MUNDIALISMO, BENSON, ORWELL E O CARDEAL NEWMAN – 2a parte


Escatologia, Literatura / segunda-feira, dezembro 31st, 2012

Orwell 1984 — New­man e lib­er­al­is­mo

d. CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

28 dicem­bre 2010

http://www.doncurzionitoglia.com/mondialismo_orwell_e_newman.htm

 

 

a) GEORGE ORWELL “1984”

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Pro­l­o­go

Em 1903 Eric Arthur Blair, ver­dadeiro nome de George Orwell, nasce em Ben­gala, onde o pai é fun­cionário estatal do Reino Unido. Em 1904 retor­na a Inglater­ra com a mãe. Em 1922 se alista na Polí­cia impe­r­i­al indi­ana em Bir­mâ­nia. Em 1936 se inscreve no Par­tido social­ista inglês e parte vol­un­tário para aju­dar os “ver­mel­hos” na guer­ra civ­il espan­ho­la. Porém, ali é persegui­do pelos comu­nistas stal­in­istas, porque ele é trotzk­ista; em 1939 é expul­so da Espan­ha como anárquico pelos “ver­mel­hos” (e não por Fran­co). Em 1946 ini­cia a elab­o­ração do seu ulti­mo romance “1984” que dese­jou inti­t­u­lar “O ulti­mo homem da Europa” [1]; o ter­mi­na pouco antes de mor­rer em Lon­dres em 21 de janeiro de 1950. A sua for­mação social­ista ide­al­ista e utopista o acom­pan­hou por toda a vida. O próprio esti­lo do romance  lhe ressente: não é muito bril­hante, antes é com­paráv­el a per­ife­ria das grandes metrópoles hodier­nas, fal­ta esper­ança, é som­brio e angus­tiante. Todavia ele intu­iu que a sociedade esta­va se encam­in­han­do para uma homolo­gação e homo­geneiza­ção mundi­al­ista e glob­al­izante, para ele cumpri­da, porém, pelo comu­nis­mo real soviéti­co ou estal­in­ista e não pelo lib­er­al­is­mo maçôni­co, como para Ben­son e New­man. O romance é inter­es­sante, mas fal­ta a visão teológ­i­ca da história; cap­ta ape­nas a dimen­são socioe­conômi­ca e o lado desumano e total­itário do comu­nis­mo abso­lutista soviéti­co. Os traços que para Orwell car­ac­ter­i­zam a sociedade mundi­al­ista do futuro “1984” (para Ben­son foi o “1989”) são o total­i­taris­mo, a per­da da memória históri­ca, a fal­si­fi­cação de todo traço históri­co, a per­da do con­ta­to com o real, a cor­rupção da lin­guagem através do bar­baris­mo e neol­o­gis­mos de pés­si­mo gos­to, a anu­lação da iden­ti­dade do indi­vid­uo, que se perde na sociedade uni­ver­sal. Todavia per­manece um ulti­mo homem livre, que, porém, será aniquila­do sem algu­ma esper­ança (da qual como social­ista o Autor esta­va total­mente pri­va­do) do poder anôn­i­mo da “nova ordem mundi­al” e da mas­si­fi­cação total­i­tarista.

