P. CURZIO NITOGLIA: CUIDADO COM ASMEIAS VERDADES


Apologética, Filosofia, Política, Teologia / terça-feira, março 8th, 2016
CUIDADO COM AS MEIAS VERDADES 
Padre Curzio Nitoglia
Tradução: Ged­er­son Fal­cometa
Mon­sign­or Hen­ri Delas­sus  dizia: «Hoje mais que nun­ca é pre­ciso diz­er a ver­dade, sem sub­ter­fú­gios e sem hábeis estraté­gias. […] A moral é que as ver­dades dimin­uí­das não são a Ver­dade e ape­nas a Ver­dade leva con­si­go a vida; e ape­nas ela pode dar nos a ressur­reição a par­tir do esta­do  de coma que nos encon­tramos […] Jesus con­fes­sou a Ver­dade e com isto venceu o mun­do, mes­mo que isto lhe ten­ha cus­ta­do a morte de Cruz» [1]. E con­tin­u­a­va:«Aque­le que, hoje, procla­ma a ver­dade pela metade, faz mais danos do que quem a nega res­o­lu­ta­mente; temos neces­si­dade da Ver­dade inte­gral. Ou a Fé ou o Eu. Ou o cris­tian­is­mo nas almas e na sociedade; ou o orgul­ho, a inve­ja e todas as paixões des­or­de­nadas, que o egoís­mo esconde em si, e que a rev­olução des­en­cadeia […] tudo aqui­lo que não é a ple­na, fran­ca e inteira Ver­dade reli­giosa, não pode nada sobre o coração do homem, nem pode reme­ter a Sociedade civ­il sobre a estra­da”. [2]

Con­sel­hos práti­cos para “restau­rar tudo em Cristo” 
 
1º) Para refor­mar a Sociedade é pre­ciso primeiro refor­mar a si mes­mo
(Nemo dat quod non habet). “Toda mudança na Sociedade deve ter o seu primeiro princí­pio nos corações” [3].
 
2º) Retornar a uma lin­guagem sin­cera, evi­tan­do palavras equívo­cas
 
A palavra exprime a ideia e a ideia a coisa. Então, se quer­e­mos falar de coisas reais, e não de quimeras abstratas, deve­mos usar palavras que expri­mam a essên­cia das coisas. Deve­mos ade­quar a nos­sa lin­guagem e a nos­sa mente a real­i­dade, dar as palavras o seu ver­dadeiro sig­nifi­ca­do, ape­nas assim chegare­mos a ver­dade (Ver­i­tas est adae­qua­tio rei et intel­lec­tus), sem recair no erro nom­i­nal­ista.
Então, será necessário recusar a ‘frase­olo­gia cor­rompe­do­ra e con­fu­sion­ar­ia’ da filosofia mod­er­na e ide­al­ista, que con­funde as idéias e cor­rompe a ver­dade. Os sub­ver­sivos “fazem ado­tar palavras cor­rompe­do­ras; por meio dis­so insin­ua-se idéias fal­sas e cor­rup­tas, e as idéias preparam a via aos fatos sedi­ciosos e rev­olu­cionários” [4].
 
3°) Retornar a ple­na ver­dade filosó­fi­ca-teológ­i­ca
 
O erro atu­al é a negação do peca­do orig­i­nal. O Homem é “Imac­u­la­do”, então não tem neces­si­dade de redenção, de Cristo, da Igre­ja, de Sac­erdó­cio, de Graça; bas­ta lhe ape­nas a natureza que é semi-deifi­ca­da. Ao invés, é pre­ciso difundir “o cate­cis­mo nas mas­sas, a filosofia perene e a teolo­gia escolás­ti­ca nas class­es instruí­das: ape­nas neste pas­so se pode obter a saúde […] Ou a Fé ou o Eu. Ou o império do cris­tian­is­mo […]; ou o orgul­ho, a inve­ja e todas as paixões que o egoís­mo encer­ra e a Rev­olução des­en­cadeia” [5].
 
