FALSO MISTICISMO E VERDADEIRA MÍSTICA.


Espiritualidade / terça-feira, novembro 20th, 2012

ESPIRITUALIDADE CATÓLICA E RELIGIOSIDADE ORIENTALIZANTE

d. CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

25 agos­to 2011

http://www.doncurzionitoglia.com/falso_misticismo_e_vera_mistica.htm

 

O fal­so mist­i­cis­mo

  • Já falam­os da ver­dadeira mística[1] neste site (v.***). No pre­sente arti­go res­ta ver qual é a sua fal­si­fi­cação, que é o fal­so mist­i­cis­mo. Este per­verte sobre­tu­do a ver­dadeira noção do esta­do pas­si­vo da mís­ti­ca. Tal esta­do con­siste na pas­sivi­dade rel­a­ti­va do homem ape­nas diante da Graça atu­al e espe­cial do Espíri­to San­to (não impe­di lo), mas não na pas­sivi­dade abso­lu­ta do homem quan­to ao agir espir­i­tual­mente  impul­sion­a­do pelo Pará­cli­to, viven­do ao máx­i­mo, sobre­nat­u­ral­mente ou hero­ica­mente, as Vir­tudes infusas e espe­cial­mente as teolo­gais.

 

  • À ascéti­ca [2] é con­sti­tuí­da sobre­tu­do pelo esforço humano habit­u­al, aju­da­do pela Graça atu­al ordinária de Deus, para viv­er na Graça san­tif­i­cante, lutan­do con­tra o peca­do mor­tal e fazen­do uma oração men­tal sobre­tu­do dis­cur­si­va (primeira via “purga­ti­va” dos “prin­cipi­antes”); então con­siste na imi­tação das Vir­tudes de Cristo e em faz­er uma oração men­tal sobre­tu­do afe­ti­va (segun­da via “ilu­mi­na­ti­va” dos que “pro­gri­dem”) e enfim na mís­ti­ca (ter­ceira via “uni­ti­va” dos “per­feitos”) [3], na qual a alma é sim­i­lar a um bar­co a vela, que é feito para flu­tu­ar (pas­sivi­dade rel­a­ti­va) e não se recusa a flu­tu­ar (ativi­dade hero­ica) sobre as ondas impul­sion­a­da pelo sopro impetu­oso do Espíri­to San­to; Por­tan­to a ver­dadeira mís­ti­ca é car­ac­ter­i­za­da por uma ativi­dade herói­ca ou sobre-humana no exer­cí­cio das Vir­tudes infusas por parte do homem, o qual todavia é movi­do sobre­tu­do pelo Espíri­to San­to, o qual não deve resi­s­tir ou colo­car obstácu­los de má von­tade. Ao invés o fal­so mist­i­cis­mo fala de pas­sivi­dade total tam­bém no agir, que leva ao Qui­etismo, que é ao não “faz­er abso­lu­ta­mente nada”. Mas Jesus no Evan­gel­ho dos disse: “Nem todo aque­le que diz “Sen­hor, Sen­hor”, entrará no Reino de Deus, mas aque­le que faz a sua von­tade”. Em suma “quem quer faz­er o anjo, aca­ba por se tornar uma besta”. Na ver­dade “a Fé sem as boas obras é mor­ta” (São Tia­go).

O Qui­etismo

  • É uma tendên­cia pseu­do mís­ti­ca, que colo­ca a per­feição na con­tem­plação pas­si­va, onde a alma renún­cia a sua livre ativi­dade tam­bém na práti­ca das Vir­tudes, ao con­t­role da sen­su­al­i­dade e das paixões, até ao pon­to de con­cil­iar o mais baixo sen­su­al­is­mo com a adesão “mist­icóide” a Deus. O Qui­etismo despreza a ascéti­ca. Na Espan­ha se difunde des­de o sécu­lo XV com a sei­ta dos Alum­bra­dos (Ilu­mi­nati), na França com François Fénelon (+ 1717) e Madame Jeanne Marie Guy­on (+ 1717),  “uma exal­ta­da que ao mist­i­cis­mo con­tem­pla­ti­vo unia o mist­i­cis­mo sen­su­al, com a teo­ria da pas­sivi­dade da alma nas ten­tações e nos peca­dos de luxúria” [4], na Itália por obra de Miguel Moli­nos.
  • O per­ver­ti­men­to da pas­sivi­dade ou não resistên­cia do homem a Graça espe­cial do Pará­cli­to, alarga­da tam­bém a práti­ca das Vir­tudes e a luta con­tra o mal é a essên­cia da fal­sa mís­ti­ca. Nos primeiros sécu­los da Igre­ja o Mon­tanis­mo [5] caiu em exces­sos per­ni­ciosos do pon­to de vista dog­máti­co, ascéti­co e moral. No medie­vo os Begardos[6] e as Beguinas con­hece­r­am semel­hantes desvios e des­or­dens. Da época mod­er­na do Qui­etismo, pro­cede o Amer­i­can­is­mo [7] que é o Mod­ernismo ascéti­co. O Qui­etismo con­heceu várias for­mas: aque­la mais rad­i­cal e aque­la mod­er­a­da ou semi­qui­etista.

