P. CURZIO NITOGLIA: PAGANISMO


Apologética, História / sexta-feira, janeiro 4th, 2013
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PAGANISMO
Padre Curzio Nitoglia
[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

O pagan­is­mo (1) nega a liber­dade humana, a onipotên­cia cri­ado­ra e a providên­cia div­ina, em mun­do gov­er­na­do pelo des­ti­no.

Para o cris­tian­is­mo – ao con­trário – a história esta nas mãos de Deus onipo­tente que toma cuida­do do mun­do, con­duzin­do a humanidade, através de vias mis­te­riosas, ao fim que lhe deu; mas como criou o homem livre, ele pode não cor­re­spon­der ao plano de Deus, revoltar-se con­tra, e então Deus – com a sua onipotên­cia e sabedo­ria infini­ta – tira de todo mal um bem, ou seja, con­segue faz­er con­cor­rer para o fim da cri­ação e da história, tam­bém os lados neg­a­tivos do homem.

A história, por­tan­to, é toda de Deus como causa primeira e prin­ci­pal e toda do homem como causa segun­da e instru­men­tal (como a maçã é toda do agricul­tor e toda da árvore).

A chave da história (como ensi­na o Apoc­alipse de S. João e a Cidade de Deus de San­to Agostin­ho) é Cristo reden­tor e juiz que aju­da os seus eleitos ou a “cidade de Deus”, a tri­un­far con­tra os mal­va­dos e os sequazes de Satanás (que por amor de si desprezam a Deus) ou a “cidade do dia­bo”.

Se a Roma pagã cai em 410 pela obra dos bár­baros de Alari­co, é porque a Roma dos Césares não é o cen­tro do mun­do, antes é a grande pros­ti­tu­ta que perseguia Cristo nos seus már­tires e deve ced­er o pos­to a Roma dos Papas, como o anti­cristo dev­erá ced­er seu pos­to a Cristo.

O pagan­is­mo ou a Gré­cia e a Roma anti­ga, tem um papel anál­o­go (onde a sim­i­lar­i­dade é infe­ri­or a semel­hança) ao A.T. em relação ao N.T., ess­es devem preparar a Roma cristã, como o Mosaís­mo dev­e­ria preparar o Evan­gel­ho; a Roma pagã não é o mal abso­lu­to, que não existe uma vez que seria a pri­vação abso­lu­ta do bem, mas é uma enti­dade onto­logi­ca­mente boa, emb­o­ra acom­pan­ha­da de des­or­dem reli­giosa-moral do pagan­is­mo. Ao invés, o Mosaís­mo era bom em si, mas imper­feito e foi aper­feiçoa­do por Cristo.

Roma morre pagã para ressur­gir cristã.

Pagan­is­mo é a ausên­cia de ordem sobre­nat­ur­al, onde as vir­tudes adquiri­das dos pagãos não podem ser ditas per­feitas (2), mas não se pode nem mes­mo diz­er (como fazia Bajo) que essas são pecaminosas em si, elas podem ser aper­feiçoadas pela graça de Cristo que as tor­na sobre­nat­u­rais, as orde­na ao seu úni­co ver­dadeiro fim ulti­mo.

O pagan­is­mo sub­mete a vir­tude não a Deus cri­ador, mas aos ído­los ou aos deuses, que obscure­cem o int­elec­to, desvi­am a von­tade e per­vertem a capaci­dade humana. Na ver­dade, as ações em si nat­u­ral­mente boas dos pagãos, miravam hon­ras, glória e fama ter­re­na, é pre­ciso admi­tir que estas vir­tudes nat­u­rais adquiri­das, emb­o­ra não sendo orde­nadas ao fim últi­mo e não ten­do val­or sobre­nat­ur­al, per­mi­ti­ram aos anti­gos Gre­gos e Romanos a vitória sobre algu­mas paixões desreg­u­ladas e de chegar a um grau ele­va­do de cul­tura, de ordem e dis­ci­plina, indi­vid­ual e social.

A história do mun­do tem duas cap­i­tais e duas religiões, aque­la da San­tís­si­ma Trindade que tem sua sede na Roma dos Papas; e a con­tra-igre­ja de Satanás que tem duas sedes prin­ci­pais: a Jerusalém dei­ci­da destruí­da por Tito e a Roma dos Césares, inva­di­da pelos bár­baros, que se tor­na a Roma cristã com Con­stan­ti­no (IV sécu­lo), mas que retornou sob o influxo do pagan­is­mo com o Human­is­mo e o Renasci­men­to (XV-XVI sécu­lo).

O pagan­is­mo era car­ac­ter­i­za­do pelo politeís­mo pan­teís­ta e pela idol­a­tria politeís­ta. Ate­nas e Roma suce­dem a Babilô­nia, o Egi­to e a Jerusalém dei­ci­da; se tor­nam as metrópoles da idol­a­tria e a for­t­aleza de Satanás (3). Com o pagan­is­mo Satanás era ver­dadeira­mente o “deus” deste mun­do, mas Cristo ver­san­do o seu sangue em Jerusalém (33 d.C.) e o seu vigário S. Pedro em Roma (64 d.C.), vence­r­am Satanás e os seus dois prin­ci­pais rep­re­sen­tantes, o  judaís­mo rabíni­co e o pagan­is­mo gre­co-romano. De fato, Deus serve-se da cul­tura gre­ga e da potên­cia e ordem de Roma, para difundir o Evan­gel­ho em todo mun­do, ape­sar das perseguições da sin­a­goga e do império romano.

