P. CURZIO NITOGLIA: O SIONISMO: TRIUNFO APARENTE E FIM REAL DE ISRAEL?


História, Política / segunda-feira, dezembro 31st, 2012

Padre Curzio Nitoglia

Tradução: Ged­er­son Fal­cometa

·         Saiu em 2005, traduzi­do do orig­i­nal em lín­gua ingle­sa (2004), um inter­es­sante livro, ain­da que não con­di­visív­el in toto, de Yakov M. Rabkin [1], pro­fes­sor do Depar­ta­men­to de História da Uni­ver­si­dade de Mon­tre­al, vis­it­ing schol­ar em Yale Uni­ver­si­ty e tam­bém em Tel Aviv.

Uma das sur­pre­sas que nos reser­va o pro­fes­sor canadense de origem rus­sa-israe­lense, e então não acusáv­el de anti-“semitismo”, é aque­la segun­do a qual «entre os sus­ten­ta­dores incondi­cionais de Israel exis­tem mais ‘cristãos’ que hebreus» [2]. Segun­do «o pre­gador ‘evan­ge­lista’ Jer­ry Fal­well […], a fun­dação do Esta­do de Israel em 1948 é a “a pro­va que o retorno de Jesus Cristo esta próx­i­mo” » [3].

Tal idéia é lev­a­da adi­ante não só pelos judeus sion­istas, mas sobre­tu­do pelos “cristãos evangéli­cos” [4] e – acres­cen­to eu – pelos “católicos/modernistas” a par­tir do Con­cílio “Econômi­co” [5] Vat­i­cano II e a Declar­ação Nos­tra Aetate de 1965 até os nos­sos dias. Na ver­dade, o “17 [6] de janeiro de 2010, ouvi­mos o coro do Tem­p­lo Maior hebraico romano can­tar diante de Ben­to XVI “Esper­amos o Mes­sias”.

Mas, para nós católi­cos-romanos Jesus é o Mes­sias e veio a 2010 anos atrás, fun­dou uma Igre­ja sobre Pedro e seus suces­sores, os Papas, que são os seus “Vigários” na ter­ra. Ago­ra, como nun­ca antes, diante do Vigário do Mes­sias já vin­do, se can­ta “Esper­amos o Mes­sias porvir? Talvez, nós católi­cos romanos sejamos muito anti­qua­dos para poder­mos enten­der que ten­ha ocor­ri­do um “aggior­na­men­to” em chave pas­toral a‑dogmática? Em real­i­dade isto é como o cumpri­men­to daqui­lo que diziam Domeni­co Giuliotti:“coisa para empalide­cer o infer­no” e Padre Pio: “cer­tos home­ns são piores que o dia­bo”. Se fos­sem estúpi­dos ou loucos, não teri­am cul­pa, mas são dia­boli­ca­mente inteligentes e esper­tos, onde são inde­s­culpáveis. Feliz­mente alguns Bis­pos católi­cos estão des­per­tan­do; é famoso o caso de mons. Tadeusz Pironek, ex Secretário da Con­fer­ên­cia Epis­co­pal Polone­sa, que declar­ou: «Os Israe­lens­es não respeitam os dire­itos humanos dos Palesti­nens­es. A Shoah não é ape­nas hebraica, mas diz respeito a católi­cos e Pola­cos. O Holo­caus­to enquan­to tal, é uma invenção dos hebreus» (Pon­tif­ex, 25 de janeiro de 2010, p. 2 e Cor­riere del­la Sera, 26 de janeiro de 2010, p. 17). Isto foi segui­do por Mons. Simone Sta­tizzi, Bis­po eméri­to de Pistóia, Mons. Ennio Appig­nane­si, arce­bis­po eméri­to de Poten­za, Mons. Vicen­zo Fran­co, Bis­po eméri­to de Otran­to, Mons. Felice Leonar­do, Bis­po eméri­to de Telese, com declar­ações “teo­logi­ca­mente incor­re­tas” em todo cam­po (v. sì sì no no, 15 feb­braio 2010, pp. 6–8). Em cam­po laico, o pro­fes­sor Antônio Carac­ci­o­lo, que foi ameaça­do de expul­são da Uni­ver­si­dade La Sapien­za de Roma onde ensi­na, por ter expres­so o dese­jo de “pesquis­ar” a ver­dade históri­ca sobre a real enti­dade shoah, sendo ele um “Pesquisador” de profis­são e pago para isto, não se deixou ate­morizar, mas pas­sou ao con­tra-ataque e foi absolvi­do com fór­mu­la dis­ci­pli­nar ple­na no pro­ced­i­men­to dis­ci­pli­nar, que o seu Reitor havia dese­ja­do deman­dar ao Colé­gio, de Dis­ci­plina do Con­sel­ho Uni­ver­sitário Nacional, o qual desen­volveu os seus tra­bal­hos e se pro­nun­ciou em 13 de janeiro de 2010. Em via excep­cional, esta­va pre­sente o próprio Reitor, o qual após ler as ale­gações defen­si­vas do Prof. Carac­ci­o­lo e escu­tar os seus três advo­ga­dos, decid­iu reti­rar qual­quer req­ui­sição de sanção [7]. Val­ha de exem­p­lo sobre­tu­do para nós “ecle­siás­ti­cos”.

