P. CURZIO NITOGLIA: O HOMEM ANIMAL POLÍTICO


Política, Teologia / sexta-feira, fevereiro 26th, 2016

Con­tra o erro ‘por defeito’ do Lib­er­al­is­mo-laicista e ‘por exces­so’ do Ange­lis­mo-cler­i­cal­ista


O HOMEM ANIMAL POLÍTICO
CONDITIO SINE QUA NON PARA A INSTAURAÇÃO  
DO REINO SOCIAL DE CRISTO
Padre Curzio Nitoglia
Tradução: Ged­er­son Fal­cometa


Atu­al­i­dade do prob­le­ma

  • São Pio X na Car­ta Encícli­ca Iucun­da Sane (Março de 1904) expli­ca que, o meio com que os het­ero­dox­os se infil­tram na Igre­ja, con­siste em aplicar uma regra de ação pru­den­cial aos princí­pios ou aos dog­mas, con­fundin­do o plano teóri­co ou da ver­dade com aque­le práti­co ou do agir humano. Ora, con­tin­ua papa Sar­to, a prudên­cia é uma vir­tude moral, que aju­da a aplicar os princí­pios ao caso práti­co e a resolver este últi­mo a luz do princí­pio, sem rebaixar o princí­pio, fazen­do o váli­do somente se prati­ca­mente útil. Por­tan­to, trans­por prudên­cia ou a práti­ca, confundindo‑a no nív­el dos princí­pios, é baixar o princí­pio do nív­el teóri­co para aque­le práti­co, o que tem con­se­quên­cias desas­trosas: do pon­to de vista teóri­co dilui o princí­pio e cor­rói o dog­ma; do pon­to de vista práti­co pode degener­ar se em las­sidão ou rig­oris­mo como ver­e­mos adi­ante”. 

