dos Padres e dos exege­tas aprova­dos.

A orig­i­nal con­cepção joaquimista — escreve Lern­er — do papel dado aos hebreus, ao tér­mi­no da história ter­re­na, assi­nala­va uma rup­tura com a milenária tradição cristã” [8].

Lern­er, jus­ta­mente nota que na Europa intol­er­ante (sécu­los XII e XIII) nos con­fron­tos dos hebreus, o abade fiorense teve uma visão “irêni­ca” (hoje se diria ecumêni­ca) da emi­nente união entre hebreus e cristãos.

Refu­tação do Joaquimis­mo

San­to Tomás de Aquino, responde e refu­ta (mel­hor que qual­quer out­ro) os erros mile­nar­is­tas de Joaquim e da sua esco­la. Na Suma Teológ­i­ca demon­stra que a Nova Aliança durará até o fim do mun­do (S.T., I‑II, q. 106, a. 4). De fato a Nova Aliança sucedeu a Vel­ha, como o mais per­feito ao menos per­feito. Ora, no esta­do da vida humana neste mun­do, nada pode ser mais per­feito que Cristo e a Nova Lei, porque qual­quer coisa é per­fei­ta enquan­to se aprox­i­ma do seu fim. Cristo nos intro­duz — graças a sua Incar­nação e morte — no Céu. Então, não pode exi­s­tir — sobre esta ter­ra — nada mais per­feito que Jesus e a sua Igre­ja. Naqui­lo que diz respeito ao Espíri­to San­to, como aper­feiçoador da obra da Redenção de Cristo, ele foi envi­a­do por Cristo pro­pri­a­mente para con­fes­sar o próprio Cristo, que prom­e­teu for­mal­mente aos seus Após­to­los: “O Espíri­to San­to que Eu vos man­darei, proce­den­do do Pai, dará teste­munho de Mim”. Então, o Pará­cli­to não é o ini­ci­ador de uma ter­ceira era, mas teste­munha e expli­ca Cristo aos home­ns e lhe reforça para podê-lo imi­tar. Onde, depois da Anti­ga e da Nova Lei, sobre esta ter­ra não virá uma ter­ceira Aliança, mas o ter­ceiro esta­do será aque­le da eternidade, sem­pre feliz do Céu ou sem­pre infe­liz do Infer­no.