4º) Enco­ra­jar o homem ao esforço
 
A inér­cia debili­ta, o esforço viv­i­fi­ca! A preguiça é um vício funesto porque pára o desen­volvi­men­to do indi­vid­uo, da família e da Sociedade Humana. “O homem que não tem mais que tra­bal­har e com­bat­er se cor­rompe, e assim a nação” [6]. Em suma:”o ócio é o pai de todos os vícios” e “Baco, Taba­co e Vênus, as cin­zas reduzem o homem”, diz o provér­bio.
 
5º) Quem pode, depois de Deus, ou mel­hor, por meio de Deus, repro­duzir tudo isto?
 
“Aque­le que foi chama­do uma primeira vez a resta­b­ele­cer sobre a ver­dade a ordem social […]: o homem da teolo­gia, o padre […] Mas para estar a altura des­ta obra, é pre­ciso que o padre recu­pere a con­fi­ança em si mes­mo, ou mel­hor na vir­tude sobre­nat­ur­al que a S. Orde­nação nele depos­i­tou” [7].
 Saudáveis con­sid­er­ações “pas­torais”
“A instau­ração do reino de Cristo na sociedade, é uma meta de que se devem ocu­par todos os fiéis […]. Antes de todas as out­ras coisas, é necessário que Cristo reine nas nos­sas almas […] depois na nos­sa família […]. Assi­nalam­os a influên­cia nefas­ta que desen­volve no ambi­ente famil­iar a tele­visão, as revis­tas, os livros leves ou mes­mo imorais. As boas famílias podem unir-se em gru­pos soci­ais mais amp­los: ”Ai do solitário” diz as S. Escrit­uras. Assim de tan­tas famílias cristãs pode nascer uma Sociedade cristã, como já sucedeu nos sécu­los pas­sa­dos. […] Os cristãos devem agir na vida públi­ca, com a final­i­dade de impedir a aprovação de leis con­trárias à fé e a moral cristã […] Na real­i­dade, muitos de nós, edu­ca­dos pelo des­en­co­ra­ja­men­to e relax­am­en­to, pen­sam que a Providên­cia de Deus se ten­ha se rev­e­la­do insu­fi­ciente para con­ter a malí­cia em que hoje o mun­do se encon­tra sub­mer­so. Mes­mo que não ten­hamos a cor­agem, ou mel­hor, a estultí­cia de dizê-lo aber­ta­mente, de fato, pen­samos que a apos­ta­sia da Sociedade, seja tão pro­fun­da que ago­ra não é mais pos­sív­el falar do Reino social de Cristo! […], O nat­u­ral­is­mo nos con­duz­iu a con­fi­ar ape­nas nas forças humanas a esque­cer a onipotên­cia da graça […].
 
Para con­cluir: Nos podem fal­tar todos os meios para difundir o Reino de Cristo: ciên­cia, saúde, caris­ma pes­soal, capaci­dade de ser ali­men­ta­dores das mul­ti­dões ou como se diz hoje de ser ‘lead­ers’, tudo em suma; mas o grande meio da oração não nos fal­ta nun­ca” [8].
Um provér­bio fla­men­co diz: “são mais fortes duas mãos jun­tas em oração, que dois pun­hos pron­tos a gol­pear”! Ain­da que um não exclua o out­ro, mas devem ser hier­ar­quica­mente sub­or­di­na­dos.
 