  • Infe­liz­mente o catoli­cis­mo lib­er­al faz isto mes­mo a respeito da dout­ri­na sobre a relação entre Esta­do e Igre­ja. Com a des­cul­pa de maior prudên­cia, esse obje­ta que a dout­ri­na da união hierárquica entre poder tem­po­ral e espir­i­tu­al não é “pru­den­cial” ou “pas­toral” no tem­po pre­sente. O lib­er­al­is­mo católi­co ou mod­ernismo social não nega explici­ta­mente o princí­pio da união entre Esta­do e Igre­ja, para não ser expul­so da Igre­ja, mas diz que prati­ca­mente ou pru­den­cial­mente hoje não é mais opor­tuno e útil, mas danoso.
  • Para refu­tar tal erro, é necessário dis­tin­guir bem a teo­ria ou o princí­pio, que não muda (2+2=4) da práti­ca (ten­ho 4 maçãs, as pos­so com­er todas jun­tas ou é mais pru­dente com­er 1 de man­hã, 1 depois do almoço, 1 a tarde e out­ra colo­car a parte em caso de neces­si­dade?). Atenção! Dis­tin­guir para unir e não para con­tra­por, na ver­dade a práti­ca segue a teo­ria e é a apli­cação ao caso con­cre­to e con­tin­gente do princí­pio uni­ver­sal e imutáv­el. Se con­fun­do práti­ca ou prudên­cia (com­er 4 maçãs jun­tas pode­ria ser indi­gesto) com o princí­pio (2+2=4) frus­tro a imutabil­i­dade deste (e dou lugar a evolução da ver­dade, do dog­ma, a Tradição vivente…). Devo evi­tar tam­bém, o erro por exces­so de quem não pode calar em práti­ca o princí­pio e tor­na um ideól­o­go sec­tário, fanáti­co, implacáv­el, sem mis­er­icór­dia. Ele não pode com­preen­der, por exem­p­lo, se é opor­tuno gri­tar em públi­co, em meio a uma estação met­ro­pol­i­tana, que Jesus é Rei da Sociedade, ou, talvez em uma aula uni­ver­sitária, hos­til, mas aten­ta. O mod­ernismo politi­co, ao con­trário, peca por defeito de bom sen­so nat­ur­al, de Fé e de Esper­ança sobre­nat­ur­al e, diante do mun­do mod­er­no que é capaz de com­preen­der, mas se opõe a ver­dade, renún­cia por princí­pio aos princí­pios.  Por exem­p­lo, em nome da “Tol­erân­cia” fecha a “casa de tol­erân­cia”. S. Agostin­ho (grande San­to e gênio excel­so) escreve: “Se remove do palá­cio a rede de esgo­tos, esse será imer­so na lama e irá tornar-se uma “imen­sa cloa­ca”. É aqui­lo que se ver­i­fi­cou na Itália (por defeito) com a Lei Mer­lin, a qual não era uma San­ta nem um gênio e detur­pou todo lugar, por ter con­fun­di­do o princí­pio (a pros­ti­tu­ição é um mal) com a práti­ca (bom sen­so ensi­na que é menos grave cir­cun­scr­ev­er o fenom­e­no da pros­ti­tu­ição – chama­da “o mis­tério mais anti­go do mun­do” – nas “casas fechadas”, mais que deixá-los invadir o mun­do inteiro). O sec­tário (por exces­so) não pode aplicar com prudên­cia o princí­pio (a pros­ti­tu­ição é um mal moral) a vida práti­ca (a natureza humana é feri­da pelo peca­do orig­i­nal, e poucos podem viv­er na casti­dade segun­do seu esta­do de vida, enquan­to a maior parte, infe­liz­mente, a vio­la) e então nega a existên­cia as casas de tol­erân­cia e con­de­na a pena cap­i­tal os pecadores (v. o Calvin­is­mo). Enquan­to São Pio V em Roma havia feito eri­gir um inteiro “quar­teirão de tol­erân­cia” e Jesus disse a adul­tera vai não te ape­drejo mas não deves dese­jar pecar mais (ver­dade no jus­to meio de pro­fun­di­dade entre exces­so e defeito), os fariseus por exces­so a que­ri­am ape­dre­jar e os mod­ernistas hodier­nos jus­ti­fi­cam por defeito o seu peca­do. Do pon­to de vista sobre­nat­ur­al o princí­pio (por ex. Trindade das pes­soas na Unidade da Natureza div­ina) não muda, era ver­dade ontem, o é hoje e o será aman­hã. Porém é opor­tuno gri­tar-lo em meio a uma mesqui­ta ou sin­a­goga, sem ter sido inter­ro­ga­do a respeito? Ou é mais pru­dente evi­tar entrar na sin­a­goga e na mesqui­ta por própria ini­cia­ti­va, mas dis­cu­tir e demon­strar em uma con­fer­ên­cia aber­ta a cristãos, hebreus e muçul­manos? Só em caso de neces­si­dade se deve afir­mar o princí­pio (se me seques­tram e me lev­am a uma mesqui­ta ou sin­a­goga e me per­gun­tam se creio na San­tís­si­ma Trindade devo diz­er sim). Se mis­turo o princí­pio (Deus Uno quan­to a Natureza, mas Tri­no quan­to as Pes­soas) a pru­den­cial­i­dade e lhe con­fun­do ou mis­turo, vence a opor­tu­nidade práti­ca sobre a ver­dade diluí­da (no mun­do hodier­no, ago­ra glob­al­iza­do, é mais útil não falar de Trindade sem negá-la explici­ta­mente e afir­mar só a existên­cia de um Deus úni­co para todos, v. Assis 1986–2011). Então chegam a con­se­quên­cias desas­trosas (ao menos a rene­gação práti­ca ou implici­ta da Fé).
  • Quan­to a dout­ri­na social católi­ca sobre a união hier­ar­quiza­da entre Esta­do e Igre­ja, o princí­pio é sem­pre váli­do, pre­cisa saber aplicá-lo na práti­ca, mas não mis­tu­rar e con­fundir teo­ria e práti­ca para chegar a dan­i­ficar ou adoçar o princí­pio. Se cairia no util­i­taris­mo lib­er­al ou “comod­is­mo” amer­i­can­ista, con­de­na­dos por Leão XIII na car­ta Testem benev­o­len­ti­ae 1889* (pri­ma­do do útil sobre a ver­dade e amor imod­er­a­do da como­di­dade). Então, emb­o­ra sem rene­gar explici­ta­mente o princí­pio, o acred­i­tam teori­ca­mente e prati­ca­mente ina­bit­u­al, não pos­sív­el, nem sequer a lon­go pra­zo e lhe renun­ci­am se não de jure ao menos de fac­to. Para o qual a úni­ca estra­da per­cor­rív­el é aque­la das con­cessões, do diál­o­go com a mod­ernidade, ceden­do aos seus fal­sos princí­pios mod­er­nos, enquan­to aque­les da filosofia perene, da teolo­gia escolás­ti­ca, do Mag­istério tradi­cional são rep­uta­dos, his­tori­ca­mente e não teo­reti­ca­mente, acha­do arque­ológi­co, desat­u­al­iza­do, graças a men­tal­i­dade his­toricista que, calan­do o princí­pio na sua época históri­ca e tornando‑o um fato cronológi­co e con­tin­gente e não mais um princí­pio imutáv­el, rel­a­tiviza tudo.
  • Tam­bém no cam­po social a ver­dade ou os princí­pios não se enquadram no cam­po da ação e do agir pru­den­cial. É necessário aplicar com prudên­cia o princí­pio imutáv­el da ver­dade teoréti­ca ao caso práti­co não só indi­vid­ual mas comum, social e políti­co. Todavia não pre­cisa mis­tu­rar teo­ria e práti­ca, princí­pio e ação, dog­ma e prudên­cia. A ver­dade per­tence a ordem do ser e a prudên­cia aque­la do agir. Ora “agere sequitur esse, modus agen­dit sequitur mod­um essen­di, sed agere non est esse” (o agir segue o ser, o modo de agir segue o modo de ser, mas a ação não é o ser). O modo de agir ou o ato humano práti­co pode ser incom­ple­to, imper­feito e tam­bém mal quan­do é fal­so, mas uma ver­dade teoréti­ca não pode ser, por definição, incom­ple­ta, imper­fei­ta e fal­sa, está seria a con­tradição mes­mo sub­sis­tente como “o cír­cu­lo quadra­do”, para o princí­pio de iden­ti­dade e não con­tradição (verdadeiro=verdadeiro, falso=falso, ver­dadeiro ≠fal­so). A ver­dade é a con­formi­dade do int­elec­to a real­i­dade (“adae­qua­tio rei et intel­lec­tus”), a ideia é ver­dadeira se cor­re­sponde ao ser, não a ação [1], é fal­sa se não há cor­re­spondên­cia, neste últi­mo caso não se tem um con­ceito imper­feito, mas sim­ples­mente fal­so ou errô­neo, ao invés o ato humano pode ser “menos per­feito daqui­lo que dev­e­ria ser” (imper­feição ou “actus remis­sus”) ou ligeira­mente mal (peca­do venial) ou grave­mente mal (peca­do mor­tal). É necessário com­preen­der e sim­pa­ti­zar com a frag­ili­dade práti­ca do homem, sem jus­ti­ficá-la e aprová-la, mas a trans­posição da prudên­cia ao agir na ordem do ser ou da ver­dade, medi­ante meias-ver­dades ou ter­mos equívo­cos, ambígu­os, esmaec­i­men­to, impre­cisos, os quais, delib­er­ada­mente, não são explici­ta­mente errô­neos, é ain­da mais perigoso para a sã razão e a pureza da Fé.

