SIONISMO E GENOCÍDIO DOS PALESTINENSES


História, Política / domingo, setembro 1st, 2013

Uma dis­pari­dade de opiniões e de cifras

PADRE CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Ged­er­son Fal­cometa]

10 de fevereiro de 2011

http://www.doncurzionitoglia.com/sionismo_e_genocidio_palestinesi.htm

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Intro­dução

Padre Gio­van­ni Sale escreveu um inter­es­sante arti­go na revista La Civiltà Cat­toli­ca, cader­no 3854 de 15 de janeiro de 2011, inti­t­u­la­do “A fun­dação do Esta­do de Israel e o prob­le­ma dos refu­gia­dos palesti­nens­es” (pg. 107–120). Antes de tudo, nos recor­da que os primeiros “kamikazes ter­ror­is­tas” foram os próprios Israe­lens­es e não os Árabes, como hoje se pen­sa comu­mente. De fato, em 22 de jul­ho de 1947 o Irgun fez explodir uma car­ga de dina­mite no Hotel King onde residia o “Quar­tel gen­er­al” da Grã-Bre­tan­ha, matan­do 91 pes­soas. Seguiram out­ros aten­ta­dos e assim a Inglater­ra decid­iu, em fevereiro de 1947, renun­ciar ao manda­to sobre a Palesti­na (p. 108). Além dis­so, recor­da que já em 1946 exis­tia uma forte “pressão” (“lob­byng”) da comu­nidade hebraica amer­i­cana sobre o Pres­i­dente Tru­man, que pela nova cam­pan­ha pres­i­den­cial tin­ha neces­si­dade de din­heiro e dos votos dos hebreus-amer­i­canos. No mes­mo ano tam­bém a URSS de Stal­in se declar­ou favoráv­el a divisão da Palesti­na. O “Depar­ta­men­to de Esta­do” estadunidense não esta­va de acor­do com a “Admin­is­tração pres­i­den­cial”, mas foi pro­pri­a­mente graças a inter­venção da “Admin­is­tração amer­i­cana” que o deser­to do Negev foi incor­po­ra­do ao Esta­do de Israel e não a Palesti­na como que­ria o “Depar­ta­men­to de Esta­do”. Por­tan­to, já em 1946 esta­va deci­di­do, sobre a pele dos Palesti­nens­es, que Israel ocu­paria «55% da Palesti­na, com uma pop­u­lação israense de 500 mil pes­soas»1. Ago­ra, nos per­gun­ta­mos, como era pos­sív­el, segun­do a justiça, que 37% da pop­u­lação hebraica obtivesse 55% do ter­ritório palesti­nense, do qual até então havia pos­suí­do ape­nas 7%? A respos­ta é somente a usu­al: a shoah do povo hebraico lhe dava o dire­ito a uma Pátria. Mas, se rebate, o que tin­ham haver os Palesti­nens­es com o agra­vo sofri­do pelos hebreus na Europa norte-ori­en­tal? Um his­to­ri­ador palesti­nense escreveu a propósi­to: «Os Palesti­nens­es não enten­di­am porque se entre­ga­va a eles as con­tas do holo­caus­to. [..]. Não enten­di­am porque era injus­to que os Hebreus per­manecessem mino­ria em um Esta­do Palesti­nense unitário, e ao invés, fos­se jus­to que quase a metade dos Árabes palesti­nens­es, se tor­nasse da noite para o dia, uma mino­ria sujei­ta a um povo estrangeiro»2. Evi­den­te­mente a lei não é igual para todos.

O peso da shoah

Como se pode con­statar, os efeitos foram enormes politi­ca­mente, eco­nomi­ca­mente (ressarci­men­tos), mil­i­tar­mente (guer­ras que ain­da hoje per­du­ram e talvez ter­mi­narão em um grande con­fli­to nuclear) e reli­giosa­mente (judaiza­ção do ambi­ente cristão e católi­co a par­tir do Vat­i­cano II). O Oci­dente e a Europa, caí­dos em um sen­ti­men­to de cul­pa cole­ti­va, “psi­cana­liti­ca­mente induzi­do”, pen­saram reparar o mal feito (ou feito acred­i­tar pela psi­canálise de mas­sa da “psi­copolí­cia”)3. A shoah con­tin­ua a pesar, mas se sen­ti qual­quer ranger, que se bus­ca sufo­car com leis penais e “his­to­ri­ci­das”.

