STEFANO FONTANA: SÍNODOS MANIPULADOS PARA CONSTRUIR A “NOVA IGREJA


Atualidades / terça-feira, outubro 8th, 2019

 

SÍNODOS MANIPULADOS PARA CONSTRUIR A "NOVA IGREJA"
Stefano Fontana
Tradução: Gederson Falcometa

A gestão dos dois últi­mos Sín­o­dos dos bis­pos e, ao menos até este momen­to, do próx­i­mo sobre a Amazô­nia parece des­ti­na­da a faz­er mor­rer o Sín­o­do enquan­to tal, esvazian­do a sua relevân­cia e reduzindo‑o a um con­jun­to de movi­men­tos de políti­ca ecle­siás­ti­ca pre­vi­a­mente acor­dadas. Quan­do, com o Sín­o­do sobre a Amazô­nia, os fiéis se con­sci­en­ti­zarem pela ter­ceira vez con­sec­u­ti­va que “tudo foi pre­vi­a­mente plane­ja­do”, dos Sín­o­dos se desin­ter­es­saram, ape­sar da retóri­ca dos orga­ni­zadores acer­ca do sopro do Espíri­to San­to nos tra­bal­hos sin­odais. Neste pon­to os Sín­o­dos se tornarão uma astu­ta práx­is ecle­siás­ti­ca ple­na­mente sec­u­lar­iza­da e chegaram ao seu fim: mor­tos por asfix­ia.

Nas sem­anas pas­sadas, alguns blogs e agên­cias der­am a notí­cia de uma reunião sec­re­ta e reser­va­da ocor­ri­da no Vat­i­cano com a par­tic­i­pação de influ­entes Cardeais entre os quais os sól­i­tos Schön­born e Kasper, o qual escopo seria condi­cionar os êxi­tos do próx­i­mo Sín­o­do sobre a Amazô­nia. Não nos mar­avil­haria prat­i­cas do gênero. Como se recor­dará de um even­to sim­i­lar foi orga­ni­za­do tam­bém durante o Sín­o­do sobre a família. Em 25 de maio de 2015 se tem uma reunião a por­tas fechadas na Uni­ver­si­dade Gre­go­ri­ana orga­ni­za­da pelas Con­fer­ên­cias epis­co­pais da Ale­man­ha, Bél­gi­ca e França para condi­cionar o Sín­o­do ordinário. Ape­nas poucos, porém, con­sid­er­am a coisa como escan­dalosa.

O dup­lo Sín­o­do sobre a família dos anos 2014 e 2015 pode ser con­sid­er­a­do o pro­tótipo de uma nova for­ma de Assem­bleia sin­odal: plane­ja­da des­de o começo e guia­da pas­so a pas­so para que pro­duzisse alguns fru­tos pré-esta­b­ele­ci­dos. Primeiro foi con­fi­a­do ao Cardeal Kasper uma lição aos Cardeais que ditou o per­cur­so a seguir, recu­peran­do a car­ta do seu do dis­tante 1979 sobre a teolo­gia do matrimônio. Kasper não foi encar­rega­do por aca­so, como não foi por aca­so que não foram con­vi­da­dos para o Sín­o­do extra­ordinário nen­hum rep­re­sen­tante do Insti­tu­to João Paulo II.

Depois, hou­ve a descober­ta – pela primeira vez na história dos Sín­o­dos – de que vetaram aos padres faz­er declar­ações, as relações com o exte­ri­or eram man­ti­das pelo Padre Fed­eri­co Lom­bar­do que lhe tin­ha – como se cos­tu­ma diz­er – a seu modo. Na rela­tio post dis­cep­ta­tionem da metade do Sín­o­do extra­ordinário a sec­re­taria intro­duz­iu pas­sagens doutri­nal­mente dis­rup­ti­vas que não resul­tavam min­i­ma­mente da dis­cussão sin­odal. Sobre a com­posição da secretária, 13 Cardeais escrever­am ao Papa para sub­lin­har que eram muito a parte. Mas aque­la mes­ma sec­re­taria foi deix­a­da em seu lugar e redigiu tam­bém todos os out­ros doc­u­men­tos do Sín­o­do. As per­gun­tas do ques­tionário cognosc­i­ti­vo do Sín­o­do ordinário eram ten­den­ciosas.

