O MESSIANISMO TERRENO


Escatologia, No category / domingo, fevereiro 24th, 2013

 

Da Apoc­alíp­ti­ca ao Mundi­al­is­mo hebraíco/sionista

Don Curzio Nitoglia

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

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«Quem quer faz­er Teolo­gia não pode igno­rar o prob­le­ma hebraico e quem faz políti­ca non pode não recor­rer a Teolo­gia».

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Lit­er­atu­ra apoc­alíp­ti­ca

·         A Apoc­alíp­ti­ca não é para ser con­fun­di­da com o Apoc­alipse de São João, que «no sécu­lo XVIII foi um dos maiores alvos da críti­ca anti-reli­giosa do ilu­min­is­mo int­elec­tu­al­ista». A Lit­er­atu­ra Apoc­alíp­ti­ca é o «com­plexo de escritos pseudôn­i­mos judaicos  surgi­dos entre o séc. II a. C. e o séc. II d. C. ». A Apoc­alíp­ti­ca nasce no tem­po em que o Helenis­mo pagão tri­un­fa em Israel, que é oprim­i­do e o Tem­p­lo é pro­fana­do (168–164 a. C.). Então, depois do suces­so de Antío­co Epí­fanes (+ 164 a. C.), a con­quista da Judeia por parte de Roma com Pom­peu (63 a.c.) e a destru­ição do Tem­p­lo com Tito (70 d.C) e da Judeia com Adri­ano (135 d.C.) se acende sem­pre mais a esper­ança do res­gate nacional judaico  sob a guia dos “fal­sos pro­fe­tas” pred­i­tos por Jesus. A Apoc­alíp­ti­ca apócri­fa, para reforçar este revan­chis­mo nacional­ista, se serve dos Pro­fe­tas canôni­cos do Anti­go Tes­ta­men­to e lhes enrique­cem de predições imag­i­na­ti­vas que descrevem o tri­un­fo de Israel sobre Pagãos ou não hebreus (goyjim): «Israel será lib­er­ta­do e vin­ga­do, e, guia­do por Jah­weh e pelo seu Mes­sias, se sacia­rá na paz e na abundân­cia; as 12 Tri­bos voltaram para imper­ar sobre os Gen­tios doma­dos e pisa­dos». A Apoc­alíp­ti­ca apócri­fa judaica tem um caráter emi­nen­te­mente “esotéri­co” e é atribuí­da comu­mente aos Essênios. Mon­sen­hor Antoni­no Romeo escreve que a matéria da Apoc­alíp­ti­ca é ide­ológ­i­ca, políti­ca e escat­ológ­i­ca, essa tra­ta « da vin­gança final div­ina sobre as forças do mal tri­un­fantes atual­mente; da vin­gança sobre os Gen­tios e da restau­ração glo­riosa de Israel. […]. O Reino de Deus reveste geral­mente o aspec­to nacional­ista-ter­reno: esma­gante vin­gança de Israel, cumu­la­do para sem­pre de pros­peri­dade e de domínio». O reino de Israel ou do Mes­sias, que coin­cide com a Nação judaica, “será deste mun­do, […], e trará de vol­ta o Éden aqui embaixo. Em tal con­cessão judaica, a pes­soa humana con­ta bem pouco: Israel se tor­na real­i­dade abso­lu­ta e tran­scen­dente, a redenção é cole­ti­va em vez de indi­vid­ual, antes cós­mi­ca mais que antropológ­i­ca. […]. O Mes­sias é rep­re­sen­ta­do como um rei e um herói mil­i­tante. […]. Jamais o Mes­sias é vis­lum­bra­do como reden­tor espir­i­tu­al, expi­ador dos peca­dos do mun­do”. Em breve «o tema supre­mo apare­cerá em função exclu­si­va da glo­ri­fi­cação de Israel, a ‘fé’ é a impa­ciente espera pela ansi­a­da vin­gança sobre os Gen­tios. A aspi­ração a união com Deus, o amor de Deus e do próx­i­mo estão com­ple­ta­mente fora destes escritos Apoc­alíp­ti­cos, que fomen­tam a paixão da vin­gança e do domínio mundi­al […]. Para os Gen­tios os Apoc­alíp­ti­cos são implacáveis: toda com­paixão por eles pas­saria por debil­i­dade na fé. […]. Os ‘videntes’ da Apoc­alíp­ti­ca enraive­cem, com volup­tu­osi­dade fer­oz e ódio insaciáv­el  Os “apoc­alipses” assumem um lugar deci­si­vo na odiosa pro­pa­gan­da con­tra os Gen­tios; são armas de guer­ra […]; ao con­trário do Evan­gel­ho (Mt. VI, 34), a religião Apoc­alíp­ti­ca tem uma só pre­ocu­pação e ânsia: o Futuro […] os Impérios dos Gen­tios se aniquilarão um após o out­ro até que o domínio uni­ver­sal não passe a Israel». Daí resul­ta «o par­tic­u­lar­is­mo judaico  con­de­na­do pelo Evan­gel­ho. O mais ambi­cioso nacional­is­mo encar­ece as suas pre­ten­sões. Os Gen­tios são mais desprezadas e odi­a­dos do que nun­ca: o fos­so entre Israel e ess­es se trans­for­ma em um abis­mo». Segun­do alguns exege­tas (J. Klaus­ner) a Apoc­alíp­ti­ca “atua como um elo de lig­ação entre o Vel­ho Tes­ta­men­to e o Tal­mude” e o “seu eso­ter­is­mo se aprox­i­ma da Cabala (Romeo/Spadafora, cit.). Todavia, especi­fi­ca Mon­sen­hor Romeo, «a Apoc­alíp­ti­ca fal­si­fi­cou o Vel­ho Tes­ta­men­to e, abaixan­do o ide­al mes­siâni­co dos Pro­fe­tas, obstru­iu as vias do Evan­gel­ho e preparou os Judeus para rejeitar Jesus. Apre­sen­tan­do um Mes­sias que restau­ra em Israel a inde­pendên­cia políti­ca e lhe procu­ra o domínio uni­ver­sal, a Apoc­alíp­ti­ca acen­tu­ou o par­tic­u­lar­is­mo nacional­ista e impul­siona Israel a rebe­lião con­tra Cristo e con­tra Roma, e então ao desas­tre».