A primeira guer­ra arábe-israe­lense

Pode ser divi­di­da em duas fas­es: a primeira de novem­bro de 1947 a 14 de maio de 1948 e a segun­da de 15 de maio de 1948 a out­ubro de 1949. A primeira fase foi sobre­tu­do uma guer­ril­ha, mas assaz cru­en­ta, bas­ta pen­sar no mas­sacre de 100 civis Palesti­nens­es por parte do Irgun, em 9 de abril de 1948, no vilare­jo de Deir Yassin4. A segun­da parte, ao invés, foi uma ver­dadeira e própria guer­ra con­ven­cional. Hou­ve, então, uma retal­i­ação árabe, quan­do um com­boio médi­co hebreu foi ata­ca­do per­to de Jerusalém e foram mor­tas 22 pes­soas. O ano 1948 foi mar­ca­do por muitas retal­i­ações hebraicas con­tra os Palesti­nens­es, que estavam relu­tantes em aban­donar o próprio ter­ritório e opun­ham resistên­cia a quem lhes que­ria tirar de casa. Infe­liz­mente todo povo em guer­ra fez suas retal­i­ações. Aque­la da via Rasel­la em Roma não é a úni­ca, como  querem nos faz­er crer. A segun­da fase foi car­ac­ter­i­za­da por um episó­dio cru­cial que deter­mi­nou a der­ro­ta dos Árabes, de for­ma incor­re­ta, por parte dos Israe­lens­es. De fato, em 11 de jun­ho de 1948 o conde sue­co Folke Bernadotte (que depois foi assas­si­na­do por alguns ter­ror­is­tas do Lehi) con­seguiu nego­ciar uma trégua. Essa foi acol­hi­da por Israe­lens­es e Palesti­nens­es, mas «Israel aproveitou de tal perío­do, violan­do os ter­mos da trégua, para adquirir da Tchecoslo­vaquia, uma grande quan­ti­dade de mate­r­i­al béli­co [do III Reich alemão], que per­maneceu inuti­liza­do depois da segun­da guer­ra mundi­al. Quan­do a guer­ra recomeça em 8 de jul­ho de 1948, o exérci­to israe­lense, uti­lizan­do os novos supri­men­tos europeus (e estadunidens­es), con­seguiu no cur­so de poucos dias ter van­ta­gens sobre os exérci­tos arábes. […]. Deste modo, foram ocu­pa­dos vários vilare­jos árabes e as cidades de Lida e Ram­le» (p. 114).

