A DEVOÇÃO AO ESPÍRITO SANTO


Espiritualidade / domingo, fevereiro 24th, 2013

- PRIMEIRA  PARTE -

PRIMEIRA  PARTE

SECONDA e TERZA  PARTE

QUARTA  PARTE

 

d. Curzio Nitoglia

29 de abril de 2011

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

http://www.doncurzionitoglia.com/devozione_spirito_santo.htm

 

A devoção ao Espíri­to San­to

-Primeira Parte-

 

 

clip_image001

Comu­mente se con­sid­era que, a devoção ao Espíri­to San­to seja qual­quer coisa  reser­va­da as almas espe­ci­ais ou favore­ci­das por caris­mas excep­cionais ou extra­ordinários. Nada de mais fal­so. Essa é necessária para chegar a per­feição da nos­sa vida sobre­nat­ur­al, a qual todos são chama­dos por Deus. SANTO TOMÁS (S. Th., II-II, q. 24, a. 9) ensi­na que a vida espir­i­tu­al se pode dividir em três eta­pas: a “primeira via purga­ti­va”, dos “prin­cipi­antes”, que se livram do peca­do mor­tal e fazem med­i­tações dis­cur­si­vas; a “segun­da via ilu­mi­na­ti­va”, dos “pro­gred­intes”, que imi­tam as Vir­tudes de Cristo e fazem uma oração mais afe­ti­va; estas duas eta­pas com­põem a ascéti­ca. Enfim a “ter­ceira via uni­ti­va”, que não é fac­ul­ta­ti­va mas necessária, é a mís­ti­ca ou dos “per­feitos”, que graças a atu­ação habit­u­al dos Dons do Espíri­to San­to chegam, com a oração infusa ou con­tem­plação, a união com Deus com pleno e per­feito fer­vor da Cari­dade, por quan­to é pos­sív­el a natureza humana nes­ta vida, aju­da­da pela Graça div­ina.

 

Iní­cio uma série de arti­gos para explicar que coisa seja a ter­ceira via mís­ti­ca ou dos per­feitos e como o Espíri­to San­to com os seus sete Dons é abso­lu­ta­mente necessário para chegar a san­ti­dade. Não é pura teo­ria, mas dessa derivam as con­se­quên­cias emi­nen­te­mente práti­cas para poder­mos nos faz­er san­tos e sal­var­mos a alma. LEÃO XIII na sua Encícli­ca Div­inum illud munus (1897) escreveu que como Jesus ini­ciou a nos­sa redenção e san­tifi­cação, assim essa deve ser aper­feiçoa­da e lev­a­da a ter­mi­no pelo Espíri­to Pará­cli­to, o qual tem papel na nos­sa vida espir­i­tu­al e por­tan­to, abso­lu­ta­mente necessário. Bas­ta pen­sar nos Após­to­los instruí­dos por Jesus por três anos e por out­ros quarenta dias depois da sua Ressur­reição, que sem a plen­i­tude do Espíri­to San­to rece­bi­da no dia de Pen­te­costes não foram capazes de per­manecer próx­i­mos ao Mestre.

 

PRIMA PARTE

 

Intro­dução

 