A tra­ma: glob­al­iza­ção cole­tivista

A primeira figu­ra do romance é a do “Big Broth­er”, que se encon­tra fix­a­da em for­ma de gigan­tografia em toda parte do mun­do e per­scru­ta com os seus olhos que se movem, todos os movi­men­tos dos cidadãos. A figu­ra é acom­pan­ha­da pelo escrito “O Big Broth­er te vigia” (p. 5). Além dis­so, em toda casa existe uma espé­cie de tele­visão que espia cada movi­men­to, cada respiro dos seus habi­tantes. Nada escapa ao poder cen­trar do “Big Broth­er”, o qual se serve de uma “psi­co-polí­cia” para perseguir sobre­tu­do, os deli­tos de opinião, mes­mo que não expres­sos explici­ta­mente  mas intuí­dos através da tela onipresente e das “espiãs” que ocu­pam quase todo espaço do “novo mun­do” (p.6). O pen­sa­men­to ou a filosofia da sociedade glob­al­iza­da é um hino a guer­ra con­tin­ua, a escra­vatu­ra e a ignorân­cia, con­tra a paz, a liber­dade e a for­t­aleza de âni­mo (p. 9). Todavia o per­son­agem prin­ci­pal do romance, Win­ston Smith, ou “o úni­co homem livre da Europa”, começa a escr­ev­er um diário, que o levará a tomar con­sciên­cia da sua real­i­dade indi­vid­ual, inteligente e livre. Tudo isto o con­duzirá a perseguição e a destru­ição por parte do Par­tido, que quer esma­gar todo homem inteligente, livre e respon­sáv­el pelos seus atos, que queira man­ter um grão de per­son­al­i­dade humana, para torná-lo um robô sob as ordens do Par­tido (p. 10). Há tam­bém um inimi­go do “Big Broth­er”, um cer­to Gold­estein, que traiu o ide­al total­i­tarista do Par­tido e é o “Inimi­go do Povo” por excelên­cia, deve ser abati­do custe o que cus­tar (p.15). O mun­do é divi­do, ain­da por pouco, em três imen­sos super-Esta­dos: a Oceâ­nia (Esta­dos Unidos e Império Britâni­co), a Eura­sia (Europa e Rús­sia) e a Esta­sia (Chi­na e Índia). A Oceâ­nia com cap­i­tal em Lon­dres, é gov­er­na­da pelo “Big Broth­er” seguin­do os princí­pios do social­is­mo inglês (“Soc­ing”, na neo-lín­gua), para o qual tudo é aparente­mente per­mi­ti­do, nada é explici­ta­mente proibido, exce­to pen­sar com a própria cabeça. O “Big Broth­er” é apre­sen­ta­do como uma espé­cie de novo “Sal­vador” (p. 19), mas mal­va­do, que faz pen­sar vaga­mente no Anti­cristo de Ben­son, do qual não tem nen­hum dos traços human­itários. A car­ac­terís­ti­ca dos per­son­agens do “novo mun­do” glob­al­iza­do é a «estu­pid­ez descon­for­t­ante, o entu­si­as­mo imbe­cil, a cega obe­diên­cia ao Par­tido» (p. 25). Somente des­ta for­ma podem viv­er imper­tur­báveis  em um mun­do tão vul­gar e con­tra­ditório, que não tem na mira a sal­vação eter­na na out­ra vida, mas uni­ca­mente a instau­ração de um reino mes­siâni­co ter­reno e mate­r­i­al nes­ta vida. Bus­car pen­sar e quer­er ser livre e respon­sáv­el pelas próprias ações humanas é con­sid­er­a­do um “psi­co-deli­to”, punív­el primeiro com a tor­tu­ra psi­cológ­i­ca pro­je­ta­da para destru­ir a con­sciên­cia pes­soal e depois com a morte físi­ca (p. 37). Win­ston Smith ten­do começa­do a escr­ev­er um diário pes­soal, já é um mor­to psi­co­logi­ca­mente e, fisi­ca­mente, próx­i­ma pre­sa da “psi­co-polí­cia”. A pro­pa­gan­da do Par­tido é volta­da para der­ro­tar a memória indi­vid­ual, para con­tro­lar a real­i­dade e induzir o homem a uma espé­cie de “bi-pen­sa­men­to”: acred­i­tar firme­mente diz­er a ver­dade, enquan­to pro­nun­cia as men­ti­ras mais arti­fi­ci­ais, reter vál­i­das duas afir­mações que se con­tradizem e se anu­lam mutu­a­mente, faz­er uso sofís­ti­co da lóg­i­ca con­tra a lóg­i­ca, negar a moral pro­pri­a­mente no próprio ato de afir­ma-la (p. 