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Mons. Antônio de Cas­tro May­er

  • Na sua Car­ta pas­toral sobre a Realeza social de Cristo em 1978, o bis­po brasileiro dis­tingue muito bem a ver­dade da ação práti­ca, e escreve que “o lib­er­al­is­mo que é o indifer­en­tismo rel­a­tivista em matéria reli­giosa e o sep­a­ratismo social do ele­men­to sobre­nat­ur­al é a causa da apos­ta­sia das Nações”. O Lib­er­al­is­mo laicista, na ver­dade, prop­ugna por princí­pio a sep­a­ração entre a religião e políti­ca, Igre­ja e Esta­do, como con­forme­mente a sua filosofia sub­je­tivista-rel­a­tivista uma religião vale a out­ra e con­se­quente­mente o Esta­do deve ser indifer­ente em direção a ver­dadeira religião. Além dis­so con­cebe o indi­vid­uo como um Abso­lu­to, um Fim e nega a dimen­são social e criat­ur­al do homem, que ao invés é em relação com os out­ros e com Deus. Destes princí­pios “teoréti­cos”, indifer­en­tismo, sub­je­tivis­mo, indi­vid­u­al­is­mo e “práti­cos”, ima­nen­tismo, sep­a­ratismo, lhe segue nec­es­sari­a­mente a sep­a­ração do Esta­do da Igre­ja ou a apos­ta­sia políti­ca, social e nacional, que é mais grave daque­la indi­vid­ual, como matar 1000 pes­soas é mais grave que matar uma só. Em breve é o con­tra reino de Cristo, a con­tra-igre­ja ou a “sin­a­goga de Satanás” (Apoc., II, 9). A dout­ri­na católi­ca ensi­na a coop­er­ação hierárquica entre Esta­do e Igre­ja, para san­tificar não só o indi­vid­uo, que por natureza é sociáv­el e rel­a­ti­vo a sua Causa. Então a Igre­ja quer sacralizar a Sociedade civ­il, união de mais famílias, com­postas por vários home­ns sociáveis, cri­a­dos e depen­dentes de Deus. Ao invés o lib­er­al­is­mo laicista quer dessacralizar a Sociedade, como não admite a dimen­são criat­ur­al e sociáv­el do homem e o ange­lis­mo hiper-cler­i­cal­ista quer tornar a religião um fato emi­nen­te­mente indi­vid­ual e “voca­ciona­do”, negan­do implici­ta­mente a natureza como Deus lhe criou: homem ani­mal racional, com­pos­to de alma e cor­po e nat­u­ral­mente social e não “nat­u­ral­mente sac­er­do­tal”: seria con­fundir a ordem nat­ur­al com aque­la sobre­nat­ur­al. Enquan­to o mod­ernismo o faz em detri­men­to do sobre­nat­ur­al ou por dire­ito, o híper-cler­i­cal­is­mo ange­lista o faz por exces­so em detri­men­to da natureza, “sed Gra­tia non tol­lit natu­ra, sup­ponit et per­ficit eam”, ensi­na S. Tomás (S. Th., I, q. 1, a. 8 ad 2[2]). Aqui a causa da apos­ta­sia da hora pre­sente: o laicis­mo-lib­er­al e o ange­lis­mo híper-espir­i­tu­al­ista, o nat­u­ral­is­mo (Racional­is­mo, Ilu­min­is­mo, Mate­ri­al­is­mo e Ima­nen­tismo) e o espir­i­tu­al­is­mo exager­a­do (Platão/Descartes/Idealismo/Ontologismo).
  • In prin­ci­pio era Auc­tori­tas et Auc­tori­tas erat a Deo”, recita o adá­gio escolás­ti­co. Na ver­dade por Rev­e­lação “não existe Autori­dade se não derivante de Deus”[3]. Ao invés para o lib­er­al­is­mo a autori­dade deri­va do Homem que é o Fim últi­mo de si mes­mo (“non est auc­tori­tas nisi ab homine et pop­u­lo”). O lib­er­al­is­mo é a encar­nação da dout­ri­na das “Duas cidades” descri­ta por S. Agostin­ho no De civi­ta Dei, “a cidade de Deus com­pos­ta daque­les que por amor ao Cri­ador recon­hecem a si mes­mos como criat­uras fini­tas e a cidade de Satanás, com­pos­ta daque­les que por amor des­or­de­na­do de si, desprezam a Deus”. A Rev­olução mod­er­na, o laicis­mo lib­er­al con­trapõe Deus e o homem, como duas pes­soas não só dis­tin­tas mas con­trárias e con­tra­pos­tas, uma autôno­ma da out­ra. O homem mod­er­no e con­tem­porâ­neo gri­ta como Lúcifer “Non servi­am!” e como a ser­pente do Éden insin­ua “Ero sicut Deus”. A Igre­ja, que é a ordem ou o con­trário da Rev­olução, a qual é a “própria des­or­dem sub­sis­tente por par­tic­i­pação”, har­mo­niza Deus (“a própria ordem sub­sis­tente”) e o homem como Pai e Fil­ho, dis­tin­tos, não con­trários nem con­tra­pos­tos, mas em relação de con­hec­i­men­to amoroso, altruís­ta, recípro­co e em con­vivên­cia pací­fi­ca medi­ante a Graça san­tif­i­cante. Daqui­lo lhe segue que para a Igre­ja o Esta­do, o qual nat­u­ral­mente é o con­jun­to de home­ns e famílias, deve dar a Deus o cul­to ofi­cial e públi­co, porque o Esta­do é por natureza criatu­ra de Deus. Ao invés o Laicis­mo ou a mod­ernidade antropocên­tri­ca e rev­olu­cionária nega que Deus é cri­ador do homem e a for­tiori da Sociedade civ­il, polis ou civ­i­tas. Então, enquan­to a Igre­ja tem uma con­cepção emi­nen­te­mente políti­ca ou social, dada a natureza sociáv­el do homem cri­a­do por Deus, o laicis­mo, revoltoso e sub­ver­si­vo, odeia a dimen­são social (“o out­ro é o infer­no”, dizia J.P. Sartre, cer­ta­mente os seus escritos foram a moti­vação de muitos jovens, para o sui­cidio) e criat­ur­al do homem, que o colo­ca em relação com os out­ros no Esta­do e em relação com Deus na Igre­ja, a qual é uma Sociedade per­fei­ta juridi­ca e sobre­nat­ur­al, um “Cor­po mist­i­co”. Mas a dout­ri­na a‑social e lib­er­al – como ensi­na Pio XII – “é con­tra natureza” porque quer “obri­gar o espíri­to e a von­tade do homem a aderir ao erro e ao mal ou a con­sid­erá-lo indiferente”[4], enquan­to o int­elec­to é feito para aderir ao ver­dadeiro e refu­tar o fal­so a von­tade para amar o bem e repudir o mal. Na adesão ao erro ou ao mal não só não se tem nen­hu­ma  per­feição ou enriquec­i­men­to da natureza humana, mas só degradação da