Dom” é aqui­lo que se dá livre­mente, por benevolên­cia e não por justiça ou obri­ga­to­ri­a­mente (débito, salário e estipên­dio). Quem doa quer ben­e­fi­ciar gra­tuita­mente aque­le que recebe. Então, não existe nen­hu­ma exigên­cia por parte de quem recebe e quem dá não requer nada em tro­ca. ARISTÓTELES (Tópi­cos, IV, 4; 125, a. 18) e SANTO TOMÁS (S. Th., I‑II, q. 68, a. 1, ob. 3) falan­do de “irre­didi­bil­i­tas” ou “não resti­tu­ição” e aqui o provér­bio pop­u­lar soa: “aqui­lo que é pre­sen­tea­do não é jamais devolvi­do”. Todavia seria errô­neo pen­sar que não deve gratidão àquele que recebe o dom. Isto, de fato, excluí ape­nas a neces­si­dade de devolver. Mais o dom requer o bom uso daqui­lo que é rece­bido, se o doador ofer­ece algu­ma coisa afim de que isso aper­feiçoe aque­le que o recebe.  De tal natureza são os dons que Deus faz as criat­uras. O máx­i­mo Dom de Deus Tri­no é o Espíri­to San­to, segun­do a índole do amor que con­siste em doar-se, “Altissi­mi don­um Dei” (Hino litúr­gi­co de Pen­te­costes, “Veni Cre­ator Spir­i­tus”), que o Amor sub­stan­cial com que Pai e Fil­ho se amam ad intra ou in divi­nis e nos querem amar ad extra envian­do nas nos­sas almas o Espíri­to San­to. Deste primeiro Dom pro­ce­dem todos os out­ros “dons” de Deus as suas criat­uras. Então, tudo aqui­lo que Deus dá as suas criat­uras, seja na ordem nat­ur­al (o ser e o agir) e sobre­tu­do na ordem sobre­nat­ur­al (a Graça e as Vir­tudes), é obra gra­tui­ta do seu Amor, infini­to e livre. Em sen­ti­do largo, tudo aqui­lo que temos rece­bido de Deus é “dom do Espíri­to San­to”, em sen­ti­do estre­ito são dons do Pará­cli­to a Graça san­tif­i­cante, as Vir­tudes infusas (teolo­gais e morais) infor­madas pela Cari­dade sobre­nat­ur­al e enfim os sete Dons do Espíri­to San­to, que são obje­to do pre­sente arti­go.

 

Existên­cia dos sete Dons do Pará­cli­to

 

Ape­nas a div­ina Rev­e­lação pode faz­er nos con­hecer a existên­cia dos sete Dons do Espíri­to San­to, porque ess­es são real­i­dades sobre­nat­u­rais, seja quan­to a essên­cia, seja quan­to ao modo de agir, e então ultra­pas­sam infini­ta­mente as capaci­dades da reta razão nat­ur­al.

ISAÍAS (11, 2) rev­ela: “Repousará sobre Ele o Espíri­to de Deus: Espíri­to de Sabedo­ria e de int­elec­to, de Con­sel­ho e de For­t­aleza, de Ciên­cia e de Piedade, e O encherá o Temor de Deus”. O Pro­fe­ta se ref­ere em sen­ti­do estre­ito e dire­to ao Mes­sias, mas em sen­ti­do indi­re­to e largo, a todos os mem­bros que são unidos a Cristo medi­ante a Graça san­tif­i­cante. Os Pais da Igre­ja inter­pre­taram unanime­mente em tal sen­ti­do a pas­sagem de Isaías (S. Justi­no, S. Cir­i­lo e S. Jerôn­i­mo). O Mag­istério ecle­siás­ti­co dele tra­tou no Sín­o­do romano de 382 sob o Papa São Dama­so, no Cate­cis­mo do Con­cílio de Tren­to (pg. I, cap., 9§ 8), no Cate­cis­mo de São Pio X (nn. 136–142; 564–578), na Encícli­ca Div­inum illud munus de Leão XIII (9 de maio de 1897). A litur­gia, que é a Fé pre­ga­da pela Igre­ja, fala dos sete Dons do Espíri­to San­to “Tu sep­ti­formis munere” (Hino Veni Cre­ator) e na Sequên­cia (Veni Sancte Spir­i­tus) da Mis­sa de Pen­te­costes fala do “sacrum septe­nar­i­um”.

 

Natureza dos sete Dons

 

SANTO TOMÁS (S. Th., I‑II, q. 68, a. 3) ensi­na que os Dons são sobre­nat­u­rais e infu­sos: ess­es não podem ser adquiri­dos com as forças humanas, porque ultra­pas­sam abso­lu­ta­mente as capaci­dades da natureza humana. Além dis­so, não são atos transe­untes, mas hábitos per­ma­nentes. Na ver­dade, Jesus nas S. Escrit­uras ensi­na aos dis­cípu­los que o Espíri­to San­to “per­manecerá con­vosco e estará em vós” (Jo 14, 17). Ora, o Espíri­to San­to não esta nun­ca sem os seus Dons, então, tam­bém ess­es são hábitos per­ma­nentes, que per­manecem na alma humana e não ape­nas são atos ou moções tran­sitórias e pas­sageiras (S. Th., I‑II, q. 68, a. 3, sed con­tra).