O genocí­dio dos Palesti­nens­es por parte de Israel

Começou neste momen­to. De fato, a cidade de Lida foi ocu­pa­da e acon­te­ceu uma ver­dadeira e própria «limpeza étni­ca» porque cer­ca de 70 mil habi­tantes de Lida foram expul­sos e con­duzi­dos a pé na “mar­cha da morte” para Ram­lá, e, sob o sol de verão, mor­reram numerosas cri­anças e vel­hos5. A ordem de expul­são foi dada pes­soal­mente por Ben Guri­on em 12 de jul­ho6. É líc­i­to falar de “genocí­dio”? Ou o úni­co genocí­dio foi o do povo hebreu por parte do III Reich alemão? Antes de tudo, genocí­dio sig­nifi­ca eti­mo­logi­ca­mente “genus” (estirpe) e “caedes” (matança), ou seja, «plano pré-esta­b­ele­ci­do com a final­i­dade de matar em parte ou in tot­to um povo, por motivos nacionais, étni­cos ou reli­giosos» (N. Zin­garel­li). Na história exis­tem inu­meráveis genocí­dios; quase toda guer­ra tem com­por­ta­do um genocí­dio ou uma “limpeza étni­ca” por parte dos vence­dores nos con­fron­tos dos ven­ci­dos. Por exem­p­lo, cin­co mil­hões de Amerín­dios ou Índios Amer­i­canos foram exter­mi­na­dos enquan­to Amerín­dios (“Amer­i­can Indi­an”) pelos col­o­nizadores ingle­ses e holan­deses que ocu­param o norte da Améri­ca no Sécu­lo XVII-XVIII. Um mil­hão e meio de Armênios, entre 1894 e 1918, foram mas­sacra­dos enquan­to Armênios e cristãos pelos Otomanos tur­cos e muçul­manos.  Os Ital­ianos foram mas­sacra­dos e lança­dos vivos aos mil­hares em cav­er­nas ver­ti­cais (Foibe) na Ístria, entre 1945–46, pelos “titi­nos” eslavos, ape­nas porque eram ital­ianos. O decênio que ini­ciou em 1990 viu a “limpeza étni­ca” de cen­te­nas de mil­hares entre Sérvios, Bós­nios, Kossovos e Croatas. No Iraque depois de 2003 os Cur­dos, os Suni­tas e os Xiitas estão rec­i­p­ro­ca­mente se “limpan­do etni­ca­mente e reli­giosa­mente”7. Se pen­samos na África, o que diz­er de Ruan­da, dos Usu e Tutzi, os quais se mas­sacraram uns aos out­ros – chegan­do a um número de aprox­i­ma­do de 2 mil­hões de víti­mas – até alguns anos atrás? No entan­to, não é “politi­ca­mente cor­re­to” falar de genocí­dio para eles. Parece que exis­tiu um só genocí­dio, antes “O” genocí­dio do povo hebraico entre 1942–455. Quem o colo­ca em dúvi­da assim como se apre­sen­ta pela pro­pa­gan­da dos vence­dores, ou bus­ca esta­b­ele­cer cifras, estu­dar a questão, em alguns País­es vai pre­so. Ora, porque não dar aos his­to­ri­adores e aos cien­tis­tas a pos­si­bil­i­dade e a liber­dade de pesquis­ar aten­ta­mente os lugares, os doc­u­men­tos e o cor­po do deli­to? Caso con­trário os Palesti­nens­es pode­ri­am invo­car um “crime de nega­cionis­mo” do genocí­dio que sofr­eram em 1948 e con­tin­u­am a sofr­er ain­da hoje em Gaza (uma faixa desér­ti­ca, que encer­ra – como um cam­po de con­cen­tração – um mil­hão e meio de pes­soas, bom­bardeadas ontem, 8 de fevereiro de 2011, pela força aérea israe­lense).

A ‘shoah’ ou ‘nak­ba’9 palesti­nense

«O fato é que no fim da primeira guer­ra, menos da metade da pop­u­lação palesti­na ain­da esta­va na ter­ra natal […]. Sobre o número dos refu­gia­dos se dis­cu­tiu muito no pas­sa­do: os Israe­lens­es falavam em cer­ca de 500 mil refu­gia­dos, os palesti­nens­es, ao invés, falam de um mil­hão e meio de pes­soas expul­sas. Segun­do os his­to­ri­adores con­tem­porâ­neos o numero de refu­gia­dos giraria em torno de 700–800 mil pes­soas» (pp. 115–116). Como se vê se pode lici­ta­mente dis­cu­tir, estu­dar, pesquis­ar as fontes sobre a real enti­dade da “catástrofe” palesti­ne­sa, mas por lei é proibido aos his­to­ri­adores faz­er pesquisas históri­c­as sobre as fontes da catástrofe hebraica vivi­da entre 1942–45. Além dis­so, tam­bém para os Palesti­nens­es vale a per­gun­ta que a Europa se faz quan­to a ceti­ci­dade diante da catástrofe hebraica de 1942–45: «Como é que um grande número de pes­soas den­tro de poucos meses dev­e­ri­am aban­donar a própria ter­ra sem que ninguém no oci­dente se pre­ocu­passe? A tese ofi­cial sus­ten­ta­da por Israel é que os Palesti­nens­es aban­donaram “vol­un­tari­a­mente” o seu ter­ritório. […]. Os Palesti­nens­es, ao con­trário, sem­pre sus­ten­taram que os refu­gia­dos foram expul­sos de modo sis­temáti­co e pre­med­i­ta­do pelo exérci­to israe­lense» (p. 116).