inteligên­cia e da von­tade, as quais são as duas fac­ul­dades nobres da alma racional e espir­i­tu­al do homem. O Esta­do, que é o con­jun­to de famílias, as quais se unem para obter mais facil­mente o próprio fim próx­i­mo (bem estar mate­r­i­al) e últi­mo (viv­er vir­tu­osa­mente para unir-se a Deus), não tem o dire­ito de defor­mar a inteligên­cia e a von­tade da alma humana, mas ao con­trário deve aju­dar o homem a con­hecer a ver­dade e a praticar a vir­tude. Tudo isto se con­segue através da coop­er­ação entre políti­ca e religião, Esta­do e Igre­ja. Quem os quer sep­a­rar peca ou por defeito (laicis­mo lib­er­al: indi­vid­u­al­is­mo a‑social) ou por exces­so (espir­i­tu­al­is­mo angelís­ti­co: o homem é só alma, o cor­po é mal­va­do e assim a sociedade ou a polis são um mal a evi­tar para obter o próprio Fim que é o Céu, somente através da religião, a qual não tem nen­hu­ma valên­cia social)[5]. Mas o homem não é um anjo, é com­pos­to de alma e cor­po, é feito para viv­er em Sociedade civ­il (Esta­do) e reli­giosa (Igre­ja), as quais não devem pre­scindir uma da out­ra (erro por exces­so: ange­lis­mo platônico/cartesiano [6]) ou com­bat­er-se (erro por defeito: laicis­mo lib­er­al-rev­olu­cionário), mas coop­er­ar sub­or­di­nada­mente como o cor­po e a alma.
  • Como por natureza o homem é um ani­mal racional e livre, (feito para con­hecer o ver­dadeiro e amar o bem) e sociáv­el (feito para viv­er em Sociedade civ­il ou políti­ca), nem sequer Deus pode­ria con­ced­er ao Esta­do e ao indi­vid­uo, que são uma criatu­ra nat­ur­al, o poder de con­tradiz­er a sua razão de ser ou final­i­dade (con­hecer o ver­dadeiro, amar o bem, viv­er em Sociedade polit­i­ca-nat­ur­al e reli­giosa-sobre­nat­ur­al) e dar-lhes o dire­ito de ser indifer­entes ou neu­tros em matéria de reta razão indi­vid­ual, social e reli­giosa. A liber­dade filosó­fi­ca ou reli­giosa é con­tra a natureza, a tol­erân­cia filosó­fi­ca ou reli­giosa é sem­pre um mal que se pode per­mi­tir de fato, nun­ca quer­er por princí­pio para evi­tar um mal maior. Isto o ensi­na a sã razão, a ver­dadeira teolo­gia, a Tradição apos­tóli­ca e o Mag­istério da Igre­ja [7]. A ignorân­cia invencív­el des­cul­pa o indi­vid­uo do peca­do for­mal, mas não lhe da o dire­ito de faz­er pub­li­ca­mente o mal e propa­gar em foro exter­no e pub­li­ca­mente o erro, porque obje­ti­va­mente ele se encon­tra no erro e no mal, o qual não tem nen­hum dire­ito a existên­cia, a pro­pa­gan­da e a ação públi­ca [8].
  • Uma das final­i­dades da Igre­ja além da con­ver­são indi­vid­ual das almas é a dilatação do Reino de Deus sobre a ter­ra. Este Reino é “prin­ci­pal­mente espir­i­tu­al, mas secun­dari­a­mente tam­bém de ordem políti­ca e tem­po­ral” (Pio XI, Quas Pri­mas, 1925). Então a liber­dade reli­giosa é con­tra a final­i­dade da Igre­ja como Cristo há quis, não só é con­tra a natureza mas tam­bém con­tra a Rev­e­lação. A apos­ta­sia das Nações de Deus, que foi prop­ug­na­da pelos home­ns da Igre­ja (v. Dig­natatis humanae per­son­ae, 7 de dezem­bro de 1965). O ide­al ou a meta apos­tóli­ca a qual todos (lei­gos e cléri­gos) somos chama­dos é a instau­ração do reino de Deus já sobre a ter­ra, emb­o­ra se imper­feita­mente, para obtê-lo per­feita­mente no Paraí­so. Então primeiro deve­mos nos con­vert­er ver­dadeira­mente e viv­er habit­ual­mente na Graça de Deus e então poder­e­mos levar  Cristo na família, no ambi­ente de tra­bal­ho e na Sociedade civ­il. Isto é a ordem a seguir para “instau­rare omnia in Chris­to” (S. Pio X): se não se é cristão inte­ri­or­mente e ver­dadeira­mente não se pode restau­rar a Cri­stan­dade (“nemo dat quod non habet”), não se deve começar com a políti­ca (“poli­tique d’abord” Charles Mau­r­ras) porque isto sig­nifi­caria ini­ciar a con­stru­ir uma cada pelo teto e não pelo fun­da­men­to. Se é con­quis­ta­do o poder do Gov­er­no e se fazem leis cristãs mas o Gov­er­nante e os cidadãos não são cristãos, a “restau­ração” é só exte­ri­or e super­fi­cial e então dura como um fogo de pal­ha. Mes­mo Antônio Gram­sci o havia com­preen­di­do. Segun­do ele, era necessário primeiro con­quis­tar o con­sen­so de uma nação e mudar-lhe a sua men­tal­i­dade e depois con­quis­tar a hege­mo­nia e o poder politi­co, caso con­trário, tudo entraria em colap­so. A Polis é um con­jun­to de famílias e de home­ns, antes vem o indi­vid­uo que unido a out­ra for­ma, uma família, a qual jun­to a out­ras famílias for­mam uma vilare­jo e mais vilare­jos um Esta­do. A Civ­i­tas ou Polis será cristã e orde­na­da na sua medi­da a qual aque­les que lhe fazem parte são orde­nadas e cristãs. Só, então, o Esta­do tem o dev­er de man­ter a ordem e pro­te­ger a vida vir­tu­osa. Mas não se pode começar com o fim, seria uma con­tra­dic­tio in ter­min­is ou um “con­tra-sen­so”, “o princí­pio = o princí­pio, o fim = o fim, o princí­pio ≠ o fim”. Aristóte­les (Políti­ca) e San­to Tomás (De regime prin­cipum) ensi­nan­do que “a políti­ca é a vir­tude da prudên­cia apli­ca­da a Sociedade”, enquan­to a “prudên­cia indi­vid­ual” se chama “monás­ti­ca” e aque­la ‘famil­iar’ se diz “econo­mia”. Leão XIII ensi­na que os primeiros e ver­dadeiros cristãos “fiz­er­am em pouquís­si­mo tem­po, pen­e­trar o Cris­tian­is­mo não só nas suas famílias, mas no exérci­to, no sena­do e por fim no palá­cio do imperador”[9]. Não começou no Palá­cio impe­r­i­al, mas do cristão indi­vid­ual.