Qui­etismo rad­i­cal

  • Tem origem com Miguel Moli­nos [8], nasceu na Espan­ha em 1640, mas vivi­do sobre­tu­do em Roma, onde dis­semi­nou os seus erros medi­ante as suas obras prin­ci­pais A guia espir­i­tu­al e A oração de qui­etude, con­de­na­dos por Inocên­cio XI (Con­sti­tu­ição Coelestis Pas­tor, 19 de novem­bro 1687, DB 1221–1288). Segun­do Moli­nos a vida cristã e a per­feição ou mís­ti­ca con­siste na abso­lu­ta pas­sivi­dade da alma humana, a qual foi dis­pen­sa­da tam­bém de resi­s­tir as ten­tações; o seu lema ante­cede aque­le do lib­er­al­is­mo econômi­co  “Lais­sez faire”, assim trans­pos­to na religião: “Deixe Deus faz­er”, e tocará o ápice no lib­er­al­is­mo ou mod­ernismo ascéti­co chama­do por Leão XIII, de Amer­i­can­is­mo. Segun­do Moli­nos existe uma só via, que é aque­la mís­ti­ca ou a dos per­feitos, a qual se chega por si, com as própria forças. Onde para ele a vida espir­i­tu­al se ini­cia com a via uni­ti­va, que para a Igre­ja é a ter­ceira e ulti­ma e a qual se chega depois de uma lon­ga vida ascéti­ca (primeira e segun­da via, dos insip­i­entes e dos pro­gred­intes) e entramos por um dom gra­tu­ito de Deus , que atua através da Graça tran­sitória espe­cial do Espíri­to San­to, os sete dons do Pará­cli­to. Nes­ta via pura­mente e abso­lu­ta­mente pas­si­va, segun­do Moli­nos, se vive con­stan­te­mente e habit­ual­mente na con­tem­plação infusa, a qual, ao invés, para a dout­ri­na católi­ca é con­ce­di­da por Deus ape­nas em atos de con­tem­plação, que duram pouco tem­po. Como a con­tem­plação é per­pé­tua, para Moli­nos, a alma é dis­pen­sa­da de todos os atos explíc­i­tos de Vir­tude, da resistên­cia as ten­tações e das mor­ti­fi­cações. Então, se chega invari­avel­mente, a des­or­dens morais, porque o homem é feri­do pelo peca­do orig­i­nal, man­tém sem­pre em si até a morte o fomes pec­ca­ti, que é a tendên­cia ao mal, a qual se deve resi­s­tir neg­a­ti­va­mente não fazen­do o mal e pos­i­ti­va­mente colo­can­do atos de Vir­tude. Ao invés, para o Qui­etismo o mist­icóide é de tal for­ma per­feito, que não pode mais pecar e então não deve cuidar-se das ten­tações da qual esta seguro de não lhe dar jamais o con­sen­ti­men­to da von­tade, pre­su­min­do de ser con­fir­ma­do na Graça, ain­da que cumpra exte­ri­or­mente atos obje­ti­va­mente imorais.
  • A antigu­is­si­ma dout­ri­na cabalís­ti­ca do anti-nomis­mo ou san­tifi­cação con­tra a Lei moral (“nomè”) através do peca­do, foi retoma­da pelo movi­men­to mod­er­no chas­sídi­co primeiro elit­ista (v. Sab­batai Tze­vi +, Jacob Frank +1791) e depois pelo chas­sidis­mo con­tem­porâ­neo de mas­sa (v. Mar­tin Buber +1965, Emmanuel Lev­inas +1995), depois de ser ren­o­va­da por Mar­t­in­ho Lutero com o seu “pec­ca for­titer sed for­tius crede” e pelo Mod­ernismo Ascéti­co ou Amer­i­can­is­mo, con­de­na­do por Leão XIII (Testem Benev­o­len­ti­ae, 1889), mas hoje renasci­do com vir­ulên­cia parox­ís­ti­ca sobre­tu­do com o Neo-mod­ernismo ou Sen­ti­men­tal­is­mo reli­gioso tan­to em voga nos “movi­men­tos” ou “cam­in­hos” pseu­do-católi­cos (Neo-cate­c­u­me­na­to [9], Comunhão e Lib­er­ação, Ren­o­va­men­to do Espíri­to, Caris­ma­tismo e Pen­te­costal­is­mo [10]).
  • O Moli­nosis­mo retém que o obje­to prin­ci­pal da con­tem­plação é Deus e não Jesus Cristo, que, sendo ver­dadeiro Deus e ver­dadeiro homem, parece menos per­feito e não dig­no dos qui­etis­tas, que seri­am “mais que per­feitos”. Ess­es falam de “Coração de Deus”, mas não do Sagra­do Coração de Jesus, porque este últi­mo é muito mate­r­i­al, enquan­to o primeiro é uni­ca­mente o Amor pura­mente espir­i­tu­al, mis­eri­cor­dioso e “tudo-faz”, o qual dis­pen­saria o “per­feito” ou o ini­ci­a­do de toda ação boa e de toda resistên­cia ao peca­do.

