A IGREJA E O NAZISMO


História / domingo, setembro 1st, 2013

Pio XI, a Mit bren­nen­der Sorge (1937) e Pio XII

 

[Extratos]

PADRE CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

19 de out­ubro de 2009

http://www.doncurzionitoglia.com/chiesa_e_nazismo.htm

 

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O que é uma con­cor­da­ta?

Quan­do a San­ta Sé estip­u­la uma con­cor­da­ta com um gov­er­no, quer ape­nas pre­mu­nir os católi­cos sujeitos àquele gov­er­no de toda for­ma de perseguição ou de dis­crim­i­nação, mas isto não sig­nifi­ca que ipso fac­to a San­ta Sé recon­heça a sua bon­dade, que é difer­ente da sua legit­im­i­dade. De fato, um gov­er­no pode ser legí­ti­mo sem ser bom ou con­forme ao Dire­ito públi­co ecle­siás­ti­co, o qual pre­vê a sub­or­di­nação do Esta­do a Igre­ja, como o cor­po é sub­mis­so a alma, pela suprema­cia do fim espir­i­tu­al (da alma e da Igre­ja) sobre aque­le tem­po­ral (do cor­po e do Esta­do). Se leia o que escrevem os canonistas:”Concordata é aqui­lo que foi esta­b­ele­ci­do livre­mente por duas partes; essa é então um pacto para com­por uma con­tro­vér­sia que tam­bém é chama­da con­cór­dia, trac­ta­tus, pax […] é muito util prati­ca­mente para pre­venir dis­sensos ou a recom­por-lhes, se já nasce­r­am”1. A própria dout­ri­na é ensi­na­da pelo Cardeal Alfre­do Otta­viani que tam­bém nos expli­ca que:”a primeira con­cor­da­ta é o pacto de Cal­is­to ou Wor­ma­tiense de 1122”2. Enquan­to Padre Felice Maria Cap­pe­lo afir­ma que: “Os pactos car­olín­gios – entre Este­fano III e Pipino (754); entre Adri­ano I e Car­los Mag­no (774); entre Pasqual I e Ludovi­co o Pio (817) – podem ser chama­dos em sen­ti­do largo de con­cor­datas ou mel­hor edi­tos […], para alguns a Bula de Urbano II (1098) a respeito de Rug­gero I da Sicília, é a primeira con­cor­da­ta; todavia em sen­ti­do estre­ito a ver­dadeira e primeira con­cor­da­ta é aque­la de Cal­is­to (1122)”3. A San­ta Sé sem­pre recor­reu as con­cor­datas para pre­mu­nir os seus fiéis da pre­potên­cia do poder politi­co. Isto sig­nifi­ca que a con­cor­da­ta não é um ced­i­men­to do Papa ao mun­do mod­er­no, como deixa enten­der Pre­vost no seu livro sobre o Ral­liement; de out­ro for­ma, des­de o oita­vo sécu­lo a Igre­ja estaria ral­lié ao mun­do mod­er­no, que ain­da devia nascer.