A religião romana

Os Romanos per­tencem ao ramo lati­no daque­la imi­gração de Itáli­cos, de origem indo-europeia, que se esta­b­ele­ce­r­am na Itália – no ter­ceiro milênio a. C. – naque­le tem­po povoa­da por povos neolíti­cos, chama­dos Ligúrios, Euga­neus (atu­al Vene­to), Elimeus, indí­ge­nas da Sar­den­ha e Córsega, pas­saram habitar na planí­cie padana.

No primeiro milênio a. C. hou­ve a segun­do onda imi­gratória, de país­es transalpinos, na Itália cen­tral (Sabi­na, Terni e Lázio).

Eles se tornaram um povo de agricul­tores, sua religião era fei­ta para sat­is­faz­er as exigên­cias de um povo agrí­co­la, rica de pre­cisões éti­co-jurídi­cas, que davam a todos, aqui­lo que esper­avam, para garan­tir os con­fins da pro­priedade e as relações pes­soais. «Não desen­volvi­men­tos teológi­cos, não flo­re­a­men­tos mitológi­cos, não trans­portes de mist­i­cis­mo, mas recon­hec­i­men­to das potên­cias div­inas, cada uma lim­i­ta­da no seu âmbito e não em par­entela com as out­ras» (4).

O cul­to públi­co a Roma era ofer­e­ci­do pelo sac­er­dote, àquele que cumpre a ação sacra, a religião é um ele­men­to da engrenagem estatal, sub­meti­da a autori­dade supre­ma da Polis, a Roma «o Esta­do era, mais que em out­ros lugares onipresente e cen­tral­izador» (5). O sac­er­dote é um sim­ples expert do rit­u­al, um litur­gista, sem posições doutri­nais a tute­lar. Quan­do Roma se tornou sen­ho­ra do mun­do chegou-se ao cul­to impe­r­i­al, o Esta­do era cen­tral­iza­do em uma pes­soa que era con­sid­er­a­da semi­div­ina.

O Cris­tian­is­mo

É car­ac­ter­i­za­do por um intol­er­ante anti-pagan­is­mo fun­da­do sobre a unidade e tran­scendên­cia de Deus; por­tan­to esse rene­gan­do o cul­to impe­r­i­al, entra em con­traste com o Esta­do roma que reage furiosa­mente.

O cris­tian­is­mo tri­un­fou, sobre out­ras religiões ori­en­tais muito aco­modadas e sobre o ceti­cis­mo de Roma, graças a sua intran­sigên­cia doutri­nal, a fé na divin­dade do próprio cre­do e a intol­erân­cia do pan­teís­mo politeís­ta pagão.

Con­cepção pagã e con­cepção cristã do Esta­do

a)  Pagan­is­mo

A sua con­cepção políti­ca é nat­u­ral­ista, ou seja, o fim ulti­mo do homem e da sociedade é a existên­cia ter­re­na e as coisas visíveis, não existe nada além e nada aci­ma do Esta­do, é uma espé­cie de pan-esta­tismo que absorve o indi­ví­du­os total­mente (total­i­taris­mo). Esta e religião são uma só coisa, antes a religião esta ao serviço do Esta­do, é um instru­men­tum reg­ni.

Além do mais «a religião pagã gre­co-romana não pos­suía nem dog­ma e nem moral derivante desse e era ela mes­ma nat­u­ral­ista, os seus deuses não eram entes tran­scen­den­tais e pes­soas, mas seres humanos mitol­o­giza­dos» (6).

Os anti­gos pagãos não con­hece­r­am nem a liber­dade pri­va­da e indi­vid­ual e nem liber­dade de edu­cação ou famil­iar.

b)  O Cris­tian­is­mo

O Cris­tian­is­mo trouxe duas novas idéias, que fal­tavam a paganidade: a tran­scendên­cia de Deus pes­soal e a providên­cia div­ina.

1º) A tran­scendên­cia div­ina:

Deus é essen­cial­mente dis­tin­to do mun­do e do homem, todo pan­teís­mo con­fu­sion­ista foi debe­la­do.

Além do mais o Cris­tian­is­mo não era a religião de uma tri­bo, de uma cidade ou de um só povo, essa é uma religião uni­ver­sal, emb­o­ra respei­tan­do as diver­sas men­tal­i­dades, cul­turas, modo de viv­er e tradições locais, onde não con­tin­ham ele­men­tos con­trários a sã religião ao dog­ma e a moral.

O Esta­do ces­sou de ser uma divin­dade abso­lu­ta e total­izante, para se tornar a união de mais home­ns em vista de um fim, sob uma autori­dade que procu­ra o bem estar comum tem­po­ral da comu­nidade, sob pena de perder a autori­dade tor­nan­do-se tira­no. Além dis­so, como aqui­lo que é ter­reno e tem­po­ral – para hier­ar­quia dos fins – é infe­ri­or aqui­lo que é celeste e espir­i­tu­al, o Esta­do deve se sub­me­ter a Igre­ja, como o cor­po a alma, e aju­da-la – medi­ante uma boa leg­is­lação que torne pos­sív­el uma vida moral já sobre esta ter­ra – a con­duzir as almas para o paraí­so.