38). O pas­sa­do, a história não ape­nas foram mod­i­fi­ca­dos, mas destruí­dos com­ple­ta­mente. A “men­ti­ra de Uliss­es” é con­stante e con­tínua, sem fim. O úni­co lugar em que podemos nos refu­giar é a própria memória, a qual porém, é colo­ca a dura pro­va pelas telas onipresentes, através das quais o “Big Broth­er” obser­va cada mín­i­mo gesto que pos­sa refle­tir um pen­sa­men­to autônomo: a mín­i­ma escapa­da dos olhos é um “face-deli­to” e como tal pode ser fatal (p. 39). O impor­tante é não pen­sar, ser “pes­soa aci­ma de qual­quer sus­pei­ta”, uma vez que se colo­ca a pes­soa abaixo da natureza humana, inteligente e livre. Este é o úni­co modo de poder con­tin­uar a viv­er na “Repúbli­ca uni­ver­sal”. Para destru­ir as capaci­dades int­elec­ti­vas do homem, o Par­tido inven­tou uma “neo-lín­gua” reduzi­da ao osso, que aju­da a não ter opiniões próprias veic­u­ladas, ao con­trário da “arqueo-lín­gua” mui­ta rica de tons e então psi­co­logi­ca­mente e social­mente perigosa. A orto­dox­ia do Par­tido sig­nifi­ca não pen­sar, não ter neces­si­dade de pen­sar, ou seja, total incon­sciên­cia ede­be­tu­do men­tis (p.57): “Quem entende muitas coisas, fala com mui­ta clareza, o Par­tido não gos­ta e um dia desa­pare­cerá  (p. 57). A orto­dox­ia do Par­tido impõem fal­ta abso­lu­ta de auto-con­sciên­cia; então é mel­hor não ler e calar. Em meio a um mun­do lobot­o­miza­do, Win­ston é dom­i­na­do por dúvi­das pon­tu­ais: “é pos­sív­el que somente eu ten­ha memória? Não é isto um iní­cio de lou­cu­ra?”. Em efeito, em um mun­do anor­mal, em um mun­do con­trário ou de cabeça para baixo, o nor­mal é um louco, um peri­go a elim­i­nar. Todavia Win­ston chega a sair des­ta dúvi­da atroz, enquan­to “não o per­tur­ba o pen­sa­men­to de ser louco ou excên­tri­co em tal mun­do encober­to, seria mais hor­rív­el não sê-lo, não poder ter opinião pes­soal: poder ain­da pen­sar que 2+2=4  mes­mo se o par­tido diz que faz 5 ou 3” (p. 85). O sen­so comum, o bom sen­so con­sti­tui a grande here­sia, não é pre­ciso acred­i­tar nos próprios olhos, nas próprias orel­has e nem na evidên­cia, mas ape­nas na voz do “Par­tido” ou do “Big Broth­er”: “Pre­cisa defend­er tudo aqui­lo que é óbvio, bobo” (p. 86). Mes­mo a predileção para uma cer­ta soli­tude, faz­er dois pas­sos soz­in­ho, é perigoso, é sinal de “vitim­prop” (vida em si, em “arqueo-lín­gua”), ou seja, de indi­vid­u­al­is­mo, excen­t­ri­ci­dade e sen­so de real­i­dade (p. 87). Na ver­dade, a “neo-lín­gua”, que veic­u­la o “bi-pen­sa­men­to”, deve aju­dar a negar “toda real­i­dade obje­ti­va”; a inca­paci­dade de com­preen­der aju­da a viv­er em tran­quil­i­dade com o Par­tido e a fal­ta da mais pál­i­da idéia de que coisa seja a orto­dox­ia, aju­da a man­ter-se per­feita­mente orto­doxo, ou seja, acé­fa­lo; a per­da do sen­so da real­i­dade é prope­dêu­ti­ca para a aceitação pací­fi­ca da enormi­dade daqui­lo que é pedi­do pelo “Big Broth­er”, para não entrar em con­fli­to com a própria con­sciên­cia é necessário a inca­paci­dade de absorção: ai daque­les que colo­cam questões e pedem expli­cações! (p. 163). No fim Win­ston é descober­to pela “psi­co-polí­cia”: ele é “o ulti­mo homem” (p. 277) que bus­cou racionar e quer­er livre­mente e racional­mente, por isso é liq­uida­do. “Tu estás fora da história, não existe” lhe diz o chefe da “psi­co-polí­cia”, que, depois de tê-lo “psi­co-tor­tu­ra­do”, o aniquila “vaporizando‑o” afim de que nele não sobre nen­hum traço, nen­hu­ma recor­dação e nen­hu­ma memória. A “psi­co-polí­cia” não quer fazê-lo már­tire, quer aniquilar o homem livre.