 

Mons. Brunero Gher­ar­di­ni [10]

 

  • Mons. Brunero Gher­ar­di­ni abor­dou o prob­le­ma da relação entre Esta­do e Igre­ja no seu últi­mo livro de jun­ho de 2011 “A católi­ca. Lin­ea­men­tos da ecle­si­olo­gia agos­tini­ana (Tori­no, Lin­dau, 2011) [11]. No capí­tu­lo VII de seu livro Mons. Gher­ar­di­ni tra­ta da origem div­ina do poder civ­il [12] segun­do San­to Agostin­ho [13]: o gov­er­nante ou Príncipe deve admin­is­trar a res pub­li­ca como uma ativi­dade volta­da ao bem comum, que é faz­er os cidadãos con­seguirem o bem moral e faz­er eles evitarem o mal. A origem – como rev­ela S. Paulo (Rom., XIII, 1) – do poder é div­ina. O gov­er­no, então, é bom se respei­ta a sua natureza, que é a Causa efi­ciente da qual tira a Autori­dade, que é Deus, e, a causa final que é o bem comum tem­po­ral sub­or­di­na­do aque­le moral ou espir­i­tu­al. Caso con­trário, não recon­hecen­do Deus como sua Causa efi­ciente e não ten­do como alvo o viv­er vir­tu­osa­mente (nat­ur­al e sobre­nat­ur­al) o gov­er­no é mal, assim é com­paráv­el a “um ban­do de ladrões” [14]. O bom gov­er­nante deve, segun­do San­to Agostin­ho e todos os Padres gre­gos e lati­nos, colo­car-se ao serviço do bem e devem pro­mover social­mente, isto é, jun­to a Sociedade civ­il ou Esta­do a Religião div­ina [15]. A obe­diên­cia a Autori­dade civ­il, todavia, é condi­ciona­da a ela man­ter-se na final­i­dade moral (viv­er vir­tu­oso) e na dependên­cia de Deus (causa efi­ciente). Caso con­trário, a Autori­dade se tor­na tira­nia e é líc­i­to resisti-la em cer­tas e deter­mi­nadas condições (espe­cial­mente não tornar a situ­ação pos­te­ri­or pior que a ante­ri­or) [16]. Segun­do o hiponate o gov­er­nante cristão não só deve prov­i­den­ciar a paz inter­na e exter­na da Sociedade civ­il, mas tam­bém aque­la espir­i­tu­al, isto é o Esta­do deve favore­cer a Igre­ja na sua mis­são de expandir o Reino de Deus em todo o mun­do [17]. Cer­ta­mente a Igre­ja e o Esta­do não podem con­stringir a faz­er o bem, que não seria mais livre e mer­itório, mas devem proibir de faz­er o mal [18]. Assim, para defend­er a Fé se pode requer­er a inter­venção de quem por­ta a espa­da. Na ver­dade se o Príncipe deve punir os crim­i­nosos civis, porque jamais se deve impe­di-lo de reprim­ir tam­bém os crimes espir­i­tu­ais (a here­sia e o cis­ma)? Con­sideran­do que a here­sia e o cis­ma são um mal, até mes­mo o máx­i­mo dos males, quem por­ta a espa­da não pode não se servir dela para lhes reprim­ir [19]. San­to Agostin­ho refu­ta com 1000 anos de ante­cedên­cia a objeção dos católi­cos-lib­erais segun­do os quais o homem como indi­vid­uo inde­pen­dente é reli­gioso, mas como cidadão fazen­do parte de um Esta­do deve ser neu­tro em matéria reli­giosa. O hiponate de fato afir­ma que o Príncipe serve Deus de dois mod­os: como homem, viven­do a Fé infor­ma­da pela Cari­dade, e como Gov­er­nante fazen­do leis con­formes àquela div­ina-nat­ur­al, fazendo‑a respeitar e punin­do os trans­gres­sores [20].