Revi­sion­istas palesti­nens­es

O primeiro his­to­ri­ador que refutou a vul­ga­ta israe­lense sobre o prob­le­ma dos refu­gia­dos palesti­nens­es foi o palesti­nense Walid Kha­li­di no seu livro suprac­i­ta­do All That Remains de 199210. «Ele, con­sul­tan­do os arquiv­os palesti­nens­es e recol­hen­do a memória das teste­munhas, recon­stru­iu de for­ma analíti­ca – trazen­do o elen­co exa­to dos vilare­jos destruí­dos – a “catástrofe”, isto é, a “nakbah”, vivi­da pelo seu povo. Tal estu­do tem pouco eco entre os his­to­ri­adores oci­den­tais, onde se con­tin­ua a repe­tir a vul­ga­ta israe­lense do “exílio vol­un­tário”» (p. 116). Então, o his­to­ri­ador israe­lense Ben­ny Mor­ris dedi­cou três vol­umes a este tema (Víti­mas; 1948: Israel e Palesti­na entre guer­ra e paz; Dois povos uma ter­ra) segun­do os quais os Palesti­nens­es não teri­am sido caça­dos de propósi­to, mas em decor­rên­cia da guer­ra árabe-israe­lense teri­am preferi­do o exílio ao esta­do de con­fli­to e teri­am deix­a­do a Palesti­na impul­sion­a­dos pela guer­ra e pelas “represálias” do Haganah. A expul­são dos Palesti­nens­es, segun­do Mor­ris, não teria sido jamais deci­di­da e dec­re­ta­da pelo Gov­er­no de Tel Aviv e pelo Exérci­to Israe­lense, mas teria acon­te­ci­do naque­las deter­mi­nadas cir­cun­stân­cias de guer­ra “civ­il”. Enfim, o his­to­ri­ador israe­lense Ilan Pappe no seu livro A limpeza étni­ca da Palesti­na11 refutou a tese de Mor­ris e se aprox­i­mou daque­la de Kha­li­di, demon­stran­do – doc­u­men­tos em mão – que o pro­je­to de expul­são foi plan­i­fi­ca­do em 10 de março de 1948 em Tel Aviv, na sede do Haganah pelos Gov­er­nantes e Mil­itares de Israel: «As ordens eram acom­pan­hadas por uma min­u­ciosa descrição dos méto­dos a serem uti­liza­dos para expul­sar a pop­u­lação com a força: assé­dio e bom­bardea­men­to dos vilare­jos, incên­dios de casas, expul­sões, demolições, e enfim colo­cação de minas entre os entul­hos para impedir aos habi­tantes o retorno»12; em caso de resistên­cia «as mili­cias armadas dev­er­am ser elim­i­nadas e a pop­u­lação civ­il expul­sa para fora dos lim­ites do Esta­do»12. Padre Gio­van­ni Sale comen­ta: «tais ordens foram então trans­mi­ti­das as brigadas que prov­i­den­cia­ram a sua exe­cução: o plano era o pro­du­to inevitáv­el da deter­mi­nação sion­ista de ter uma exclu­si­va pre­sença hebraica na Palesti­na, e isto pode­ria ser real­iza­do ape­nas elim­i­nan­do a pre­sença dos nativos do ter­ritório» (p. 118). Ilan Pappe con­cluí: «o obje­ti­vo prin­ci­pal do movi­men­to sion­ista no cri­ar o próprio Esta­do nacional era a limpeza étni­ca de toda a Palesti­na»14. Esta ver­dade históri­ca, demon­stra­da por fatos e doc­u­men­tos, ain­da hoje é sis­tem­ati­ca­mente nega­da.

Epíl­o­go

Refletindo afim de chegar a uma con­clusão sobre aqui­lo que foi lido, se pode diz­er com toda certeza e sem medo de ser tax­a­do como nazis­tas ou anti­s­semi­tas, aqui­lo que segue.