Joaquim erra ao trans­portar a real­i­dade ultra­mun­dana ou eter­na para esta ter­ra. O Reino do qual fala o Abade de Fiore, não diz respeito a este mun­do, mas ao além. De fato, o Espíri­to San­to expli­cou aos Após­to­los, (no dia de Pen­te­costes, 33 d.C.), toda a ver­dade que Cristo pre­gou e que eles não tin­ham ain­da enten­di­do. O Pará­cli­to não deve ensi­nar uma novís­si­ma Lei ou um out­ro Evan­gel­ho mais espir­i­tu­al que o de Cristo, mas deve ape­nas ilu­mi­nar e dar força para bem con­hecer e bem viv­er a dout­ri­na cristã, que aper­feiçoou a mosaica (S.T., I‑II, q. 106, a. 4). Além dis­so a Vel­ha Lei, não foi só do Pai, mas tam­bém do Fil­ho (fig­u­ra­do e pre­fig­u­ra­do em Moisés); como tam­bém a Nova Lei não foi só do Fil­ho, mas tam­bém do Espíri­to prometi­do e envi­a­do por Cristo aos seus Após­to­los. A Lei de Cristo é a Graça do Espíri­to San­to, que ilu­mi­na, viv­i­fi­ca e for­t­alece para se poder obser­var a Lei Div­ina. Como já no Anti­go Tes­ta­men­to, era o Espíri­to San­to a ilu­mi­nar e cor­rob­o­rar os Patri­ar­cas e Pro­fe­tas, os quais emb­o­ra viven­do sob a Vel­ha Lei, tin­ha já o espíri­to da Nova e a vivi­am hero­ica­mente, medi­ante a graça do Espíri­to San­to (por atribuição). Quan­do Jesus ensi­na aos Após­to­los que “O Reino dos Céus está próx­i­mo”, não se ref­ere — expli­ca San­to Tomás — só a destru­ição de Jerusalém, como tér­mi­no defin­i­ti­vo da Vel­ha Aliança e começo for­mal da Nova, mas tam­bém ao fim do mun­do. De fato, o Evan­gel­ho é a “Boa Nova” do Reino (ain­da imper­feito) da “Igre­ja Mil­i­tante” sob esta terra;e do Reino (des­de então e para sem­pre per­feito) da “Igre­ja tri­un­fante”, nos Céus. Além dis­so, no comen­tário a Mateus sobre o dis­cur­so escat­ológi­co de Jesus (XXIV, 36), San­to Tomás pos­ti­la: “Alguém pode­ria crer que este dis­cur­so de Cristo, diga respeito ape­nas ao fim de Jerusalém…; porém seria um grave erro referir tudo quan­to foi dito ape­nas a destru­ição da Cidade San­ta e então a expli­cação é diver­sa,… a saber que todos os home­ns e os fiéis em Cristo são uma só ger­ação e que o gênero humano e a fé cristã durará até o fim do mun­do” (Expos. In Matth. c. XXIV, 34). O Angéli­co, se baseia sobre tal tex­to para refu­tar o erro joaquimista, segun­do o qual a Nova Aliança ou a Igre­ja de Cristo não durará até o fim dos tem­pos; ele retoma o ensi­na­men­to patrís­ti­co (espe­cial­mente de Crisós­to­mo e de São Gregório Mag­no) e o desen­volve na Suma Teólig­ca (I‑II, q. 106, a. 4, sed con­tra). Por­tan­to, o cris­tian­is­mo durará até o fim do mun­do, não exi­s­tirá a neces­si­dade de uma “ter­ceira Aliança pneumáti­ca e uni­ver­sal” (Cato­likòs), mas a Igre­ja de Cristo é o Reino do Pai, do Fil­ho e do Espíri­to San­to (com boa paz de Joaquim e sequazes), não é pre­ciso son­har a sub­sti­tu­ição do cris­tian­is­mo, bas­ta ape­nas vivê-lo sem­pre mais inten­sa­mente.

b) Os primeiros dis­cípu­los de Joaquim

1) O fran­cis­cano Ger­ar­do de Bor­go San Don­ni­no em 1254 escreve um livro inti­t­u­la­do “O Evan­gel­ho eter­no” no qual “rev­ela um aspec­to sur­preen­den­te­mente filo-judaico: ‘O Sen­hor reser­vará a eles bençãos… mes­mo se per­si­s­tirem no judaís­mo’ (…) esta proposição erra­da, se encon­tra­va (segun­do Ger­ar­do) no Liber de Con­cor­dia [de Joaquim] (…), aque­les que per­tencem aos colé­gios dos mon­ges devem prov­i­den­ciar… e dis­tan­cia­rem-se do clero sec­u­lar e prepararem-se para o retorno do anti­go povo de Israel” [9]. Todavia, Lern­er nota que ‑segun­do ele — Ger­ardi­no teria força­do o pen­sa­men­to de Joaquim de maneira “rad­i­cal­mente filo-judaica” ain­da mais que o próprio abade fiorense.

2) Um out­ro dis­cípu­lo de Joaquim, depois de Pedro João Olivi (+ 1298) foi Gio­van­ni de Rupescis­sa, um fran­cis­cano francês em torno a 1310, que pro­fe­ti­za­va “a mila­grosa con­ver­são do povo de Israel, des­ti­na­do a se tornar o novo campeão de uma nova fé cristã purifi­ca­da… Do povo de Israel con­ver­tido sur­giria um novo imper­ador [uma espé­cie de Mes­sias mil­i­tante] que teria destruí­do Roma… para tornar ain­da mais explíci­ta a idéia pela qual os hebreus sub­sti­tuiri­am Roma, Gio­van­ni de Rupescis­sa define o novo sober­a­no como um ‘Augus­to da estirpe de Abraão’. Então, os hebreus não só tomari­am o lugar dos romanos como tit­u­lares do império uni­ver­sal, mas nen­hum out­ro povo lhes tiraria de sua posição até o fim dos tem­pos” [10]. A Igre­ja se trans­feriria de Roma para Jerusalém.