·         Mon­sen­hor FRANCESCO SPADAFORA qual­i­fi­ca a Apoc­alíp­ti­ca como «ódio atroz con­tra os Gen­tios, mór­bi­da espera da rev­olução e da lib­er­ação futu­ra de Israel. A Apoc­alíp­ti­ca se deve a for­mação do mais ace­so nacional­is­mo hebraico, que resul­tará na rebe­lião ao Império romano. Através dessa se expli­ca a con­fi­ança cega dos Judeus  pela extra­ordinária vin­gança nacional vatic­i­na­da pelos ‘fal­sos pro­fe­tas’».

 

·         O Abade GIUSEPPE RICCIOTTI escreve: «aos ver­dadeiros ‘Pro­fe­tas’ do Anti­go Tes­ta­men­to suce­dem os fal­sos ‘videntes’ da Apoc­alíp­ti­ca: os Rabi­nos, os Escribas e os Fariseus; mas a obra daque­les que não podi­am sub­sti­tuir ade­quada­mente aque­la dos primeiros. […]. O Pro­fe­ta, sob a ação do Espíri­to San­to, era uma “fonte de água viva” (Jer. II, 13), o escri­ba canal­iza­va aque­las águas fazen­do a con­fluir no lago da casuís­ti­ca. […]. Os Pro­fe­tas tin­ham fal­a­do condi­cionada­mente, e de modo par­tic­u­lar tin­ham anun­ci­a­do as grandes promes­sas de Deus ao povo de Israel em dependên­cia da ati­tude futu­ra deste. A Apoc­alíp­ti­ca ao con­trário não con­hece condições; aqui­lo que foi vatic­i­na­do deve infalivel­mente se tornar real­i­dade».