Qui­etismo mod­er­a­do

  • Qui­etismo de Moli­nos foi retoma­do e tem­per­a­do, para evi­tar as con­de­nações da Igre­ja, por Madame Jeanne Marie Guy­on, Padre P. Lacombe e François Fénelon, o qual sis­tem­ati­zou e suavi­zou de cer­tos exces­sos a piedade sen­ti­men­tal­ista e fan­ta­siosa do amor puro e desin­ter­es­sa­do da sen­ho­ra Guy­on no seu livro Maximes des Saints de 1697. Neste, Fénelon sus­ten­ta­va que a per­feição con­siste no esta­do habit­u­al de puro amor de Deus, desin­ter­es­sa­do ou sem a Esper­ança do Paraí­so. Além dis­so, se pode ser per­sua­di­do na parte supe­ri­or da alma (int­elec­to) de ser reprova­do de Deus e aceitar ple­na­mente (von­tade) tal esta­do de danação, ofer­e­cen­do a Deus o sac­ri­fí­cio da própria feli­ci­dade eter­na. Enfim a alma per­fei­ta deve ser indifer­ente a práti­ca da Vir­tude e a Humanidade de Jesus Cristo. Tais proposições foram con­de­nadas em 1699 por Inocên­cio XII (DB 1327–1349) porque são sub­stan­cial­mente idên­ti­cas àque­las de Moli­nos ain­da que expres­sas, quan­to ao modo, de for­ma menos rad­i­cais ou mais mod­er­adas.

Espir­i­tu­al­i­dade ori­en­tal­izante [11]