3) Um out­ro dis­cípu­lo do abade Joaquim de Fiore foi Fred­eri­co de Brunswick, um fran­cis­cano nasci­do em 1389 na Saxô­nia. Ele foi ain­da mais explíc­i­to que Rupescis­sa e afir­ma que apare­ce­ria, na ter­ceira era, um segun­do Mes­sias (reparador) que seria “sac­er­dote e tam­bém rei e que reinar­ia até o fim dos tem­pos, a saber ‚por um milênio. Em sub­stân­cia, fez do reparador um segun­do Cristo, sem todavia afir­mar de for­ma explíci­ta a natureza div­ina. (…) O reparador, reinar­ia como um rei…, rep­re­sen­tan­do um mes­sias para os hebreus (…), todo o povo de Israel se con­ver­t­e­ria. O império romano e o bizan­ti­no seri­am reunifi­ca­dos dan­do vida a um novo império uni­ver­sal a ser con­fi­a­do aos hebreus tor­na­dos a nova nação dom­i­nante (…). O acen­to colo­ca­do sobre a con­ver­são de Israel e sobre a trans­for­mação do mun­do sob a guia dos hebreus, chega­va aos pro­fe­tas de Gio­van­ni de Rupescis­sa, mas ess­es mostravam uma ati­tude ain­da mais filo-judaica, chegan­do a afir­mar que a cumprir tal trans­for­mação seria um hebreu (…), sob a [sua] guia acon­te­ceria aque­la que, de fato, rep­re­sen­ta­va a re-edi­fi­cação do ter­ceiro tem­p­lo, [que] se colo­ca­va em aber­ta con­tradição com a tradi­cional crença cristã, segun­do a qual o povo de Israel não have­ria jamais… recon­struí­do Jerusalém” [11]. 

Enquan­to o nos­so fazia prosél­i­tos na Ale­man­ha, um out­ro fran­cis­cano Francesc Eixi­me­nis [12] (1327–1409), na Catalun­ha, escrevia trata­dos mile­nar­is­tas, ele dedi­cou a sua existên­cia para além de escr­ev­er trata­dos, a entre­laçar relações com os grandes de então (Pedro IV de Aragão e os seus famil­iares), segun­do Francesc “os hebreus se con­ver­t­e­ri­am, a Sé papal seria trans­feri­da para Jerusalém, onde reinar­ia um novo papa e um novo imper­ador, ambos prove­nientes do povo de Israel” [13]. 

Con­clusão

O prob­le­ma atu­al do amer­i­can­is­mo, do filo-sion­is­mo e do “choque entre civ­i­liza­ções”, a fobia da cul­tura do mun­do árabe e mediter­râ­neo (mes­mo a clás­si­ca da metafísi­ca gre­ga e da éti­ca romana; daque­la medieval da cri­stan­dade patrís­ti­co-escolás­ti­ca e do Papa­do Romano) é assaz vas­to e com­plexo. Não é pos­sív­el entendê-lo se não voltar as fontes das civ­i­liza­ções (Assírio-Babilôni­ca, Egíp­cia…), viz­in­ha ori­en­tal (israeli­tas) e mediter­rânea (gre­gos, romanos e cri­stan­dade européia). À luz destes princí­pios vê-se o quan­to é incom­patív­el o catoli­cis­mo romano (herdeiro da metafísi­ca gre­ga e da éti­ca romana) com o amer­i­can­is­mo, judaís­mo-talmúdi­co e sion­is­mo políti­co-nacional. Com a crise geor­giana, pilota­da por Israel e EUA, não se pára no viz­in­ho ori­ente médio, mas o con­fli­to pen­e­tra em casa (Polô­nia e país­es do ex pacto de Varsóvia) e faz entrar dire­ta­mente no baile a Rús­sia (com Afe­gan­istão e Paquistão do pós- Musharaff) e provavel­mente, ain­da que indi­re­ta­mente, a Chi­na. Os teo-con­ser­vadores italianos:sejam laicis­tas (Pera, Ferrara),sejam ex católi­cos inte­grais (Allean­za Cat­toli­ca) bus­cam con­cil­iar o inc­on­cil­iáv­el.
O fato que provém dos laicis­tas de for­mação lib­er­al pop­pe­ri­ana-kan­tini­ana (Pera/Antiseri) ou até mes­mo anar­co-cap­i­tal­ista (Quagliarello/Piombini) e post-marx­ista (Fer­rara), não deve nos sur­preen­der, dada a sua filosofia ima­nen­tista, sub­je­tivista e prag­ma­tista. O que é mais chocante é o cam­po ex católi­co inte­gral, o qual se funda(va) sobre o princí­pio de não con­tradição, sobre o pri­ma­do da real­i­dade em relação ao pen­sa­men­to e sobre a éti­ca nat­ur­al. 