Mes­sian­is­mo

·         Mon­sen­hor FRANCESCO SPADAFORA escreve ain­da: «o Mes­sian­is­mo é a dout­ri­na sobre o Mes­sias e o seu Reino ou Nova Aliança; […] esse con­sti­tuí o pon­to cen­tral de encon­tro (nas Pro­fe­cias do Vel­ho Tes­ta­men­to) e de oposição (na real­iza­ção: Novo Tes­ta­men­to) entre o judaís­mo e o cris­tian­is­mo». Todo o Anti­go Tes­ta­men­to é exten­si­vo a Cristo e ao seu Reino. De fato, o Mes­sias «será mor­to pro­pri­a­mente por Israel, que lhe resiste e despreza (Is. LIII, 8 s.), mas que espi­ará com um luto nacional o seu crime (Zc. XII, 8–13; Mt. XXIV, 30; Jo. XIX, 37)». O ver­dadeiro Mes­sias, Jesus Cristo, é sobre­tu­do Rei espir­i­tu­al de todos os home­ns e não de uma só Nação e então não poderá ser odi­a­do, com­bat­i­do e con­de­na­do a morte pelos “fal­sos pro­fe­tas” ou “videntes” da Apoc­alíp­ti­ca que no ano 170 a.C. tin­ha começa­do a cor­romper a Fé do ver­dadeiro Israel em sen­ti­do mile­nar­ista, tem­po­ral­ista, mundi­al­ista e de dom­i­nação uni­ver­sal. Não é pre­ciso esper­ar “os Pro­to­co­los dos Sábios de Sião” para con­hecer os alvos de dom­i­nação de Israel infiel, bas­ta ler os Pro­fe­tas do Anti­go Tes­ta­men­to cumpri­do pelo Novo e Eter­no Tes­ta­men­to e cor­rompi­do pela Apoc­alíp­ti­ca apócri­fa dos Fariseus, Rabi­nos, Escribas e Essênios. Este é o dra­ma de Israel: ter segui­do na maior parte um fal­so con­ceito de Mes­sias cós­mi­co, mil­i­tante e tem­po­ral (que é sim­ples­mente um homem ou mes­mo uma cole­tivi­dade: o próprio Israel, “Sen­hor deste mun­do”) e ter recu­sa­do, sal­vo “uma peque­na relíquia”, o ver­dadeiro Mes­sias, Sal­vador de todos os home­ns, o qual Império é uni­ver­sal, defin­i­ti­vo, espir­i­tu­al e sobre­tu­do esten­di­do a vida após a morte, emb­o­ra ini­ci­a­do já neste mun­do, ain­da que imper­feita­mente. A sua morte na Cruz é o Úni­co Sac­ri­fí­cio per­feito e sem man­cha (“obla­tio mun­da”, Mal. I, 11), que hoje o fal­so Israel bus­ca sub­sti­tuir com o holo­caus­to ou catástrofe que sofreu a par­tir de Antío­co Epí­fanes  depois com Tito, então com a expul­são da Espan­ha e enfim durante a segun­da guer­ra mundi­al (a assim dita “shoah”). Infe­liz­mente «Os Judeus [Apoc­alíp­ti­cos], ape­sar da paciente insistên­cia do Reden­tor no reti­ficar e cor­ri­gir os seus fal­sos pre­con­ceitos, per­manece­r­am fatal­mente fora da sal­vação (cfr. Mt. VIII, 1 s.) ». Cer­ta­mente a Anti­ga Aliança, «con­cretiza­da no pacto do Sinai, é a úni­ca ver­dadeira religião, mas resul­tará em uma Aliança mais per­fei­ta e defin­i­ti­va, esten­di­da a todas as gentes; Israel lhe será o veícu­lo con­du­tor; um descen­dente de Davi lhe será o real­izador». Todavia «o perío­do dos macabeus ori­en­tou os Judeus para uma inter­pre­tação erra­da do Mes­sias, que se afir­ma na leitu­ra apócri­fa e rabíni­ca. […]. A oposição entre a Rev­e­lação real­iza­da por Cristo e a inter­pre­tação judaica dom­i­nante não pode­ria ser mais estri­dente; essa foi fatal para Israel, que per­manece fora da sal­vação eter­na. […]. Os israeli­tas tomaram idéias mitológ­i­cas [da Apoc­alíp­ti­ca apócri­fa] apli­can­do lhes a sua Nação: o asso­la­men­to cós­mi­co arru­inar­ia os pagãos, enquan­to teria dado a Israel feli­ci­dade ter­re­na defin­i­ti­va».

 