2º) A Providên­cia:

Se Deus é pes­soal e tran­scende infini­ta­mente toda criatu­ra (mes­mo angéli­ca), é todavia cri­ador e sendo Bon­dade infini­ta, cui­da das suas criat­uras, aque­las irra­cionais são dirigi­das pela lei físi­ca (o sol surge e se põe todo dia…) e aque­las racionais as con­duz pela mão, dia após dia, pas­so após pas­so, ao seu fim sobre­nat­ur­al, respei­tan­do a sua liber­dade.

O Esta­do é uma criatu­ra de Deus, na ver­dade o homem é um ani­mal social por natureza, e então, ele lhe deve hon­ra e glória como todas as out­ras criat­uras; em par­tic­u­lar deve ser sub­or­di­na­do ao poder espir­i­tu­al – a Igre­ja – que Deus esta­b­ele­ceu sobre a ter­ra, para o bem estar comum sobre­nat­ur­al dos home­ns. Ces­sa assim toda for­ma de esta­dola­tria pagã, de Cesaris­mo, de pan-esta­tismo ou total­i­taris­mo políti­co, que rea­parece quan­do o homem e as nações se dis­tan­ci­am de Cristo e da sua Igre­ja.

A perseguição do Cris­tian­is­mo

Os primeiros três sécu­los da era cristã foram car­ac­ter­i­za­dos por graves perseguições da parte do pagan­is­mo con­tra o cris­tian­is­mo; todavia «toda gen­er­al­iza­ção é incor­re­ta, seja aque­la que fazia dos três sécu­los uma perseguição con­tin­ua, seja aque­la que tende a min­i­mizar a exten­são das perseguições» (7).

O con­fron­to era, em fun­do, necessário dado à con­tra­posição entre o Cris­tian­is­mo e o Pan-esta­tismo pagão.

A primeira ocasião de encon­tro entre o Império romano e o Cris­tian­is­mo – con­tin­ua Mar­ta Sor­di – foi o proces­so de Jesus… Nestes últi­mos decênios, alguns estu­diosos ten­taram invert­er o sen­ti­do dado ao proces­so pelos Evan­gel­hos, atribuin­do ao poder romano e não a autori­dade judaica a ini­cia­ti­va do próprio proces­so. […] Do pon­to de vista cien­tí­fi­co, as argu­men­tações destes estu­diosos se rev­e­laram assaz frágeis e de fácil refu­tação… Para os Evan­gel­hos a ini­cia­ti­va foi dos Judeus, ain­da que a exe­cução ten­ha sido dos Romanos. […] Todas as qua­tro nar­ra­ti­vas [dos Evan­gel­hos] mostram a deter­mi­nante respon­s­abil­i­dade dos judeus e reduzem o papel de Pila­dos na morte de Jesus ao ter cedi­do, con­tra a von­tade, as solic­i­tações dos sumos sac­er­dotes e da mul­ti­dão» [8]. Segun­do a insigne estu­diosa de história gre­co-romana, o choque entre Império romano e Cris­tian­is­mo foi antes de tudo, um choque reli­gioso, o Cris­tian­is­mo foi persegui­do como religião e a con­ver­são de Roma a Cristo foi em grande parte deter­mi­na­da pela aprox­i­mação de muitos, des­gos­tosos pela cor­rupção do pre­sente, por uma religião que impli­ca­va um severo empen­ho moral e a práti­ca austera de vir­tudes pes­soais e famil­iares. «Eu acred­i­to – escreve Sor­di – que a con­ver­são do mun­do pagão ao Cris­tian­is­mo seja, antes de tudo, uma con­ver­são reli­giosa e que a imen­sa força de atração que a nova fé exer­cia des­de o iní­cio, no maior Império anti­go e na sua cap­i­tal cos­mopoli­ta, seja rev­e­la­da pela sua capaci­dade de respon­der as exigên­cias reli­giosas mais pro­fun­das da alma humana, que eram tam­bém, no momen­to históri­co par­tic­u­lar em que o Cris­tian­is­mo entrou no mun­do, as exigên­cias reli­giosas no mun­do romano» [9].

O Cris­tian­is­mo sabia respon­der as per­gun­tas apaixon­adas que se colo­cavam os home­ns e par­tic­u­lar­mente os anti­gos Romanos e con­quis­tou o mun­do anti­go.

O Cris­tian­is­mo não era um fenô­meno rev­olu­cionário, paci­fista e sub­ver­si­vo, esse aceita­va o Esta­do e César enquan­to “esta­b­ele­ci­do pelo poder do nos­so Deus” (Ter­tu­liano, Apologéti­ca 33,1), mas não podia admi­tir o cul­to impe­r­i­al como se fos­se a uma divin­dade; obe­de­cia e com­ba­t­ia por Roma enquan­to é o poder politi­co esta­b­ele­ci­do por Deus “do qual descende todo poder”, mas recusa­va de ofer­e­cer incen­so aos deuses e ao Imper­ador divus Cae­sar [10].