Infe­liz­mente , deve-se reg­is­trar — pro­pri­a­mente nestes dias — que Mas­si­mo Intro­vi­gne, o qual podia ser apre­sen­ta­do como um ele­men­to “desvi­a­do” (doutri­nal­mente falan­do) da Allean­za Cat­toli­ca, foi nomea­do por Gio­van­ni Can­toni (o atu­al regente nacional e fun­dador da mes­ma), vice-regente nacional da “Allean­za Cat­toli­ca” e o seu futuro suces­sor. Allean­za Cat­toli­ca, então, é sub­stan­cial­mente o “pen­sa­men­to-Intro­vi­gne”, o qual se dis­tân­cia impres­sio­n­an­te­mente da reta dout­ri­na católi­ca, da sã filosofia e da con­cepção da políti­ca con­struí­da por Aristóte­les , San­to Tomás e o mag­istério tradi­cional da Igre­ja. Os seus con­tatos com o mun­do maçôni­co, judaico e esotéri­co (ampla­mente doc­u­men­ta­dos) lev­an­tam muitas per­plex­i­dades, mes­mo em ambi­ente ofi­ci­ais (ver GRISS). S Dese­jaria-se esper­ar que ele fos­se uma voz “minoritária” e “sin­gu­lar” da Allean­za Cat­toli­ca, mas não é assim.

O que diz­er?

Que é “pre­ciso viv­er como se pen­sa, de out­ro modo ter­mi­na-se por pen­sar como se vive”. Ora, ir con­tra a cor­rente é incô­mo­do, porém Jesus nos ensi­nou que a estra­da que con­duz ao Paraí­so é estre­i­ta e aper­ta­da, enquan­to a por­ta que con­duz a perdição (per­se­veran­do nes­ta, Deus não queira, mas “tal­is vita, mors ita”) é larga e espaçosa.

Que Deus nos ajude a per­se­ver­ar na estra­da do Calvário e nos ten­ha as mãos na cabeça, porque «qui rep­u­tat se stare, timeat ne cadat» (san Pao­lo).

Don Curzio Nitoglia
29 de agos­to de 2008
Notas:

[1]  E. Lern­er, «La fes­ta di Sant’Abramo. Mil­lenar­is­mo gioachimi­ta ed Ebrei nel Medio­e­vo», Roma, Viel­la, 2002, pag­i­na 8

[2] Ivi, pag­i­na 29.
[3] Ivi, pagine 35–36.
[4] Ivi, pag­i­na 36.
[5] Ibi­dem.
[6] Ivi, pági­na 39. Con­fronta tam­bém: Gioacchi­no da Fiore, Invi­to alla let­tura, G.L. Potestà (a cura di), Cinisel­lo Bal­samo (Milano), San Pao­lo, 1999. Tal tesi é con­fir­ma­da por Yoseph Caro (rabi­no de Fer­rara) que escreveu:“Quanto ao lugar de mora­da do Mes­sias (…) alguns tex­tos [da lit­er­atu­ra rabíni­ca e talmúdi­ca] o pen­sam  sofren­do e escon­di­do em Roma, como na cidade que deter­mi­nou a que­da do reino hebraí­co (San­hedrìn, 98, a)… Muitos lugares talmúdi­cos descrevem os tem­pos mes­siâni­cos. A primeira con­se­quên­cia da vin­da do Mes­sias con­siste no retorno dos hebreus, numeri­ca­mente maiores, a Palesti­na e a reed­i­fi­cação da cidade de Jerusalém e do Tem­p­lo…, ces­sará o peca­do, e con­se­quente­mente tam­bém a morte. Os fil­hos de Israel se tornarão, por­tan­to, imor­tais. Mas os efeitos da vin­da do Mes­sias não se farão sen­tir só para Israel [bon­dade deles]: uma época de bem aven­tu­rança se abrirá para todas as nações que, arrepen­di­das de suas cul­pas, serão per­doadas. 