O fim do romance é deses­per­ante e descon­so­lador: Win­ston não é ape­nas liq­uida­do fisi­ca­mente com um golpe na nuca, mas antes tem uma liq­uidação psi­cológ­i­ca. Não se con­tentam com o cor­po, querem o pen­sa­men­to e – dia­boli­ca­mente – tam­bém a alma do “réu”. A con­fis­são extorqui­da pela “psi­co-polí­cia” mira pro­pri­a­mente a con­fis­são total: “Eu não sou ape­nas cul­pa­do, mas estou des­gos­toso e mereço um cas­ti­go exem­plar!”. De fato, as últi­mas palavras do romance são: “ago­ra [Win­ston] ama o Big Broth­er. FIM” (p. 305).

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b) NEWMAN E O LIBERALISMO

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Em 12 de maio de 1879 Dom John Hen­ry New­man, do Oratório de São Felipe Neri, foi infor­ma­do que Leão XIII o tin­ha eleito cardeal. No dia 13 Dom New­man foi para o Vat­i­cano para rece­ber do Papa a pur­púra cardináli­cia. New­man responde com um dis­cur­so chama­do de “bil­hete”, porque foi ano­ta­do sobre um pequeno fol­heto em uma esca­da. O tex­to inte­gral do dis­cur­so foi trans­mi­ti­do ao The Times de Lon­dres e em 14 de maio tam­bém L’Osservatore Romano o pub­li­cou inte­gral­mente, foi retoma­do e re-pub­li­ca­do pelo L’Osservatore Romano de 9 de abril de 2010. O neo Cardeal disse que toda a sua vida apos­tóli­ca visa­va lutar con­tra “uma grande des­graça” e uma “armadil­ha mor­tal: o espíri­to do lib­er­al­is­mo na religião”. Em breve o catoli­cis­mo lib­er­al con­de­na­do já por Gregório XVI na Mirari Vos de 1832, por Pio IX no Syl­labus na Quan­ta Cura de 1864 e então por Leão XIII na Immor­tale Dei de 1885 e na Lib­er­tas praes­tantis­si­mum de 1988, foi con­sid­er­a­do tam­bém por New­man (1879) o peri­go prin­ci­pal para o catoli­cis­mo, porque «o lib­er­al­is­mo católi­co é a dout­ri­na segun­do a qual não existe algu­ma ver­dade pos­i­ti­va na religião, mas um ‘cre­do’ que vale tan­to quan­to o out­ro, isto é con­tra o recon­hec­i­men­to de uma religião como úni­ca ver­dadeira. Esse ensi­na que todas devem ser tol­er­adas por princí­pio e não de fato, porque se tra­ta de uma questão de opinião. A religião rev­e­la­da não é uma ver­dade, mas um sen­ti­men­to e uma prefer­ên­cia pes­soal». New­man ante­ci­pa a con­de­nação do mod­ernismo como exper­iên­cia ou sen­ti­men­to reli­gioso, fei­ta cer­ca de trin­ta anos depois em 1907 por São Pio X (Pas­cen­di). Destes erros: o sen­ti­men­tal­is­mo, a tol­erân­cia e o opin­ion­is­mo é do princí­pio fun­da­men­tal do lib­er­al­is­mo, que faz da liber­dade sub­je­ti­va um Abso­lu­to e que con­duz inevi­tavel­mente ao ateís­mo, colo­can­do a liber­dade do homem no lugar de Deus tran­scen­dente, segun­do New­man, poden­do faz­er nascer a “grande apos­ta­sia”. O lib­er­al­is­mo, enfim, segun­do New­man, se apre­sen­ta sob as aparên­cias de human­i­taris­mo filantrópi­co e engana facil­mente os ingên­u­os com o recla­mar-se aos princí­pios de justiça, tol­erân­cia e hon­esti­dade nat­ur­al. Em real­i­dade esse bus­ca colo­car a parte e, se pos­sív­el, can­ce­lar total­mente o cris­tian­is­mo. Jamais exis­tiu plano assim, tão habil­mente con­ce­bido pelo inim­i­cus homo e com maior pos­si­bil­i­dade suces­so. É o mes­mo pen­sa­men­to que expres­sou Ben­son no seu O sen­hor do mun­do. Todavia, se o futuro próx­i­mo da Igre­ja e do mun­do sus­ci­tavam no cardeal pen­sa­men­tos tristes e pre­ocu­pantes, ele nun­ca aban­do­nou a con­fi­ança no seu futuro remo­to, no qual Cristo tri­un­fará sobre o mal e da apos­ta­sia ger­al. A Igre­ja sairá, segun­do New­man, sal­va des­ta “calami­dade hor­ren­da” do lib­er­al­is­mo. New­man dis­tingue bem a maçonar­ia lati­na ou france­sa daque­la anglo-amer­i­cana, as quais são essen­cial­mente uma só coisa com diver­si­dades de todo aci­den­tais e con­tin­gentes, como são dis­tin­tas pela inten­si­dade da malí­cia e não sub­stan­cial­mente, o lib­er­al­is­mo ilu­min­ista francês (a razão sem a fé e a natureza sem a graça) e aque­le sen­si­ti­vo inglês (indi­vid­u­al­is­mo que reduz a razão a sen­si­bil­i­dade e a religião ao sen­ti­men­to, sem negar esta ulti­ma como o ilu­min­is­mo francês). Por­tan­to, mes­mo o lib­er­al­is­mo e a maçonar­ia anglo-amer­i­cana agem, de maneira mais suave e per­sua­si­va, sobre o plano da tol­erân­cia por princí­pio, do agnos­ti­cis­mo e da sep­a­ração entre religião e políti­ca, Igre­ja e Esta­do. Tal filosofia lib­er­al-ima­nen­tista não pode não provo­car um choque não cru­en­to como aque­le da rev­olução france­sa, com o catoli­cis­mo romano.  Infe­liz­mente, lamen­ta­va já em 1879 o Card. New­man, o lib­er­al­is­mo – mes­mo se con­ser­vador ou inglês – pen­etrou tam­bém no ambi­ente católi­co e poderá poluí-lo e até mes­mo enchar­cá-lo de indifer­ença, ceti­cis­mo teóri­co e de indifer­en­tismo éti­co. Tudo isto se real­i­zou a par­tir do segun­do pós-guer­ra e espe­cial­mente, de for­ma parox­ís­ti­ca, em 1963–65 com o Vat­i­cano II e em 1968 com a rev­olução cul­tur­al, ver­dadeiras estradas mes­tras para o reino do Anti­cristo final, tal como descrito por Ben­son. 