Todavia, hou­ve uma espé­cie de resistên­cia pagã pro­lon­ga­da, con­tra o Cris­tian­is­mo, lev­a­da adi­ante por uma peque­na aris­toc­ra­cia int­elec­tu­al muito lig­a­da as anti­gas tradições gre­co-romanas, que agiam em nome de uma tol­erân­cia que os cristãos não tin­ham (Pro­clo, Síma­co, Juliano o Após­ta­ta, Por­fírio) de quem hoje Alain de Benoist se faz o arauto e o con­tin­u­ador.

Intran­sigên­cia doutri­nal cristã

O salmo recita “Omnes dii gen­tium, demo­nia” e São Paulo escreve “Os sac­ri­fí­cios dos pagãos são ofer­tas aos demônios” (I Cor. X, 14). O mes­mo Cel­so, em 178, escrevia que os Cristãos se glo­ri­avam de poder zom­bar e tam­bém atin­gir as está­tuas dos deuses sem sofr­er vin­gança.

O Cris­tian­is­mo apre­sen­tan­do-se como úni­ca ver­dadeira religião, tin­ha uma forte car­ga de intran­sigên­cia doutri­nal e de “pen­sa­men­to forte”, nos con­fron­tos de uma civ­i­liza­ção (romana) plu­ral­ista, céti­ca, afe­ta­da por um “pen­sa­men­to débil” e ago­ra em pro­fun­da decadên­cia moral.

«É pre­ciso dis­tin­guir: a intol­erân­cia de princí­pio [intran­sigên­cia], isto é, a indisponi­bil­i­dade de se chegar a um acor­do ou aceitar com­pro­mis­sos com o adver­sário, pela intol­erân­cia de fato que induz a ati­var… medi­das vio­len­tas e repres­si­vas.

Como foi pos­sív­el – se per­gun­ta Pier Fran­co Beat­rice – que o Cris­tian­is­mo ten­ha pas­sa­do… das grandes afir­mações de princí­pio con­tra a idol­a­tria e os cul­tos pagãos, as vias de fato de com­por­ta­men­tos declar­ada­mente per­se­cutórios nos con­fron­tos dos seus perseguidores de out­ro­ra?» [11].

São João Crisós­to­mo, por vol­ta de 380, ante­ci­pa­va a respos­ta a objeção, asserindo que nen­hum imper­ador cristão envi­ou os pagãos ad bes­tias [12]. É necessário especi­ficar que, se os pagãos não foram man­da­dos ao Col­iseu para a boca dos leões, o Cris­tian­is­mo não recon­hecia dire­ito ao erro em foro exter­no e públi­co, enquan­to tol­er­a­va a super­stição em foro inter­no e em pri­va­do. Cer­ta­mente o Cris­tian­is­mo oper­ou uma cen­sura de erros int­elec­tu­ais e de desvi­ações super­sti­ciosas pagãs com con­se­quente rogo dos livros pagãos, além dis­so, reforçan­do-se sem­pre mais, aboli os cul­tos públi­cos pagãos “Ces­set super­sti­tio, sac­ri­fi­cio­rum abo­le­tur insa­nia”(Codex Theo­dosianus, 16, 10, 2). Por out­ro lado, os tem­p­los não eram ape­nas lugar do cul­to pagão, ago­ra aboli­do, mas tam­bém espaços para fes­tas, jogos, diver­ti­men­tos dos quais o Cris­tian­is­mo não que­ria pri­var o povo, por isso emb­o­ra queren­do debe­lar a super­stição, dese­ja sal­var os tem­p­los uti­lizan­do-lhes para encon­tros pop­u­lares, com a condição que não servis­sem ao cul­to pagão; mas como o pagan­is­mo rur­al (ou pagan­is­mo ‘pagão e rude’) esta­va pron­to para rea­gir; “mas­sacrou sac­er­dotes e destruí igre­jas cristãs” (San­to Agostin­ho, Ep. 91), o Cris­tian­is­mo dev­e­ria ordenar, em cer­tos casos e cir­cun­stân­cias, a demolição dos tem­p­los, para “remover toda matéria a super­stição” (Codex Theo­dosianus 15, 1, 36).

Os Apol­o­gis­tas cristãos dos primeiros sécu­los, ten­di­am — , com intran­sigên­cia – a avil­tar fé e cul­tos pagãos.

Justi­no már­tir «escreven­do na metade do II sécu­lo, sus­ten­ta­va que os poet­as pagãos e com­pos­i­tores de mitos, foram desvi­a­dos enquan­to havi­am con­fun­di­do os demônios mal­va­dos com os deuses e havi­am assim can­ta­do as suas ações (1 Apol. 5, 4; 2 Apol. 5) » [13].

Tam­bém Atená­go­ras, em torno de 177, escrevia que os demônios eram respon­sáveis pelas bizarrices dos cul­tos pagãos (Sup­pli­ca­tio 26).

Fir­mi­co Mater­no escreve em torno de 346, escreve o De errore pro­fa­narum reli­gion­um, com extrema intran­sigên­cia no con­fron­to do pagan­is­mo e pede aos imper­adores para estir­parem o pagan­is­mo, que para Fir­mi­co «era erra­do in toto e era obra do demônio» [14].