A idol­a­tria [Cristo=Deus] ces­sará, todas as Gentes ado­rarão um só Deus” (Enci­clo­pe­dia Ital­iana, voce «Mes­sia» e in par­ti­co­lare «L’idea mes­sian­i­ca nell’ebraismo post­bib­li­co», Roma, Isti­tu­to dell’Enciclopedia Ital­iana, 1929–1936, vol­ume XXII, pagine 957–958. Como se vê esta mes­ma dout­ri­na do Tal­mude sobre o Mes­sias (como expli­ca­da pelo rabi­no Yoseph Caro) se encon­tra fiel­mente repor­ta­da nos escritos de Joaquim de Fiore e de seus dis­cípu­los (como foram apre­sen­tadas pelo pro­fes­sor israeli­ta Robert Lern­er). Então asserir que a origem do mile­nar­is­mo joaquimi­ta é cer­ta­mente talmúdi­ca, não é fru­to de este­ri­otipo e pre­juí­zo anti­semi­ta, mas é a ver­dade históri­ca como ensi­na­da pelos próprios rabi­nos e tal­mud­is­tas israe­lens­es.

Naqui­lo que diz respeito ao Anti­cristo os Padres da Igre­ja, fun­dan­do-se sobre o Depósi­to da fé rev­e­la­da (espe­cial­mente em São Paulo 2º Ep. Tess., II, 3–12; e São João 1º Ep., II, 18–22; IV, 3; 2º Ep., VII; Apoc­alipse, XI, 7ss.; XIII-XIV), ensi­nam unanime­mente que o fim do mun­do deve ser pre­ce­di­do pelo reino do Anti­cristo (II Tess.) que é o “homem do peca­do”, ou “o mis­tério de iniq­uidade no mun­do” o qual se man­i­fes­tará ple­na­mente quan­do o obstácu­lo “aque­le que o retém” (o Papa) será par­cial­mente menor. Ele será um homem, não um per­son­agem metafóri­co (erro por defeito) e nem mes­mo o dia­bo incar­na­do (erro por exces­so). Será hebreu, acol­hi­do como o mes­sias judaí­co. Se fará ado­rar no lugar de Deus. Prevale­cerá por um cer­to tem­po, porque os home­ns terão per­di­do “o amor pela ver­dade” (II Tess.). Deus enviará duas teste­munhas (Enoque e Elias) para aju­dar aos fiéis a resi­s­tir a sua perseguição (Apoc­alipse XI) que será a mais san­guinária da história, inspi­ra­da pelo ódio dire­to con­tra Deus. Quase todos apos­tatarão, mas Jesus matará o Anti­cristo “com um sopro da sua boca (São Paulo) e Israel se con­vert­erá ao cris­tian­is­mo. Mon­sen­hor Sal­va­tore Garo­fa­lo escreve: “A inter­pre­tação comum entre os escritores cristãos vê no Anti­cristo um per­son­agem dis­tin­to de Satanás, mas por ele sus­ten­ta­do, que se man­i­fes­tará nos últi­mos tem­pos, antes do fim do mun­do, para ten­tar um ataque e um tri­un­fo deci­si­vo sobre Jesus e a sua Igre­ja. (…). Aqui­lo que impede o des­en­cadear-se des­ta formidáv­el potên­cia é um mis­te­rioso “obstácu­lo” que é ao mes­mo tem­po con­sid­er­a­do, em abstra­to, como uma potên­cia [a Igre­ja romana] e, em con­cre­to, como uma pes­soa [o Papa]. (…) O obstácu­lo impede a man­i­fes­tação do Anti­cristo, não a sua obra pes­soal. O Anti­cristo pes­soa, se rev­e­lará na últi­ma fase da luta anti-cristã, que atrav­es­sa todos os sécu­los, e prepara lenta­mente a aparição do ‘fil­ho da perdição’ no fim dos tem­pos” («Dizionario di Teolo­gia dom­mat­i­ca», Roma, Studi­um, 4ª edi­zione, 1957, pag­i­na 23).