 

·         No seu livro Rabkin expli­ca que a oposição ao sion­is­mo e ao Esta­do de Israel é expres­sa pelos rabi­nos orto­dox­os, pelos hebreus reli­giosos [8] e por aque­les lib­erais em nome da Torah e em nome do paci­fis­mo ou defe­sa dos dire­itos humanos, em espé­cie dos Palesti­nos. Ao invés, entre nós goyjim se equipara anti­sion­is­mo a anti­semitismo. Talvez este zelo intem­pes­ti­vo dos Gen­tios nos con­fron­tos do sion­is­mo seja a pro­va dos nove de uma pia­da de tradição chas­sídica con­ta­da tam­bém por Moni Ovadia:”Sabes porque os hebreus são todos inteligentes? Porque os estúpi­dos lhes bati­zam!”. Essa é uma pro­va dos nove da val­i­dade teóri­ca do ante-“scemitismo” do qual já escreve­mos sobre este site.

 

·         A atu­al­i­dade do livro de Rabkin ultra­pas­sa a querela entre hebreus reli­giosos, liberal/pacifistas e nacional/sionistas, para mostrar «quão grave é a apos­ta em jogo para o con­jun­to do povo hebreu, ain­da mais hoje que o Esta­do sion­ista bus­ca impor a própria hege­mo­nia políti­ca e mil­i­tar sobre a região, con­fig­u­ran­do uma ameaça para os hebreus ain­da mais fun­da­men­tal que a hos­til­i­dade árabe e palestinense»[9] e – ousarei diz­er – que aque­la ger­mâni­ca de 1942–45.

Leitu­ra “hebraica não-sion­ista” da shoah

 