Con­clusão

  • São Pio X na encícli­ca Iucun­da Sane (1904) nos recor­da que:

1º) Não pre­cisa con­fundir e mis­tu­rar os princí­pios com a práti­ca, a ver­dade com as exigên­cias da vida, caso con­trário se cai na evolução per­pé­tua da ver­dade, como que­ria Mau­rice Blondel “ver­i­tas est adae­qua­tio intel­lec­tus et vitae”, na ver­dade con­sideran­do que as exigên­cias da vida humana são con­tingên­cias conc­re­tas e históri­c­as, o int­elec­to deve se ade­quar a essas con­stantes mudanças. A ver­dade não é mais anco­ra­da na esta­bil­i­dade e imutabil­i­dade do ser, mas na flu­tu­ação e no moto per­pé­tuo do divenire. Anco­rar a nave sobre as flu­tu­ações móveis das ondas e não sobre o fun­do estáv­el do mar. 2º) O cato-lib­er­al­is­mo ou social-mod­ernismo, ao invés, con­fun­dem vol­un­tari­a­mente e cien­tifi­ca­mente princí­pios e práti­ca, assim for­mu­lam as “meias-ver­dades” que sec­re­tas, como o mod­ernismo qual­i­fi­ca­do como “foe­dus clan­des­tinum” ou “sei­ta sec­re­ta” por São Pio X (Sacro­rum Anti­s­ti­tum, 1º de setem­bro de 1910). Tais meias ver­dades são apli­cadas não só a filosofia, ao dog­ma e a moral, mas tam­bém na dout­ri­na social e políti­ca da Igre­ja e sobre­tu­do a uniáo hier­ar­quiza­da entre Esta­do e Igre­ja. 3º) Cer­ta­mente pre­cisa calar o princí­pio na práti­ca com Prudên­cia, mas a Prudên­cia não é a Fé, o dog­ma, a ver­dade ou o ser, essa é a rec­ta ratio agi­bil­i­um, nos diz como deve­mos faz­er para agir hic et nunc vir­tu­osa­mente a luz dos princí­pios imutáveis, sem con­fundir ser e agir, ver­dade e pru­den­cial­i­dade. Ao invés para o cato-lib­er­al­is­mo ou o social-mod­ernismo a‑dogmático o Princí­pio ou o Val­or máx­i­mo, abso­lu­to e uni­ver­sal é “não é pre­ciso exager­ar na afir­mação da ver­dade, ocorre esmaecê-la e torná-la aceitáv­el ao homem mod­er­no”. Sem, porém, cair no rig­oris­mo desumano e fanáti­co de quem anu­la os casos práti­cos e vêem só os princí­pios, enquan­to a vida é fei­ta de casos práti­cos e con­tin­gentes, que vão resolvi­dos a luz dos princí­pios imutáveis e perenes.

  • Mons. De Cas­tro May­er na sua “Car­ta pas­toral sobre o Reino social de Jesus Cristo” (1978) nos recor­da que:

1º) O homem é uma união da alma, cor­po e socia­bil­i­dade, con­tra o ange­lis­mo super-espir­i­tu­al­ista con­tra o mater­il­is­mo super-laicista de dire­i­ta (lib­er­al­is­mo) e de esquer­da (social­is­mo). 2º) A Autori­dade vem de Deus e não do homem ou do povo que usurparia, assim, o lugar do Cri­ador. 3º) Aderir ao fal­so e faz­er o mal não é ver­dadeira liber­dade, mas é um defeito con­tra a natureza dessa,  porque a alma humana é nat­u­ral­mente forneci­do do int­elec­to feito para con­hecer o ver­dadeiro e recusar o fal­so, e de von­tade, fei­ta para amar o bem e fugir do mal. 4º) Con­sideran­do que Deus é a própria per­feição sub­sis­tente, não pode faz­er o mal, que seria uma imper­feição. Então nem sequer Deus pode con­ced­er a liber­dade as fal­sas religiões, o dire­ito a liber­dade de opinião, que são con­tra a natureza e intrise­ca­mente per­ver­sos. 5º) A ordem cronológ­i­ca a seguir para “instau­re omnia in Chris­to” é antes de tudo a con­ver­são pes­soal (nemo dat quod non habet), em segui­da aque­la da família, então o vilare­jo e enfim o Esta­do. Se a ordem é inver­ti­da como fez Charles Mau­r­ras (‘poli­tique d’abord’) e se parte do Esta­do, sem primeiro ter for­ma­do ver­dadeiros cristãos, famílias e vilare­jos sin­ce­ra­mente cristãos, se tem um teto sem casa e sem fun­da­men­to; um móv­el  roí­do pelo carun­cho, um braço enges­sa­do, mas doente inter­na­mente de gan­grena, que antes ou em segui­da explodirá e fará entrar em colap­so a enges­sadu­ra; uma ossadu­ra jurídi­ca do Esta­do que tem uma aparên­cia cristã, mas sem alma e sem sub­stân­cia. Leão XIII (Immor­tale Dei, 1885) e São Pio X (Notre Charge Apos­tolique, 1910) nos recor­dam que “a Cri­stan­dade já exis­tia, não é pre­ciso inven­tar uma nova, mas instau­rar e restau­rá-la incenssan­te­mente con­tra os assaltos da impiedade” (S. Pio X) e que o Evan­gel­ho “primeiro pen­etrou as almas dos cidadãos, das famílias e do exérci­to romano até chegar, enfim, tam­bém ao Palá­cio impe­r­i­al” (Leão XIII).

  • Mons. Gher­ar­di­ni abor­dou o prob­le­ma da relação entre Esta­do e Igre­ja no seu últi­mo livra A Católi­ca. Lin­ea­men­tos da ecle­si­olo­gia agos­tini­ana de 2011. 1º) O Esta­do deve ser sub­or­di­na­do a Igre­ja como o cor­po a alma, a matéria a for­ma, a potên­cia ao ato, o divenir ao ser. San­to Agostin­ho – jun­to a todos os Padres ecle­siás­ti­cos – ensi­nou a dout­ri­na da coop­er­ação em hier­ar­quia entre Esta­do e Igre­ja. Mons. Gher­ar­di­ni com­pen­diou no seu últi­mo vol­ume estes princí­pios sobre a Igre­ja em si e em relação à Soci­etas ou Polis. 2º) A Igre­ja “não pode não faz­er políti­ca” (São Pio X), que não é par­tidarista mas é a vir­tude da Prudên­cia apli­ca­da a Sociedade civ­il, sendo o homem um “ani­mal social por natureza” (Aristóte­les e San­to Tomás). 3º) O Esta­do deve ser sub­or­di­na­do a Igre­ja como o cor­po a alma, a matéria a for­ma, a potên­cia ao ato, o divenir ao ser. San­to Agostin­ho – jun­to a todos os Padres ecle­siás­ti­cos – ensi­nou a dout­ri­na da coop­er­ação em hier­ar­quia entre Esta­do e Igre­ja.

d. Curzio Nitoglia

19 agos­to 2011

http://www.doncurzionitoglia.com/uomo_animale_politico.htm

[1] O mod­ernismo mudou a definição de ver­dade: não mais con­formi­dade do int­elec­to ao ser (“adae­qua­tio rei et intel­lec­tus”) ou real­i­dade obje­ti­va e extra­men­tal, mas con­formi­dade do pen­sa­men­to as exigên­cias da vida (“adae­qua­tio intel­lec­tus et vitae”), que evolui con­tin­u­a­mente e, por­tan­to, com isso muda tam­bém a ver­dade.

[2] Cfr. tam­bém S. Th., I, q. 62, a. 5: II-II, q. 26, a. 9, arg. 2; III, q. 69, a. 8, arg. 3.

[3] Ro[4] Pio XII, Dis­cur­so a V Con­fer­ên­cia Nacional da União dos Juris­tas católi­cos ital­ianos, 6 de dezem­bro de 1953. m., XIII, 1.

[4] Pio XII, Dis­cur­so a V Con­fer­ên­cia Nacional da União dos Juris­tas católi­cos ital­ianos, 6 de dezem­bro de 1953.

[5] É fácil recon­hecer nes­tas teo­rias a mar­ca do gnos­ti­cis­mo, do maniqueís­mo e da cabala.

[6] Se note bem como o ange­lis­mo assi­nala o iní­cio da mod­ernidade filosó­fi­ca com Descartes (+ 1650), segun­do o qual o homem é só alma aci­den­tal­mente uni­da ao cor­po, como um cav­aleiro ao cav­a­lo. Tal espir­i­tu­al­is­mo exager­a­do, que nega a com­posição sub­stan­cial de alma e cor­po, Descartes o pega empresta­do de Platão, mas sem o con­ceito de “par­tic­i­pação”, que Platão havia esboça­do e que San­to Tomás aper­feiçoou havendo‑o unido ao con­ceito de par­tic­i­pação criat­ur­al do Ser por essên­cia e aque­le aris­totéli­co de ser como ato últi­mo de toda essên­cia (superan­do, todavia, o mes­mo Aristóte­les, que tin­ha para­do no sol essên­cia e não alcançou a per­feição ulti­ma que é o actus essen­di). O Aquinate soma Platão e Aristóte­les, e os aper­feiçoa através do con­ceito de par­tic­i­pação no Ser per essen­ti­am e do ato de ser como per­feição últi­ma de toda for­ma ou per­feição ini­cial.