[8] Ivi, pag­i­na 44.
[9] Ivi, pag­i­na 65.
[10] Ivi, pag­i­na 112.
[11] Ivi, pagine 130–131.
[12] F. Eixi­me­nis, «Estet­i­ca medievale. Dell’eros, del­la men­sa e del­la cit­tà», Milano, Jaca Book, 1986.

[13] Dicionário de Teolo­gia dog­máti­ca, cita­do, pági­na 147. Con­fronta tam­bém: R. E. Lern­er, «Refrige­rio dei san­ti. Gioacchi­no da Fiore e l’escatologia medievale», Roma, Viel­la, 1995; H. Grund­mann, «Gioacchi­no da Fiore. Vita e opere», Roma, Viel­la, 1997; H. de Lubac, «La pos­ter­ità spir­i­tuale di Gioachi­no da Fiore», Milano, Jaca Book, 2 volu­mi, 1983. Em tal estu­do o autor demon­stra (espe­cial­mente no 2º vol­ume, «Da Saint-Simon ai giorni nos­tri») que o joaquimis­mo exerci­tou (e con­tin­ua a exerci­tar) um pro­fun­do influxo sobre os filó­so­fos mod­er­nos e hodier­nos e sobre os movi­men­tos políti­cos que se suced­er­am ao fim da cri­stan­dade até ao mun­do atu­al (Cousin, Fouri­er, Saint-Simon, Lamen­nais, Mick­iewiczs, de Maistre, Marx, Hitler, Soloviev, Berdiaev, Bloy, Péguy). Tam­bém a questão do mile­nar­is­mo judaí­co e medieval-fiorense não foi ultra­pas­sa­da, mas man­tém toda a sua atu­al­i­dade, sobre­tu­do hoje, com o domínio do Esta­do de Israel e dos Esta­dos Unidos da Améri­ca sobre o mun­do inteiro e a reação do mun­do arábe que sus­ci­taram, a qual nos está levan­do a um esta­do de caos uni­ver­sal e de guer­ra per­pé­tua. De fato, não é pre­ciso esque­cer que a maior parte dos neo ou teo-con­ser­vadores “cristãos” (não “cristãos”) amer­i­canos (que hoje influ­en­ci­am a políti­ca de “dire­i­ta” da admin­is­tração Bush) tem um “pas­sa­do” políti­co de “ultra-esquer­da” ou mel­hor trotzkys­ta, são em grande parte de origem hebraica e dis­cípu­los da Esco­la de Frank­furt, trans­feri­do-se para a Améri­ca em 1933 e per­manecen­do ali com Teodoro Adorno até 1950 e com Her­bert Mar­cuse até 1979. Tal esco­la políti­ca era car­ac­ter­i­za­da pela sub­sti­tu­ição do ódio de classe do pro­le­tari­a­do (na rev­olução comu­nista), que vin­ha sub­sti­tuí­do pelo pan­sex­u­al­is­mo freudi­ano, o des­en­cadea­men­to dos instin­tos e a per­da do sen­ho­rio de si; a maior parte dos seus mem­bros eram de origem israeli­ta (G. Lukàcs, E. Fromm, T. Adorno, W. Reich, W. Ben­jamin, H. Mar­cuse, M. Hokheimer, F. Pol­lock).