Rufi­no de Aquiléia – em 402 – em sua História ecle­siás­ti­ca, escreve que «o pagan­is­mo é um erro mon­stru­oso, obra do demônio, que é o “men­tiroso” por antonomásia. Ilusão, fraude, engano, men­ti­ra estão pre­sentes em toda parte: as crenças dos pagãos são ape­nas erro e super­stição, o cul­to que lhe é col­i­ga­do é ape­nas magia, deli­tos e dis­soluções. O con­jun­to é uma enorme fraude inspi­ra­da pelos demônios, cujo aux­il­iares humanos – os sac­er­dotes pagãos – se fazem zom­baria dos infe­lizes fiéis, mais víti­mas que culpáveis» [15]. O pagan­is­mo, sendo uma espé­cie de diviniza­ção dos seres humanos, era um sac­rilé­gio e uma idol­a­tria para o Cris­tian­is­mo, enquan­to trib­u­ta­va às criat­uras (deuses), a hon­ra dev­i­da ape­nas ao Cri­ador.

Já São Paulo escrevia «digo que os sac­ri­fí­cios dos pagãos são ofer­tas aos demônios e não a Deus. Ora, eu não quero que vós entreis em comunhão com os demônios » (I Cor., 10, 14. 19–20). Nes­ta óti­ca rejeitar a comunhão com os demônios sig­nifi­ca nec­es­sari­a­mente destru­ir os fal­sos ído­los, que são como o cor­po ou a mate­ri­al­iza­ção do dia­bo.

Para San­to Agostin­ho a destru­ição das está­tuas dos deuses pagãos san­ciona o fal­i­men­to do pagan­is­mo (De Civ. Dei, III, 12).

«A visão tipi­ca­mente lib­er­al e pagã, segun­do a qual se devia deixar sub­si­s­tir intac­ta a tradição reli­giosa dos povos, se fun­da em boa parte sobre uma ati­tude céti­ca e ao mes­mo tem­po con­ser­vado­ra [sim­i­lar àquela da “nova dire­i­ta” » de Alain de Benoist] que se encon­tra em clarís­si­ma oposição com a con­vicção reli­giosa do cristão: do momen­to que – para o céti­co – não se pode con­hecer a ver­dade… é mel­hor deixar tudo assim como é; é mel­hor recon­hecer a veneran­da cul­tura de cada povo e com isso a sua religião in toto» [16]. Todo povo – para o pagan­is­mo – pos­suí uma própria tradição, uma própria usança reli­giosa, tradições e antigu­idade dan­do autori­dade as religiões, por­tan­to, tudo aqui­lo que os home­ns ven­er­am deve ser con­sid­er­a­do como uma só e mes­ma coisa, então, todas as vias con­duzem a divin­dade, antes, como escreve Síma­co «uno itinere non potest per­veniri ad tam secre­tum» (Rela­tio III, 10). Como não recon­hecer em tais expressões as teo­rias neo-pagãs de Juliano o Após­ta­ta (Con­tra Galileos), Evola, Guènon, de Benoist?

É pre­ciso especi­ficar que, o con­vite a tol­erân­cia práti­ca deri­va de uma teo­ria de indifer­ença céti­ca ou plu­ral­is­mo e opin­ion­is­mo lib­er­al filosó­fi­co próprio do pagan­is­mo, onde todos cul­tos tem um mes­mo e idên­ti­co val­or, mas tais opiniões são pres­su­pos­tos dog­máti­cos, na ver­dade o ceti­cis­mo que afir­ma não poder con­hecer a ver­dade esta cer­to de não poder con­hecer e este é o seu dog­ma ou certeza firme (em sen­ti­do filosó­fi­co) [17]. Ora tais idéias, tal ceti­cis­mo filosó­fi­co e reli­gioso, teóri­co e práti­co, tem um inimi­go ape­nas (ou prin­ci­pal), que se chama Cris­tian­is­mo (metafísi­ca, sen­so comum), segun­do o qual o homem tem fac­ul­dades cognosc­i­ti­vas que não o enganam e pode chegar a encon­trar a ver­dade, com certeza, ain­da que não tudo e total­mente, com a razão nat­ur­al e com a aju­da extrínse­ca da Rev­e­lação. Todo ceti­cis­mo, anti­go e mod­er­no, odeia a metafísi­ca e o Cris­tian­is­mo que é a religião do próprio Ser sub­sis­tente (Ego sum qui sum), o ceti­cis­mo negan­do a capaci­dade de con­hecer a real­i­dade caí no niil­is­mo, sobra ape­nas o nada, o ser não é con­hecív­el e não existe, é anti-metafísi­co por essên­cia; onde não deve nos sur­preen­der entre os adver­sários do cris­tian­is­mo encon­trar­mos o pagan­is­mo anti­go e o ima­nen­tismo mod­er­no, ambos de fato estão fun­da­dos sobre o rel­a­tivis­mo, o agnos­ti­cis­mo e o plu­ral­is­mo.

Quan­do Evola crit­i­ca o Cris­tian­is­mo se baseia em autores céti­cos e plu­ral­is­tas como Pro­clo, Por­fírio, Jâm­bli­co e Jus­tini­ano o Após­ta­ta, que o lev­am a abraçar – sem con­tradiz­er-se – o ide­al­is­mo mági­co de Schelling e a mod­er­na e mod­ernista filosofia ide­al­ista alemã.