[7] S. GREGORIO NAZIANZENO (+ 390), Hom. XVII; S. JOÃO CRISOSTOMO(+ 407), Hom. XV super IIam Cor.; S. AMBRÓSIO (+ 397), Ser­mo con­ta Aux­en­tium; S. AGOSTINHO (+ 430), De civ­i­tate Dei  (V, IX, t. XLI, col. 151 ss.); S. GELÁSIO I (+ 496), Epist. ad Imper­at. Anas­ta­si­um I; S. LEÃO MAGNO(+ 461), Epist. CLVI, 3; S. GREGÓRIO MAGNO (+ 604), Reges­ta, n. 1819; S. ISIDORO DE SEVILHA (+ 636), Sent., III, 51; S. NICOLAU I, Epis­tul. Pro­po­suer­a­mus quidam (865); S. GREGÓRIO VII (+ 1085), Dic­ta­tus Papae(1075), I epís­to­la a Erman­no Bis­po de Metz (25 agos­to 1076), II epís­to­la a Erman­no (15 mar­zo 1081); URBANO II (+ 1099), Epist. ad Alphon­sum VI regem; S. BERNARDO DE CLARAVAL(+ 1173), Epís­to­la ao papa Eugênio III sobre as duas espadas; INOCÊNCIO III (+ 1216), Sicut uni­ver­si­tatis con­di­tor (1198), Ven­er­a­bilem fratrem (1202), Novit ille (1204);INOCÊNCIO IV (+ 1254), Aeger cui levia (1245); S. TOMÁS DE AQUINO (+ 12074), In IVum Sent., dist. XXXVII, ad 4; Quaest. quodlib., XII, a. 19; S. Th., II-II, q. 40, a. 6, ad 3; Quodlib. XII, q. XII, a. 19, ad 2; BONIFÁCIO VIII(+ 1303), Bol­la Unam sanc­tam (1302); CAJETANUS (+ 1534), De com­para­ta auc­tori­tate Papae et Con­cilii, tratt. II, pars II, cap. XIII; S. ROBERTO BELLARMINO (+ 1621), De con­tro­ver­si­is; F. SUAREZ (+ 1617), Defen­sio Fidei catholicae;.GREGÓRIO XVI, Mirari vos (1832); PIO IX, Quan­ta cura eSyl­labus (1864); LEONE XIII, Immor­tale Dei (1885), Lib­er­tas (1888); S. PIO X, Vehe­menter (1906); PIO XI, Ubi arcano (1921), Quas pri­mas (1925),PIO XII, Dis­cur­so aos juris­tas Católi­cos Ital­ianos, 6 dicem­bre 1953.

[8] Pio XII, Dis­cur­so a V Con­fer­ên­cia Nacional da União dos Juris­tas católi­cos ital­ianos, 6 de dezem­bro de 1953.

[9] Immor­tale Dei, 1885.

[10] Mons. Brunero Gher­ar­di­ni nasceu em 10 de fevereiro de 1925 em Pra­to, real­i­zou os estu­dos cole­giais em Ivrea próx­i­mo dos Sale­sianos e foi orde­na­do sac­er­dote em 29 de jun­ho de 1948 Pistóia. Estu­dou filosofia com Padre Cornélio Fab­ro (+ 1995) com Mons. Antônio Piolan­ti (+ 2001) e o Cardeal Pietro Par­ente (+ 1986) com o qual se for­mou. Foi Con­sul­tor da “Sagra­da Con­gre­gação das Causas dos San­tos”; Ofi­cial da “Sagra­da Con­gre­gação dos Sem­i­nários”; Pro­fes­sor Ordinário de Ecle­si­olo­gia na Uni­ver­si­dade Lat­er­a­nense; Respon­sáv­el pela “Pon­tif­í­cia Acad­e­mia Teológ­i­ca Romana” e da “Pon­tif­í­cia Acad­e­mia de San­to Tomás”; des­de 1994 é Canôni­co da Basíli­ca de São Pedro e a par­tir de 2001 Dire­tor da Revista teológ­i­ca “Divini­tas” fun­da­da por Mons. Piolan­ti.

[11] Lin­dau edi­to­ra: Cor­so Re Umber­to, n. 37, 10128-Torino;www.lindau.it.

[12] B. Ghera­di­ni, A Católi­ca, cit., p. 147.

[13]  S. Aug., Con­tra Faus­tum manichaeum, XXII, 75; Id., De civ­i­tate Dei, IV, 4 e V, 1; Id., Serm., 358, 6.

[14] S. Aug., De civ­i­tate Dei, IV, 4: “Remo­ta iusti­tia, reg­na sunt magna latrocinia”.

[15] S. Aug., Con­tra Cresco­ni­um, III, 51, 56; Id., De civ­i­tate Dei, V, 24.

[16] S. Aug., De cat­e­chizan­dis rudibus, 21, 37. I “rudes” não são os “bru­tos”, mas aque­les que ain­da não con­hecem a dout­ri­na cristã.

[17] S. Aug, Con­tra Cresco­ni­um, II, 19; III, 51–56.

[18] S. Aug., Con­tra lit­teras Petil­iani, II, 38, 183–184.

[19] S. Aug., Con­tra epis­tu­lam Par­me­ni­ani, I, 10, 16.

[20] S. Aug., Epist., 185, 5, 19.