·         Padre ALBERTO VACCARI expli­ca que «o Mes­sian­is­mo é um con­ceito próprio das religiões hebraicas e cristãs, pon­to cen­tral de com­preen­são e jun­ta­mente de oposição entre essas, de com­preen­são quan­to as Pro­fe­cias do Anti­go Tes­ta­men­to, de oposição quan­to a inter­pre­tação desse». Enquan­to, para os Pro­fe­tas do A.T. o Mes­sias é uma pes­soa, para os videntes da Apoc­alíp­ti­ca apócri­fa é uma cole­tivi­dade e pre­cisa­mente o povo de Israel, que con­seguirá a pros­peri­dade nacional, o pre­domínio sobre todas as out­ras Nações. Além dis­so, «um Mes­sias mor­to e ressus­ci­ta­do, um Mes­sian­is­mo que se tin­ha cumpri­do em Jesus Cristo, era a nova Fé que os Após­to­los devi­am pre­gar a todo o mun­do, começan­do pelos Judeus. Mas para estes um Mes­sias cru­ci­fi­ca­do era um ‘escân­da­lo’, como para os Pagãos uma ‘lou­cu­ra’ (I Cor 1,23). […]. A oposição, que tal pre­gação encon­trou  na maior parte da não judaica tem sua primeira raiz no con­ceito diver­so que se tin­ha for­ma­do do Mes­sian­is­mo […] enquan­to o mun­do romano aceitou o Mes­sias repu­di­a­do pelos Judeus. […]. A primeira con­se­quên­cia da vin­da do Mes­sias con­siste no retorno dos Hebreus, aumen­ta­dos numeri­ca­mente, a Palesti­na e a re-edi­fi­cação de Jerusalém e do Tem­p­lo».

Con­clusão

Da Apoc­alíp­ti­ca e da fal­sa con­cepção Mes­siâni­ca seguem os diver­sos erros, que hoje atin­gi­ram o seu ápice e o domínio quase mundi­al, mas que é prelú­dio da catástrofe uni­ver­sal:

·         1º) a “Recon­quista nacional” de Israel é o Fim últi­mo da Apoc­alíp­ti­ca e do Mes­sian­is­mo rabíni­co;

 

·         2º) os “fal­sos pro­fe­tas” da Apoc­alíp­ti­ca mes­sian­ista tem­po­ral são as fig­uras de todos os “here­siar­cas” que virão no cur­so dos tem­pos até o fim do mun­do;

 

·         3º) o tri­un­fo implacáv­el e sem mis­er­icór­dia de Israel sobre os não-Hebreus é parte inte­grante da Apoc­alíp­ti­ca, que é o coração do Judaís­mo rabíni­co talmúdico/cabalístico post-bíbli­co;

 

·         4º) o Império de Israel será mundi­al e despóti­co sobre os ‘não-Hebreus’ assemel­ha­dos a “bestas falantes”;

 

·         5º) o todo é condi­ciona­do por nacional­is­mo ter­reno exas­per­a­do que leva ao par­tic­u­lar­is­mo, ao cul­to da raça hebraica e então, ao despre­zo dos gojim, ou seja, ao racis­mo mais rad­i­cal;

 

·         6º) a Apoc­alíp­ti­ca ou o Judaís­mo rabíni­co pós-bíbli­co não acred­i­ta na out­ra vida, mas quer traz­er o “céu” para ter­ra e não a ter­ra para o Céu: Israel é o “Rei deste mun­do”;

 

·         7º) o son­ho de restau­rar o Éden para a ter­ra que se encon­tra no cur­so da história nas várias here­sias mile­nar­is­tas, gnós­ti­cas, joaquim­i­tas, social­is­tas, cien­tificis­tas, as quais tem – ao invés – feito da ter­ra um “infer­no”;

 

·         8º) Israel é uma real­i­dade abso­lu­ta e tran­scen­dente, que toma o lugar de Deus, é em breve uma espé­cie de “pan-teís­mo” em que “tudo” (“pan”) é “só” Israel (“judeu-teís­mo”);

 

·         9º) o homem indi­vid­ual não con­ta nada: eis a via aber­ta ao total­i­taris­mo ou ao cole­tivis­mo marx­ista;

 

·         10º) além dis­so a Apoc­alíp­ti­ca do rabin­is­mo judaico talmúdi­co é toda esten­di­da para “o Futuro”, como no social­is­mo e isto expli­ca a natureza essen­cial­mente social­ista do sion­is­mo fun­da­do sobre kib­butz, para o qual os teo/conservadores que querem ver no Esta­do de Israel o ante­mur­al do comu­nis­mo tomam “pir­il­am­pos por lanter­nas”;

 

·         11º) o Mes­sias do judaís­mo rabíni­co é um Mes­sias mil­i­tante e guer­reiro, que asse­gu­rará a Israel a vitória e a vin­gança mais implacáv­el sobre os gojim, ou seja, sobre os ‘não-Hebreus’, seja Gen­tios que Cristãos;

 