  • Qual a difer­ença entre a espir­i­tu­al­i­dade e a med­i­tação católi­ca para os “ méto­dos” extremos ori­en­tais de “con­cen­tração”? [12] A espir­i­tu­al­i­dade cristã se fun­da sobre a Fé em um Deus pes­soal e tran­scen­dente, Cri­ador do homem, o qual O pre­ga como Pai divi­no, O con­hece e O ama sobre­nat­u­ral­mente, medi­ante as Vir­tudes infusas da Fé, Esper­ança e Cari­dade. Pela Graça san­tif­i­cante Deus habi­ta real­mente e fisi­ca­mente na alma do jus­to. Onde a vida espir­i­tu­al é con­hec­i­men­to e amor recípro­co, altruís­ti­co e de con­vivên­cia entre Deus e o homem. Todavia Deus é sem­pre infini­ta­mente dis­tin­to do homem, o qual par­tic­i­pa da vida inti­ma div­ina de for­ma fini­ta e lim­i­ta­da ou criat­ur­al. Há uma união, mas não con­fusão entre Deus e homem, que bus­cará con­for­mar a sua von­tade a de Deus.
  • A filosofia extremo-ori­en­tal (hin­duís­ta e bud­ista) [13] é ten­den­cial­mente pan­teís­ta e esotéri­ca ou gnos­ti­zante, porque iden­ti­fi­ca o homem e a “divin­dade”. Não con­cebe Deus como Pes­soa tran­scen­dente ao mun­do, infini­to, imutáv­el, deter­mi­na­do, Ato puro, Cri­ador, mas como um “Todo ima­nente ao mun­do“ (hin­duís­mo) ou um “Silên­cio ou Vazio uni­ver­sal” (bud­is­mo), que não tran­scende o mun­do, mas se iden­ti­fi­ca com ele; mais que de Deus, se tra­ta de uma “vaga divin­dade” inde­ter­mi­na­da [14], indifer­en­ci­a­da, anôn­i­ma e iden­ti­fi­ca­da com o mun­do, que é absorvi­do nes­sa.
  • A “oração” ou mel­hor a “con­cen­tração” ori­en­tal hin­duís­ta ou bud­ista (que não é uma religião, a qual une o homem a Deus, mas uma filosofia ima­nen­tista, nat­u­ral­ista e pan­teís­ta) não é um con­hec­i­men­to amoroso entre o homem e Deus, que desem­bo­ca em um colóquio mútuo “como um Ami­go fala ao ami­go” (San­to Iná­cio de Loy­ola), mas é sim um retiro sobre si mes­mo, já que a “con­cen­tração” ori­en­tal não con­hece um Ser dis­tin­to do homem e então o pen­sa­men­to humano deve con­cen­trar-se sobre si mes­mo, coin­ci­dente com a “divin­dade”, con­ce­bi­da como um “Grande Si indifer­en­ci­a­do e impes­soal”.
  • Nas filosofias mís­ti­cas e esotéri­c­as do extremo ori­ente não existe espaço para um con­hec­i­men­to amoroso de Deus, enquan­to não existe um Deus dis­tin­to do homem; não existe um colóquio entre homem e Deus, mas um solilóquio do «homem-“deus”» con­si­go mes­mo ou uma imer­são do homem no Todo impes­soal e inde­ter­mi­na­do. O fim da con­cen­tração ori­en­tal é faz­er o homem ter con­sciên­cia de não ser uma criatu­ra de Deus, mas uma Total­i­dade de iden­ti­dade com a “divin­dade”. Por isso, con­cen­tran­do-se o homem deve chegar a con­ce­ber-se como impes­soal e como uma amal­ga­ma entre mun­do, “divin­dade” e se mes­mo pes­soal­mente inex­is­tente, que é uma partícu­la do Todo inde­ter­mi­na­do. O anu­la­men­to da con­sciên­cia da própria per­son­al­i­dade, indi­vid­u­al­ista (ser indi­vi­so em si e dis­tin­to de todos os out­ros) e a con­sciên­cia da unidade com o Todo ou “Si inde­ter­mi­na­do” é o fim ulti­mo da con­cen­tração e da filosofia ori­en­tal. O fato de con­hecer-se como “indi­vid­uo”, eu, pes­soa é uma ilusão (“maya”) que o homem deve perder através da con­cen­tração, que o lib­era assim do sofri­men­to (“nir­vana”, esta­do de indifer­ença ou lib­er­ação), o qual é o con­hec­i­men­to da real­i­dade obje­ti­va, que muitas vezes obstac­u­la os dese­jos do ini­ci­a­do.
  • A oração cristã nos faz tomar con­sciên­cia des­ta difi­cul­dade e com a aju­da de Deus nos obtém a força de aceitá-la e superá-la; enquan­to a “con­cen­tração” ou “des­do­bra­men­to” ori­en­tal nos faz perder a noção da real­i­dade obje­ti­va e nos ilude de não ser­mos “ilu­di­dos”, ou seja, ser uma parte do Todo.
  • Uma out­ra grande difer­ença entre oração cristã e “con­cen­tração” ori­en­tal é que os méto­dos ori­en­tais são téc­ni­cas pura­mente humanas e nat­u­rais de natureza psi­cológ­i­ca  des­ti­nadas a faz­er o homem esque­cer sua indi­vid­u­al­i­dade e os seus prob­le­mas, levan­do o ao esta­do de indifer­ença ou feli­ci­dade na própria iden­ti­fi­cação com o Todo “deus-mun­do” ». O eso­ter­is­mo é a base e o fun­da­men­to da con­cen­tração ori­en­tal: esse é um con­hec­i­men­to nat­ur­al (gno­sis) que “sal­va”, lib­er­ta ou aper­feiçoa o homem fazendo‑o chegar a con­sciên­cia da própria iden­ti­dade com o «mundo-“divindade”. A Religião cristã, ao invés, é a Rev­e­lação div­ina a qual se adere pelo dom sobre­nat­ur­al e gra­tu­ito da Graça e da Fé e se vive através da oração ou oração men­tal, com o auxílio da Graça div­ina ou sobre­nat­ur­al. Entre as duas existe uma difer­ença qual­i­fica­ti­va infini­ta, a própria que inter­corre entre a natureza e a sobre­na­tureza.
  • A yoga é uma das for­mas mais con­heci­das de “con­cen­tração”. Essa deri­va da filosofia ori­en­tal hin­duís­ta, enquan­to o zen daque­la bud­ista [15]. Todas duas são ima­nen­tis­tas e pan­teís­tas. São uma espé­cie de “rito reli­gioso”. Todavia é impor­tante saber que as posições assum­i­das pelo cor­po do yogin (aque­le que prat­i­ca a yoga) não são for­mas ginas­ti­cas de relax­am­en­to mus­cu­lar, mas são doutri­nas espec­u­la­ti­vas-prat­i­cas que servem para aju­dar o ini­ci­a­do a chegar a esque­cer que pos­suí um cor­po, de ser um indi­vid­uo dis­tin­to de todos os out­ros. É pre­ciso mover-se e res­pi­rar o mín­i­mo pos­sív­el, inter­va­lan­do por tan­to quan­to pos­sív­el a inspi­ração e a expi­ração, sem­pre para per­mi­tir a con­sciên­cia do yogin lib­er­ar-se do  ônus do cor­po, que é essen­cial­mente mal­va­do, como tudo aqui­lo que é cor­póreo ou mate­r­i­al (aqui se vê clara­mente o influxo recípro­co entre cabala, maniqueís­mo, gnos­ti­cis­mo, cataris­mo e filosofia ori­en­tal, que influ­en­ciou não pouco tam­bém a filosofia européia anti­ga em ‘Platão e mod­er­na sobre­tu­do em Descartes e Schopen­hauer). Então o yogin deve abstrair os seus sen­ti­dos de todo obje­to exter­no e con­cen­trar-lhe ape­nas sobre si mes­mo ou o seu pen­sa­men­to (v. O “pen­sa­men­to pen­sa­do” de Gio­van­ni Gen­tile). Aqui o ini­ci­a­do chega a con­hecer dire­ta­mente, ou seja, a intuir sem medi­ação dos sen­ti­dos e do raciocínio  como se fos­se um anjo, a essên­cia de todas as coisas (ver o ontol­o­gis­mo de Male­branche, Giober­ti e Ros­mi­ni) [16]. Enfim se chega a iden­ti­fi­cação do sujeito com o obje­to (ver o ide­al­is­mo clás­si­co alemão) para anu­lar a con­sciên­cia do obje­to extra-men­tal e tornar o sujeito um obje­to de con­cen­tração. O sujeito que coin­cide com o obje­to sus­pende em tal modo todo dese­jo de coisas exter­nas, que é lib­er­a­do ou ilu­mi­na­do. O indi­vid­uo humano é dis­solvi­do como uma gota que cai em um grande oceano (ver Niil­is­mo filosó­fi­co pós-mod­er­nos de Niet­zsche, Freud, Esco­la de Frank­furt e Estru­tu­ral­is­mo francês).
  • Todos os méto­dos de “con­cen­tração” das filosofias mist­i­cas ori­en­tais, des­de o iní­cio, ten­dem a levar o ini­ci­a­do a anu­lar a con­sciên­cia da sua iden­ti­dade de indi­vid­uo humano, dis­tin­to dos out­ros, do mun­do e de Deus. Os méto­dos ou as téc­ni­cas são uma parte inte­grante da teo­ria ou filosofia ima­nen­tista e pan­teís­ta ori­en­tal que quer destru­ir no homem a con­sciên­cia racional do próprio eu, da própria per­son­al­i­dade e indi­vid­u­al­i­dade até o seu absorvi­men­to no Todo impes­soal ou no Vazio inde­ter­mi­na­do.