 

Qual a difer­ença entre Dons e Vir­tudes? As vir­tudes dão a fac­ul­dade da alma (int­elec­to e von­tade) a capaci­dade de agir sobre­nat­u­ral­mente (crer, esper­ar e amar); essas são habit­ual­mente pre­sentes no espíri­to humano e então, mes­mo essas são hábitos per­ma­nentes e não ações, moções pas­sageiras ou Graças atu­ais do Espíri­to San­to a serem movi­das por Ele. Por­tan­to, tam­bém essas são hábitos. Além dis­so, San­to Tomás ensi­na a dis­tinção real entre Vir­tudes infusas (sejam morais ou teolo­gais) e Dons do Espíri­to San­to. A razão é a seguinte: « Isaías nos apre­sen­ta os Dons do Espíri­to San­to como “espíri­tos”. Com tal palavra nos faz enten­der que os sete “espíri­tos” que enu­mer­ou se encon­tram em nós por inspi­ração div­ina. Ora, toda inspi­ração com­por­ta uma moção do exte­ri­or.

 

Ma como no homem existe um dúplice princí­pio motor: um inter­no, que é a razão, e um exter­no, que é Deus, o motor e a coisa que é movi­da devem ser pro­por­cionais, vale diz­er que, a per­feição daqui­lo que é movi­do deve con­si­s­tir na boa dis­posição a ser movi­da pelo seu motor (por ex. o motor de uma Fer­rari não pode ser insta­l­a­do sobre a platafor­ma de um Cinque­cen­to, mas requer a platafor­ma de um “fór­mu­la 1”).

Quan­to mais alto é o motor tan­to mais per­fei­ta deve ser a dis­posição da coisa que é movi­da, para que pos­sa rece­ber con­ve­nien­te­mente a ação do motor. Mas as Vir­tudes humanas, nat­u­rais ou adquiri­das, aper­feiçoam o homem enquan­to o aju­dam a gov­ernar-se e agir nat­u­ral­mente em sua vida ínti­ma e mate­r­i­al por meio da razão.

 

Então, é necessário que o homem, além das vir­tudes adquiri­das, pos­sua out­ras per­feições que o dispon­ham a ser movi­do div­ina­mente e essas são as Vir­tudes infusas e os Dons do Espíri­to San­to. Então, os Dons aper­feiçoam o homem em ordem a atos supe­ri­ores aque­les das Vir­tudes adquiri­das e infusas» (S. Th., I‑II, q. 68, a. 1). Pelo que se pode resumir assim a dout­ri­na do Aquinate: aqui­lo que difer­en­cia as Vir­tudes dos Dons é isto: quan­do se tra­ta de Vir­tudes morais adquiri­das, que tem como obje­to dire­to um bem nat­ur­al nobre, a causa motriz é a razão humana (por ex. com a prudên­cia racio­ci­no para ver qual é o mel­hor meio que me aju­da a chegar ao fim: se devo ir de Milão a Roma racio­ci­no se é mel­hor ir de trem, de avião ou automóv­el); se si tra­ta de Vir­tudes infusas morais ou teolo­gais, a sua causa motriz a razão ilu­mi­na­da pela fé, pre­via moção div­ina ou Graça atu­al ordinária.

 

Nos Dons a causa motriz é o Espíri­to San­to, que move o hábito dos Dons, os quais são bem dis­pos­tos a rece­ber a inspi­ração ou sopro espe­cial do Espíri­to San­to, que é uma Graça atu­al mais efi­caz e mais inten­sa do que a requeri­da nas Vir­tudes infusas. Então, nós podemos nos servir do hábito das Vir­tudes quan­do o quer­e­mos, prévia moção de Deus ou Graça atu­al, a qual não é nega­da a ninguém que vive em Graça san­tif­i­cante ou habit­u­al (por ex. podemos cumprir um ato de Fé quan­do quer­e­mos, sem­pre movi­dos pela graça sobre­nat­ur­al atu­al, que não é nega­da a ninguém); enquan­to os Dons recebem a Graça atu­al super­abun­dante do Espíri­to San­to, ape­nas Ele quer nos mover de maneira mais efi­caz: nis­so nós somos pas­sivos nos lim­i­tan­do a não colo­car resistên­cia e o Espíri­to Pará­cli­to é ati­vo.