·         12º) o amor de Deus e do próx­i­mo propter Deum, que é a alma do Anti­go e do Novo Tes­ta­men­to, estão total­mente ausentes na Apoc­alíp­ti­ca mes­siâni­ca do judaís­mo pós-bíbli­co e vem sub­sti­tuí­do por seitas de domínio uni­ver­sal e impe­ri­alís­ti­co escrav­ista, que nada tem haver com o são “ colo­nial­is­mo” civ­i­lizador e mis­sionário do Cris­tian­is­mo;

 

·         13º) em breve a Apoc­alíp­ti­ca é uma “arma de guer­ra” (A. Romeo), que nos está levan­do para a ter­ceira guer­ra mundi­al. Na ver­dade, a história, que é a “mes­tra” menos escu­ta­da pelos home­ns, nos ensi­na que Apoc­alíp­ti­ca des­en­cadeou as revoltas judaicas con­tra Roma (63 d.C.) com a con­se­quente reação des­ta últi­ma e a destru­ição do primeiro Tem­p­lo de Jerusalém (70), depois da Judeia (135) e as várias “catástro­fes” (em hebraico “shoah”) que se abat­er­am sobre o povo hebraico (1492 expul­são da Espan­ha, 1933=45 “Leis raci­ais” anti-judaicas em quase toda Europa). A par­tir de 2011 se esta atrav­es­san­do uma fase muito mais críti­ca que tem o risco de levar a catástrofe nuclear e mundi­al (v. Iraque, Afe­gan­istão, Síria e Irã);

 

·         14º) o estu­do da Apoc­alíp­ti­ca desmisti­fi­ca a len­da do Cris­tian­is­mo anti-romano. De fato, Roma acol­heu o Evan­gel­ho enquan­to a Judeia se revoltou con­tra os Romanos e ela foi destruí­da, pelo qual não é o Cris­tian­is­mo o inimi­go de Roma, mas o judaís­mo rabíni­co, como não foi Roma a perseguido­ra do Cris­tian­is­mo, mas o judaís­mo que se serviu de alguns per­son­agens de Roma (v. Popeia e Nero) para des­en­cadear as perseguições anti-cristãs;

 

·         15º) reli­giosa­mente a Apoc­alíp­ti­ca é a mel­hor refu­tação do ecu­menis­mo ou do diál­o­go judaico-cristão; na ver­dade, o Mes­sian­is­mo hebraico é o obstácu­lo invar­iáv­el do Cris­tian­is­mo e o judaís­mo atu­al não tem nada haver com os Pro­fe­tas do Anti­go Tes­ta­men­to, mas ref­ere-se ao Tal­mude e a Cabala;

 

·         16º) a “con­fi­ança cega” e fanáti­ca de Israel na vitória sobre os Gen­tios, fun­da­da sobre “visões” da Apoc­alíp­ti­ca, expli­ca a cegueira do sion­is­mo a quer­er hoje (como Bar Kobá a quis em 130 con­tra Roma) a todo cus­to uma guer­ra con­tra Síria e Irã, que é uma incóg­ni­ta mes­mo para Israel e os EUA;

 

·         17º) Os “Pro­fe­tas” do Anti­go Tes­ta­men­to, ver­dadeiras “fontes de água viva”, falaram da Aliança de Deus com o povo de Israel condi­ciona­da, ou seja, Deus escol­he Israel com a condição que este per­maneça a Ele fiel, se ao invés, O trai Deus aban­dona Israel, enquan­to os “fal­sos videntes” da Apoc­alíp­ti­ca judaico-rabíni­ca, ver­dadeiras “fontes rachadas”, lhe falam sem condições, por­tan­to, mes­mo se Israel aban­dona Deus, Ele jamais aban­donará Israel. A dout­ri­na católi­ca apli­ca a Israel aqui­lo que ensi­na sobre as almas indi­vid­u­ais: “Deus non deser­it nisi prius deser­atur”; ape­nas se é aban­don­a­do, Deus aban­dona a alma ou o povo que se é escol­hi­do. Então, o “Vel­ho Pacto” com Israel era condi­ciona­do e como Israel recu­sou o ver­dadeiro Mes­sias, Jesus Cristo, Deus o aban­do­nou e for­mou uma “Nova e Eter­na Aliança” com todos os povos (Gen­tios e a “peque­na relíquia” do ver­dadeiro Israel fiel a Moisés, aos Pro­fe­tas e a Cristo-Deus). Para o qual “os dons de Deus são sem arrependi­men­to” por parte de Deus, mas da parte do homem ou dos povos ess­es podem ser recu­sa­dos e então Deus aban­dona quem O trai. Como se vê, esta para­dox­al teo­ria da eleição incondi­ciona­da e abso­lu­ta de Israel foi retoma­da pelo Con­cílio Vat­i­cano II no sen­ti­do da Apoc­alíp­ti­ca rabíni­ca e em rup­tura com a Tradição Apos­tóli­ca. Se pen­sa na con­cepção de “Mes­sias cós­mi­co” e não Sal­vador dos home­ns (Mes­sian­is­mo antropológi­co) própria da Apoc­alíp­ti­ca rabíni­ca e retoma­da por Teil­hard de Chardin, o Pai da “Nova Teolo­gia” do Con­cílio Vat­i­cano II, com a teo­ria do “Cristo cós­mi­co”;