A con­cor­da­ta com o III Reich

No verão de 1933, depois da req­ui­sição do III Reich, a San­ta Sé aceitou retomar as trata­ti­vas para uma con­cor­da­ta. Porém, Pio XI dev­e­ria bem rápi­do lamen­tar que em ape­nas qua­tro anos o par­tido que gov­er­na­va o III Reich ger­mâni­co tin­ha vio­la­do muitas vezes a con­cor­da­ta e bus­ca­do de todos os mod­os aniquilar a Igre­ja: “A exper­iên­cia dos anos transcor­ri­dos [qua­tro: de 33 até 37] […] rev­ela as maquinações, que já no princí­pio não se pro­puser­am a out­ra coisa senão uma luta até a aniquilação [do Catolicismo]”4. O Papa com­para alguns chefes do par­tido nacional social­ista ao inim­i­cus homo do Evan­gel­ho, semeador da dis­cór­dia, que é o dia­bo. De fato, aque­les espal­haram a “cizâ­nia […] de uma aver­são pro­fun­da, […] con­tra Cristo e a sua Igre­ja, des­en­cade­an­do uma luta que […] se serve de todos os meios”5. Pio XI con­tin­ua: “não se pode con­sid­er­ar como crente em Deus aque­le que usa o Seu nome retori­ca­mente […]; quem, com deter­mi­nação pan­teís­ta, iden­ti­fi­ca Deus com o Uni­ver­so, […] não per­tence aos ver­dadeiros crentes […].  Nem é tal quem, seguin­do uma pre­ten­sa con­cepção pré-cristã do anti­go ger­man­is­mo, colo­ca no lugar do Deus pes­soal o des­ti­no”6. Papa Rat­ti admite que a raça ou o povo, o Esta­do tem um lugar essen­cial e dig­no de respeito nas questões soci­ais e políti­cas, mas “quem lhe desta­ca des­ta escala de val­ores ter­renos, ele­van­do-lhe a supre­ma nor­ma de tudo […] divinizan­do-lhe com cul­to idol­átri­co per­verte […] a ordem cri­a­da e impos­ta por Deus, está dis­tante da ver­dadeira Fé”7. Não é católi­co quem põe a raça no lugar de Deus ou o Esta­do no lugar do Cri­ador. ‘O nos­so Deus – con­tin­ua o Papa – é o Deus pes­soal, tran­scen­dente, onipresente […] o qual não admite out­ras divin­dade em torno de si […]. Somente espíri­tos super­fi­ci­ais podem cair no erro de falar de um Deus nacional, de uma religião nacional, e empreen­der a lou­ca ten­ta­ti­va de apri­sion­ar nos lim­ites de um só povo, na restrição […] de uma só raça, Deus, Cri­ador do mun­do”8. Tudo isto não é senão o “provo­cante neo­pa­gan­is­mo”; além dis­so “A fé em Deus não se man­terá a lon­go pura e incon­t­a­m­i­na­da, se não se apoiar na fé em Jesus Cristo”9. E o Papa con­cluí com estas palavras proféti­cas: “Aque­les que […] ousassem colo­car de lado a Cristo, ou pior, sobre Ele, um sim­ples mor­tal, ain­da que fos­se o maior de todos os tem­pos, saibam que é um pro­fe­ta de quimeras10.

Inter­pre­tação da encícli­ca

Muitos tem fal­a­do da encícli­ca Mit bren­nen­der Sorge e tem procu­ra­do dar-lhe uma inter­pre­tação; mas poucos tem cita­do a Nota do III Reich de 12 de abril de 1937, entre­ga­da pelo embaix­ador alemão na San­ta Sé ao Secretário de Esta­do Vat­i­cano Mon­sen­hor Eugênio Pacel­li; e sobre­tu­do a Respos­ta de mon­sen­hor Pacel­li de 30 de abril de 1937 ao embaix­ador alemão. Mon­sen­hor Pacel­li responde, em nome do Papa Pio XI, ao gov­er­no alemão, e dá uma inter­pre­tação autên­ti­ca da encícli­ca. Pacel­li escreve que a Mit bren­nen­der Sorge não é um doc­u­men­to “hos­til ao povo ou ao Esta­do Ger­mâni­co”, antes essa rep­re­sen­ta uma “diag­nose em vista da cura desse” (primeiro pará­grafo). Recon­hece que a encícli­ca falou do “par­tido nacional social­ista” e não do gov­er­no alemão (segun­do pará­grafo). Acres­cen­ta que a intenção da encícli­ca “não era abso­lu­ta­mente causar dano ao povo ou ao gov­er­no ger­mâni­co, mas super­ar as des­or­dens que se ver­i­fi­cam na Ale­man­ha”; todavia Pacel­li colo­ca em guar­da firme­mente sobre o peri­go do par­tido nacional social­ista e sobre­tu­do sobre alguns de seus setores rad­i­cais. “O movi­men­to que sus­ten­ta o Reich é sem­pre mais com­pro­meti­do com idéias, dos ori­en­ta­men­tos e dos gru­pos ide­ológi­cos, que tem por fim destru­ir a Fé Cristã e de sub­ju­gar a Igre­ja”. Segun­do os estu­diosos mais qual­i­fi­ca­dos exis­tia um grupo ide­ológi­co que impul­sion­a­va o par­tido nacional social­ista para o anti­cris­tian­is­mo extremo e era aque­le de Rosen­berg, que que­ria ime­di­ata­mente a destru­ição da religião Católi­ca, enquan­to Hitler que­ria chegar pouco a pouco, real­izan­do a guer­ra. Out­ros – como ver­e­mos adi­ante – tam­bém procu­raram ver­dadeira­mente recu­per­ar par­cial­mente a Hitler.