O pagan­is­mo e o neo-pagan­is­mo mais que anti­s­semi­ta (como a religião holo­caus­ti­ca sus­ten­ta hoje) é anti-cristão, por exem­p­lo, Juliano o Após­ta­ta que­ria recon­stru­ir o ter­ceiro Tem­p­lo de Jerusalém (como Ariel Sharon) mas odi­a­va Jesus, por que? Porque era um céti­co e não supor­ta­va a intran­sigên­cia int­elec­tu­al, o dog­ma­tismo (como o chamavam despres­ti­giosa­mente os maçons, tam­bém eles “con­stru­tores” do Tem­p­lo), mais que o judaís­mo pós-bíbli­co, ess­es odeiam o Mosais­mo e o Evan­gel­ho que lhe é o com­ple­men­to, na ver­dade se baseiam na Cabala e odeiam o AT e o NT que são a úni­ca ver­dadeira religião do úni­co ver­dadeiro Deus, Pai, Fil­ho e Espíri­to San­to, que não acei­ta fal­sos ído­los e fal­sas super­stições.

«A obser­vação quan­to a diver­si­dade das nações [assim cara hoje a de Benoist] segun­do as suas par­tic­u­lar­i­dades étni­cas e a sua cul­tura nacional, con­sti­tuía o argu­men­to prin­ci­pal de Juliano, com o qual ele expli­ca­va e jus­ti­fi­ca­va a mul­ti­pli­ci­dade de divin­dades nacionais (Con­tra Galileos). A sua repri­men­da prin­ci­pal ao Cris­tian­is­mo e quase a úni­ca repri­men­da ao hebraís­mo, diz respeito ao primeiro man­da­men­to. Moisés teria ousa­do faz­er um úni­co Deus de um deus par­tic­u­lar das nações…, e nis­to Juliano vê o peca­do orig­i­nal do Mosaís­mo e do Cris­tian­is­mo… como o neo­platôni­co Cel­so» [18].

A opinião segun­do a qual, os povos dev­e­ri­am per­manecer nas suas respec­ti­vas religiões, não é nova, não a sus­ten­ta pela primeira vez Jean Servi­er ou Micea Elíade, mas era con­heci­da pelos Padres da Igre­ja, como errônea.

É erra­do pen­sar que, essa ten­ha sido pos­sív­el só depois da rev­olução france­sa, não, essa tin­ha antecedentes antiquís­si­mos  não é abso­lu­ta­mente um fenô­meno mod­er­no, mas se perde na “noite dos tem­pos”, quan­do depois do peca­do de Adão, a maior parte da humanidade tin­ha per­di­do a reta razão e cor­rompi­do os cos­tumes, sob o influxo malé­fi­co de Satanás que depois de ter feito Adão pecar, espal­ha o seu veneno no mun­do inteiro; e quan­do veio Cristo a uni­ver­salizar aqui­lo que per­ten­cia – ad tem­pus – só a Israel, o furor de Satanás dobrou, ele que­ria que o mun­do per­manecesse nas trevas do pagan­is­mo idóla­tra e cor­rup­to, não podia supor­tar que o Úni­co ver­dadeiro Deus e a úni­ca ver­dadeira religião fos­sem lev­a­dos e pre­ga­dos ao mun­do inteiro, aqui porque o judaís­mo pós-bíbli­co, fari­saico e talmúdi­co e o pagan­is­mo odi­aram e perseguiram Cristo e a sua Igre­ja.

Os filó­so­fos que sus­ten­taram – no pas­sa­do – tal teo­ria foram: Cel­so, Juliano o Após­ta­ta, Síma­co, Pro­clo, Por­fírio, Jâm­bli­co; e – na era mod­er­na – Pico, Fici­no, Gior­dano Bruno, Spin­osa; e – na pós-mod­ernidade – Niet­zche, Guénon, Evola, Regh­i­ni, De Gior­gio, Schuon, Mor­di­ni, Plebe, Zol­la, de Benoist e Tarchi.

Os mis­sionários católi­cos impuser­am – na antigu­idade – a con­ver­são de muitos povos e a cris­tian­iza­ção do mun­do anti­go, não igno­ran­do tais opiniões gnós­ti­cas e esotéri­c­as, derivadas da Cabala espúria, mas na dura e intran­si­gente batal­ha doutri­nal e práti­ca con­tra ess­es.

San­to Ambró­sio de Milão afir­mou: existe um só ver­dadeiro Deus, o Deus de Abraão e dos Cristãos, é ape­nas Ele que todos os home­ns devem ado­rar, na ver­dade os deuses dos pagãos são demônios, ou alter­ações rús­ti­cas e igno­rantes da noção do úni­co ver­dadeiro Deus que Adão trans­mi­tiu aos seus fil­hos (Ep. 17) .

 

San­to Ambró­sio refu­ta­va não ape­nas o pagan­is­mo, mas a sua base filosó­fi­ca, o rel­a­tivis­mo agnós­ti­co e céti­co e a tol­erân­cia lib­er­al de princí­pio.