·         A shoah é vista pelos hebreus reli­giosos como uma espé­cie de repetição da destru­ição de Jerusalém e do seu Tem­p­lo por parte de Tito [10]. Para os hebreus reli­giosos e a‑sionistas a causa de tal “catástrofe” (tradução exa­ta de “shoah”, que não sig­nifi­ca “holo­caus­to”), assim como de out­ras foi a infi­del­i­dade a Deus por parte do povo hebraico: em 70 e 135 destru­ição do Tem­p­lo, de Jerusalém real­iza­da por Tito e da Judéia real­iza­da por Adri­ano; em 1492 expul­são dos hebreus da Espan­ha; em 1942–45 a “shoah” dos hebreus da Europa norte-ori­en­tal depois da declar­ação de guer­ra do judaís­mo sion­ista ao III Reich ger­mâni­co em 1933. Mes­mo o grande rabi­no sefardi­ta de Jerusalém, OVADIA YOSEF, declar­ou: «as víti­mas da shoah são as almas dos pecadores aske­naz­i­ti reen­car­na­dos e cas­ti­ga­dos pelos Alemães» (La Stam­pa, 7 de agos­to de 2000, p. 11). Ele, de fato, é um con­heci­do cabal­ista e acred­i­ta cabal­is­ti­ca­mente na reen­car­nação das almas. Sem­pre La Stam­pa de Turim no mes­mo arti­go comen­ta: «Out­ro a tornar os nazis­tas instru­men­to divi­no, Yoséf avalia o con­ceito da respon­s­abil­i­dade dos hebreus na própria perseguição». Inter­vém tam­bém o grande rabi­no aske­nazi­ta de Jerusalém, MEIR LAU, (entre­vis­ta­do no mes­mo cotid­i­ano, no mes­mo dia e no referi­do arti­go) e, emb­o­ra não entran­do, em uma dis­pu­ta teológ­i­ca anti-cabalís­ti­ca/se­fardi­ta sobre a reen­car­nação, afirma:«o con­ceito sefardi­ta nas suas con­clusões é sim­i­lar aque­le que usa­va a Igre­ja quan­do sus­ten­ta­va que os hebreus estavam des­ti­na­dos a expi­ar o Deicí­dio . Dois dias depois, em 9 de agos­to de 2000, o rabi­no chefe de Turim ALBERTO SOMÈK, sefardi­ta, lança uma lon­ga e impor­tante entre­vista no La Stam­pa (pági­na 21), no qual expli­ca que «As declar­ações de Ová­dia Yoséf longe de ter lig­ações com a políti­ca medio ori­en­tal, refletem um debate todo inter­no no hebraís­mo como religião. Sobre o plano teológi­co a reen­car­nação tem sól­i­das bases (Tal­mude da Babilô­nia, Kid­dushin 72ª), sobre­tu­do depois da expul­são dos hebreus da Espan­ha. As palavras de Yoséf sus­ci­tam escân­da­lo porque ata­cam uma teolo­gia alter­na­ti­va: ”O silên­cio de Deus”, que leva a negação da sua onipotên­cia ou tam­bém da sua existên­cia, a qual repreende as teo­rias filosó­fi­cas mod­er­nas e laicis­tas da “Morte de Deus”. Rav Yoséf quer lançar as bases teo­logi­ca­mente orto­doxas da shoah sim­i­lar a destru­ição do Tem­p­lo e a expul­são da Espan­ha». Em 15 de agos­to é a vol­ta do rabi­no sefardi­ta Sholò­mo Ben­zìri, que afir­ma: «Durante o holo­caus­to os pio­neiros sion­istas [aske­naz­i­ti] se inter­es­savam mais pelas próprias vacas do que em sal­var a Comu­nidade hebraica orto­doxa na Europa. Os Pais do sion­is­mo as aban­donaram ao próprio des­ti­no. Come­ter­am um crime imper­doáv­el» (La Stam­pa, p. 1). Seria inter­es­sante (e tam­bém lógi­co e coer­ente) se os hebreus sefardi­tas acusassem os aske­naz­i­ti de “crime con­tra a Humanidade” e lhes lev­assem a um “Nurem­berg-bis”.

 

A Ale­man­ha agre­di­da pelo sion­is­mo

 

·         Autor con­fes­sa hon­es­ta­mente que foi primeiro «a ala mais com­bat­i­va do sion­is­mo a ter um dis­cur­so agres­si­vo nas relações com o novo [1933] gov­er­no alemão. Jabotin­sky age como se fos­se o coman­dante supre­mo das forças armadas hebraicas. Ele ata­ca a Ale­man­ha pela rádio ofi­cial polone­sa» [11] e o “Dai­ly Express” de 24 de março de 1933 em primeira pági­na inti­t­u­la: “Judea declares war on Ger­many. Jews of all the world unite in action. Boy­cott of ger­man goods. Hitler tin­ha acaba­do de assumir o poder (janeiro de 1933). O próprio Rabkin, que não é cer­ta­mente um nazista ou anti­s­semi­ta, escreve:«Os sion­istas tin­ham declar­a­do guer­ra a Hitler e ao seu país muito antes da segun­da guer­ra mundi­al, teri­am chama­do para um boicote econômi­co da Ale­man­ha, des­en­cade­an­do a rai­va do dita­dor [12]. […] São estes “home­ns de Esta­do” que em 1933 orga­ni­zaram o irre­spon­sáv­el boicote con­tra a Ale­man­ha […], que trouxe a des­graça sobre os hebreus na Europa» [13]. Rabkin con­tin­ua: «Todos os críti­cos acusam os líderes sion­istas de terem se ocu­pa­do mais de um futuro Esta­do que pela sorte dos hebreus […], assim muitas ten­ta­ti­vas de sal­var os hebreus na Hun­gria e em out­ros lugares encon­trari­am uma resistên­cia por parte dos diri­gentes sion­istas» [14]. Fran­ca­mente nos expli­ca que não os anti­s­semi­tas, mas «os hared­im e aque­les que provém do ambi­ente hebraico lib­er­al foram talvez os primeiros a com­parar os sion­istas aos nazis­tas […] pelo cul­to da força e a ado­ração do Esta­do. Estas com­para­ções, na época bas­tante fre­quentes, […] foram retomadas depois pela pro­pa­gan­da soviéti­ca e, mais tarde, por muitas mídias árabes» [15]. As Leis raci­ais de Nurem­berg são de 1935, dois anos depois da declar­ação de guer­ra do judaís­mo sion­ista a Ale­man­ha.