·         O doutor Fabio Casi­ni, da Uni­ver­si­dade de Siena, escreve que o com­por­ta­men­to de Hitler a propósi­to do prob­le­ma reli­gioso foi ini­cial­mente ambíguo. “Ape­sar do pro­fun­do ódio para com o cris­tian­is­mo […] Hitler temia, ao menos até 1940, um aber­to con­fron­to cul­tur­al com as Igre­jas […]. Daí a sua dupla estraté­gia de apri­sion­a­men­to e de ameaças […]. E tam­bém daí a lin­ha pru­dente segui­da pelo dita­dor nos con­fron­tos com aque­les Bis­pos católi­cos que, cora­josa­mente, começavam a denun­ciar as perseguições nazis­tas […] A lin­ha a seguir, ao menos nos primeiros tem­pos, pare­ceu aque­la de con­sid­er­ar a Igre­ja Católi­ca uma unidade e, con­se­quente­mente, insos­sos e pri­va­dos de importân­cia os pro­nun­ci­a­men­tos indi­vid­u­ais dos ecle­siás­ti­cos. Hitler se reser­va­va a pro­ced­er a uma inter­venção mais res­o­lu­ta com o mun­do reli­gioso com o fim da guer­ra; em real­i­dade a sua fanáti­ca aver­são pelo cris­tian­is­mo saiu para fora com toda a força quan­do ata­cou a Polô­nia […], até a vitória sobre […] a França, quan­do san­cio­nou a pre­sum­i­da dom­i­nação nazista. Se abria a estra­da para o futuro do regime […] e a edi­fi­cação de uma sociedade na qual have­ria sem­pre menor espaço para a religião. Não mais uma questão de sep­a­ração entre Esta­do e Igre­ja, mas de elim­i­nação da Igre­ja (se reafir­ma­va aqui­lo que Rosen­berg, ideól­o­go do par­tido, havia pre­coniza­do no seu “Mito do sécu­lo XX” de 1930 […] o con­fli­to entre o neo-pagan­is­mo ger­mâni­co e as odi­adas Igre­jas cristãs, sobre­tu­do a “Inter­na­cional negra”, isto é, a Igre­ja de Roma)”11.

 

·         Ao invés, o pro­fes­sor Emílio Gen­tile, apren­diz de De Felice e um dos maiores expert’s do fenô­meno fascista, docente da Uni­ver­si­dade La Sapien­za de Roma escreve: “depois do adven­to ao poder de Hitler, a ameaça para a cri­stan­dade rep­re­sen­ta­da pelo nacional social­is­mo pare­cia a muitos cristãos […] grave, ain­da que a ambigu­idade da políti­ca reli­giosa de Hitler, que não enco­ra­ja­va aber­ta­mente os teóri­cos do neo­pa­gan­is­mo racista [Rosen­berg, nda], induzi­am qual­quer obser­vador, por mais que fos­se hos­til ao nazis­mo, a avançar nas dúvi­das sobre a iden­ti­fi­cação entre nacional social­is­mo e neo-pagan­is­mo racista. No regime nazista, em real­i­dade, as cor­rentes neopagãs, anti­cristãs […] eram fortes e pre­mentes […] para deixar cair rápi­do as dúvi­das sobre a natureza efe­ti­va­mente anti­cristã da religião nazista. […] O nacional social­is­mo rev­ela­va aos católi­cos […] a sua ver­dadeira natureza de movi­men­to anti­cristão, em que con­fluíam diver­sas cor­rentes, mas tem como fim comum a aniquilação da religião católi­ca […], porque o nazis­mo reivin­di­ca­va todas as car­ac­terís­ti­cas de uma nova religião, fun­da­da sobre princí­pios e sobre val­ores rad­i­cal­mente opos­tos aos cristãos e católi­cos”12. Além dis­so, Pacel­li recon­hece que se o Papa con­de­nou o bolchevis­mo, “não pode fechar os olhos sobre os erros que estão se desen­vol­ven­do no seio de out­ras tendên­cias políti­cas e filosó­fi­cas [Rosen­berg e o nacional social­is­mo, nda] que emb­o­ra sendo anti-bolchevique não pode gozar do priv­ilé­gio de ser tol­er­a­do ou igno­ra­do pelo Mag­istério supre­mo da Igre­ja”; o ver­dadeiro fronte ante-bolchevique, responde o Secretário de Esta­do Vat­i­cano, deve ser fun­da­do sobre a ver­dade e não pode ser anti­cristão [vale diz­er, o nacional social­is­mo não é a ver­dadeira reação ao bolchevis­mo, porque tam­bém esse, como o comu­nis­mo – ain­da que em medi­da menos rad­i­cal – é anti­cristão, nda] (pará­grafo quar­to). No pará­grafo séti­mo Pacel­li retor­na sobre “cer­tas per­son­al­i­dades do nacional social­is­mo” [Rosen­berg e Cam­erati] que manobram para destru­ir a Igre­ja 13.