 

Onde as Vir­tudes, que devem rece­ber e seguir os dita­mes da razão ilu­mi­na­da pela Fé são movi­das pela Graça atu­al ordinária, são diver­sas especi­fi­ca­mente dos Dons, que dis­põe a seguir a moção espe­cial do Espíri­to San­to ou Graça atu­al mais efi­caz. Além dis­so, nas Vir­tudes a regra ime­di­a­ta ou próx­i­ma dos atos bons é a razão humana ilu­mi­na­da pela Fé e movi­da pela Graça atu­al ordinária.

 

Ao invés, nos Dons a regra próx­i­ma e ime­di­a­ta dos bons atos é o Espíri­to San­to, que move os Dons dire­ta­mente, ori­en­tan­do-lhes e fazen­do de modo que o ato bom seja cumpri­do por motivos divi­nos,  de modo que os Dons são sobre­nat­u­rais seja quan­to a essên­cia que ao modo de agir, enquan­to as Vir­tudes são quan­to a sua essên­cia e não quan­to ao modo de agir, que é nat­ur­al mes­mo se aju­da­do pela Graça atu­al e ilu­mi­na­do pela Fé.

 

Na ver­dade, as Vir­tudes, que tem como princí­pio o homem e como regra próx­i­ma a razão humana ilu­mi­na­da pela Fé, pro­duzem atos humanos quan­to ao modus operan­di mes­mo se sobre­nat­u­rais quoad sub­stan­ti­am. Ao invés, os Dons, que tem como causa motriz e regra próx­i­ma o Espíri­to San­to, pro­duzem atos sobre­nat­u­rais não ape­nas quoad sub­stan­ti­am mas tam­bém quoad mod­um operan­di.

 

A con­se­quên­cia des­ta dout­ri­na é emi­nen­te­mente práti­ca naqui­lo que diz respeito a nos­sa vida.

 

De fato

 

1º) as Vir­tudes infusas não são total­mente per­feitas, porque quan­to ao modo são humanas;

 

2º) onde existe a neces­si­dade que os Dons ven­ham a com­ple­tar e aper­feiçoar as Vir­tudes com a sua modal­i­dade div­ina, sem a qual as úni­cas vir­tudes não poderão faz­er-nos chegar nes­ta vida a san­ti­dade ou a “per­feição” rel­a­ti­va, para a qual deve­mos cam­in­har e ten­der cada dia sem­pre mais.

 

Naqui­lo que diz respeito ao desen­volvi­men­to dos Dons que recebe­mos no esta­do ini­cial do Batismo ou no dia da nos­sa jus­ti­fi­cação, podemos ape­nas dis­por-nos, medi­ante uma lon­ga vida ascéti­ca (primeira e segun­da via dos ‘prin­cipi­antes’ e dos ‘pro­gred­intes’, cfr. S. Th., II-II, q. 24, a. 9) afim de que o Espíri­to San­to pos­sa mover-lhes e atu­ar-lhes quan­do quer e como quer.

Os nos­sos atos bons podem ape­nas aumen­tar a capaci­dade rece­bi­da dos Dons, mas a sua atu­ação depende do sopro do Espíri­to San­to que lhe faz pas­sar da potên­cia ao ato.

 

Na medi­da em que os Dons crescem em per­feição, aumen­ta a sua capaci­dade de rece­ber docil­mente a inspi­ração do Espíri­to San­to (por ex. como as velas de um bar­co que são tor­ci­das no mas­tro e mão a mão se des­do­bram receben­do sem­pre mais o sopro do ven­to).