 

Per­icu­losi­dade apoc­alíp­ti­ca do sion­is­mo

 

Segun­do muitos pen­sadores hared­im «a shoah e o Esta­do de Israel não con­stituem de fato, acon­tec­i­men­tos antitéti­cos – destru­ição e recon­strução -, mais um proces­so con­tin­uo: a erupção final das forças do mal […]. A tradição judaica con­sid­era arrisca­da toda con­cen­tração de hebreus em um mes­mo lugar. Os críti­cos hodier­nos fazem obser­var que as pre­visões mais graves pare­cem realizar-se, porque o Esta­do de Israel se tornou “o hebreu entre as Nações” e o País mais perigoso para um hebreu» [16]. No capí­tu­lo VII do seu livro Rabkin apro­fun­da este tema:«O Esta­do de Israel está em peri­go […]. Aqui­lo que vin­ha apre­sen­ta­do como um refú­gio, mes­mo o refú­gio por excelên­cia, teria se tor­na­do o lugar mais perigoso para os hebreus. São sem­pre mais numerosos os israe­lens­es que se sen­tem pre­sos em uma “armadil­ha san­guinária”. […] E cresce o número de quan­tos exprimem dúvi­das acer­ca da sobre­vivên­cia de um Esta­do de Israel cri­a­do no Ori­ente Médio, naque­la “zona perigosa” […]. Os teóri­cos do anti­sion­is­mo rabíni­co sus­ten­tam […] que a shoah seja ape­nas o iní­cio de um lon­go proces­so de destru­ição, que a existên­cia do Esta­do de Israel só faz agravar. […] Con­cen­trar [5–6] mil­hões de hebreus em um lugar assim perigoso beira a lou­cu­ra sui­ci­da» [17]. Analoga­mente ao que suce­dem em Mas­sa­da em 73. Mas a história não parece ser mais “mag­is­tra vitae”.

 

Con­clusão

 

a)   Enquan­to no “oci­dente” os goyjim são obceca­dos pela shoah, como por “um pas­sa­do que não pas­sa” (Sér­gio Romano), em Israel se começa a enten­der que a shoah é o iní­cio de um lon­go proces­so de destru­ição. Na ver­dade Israel aparece como uma armadil­ha arriscada­mente cru­en­ta para os cer­ca de seis mil­hões de hebreus con­cen­tra­dos em um mes­mo lugar.

 

b)    Aqui­lo que pode­ria pare­cer ini­cial­mente um mag­ní­fi­co tri­un­fo ou um belís­si­mo son­ho esta se rev­e­lando sem­pre mais um ter­rív­el fra­cas­so e um tremen­do proces­so de autode­stru­ição. Jus­ta­mente Rabkin vê em Israel um peri­go para a inteira humanidade, que pode­ria levar a uma “catástrofe” de pro­porções mundi­ais.

 

DON CURZIO NITOGLIA

 

16 feb­braio 2010

http://www.doncurzionitoglia.com/sionismo_trionfo_e_fine_israele.htm

Notas:

[1] Yakov M. Rabkin, Una minac­cia inter­na. Sto­ria dell’opposizione ebraica al sion­is­mo, [2004] Verona, Ombre corte, 2005. [email protected] (pagine 286, euro 18, 50).

·         Des­de a “Intro­dução” o Autor recusa toda ten­ta­ti­va de faz­er pas­sar por anti­s­semi­ta aque­les que rejeitam o sion­is­mo em nome da Torah. Na ver­dade, o Esta­do de Israel não cor­re­sponde aos cânones reli­giosos dos rabi­nos tal­mud­is­tas, mas é mais «uma enti­dade nacional no sen­ti­do europeu do ter­mo » (p. 216).. Segun­do os hebreus, ao invés, «o Tem­p­lo pode descer do céu em qual­quer momen­to […], afim de que nen­hum acred­ite que o Tem­p­lo seja recon­struí­do pelo homem […]. A inteira cidade de Jerusalém pode descer do céu e não pode derivar do esforço humano (ivi).