 

·         O pro­fes­sor Gio­van­ni Mic­coli  escreveu recen­te­mente que, mes­mo Pio XII no iní­cio do seu pon­tif­i­ca­do, procurou «preparar um proces­so de dis­ten­são [com o III Reich]. A primeira notí­cia que ele comu­ni­cou aos qua­tro cardeais alemães (Bertram, Faul­haber, Schulte e Innitzer), abrindo os encon­tros que ele que­ria ter com eles nos dias suces­sivos ao con­clave [fale­ci­do]: Nós não somos con­tra a Ale­man­ha e nem mes­mo con­tra uma deter­mi­na­da for­ma de gov­er­no. […]. Deste pon­to de vista emerge clara­mente como as posições tomadas por Pio XI nos con­fron­tos com a Ale­man­ha nazista tin­ham ido além dos dese­jos e das ori­en­tações de ao menos uma parte do epis­co­pa­do alemão […] que se lem­bra da dis­tinção entre os máx­i­mos diri­gentes do gov­er­no [com­preen­den­do Hitler, nda] e os extrem­is­tas neopagãos do par­tido [Rosen­berg-Goebbels], com uma per­sis­tente con­fi­ança na disponi­bil­i­dade de Hitler. […]»14.

Pio XII e o nazis­mo

O novo Papa e o epis­co­pa­do alemão retomavam o princí­pio segun­do o qual «o cidadão deve respeito e obe­diên­cia a autori­dade legí­ti­ma, não impor­ta se sobre o trono assente um Pilatos ou um Nero»15, exce­to quan­do essa ordene qual­quer coisa de intrin­se­ca­mente per­ver­so, ou seja, con­trário a fé e a moral. Como se vê a Autori­dade pode ser legí­ti­ma mes­mo se não é boa ou con­forme a dout­ri­na social católi­ca. Mes­mo o Card. Faul­haber – que emb­o­ra não sendo ten­ro com as derivas neopagãs do nazis­mo – escreveu em 4 de novem­bro de 1936, depois de ter encon­tra­do pes­soal­mente Hitler, «de ter encon­tra­do diante de si não a um Nero, mas a um grande homem de Esta­do»16. Tal posição não era com­par­til­ha­da pelo Card. Von Galen e pelo Card. Schulte, os quais em 1937 expres­saram todas as suas per­plex­i­dades a Pio XI tam­bém sobre o próprio Hitler. «Mas ain­da em março de 1939, no encon­tro dos Cardeais alemães com Pio XII, Faul­haber podia avançar obser­vações e pro­postas como esta: “algu­mas vezes nut­ri­mos dúvi­das se da parte dos supre­mos chefes do par­tido se dese­ja a paz […]. Sobre­tu­do se si tra­ta de com­bat­er a Igre­ja»17.