Nos­sa Sen­ho­ra pode nos faz­er vencer a peste da idade mod­er­na
O Cardeal Otta­viani, escrevia, não faz muito tem­po: “Maria nos nos­sos tem­pos: a Sociedade mod­er­na é ator­men­ta­da por uma febre de ren­o­vação que dá medo e é infes­ta­da por home­ns que se prevale­cem de tan­to sofri­men­to nos­so para con­stru­ir o império de seus arbítrios, a tira­nia dos seus vícios, o nin­ho da luxúria e de rap­ina­gens. Mas o mal assum­iu car­ac­terís­ti­cas mais vas­tas e apoc­alíp­ti­cas, jamais con­hece­mos tan­tos out­ros peri­gos. De uma hora para out­ra nós podemos perder não ape­nas a vida, mas toda civ­i­liza­ção e toda esper­ança […]. Parece que tam­bém a nós diga o Sen­hor ‘não é ain­da chega­da a min­ha hora’, mas a Imac­u­la­da, a mãe de Deus, a Virgem que é a imagem e a tutela da Igre­ja, Essa nos deu já a Cana, a pro­va de saber e poder obter a ante­ci­pação da hora de Deus. E nós temos neces­si­dade de que esta hora ven­ha rápi­do, ven­ha ante­ci­pa­da, ven­ha fei­ta ime­di­a­ta, porque quase podemos diz­er: ‘Ó Mãe, nós não podemos mais!’ […]. Pelos nos­sos peca­dos nós mere­ce­mos os últi­mos excí­dios, as mais implacáveis exe­cuções. Nós cas­samos o seu Fil­ho das esco­las e das ofic­i­nas, dos cam­pos e das cidades, das ruas e das casas. O cas­samos das próprias igre­jas […] prefe­r­i­mos Barrabás. É ver­dadeira­mente a hora de Barrabás […] Com tudo isto, con­fi­antes em Maria, sen­ti­mos que é a hora de Jesus, a hora da redenção […] Diga Maria, como em Cana: ‘Eles não tem mais vin­ho’; e o diga com a própria potên­cia de inter­cessão e se Ele hesi­ta, se si nega, a vencer suas hes­i­tações como vence, por mater­na piedade, as nos­sas indig­nidades. Seja Mãe piedosa para conosco, Mãe impe­riosa para Ele. Acelere a sua hora, que é a nos­sa hora. Não podemos mais, ó MariaA humana ger­ação perece, se tu não te move. Fala por nós, ou silen­cia, fala por nós, ó Maria!” [9]
Con­clusões
 
Sobre­tu­do ago­ra, com a recrude­scên­cia do neo-mod­ernismo, não deve­mos nos iludir de poder “restau­rar tudo em Cristo” (S. Pio X) sem falar claro e forte, sem medo do ran­cor dos inimi­gos e sob aparên­cia de fal­sa prudên­cia, silen­ciar sobre questões can­dentes, que pode­ria pare­cer não dire­ta­mente conexa ao dog­ma, mas que ao con­trário são de vital importân­cia para a sua afir­mação ou negação.
Uma dessas questões diz respeito ao diál­o­go inter-reli­gioso espe­cial­mente com o judaís­mo, que fez a brecha na Igre­ja graças ao tema da ‘shoah’, apre­sen­ta­da por Jules Isaac a João XXIII  e ao Cardeal Agosti­no Bea, e que foi usa­do como “pé de cabra” para minar e entrar na sessão con­cil­iar onde lev­ou con­fusão, fumaça e obscuri­dade ao ambi­ente ecle­sial. Ape­nas indo a origem do mal ele poderá ser debe­la­do, dizen­do toda a ver­dade sem diluição.
 
Padre Curzio Nitoglia
27 de jun­ho de 2009
 
 

Notas:
 
[1] H. Delas­susVérités sociales et erreurs démoc­ra­tiques, Desclée, de Brouw­er, Lille, 1909, rist. 1986 éd. Sainte Jeanne d’Arc, Vil­legenon, pp. 384–391.
[2] Ibi­dem, pp. 399–400.
[3] H. Delas­susIl prob­le­ma dell’ora pre­sente. Antag­o­nis­mo tra due civiltà, II vol.,La rin­no­vazione e le sue con­dizioni, Roma, Desclée, 1907, pag. 156.
[4] Ibi­dem, pp. 201.
[5] Ibi­dem, pp. 304 e 324. 
[6] Ibi­dem, pag. 470.
[7] Ibi­dem, pag. 629 e 624.
[8] A. De Cas­tro May­erCar­ta Pas­toral sobre a Realeza de Nos­so Sen­hor Jesus Cristo, 8 dic. 1976,  ed. Vera Cruz, San Pao­lo, 1977.
Cfr. anche:
A. De Cas­tro May­erProb­le­mi dell’apostolato mod­er­no, Napoli, Dall’Albero, 1964, cap. VISul razion­al­is­mo, sull’evoluzionismo, sul laicis­mo. Cap. VIISulle relazioni tra Sta­to e Chiesa. Cap. VIIISu ques­tioni politiche, eco­nomiche e sociali, pagg. 83–111.
[9] A. Otta­vianiIl balu­ar­do, Ares, Roma, 1961, pagg. 279–283.