O trotzkys­mo é o comu­nis­mo mais rad­i­cal e perigoso; esse é uma sei­ta sec­re­ta ou esotéri­ca, a respeito do comu­nis­mo públi­co ou exotéri­co de Stal­in. O sub­je­tivis­mo rel­a­tivista é a natureza do trotzkys­mo, segun­do o qual a teo­ria está ao serviço da práx­is ou do movi­men­tismo que deve levar ao cais “infini­to e per­pé­tuo”, servin­do-se de qual­quer meio (mes­mo um polit­i­cante “con­ser­vador-cristão”). É pre­ciso, para o trotzkys­mo, primeiro destru­ir os val­ores gre­co-romanos e cristãos. Cor­romper o mun­do dos val­ores e dos princí­pios, per­vert­er a juven­tude des­en­cade­an­do os instin­tos e as paixões des­or­de­nadas como instru­men­tos de sub­ver­são (niil­is­mo filosó­fi­co indi­vid­ual e anar­quia social), depois se poderá expor­tar o comu­nis­mo lib­ertário-movi­men­tista (a Bertinot­ti, con­trari­a­mente àquele enges­sa­do mil­i­tar-buro­cráti­co stal­in­ista, a Cos­sut­ta) em todo o mun­do e então se terá, assim, uma sociedade per­fei­ta (mile­nar­is­mo) sobre está ter­ra. A rev­olução estu­dan­til do maio de 1968, foi a vitória do trotzkys­mo segun­do o qual “um cére­bro vázio (dos sedi­ciosos ‘estu­dantes’) é mais recep­ti­vo do comu­nis­mo que um ven­tre operário com fome”. O trotzkys­mo fez a rev­olução não graças ao pro­le­tari­a­do, mas através da cor­rupção da juven­tude estu­dan­til, graças ao freud­is­mo de mas­sa e a licen­ciosi­dade dos cos­tumes. O sindi­cal­is­mo rep­re­sen­ta um out­ro cav­a­lo de batal­ha do trotzkys­mo, exac­er­ban­do os con­trastes (e não lhes resol­ven­do): entre empreende­dor e tra­bal­hador, mestre e estu­dante, pai e fil­ho, mari­do e mul­her, padre e fiel. Infil­tran­do a mag­i­s­tratu­ra; cor­rompen­do a esco­la, o ensi­na­men­to, a cul­tura; neu­tral­izan­do as forças de ordem. A moda e a ves­ti­men­ta exerci­taram um influxo notáv­el sobre a mudança de men­tal­i­dade dos home­ns, a músi­ca pop, a dro­ga chama­da “leve”, as canções real­mente leves que chegam lá onde o livro e nem mes­mo o pan­fle­to chegam; o tipo de vida frenéti­co, instáv­el, vagabun­do rev­olu­cionaram ou mudaram a face do mun­do. Freud se tornou, assim, uma força políti­ca pop­u­lar que cau­sou um ter­re­mo­to no uni­ver­so. Moda + músi­ca + psi­canalise de mas­sa mudaram a face do mun­do e o fiz­er­am um poço infer­nal, o reino social de Satanás pron­to, ago­ra, a acol­her o Anti­cristo. Não é de se admi­rar que se servi­ram de uma potên­cia mil­i­tar aparente­mente con­ser­vado­ra, para levar a rev­olução per­ma­nente ao mun­do inteiro, Ori­ente Médio (1990–2002), a própria Améri­ca (2001) e a Europa (2003–2005).

Con­fronta anche: M. Reeves‑W. Gould, «Gioacchi­no da Fiore e il mito dell’Evangelo eter­no nel­la cul­tura euro­pea», Roma, Viel­la, 2000. Em tal obra os autores retomam e apro­fun­dam o estu­do de De Lubac, espe­cial­mente quan­to a Blake, Less­ing, Schiller, Schelling, Renan, Wilde, Huys­mans, Niet­szche, Joyce. Entre os mestres teo-con­ser­vadores encon­tramos tam­bém  Abra­ham Joshua Hes­chek um dos artí­fices de “Nos­tra Aetate”, os quais livros foram feitos con­hecer na Itália por Cristi­na Cam­po e pela edi­to­ra con­ser­vado­ra Bor­la e Rus­coni nos anos seten­ta-oiten­ta. Além dis­so estão tam­bém Jacob Taubes e Leo Strauss (hoje muito em voga no ambi­ente teo-con­ser­vador ital­iano). Sobre Jacob Taules con­fronta: E. Stimil­li, «Jacob Taubes. Sovran­ità e tem­po mes­sian­i­co», Bres­cia, Mor­cel­liana, 2004. Sobre Leo Straruss con­fronta: Ken­neth L. Deutsch- John A. Mur­ley, «Leo Strauss, the Straus­sians and the Amer­i­can Regime», Roman & Litle­field. D. Tan­guay, Leo Strauss, «Une biogra­phie intel­lectuelle», Pari­gi, Gras­set, 2003.