Ter­mi­na­da a guer­ra, em 2 de jun­ho de 1945, Pio XII teve uma audiên­cia com os Cardeais res­i­dentes em Roma sobre a natureza do nacional social­is­mo, em que pre­cisa­va o sig­nifi­ca­do autên­ti­co de quan­to foi escrito por Pio XI:”Vós vedes aqui­lo que deixa atrás de si uma con­cepção do Esta­do que não tem em nen­hu­ma con­sid­er­ação os sen­ti­men­tos mais sacros da humanidade, que cal­ca os invi­o­láveis princí­pios da fé cristã. O mun­do inteiro […] con­tem­pla hoje a ruí­na, que lhe derivou”. O Papa define em segui­da a natureza do nazis­mo como: “O spec­tro satâni­co exibido pelo nacional social­is­mo” e pre­cisa que Pio XI com a Mit bren­nen­der Sorge”rev­el­ou […] aqui­lo que o nacional social­is­mo era na real­i­dade: a apos­ta­sia orgul­hosa de Jesus Cristo, a negação da sua dout­ri­na e da sua obra reden­to­ra, o cul­to da força, a idol­a­tria da raça e do sangue”, por­tan­to, con­cluí, existe uma “rad­i­cal oposição entre o par­tido nacional social­ista e a Igre­ja Católi­ca”. É pre­ciso diz­er que Pio XI no mes­mo ano de 1937 con­de­na­va o nazis­mo e o comu­nis­mo; mas dizia, na Divi­ni Redemp­toris, que o comu­nis­mo é “intrin­se­ca­mente per­ver­so e nen­hum cristão pode, por nen­hum moti­vo, colab­o­rar com ele”; enquan­to não diz o mes­mo do nacional social­is­mo. De fato, o nazis­mo não aboliu a religião, a pro­priedade pri­va­da e a família, enquan­to o comu­nis­mo sim. Por­tan­to existe uma gradação na malí­cia dos dois total­i­taris­mos e aque­le comu­nista é bem pior do que aque­le nazista. Ape­sar dis­to, Pio XI, quan­do Hitler foi a Roma, quis deixar a Cidade san­ta e ir para out­ro lugar, em sinal de protesto, em Castel­gan­dol­fo, dizen­do que em Roma trem­ula­va uma “cruz [suás­ti­ca] inimi­ga da cruz de Cristo18.

Além dis­so, é pre­ciso especi­ficar que Ernest Nolte mostrou nas suas obras como os Gulag de Stal­in são bem ante­ri­ores aos Lager de Hitler o qual, segun­do o his­to­ri­ador alemão, foi essen­cial­mente um anti-comu­nista e então um anti­s­semi­ta, já que na origem do comu­nis­mo marx­ista e lenin­ista há o judaís­mo. Auschi­witz vem depois do Gulag, deter­mi­na­do pelo Gulag19.

Pacel­li 1937 e 1845

A nota do Cardeal Pacel­li (1937) não está em con­tradição com o dis­cur­so de Pio XII ao Sacro Colé­gio (1945). Neste ulti­mo o Papa fala de “spec­tro satâni­co do nacional social­is­mo, […] que era orgul­hosa apos­ta­sia do Cris­tian­is­mo”, depois de ter con­stata­do o desen­volvi­men­to históri­co do nazis­mo; enquan­to em 1937 o Card. Pacel­li e Pio XI esper­avam poder sal­var ain­da o Esta­do (ou Reich) alemão – com o qual havi­am estip­u­la­do uma con­cor­da­ta (1933) – e uma parte – menos extrem­ista do Par­tido nazista, sep­a­ran­do desse o grupo mais extrem­ista e anti­cristão (Rosen­berg-Goebbes). Isto era ain­da pos­sív­el em 1933–37, mas o desen­volver-se da história (1939–1945) e talvez as cir­cun­stân­cias adver­sas (o judaís­mo inter­na­cional, a Améri­ca e o bolchevis­mo), que empurraram a Ale­man­ha em uma guer­ra con­tra todos e con­seguiram a exas­per­ação de Vesal­h­es que foi fei­ta mor­ta pelo próprio Hitler, mostraram a Papa Pacel­li que a natureza de uma parte do nazis­mo, que era no começo ten­den­cial­mente anti-cristã entrou em ato e depois de fato, e sob as sujeiras da guer­ra total e do aniquil­a­men­to da Nova Ordem Européia, tomou o barlaven­to emergin­do das cir­cun­stân­cias béli­cas.

PADRE CURZIO NITOGLIA

19 de out­ubro de 2009