Todavia, a sua atu­ação será sem­pre inde­pen­dente de nós e ape­nas o Pará­cli­to lhe atua como, quan­do e quan­to quer.

Esta é a difer­ença especí­fi­ca entre Dons e Vir­tudes, as quais são ao invés, atu­adas na nos­sa inteligên­cia e livre von­tade ilu­mi­na­da pela Fé e movi­da pela Graça atu­al ordinária. Daqui a difer­ença entre esta­do ati­vo do homem nas Vir­tudes e aqui­lo pas­si­vo nos Dons.

De fato, no exer­cí­cio das Vir­tudes infusas (mais e teolo­gais) a alma se encon­tra em um esta­do ati­vo, pelo qual se a Vir­tude infusa é sobre­nat­ur­al na sua sub­stân­cia, quan­to ao modo de agir essa é vivi­da de maneira humana e o homem pode faz­er um ato de Vir­tude como e quan­do quer, sem­pre impul­sion­a­do pela Graça atu­al ordinária ou moção sobre­nat­ur­al div­ina, como uma bar­ca que nave­ga por remos tam­bém se aju­da­da pelo ven­to favoráv­el e pelas ondas do mar não a ela con­trários. Ao invés, no exer­cí­cio dos Dons o Espíri­to San­to é a úni­ca causa motriz que sopra sobre o hábito dos Dons, como o ven­to sobre a vela de uma bar­ca e a alma é um sim­ples sujeito recep­ti­vo (con­sciente e livre) da inspi­ração ou Graça atu­al mais abun­dante do Espíri­to San­to.

 

Por­tan­to, a alma reage vital­mente ou con­scien­te­mente e livre­mente com o int­elec­to e a von­tade e coopera com o impul­so do Espíri­to não opon­do obstácu­los ou resistên­cias para secun­darizar a moção do Pará­cli­to. Então, a ini­cia­ti­va prin­ci­pal é do Con­so­lador ao qual a alma não opõe resistên­cia, enquan­to com as Vir­tudes a ini­cia­ti­va prin­ci­pal é in prim­is da alma humana aju­da­da pela Graça atu­al e ilu­mi­na­da pela Fé.

 

Atenção! A pas­sivi­dade ou não resistên­cia da alma é só no que diz respeito a moção do Espíri­to San­to, enquan­to para todo o resto a alma deve faz­er ati­va­mente aqui­lo que lhe é pedi­do ou aqui­lo para o que a impul­siona o Pará­cli­to  ou seja, a alma opera secun­dari­a­mente aqui­lo que o Espíri­to opera nes­sa pri­mari­a­mente e pro­duz secun­dari­a­mente aqui­lo que nes­sa se pro­duz primeira­mente pelo Espíri­to. A sua é uma ativi­dade rece­bi­da, mas assaz inten­sa porque a moção que recebe e em segui­da prossegue nota­bilís­si­ma e super­abun­dante.

 

San­to Tomas resume lap­i­dar­mente: “In Donis Spir­i­tus Sanc­ti mens humana non se habet ut movens, sed magis ut mota” (S. Th., II-II, q. 52, a. 2, ad 1).

 

O Angéli­co afir­mou mais vezes que uma das notas mais car­ac­terís­ti­ca da dis­tinção especí­fi­ca entre Dons e Vir­tudes é o seu diver­so modo de oper­ar: «as Vir­tudes aper­feiçoam o ato em modo humano, ao invés, os Dons em modo ultra humano» (III Sent., dist. 34, q. 1, a. 1).

 

Padre ANTÔNIO ROYO MARIN comen­ta: «Segun­do o Aquinate, aqui­lo que dis­tingue especi­fi­ca­mente os Dons das Vir­tudes infusas é pre­cisa­mente o seu modo diver­so de atu­ar […]. As Vir­tudes infusas movem a alma de modo humano, uni­formizan­do-se a regra da razão ilu­mi­na­da pela Fé; os Dons, ao invés, a movem ao sobre-humano, seguin­do o impul­so do Espíri­to San­to».

 

…con­tin­ua…

d. Curzio Nitoglia

29/4/2011

http://www.doncurzionitoglia.com/devozione_spirito_santo.htm