Con­trari­a­mente a prat­i­ca até então segui­da, tam­bém os arti­gos rejeita­dos pela grande maio­r­ia e que diziam respeitos as relações homos­sex­u­ais foram inseri­das na rela­tio syn­o­di. Durante os tra­bal­hos o Cardeal Bald­is­seri, secretário ger­al do Sín­o­do, tin­ha impe­di­do a dis­tribuição aos Padres do livro assim chama­do “dos cin­co cardeais”. No instru­men­tum laboris do Sín­o­do ordinário foram inseri­dos arti­gos de con­teú­do equívo­co, como o famoso 137 con­tra o qual um nutri­do grupo de teól­o­gos moral­is­tas guia­dos por Stephan Kam­pows­ki e David Craw­ford escrever­am um ape­lo públi­co em defe­sa da Humanae Vitae. O Sín­o­do ain­da em cur­so, o Papa pro­duz os dois Motu pro­prio sobre a revisão do proces­so de nul­i­dade mat­ri­mo­ni­al. A Exor­tação Amor­is Laeti­ti­ae parece ter sido pen­sa­da – mes­mo que ain­da não escri­ta – antes do Sín­o­do e este últi­mo parece ter sido instru­men­tal­mente gov­er­na­do para que a por­tasse ali.

Mes­mo o suces­si­vo Sín­o­do sobre os jovens foi plane­ja­do ante­ci­pada­mente e con­duzi­do de modo a ter resul­ta­dos seguros. Entre os vários aspec­tos deste plane­ja­men­to recor­damos as pre­lim­inares ten­den­ciosas, recol­hi­men­to de dados e, sobre­tu­do, a expressão “católi­cos LGBT”, pre­sente no instru­men­tum laboris, con­tes­ta­da por alguns rel­e­vantes padres sin­odais, elim­i­na­da dos doc­u­men­tos sin­odais suces­sivos onde porém – com uma modal­i­dade de todo inusu­al – se afir­ma­va que tam­bém o instru­men­tum laboris, então a expressão con­tes­ta­da, fazia parte das con­clusões do Sín­o­do.

O que fere dolorosa­mente a con­sciên­cia dos fiéis é de um lado a evi­dente, e até mes­ma osten­ta­da, manip­u­lação dos proces­sos sin­odais e de out­ro a apre­sen­tação da assise sin­odal como um even­to ani­ma­do e dita­do pelo Espíri­to San­to.

Fere tam­bém que as plane­jadas manip­u­lações sejam final­izadas a obterem efeitos intra-ecle­si­ais e sobre­tu­do mudança doutri­nal. O obje­ti­vo do próx­i­mo Sín­o­do sobre a Amazô­nia foram já definidos ante­ci­pada­mente: ecolo­gia inte­gral enten­di­da como ecol­o­gis­mo gnós­ti­co, plu­ral­is­mo reli­gioso com­preen­di­das as várias for­mas de ani­mis­mo e pagan­is­mo, con­de­nação da modal­i­dade históri­ca da evan­ge­liza­ção do con­ti­nente lati­no-amer­i­cano como ocasião para pas­sar de evan­ge­lizar a faz­er-se evan­ge­lizar, aber­turas a super­ação do celi­ba­to ecle­siás­ti­co para impor­tar depois tam­bém na Europa cen­tral. Mas se os Sín­o­dos veem reduzi­dos a uma máquina astu­ta­mente gov­er­na­da para pro­duzir uma nova Igre­ja, então eles são feitos para mor­rer. E talvez seja mel­hor que seja assim.

Fonte: http://www.lanuovabq.it/it/sinodi-manipolati-per-costruire-la-nuova-chiesa