Con­clusão

1º) A ver­dadeira mís­ti­ca diz pas­sivi­dade ou não-resistên­cia ape­nas rel­a­ti­va­mente a moção espe­cial do Espíri­to San­to e não quan­to a ação humana, impul­sion­a­da pelo Pará­cli­to de for­ma hero­ica ou sobre-humana.

2º) O fal­so mist­i­cis­mo, ao invés, diz pas­sivi­dade total (ou seja, “não faz­er nada”) mes­mo no não viv­er a Vir­tude, no não resi­s­tir aos males morais.

3º) A con­se­quên­cia do fal­so mist­i­cis­mo, que é a cor­rupção da união trans­for­mante com Deus (“cor­rup­to opti­mi pes­si­ma”), com­por­ta a destru­ição da reta razão, da Fé sobre­nat­ur­al, da Moral obje­ti­va e da obe­diên­cia a Hierárquia ecle­siás­ti­ca, como Cristo a quis. Em breve com­por­ta o fim da ver­dadeira Religião (“si fieri potest”) e do homem ani­mal racional e livre.

4º) A fal­sa mist­i­ca infec­tou todas as épocas da história da Igre­ja: a antigu­idade com o Mon­tanis­mo, o medie­vo com os Begar­dos, a primeira parte da mod­ernidade com Lutero e o Qui­etismo, a segun­da parte da mod­ernidade com o mod­ernismo amer­i­can­ista e a pós-mod­ernidade com o neo­mod­ernismo pós-con­cil­iar dos movi­men­tos ou cam­in­hos, os quais vem hoje aprova­dos pelos vér­tices ecle­si­ais, enquan­to até os anos Cinqüen­ta do Sécu­lo XX toda desvi­ação era con­de­na­da e reprim­i­da. Isto é o prob­le­ma e o dra­ma da hora pre­sente, que somente a onipotên­cia e a justiça de Deus poderá resolver, ten­do o homem mod­er­no e con­tem­porâ­neo até ago­ra resis­ti­do a sua mis­er­icór­dia.

5º) O influxo do judaís­mo cabalís­ti­co se fez sen­tir pesada­mente durante o Con­cílio Vat­i­cano II (v. Nos­tra aetate, 1965) e no pós – Con­cílio através da atração prova­da de Karol Woyti­la (+ 2005) e Joseph Ratzinger por Mar­tin Buber (+ 1965) e Emmanuel Lév­inas (+ 1995), os quais fiz­er­am a cabala esotéri­ca hebraica elit­ista um fenô­meno de mas­sa servin­do-se do movi­men­to chas­sídi­co, como Freud fez do tal­mud­is­mo um fenô­meno de mas­sa através da psi­canálise.