 

·         18º) entre Cris­tian­is­mo e judaís­mo pós-bíbli­co existe um con­traste que mais estri­dente não é pos­sív­el imag­i­nar: Jesus Mes­sias e Reden­tor das almas de todos os home­ns é con­trari­a­do e odi­a­do pela Apoc­alíp­ti­ca rabíni­ca, que quer um Mes­sias guer­reiro e tem­po­ral, o qual dá ape­nas a Israel o domínio sobre todo uni­ver­so. Este con­traste lev­ou inevi­tavel­mente o judaís­mo rabíni­co a cru­ci­ficar Jesus e tal ódio per­manece entre o judaís­mo hodier­no e o Cris­tian­is­mo, o qual não ces­sa de ser persegui­do como o foram os Após­to­los, os primeiros cristãos e assim até o fim do mun­do. A questão hebraica é, por­tan­to, sobre­tu­do teológ­i­ca e não racista (v. Antônio Romeo, Francesco Spadafo­ra, Giuseppe Ric­ciot­ti e Alber­to Vac­cari, emi­nentes exege­tas e teól­o­gos católi­cos, os quais nada tem haver com racis­mo biológi­co) e tem tam­bém con­se­quên­cias políti­cas, econômi­cas e étni­cas. Então, quem quer faz­er Teolo­gia não pode igno­rar o prob­le­ma hebraico e quem faz políti­ca não pode não recor­rer a Teolo­gia;

 

·         19º) o sion­is­mo e a con­seguinte cri­ação do Esta­do de Israel (1948) são a teo­ria e a colo­cação em práti­ca atu­al­iza­da no XX sécu­lo da Apoc­alíp­ti­ca hebraica, que vai do II sécu­lo a.C. ao II sécu­lo d.C.. Por isso abraçar o sion­is­mo e recon­hecer o Esta­do de Israel não é ape­nas uma questão políti­ca, mas sobre­tu­do reli­giosa com con­se­quên­cias políticas.Implicitamente isto equiv­ale a rejeitar Cristo como ver­dadeiro Mes­sias e úni­co Sal­vador de todos os home­ns e aceitar a Apoc­alíp­ti­ca e o fal­so Mes­sian­is­mo tem­po­ral rabíni­co, que matou Jesus e perseguiu a Igre­ja;

 

·         20º) a questão da “shoah” apre­sen­ta­da pelo judaís­mo Mes­siâni­co Apoc­alíp­ti­co como “Holo­caus­to” não é uma sim­ples questão históri­ca, mas tem uma valên­cia teológ­i­ca anti­cristã e anti­cristi­ca, des­de que quer sub­sti­tuir o Sac­ri­fí­cio de Cristo com aque­le de Israel, nova “divin­dade” do mun­do con­tem­porâ­neo. Ao mes­mo tem­po e con­se­quente­mente tem uma valên­cia geo-políti­ca que aju­da o Esta­do de Israel a con­quis­tar um domínio uni­ver­sal o qual se esta fazen­do sem­pre mais intru­si­vo e “onipresente” qual ante­ci­pação próx­i­ma do Reino do Anti­cristo final, pre­ce­di­do por vários “anti­cristos” ini­ci­ais.

Em um próx­i­mo arti­go ver­e­mos as prin­ci­pais fontes e car­ac­terís­ti­ca do Impe­ri­al­is­mo hebraico talmúdi­co e o seu ódio racista e teológi­co para com os ‘não-Hebreus’ e espe­cial­mente para os Cristãos.

 

 

d. CURZIO NITOGLIA

 

4 de jul­ho de 2012

http://www.doncurzionitoglia.com/apocalittica_messianismo_terreno.htm