Con­clusão

Partin­do da análise fei­ta em 2010 por Ida Magli sobre o peri­go que rep­re­sen­ta para o catoli­cis­mo uma Europa ou um super-Esta­do ten­dente ao mundi­al­is­mo, pas­samos pela descrição do mundi­al­is­mo human­itário e lib­er­al fei­ta por Ben­son (1907) e pelo Cardeal New­man (1879) e daque­le total­itário comu­nista fei­ta por Orwell (1948), que con­duzem ao Reino do Anti­cristo. Ago­ra a situ­ação de 2010, que – enquan­to escre­vo – esta ter­mi­nan­do com uma Europa uni­da e mundi­al­ista em grave crise econômi­co-finan­ceira e uma ten­são muito agu­da no extremo ori­ente (Córeia do norte con­tra Córeia do sul, supor­ta­da pela URSS-Chi­na a primeira e pelo EUA-UE a segun­da), nos fazem per­gun­tar se as descrições romanceadas por Ben­son-Orwell e as anális­es soci­ológ­i­cas feitas por Magli não estão ago­ra próx­i­mas de acon­te­cer com­ple­ta­mente. A crise que agar­ra a civ­i­liza­ção gre­co-romana e o ambi­ente católi­co, os pas­sos adi­ante feitos pela “Nova Ordem Mundi­al” a par­tir de 11 de setem­bro de 2001 pare­cem ver­dadeira­mente anti­cristi­cos. Se se con­sid­era então o con­fli­to latente no ori­ente médio, entre Líbano, Palesti­na, Irã e Israel, o quadro se tor­na ain­da mais som­brio. Todavia a esper­ança não deve nos aban­donar. A nos­sa invo­cação “Veni Domine Jesu!” Ele responde, como dito e com fato, “Ecce venio cito!”. Nós olhamos para 2011, com trep­i­dação e com uma enorme con­fi­ança: “Ego vici mundum!”.  

d. CURZIO NITOGLIA

28 de dezem­bro 2010

 

http://www.doncurzionitoglia.com/mondialismo_orwell_e_newman.htm

 [1] No tex­to “2011 segun­da fase mundi­al­ista da vira­da “judeu-cris­tian­izante” (que será em breve pub­li­ca­do neste blog), Don Curzio faz uma inter­es­sante com­para­ção entre o “ulti­mo homem livre da Europa” e o “Caso Williamson”:

O pobre Mons. Richard Williamson (com­paráv­el ao per­son­agem prin­ci­pal do romance de Orwell, Win­ston Smith, definido “o ulti­mo homem livre da Europa”) lhe havia já feito a exper­iên­cia (“tor­tu­ra­do” pela “clero-polí­cia”) por ter ousa­do opinar, em out­ubro de 2008, que a “tragé­dia do mal abso­lu­to” não goza de todas aque­las provas históri­co-cien­tí­fi­cas de que teria neces­si­dade para impor-se como super-dog­ma, o qual não admite ignorân­cia e que não é líc­i­to nem con­tradiz­er e nem igno­rar”.