1º) Aque­les que falam de “limpeza étni­ca” fei­ta pelos Israe­lens­es nos con­fron­tos dos Palesti­nens­es são um his­to­ri­ador hebreu viven­do atual­mente em Israel, Ilan Pappe, que escreveu um livro inti­t­u­la­do pre­cisa­mente “A limpeza étni­ca dos Palesti­nens­es” e um his­to­ri­ador jesuí­ta pro­fes­sor da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Gre­go­ri­ana, Padre Gio­van­ni Sale, que escreveu na revista La Civiltà Cat­toli­ca, que é o orgão ofi­cial da San­ta Sé e tem seus ras­cun­hos lidos e cor­rigi­dos pela Secretária de Esta­do vat­i­cana antes de serem pub­li­ca­dos. Então, os autores cita­dos são his­to­ri­adores sérios e profis­sion­al­mente qual­i­fi­ca­dos, não são extrem­is­tas anti­s­semi­tas de dire­i­ta ou de esquer­da, mas recol­her­am fatos, doc­u­men­tos e teste­munhos para escr­ev­er e provar o que foi escrito aci­ma. 2º) Além dis­so, em um cer­to sen­ti­do, a San­ta Sede final­mente con­sider­ou opor­tuno pub­licar a ver­dade, mes­mo se “politi­ca­mente incor­re­ta”, do genocí­dio sofri­do pelos Palesti­nens­es por parte do neona­to Esta­do de Israel. 3º) A palavra “limpeza étni­ca” ou “genocí­dio” pode sur­preen­der se não é apli­ca­da ao povo hebraico como víti­ma, mas como Esta­do car­ras­co, que plan­i­fi­cou jun­to ao Exérci­to israe­lense a expul­são de um povo e a morte de muitos de seus mem­bros para empos­sar-se de sua ter­ra. Todavia, Ilan Pappe fornece todas as provas, como fez um out­ro pro­fes­sor e rabi­no israe­lense, Ariel Toaff, para o homí­cidio rit­u­al prat­i­ca pelos hebreus aske­naz­i­ti con­tra os cristãos no seu livro Pás­coa de sangue (Bologna, Il Muli­no, 2007). 4º) Os números deste genocí­dio sofri­do pelos Palesti­nens­es é livre­mente dis­cu­ti­do e pesquisa­do cien­tifi­ca­mente, sem dev­er isto cair sob a mania de leis lib­er­ti­ci­das e “his­to­ri­ci­das”, como sucede para a shoah dos hebreus. De fato, os autores palesti­nens­es falam de 1 mil­hão e meio de víti­mas entre os mor­tos e desa­lo­ja­dos, os his­to­ri­adores “politi­ca­mente cor­re­tos”, sejam hebreus ou não hebreus, falam de 500 mil víti­mas, ou seja, um terço dos dados dos Palesti­nens­es, enquan­to os his­to­ri­adores atu­ais, mes­mo israe­lens­es, que bus­cam a ver­dade dos fatos e não o “politi­ca­mente cor­re­to”, falam de cer­ca de 800 mil víti­mas. Porque, então, nos per­gun­ta­mos, não é líc­i­to faz­er a mes­ma coisa naqui­lo que diz respeito a shoah? Faz­er história e não “poli­tiquis­mo-cor­re­to” é um crime, um peca­do? Infe­liz­mente sim. De fato se ter­mi­na em prisão (v. Vin­cent Rey­nouard) ou “exco­munga­do” (v. Mons. Richard Williamson). 5º) Enfim o nó que per­manece e que se não for des­feito levará, muito provavel­mente, a guer­ra nuclear no Ori­ente Médio é como colo­car de acor­do Palesti­nens­es e Israe­lens­es. É jus­to que Israel pos­sua 80% da Palesti­na e que os Palesti­nens­es sejam con­fi­na­dos na Cisjordâ­nia e no deser­to de Gaza, que é um ver­dadeiro e próprio “cam­po de con­cen­tração”? Se pode invo­car a ‘shoah’ para jus­ti­ficar a ‘nak­ba’? O que os Palesti­nens­es tem haver com os Alemães? Atenção, não é Akhmadinea­jad a colo­car tais prob­le­mas, mas um his­to­ri­ador israe­lense e um jesuí­ta “pós-con­cil­iar”. Até ago­ra a vul­ga­ta exter­mi­na­cionista da shoah faz água por todas as partes, ape­nas os poli­tiqueiros e os ecle­siás­ti­cos car­reiris­tas se obsti­nam em defendê-la,  et hos devì­ta” (S. Pao­lo).