6º) A “reli­giosi­dade” hin­duís­ta e bud­ista do extremo ori­ente, mais que uma Religião pos­i­ti­va (que une o homem a Deus, religião de reli­gare) é uma filosofia esotéri­ca e gnós­ti­ca, ima­nen­tista e pelo menos ten­den­cial­mente pan­teís­ta. Para essa não existe um Deus (“qui fas­tidioso divites dimisit inanes”) dis­tin­to do mun­do e tran­scen­dente e então não sub­siste uma Religião, mas uma vaga divin­dade impes­soal e inde­ter­mi­na­da, que faz um todo, com o mun­do e com o homem, e por­tan­to, é um con­hec­i­men­to mis­te­rioso, secre­to, elit­ista, gnós­ti­co e esotéri­co, que dis­tân­cia Deus do homem (“quem se exal­ta será humil­ha­do, quem se humil­ha será exal­ta­do”).

7º) Os “méto­dos de con­cen­tração” extremo-ori­en­tais não tem nada haver com a “oração” ou oração men­tal (med­i­tação e con­tem­plação) cristã. Na ver­dade, enquan­to a oração é um con­hec­i­men­to amoroso de Deus por parte do homem, que leva a união ou a viv­er jun­tos, emb­o­ra per­manecen­do dis­tin­tos (Deus é infini­ta­mente supe­ri­or a toda criatu­ra, mes­mo a angéli­ca); a “con­cen­tração” ori­en­tal (yoga ou zen) parte do fal­so pres­su­pos­to filosó­fi­co que o homem não é um indi­vid­uo dis­tin­to dos out­ros, do mun­do e de Deus; mas homem, divin­dade e mun­do, for­mam um “Todo” ou um “Vazio inde­ter­mi­na­do”. Tal fal­sa filosofia se serve da yoga ou zen para con­vencer o ilu­mi­na­do que ele é uma parte do “Todo” ou “uma gota d’água que se perde no Oceano da divin­dade”.

8º) As con­se­quên­cias morais da filosofia pan­teís­ta extremo-ori­en­tal são desas­trosas e con­duzem ao niil­is­mo filosó­fi­co, que sobre­tu­do do parox­is­mo do Sessen­ta e oito esta destru­in­do o homem con­tem­porâ­neo na razão, na moral e até no seu ser. Na ver­dade, se o homem é “uma gota que se perde no oceano” ele é uma partícu­la de um “Todo”, que então é um “Vázio” inde­ter­mi­na­do e poten­cial, ou seja, um “não ser” em per­pé­tuo divenire (NDT.:vir-a-ser). Por­tan­to, o homem, o mun­do e a divin­dade não são ou não exis­tem, mas tor­nam con­tin­u­a­mente sem jamais chegar ao ato.

9º) É pre­ciso escol­her: ou a reta filosofia, a ver­dadeira Religião e a oração volta­da para Deus cri­ador ou o absur­do filosó­fi­co do ima­nen­tismo pan­teís­ta, a fal­sa reli­giosi­dade pan­teís­ta e a con­cen­tração ilu­sion­ista, que tor­na o sujeito obje­to, como o “Mago Sil­vano”, que extraí o coel­ho da car­to­la e tor­na o espec­ta­dor um rebus acrôn­i­mo do “Coe-lho”. Ter­tium non datur. Parafrase­an­do Guénon: “Perdi­tio ex ori­ente!”

d. Curzio Nitoglia

25 de agos­to de 2011

http://www.doncurzionitoglia.com/falso_misticismo_e_vera_mistica.htm


Notas:

[1] Dom Ansel­mo Stolz osb, Teolo­gia del­la mist­i­ca, Bres­cia, Mor­cel­liana, 1940; Anto­nio Royo Marin op, Teolo­gia del­la per­fezione cris­tiana, tr. it., Roma, Pao­line, 1960.

[2] A. Stolz, L’ascesi cris­tiana, Bres­cia, Mor­cel­liana, 1943; Adol­fo Tan­querey, Com­pen­dio di Teolo­gia asceti­ca e mist­i­ca, tr. it., Desclée, Roma, 1928.

[3] S. Tom­ma­so d’Aquino, S. Th., II-II, q. 24, a. 9.

[4]P. Par­ente, Dizionario di Teolo­gia dom­mat­i­ca, Roma, Studi­um, 1957, IV ed., voce Qui­etismo. Cfr. C. Criv­el­li, Pic­co­lo Dizionario delle sètte protes­tanti, Roma, Civiltà Cat­toli­ca Editrice, 1945.