 

·         Cfr tam­bém Scon­fig­gere Hitler. Per un nuo­vo umanes­i­mo ebraico [2007], Vicen­za, Neri Poz­za, 2008. www.neripozza.it (pagine 407, euro 19). O Autor (nasci­do em Israel em 1955 fil­ho de um min­istro israe­lense, já dep­uta­do entre os tra­bal­hadores e Pres­i­dente do Par­la­men­to israe­lense) expli­ca que a memória da shoah deixou Israel indifer­ente ao sofri­men­to dos out­ros. Ele propõe re-avaliar a Diás­po­ra dante do surg­i­men­to de novas “teo­ria raci­ais hebraicas , o desen­volvi­men­to hiper-nacional­ista do Esta­do de Israel e a definição do sion­is­mo quase exclu­si­va­mente em relação a shoah, já que a sociedade israe­lense não pode viv­er na sobra do pas­sa­do holo­caus­ti­co. Burg descreve o País no qual vive, como um Esta­do mil­i­tarista e mil­i­ta­riza­do, xenó­fobo, obceca­do pela shoah, em mão de uma mino­ria extrem­ista, forte­mente vul­neráv­el. Assim, con­segui demolir algu­mas pilas­tras dos pro­pa­gan­dis­tas sobre as quais se rege o Esta­do de Israel. O seu livro, apare­ceu em Israel em 2007, sus­ci­tou uma grande dis­cussão que até ago­ra não foi fecha­da.

[2] Y. M. Rabkin, cit., retro cop­er­ti­na.

[3] Cfr. Id., p. 168.

[4] Id., ivi.

[5] Se diz que João XXIII sendo um agu­do “per­scru­ta­dor dos sinais dos tem­pos”, havia nota­do que o boom econômi­co dos anos Cinquen­ta não duraria por um lon­go tem­po e seria deti­do no fim da déca­da de Sessen­ta, assim para “poupar” certezas, muito fadigosas e empen­hantes, do dog­ma, que um con­cílio econômi­co, “pas­toral” ou “bucóli­co”, menos empen­hante, dis­pendioso e ao pas­so com os tem­pos de crise que viri­am, os quais nos colo­cari­am no “verde”. E a história lhe deu ampla­mente razão. De fato, os anos Sessen­ta foram aque­las da famosa aus­ter­i­ty.

[6] Tam­bém aqui, qual­quer super­sti­cioso pode­ria diz­er que tal número jun­to ao “13” [abril de 1986, visi­ta de João Paulo II a sin­a­goga de Roma] por­ta “infortúnio”. Como um vel­ho provér­bio recita: “nem vênus nem marte, não se esposa nem se parte e não se dá ini­cio a arte”,  o novo soa: “nem de treze  nem de dezes­sete, não se tra­ta com os sete”

[7] Aque­les que quis­erem pode enviar ao endereço [email protected] a sua adesão para a con­sti­tu­ição de um “Comite europeu pela defe­sa da liber­dade de pen­sa­men­to”. As adesões devem ser redigi­das com o nome, sobrenome, profis­são e quais­quer out­ras infor­mações uteís. Os dados são reser­va­dos e serão uti­liza­dos ape­nas para as final­i­dades asso­cia­ti­vas.

[8] Fiamma Niren­stein con­ta que um pequeno hebreu hared­im ou reli­gioso “de estre­i­ta observân­cia”, insti­ga­do pelos gen­i­tores e pelos rabi­nos, uri­nou sobre os pés do gen­er­al Moshè Dayàn, que, entrou em Jerusalém les em 1967, não que­ria ocupá-la total­mente. Nat­u­ral­mente o bom gen­er­al sabra per­maneceu sion­is­ti­ca­mente impassív­el e “fechou um olho” pas­san­do out­ro.

[9] Id, ivi.

[10] Cfr. Id., p. 187.

[11] Id., p. 195.

[12] “Vim vi repellere licet”, inseg­na il Dirit­to nat­u­rale e romano.

[13] Id., p. 196.

[14] Id., p. 198.

[15] Id., p. 202.

[16] Id., pp. 210–211.

[17] Id., pp. 213–215.