PADRE CURZIO NITOGLIA

10 de fevereiro de 2011

 

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Notas:



1. B. Mor­ris, Due popoli una ter­ra, Milano, Riz­zoli, 2008, p. 34.

2. W. Kha­li­di, All That Remains: The Pales­tin­ian Vil­lages Occu­pied and Depop­u­lat­ed by Israel in 1948, Wash­ing­ton, Insti­tute for Pales­tine Stud­ies, 1992.

3. Cfr. T. G. Fras­er, Il con­flit­to arabo-israeliano, Bologna, Il Muli­no, 2004, p. 44.

4. A. Gresh, Israele, Palesti­na. La ver­ità di un con­flit­to, Tori­no, Ein­au­di, 2004, p. 75.

5. Cfr. M. Palum­bo, The Pales­tin­ian Cat­a­stro­phe, Lon­dra, Quar­tet Books, 1987, p. 69.

6. Cfr. A. Gresh, cit., p. 77.

7. Jonathan Azazi­ah (Mask of Zion) cita­do por “Effedi­effe” (24 de janeiro de 2011) escreve que no Iraque em 2003 foram out­ros 2 mil­hões de mor­tos inocentes; hoje mes­mo, 9 de fevereiro de 2011, enquan­to escre­vo, acon­te­ceu um aten­ta­do com dezenas de mor­tos.

8. Na URSS se cal­cu­la que foram vários mil­hões de homí­cios políti­cos, segun­do Dim­itri Volko­gonov (Stal­in. Tri­on­fo e trage­dia, New York, Grove Wei­den­feld, 1991) foram 21 mil­hões de 1929 a 1952. Segun­do Robert Con­quest (Il Grande Ter­rore, New York, Oxford, 1990) foram 14 mil­hões mor­tos nos gulag’s de 1929 a 1933. Enquan­to R. J. Rum­merl (Politiche letali: il geno­cidio sovi­eti­co e l’assassinio di mas­sa dal 1917, Trans­ac­tion, 1990) chega a 60 mil­hões até 1987. Como se vê os números vari­am e ninguém arran­ca os cabe­los ou invo­ca “leis de deli­to de nega­cionis­mo do holo­caus­to hebraico”, como infe­liz­mente fez recen­te­mente o Min­istro de Graça e Justiça, o ital­iano Angeli­no Alfano.

9. Shoa em hebraico sig­nifi­ca “catástrofe” não holo­caus­to, o qual pres­supõe uma destru­ição total da víti­ma. Ora os hebreus no mun­do inteiro, entre Trin­da e Quarenta, eram cer­ca de 30 mil­hões, dos quais a metade esta­va na Europa. Então, mes­mo segun­do a vul­ga­ta exter­mi­na­cionista os seis mil­hões de mor­tos não mere­ce­ri­am, em sen­ti­do estre­ito, o títu­lo de “holo­caus­to”. Nak­ba é a palavra árabe para sig­nificar a “catástrofe”; nen­hum palesti­no pre­tende que a catástrofe do seu povo seja um “holo­caus­to”.

10. Cfr pure Id., Iden­tità palesti­nese. La costruzione di una mod­er­na coscien­za nazionale, Tori­no, Bol­lati Bor­inghieri, 2003.

11. La pulizia etni­ca del­la Palesti­na, Roma, Fazi, 2008.

12. La pulizia etni­ca del­la Palesti­na, Roma, Fazi, 2008, p. 4.

13. Ibi­dem, p. 108.

14. Ib., p. 9.