 

Entre pagan­is­mo e cris­tian­is­mo (com­preen­den­do o Anti­go e o Novo Tes­ta­men­to) não existe con­cil­i­ação; entre cabal­is­mo talmúdi­co, gnose, eso­ter­is­mo existe afinidade, par­entela, fil­i­ação que lhes une no ódio infer­nal con­tra Cristo e a sua Igre­ja, ódio que re-explodiu – depois de ter eclo­di­do durante o medie­vo – com o Human­is­mo e o Renasci­men­to e ter se tor­na­do sem­pre mais aguer­ri­do com a filosofia mod­er­na de Descartes a Hegel e aque­la pós-mod­er­na de Niet­zche a Pop­per, que nos lev­ou ao atu­al niil­is­mo dog­máti­co e moral e a destru­ição do homem.

Se para Síma­co exis­tem muitas vias para chegar a divin­dade, para Cristo existe ape­nas duas vias: uma con­duz a perdição, essa é larga e espaçosa – porque lhe afluem as múlti­plas vias de Síma­co e dos brux­os cabal­is­tas, pagãos e neo-pagãos – e out­ra que con­duz a sal­vação, essa é estre­i­ta e difí­cil, já que é ape­nas aque­la do Anti­go e Novo Tes­ta­men­to.

Prudên­cio escreve que: «Cam­in­hos secundários des­ta estra­da erra­da exis­tem muitos, como muitos são os deuses, os ído­los, os demônios nos tem­p­los… É uma ilusão acred­i­tar que os cul­tos pagãos lev­em a Deus; que cristãos e pagãos cheguem todos a mes­ma meta. A idol­a­tria con­duz ape­nas ao fim con­trário a vida: a morte defin­i­ti­va e eter­na. Out­ras religiões não são vias de sal­vação; na ver­dade o demônio não deixar ir ao Sen­hor da sal­vação, mas mostra o itin­erário da morte, através de fal­sas estradas… Afastem-se pagãos (Ite procul, gentes) não exis­tem estradas em comum entre vós e o povo de Deus! Afastem-se (discedite longe) !» [19].

São Basílio escreve que o pagan­is­mo con­sti­tu­iu uma sub­stân­cia insíp­i­da, se os cristãos con­seguem sal­gá-la medi­ante o Ver­bo, então se trans­for­ma e se tor­na comestív­el. O pagan­is­mo não é o mal abso­lu­to (como dirá então Bajo), mas lhe fal­ta cer­ta­mente uma qual­i­dade, uma per­feição que o tor­na inuti­lizáv­el assim como é. Existe a neces­si­dade de uma total trans­for­mação, que deve acon­te­cer sem destru­ir a sub­stân­cia, mas deve ape­nas dar as qual­i­dades que fal­tam. Então, con­ser­vação para trans­for­mar. Além dis­so, a trans­for­mação não pode derivar do próprio pagan­is­mo, mas da inter­venção de Cristo (In Isa­iam, 9, 228).

«Goste ou não, está é a voz dos Padres da Igre­ja. É a voz da Igre­ja do primeiro perío­do que não que­ria que o não cristão per­manecesse firme na sua cul­tura não cristã, mas que dese­jasse uma dúplice con­ver­são, do homem e da cul­tura. […] a con­ver­são emb­o­ra trans­for­man­do inteira­mente não destrói, essa exprime uma nova ori­en­tação (con­ver­ti a tene­bris ad Lucem), mas não uma renún­cia ao próprio caráter, se tra­ta de um rad­i­cal reor­de­na­men­to, de uma reartic­u­lação ou reor­ga­ni­za­ção, sem destru­ir aqui­lo que vem reor­ga­ni­za­do, é a trans­for­mação rad­i­cal e moral do homem. Os Após­to­los – dizia São João Crisós­to­mo – não têm destruí­do os seus adver­sários, mas trans­for­ma­do» [20].

San­to Agostin­ho especi­fi­ca que tudo é con­ser­va­do e não destruí­do, com a condição de que não seja obstácu­lo a religião cristã (De Civ­i­tate Dei, 19, 17). Então, a con­ver­são emb­o­ra excluin­do a destru­ição, impli­ca a purifi­cação, a ver­dadeira con­ver­são não pode tol­er­ar aqui­lo que impede a con­ver­são total ou trans­for­mação qual­i­fica­ti­va. Por isso a cul­tura pagã é con­ser­va­da (aqui­lo que fiz­er­am os benediti­nos), mas lib­er­ta­da daque­les ele­men­tos que con­trastam com a Ver­dade do Evan­gel­ho. É pre­ciso con­ser­var tudo aqui­lo que é livre da idol­a­tria ou que pode vir lib­er­ta­do da relação com essa, enquan­to é necessário lutar con­tra aqui­lo que é essen­cial­mente pagão (céti­co, rel­a­tivista, agnós­ti­co, plu­ral­ista – no cam­po dos princí­pios – e super­sti­cioso, demonía­co, idol­átri­co – no cam­po da moral -).

San­to Agostin­ho ret­inha pos­sív­el e tam­bém útil não destru­ir os tem­p­los pagãos, mas trans­for­má-los em Igre­jas, depois de haver-lhes limpa­do da idol­a­tria pagã. Con­ser­vam-se os lugares, mas não os sim­u­lacros dos deuses “fal­sos e men­tirosos”.