·         Quan­to a questão aci­ma expos­ta, GIORGIO ISRAEL no Il Gior­nale (29 de janeiro de 2010, p.1) escreve: «É o Irã o ver­dadeiro herdeiro dos nazis­tas» assev­era que Ali Khamenei, Ali Lar­i­jani e Mamo­hud Ahmadine­jead querem a destru­ição de Isral e dos hebreus como Hitler. Ao invés, o pro­fes­sor de “Estu­dos irar­i­a­ni­anos” na Sor­bone Nou­velle de Paris, YANN RICHARD (expul­so do Irã enquan­to antikhome­ineista), no seu últi­mo livro L’I­ran de 1800 à nos jours, (Paris, Flam­mar­i­on, 2009) expli­ca, com riqueza de refer­ên­cias, que o Xá da Pér­sia defen­estra­do em 1978–79 por Khome­i­ni era um monar­ca manip­u­la­do pelos inter­ess­es estrangeiros e sobre­tu­do anglo-amer­i­canos, em função petrolífera e anti-soviéti­ca/­pan-árabe. Então a rev­olução de Khome­i­ni (+1989) foi uma ver­dadeira rev­olução que instau­rou uma repúbli­ca islâmi­ca no lugar de uma monar­quia cor­rup­ta e sub­serviente aos estrangeiros. Pro­pri­a­mente por isto, os EUA finan­cia­ram Sad­dam Hus­sein na guer­ra con­tra o Irã (1980–1988). Cer­ta­mente o islã é o val­or dom­i­nante da repúbli­ca ira­ni­ana, mas se tra­ta de um islã mod­er­no, pro­gres­sista, aber­to as for­mas par­la­mentares, anti-impe­ri­al­ista e filo-palesti­nense. Um dos inimi­gos do Irã é o Afe­gan­istão dos Tal­ibãs islâmi­cos wahabiti e fer­oz­mente anti-xiitas. No Afe­gan­istão foram mas­sacra­dos cer­ca de quinze diplo­matas ira­ni­anos pelos Tale­bans waha­bati em Mazar-i-Sharif, no norte do país. O pro­fes­sor Richard expli­ca que o ver­dadeiro rad­i­cal­is­mo islâmi­co não é aque­le san­ni­ta do Iraque de Sad­dam, nem aque­le xiita do Irã de Ahmadine­jead, mas aque­le wahabi­ta afegão. O Irã se implan­tou como o primeiro entre os país­es muçul­manos com o Pres­i­dente anti-Tale­ban Hamid Karzài no Afe­gan­istão. Lutou con­tra Sad­dam tam­bém em 2003, enquan­to sus­ten­tou os xiitas libane­ses do Hezbo­lah e os Palesti­nos do Hamas.  Mes­mo o anti-judaís­mo não tem nen­hum peso no Irã onde os hebreus con­tin­u­am a viv­er com dire­ito a cidada­nia. Os dis­cur­sos con­tra o Esta­do de Israel de Ahmadine­jead são anti-sion­istas e não anti-semi­tas ou anti-hebreus. Ess­es são ampli­fi­ca­dos pela mídia oci­den­tal, enquan­to o Irã não tem a força béli­ca sufi­ciente para destru­ir Israel. A ameaça nuclear ira­ni­ana é mais um dis­sua­si­vo que o país pode­ria desen­volver em caso de um novo con­fli­to, esti­lo aque­le de 1980–1988, que arma uma ofen­si­va pronta a ser uti­liza­da even­tual­mente con­tra Israel. Cer­ta­mente des­de o começo da rev­olução khome­ineista o poder no Irã oscilou entre “democ­ra­cia” (ao con­trário da vel­ha monar­quia Xá) e lei islâmi­ca, que é a atu­al denom­i­nação do Irã: os reli­giosos tem a guia do país, mas aceitaram as regras par­la­mentares, ess­es se fazem pal­adi­nos da luta con­tra o comu­nis­mo, o impe­ri­al­is­mo super cap­i­tal­ista oci­den­tal (anglo-amer­i­cano) e do apoio ao nacional­is­mo árabe. Con­tra Ahmadine­jad esta em ato uma espé­cie de “rev­olução ave­lu­da­da” con­duzi­da por Mous­savi, Kar­roubi e Khata­mi como aque­las sus­ci­tadas pelos EUA na Geór­gia e Ucrâ­nia con­tra Putin.

 

·         «Mes­mo alguns int­elec­tu­ais lei­gos se per­gun­tam se o Esta­do de Israel não este­ja cam­in­han­do dire­to para o suicí­dio cole­ti­vo» como sucedeu em Mas­sa­da em 15 de abril de 73 (Rabkin, cit., p. 228). «O tema do peri­go apoc­alíp­ti­co que o Esta­do de Israel rep­re­sen­ta para o mun­do inteiro retor­na reg­u­lar­mente nos dis­cur­sos anti-sion­istas: a difusão do ter­ror­is­mo sui­ci­da do Ori­ente Médio aos qua­tro can­tos da ter­ra […]. Alguns rabi­nos hared­im estão pre­ocu­pa­dos pelo peri­go uni­ver­sal con­sti­tuí­do pelo Esta­do de Israel para a inteira humanidade […], a cri­ação de Israel […] levaria a uma ‘catástrofe’ [em hebraico “shoah”] de pro­porções mundi­ais» (p. 229).