[5] O Mon­tanis­mo é uma here­sia de índole ascéti­co-espir­i­tu­al, surgiu em 170 d.C. na Frí­gia (Ásia menor) por obra de um cer­to Mon­tano, con­ver­tido ao cris­tian­is­mo. Ele começou a ter estran­hos fênom­enos “mist­icóides” de natureza patológ­i­ca ou preter­nat­ur­al. Duas mul­heres, Priscila e Max­i­m­il­ia, o seguiram e tiver­am fênom­enos analógi­cos. Mon­tano tam­bém pre­ga­va o fim do mun­do como próx­i­mo e a segun­da vin­da de Cristo sobre a ter­ra, lida em chave mile­nar­ista mais que escat­ológ­i­ca. Mais que uma dout­ri­na dog­máti­ca o Mon­tanis­mo é uma práti­ca ascéti­ca rig­orista. Na ver­dade, Mon­tano se declar­a­va pleno do Espíri­to San­to para dar nasci­men­to a um Cris­tian­is­mo mais per­feito (uma espé­cie de Ter­ceira Aliança joaquimi­ta ante lit­ter­am). Da Ásia o Mon­tanis­mo chega a Roma onde gan­hou Ter­tu­liano em 213, que morre mon­tanista fora da Igre­ja Católi­ca. Papa Zeferi­no con­de­nou o Mon­tanis­mo. (Cfr. Pio Pas­chi­ni, Lezioni di sto­ria eccle­si­as­ti­ca, Tori­no, 1930, I vol., p. 99; A. May­er, voce “Mon­tanis­mo”, in “Enci­clo­pe­dia Cat­toli­ca”, Cit­tà del Vat­i­cano, XII voll., 1949–1954).

[6] Os Begar­dos são uma das tan­tas seitas reli­giosas pul­u­lantes entre o XII e XIII sécu­los na Europa. Ess­es são uma derivação das Beguinas, mul­heres con­sagradas de vida cas­ta e pobre. No iní­cio eram orto­dox­os, mas depois começaram a se desviar, debil­mente as Beguinas, mas forte­mente os Begar­dos. O Con­cílio Ecumêni­co de Viena (1311–1312) con­de­nou os Begar­dos e as Beguinas (DB 471–478), sobre­tu­do, na dout­ri­na da impeca­bil­i­dade dos ini­ci­a­dos na sei­ta, os quais chega­do a um dado grau de per­feição não devem mais rezar, mor­ti­ficar-se, resi­s­tir as ten­tações, obe­de­cer a Hier­ar­quia e podem con­ced­er ao cor­po qual­quer sat­is­fação, que para os out­ros é pecaminosa, mas para os “per­feitos” não. Os “per­feitos” podem ver Deus face a face já na ter­ra com as suas capaci­dades, sem o Lumen glo­ri­ae, não devem demor­ar-se no cul­to a Humanidade de Cristo e da Eucaris­tia. (Cfr. F. Ver­net, Béghard­es, Béguines, in “D. Th.. C.”). Ess­es tem pon­tos de con­ta­to com os Frat­i­cel­li het­ero­dox­os, dis­tantes do Fran­cis­can­is­mo espir­i­tu­al,   sur­gi­ram nos tem­pos do Papa Nico­lau III, caíram em des­graça com Bonifá­cio VIII e foram con­de­na­dos em 1316 pelo Papa João XXII (Con­sti­tu­ição Glo­riosam Ecce­si­am, DB 484–490). A sua dout­ri­na é resum­i­da pela cita­da Con­sti­tu­ição apos­tóli­ca, como rebe­lião con­tra a Autori­dade da Igre­ja, da qual seri­am de duas espé­cies: uma pet­ri­na, car­nal, cor­rup­ta e rica que tem como chefe o Papa; e out­ra jovem espir­i­tu­al, pura e pobre da qual fazem parte os Frat­i­cel­li e os seus sequazes. O Matrimônio seria intrin­se­ca­mente mal, o fim do mun­do próx­i­mo. Todavia ess­es mes­mos indul­gen­ci­avam o sen­su­al­is­mo e negavam o dire­ito a pro­priedade pri­va­da, ten­den­do a uma for­ma de comu­nis­mo ante lit­ter­am (cfr. F. Ver­net, voce “Frat­i­celles”, in “D. Th. C.”).