O pro­fes­sor Chris­t­ian Gnil­ka con­cluí:

«Espero que não escape a atu­al­i­dade de todos estes pen­sa­men­tos  a teo­ria, hoje muito difun­di­da, do “cristão anôn­i­mo” con­ti­do em todas as religiões não cristãs, uma teo­ria que tende a tornar iguais todas as religiões, a enfraque­cer a força espir­i­tu­al do cris­tian­is­mo e a diminuir a ativi­dade mis­sionária da Igre­ja Católi­ca» [21].

Onde o Cris­tian­is­mo dese­jar read­quirir a força, deve retornar a sua fonte: a intran­sigên­cia teóri­ca e onde é pre­ciso a intol­erân­cia práti­ca, e deve limpar-se da incrus­tação lib­er­al, neo­mod­ernista de sabor céti­co, rel­a­tivista e plu­ral­ista, de origem pagã, que nestes anos adul­ter­aram o pen­sa­men­to de não poucos teól­o­gos.

In hoc sig­no vinces, ape­nas neste e em nen­hum out­ro.

D. Curzio Nitoglia

http://www.doncurzionitoglia.com/paganesimo.htm

NOTAS:

[1] Pagan­is­mo deri­va de pagus, ou seja, vilare­jo (onde teve fortes raízes), esse reflete a ati­tude do homem incul­to, “rude” diante dos vários mis­térios da natureza e da vida.

[2] S. T. I‑II, q. 63, a. 3/ I‑II, qq. 64–67/ I‑II, q. 110, a.4 ad 1um/ I‑II, q. 68, a.2.

[3] S. Aug. , De Civ­i­tate Dei, lib. XVIII, cap. II e ss.

[4] N. Turchi, Le reli­gioni di Gre­cia e di Roma, Isti­tu­to Edi­to­ri­ale Galileo, Milano, 1950, pag.73.

[5] Ibi­dem, pag. 101.

Cfr. anche:
— N. Turchi, La reli­gione di Roma anti­ca, Bologna, 1939.

- A. De Marchi, Il cul­to pri­va­to di Roma anti­ca, Milano, 1895.

- E. Burli­er, Le culte impèial, Pari­gi, 1891.

-J. Toutain, Le cultes payens dans l’empire romain, Pari­gi, 1905.

- A. J. Fes­tugiere- P. Fab­re, Le monde grè­co-romain au temps de Notre-Seigneur, Pari­gi, 1935.

- G. Boissier, La fin du pagan­isme, Pari­gi, 1891.

- G. Cos­ta, Reli­gione e polit­i­ca nell’impero romano, Tori­no, 1923.

- F. Arnal­di, Dopo Costan­ti­no. Sag­gio sul­la vita spir­i­tuale del IV e V sec­o­lo, Pisa, 1927.

[6] E. Magnin, L’’ètat con­cep­tion pai­enne, con­cep­tion chrè­ti­enne, Bloud & Gay, Pari­gi, 1931, pag. 15.

[7] M. Sor­di, I cris­tiani e l’Impero romano, Mon­dadori, Milano, 1990, pag. 9.

[8] Ibi­dem, pagg. 15–16.

Cfr.também:
— F. Spadafo­ra, Pila­to, Arti Gra­fiche Rovi­go, Rovi­go, 19****.

[9] Ibi­dem, pagg. 171–172.

10)Cfr.
— M. Sor­di, Il Cris­tianes­i­mo e Roma, Bologna, 1965.

- J. Blinz­er, Il proces­so di Gesù, Bres­cia, 1966.

- L. De Gio­van­ni, Costan­ti­no e il mon­do pagano, napoli, 1977.

- G. Ios­sa, Giudei, Pagani e Cris­tiani, napoli, 1977.

- J. Juster, Les Juifs dans l’Empire Romain , Pari­gi, 1914.

- J. More­au, La per­se­cuzione del Cris­tianes­i­mo nell’mpero, Bres­cia, 1977.

- G. Scarpat, Il pen­siero reli­gioso di Seneca, Bres­cia, 1977.

[11] P. F. Beat­rice, L’intolleranza cris­tiana nei con­fron­ti dei pagani: un prob­le­ma sto­ri­ografi­co, in «L’intolleranza cris­tiana nei con­fron­ti dei pagani», a cura di Pier Fran­co Beat­rice», EDB, Bologna, 1990, pag. 8.

[12] G. Crisos­to­mo, De S. Baby­la, 13 (Sources Chrè­ti­ennes 362, 106s).

[13] Lesile W. Barnard, L’intolleranza negli apol­o­gisti cris­tiani con spe­ciale riguar­do a Fir­mi­co Mater­no, in «L’intolleranza cris­tiana nei con­fron­ti dei pagani», a cura di P. F. Beat­rice, EDB, Bologna, 1990, pag. 79.

[14] Ibi­dem, pag. 88.

[15] Ibi­dem, pag. 104.

[16] C. Gnil­ka, La con­ver­sione del­la cul­tura anti­ca vista dai Padri del­la Chiesa, in «L’intolleranza cris­tiana nei con­fron­ti dei pagani» , cit., pag. 125.

[17] G. Boissier, La Fin du pagan­isme, Pari­gi, 1891.

[18] C. Gnil­ka, cit., pag. 130.

[19] Pru­den­zio, Con­tra Sym­macum, 2, 843–909; 856ss; 897ss; 901–904.

[20] C. Gnil­ka, cit., pagg. 133–134.

[21] Ibi­dem, pag. 150.

 

 

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