[7] O Amer­i­can­is­mo nasce no fim do Sécu­lo XVII de um sac­er­dote amer­i­cano de nome P. Heck­er. Ele con­sciente da índole exu­ber­ante e ávi­da de liber­dade abso­lu­ta do povo amer­i­cano, insen­sív­el a metafísi­ca e amante do Prag­ma­tismo, lev­a­do pelas riquezas a cer­to hedo­nis­mo ascéti­co ou nat­u­ral­is­mo ao menos práti­co, havia bus­ca­do adap­tar ou atu­alizar a Religião Católi­ca ao espíri­to da filosofia prag­máti­ca amer­i­cana. Leão XIII na Car­ta ao Cardeal Gib­bons Testem benev­o­len­ti­ae (1889) con­de­nou a pos­si­bil­i­dade de adap­tação ou atu­al­iza­ção da dout­ri­na católi­ca as exigên­cias da filosofia e civ­i­liza­ção mod­er­na, sac­ri­f­i­can­do a metafísi­ca clás­si­ca e escolás­ti­ca, mit­i­gan­do o esforço ascéti­co, ori­en­tan­do-se para o democ­ra­tismo. Do pon­to de vista espir­i­tu­al, o amer­i­can­is­mo desval­oriza as Vir­tudes infusas e esconde para se agar­rar as vir­tudes ati­vas e nat­u­rais (ação, orga­ni­za­ção, pas­toral, asso­cia­cionis­mo e ativis­mo). O Papa reafir­mou o pri­ma­do da con­tem­plação (a qual se chega depois do esforço ascéti­co) sobre a ação e o ativis­mo (“here­sia da ação”); antes colo­cou em guar­da con­tra o peri­go de arru­inar-se moral­mente esque­cen­do a vida inte­ri­or e jogan­do-se no ativis­mo nat­ur­al e louco, que prepara a que­da no peca­do mor­tal e a danação eter­na.

[8] Cfr. P. Dudon, Le Quiétiste espag­nol Michel Moli­nos, Pari­gi, 1921.

[9] Cfr. E. Zof­foli, Ver­ità sul cam­mi­no neo­cate­c­u­me­nale. Tes­ti­mo­ni­anze e doc­u­men­ti, Udine, Il Seg­no, 1996. www.edizionisegno.it

[10] Cfr. F. Spadafo­ra, Pen­te­costali & Tes­ti­moni di Geo­va, Rovi­go, Isti­tu­to Padano Arti Gra­fiche, 1980.

[11] Cfr. M. Eli­ade (diret­ta da), Enci­clo­pe­dia delle reli­gioni, vol. 13, Reli­gioni dell’Estremo Ori­ente, Milano-Roma, Jaca Book-Cit­tà Nuo­va, 2007.

[12] Cfr. M. Aniol, Può un cris­tiano pre­gare uti­liz­zan­do i “meto­di ori­en­tali” di con­cen­trazione?, Pes­sano (MI), Mimep-Docete, 1990.

[13] Cfr. J. M. de La Croix, La Reli­gione e le reli­gioni, Pes­sano (MI), Mimep-Docete, 1990. Per l’induismo si leg­ga M. Quéguin­er, Intro­duzione all’induismo, Milano, EMI, 1984; M. Eli­ade, Enci­clo­pe­dia delle Reli­gioni (diret­ta da), vol. 9, Induis­mo, Milano-Roma, Jaca Book-Cit­tà Nuo­va, 2006; G. Filo­ramo, (diret­ta da), La grande sto­ria delle reli­gioni, vol. 5, Induis­mo. Spir­i­tu­al­ità e tradizione sulle rive del Gange, Bari, Lat­erza, 2005. Per il bud­dis­mo v. M. Zago, Bud­dis­mo e Cris­tianes­i­mo in dial­o­go, Roma, Cit­tà Nuo­va, 1985; M. Eli­ade, (diret­ta da) Enci­clo­pe­dia delle reli­gioni, vol. 10, Il Bud­dhis­mo, Milano-Roma, Jaca Book-Cit­tà Nuo­va, 2006; H. de Lubac, Bud­dis­mo e occi­dente, Milano, Jaca Book, 1987; G. Filo­ramo (diret­ta da), La grande sto­ria delle reli­gioni, vol. 4, Bud­dis­mo. Reli­gioni dell’Estremo Ori­ente, Bari, Lat­erza, 2005.

[14] Atenção em não con­fundir “in-fini­to”, com “in-deter­mi­na­do”. Na ver­dade “in-fini­to” é ausên­cia de lim­ites ou criat­u­ral­i­dade. O lim­ite ou a criat­u­ral­i­dade são uma imper­feição do homem enquan­to criatu­ra, ape­nas o infini­to, que não tem lim­ites e não é cri­a­do, é per­feito e é Deus. Enquan­to “deter­mi­na­do” sig­nifi­ca atu­a­do. Ora, ato diz  per­feição a respeito da potên­cia, inde­ter­mi­nação diz diz respeito a poten­cial­i­dade e per­feição. Ao invés o inde­ter­mi­na­do é aqui­lo que fal­ta de ato, per­feição. Por­tan­to inde­ter­mi­na­do e Infini­to são dois con­ceitos con­trários, como Deus Ser Cri­ador e ente cri­a­do, lim­i­ta­do e fini­to.

[15] Lo zen è un deriva­to del­lo yoga clas­si­co, come il bud­dis­mo dall’induismo.

[16] Cfr. M. Eli­ade, Patañ­jali et le yoga, Pari­gi, Seuil, 1982.